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Revista da Escola de Enfermagem da USP

versão impressa ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.47 no.4 São Paulo ago. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-623420130000400031 

Relato de Experiência

Teleamamentação no Programa Nacional de Telessaúde no Brasil: a experiência da Telenfermagem

Tele lactancia en el Programa Nacional de Telesalud en el Brasil: la experiencia de la Telenfermería

Cláudia Prado 1  

Isília Aparecida Silva 2  

Alda Valéria Neves Soares 3  

Ilva Marico Mizumoto Aragaki 4  

Gilcéria Tochika Shimoda 5  

Vanessa Forte Zaniboni 6  

Camila Brolezzi Padula 7  

Fabiana Swain Muller 8  

Jeanine Maria Salve 9  

Sergio Daré Junior 10  

Chao Lung Wen 11  

Heloísa Helena Ciqueto Peres 12  

Maria Madalena Januário Leite 13  

1Professora Doutora do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermage m da Universidade de São Paulo . Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologia da Informação nos Processos de Trabalho em Enfermagem – GEPETE. São Paulo, SP, Brasil. claupra@usp.brclaupra@usp.br

2Professora Titular da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

3Doutora em Ciências da Saúde. Diretora da Divisão Materno Infantil do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

4Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Chefe da Unidade de Alojamento Conjunto do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

5Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Enfermeira Obstétrica da Unidade de Alojamento Conjunto do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

6Enfermeira Obstétrica da Unidade de Alojamento Conjunto do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

7Bacharel em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

8Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

9Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

10Pediatra. Professor Convidado da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

11Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo São Paulo , SP , Brasil .

12Livre-Docente. Professora Associada do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo . São Paulo, SP, Brasil.

13Livre-Docente. Professora Associada do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

RESUMO

O Programa Nacional de Telessaúde é uma ação do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e tem como proposta a qualificação das equipes de saúde da família em todo país. Nessa perspectiva, o Núcleo São Paulo de Telessaúde desenvolveu a Teleamamentação, que tem como meta proporcionar aos profissionais da atenção primária informações sobre diversos aspectos da amamentação por diferentes profissionais da área da saúde. Este trabalho tem por objetivo relatar a experiência da Teleenfermagem na Teleamamentação do Programa Nacional de Telessaúde no Brasil no Núcleo São Paulo. Como metodologia de trabalho adotou-se a criação de um grupo multidisciplinar composto por pediatras, enfermeiras, fonoaudiólogas, nutricionistas e dentistas. Foram elaborados materiais didáticos multimídia inseridos na plataforma Cybertutor. Vislumbra-se a Teleamamentação como uma estratégia inovadora e promissora por permitir um impacto relevante na educação permanente de profissionais da saúde.

Palavras-Chave: Aleitamento materno; Educação à distância; Educação em saúde; Pessoal de saúde; Tecnologia

RESUMEN

El Programa Nacional de Telesalud es una acción del Ministerio de Salud, en colaboración con el Ministerio de Educación (MEC) y el Ministerio de Ciencia y Tecnología (MCT), y tiene como propuesta capacitar a los equipos de salud de la familia en todo el país. Desde esta perspectiva, el Núcleo Sao Paulo de Telesalud desarrolló la tele lactancia, que tiene como meta proporcionar a los profesionales de atención primaria, informaciones sobre diversos aspectos de la lactancia materna, por diferentes profesionales del área de la salud. Este trabajo tiene por objetivo relatar la experiencia de la Teleenfermería en la tele lactancia del Programa Nacional de Telesalud en el Brasil, en el Núcleo Sao Paulo. La metodología de trabajo adoptada fue la creación de un grupo multidisciplinario compuesto por pediatras, enfermeras, fonoaudiólogas, nutricionistas y odontólogos. Fueron elaborados materiales didácticos multimedia incluidos en la plataforma Cybertutor. Se vislumbra la Tele lactancia como una estrategia innovadora y prometedora por permitir un impacto significativo en la educación continuada de los profesionales de la salud.

Palabras-clave: Lactancia materna; Educación a distancia; Educación en salud; Personal de salud; Tecnología

INTRODUÇÃO

A educação permanente dos profissionais de saúde tem sido uma preocupação do Ministério da Saúde no Brasil. Ela é vista como um meio de transformar as práticas educativas da formação, da atenção, da gestão, de formação de políticas, de participação popular e de controle social no setor de saúde ( 1 ) .

É considerada uma tarefa de alta complexidade devido à vasta dimensão geográfica existente no Brasil bem como a baixa disponibilidade dos profissionais para a atualização e a sua distribuição irregular pelo país, com grande concentração em centros urbanos e regiões mais desenvolvidas.

A crescente especialização e suas consequências sobre os custos econômicos, a dependência de tecnologias mais sofisticadas e de vida útil curta, muitas vezes, além do predomínio da formação hospitalar, com foco nos aspectos biológicos e tecnológicos da assistência exigem iniciativas ambiciosas para a transformação da formação dos profissionais de saúde ( 2 ) .

O desafio de capacitar profissionais às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS) implica, dentre outras mudanças, profundas alterações na forma de organização da formação e capacitação destes profissionais. A busca de alternativas que propiciem a construção de programas de ensino que possibilitem a maior aderência aos desenhos de organização da atenção à saúde, aprendizagens significativas e desenvolvimento da capacidade de intervenção crítica e criativa no sistema nacional de saúde, leva à incorporação do conceito de competência profissional, cuja compreensão passa pela vinculação entre educação e trabalho, formação e desenvolvimento institucional, aprendizagem e resolutividade da rede de atenção à saúde ( 3 ) .

Nesse sentido a incorporação de tecnologias no ensino amplia o acesso à informação e interatividade entre os profissionais da saúde, permitindo um processo educacional interativo que pode ser estimulado por meio da integração de múltiplas mídias, linguagens e recursos ( 4 ) .

A aplicação das ferramentas de informática e das telecomunicações no campo da atenção à saúde contribui para a formação dos profissionais da saúde, bem como proporciona importantes possibilidades de melhorar a cobertura dos serviços, permitindo fazer o intercâmbio efetivo de informações tanto administrativas quanto clínicas ( 5 ) .

O uso dessas tecnologias para promover e apoiar o cuidado e a educação em saúde quando os participantes dessa ação estão à distância, é definida por telessaúde. No Brasil a integração de soluções tecnológicas com serviços de qualidade que possibilitam melhorar as atividades de educação, de planejamento da logística de saúde, de regulação da teleassistência e de implementação de métodos para proporcionar pesquisas multicêntricas, tendo sido fortemente difundida por entidades representativas de telemedicina e Telessaúde ( 6 ) .

Considerando o termo telessaúde, a interdisciplinaridade torna-se uma referência a ser adotada nos programas de Teleeducação e de educação permanente a qual pode ser definida ( 7 ) como um conjunto de disciplinas conexas cujas relações se definem a partir da identificação de problemas em comum e plataforma de trabalho conjunto.

Na enfermagem, a American Nurses Association (ANA) considera a telessaúde como um termo amplo, tipo guarda-chuva , que inclui a telemedicina, a Teleenfermagem, a teleodontologia e as demais áreas da saúde, definindo-o como

atividades ou serviços prestados do cuidado em saúde afastados por barreiras de distância e de tempo e que usam tecnologias como telefones, computadores ou transmissão interativa por vídeo ( 8 ) .

O International Council of Nurses (ICN) reforça que a Teleenfermagem é um componente da telessaúde, sendo caracterizada como o desenvolvimento da prática de enfermagem à distância, mediada, em todo ou em parte, por meio eletrônico, englobando as dimensões do processo de trabalho assistencial, educacional, de gerenciamento e de pesquisa ( 9 ) .

O enfermeiro, por meio da Teleenfermagem, nacionalmente, tem desenvolvido várias formas de aplicações das tecnologias em diferentes instituições de ensino por meio de grupos de pesquisas que abordam essa temática, vinculados a Programas de Pós-Graduação em enfermagem. Essas experiências caracterizam-se, principalmente, por atividades de teleconsultas, desenvolvimento, avaliação e implementação de sistemas de apoio a decisão clínica e gerencial, bem como de ambientes virtuais de aprendizagem e objetos educacionais digitais que tem contribuído para a formação e para a educação permanente dos profissionais de enfermagem e de saúde atuantes na atenção primária e na rede hospitalar pública e privada ( 10 ) . Internacionalmente, somado às atividades de teleconsulta, educação e aconselhamento, a Teleenfermagem representa uma ferramenta para a otimização de tempo e aumento da produtividade na prática clínica, como por exemplo, a utilização desta tecnologia em home care, com o seguimento de pacientes que moram em áreas remotas ou mesmo a interpretação de exames diagnósticos ou consultas a especialistas ( 11 ) .

O teleenfermeiro é o profissional que possui competências e habilidades para utilizar as tecnologias de telecomunicações, como sistemas de informação, redes, softwares e aplicações web por meio do uso de computadores e outras, no desenvolvimento do trabalho da enfermagem ( 9 ) .

É nesse contexto que o Ministério da Saúde, responsável pela Política de Educação na Saúde, inclui, entre suas várias ações, a utilização das modernas tecnologias de informação e comunicação, visando à qualificação da atenção à saúde. A portaria nº 35 de 04 de janeiro de 2007 instituiu o Programa Nacional de Telessaúde, com

o objetivo de desenvolver ações de apoio à assistência à saúde e, sobretudo, de educação permanente de Saúde da Família ( 12 ) .

A educação para o trabalho e a perspectiva de mudanças de práticas de trabalho que resulte na qualidade do atendimento da atenção primária do SUS foram objetivos primordiais.

Com o Programa de Telessaúde foram implantadas infra-estruturas em zonas remotas do país, o que permite às equipes de saúde da família o seu desenvolvimento contínuo à distância ( 12 ) .

Visando o desenvolvimento dessas ações, uma estratégia do Programa Nacional de Telessaúde é

integrar as equipes de saúde da família das diversas regiões do país com os centros universitários de referência, cuja finalidade é a de melhorar a qualidade dos serviços prestados em atenção primária e redução dos custos de saúde via qualificação profissional, redução da quantidade de deslocamentos desnecessários de pacientes e por meio do aumento de atividades de prevenção de doença ( 12 ) .

No Projeto Piloto Nacional de Telessaúde aplicada à atenção primária participaram 9 estados do Brasil, (Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), com um Núcleo de Telessaúde em cada estado. Neste projeto estavam previstos, para cada Núcleo de Telessaúde, a vinculação de 100 pontos de telessaúde, totalizando a implementação de 900 pontos instalados e funcionando em Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios selecionados, que atenderão 2700 equipes de saúde da família, distribuídas nas 5 regiões do país. Vale destacar que a portaria nº 402, de 24 de fevereiro de 2010 institui, em âmbito nacional, o Programa Telessaúde Brasil para apoio à Estratégia de Saúde da Família (ESF) no SUS, institui o Programa Nacional de Bolsas do Telessaúde Brasil e dá outras providências. Como explicita o art. 3º, o Programa Telessaúde Brasil é composto por:

I - Coordenação Nacional do Programa Telessaúde Brasil e da Rede Telessaúde Brasil, exercida pelo Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Gestão da Educação na Saúde, da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (DEGES/SGTES/MS).

Dentro deste Programa, destaca-se, o Núcleo de Telessaúde de São Paulo que vem estabelecendo parcerias entre diferentes centros de referência de ensino nacionais e internacionais de saúde como a enfermagem, nutrição, odontologia, fisioterapia, entre outras, visando à construção de equipes multiprofissionais e coletivas de trabalho, fortalecendo as práticas profissionais, possibilitando a resolutividade dos problemas de saúde das populações locais ou referidas e constituindo-se de estratégia tecnológica inovadora ímpar para a qualidade do trabalho.

O Núcleo de Telessaúde de São Paulo do Programa Telessaúde Brasil

O Núcleo de Telessaúde de São Paulo está instituído na Disciplina de Telemedicina (DTM) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) que possui um elenco de soluções desenvolvidas na própria disciplina que permitem utilizar e oferecer tecnologias de ponta semelhantes aos centros modernos de telemedicina nos Estados Unidos da América e na Europa.

A DTM tem como objetivos ensinar telemedicina em nível de graduação e pós-graduação, incentivar a prática da telemedicina, prestar serviços à comunidade e pesquisar e acompanhar a evolução da telemedicina. A DTM produz trabalhos científicos, educa em nível de graduação e pós-graduação e presta assistência à comunidade. Nos últimos anos, vem desenvolvendo vários projetos, pesquisando e reunindo tecnologias para promover a telemedicina de ponta (videoconferência, robótica na cirurgia, ultra-sonografia portátil, entre outros), além de construir sistemas para promover a telemedicina de larga abrangência baseada na Internet como o Cybertutor ( 13 ) .

O Cybertutor é um sistema que permite o acompanhamento de forma interativa do aprendizado dos alunos. Após o sistema fornecer um conjunto de informações teóricas sobre um determinado tema é apresentado aos alunos, uma relação de perguntas com o objetivo de validar o entendimento sobre o assunto estudado. Se as respostas forem corretas, o sistema permite que o aluno avance para o tópico seguinte. Caso contrário, o aluno deve retomar os estudos e responder novamente as questões. O Cybertutor permite ao coordenador do curso verificar o progresso de cada aluno (o conteúdo estudado e o número de erros e acertos). O acesso dos usuários é feito por meio de cadastramento e senha no site do Núcleo de Telessaúde de São Paulo ( 13 ) .

Destaca-se, no Núcleo de Telessaúde de São Paulo, a parceria da DTM - FMUSP com o Centro de Teleenfermagem da Escola de Enfermagem da USP (CETEnf-EEUSP) ( 14 ) que vem propiciando o desenvolvimento da Teleenfermagem com ações de Teleeducação e de Teleassistência combinando recursos como o Homem Virtual ( 15 ) , vídeos de orientação, recursos computacionais, manuais eletrônicos e treinamento presencial para difundir conhecimento e diminuir os custos com saúde pública no Brasil e promover a qualidade de vida da população.

Tendo em vista a importância do uso desta ferramenta na assistência em saúde, a mesma foi pensada como uma importante estratégia para capacitar profissionais de saúde e agentes comunitários das diversas regiões do Brasil para prestarem assistência qualificada em aleitamento materno. Esta medida teve como objetivo melhorar a problemática dos baixos índices de aleitamento materno no Brasil, levando à redução da mortalidade infantil e à promoção da saúde física, mental e psíquica da criança e da nutriz. Sendo assim, a concepção da teleamamentação ocorreu por uma demanda do Ministério da Saúde e por fazer parte de uma das metas das ações em atenção primária do Programa Nacional de Telessaúde do Núcleo São Paulo.

O objetivo deste estudo relatar a experiência da enfermagem na teleamamentação do Programa Nacional de Telessaúde no Brasil no Núcleo São Paulo.

MÉTODO

A concepção da Teleamamentação

O projeto da Teleamamentação teve início em março de 2008 e seu planejamento inicial se deu a partir da designação, por parte do responsável pelo programa, de um coordenador, e este pela criação de um grupo de trabalho, denominado Grupo de Teleamamentação .

Esta equipe foi composta por profissionais de diferentes áreas da saúde, relacionadas de alguma forma à amamentação. Foram incluídos pediatras, enfermeiras, fonoaudiólogas, nutricionistas e dentistas. Este grupo teve por finalidade trazer informações relevantes de cada área especializada, congregadas num só bloco de material de ensino/aprendizagem, proporcionando aos profissionais de saúde e agentes comunitários da ESF informações relevantes e de boa qualidade técnica por meio de um único acesso ( 16 ) .

A enfermagem fez parte deste grupo de trabalho que foi composto por enfermeiras-docentes da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) e coordenadoras do CETEnf; enfermeiras obstétricas, mestres e doutoras do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) dos setores de alojamento conjunto e berçário; enfermeiras pesquisadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologia da Informação nos Processos de Trabalho em Enfermagem – (GEPETE) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Aleitamento Materno (NEPAL), ambos da EEUSP, vinculados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Esta parceria vem fortalecendo a integração docente-assistencial existente em nossa larga experiência profissional.

A estruturação do plano de trabalho ocorreu por meio de reuniões periódicas, semanais e/ou quinzenais com inclusão de videoconferências com profissionais de outra cidade; troca de informações por e-mail ; realização de atas a cada reunião para documentar as atividades a serem realizadas e executadas, de modo que todos os profissionais envolvidos pudessem acompanhar a evolução do mesmo.

A elaboração do material técnico

Em relação ao material técnico, foi elaborado um texto sobre aleitamento materno, distribuído em doze tópicos e alguns subtópicos, sendo que ao final de cada tópico foi colocado um conjunto de questões para auto-avaliação. Este texto foi entremeado por fotos, ilustrações, vídeos e por imagens dinâmicas, tridimensionais (Homem Virtual) ( 15 ) e feita uma revisão técnica por duas pediatras com experiência reconhecida na área. Houve ainda a revisão do texto por profissionais da área de comunicação da equipe de comunicação da DTM – FMUSP. Foram realizados ainda materiais multimídia para serem inseridos no texto.

Os materiais produzidos foram agrupados separadamente para os profissionais de saúde e para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), de acordo com limites das atribuições que competem a cada um desses sujeitos e com a complexidade de seus conteúdos.

RESULTADOS

Como resultado deste trabalho, para os profissionais de saúde, obteve-se a produção de um texto técnico sobre amamentação composto por doze capítulos, com adequação de linguagem realizada por profissionais da comunicação; um vídeo sobre amamentação; a produção de dez casos clínicos relacionados às áreas profissionais que compõem o Grupo de Teleamamentação; a elaboração de roteiros de questões para constituírem as áudios-dicas e a construção de um roteiro de sucção e deglutição no bebê para o desenvolvimento das iconografias em 3D ( 16 ) .

Para os Agentes Comunitários de Saúde foram organizados sete capítulos, com uma linguagem compatível para esse público e os conteúdos foram dispostos em 10 itens denominados 10 passos para cada tema. Estes conteúdos foram agregados num só bloco de material de ensino/aprendizagem denominado Teleamamentação, utilizando o tutor eletrônico Cybertutor, desenvolvido pela DTM da FMUSP ( 13 ) .

A produção da enfermagem resultou na confecção de quatro dos doze capítulos que finalizaram o texto final sendo eles: anatomia da mama e fisiologia da lactação; contra-indicações do aleitamento materno; orientações para o aleitamento materno; roteiro da ordenha mamária e um caso clínico de como obter uma história de amamentação e observação da mamada. Participou ainda na elaboração de um roteiro e direção do vídeo sobre ordenha mamária que foi produzido em parceria com a equipe de comunicação da DTM da FMUSP. Esse, com oito minutos de duração, abordou como realizar a ordenha mamária e está em fase de edição para ser disponibilizado na plataforma Cybertutor.

Tela do website do Núcleo de Telessaúde de São Paulo do Programa Telessaúde Brasil demonstrando o Cybertutor ( Figura 1 ).

Figura 1 Teleamamentação para profissionais da saúde e imagens da técnica de amamentação – São Paulo, 2011 

DISCUSSÃO

O material desenvolvido vem ao encontro da necessidade de promover a qualificação profissional mediante processo sistemático de capacitação assegurando acesso à materiais didáticos de qualidade comprovada e valorização da singularidade profissional do ACS como um trabalhador no campo de interface intersetorial da saúde.

Cabe destacar que o aleitamento materno além de ser biológico é histórico, social e psicologicamente delineado, estando a cultura, a crença e os tabus influenciando de forma crucial a sua prática, interferindo na construção de uma herança sociocultural e determinando diferentes significados ao aleitamento materno para a mulher ( 17 ) .

A criação da Teleamamentação no Programa Nacional de Telessaúde – Núcleo São Paulo, constituída por uma equipe multiprofissional, teve como meta capacitar profissionais da ESF em relação ao aleitamento materno com vistas a subsidiar conhecimentos, atitudes e habilidades que gerem crítica, reflexão, compromisso e sensibilidade, segundo as competências esperadas destes trabalhadores da equipe de saúde.

Ressalta-se que os principais fatores de sucesso desse programa foram a estrutura interdisciplinar da Teleamamentação e do Núcleo de Telessaúde de São Paulo do Programa Telessaúde Brasil, bem como a parceria entre o CETEnf-EEUSP e a DMT–FMUSP e a articulação docente assistencial entre a EEUSP e Departamento de Enfermagem do HU-USP.

Vislumbra-se a teleamamentação como uma estratégia promissora pela perspectiva de produzir um impacto relevante na educação permanente de profissionais da saúde, pela incorporação de diferentes mídias no processo de construção e re-construção dos saberes na saúde bem como pelo aprendizado a partir das múltiplas potencialidades, capacidades e interesses dos educandos, contribuindo assim para uma aprendizagem potencialmente significativa.

Tendo em vista a importância do aleitamento materno para a criança e a mulher, entende-se que o sucesso da promoção da amamentação, também está relacionado a programas educativos de diversas naturezas e feitos de formas diferenciadas para sujeitos específicos.

CONCLUSÃO

Considera-se que ainda há muito a se criar, experimentar e corrigir neste campo desafiador de constituição de uma prática profissional mediada pelas tecnologias da informação e comunicação. A Teleenfermagem exige mudanças mais profundas do que uma simples transposição da prática presencial para o mundo virtual, focando exclusivamente as questões de hardware, conectividade ou software especializado para assistência, ensino ou pesquisa via internet.

Evidencia-se a importância da Teleenfermagem estar integrada às características da profissão e à reflexão ético-política, em contraposição aos modismos tecnológicos e aos interesses econômicos que colocam o foco da atenção na ferramenta propriamente dita.

A Teleenfermagem deve ser inserida na formação e na capacitação dos profissionais de enfermagem, desenvolvendo habilidades técnicas, científicas e ético-políticas, bem como priorizando a interação humana que acontece, especialmente, no trabalho de enfermagem, representado pela relação face a face, respeitando a individualidade do ser humano, pela importante responsabilidade social que tem e pelo compromisso ético com a vida.

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Recebido: 17 de Fevereiro de 2012; Aceito: 20 de Fevereiro de 2013

Correspondência Cláudia Prado. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 – Cerqueira Cesar. CEP 05403-000 – São Paulo, SP, Brasil

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