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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.19 no.9 Rio de Janeiro set. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014199.01412014 

ARTIGO

Preparação da assistência farmacêutica para desastres: um estudo em cinco municípios brasileiros

Preparedness of pharmaceutical assistance for disasters: a study in five Brazilian municipalities

Paula Pimenta-de-Souza1 

Elaine Silva Miranda2 

Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro1 

1Núcleo de Assistência Farmacêutica, Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fiocruz. Rio de Janeiro Brasil. paulapsrj@gmail.com

2Departamento de Farmácia e Administração Farmacêutica, Universidade Federal Fluminense.

RESUMO

Uma série de municípios brasileiros foram acometidos por desastres nos últimos anos. Neste sentido, os gestores precisam investir na preparação para mitigar o impacto dos eventos e aliviar o dano causado. A preparação para desastres deve ser realizada em diversos frentes, inclusive no setor saúde, em que se insere a assistência farmacêutica. Objetivou-se descrever e analisar a preparação da assistência farmacêutica para desastres em municípios recentemente acometidos por desastres. Para tal, foi realizado um estudo com desenho transversal em cinco municípios brasileiros, em duas regiões do país. Foram analisadas fontes documentais, matérias jornalísticas e bases de dado de acesso público, além de entrevistas a atores-chave da AF através de um instrumento baseado em um modelo lógico e indicadores. Foram identificadas poucas medidas de preparação da assistência farmacêutica nos municípios estudados. Ainda que o histórico dos municípios esteja ligado a eventos que redundaram em desastres, a gestão municipal da assistência farmacêutica não foi capaz de preparar-se. Espera-se que a apresentação da experiência desses municípios favoreça a preparação da assistência farmacêutica em outros municípios do país.

Palavras-Chave: Desastre; Município; Serviços farmacêuticos; Preparação

ABSTRACT

A number of Brazilian municipalities have been affected by disasters in recent years. Municipal managers need to invest in preparedness to mitigate the impact of events and to restrict damages. Disaster preparedness should be conducted on various fronts, including the health sector, of which pharmaceutical services (PS) are a part. The scope of this paper is to describe and analyze PS preparedness in municipalities recently stricken by disasters. For this purpose, an investigation of a cross-sectional design involving various sources (official documents, newspaper articles, public databases and interviews with key PS informants) was conducted in five municipalities in two different regions. Analysis was based on an instrument with a logical model and indicators. Despite the fact that these municipalities are historically disaster-prone, very few measures of PS preparedness were encountered, which is clear evidence that management of PS has not been achieved. It is to be hoped that this presentation of the experiences of these municipalities might foster PS preparedness in other Brazilian municipalities.

Key words: Disaster; Municipality; Pharmaceutical services; Preparedness

Introdução

Um desastre resulta da combinação de ameaças, de condições de vulnerabilidade - físicas, sociais, econômicas e ambientais - e de capacidade insuficiente de resposta. Ainda, um desastre pode ser ocasionado pela resposta inadequada a um evento, contribuindo para as suas consequências negativas. A ocorrência ou não de um desastre está diretamente relacionada à preparação, definida através da habilidade da sociedade para gerenciar os danos causados por determinado evento1.

No Brasil, historicamente, a preparação e a resposta a desastres concentra-se no âmbito das ações da Defesa Civil (DC). Em 2012 foi promulgada uma nova Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC) por meio da Lei 12.6082, que define que a União, estados e municípios têm deveres na adoção de medidas necessárias à redução dos riscos de desastres. A PNPDC define também a articulação de diversos setores, entre os quais a saúde, na preparação e na resposta aos desastres.

Os desastres impactam a saúde da população, causando traumas físicos e emocionais, doenças agudas, e infecciosas, além de aumentar a morbidade e a mortalidade de doenças crônicas devido às influências no sistema de saúde3. Sendo o medicamento a intervenção terapêutica mais frequentemente utilizada4 a assistência farmacêutica é especialmente tensionada em desastres, para contornar os desfechos sobre a saúde.

A Assistência Farmacêutica (AF) envolve a seleção, o abastecimento e a utilização de medicamentos, incluindo, a conservação e a garantia de qualidade, a segurança e a efetividade terapêutica, o acompanhamento e a avaliação da utilização, a obtenção e a difusão de informações sobre medicamentos e a educação permanente dos profissionais de saúde, do paciente e da comunidade para assegurar o uso racional5,6. No Brasil, as ações de AF na esfera pública são executadas e financiadas por governos Federal, estaduais e municipais de forma compartilhada dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

A estratégia preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na preparação para desastres e gestão de riscos é baseada no conceito All hazards/whole health, que se fundamenta no fato de diferentes ameaças e emergências causarem dificuldades semelhantes às comunidades. Assim, as medidas de preparação não precisariam ser risco-específicas, podendo ser implantadas considerando o conjunto de ameaças que assolam determinada comunidade7.

Em função disto, medidas de preparação que sirvam para garantir o acesso a medicamentos são fundamentais e podem contribuir sobremaneira para diminuir os impactos resultantes na saúde das pessoas atingidas. Uma vez que a AF tem um caráter sistêmico e multiprofissional, os resultados obtidos nesse processo dependerão tanto da existência de diretrizes claras e de integração in loco, da DC com outros setores8, como da capacidade de gerenciamento do setor saúde, incluindo a AF. Apesar disso, a política institucional de resposta a desastres no Brasil ainda é pautada em políticas setoriais8.

No Brasil, as diferentes regiões apresentam perfis distintos na ocorrência de desastres. No entanto, apesar dos diferentes perfis, as consequências desses desastres para os municípios apresentam características comuns, como as repercussões sociais, econômicas e políticas. Destaca-se que a atenção à saúde, na qual se insere a assistência farmacêutica, sofre tensões importantes quando da ocorrência de um desastre. Nos últimos cinco anos, foram verificados eventos recorrentes de enchentes e deslizamentos em municípios nas regiões Sul e Sudeste, com grandes perdas humanas e materiais9. Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados de uma investigação sobre a preparação da AF em cinco municípios recentemente acometidos por desastres no país.

Métodos

O presente estudo possui desenho transversal e foi realizado em municípios acometidos por desastres. Como a estruturação do sistema de saúde brasileiro delega aos municípios funções executivas da AF, este foi entendido como a unidade de observação.

O modelo de avaliação utilizado neste estudo foi baseado naquele orientado por teoria, desenvolvido por Miranda et al.10, em 2010. O instrumento de coleta de dados reúne perguntas tanto de cunho qualitativo como quantitativo, e foi elaborado com base em indicadores, com vistas a serem respondidos por meio de diferentes fontes de dados: fontes documentais como legislação, diretrizes nacionais e internacionais, matérias jornalísticas, dados de observação, sistemas de informações de saúde e AF e de defesa civil, como bases de dados de acesso público da DC, do Ministério da Saúde11,12e de gestão13, além de entrevistas a informantes-chave.

O estudo de campo foi realizado em dois períodos distintos. Em dois municípios de Santa Catarina, entre os meses de maio e agosto de 2009, e em três municípios da Região Serrana Fluminense em dezembro de 2011. A escolha dos municípios se deveu à importância nacional dos desastres que lá aconteceram. Em todos os municípios foram entrevistados os responsáveis pela gestão da AF. De sorte a proteger os informanteschave, os municípios foram codificados, sendo representados pelas letras A, B, C, D e E.

Na análise foram utilizadas metodologias quantitativa (de cunho descritivo) e qualitativa, esta última focada na análise de conteúdo. A análise de conteúdo constitui-se como conjunto de técnicas complementares entre si, que visa analisar sistemática e objetivamente o conteúdo de comunicações. Primeiramente, foram apontadas ideias centrais nos discursos dos informantes e as informações resultantes agregadas nas seguintes categorias analíticas: Contexto externo, Contexto Político e Organizacional, Atividades da Assistência Farmacêutica. O modelo foi o norte para o estabelecimento dessas categorias analíticas, e os conteúdos documentais selecionados serviram para responder aos indicadores e embasar ou contrapor as informações obtidas no discurso dos informantes-chave14. O procedimento adotado permitiu deduzir, de forma lógica e justificada, as respostas aos componentes do modelo e aos indicadores propostos.

Foi obtido consentimento livre e esclarecido dos sujeitos entrevistados e autorização para a coleta de dados referentes à AF. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Púbica Sérgio Arouca.

Resultados e Discussão

Em primeiro lugar é importante situar o campo deste estudo. Os municípios visitados foram afetados por desastres recentes e de graves consequências para suas populações. A escolha desses municípios foi acertada, uma vez que permitiu que os entrevistados trouxessem suas experiências de modo bastante intenso e nítido. Qualquer forma de coleta de dados a distancia resultaria em perdas de informação relacionadas à observação em campo e à proximidade das impressões do campo frente aos dados primários.

Em segundo lugar, optou-se por estruturar as categorias analíticas em quadro, sumarizando os conteúdos na resposta aos indicadores.

O Quadro 1 apresenta os indicadores e os resultados em cada município.

Quadro 1 Indicadores de AF em desastres e resultados de municípios brasileiros selecionados. 2008-2011. 

  Município
Indicador A B C D E
Contexto externo          
  Orçamento específico para Assistência Farmacêutica para desastres (AF) Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui
  Marco legal para doações Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui
  Sistema de Descarte É feito descarte único, seguindo protocolo do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Não possui O descarte é feito pela empresa municipal de coleta de lixo. Empresas contratadas fazem o descarte de medicamentos. Empresas contratadas fazem o descarte de medicamentos.
Contexto Político e Organizacional          
  Existência de protocolos de orientação ou manual com informações sobre gestão de doações de medicamentos Não possui Não soube informar com precisão Não soube informar com precisão Não possui Foi elaborado um protocolo de gestão depois do desastre com base na experiência adquirida.
  Manual com informações sobre Boas Práticas de armazenamento de medicamentos Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui
Seleção          
  Lista de medicamentos do município, adequada à ameaças/eventos mais frequentes Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui
Programação          
  Programação especial para desastres Não possui Não soube informar com precisão Não soube informar com precisão Não possui Existe planilha de programação, feita baseada na lista municipal, no consumo dos últimos seis meses e na experiência em desastres anteriores
Aquisição/doação          
  Protocolo para recebimento de ajuda humanitária Não possui Não possui Não possui Não possui Existe sistema de doação de medicamentos pela população, mas não vinculado à ocorrência de desastres
  Sistema estruturado de aquisição de medicamentos para desastres Não possui Não possui Não possui Não possui Possui
  Solicitação, recebimento, triagem, inspeção dos medicamentos em desastres Não existe protocolo específico ou procedimentos padrão Não existe protocolo específico ou procedimentos padrão Não existe protocolo específico ou procedimentos padrão Não existe protocolo específico ou procedimentos padrão Não existe protocolo específico ou procedimentos padrão
Armazenamento          
  Estoque sobressalente adequado à lista municipal Estoque sobressalente de todos os itens da lista municipal, não havendo especificidade para medicamentos empregados em desastre Estoque sobressalente de todos os itens da lista municipal, não havendo especificidade para medicamentos empregados em desastre Estoque sobressalente de todos os itens da lista municipal, não havendo especificidade para medicamentos empregados em desastre Estoque sobressalente de todos os itens da lista municipal, não havendo especificidade para medicamentos empregados em desastre Estoque sobressalente de todos os itens do kit do MS (que, coincidentemente, também integram a lista de medicamentos do município)
  Infraestrutura para armazenamento/ Boas Práticas de Armazenamento Possui local de armazenamento, mas não segue BPA Não possui local de armazenamento e não segue BPA Não possui local de armazenamento e não segue BPA Não possui local de armazenamento e não segue BPA Não possui local de armazenamento e não segue BPA
Distribuição          
  Distribuição e sistema de transporte Veículos não adequados; distribuição para hospitais. A instância responsável é a central de transportes do município Veículos não adequados; distribuição para hospitais, postos de saúde, policlínicas, hospitais de campanha e abrigos. A instância responsável é a Secretaria Municipal de Saúde Veículos não adequados; distribuição para armazéns centrais, hospitais, e abrigos. A instância responsável é a Secretaria de Transportes do município Veículos adequados; distribuição para a rede de saúde pela Secretaria Municipal de Saúde Veículos não adequados; distribuição para unidades de saúde, hospitais de campanha e abrigos pelo almoxarifado central da Secretaria Municipal de Saúde
Utilização          
  Infraestrutura para diagnóstico, prescrição, dispensação e cuidados Foi criada estrutura temporária para as atividades Foi criada estrutura temporária para atividades, salvo dispensação Foi criada estrutura temporária para as atividades Foi criada estrutura temporária para as atividades Foi criada estrutura temporária para as atividades
  Prescrição e dispensação de medicamentos em desastres Prescrição: Médicos Dispensação: Farmacêuticos municipais Prescrição: Médico Dispensação: enfermeiro e auxiliar de enfermagem Prescrição: Médico Dispensação: técnico de farmácia, enfermeiro e auxiliar de enfermagem Prescrição: Médico Dispensação: enfermeiro e auxiliar de enfermagem Prescrição: Médico Dispensação: enfermeiro e auxiliar de enfermagem
  Descarte de medicamentos Foram descartados medicamentos que não pertenciam à lista municipal, medicamentos sem demanda, medicamentos próximos do vencimento. Encaminhados para o almoxarifado e descartados. Não foram descartados. Ainda havia medicamentos recebidos por doação sem condições de uso aguardando o descarte. Medicamentos foram doados ou descartados pela empresa municipal de coleta de lixo Não foram descartados. Ainda havia medicamentos recebidos por doação sem condições de uso aguardando o descarte. Não foram descartados. Ainda havia medicamentos recebidos por doação sem condições de uso aguardando o descarte.

Contexto Externo

Nenhum dos municípios afirmou existir orçamento específico para AF em desastres. Caso o município passe por um desastre, os gestores contam com a ajuda do Governo Federal. Além disso, os municípios não possuem um plano de contingência. É interessante verificar que os cinco municípios visitados são acometidos por eventos adversos relacionados a enchentes, enxurradas e deslizamentos há décadas. E mesmo assim não possuíam previsão orçamentária. Caso precisassem mobilizar recursos próprios estes deveriam ser retirados de outras fontes municipais. Os gestores relataram que, na falta de previsão orçamentária, em caso de desastre, compras de medicamentos seriam feitas, contando sempre com os repasses federais. No entanto, sabe-se que em compras emergenciais ou de urgência, os preços são normalmente superiores aos normalmente praticados15,16.

Em relação ao marco legal, nenhum município possuía legislação municipal que regulava a gestão de doações em desastres. O município E relatou possuir legislação que regulava as doações por meio de uma iniciativa permanente de ajuda humanitária. A situação especial deste município indicaria sucesso na gestão efetiva das doações de medicamentos na ocorrência do desastre. No entanto, a visita e a entrevista, ocorridas cerca de 16 meses após o último desastre, mostrou que ainda havia sobras de doações acumuladas, sem aproveitamento, no município.

O descarte de medicamentos é um problema em situações normais, pela geração de resíduos e riscos associados para a saúde humana17. Em desastres é muito mais aguda a necessidade de enfrentamento, tendo em vista um possível influxo não regulado de doações, com acúmulo de medicamentos vencidos, não conformes ou não constantes da lista municipal. A exposição da população a esses medicamentos deve ser evitada desde o princípio, mas uma vez aceitas as doações, deve haver um sistema estabelecido de descarte. Este tema é tão importante que integra as determinações da OMS para políticas de medicamentos18.

Uma vez que em desastres são gerados resíduos de medicamentos de todos os tipos, deve existir um sistema de descarte organizado capaz de oferecer o destino correto aos medicamentos vencidos, violados e inutilizados. Em relação a normas municipais para o descarte de medicamentos, nenhum tinha normas estabelecidas; o município B, adicionalmente, foi o único que não referiu qualquer informação sobre descarte. Os demais municípios referiram um fluxo de descarte feito por empresas especializadas ou pela empresa local de coleta de lixo. Mesmo assim, o relato dos farmacêuticos municipais destacou que a forma pela qual o descarte era feito não era conhecido. Não se sabia se eram tomadas as precauções necessárias (incineração, aterro sanitário específico), ou se o local de descarte era seguro. Foi relatado por um município descarte com autoclavação e deposição em vala séptica, o que foge às boas práticas19.

Contexto Político Organizacional

Sobre a gestão de doações, os gestores de AF entrevistados dos municípios A e D afirmaram que não existiam protocolos com orientações. Os gestores dos municípios B e C não souberam responder com precisão se esses protocolos existiam ou não. O município E possuía um protocolo de orientação para gestão de doações, elaborado depois do desastre com base na experiência adquirida. A literatura é farta na explanação dos riscos associados a doações de medicamentos que não possuem gestão adequada20-22. A compreensão do município em relação ao tema sugere que este usou adequadamente a experiência adquirida na preparação para eventos futuros.

Apenas o município A relatou local para armazenamento de medicamentos em desastres. Nenhum dos entrevistados apresentou cópia de manual de orientação para armazenamento ou de Boas Práticas de Armazenamento de medicamentos. O município D relatou que nas unidades de saúde no município o armazenamento já era, normalmente, precário. Esta resposta suporta a ideia de que se a gestão é problemática antes do desastre, não será na ocorrência do mesmo que ela apresentará mudanças positivas. O desastre desestabiliza a situação normal, configurando outra, que desafia as estruturas existentes e exige novas conformações, impedindo a resolução pelas vias regulares ou previsíveis23. Por isto é necessária a preparação.

Atividades da AF

É importante destacar que todas as ações de AF, sejam as desempenhadas em condições normais, sejam aquelas em situações extremas, devem estar baseadas em uma lista de medicamentos essenciais, o que facilita a gestão e regula o uso, com segurança para usuários e profissionais de saúde, que terão maior conhecimento sobre prescrição, orientações de uso e efeitos dos medicamentos24. A seleção é a primeira etapa da cadeia de atividades conhecida como ciclo da AF, e todo farmacêutico deve trazer este conhecimento teórico e de prática profissional.

No município E, a coordenação de AF afirmou que uma lista de medicamentos selecionados para desastres estava sendo desenvolvida, mas nenhum dos municípios apresentou, efetivamente, lista de medicamentos essenciais em desastres (LMED), com base nas ameaças identificadas nesses municípios. O gestor do município B citou e apresentou a cópia do kit do Ministério da Saúde (MS). Este kit (Tabela 1) foi elaborado em 2009, revisto em 2012, e é específico para desastres associados a chuvas, ventos e granizo25,26.

Tabela 1 Kit de medicamentos para a assistência farmacêutica às pessoas atingidas por desastres de origem natural associados a chuvas, ventos e granizo. 201226 

Item Quantidade/Kit
Ácido Acetilsalicílico - Comprimido - 100 mg 500
Albendazol - Comprimido mastigável - 400 mg 300
Amoxicilina - Cápsula - 500 mg 1500
Amoxicilina - pó para suspensão oral - 50mg/ml 150
Beclometasona Dipropionato - Spray Oral - 250mcg/Dose 15
Benzilpenicilina benzatina - Pó para suspensão injetável - 1.200.000 UI 50
Benzilpenicilina Procaína + Potássica - Suspensão injetável - 300.000+100.000 UI 100
Captopril - Comprimido - 25 mg 1000
Cloreto de sódio - Solução injetável - 0,9 % (0,154mEq/mL), frasco 250mL 50
Cloreto de sódio - Solução injetável - 0,9 % (0,154mEq/mL), frasco 500mL 100
Cloridrato de metoclopramida - Comprimido - 10 mg 100
Cloridrato de propranolol - Comprimido - 40 mg 500
Cloridrato de ranitidina - Comprimido - 150 mg 500
Dexametasona - Creme - 0,1% 100
Glibenclamida - Comprimido - 5 mg 500
Glicose - Solução injetável - 50 mg/mL (5%), frasco 500mL 50
Hidroclorotiazida - Comprimido - 25 mg 1000
Hipoclorito de Sódio - Solução - 10 mg cloro/mL, frasco 50mL 250
Ibuprofeno- Comprimido - 200mg 1000
Metformina- Comprimido - 850mg 500
Metronidazol- Comprimido - 250 mg 200
Paracetamol- Comprimido - 500 mg 1000
Paracetamol- Solução oral - 200 mg/ml 100
Permetrina- Loção - 5% 50
Prednisona- Comprimido - 5 mg 500
Sais para reidrataçao oral, envelope com 27,9g - envelope para 1 Litro. 700
Solução Ringer + lactato - Solução injetável 50
Sulfametoxazol + trimetoprima- Comprimido - 400 mg + 80 mg 500
Sulfametoxazol + trimetoprima- Suspensão oral - 40 mg + 8 mg/mL - Frasco 60 ml 50
Sulfato de salbutamol- Aerossol - 100 mg/dose 10

É verdade que os eventos que acometeram estes municípios foram causados por estas ameaças. No entanto, o kit do MS não contempla especificidades locais e nem mudanças no perfil de evolução do desastre27.O uso exclusivo do kit pode vir a produzir acúmulo de medicamentos desnecessários e falta de outros. Ainda, alguns gestores relataram que nem sempre os kits apresentavamse íntegros - havia falta de medicamentos e excesso de outros - e, para os gestores, tampouco era claro que o kit enviado incluía integralmente todos os itens descritos na portaria. Não havia uma descrição do conteúdo junto ao kit.

Apenas no município E a coordenação de AF afirmou que elaborou uma lista de necessidades (na qual estavam incluídas as quantidades de medicamentos e insumos) na ocorrência anterior. O fato de quatro municípios não possuírem essas informações evidencia que informações referentes a desastres anteriores não foram utilizadas na programação para eventos subsequentes. Segundo Freitas et al.28 é necessário que a população e os gestores reconheçam a vulnerabilidade climática e geofísica da região a enchentes e deslizamentos de terra, reconhecendo que potenciais desastres na região não são eventos inesperados. Ao reconhecer essa realidade, os gestores poderiam, utilizando-se das informações geradas em desastres anteriores, preparar-se.

Uma vez que a programação objetiva garantir a disponibilidade dos medicamentos selecionados na quantidade adequada e no tempo oportuno5, a ausência desta etapa dificulta o acesso aos medicamentos em casos de desastre, levando-se em conta que o acesso se efetiva mediante a necessidade atendida29. É preciso prever e programar-se, mormente por que o aumento inesperado da necessidade por determinado medicamento pode ocasionar seu desabastecimento30. A falta de acesso resulta em danos que poderiam ser evitados. A magnitude dos problemas gerados após a ocorrência de eventos evidencia o despreparo das autoridades e a falta de uma cultura de prevenção na sociedade31.

Os coordenadores de AF dos cinco municípios afirmaram que recebem ajuda humanitária de medicamentos. Reconheceram que, na precipitação de eventos, os municípios receberam doações muitas vezes não solicitadas, seja da sociedade, seja de instituições ou dos governos federal e estadual. Apenas o município E afirmou a existência de um protocolo de doações e de um sistema de recolhimento de medicamentos, não vinculados a desastres. Uma instituição sem fins lucrativos recolhe medicamentos doados pela população, em campanhas e em unidades de saúde, além dos doados por distribuidoras e profissionais de saúde. Os medicamentos são triados e distribuídos em uma farmácia montada apenas com doação de medicamentos, que funciona através da Secretaria da Saúde e atende com prescrição médica ou odontológica.

Gerir medicamentos doados é o mesmo que gerir um estoque normal de medicamentos, pois exige os mesmos cuidados. Medicamentos são tecnologias sanitárias que podem causar danos, se mal utilizados32,33. Verificou-se, no entanto, que em casos de desastres os medicamentos foram tratados como bens de consumo de baixo risco à saúde, e recebidos com pouco ou nenhum critério técnico. Falta regulação específica para a gestão de medicamentos e desastres34,35. Esta forma de entender a doação, como produto da mobilização social, necessariamente bom e seguro, é uma característica cultural que precisa mudar36. De fato, o governo federal não preconiza recebimento de ajuda humanitária externa; nos últimos quinze anos o país vem claramente adotando postura de país doador e não de receptor37. Mas existe intercâmbio de ajuda humanitária entre os entes federativos no país. É uma prática antiga. Portanto, é mais provável que a falta de protocolos seja decorrente de problemas na gestão da AF nesses municípios e da percepção equivocada de que tudo que é doado pode ser útil.

Apesar do correto armazenamento ser uma etapa necessária na garantia da qualidade38, nenhum dos municípios armazena seus medicamentos segundo as boas práticas, que são critérios técnicos necessários para a garantia da qualidade dos medicamentos5. Para este estudo foi elaborado um roteiro de inspeção a partir da literatura5,38. Entre esses critérios inclui-se: condições higiênicas do local, sistema de controle de luz e temperatura, controle de pragas, afastamento de solo e de paredes e sistemática de armazenamento, entre outros.

Foram encontradas falhas importantes no armazenamento, como a ocorrência de pragas, má circulação do ar, exposição dos medicamentos a luz e calor, ausência de termômetros para controle de temperatura, extintores de incêndio ou sistemas de controle de estoque. Se na situação de normalidade o armazenamento de medicamentos não é realizado de forma a garantir sua qualidade, em desastres, quando os gestores admitiram que o armazenamento era inadequado, estima-se que a situação seja pior. Esta é mais uma evidência de que as falhas estruturais na organização da AF municipal comprometem a resposta a desastres e o fornecimento de medicamentos de qualidade à população afetada.

Uma distribuição de medicamentos correta e racional deve ser realizada em tempo hábil. O local afetado precisa receber os medicamentos na quantidade correta e com qualidade garantida. À distribuição deve ser somado um sistema eficiente de informação e de controle logístico e gerencial5. Apesar disso apenas o município D afirmou que a distribuição de medicamentos foi realizada em veículos adequados para o transporte de medicamentos. Além disso, gestores de três dos cinco municípios afirmaram que medicamentos foram distribuídos para abrigos, que não contam, necessariamente, com profissionais de saúde para atendimento. A disponibilidade de medicamentos em locais sem médicos para prescrevê-los ou farmacêuticos para realizarem o correto armazenamento e dispensação oferecem risco e não devem ser estimulados pelos gestores por comprometerem a segurança da população20-22.

A utilização de medicamentos, que compreende a prescrição, a dispensação e o uso, é também um ponto estratégico, uma vez que para ocorrer de maneira adequada necessita que algumas condições sejam satisfeitas, mesmo na ocorrência dos desastres. Entre elas, que sejam prescritos os medicamentos corretos, por profissionais autorizados, que os dispensados sejam de qualidade, mediante orientação, e que o paciente faça o uso correto6.

Nos municípios afetados, os gestores de AF afirmaram que a demanda por medicamentos de uso crônico, especialmente hipertensão e diabetes, foram a principal demanda observada após o desastre. Segundo Aldrich e Benson39, aproximadamente 80% dos idosos teriam alguma condição crônica, o que os deixaria mais vulneráveis durante desastres. A interrupção do tratamento medicamentoso desses pacientes devido a desastres podem exacerbar essas condições ou até causar a morte40.

Ainda existe grande dificuldade na promoção de condições ideais na utilização de medicamentos em situação de normalidade, e principalmente em desastres. Estudo realizado apontou que 9% dos pacientes afetados por desastres que faziam uso de medicamentos para condições crônicas interromperam seu tratamento nos dias seguintes ao acontecimento de um evento, tendo esse número alcançado 23% entre a população que abandonou suas casas41.

Pacientes com doenças crônicas que receberam orientação dos profissionais de saúde relacionada à preparação para desastres tiveram uma chance menor de interromper seu tratamento após uma enchente, em relação aos pacientes que não foram orientados41. Estas evidências apontam que medidas de preparação quanto ao uso de medicamentos são efetivas na redução de danos ao paciente em desastres.

Todos os municípios receberam estrutura temporária para o cuidado, diagnóstico, prescrição e dispensação de medicamentos. Todos os entrevistados afirmaram que as prescrições foram feitas por médicos. Farmacêuticos na dispensação só foram citados pelos coordenadores de AF dos municípios A e C. Os demais afirmaram que o baixo número de farmacêuticos na secretaria municipal de saúde teria motivado a ausência desse profissional de uma atividade que lhe é privativa6.

Enquanto nos municípios estudados praticamente não existiam medidas de preparação da AF para desastres, experiências em locais onde a preparação se efetiva evidenciam sua importância. Na cidade de Omaha, nos Estados Unidos, os farmacêuticos atuam na preparação para desastres desde 2000, nos hospitais, nas farmácias comunitárias e no meio acadêmico, tendo criado um comitê no qual participam juntamente com gestores estaduais e federais. Este comitê seria responsável pelo recebimento, armazenamento, distribuição e dispensação de medicamentos necessários em caso de desastre, além de ser responsável pelo monitoramento contínuo dos estoques em hospitais. Além disso, os farmacêuticos atuavam na educação de outros profissionais de saúde e da população42, tendo um papel importante na preparação do município.

Considerações finais

Este é o primeiro artigo sobre preparação da assistência farmacêutica municipal em desastres no Brasil. Sendo o medicamento uma tecnologia presente em todos os níveis de cuidado em saúde, seu provimento e gestão em caso de desastre é prioritário. Os cinco municípios visitados apresentam, historicamente, registros de desastres por chuvas, enchentes e deslizamentos. No entanto, o estudo mostrou que não havia, de fato, preparação da assistência farmacêutica nesses locais.

O estudo pôde explicitar algumas experiências municipais em gestão da AF, principalmente naquelas que tangenciavam a preparação nos casos de desastre, mostrando também que as falhas de gestão pré-existentes não se resolvem, mas se agravam.

Ao utilizar-se de modelos teóricos já desenvolvidos e testados, pôde sintetizar de forma sistemática os principais elementos da AF na preparação para os desastres, bem como a importância de certos aspectos dos contextos externo e político-organizacional.

Os municípios visitados foram considerados estratégicos para a realização da pesquisa por que haviam sido acometidos por desastres importantes, no passado recente (de 10 a 18 meses antes). Vale ressaltar que os municípios visitados, ainda que não representativos dos municípios brasileiros acometidos por desastres relacionados a chuvas (causados por eventos como, por exemplo, enchentes e deslizamentos), possuem um perfil comum. Adicionalmente, esperar-se-ia que, principalmente esses municípios, deveriam estar preparados.

Espera-se que a apresentação da experiência desses municípios possa ser útil para apontar possíveis pontos de intervenção na AF, favorecendo a preparação de municípios sob risco de desastres no país.

Colaboradores

P Pimenta-de-Souza e ES Miranda foram responsáveis pela coleta, análise e redação do artigo. CGS Osorio-de-Castro foi responsável pela orientação de todas as etapas e redação do artigo.

Referências

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Recebido: 11 de Março de 2014; Aceito: 21 de Maio de 2014

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