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Revista da Escola de Enfermagem da USP

versão impressa ISSN 0080-6234versão On-line ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.49 no.spe2 São Paulo dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-623420150000800013 

ARTIGO ORIGINAL

Avaliação do curso de gerenciamento online na perspectiva dos egressos

Evaluación del curso gestión online desde la perspectiva de los egresos

Geisa Colebrusco de Souza1 

Maria Narcisa da Costa Gonçalves2 

Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva Martins3 

Elisabete Maria das Neves Borges2 

Vera Lucia Mira4 

Maria Madalena Januário Leite5 

1Doutoranda, Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

2Professora Adjunta, Escola Superior de Enfermagem do Porto, Porto, Portugal.

3Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem do Porto, Porto, Portugal.

4Professora Associada, Departamento de Orientação Profissional, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

5Professora Titular, Departamento de Orientação Profissional, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

RESUMO

Objetivo

Avaliar curso online na perspectiva do egresso e verificar a relação entre variáveis.

Método

Estudo quantitativo, descritivo e exploratório, aplicado aos participantes no final de três versões de um curso de atualização onlinena temática de Gerenciamento em Enfermagem.

Resultados

Os índices de satisfação nas três categorias elencadas, em três anos, apresentaram resultados acima de 75,0%. Os coeficientes obtidos indicaram alta consistência do questionário. Considerando o índice total, a categoria Desempenho do tutor foi a de índice mais alto. Fortes associações entre Autoavaliação e Desempenho do tutor, Autoavaliação e Programa do curso e Desempenho do tutor e Programa do curso foram identificadas. Não houve associação entre as três categorias referidas com as demais variáveis do estudo.

Conclusão

Os egressos demonstraram satisfação com o curso, que favoreceu a interação e a promoção do conhecimento coletivo no gerenciamento em enfermagem. Foram reconhecidos, também, aspectos que carecem de melhorias, com destaque à capacitação do tutor para mediar discussões e estimular o envolvimento do estudante ao longo do curso.

Palavras-Chave: Educação a Distância; Capacitação; Educação Continuada em Enfermagem; Avaliação

RESUMEN

Objetivo

Evaluar curso online desde la perspectiva de los egresos y verificar la relación entre las variables.

Método

Estudio cuantitativo, descriptivo y exploratorio aplicado a los participantes en el final de tres versiones de un curso de actualizaciónonline en la temática de Gestión en Enfermería.

Resultados

Los índices de satisfacción en las tres categorías enumeradas, en tres años, presentaron resultados arriba de los 75,0%. Los coeficientes indican una alta consistencia del cuestionario. Teniendo en cuenta el índice total, la categoría Desempeño del Tutor ha presentado el índice más alto. Se identificaron fuertes asociaciones entre Autoevaluación y Desempeño del Tutor, Auto Evaluación y Programa del Curso, y Desempeño del Tutor y Programa del Curso. No se identificaron asociaciones entre las tres categorías mencionadas con las otras variables del estudio.

Conclusión

Los egresos expresaron su satisfacción por el curso que favorecía la interacción y la promoción del conocimiento colectivo en la gestión de enfermería. También fueron reconocidos los aspectos que deben ser mejorados, sobre todo la capacitación del tutor para mediar discusiones y estimular la participación de los estudiantes a lo largo del curso.

Palabras-clave: Educación a Distancia; Capacitación; Educación Continua en Enfermería; Evaluación

INTRODUÇÃO

O avanço das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e seu crescente acesso têm contribuído para transformações sociais em todos os campos, e dessa forma, no campo da educação. Com o acesso facilitado às TICs, foi possível desenvolver formas de aprendizagem com uso intensivo do computador e da web, o que rompeu com as barreiras geográfico-temporais de acesso à educação formal e não formal(1).

Inúmeros benefícios são listados além das facilidades geográfico-temporais na educação a distância, como praticidade, acesso facilitado ao material didático, ambiente dinâmico, intercâmbio de experiências entre os agentes envolvidos no processo(2).

Esse rompimento de barreiras abre portas para novas formas de consumo das informações no cenário educativo, marcado, sobretudo, pelo formato tradicional de ensino em sala de aula presencial. Não diferente, a formação de recursos humanos na área da saúde e a educação permanente estão, majoritariamente, condicionadas a esse cenário tradicional, circunscritas em cursos desenvolvidos nos seus ambientes de trabalho, para um número amplo de trabalhadores, mas com dificuldades de promover interação entre profissionais de diferentes realidades de trabalho.

Há de se destacar que a educação permanente em saúde carrega uma peculiaridade essencial que deve ser tomada em consideração, o estudante é um adulto, um profissional inserido num contexto social cuja vivência e formação são permeadas de experiências que estão em processo de transformação e intercâmbio ininterrupto, seja com outros profissionais, ou com a população-alvo do seu cuidado(3).

Formas de aprendizagem mais criativas precisam ser desenvolvidas, para permitir o acompanhamento do acelerado desenvolvimento científico, sem abandonar a dinâmica do contexto do trabalho em saúde. O ensino mediado pelas TICs, em cursos à distância, é uma opção que potencializa a formação continuada, o intercâmbio de experiências, o acesso ao conhecimento científico e a atualização constante.

Treinamentos online ou curso como é apresentado neste artigo, podem ser compreendidos como conjunto das ações educacionais planejadas sistematicamente, na perspectiva de aperfeiçoamento e aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes por parte dos cursistas, com flexibilidade espacial e temporal entre professor e estudante, com atividades síncronas e assíncronas que permitam interação e interatividade entre seus agentes(4). Essas ações educacionais tem por finalidade a aquisição de competências que supram as lacunas de desempenho no trabalho e preparem os profissionais para assumir novas funções(5).

A Educação a Distância (EAD) não é novidade no Brasil. Ao longo dos anos, diferentes modelos educacionais foram implementados, com algumas variações e combinações. Os mais proeminentes consistem nas teleaula, videoaula eweb(6).

O conceito oficial de EAD pelo Ministério da Educação(7) é a de que se trata de: “modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos”.

O ensino em cursos a distância pela internet popularizou-se de forma exponencial nos últimos anos no cenário nacional e internacional, embora sempre estivesse ligado a questionamentos acerca da qualidade e de sua validade enquanto atividade educativa. Atualmente, segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED), em 2011, dos cerca de 3,5 milhões de estudantes conectados na rede, 77% realizavam algum tipo de curso livre na busca de complementação e aperfeiçoamento profissional(8). Nesse mesmo levantamento, a avaliação dos cursos, embora de modo ainda tímido, passou a ser citada como um dos obstáculos principais a ser enfrentado pela EAD(8).

Diante do exposto, torna-se imprescindível desenvolver e aplicar mecanismos constantes de avaliação da qualidade e satisfação com o curso, principalmente feito pelo público-alvo, os estudantes. Assim, a avaliação tem por finalidade verificar se os objetivos do curso estão sendo alcançados e orientar a equipe envolvida no desenho do curso a buscar formas mais pertinentes de dinâmica, à medida que ela oferece informações necessárias para engendrar mudanças para o aperfeiçoamento e melhoria contínua.

A avaliação de cursos pode ser feita por meio de diferentes perspectivas teóricas. Neste estudo, o referencial norteador vem da área da Psicologia Social e do Trabalho, que acrescenta, aos quatro níveis descritos por Kirkpatrick, a análise de outros componentes do ambiente de trabalho(9) e a análise articulada desses componentes ao suporte organizacional e suporte à transferência e impacto do treinamento no trabalho(10).

A opinião dos participantes de curso a distância é essencial para demonstrar sua qualidade, por meio de critérios previamente estabelecidos, tais como, estrutura,layout e ambiente online, atitude do tutor e material didático(11).

Por conseguinte, a avaliação de cursos na perspectiva do egresso tem direcionado o realinhamento dos cursos, assim, os objetivos deste estudo foram avaliar o curso de Gerenciamento em enfermagem online, na perspectiva do egresso e verificar a existência de relação entre as variáveis do estudo.

MÉTODO

Estudo de natureza quantitativa, descritivo exploratório aplicado aos participantes no final de três versões de um curso de atualização online na temática de Gerenciamento em Enfermagem.

Esse curso foi concebido sob a perspectiva da andragogia, teoria da aprendizagem significativa e na metodologia dialética, mediado pelas TICs, com atividades síncronas e assíncronas previstas no seu escopo. Fruto de uma parceria internacional foi conduzido por docentes e tutores de duas instituições de ensino superior em enfermagem, uma do Brasil e uma de Portugal, além de tutores técnicos e de gestão. Os estudantes eram enfermeiros provenientes dessas duas nacionalidades. Devido ao desenho do curso, as atividades majoritariamente foram realizadasonline.

Utilizou-se como ambiente virtual de aprendizagem o software Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment), e para as aulas online, o softwareAdobe Connect®, propiciando gerenciar e acompanhar o ensino a distância. A carga horária totalizou 90 horas ao longo de 12 semanas, com aproximadamente 8 horas semanais de atividades.

As atividades foram distribuídas por temáticas sobre o gerenciamento em enfermagem e tinham como finalidade subsidiar a prática da dimensão gerencial do enfermeiro. Além dos conteúdos, os temas eram compostos por estudos de caso em grupo, atividades de leitura e interativas, fóruns, chats, aulas síncronas, entre outras. A avaliação da aprendizagem se deu por meio de estudos de caso em grupo e ao final do curso foi aplicado um estudo de caso individual.

A técnica de amostragem desta pesquisa foi não probabilística, mediante aceite em participar ao término de cada versão do curso. Dos 98 concluintes das três versões, 77 enfermeiros aceitaram responder ao questionário elaborado para a avaliação da satisfação do estudante, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição proponente sob o protocolo de número 1062/2011/CEP-EEUSP – SISNEP CAAE: 0068.0.196.000-11, e respeitaram-se os preceitos éticos e legais de pesquisa.

A população, portanto, constituiu-se dos 77 egressos dos três cursos ministrados entre 2011-2013. Na análise estatística foram excluídos os respondentes que não preencheram completamente o instrumento, portanto, o n em cada tratamento considerou somente os casos válidos.

Para coleta dos dados, foi aplicado questionário composto de oito variáveis sociodemográficas e 52 itens para avaliação do curso, por meio de escala Likert com cinco graus de concordância, variando de 1 a 5, conforme demonstrado na Figura 1.

Figura 1 - Escala de respostas ao questionário de avaliação do curso - São Paulo, SP, Brasil, 2013. 

Para construção do questionário encontramos inspiração no modelo proposto pela pesquisadora, que ampliou a técnica de avaliação de reação, chamando-a de avaliação da satisfação, pois expressa o contentamento do participante com relação às variáveis dos três níveis de avaliação, reação, aprendizagem e resultados(12).

Os 52 itens foram construídos em três categorias teóricas de análise, Autoavaliação com 22 itens; Desempenho do tutor, com 11 e Programa do curso, com 19.

As respostas foram organizadas em planilhas eletrônicas utilizando-se o softwareExcel®. A análise dos dados foi realizada com auxílio do softwareStatistical Package for Social SciencesSPSS®.

Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e inferencial, para a qual assumimos como significância p≤0,05. O índice de satisfação dos estudantes foi obtido pela normalização dos dados.

Para verificar a confiabilidade do instrumento, foi empregado, por categoria de análise, o Alpha de Cronbach, que mostra o grau de covariância dos itens entre si, indicando a consistência interna; quanto mais alto o coeficiente de confiabilidade, mais internamente consistente é a medida(13).

Os coeficientes obtidos foram: Autoavaliação 0,911; Desempenho do tutor 0,945 e Programa do curso 0,940, indicando alta consistência da escala, o que demonstra sua confiabilidade para avaliação do curso.

RESULTADOS

Na caracterização dos estudantes obtivemos que 67,5% dos enfermeiros, que concluíram a pesquisa, residiam no Brasil e 32,5% em Portugal; 89,6% eram do sexo feminino. A média de idade dos sujeitos foi de 39 anos (DP±9,0). Dos enfermeiros que responderam ao questionário, 94,8% exerciam a profissão com vínculo empregatício formal e tempo médio de atuação de 12,61 anos (DP±10,3). O local de trabalho predominante foi na área hospitalar (55,8%), 20,8% na atenção primária e 5,2% em instituições de ensino. O nível mais alto de formação dos respondentes foi especialização (59,7%), seguido da graduação em enfermagem (23,4%), mestrado e doutorado somaram 16,9%.

Dos cargos, 40,3% exerciam funções como enfermeiro assistencial, 39% como chefia de unidade e 5,2% estavam na direção de serviços de saúde.

Em relação ao grau de habilidade com o uso do computador, 41% referiram ser muito bom, 35,1% bom e 9,1% excelente, o que indica que 85,7% dos estudantes reconheceram grau satisfatório de habilidade no uso do computador.

O local de realização do curso foi: 62,3% em casa, 22,1% no trabalho e 7,8% na variação dos dois locais. Apenas seis pessoas referiram realizar o curso em outro lugar excetuando casa e trabalho.

Dos cursistas, 63,6% responderam que essa não era a primeira experiência de curso a distância, embora o instrumento não captasse se as experiências prévias foram de cursos online ou em outros formatos.

As Tabelas 1, 2 e 3 apresentam os índices de satisfação dos estudantes com o curso por item avaliado, considerando intervalos de 0 a 100, a média e o desvio padrão, nos anos entre 2011-2013.

Tabela 1 Índice de satisfação da categoria de análise Autoavaliação - São Paulo, SP, Brasil, 2013. 

Autoavaliação Média DP
1. O curso atendeu às minhas necessidades de aprendizagem sobre o tema. 75,00 22,213
2. Adquiri novos conhecimentos a partir deste curso. 87,99 18,412
3. Meu interesse pelo assunto ficou maior a partir deste curso. 83,44 20,524
4. Tive facilidade em usar o computador para realizar o curso. 84,09 21,038
5. Consultei, com frequência, a “Biblioteca” do curso. 64,47 26,224
6. Tenho condições de aplicar em meu local de trabalho o que aprendi neste curso. 73,70 22,542
7. Este curso propiciou-me oportunidades de trocas de experiências valiosas com os outros participantes. 72,73 23,711
8. Senti-me à vontade para discordar das ideias apresentadas pelo(s) professor(es). 79,93 19,587
9. Senti-me estimulado(a) para debater ideias sobre o tema do curso com os demais participantes. 75,97 21,628
10. O curso contribuiu para a minha atuação no trabalho. 75,66 22,721
11. Organizei bem meu tempo, de modo a realizar o curso com tranquilidade. 68,51 25,132
12. Acompanhei regularmente as mensagens enviadas. 85,39 19,597
13. Senti-me estimulado(a) para pesquisar mais sobre o tema, a partir do curso. 78,25 19,597
14. Meus conhecimentos anteriores sobre o assunto facilitaram a aprendizagem. 71,75 21,210
15. Procurei ler a bibliografia recomendada pelo(a) professor(a), mesmo que não obrigatória. 73,03 26,065
16. Entreguei os trabalhos exigidos no prazo estipulado. 87,01 25,524
17. Gostei de fazer o curso “a distância”. 83,44 24,539
18. Ao término do curso apresentei o desempenho esperado, de acordo com os seus objetivos. 75,97 22,741
19. Aproveitei bem o curso. 79,22 20,839

Tabela 2 Índice de satisfação da categoria de análise Desempenho do tutor - São Paulo, SP, Brasil, 2013. 

Desempenho do tutor Média DP
1. Apresentou os objetivos dos temas de forma clara. 84,74 18,207
2. Esclareceu as dúvidas dos participantes no momento oportuno. 86,04 19,234
3. Despertou o meu interesse pelo tema. 79,22 20,839
4. Respeitou opiniões contrárias às que ele(a) apresentou. 85,00 19,690
5.Demonstrou domínio do conteúdo. 91,23 17,094
6. Utilizou referências atualizadas sobre o assunto. 89,29 17,410
7. Apresentou exemplos que facilitaram a compreensão do assunto. 86,51 18,458
8. Sintetizou as principais ideias abordadas em suas aulas. 85,86 18,857
9. Estimulou a busca de novas informações sobre o assunto. 81,49 21,614
10. Estimulou a análise crítica. 84,09 19,830
11. Houve interação entre tutores, professores e estudantes. 86,69 18,842

Tabela 3 Índice de satisfação da categoria de análise Programa do curso - São Paulo, SP, Brasil, 2013. 

Programa Média DP
1. O equipamento que utilizei foi compatível com as exigências do curso. 91,56 17,495
2. Os objetivos do curso, apresentados nas páginas de instrução, estavam claros. 91,56 16,529
3. A linguagem empregada no curso era acessível. 84,74 19,515
4. O conteúdo era compatível com a carga horária prevista para o curso. 78,25 21,971
5. A forma como o curso foi estruturado permitiu manter-me motivado(a) até sua conclusão. 77,60 21,683
6. O conteúdo do curso estava atualizado. 87,99 18,412
7. O conteúdo do curso foi adequado para o alcance dos objetivos propostos. 83,44 20,921
8. A sequência do conteúdo facilitou a compreensão do assunto. 85,06 18,699
9. O conteúdo do curso foi relevante para o exercício de minhas funções no trabalho. 78,62 24,733
10. O acesso às informações do curso foi fácil. 85,39 19,597
11. A “Biblioteca” ofereceu materiais relevantes para o bom desempenho no curso. 80,59 21,832
12. O tutor esclareceu as dúvidas sobre o funcionamento do curso. 90,91 17,635
13. A inscrição no curso foi de fácil realização. 92,43 17,804
14. O formato das páginas facilitou o entendimento do conteúdo das instruções. 88,64 18,383
15. Os avisos de datas de entrega dos trabalhos facilitaram a sua realização nos prazos previstos. 84,09 23,265
16. A lista de discussão provocou discussões que auxiliaram minha aprendizagem. 71,67 26,102
17. As mensagens via e-mail forneceram informações relevantes. 86,69 20,910
18. O tempo previsto para execução das tarefas foi suficiente. 72,40 24,192
19. As tarefas solicitadas foram coerentes com os objetivos dos módulos. 87,34 18,417

Na categoria autoavaliação, das 19 proposições avaliadas, 13 (68,4%) alcançaram nível mínimo de 75% de satisfação. Os melhores índices foram atingidos pelos itens de aquisição novos conhecimentos a partir do curso (87,99), entrega dos trabalhos nos prazos estipulados (87,01) e acompanhamento regular das mensagens enviadas pela tutoria do curso (85,39); em contrapartida, os índices mais baixos foram a consulta por parte do estudante à biblioteca (leituras sugeridas) do curso (64,47), a organização do tempo para realizar o curso com tranquilidade (68,51) e os conhecimentos prévios sobre o assunto facilitaram o processo de aprendizagem (71,75).

No tocante à categoria de análise desempenho do tutor, todas as proposições avaliadas atingiram nível mínimo de 80% de satisfação, com exceção da proposição do tutor ter despertado o interesse pelo tema (79,22).

As proposições que obtiveram melhores médias na categoria programa do curso foram a facilidade do processo de inscrição do curso (92,43), se o equipamento utilizado pelo estudante correspondia aos exigidos pelo curso (91,56) e se os objetivos do curso, apresentados nas instruções, estavam claros (91,56). Nessa mesma categoria as piores médias pertenceram aos seguintes itens: se as proposições da lista de discussão fomentou o debate e auxiliou na aprendizagem (71,67), se o tempo previsto para execução das tarefas propostas foi suficiente (72,40) e se a estruturação do curso manteve o estudante motivado até a sua conclusão (77,60).

A Tabela 4 apresenta os índices de satisfação dos estudantes com o curso, por ano e por categoria de análise.

Tabela 4 Índice de satisfação dos estudantes com o curso, por ano de realização e categoria de análise - São Paulo, SP, Brasil, 2013. 

N Média Desvio Padrão Limite inferior Intervalo de Confiança de 95%

Limite Superior
Autoavaliação 2011 22 79,3388 11,19263 74,3763 84,3014
2012 24 82,0549 9,07842 78,2214 85,8884
2013 27 72,7694 16,17068 66,3725 79,1663
Total 73 77,8020 13,17355 74,7284 80,8756
Desempenho do tutor 2011 23 88,3399 13,07926 82,6840 93,9958
2012 22 90,1860 9,92857 85,7839 94,5880
2013 25 80,5455 19,56262 72,4704 88,6205
Total 70 86,1364 15,35673 82,4747 89,7980
Programa do curso 2011 23 86,0412 10,66549 81,4291 90,6533
2012 25 86,8947 9,25335 83,0751 90,7143
2013 25 80,7368 19,80209 72,5629 88,9107
Total 73 84,5169 14,20118 81,2036 87,8303

Observamos que os índices nos três anos e nas três categorias apresentaram resultados acima de 75,0% e que em 2013 foram obtidos os índices mais baixos. Considerando o índice total, a categoria Desempenho do tutor foi a que alcançou índice mais alto.

Na investigação de associação entre as variáveis, verificamos que não houve associação entre as médias do índice de satisfação com as variáveis: sexo, idade, país de residência, nível de escolaridade, grau de habilidade no uso do computador, local onde o curso foi realizado (casa, trabalho, outros), se havia realizado curso a distância anteriormente, tempo de exercício profissional, cargo e local de trabalho.

Nas categorias de análise, encontramos, pelo Coeficiente de correlação de Pearson, fortes associações entre: Autoavaliação e Desempenho do tutor (0,819); Autoavaliação e Programa do curso (0,787); Desempenho do tutor e Programa do curso (0,882).

Na comparação das categorias por ano de realização do curso, identificamos que no ano de 2012, apenas na categoria Autoavaliação (ANOVA=0,032), a média foi significativamente maior que em 2013 (p=0,03).

DISCUSSÃO

Os instrumentos de avaliação de reação devem abarcar aspectos instrucionais e administrativos de programa de treinamento, visto que esses aspectos são sensíveis às reações dos participantes. Os instrumentos de avaliação de reação, em sua maioria privilegia a adoção de questões fechadas, e podem resultar num engessamento acerca da percepção de ocorrências não previstas e particulares no treinamento. Por outro lado, aumentam a confiabilidade dos resultados, por possibilitarem a reutilização e replicação do instrumento em diversas situações(14).

Os resultados de um treinamento devem produzir reações favoráveis nos participantes(10), o que foi reconhecido no curso avaliado.

Este estudo não identificou associação entre o índice de satisfação e as variáveis selecionadas, o que se assemelha ao achado em pesquisa de satisfação com curso baseado em web, que não evidenciou relação entre a satisfação e a aprendizagem com o gênero, idade, estilos de aprendizagem, o tempo gasto com o curso, as interações, as atividades do curso e conferências assíncronas. Apontou, no entanto, que aqueles que tinham maior experiência no uso do computador ficaram mais satisfeitos com o curso, embora não tenha influenciado no sucesso do estudante no curso(15).

A autoavaliação demonstrou que houve aquisição de novos conhecimentos a partir do curso. Em pesquisas comparativas entre ensino online e presencial não há unanimidade quanto às diferenças significativas em relação aos dois tipos de treinamento, pois ambos podem ocasionar mudanças de comportamento e ganho de conhecimento(16). Alguns estudos apontam para maior desempenho na realização de atividades por aqueles que aprenderam em ambientes virtuais, seja no formato blended learning oue-learning(17). Outro estudo ratificou que as decisões com base em evidências clínicas, tomadas por médicos que participaram de cursoonline, tiveram maior probabilidade de acontecer do que os que não tiveram acesso às atividades interativas(18).

Em recente revisão sistemática, a educação online em enfermagem é reconhecida como uma alternativa para a educação, no entanto, não encontraram diferenças estatísticas entre grupos de educação presencial eonline sobre o impacto, o conhecimento, a habilidade e a satisfação. Dos onze artigos selecionados, quatro deles mostraram que houve melhora associada com a educação online comparada com as técnicas tradicionais de conhecimento, embora as diferenças não fossem estatisticamente significantes. Um estudo mostrou um fraco impacto na habilidade na educaçãoonline, embora também sem diferença estatística significante(19).

O desempenho do tutor atingiu os maiores índices de satisfação, sendo também identificada correlação positiva entre essa categoria e a categoria de autoavaliação, em outras palavras, quanto maior a satisfação em relação ao desempenho do tutor, melhor a avaliação do estudante em relação ao seu desempenho. Estudo aponta que a atitude dos tutores tem efeito significativo na satisfação percebida pelos estudantes. Os tutores têm desempenhado papel-chave no processo de aprendizagem nos ambientes online, quando os estudantes percebem atitude positiva em relação ao tutor há melhora significativa em relação à satisfação do estudante (11).

Em relação ao índice do tutor ter despertado o interesse pelo tema ter sido o menor índice na categoria desempenho do tutor, compreende-se que a formação do mesmo deve ser continuada, o que inclui saber utilizar novas tecnologias. A prática pedagógica dos professores pressupõe busca contínua de metodologias para a constituição de estudantes críticos, criativos e transformadores. Isso pressupõe um educador provocador, propondo novas maneiras de aprender e de se ajustar criticamente às tecnologias(20-21).

Igualmente, a finalidade da educação a distância é que o estudante desenvolva, gradativamente, habilidade de autogestão, sendo o professor o mediador do processo de construção do conhecimento(21). A literatura aponta consistentemente três elementos importantes para a satisfação percebida pelos professores que ensinam em cursosonline, em relação ao estudante, ao tutor e à instituição. O fator do estudante é o mais importante citado na influência da satisfação, o que nos leva a crer que nessa perspectiva os estudantes ocupam o lugar central da aprendizagem online(22).

Os objetivos do curso foram apresentados ao estudante de forma clara, o que se harmoniza com a literatura, pois propicia que os estudantes avaliem, gradualmente, se os mesmos estão sendo alcançados. Além disso, a declaração dos objetivos educacionais e das habilidades a serem desenvolvidas é fundamental para construção de um amplo processo de avaliação(23).

Os resultados, de forma geral, apontam uma organização, escopo, desenho, encadeamento e materiais utilizados satisfatórios para os estudantes. Ratificando, dessa forma, os achados de pesquisas que apontam que a interface aprazível e a manipulação simples das ferramentas de comunicação síncronas e assíncronas do curso possibilitam a interação entre a tríade estudante, conteúdo e professor, o que auxilia os estudantes nas atividades programadas(21).

O grau de habilidade dos egressos no uso do computador constituiu uma característica favorável para a educação online neste curso. Corroborando pesquisa na qual avaliou as barreiras pedagógicas e psicológicas no ensino universitárioonline, a tecnologia foi igualmente não reconhecida como barreira nos cursos online, os materiais para estudos e as atividades de aprendizagem em formato eletrônico foram considerados como barreira leve e as barreiras relacionadas à comunicação entre colegas e tutor vistas como obstáculos significativos(24), o que pode ser considerado aspecto também positivo deste curso, visto que o índice avaliado acerca da interação entre tutores, professores e estudantes foi bastante satisfatório.

Vale salientar que o referido curso teve como premissa a construção de um espaço de aprendizagem online colaborativo, visando à interação social, o que potencializou o intercâmbio de ideias, conhecimentos e experiências entre estudantes-estudantes e estudantes-tutores de duas diferentes nacionalidades. Considerando ainda que neste curso os estudantes são enfermeiros que possuem experiências ímpares de atuação profissional, a aproximação entre eles, mediada pelo tutor, potencializou a discussão, a partir das bases teóricas do gerenciamento em enfermagem, na busca de solução dos problemas do cotidiano da atuação gerencial do enfermeiro.

CONCLUSÃO

O índice de satisfação dos egressos demonstrou que o curso atendeu, de maneira geral, aos requisitos descritos na literatura para cursos online, tendo sido reconhecidos, também, aspectos que carecem de melhorias, com destaque à capacitação do tutor para mediar as discussões e estimular o envolvimento do estudante ao longo do curso.

As associações entre as três categorias de análise: Autoavaliação e Desempenho do tutor, Autoavaliação e Programa do curso e Desempenho do tutor e Programa do curso demonstram a interdependência entre elas, ratificando a relação intrínseca entre as variáveis de avaliação. Desse modo, afirmamos que as categorias de desempenho do tutor e programa do curso, que são de responsabilidade da equipe promotora do curso, influenciam a satisfação do egresso acerca do seu desempenho.

Não foram encontradas associações entre as variáveis sociodemográficas e o índice de satisfação nas três categorias de análise.

O instrumento de avaliação não se constituiu em foco deste estudo, no entanto, para dar fidedignidade à avaliação do curso, constatamos sua consistência interna e precisão nas três categorias de análise, embora tenha sido testado em população aquém do estabelecido para sua validação, o que pode ser considerado uma limitação do estudo. Com a realização dos próximos cursos, será possível proceder à análise fatorial confirmatória e novo teste de confiabilidade.

Conclui-se pelos resultados obtidos que o curso possibilitou, no ciberespaço, o desenvolvimento de uma comunidade virtual de prática e aprendizado, favorecendo a interação e a colaboração na construção, promoção e aplicação do conhecimento coletivo no gerenciamento em enfermagem.

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Recebido: 30 de Novembro de 2014; Aceito: 11 de Maio de 2015

Autor Correspondente: Geisa Colebrusco de Souza. Av. Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, 419, Cerqueira César CEP 05403-000 – São Paulo, SP, Brasil.geisacole@usp.br

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