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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.104 no.6 São Paulo jun. 2015  Epub 14-Abr-2015

http://dx.doi.org/10.5935/abc.20150034 

Original Articles

Depressão como Determinante Clínico de Dependência e Baixa Qualidade de Vida em Idosos Cardiopatas

Giselle Helena de Paula Rodrigues2 

Otavio Celso Eluf Gebara2 

Catia Cilene da Silva Gerbi2 

Humberto Pierri2 

Mauricio Wajngarten2 

2Instituto do Coração de São Paulo - INCOR/HC-FMUSP, São Paulo, SP – Brasil

RESUMO

Fundamento:

Com o envelhecimento, a prevalência de doenças crônico-degenerativas sofreu aumento progressivo. A repercussão dessas doenças sobre a capacidade funcional foi reconhecida. Outro parâmetro de saúde é a “qualidade de vida relacionada à saúde”. Na população idosa, as doenças cardiovasculares destacam-se pelo impacto epidemiológico e clínico. Elas, geralmente, vêm associadas a outras afecções. Esse conjunto de problemas pode comprometer a independência e a qualidade de vida do idoso que busca tratamento cardiológico.

Objetivo:

Avaliar, em uma população de idosos cardiopatas, quais são os determinantes clínicos mais relevantes de dependência e de qualidade de vida.

Métodos:

O grupo foi selecionado aleatória e consecutivamente, sendo aplicados quatro questionários: HAQ, SF-36, PRIME‑MD e Mini Exame do Estado Mental.

Resultados:

Incluiu-se 1020 idosos, 63,3% mulheres. O grupo tinha em média 75,56 ± 6,62 anos. 61,4% mostrou-se independente ou com dependência leve. O escore de qualidade de vida foi elevado (HAQ: 88,66 ± 2,68). 87,8% dos pacientes apresentou escore total do SF-36 ≥ 66. À análise multivariada, a associação entre os diagnósticos e graus elevados de dependência foi significante apenas para acidente vascular cerebral prévio (p = 0,014), obesidade (p < 0,001), sedentarismo (p = 0,016), osteoartrite (p < 0,001), déficit cognitivo (p < 0,001), e depressão maior (p < 0,001). Ao analisarmos a qualidade de vida, a depressão maior e a depressão por doença física associou-se significativamente com todos os domínios do SF-36.

Conclusão:

Em uma população de idosos cardiopatas, os determinantes clínicos mais relevantes de prejuízos para dependência e qualidade de vida foram as comorbidades não cardiovasculares, particularmente a depressão.

Palavras-Chave: Depressão; Idosos; Doenças Cardiovasculares; Idoso Fragilizado; Qualidade de Vida

Introdução

Com o envelhecimento da população, a prevalência de doenças crônico-degenerativas sofreu aumento progressivo1. A repercussão dessas doenças sobre a capacidade funcional, que corresponde à habilidade e à independência para executar determinadas tarefas diárias, foi reconhecida 2.

Outro parâmetro de saúde de evolução relativamente recente é a “qualidade de vida” ou, preferivelmente, a “qualidade de vida relacionada à saúde”, que enfatiza o impacto da condição de saúde sobre a qualidade de vida do indivíduo. Ele deriva da experiência do sujeito quanto aos seus problemas da saúde abrangendo vários domínios, nem sempre priorizados pelo profissional da saúde, e que tem implicações importantes na avaliação dos efeitos das intervenções terapêuticas.

Desse modo, a avaliação destes parâmetros de saúde emergiu como parte importante do exame clínico dessa população, fazendo com que as equipes de saúde passassem a objetivar a melhora do estado funcional e o bem estar, além da sobrevida dos pacientes idosos3.

Na população idosa, as doenças cardiovasculares destacam-se pelo enorme impacto epidemiológico e clínico. Elas, geralmente, vêm associadas a outras afecções, inclusive neuropsiquiátricas, que podem ter influência recíproca. Um exemplo disso é a relação entre hipertensão arterial, declínio cognitivo e depressão, expressa fisiopatologicamente por alterações anátomo-funcionais da circulação cerebral4-6. Outra interessante associação foi a encontrada entre a depressão maior e a doença cardiovascular, também explicada por alterações na microcirculação, o que merece maior investigação7.

Obviamente, esse conjunto de problemas pode comprometer a independência e a qualidade de vida do idoso que busca tratamento cardiológico. Nesse sentido, tem sido enfatizado o papel das condições neuropsiquiátricas, dizendo-se que “não há saúde sem saúde mental”8.

De acordo com o último censo do IBGE, em 2010, houve uma mudança significativa no cenário brasileiro de distribuição de doenças, em relação a 1990. As doenças isquêmicas do coração ocupam em 2010 o 1º lugar em prevalência e a depressão, o 6º. lugar. Diferente de 1990, quando ocupavam o 4º. e o 10º. lugares respectivamente9.

Outro dado bem interessante é que, atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 74,1 anos. Desse total, apenas 63,8 são vividos com boa saúde9.

A partir desses achados, verifica-se a importância de adequada investigação de da qualidade de saúde e de quadros depressivos em pacientes atendidos em todos os níveis de atenção à saúde. Ensaios clínicos como o Improving Mood-Promoting Access to Collaborative Treatment(IMPACT)10 e o Coronary Psychosocial Evaluation Studies(COPES)11 mostraram não somente os benefícios à saúde de indivíduos sistematicamente avaliados quanto à depressão no atendimento básico, mas também redução de custos com atendimentos médicos futuros.

Embora alguns estudos mostrem o impacto das doenças crônico-degenerativas sobre a independência de idosos, sobretudo a demência e outras doenças neurológicas crônicas12, esses parâmetros de saúde têm sido relativamente pouco contemplados pelos cardiologistas, tanto em pesquisas como na prática clínica13,14.

As pesquisas tendem a excluir pacientes mais idosos e com comorbidades15, além de raramente considerarem independência e qualidade de vida como desfechos. Consequentemente, com raras exceções16, essas pesquisas, deixam de refletir o “mundo real”, com influência sobre Diretrizes, ensino e prática clínica.

O objetivo deste trabalho é avaliar, em uma população de idosos atendidos em um ambulatório de cardiologia de um hospital de referência, se os determinantes clínicos mais relevantes de dependência e de qualidade de vida são as doenças cardiovasculares ou outras comorbidades muito prevalentes neste grupo, como a depressão.

Métodos

População

O grupo de indivíduos estudado originou-se da Unidade de Cardiogeriatria do Instituto do Coração, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor – HC/FMUSP), sendo o estudo aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa desta instituição.

Os idosos participantes deste estudo foram selecionados aleatoriamente, até atingir uma amostra total de 1020 indivíduos.

Critérios de Exclusão

Os pacientes que apresentaram déficit cognitivo, ou seja, escore < 18 ao Mini Exame do Estado Mental (MEEM), não foram considerados para o cálculo de sua qualidade de vida, visto apresentarem certa dificuldade em responder aos questionamentos do questionário de qualidade de vida (SF-36).

Metodologia

O presente estudo é epidemiológico, observacional e de corte transversal, com duração aproximada de 3 anos para a seleção de todos os indivíduos.

A avaliação clínica dos pacientes foi feita por uma única médica de acordo com os dados obtidos em seus prontuários clínicos.

Paralelamente à avaliação clínica, os pacientes foram atendidos por uma única psicóloga que aplicou um conjunto de quatro questionários validados internacionalmente e no Brasil: Health Assessment Questionnaire (HAQ)17, Short-Form Health Survey (SF-36)18, New Procedure for Diagnosing Mental Disorders in Primary Care(PRIME-MD)19 e Mini Exame do Estado Mental (MEEM)20.

Todas as doenças foram classificadas como presentes ou ausentes.

De acordo com grau de dependência, o grupo foi dividido em dois:

  • Independente e com dependência leve: HAQ com escore de 0 a 1,4;

  • Dependência moderada e dependência grave: HAQ com escore entre 1,5 e 3,0.

A qualidade de vida foi avaliada de acordo com os domínios do SF-36. A partir da média dos escores, dividiu-se o grupo em dois: acima e abaixo da média.

Excluíram-se dos cálculos os pacientes que apresentavam déficit cognitivo, o que poderia interferir no resultado final desta análise. A população foi então dividida em tercis do escore do SF-36: escore entre 0 e 33; > 33 e 66; e aqueles com escore > 66. Todos os indivíduos com MEEM < 18 foram considerados com possível demência.

Cálculo do Tamanho Amostral e Análise Estatística

Para este estudo, considerando-se as chances de eventos listadas acima, pela teoria da Inferência Estatística, e levando-se em conta que o intervalo de confiança em nível de (1-Ω) %, onde Ω é 5%, obtemos a estimativa de tamanho amostral de 870 pacientes. Optamos por ampliar esta amostra para 1020 pacientes (aproximadamente 25% a mais), para garantir que a análise da força das associações dos múltiplos diagnósticos avaliados fosse possível e minimizasse a chance de um erro estatístico tipo beta.

Análise Estatística

Com o objetivo de testar a significância das associações das doenças cardiovasculares e as outras comorbidades com HAQ foi utilizado o teste Qui-quadrado de Pearson. Para avaliar a associação das doenças cardiovasculares e as outras comorbidades com cada um dos 8 domínios do SF36 foi utilizado o teste t-Student.

Testes uni e multivariados foram aplicados para estudar as possíveis associações entre as variáveis analisadas e a qualidade de vida dos pacientes. A fim de verificar a força destas relações, calculou-se o odds ratio de cada uma dessas variáveis em função da dependência e da qualidade de vida. No sentido de avaliar quais, dentre as variáveis analisadas, se associavam de forma significativa e independente com os graus de dependência (HAQ) e qualidade de vida, foi desenvolvido um modelo multivariado de regressão logística “stepwise”, no qual foram incluídos as associações estatisticamente significativas nas análises univariadas. Foi utilizado um nível de significância de 5% (p ≤ 0,05) nos testes estatísticos e O programa empregado foi o Statistical Analysis Software (SAS Institute Inc., NC, USA).

Resultados

Características demográficas e clínicas da população estudada

O estudo incluiu 1020 indivíduos com 60 anos ou mais. Obteve-se 646 mulheres e 374 homens. As idades variaram entre 60 e 97 anos (média: 75,56 anos / desvio padrão: 6,62 anos) sendo que 17,74% tinham entre 60 e 69 anos; 55%, entre 70 e 79 anos; 25,88% entre 80 e 89 anos e 1,37% entre 90 e 97 anos. Brancos somaram 74,9% do total, sendo os outros indivíduos classificados como negros (9,5%), amarelos (2,0%) e pardos (13,5%).

Dentre as doenças cardiovasculares mais prevalentes, destacaram-se: insuficiência cardíaca (IC), doença arterial coronária (DAC) e fibrilação atrial (FA) seguidos por infarto agudo do miocárdio prévio (IAM) e acidente vascular cerebral prévio (AVC). Outras comorbidades que mais prevaleceram no grupo foram: ausência de atividade física regular, hipertensão arterial sistêmica (HAS) e dislipidemia (DLP), além de obesidade, diabetes melitus (DM), tabagismo, osteoartrite (OA), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência renal crônica (IRC), déficit cognitivo e depressão (Tabela 1).

Tabela 1 Prevalência dos diagnósticos mais frequentes na população 

Diagnósticos Número de pacientes (n) Frequência (%)
HAS 882 86,5
DLP 492 48,2
DPOC 95 9,31
Obesidade 279 27,4
DM 267 26,2
Déficit cognitivo 118 11,6
IRC 100 9,8
IC 338 33,2
DAC 331 32,5
FA 215 21,2
IAM 136 13,3
AVC 85 8,3
TDMaior 472 46,3
TDMenor 111 10,8
TDDçaFísica 378 37,0
Ausência de Ativ,Física 990 96,9
Tabagismo 65 6,4

HAS: hipertensão arterial sistêmica; DLP: dislipidemia; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crônica; DM: diabetes melitus; IRC: insuficiência renal crônica; IC: insuficiência cardíaca; DAC: doença arterial coronária; FA: fibrilação atrial; IAM: infarto agudo do miocárdio; AVC: acidente vascular cerebral; TDMaior: transtorno depressivo maior; TDMenor: transtorno depressivo menor; TDDçaFísica: transtorno depressivo por doença física.

Importante salientar que 57,1% da população estudada apresentou depressão (maior ou menor). Deste pacientes, 37% apresentou depressão por doença física.

Além disso, a maior parte da população (61,4%) mostrou-se independente ou com dependência leve (Tabela 2).

Tabela 2 Graus de dependência, de acordo com o HAQ 

Dependência (HAQ) Número de pacientes (n) Frequência (%)
< 1,5 624 61,2
≥ 1,5 396 38,8

HAQ: Health Assessment Questionnaire.

Ao analisar sua qualidade de vida, verifica-se que o escore total de qualidade de vida mostrou-se elevado, sendo que nenhum paciente apresentou escore de SF-36 inferior a 33. A maioria dos pacientes estudados (87,7%) apresentou escore total do SF-36 ≥ 66 (Tabela 3).

Tabela 3 Qualidade de vida da população, de acordo com o SF-36 

SF-36 (escore total) Número de pacientes (n) Frequência (%)
33 – 66 110 12,2
≥ 66 792 87,8

SF-36: Short-Form Health Survey

Associação entre Diagnósticos e Graus de Dependência

À análise multivariada, a associação entre os diagnósticos e graus elevados de dependência foi significante apenas para acidente vascular cerebral prévio (p = 0,014), obesidade (p < 0,001), ausência de atividade física (p = 0,016), osteoartrite (p < 0,001), déficit cognitivo (p < 0,001), e depressão maior (p < 0,001) (Tabela 4).

Tabela 4 Análise multivariada entre diagnósticos e graus elevados de dependência 

    IC a 95% p
Diagnósticos Odds ratio LI LS
AVC 1,97 1,15 3,37 0,014
IC 1,25 0,89 1,75 0,203
HAS 1,60 0,99 2,59 0,053
DM 1,21 0,82 1,77 0,336
Obesidade 2,24 1,59 3,15 < 0,001
Ausência de atividade física 0,08 0,01 0,62 0,016
OA 1,64 1,14 2,37 0,008
Déficit cognitivo 3,17 2,02 4,98 < 0,001
TDMaior 2,76 1,86 4,10 < 0,001
TDMenor 1,14 0,65 1,99 0,642
TDDçaFis. 1,31 0,90 1,89 0,160

AVC: acidente vascular cerebral; IC: insuficiência cardíaca; HAS: hipertensão arterial sistêmica; DM: diabetes melitus; OA: osteoartrose; TDMaior: transtorno depressivo maior; TDMenor: transtorno depressivo menor; TDDçaFísica: transtorno depressivo por doença física.

Associação entre Diagnósticos e Qualidade de Vida

Ao ser realizada a análise multivariada, as variáveis abaixo são as que melhor explicam uma menor qualidade de vida em cada um de seus domínios (Tabela 5).

Tabela 5 Análise multivariada entre diagnósticos e baixos graus de qualidade de vida 

  D1 D2 D3 D4
  OR p OR p OR p OR p
IC 1,89 0,0057 1,56 0,0089        
DAC 1,81 0,0092            
FA     1,59 0,0110 2,03 0,0001    
Ausência de ativ,física 6,77 < 0,001 3,19 0,0048 4,78 0,0001    
HAS 2,21 0,0014     1,75 0,0085 1,70 0,0073
Obesidade 1,65 0,0486            
OA 2,14 0,0072 1,60 0,0146 2,04 0,0012    
DPOC             1,88 0,0143
TDMaior 3,05 < 0,0001 3,49 < 0,0001 2,31 < 0,0001 2,22 < 0,0001
TDDçaFísica 2,83 0,0008 1,76 0,0052 2,12 < 0,0001 1,80 0,0007
 
  D5 D6 D7 D8
  OR p OR p OR p OR p
IC     2,08 0,0006        
DAC         1,52 0,0046    
AVC     4,90 0,0159        
DLP     1,39 0,0206 1,53 0,0023    
DPOC 2,05 0,0229            
IRC             1,98 0,0044
TDMaior 5,44 <0,0001 3,16 <0,0001 2,77 <0,0001 6,08 <0,0001
TDMenor 1,91 0,0138            
TDDçaFísica 1,96 0,0309 2,11 <0,0001 1,43 0,0259 2,41 0,0001

IC: insuficiência cardíaca; DAC: doença arterial coronária; FA: fibrilação atrial; HAS: hipertensão arterial sistêmica; OA:osteoartrose; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crônica; TDMaior: transtorno depressivo maior; TDDçaFísica: transtorno depressivo por doença física; AVC: acidente vascular cerebral; DLP: dislipidemia; IRC: insuficiência renal crônica; TDMenor: transtorno depressivo menor.

Assim, à análise multivariada, associaram-se significativamente aos graus mais baixos de qualidade de vida, de acordo com os seguintes domínios do SF-36:

  • Limitação para atividades físicas por problemas de saúde (D1): IC, DAC, IAM, ausência de atividade física, HAS, Obesidade, OA, TDMaior e TDDça Física;

  • Limitação para atividades sociais por problemas físicos e emocionais (D2): IC, FA, ausência de atividade física, OA, TDMaior e TDDça Física;

  • Limitação para atividades diárias por alterações físicas (D3): FA, ausência de atividade física, HAS, Obesidade, OA, TDMaior e TDDça Física;

  • Dor (D4): HAS, DPOC, TDMaior e TDDça Física;

  • Pior saúde mental geral - stess e bem estar - (D5): DPOC, TDMaior, TDMenor e TDDça Física;

  • Limitação para atividades básicas por problemas emocionais (D6): IC, AVC, DLP, TDMaior e TDDça Física;

  • Menor vitalidade (D7): DAC, DLP, TDMaior e TDDça Física;

  • Pior percepção de sua saúde (D8): IRC, TDMaior e TDDça Física.

Discussão

Entre os pacientes idosos estudados, a depressão apresentou alta prevalência, com grande impacto sobre a independência e qualidade de vida desses indivíduos. Este fato surpreende, pois estamos analisando um grupo com múltiplas comorbidades, aparentemente, mais graves que o quadro depressivo.

Recentemente, três importantes desafios foram identificados por médicos interessados em melhorar o tratamento de seus pacientes idosos com múltiplas comorbidades:

  1. Dificuldade em aplicar as diretrizes e necessidade de individualizá-las à realidade dos pacientes;

  2. Dificuldade em escolher uma das estratégias: priorizar certas entidades clínicas, tratar doenças individualmente considerando o risco de cada uma delas ou iniciar o tratamento antes que ocorram efeitos adversos;

  3. O conflito entre as preferências do médico e de seus pacientes21.

Os resultados deste estudo podem contribuir para minimizar esses desafios e aprimorar o atendimento dos idosos, visto que a redução de dependência e melhoria de qualidade de vida são os objetivos fundamentais no atendimento desses pacientes22.

Além disso, sabe-se que existe uma forte associação entre depressão em idosos e fatores que aumentam sua mortalidade23,24, tais como baixa adesão ao tratamento médico ou ausência de auto cuidado25 para condições como diabetes, doenças cardiovasculares, tabagismo, sedentarismo26, declínio cognitivo27 e dependência28. Assim, torna-se fundamental não somente o mapeamento desses fatores, mas, sobretudo a correlação entre eles.

Na população estudada, chama à atenção a frequência muito elevada de depressão: quase a metade com depressão maior, 11% com depressão menor, sendo 37% dos casos relacionados à doença física.

O número de indivíduos deprimidos supera o esperado, quando comparado a estudos relacionados ao tema29,30. Contudo, vários fatores podem influenciar na variação da prevalência de depressão, como diferentes metodologias diagnósticas e características sócio demográficas. Estudos mostram que mulheres e pessoas com menor grau de escolaridade têm mais critérios para o diagnóstico de depressão31, enquanto que, entre idosos, esses critérios são menos encontrados, possivelmente porque a depressão nesta população é sub diagnosticada ou pouco referida32. Além disso, estudos populacionais mostraram que os maiores fatores de risco para doenças mentais não são apenas as doenças crônicas, mas também as diferenças sócio econômicas e a dificuldade de acesso à saúde geral e mental31.

Visto tratar-se de uma população composta exclusivamente por idosos cardiopatas, o índice elevado de depressão poderia ser explicado pela conhecida relação entre depressão e doença cardiovascular. Sabe-se que a presença de depressão maior pode aumentar o risco de doença cardiovascular devido a alterações de microcirculação, apesar de que fatores genéticos parecem estar também envolvidos neste mecanismo8.

Dados epidemiológicos recentes mostraram perfil semelhante também entre os grandes idosos, maiores de 85 anos. Chama a atenção que, além das inúmeras comorbidades e da maioria composta por mulheres, esses idosos relataram possuir boa qualidade de saúde e baixo grau de dependência33.

No presente estudo, o grau de dependência foi baixo para mais da metade dos pacientes. Contudo, apesar de ser capaz de frequentar o ambulatório, quase 40% tinha dependência elevada ou moderada (HAQ ≥ 1,5).

De modo geral, o escore de qualidade de vida pelo SF-36 foi elevado, sendo que nenhum paciente apresentou escore inferior a 33 e quase 90% apresentou escore maior que 66.

Contudo, o escore do domínio emocional foi menor que 65 em 55% dos indivíduos, antecipando uma grande influência da depressão sobre a qualidade de vida.

Quando analisamos as associações entre os diversos diagnósticos e o grau de dependência dos pacientes, verificamos que houve associação significativa para os diagnósticos cardiovasculares de acidente vascular cerebral prévio, ausência de atividade física regular e obesidade, e para os diagnósticos não cardiovasculares de osteoartrite, declínio cognitivo e depressão maior (Tabela 2).

É relativamente simples explicar maiores graus de dependência para pacientes com acidente vascular cerebral prévio, osteoartrite, declínio cognitivo e transtorno depressivo maior. Por outro lado, ausência de atividade física regular e obesidade poderiam ser consequências da própria dependência, justificando a associação encontrada.

Chama a atenção, portanto, a dependência ter se associado mais com as comorbidades não cardiovasculares do que com os diagnósticos de doenças e fatores de risco cardiovasculares. A falta de associação entre dependência e insuficiência cardíaca, apesar desta ter sido diagnosticada em 33% da amostra e ser uma condição relacionada ao aumento de morbidade, pode ser explicada pelo estado de compensação e baixa repercussão clínica no momento em que o estudo foi realizado. Deve ser considerado ainda que os pacientes fossem capazes de frequentar o ambulatório e poderiam representar um grupo de pacientes com menor repercussão clínica. A mesma justificativa pode ser dada para a falta de associação com a doença pulmonar obstrutiva crônica.

Ao analisarmos as associações entre os diagnósticos clínicos e a qualidade de vida dos indivíduos, verificamos que a maioria das condições relaciona-se significativamente com algum dos domínios do SF-36. Porém, o que deve ser salientado é a associação significativa da depressão maior e por doença física com todos os domínios do SF-36. O que não ocorre com os diagnósticos cardiovasculares.

A exemplo do observado com relação à dependência, chama a atenção a pobreza da associação de diagnósticos cardiovasculares com a qualidade de vida enquanto que o diagnóstico de transtorno depressivo associa-se fortemente.

Com o aprimoramento da avaliação e da intervenção sobre os fatores “modificáveis” associados ao aumento do risco de incapacidade33, vem ocorrendo uma tendência à redução dos graus de limitação funcional e incapacidade34. Entretanto, esse parâmetro tem sido pouco estudado em cardiologia.

Quanto à qualidade de vida, só recentemente houve uma aplicação mais ampla de instrumentos para avaliá-la no meio cardiológico35-37.

O presente estudo mostra que as comorbidades não cardiovasculares, com destaque para os transtornos depressivos, têm impacto maior que as doenças cardiovasculares sobre a dependência e a qualidade de vida de idosos que frequentam um ambulatório de cardiologia. Esse cenário ressalta a importância de conhecer o perfil do paciente idoso e da inclusão de uma avaliação geriátrica eficiente, integrando à anamnese tradicional uma ampla avaliação em busca de possíveis perdas funcionais e de qualidade de vida38,39.

Em 2008, a American Heart Association já ressaltava essa necessidade. Em importante publicação, preconizou que testes de rastreio para depressão devem ser aplicados em todos os pacientes com doença cardiovascular, em todos os locais de atendimento: hospitalar, ambulatorial ou centros de reabilitação cardiovascular. A oportunidade de diagnosticar e tratar esses pacientes não deve ser perdida, pois pode promover melhorias importantes às condições de saúde desses pacientes40.

Assim, torna-se necessária a adequação dos serviços de atendimento e de programas de ensino e capacitação dos profissionais envolvidos no atendimento de idosos.

O presente estudo apresenta algumas limitações. Por se tratar de um estudo observacional de corte transversal, com apenas uma avaliação no tempo de todas as variáveis, as associações observadas podem não representar totalmente a realidade desta população. Outra limitação do presente estudo se refere à fonte dos pacientes estudados, que é um ambulatório de um hospital de alta complexidade, podendo ocorrer assim, um viés de seleção de uma população mais gravemente enferma, o que impede a generalização dos nossos achados para outros grupos. Ainda nessa linha, foram estudados apenas pacientes que puderam vir ao ambulatório, provavelmente excluindo pacientes totalmente dependentes e acamados.

Conclusão

Em uma população de idosos atendidos em um ambulatório de cardiologia de um hospital de referência, os determinantes clínicos mais relevantes de prejuízos para dependência e qualidade de vida são as comorbidades não cardiovasculares, particularmente a depressão.

Fontes de financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação acadêmica

Este artigo é parte de tese de Doutorado de Giselle Helena de Paula Rodrigues pela Universidade de São Paulo - FMUSP/ INCOR-SP.

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Recebido: 25 de Julho de 2014; Revisado: 17 de Outubro de 2014; Aceito: 30 de Outubro de 2014

Correspondência: Giselle Helena de Paula Rodrigues, Rua Ministro Godoi, 1186, apto.12, Perdizes. CEP 05015-001, São Paulo, SP – Brasil. E-mail: g2121@cardiol.br; g2121@terra.com.br

Contribuição dos autores

Concepção e desenho da pesquisa: Rodrigues GHP, Gebara OCE, Pierri H, Wajngarten M. Obtenção de dados: Rodrigues GHP, Gerbi CCS. Análise e interpretação dos dados: Rodrigues GHP, Gebara OCE, Wajngarten M. Análise estatística: Rodrigues GHP, Gebara OCE. Redação do manuscrito: Rodrigues GHP, Wajngarten M. Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante:Gebara OCE, Pierri H, Wajngarten M.

Potencial conflito de interesse

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

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