SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.16 número3Engenharia de tecidos cardíacos: atual estado da arte a respeito de materiais, células e formação tecidualAnálise das soluções ótimas obtidas em artigo sobre programação linear índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.16 no.3 São Paulo  2018  Epub 17-Set-2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082018ai4394 

Aprendendo por Imagens

Veia cava marsupial simulando linfonodomegalia na tomografia

Antonio José Souza Reis Filho1 
http://orcid.org/0000-0002-2737-274X

Marcelo Assis Rocha1 
http://orcid.org/0000-0002-0312-4821

George Ramos Lemos1 
http://orcid.org/0000-0001-5564-0388

Fernando Ide Yamauchi1 
http://orcid.org/0000-0002-4633-3711

Adriano Tachibana1 
http://orcid.org/0000-0003-2282-2892

Ronaldo Hueb Baroni1 
http://orcid.org/0000-0001-8762-0875

1Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP Brasil

Homem de 56 anos, hipertenso e diabético, assintomático, submetido à tomografia computadorizada (TC) do abdome com contraste endovenoso para acompanhamento de esteatose hepática. A TC demonstrou nódulo sólido hipervascularizado na cabeça pancreática (características de lesão neuroendócrina - figura 1) e formação ovalada anterior à bifurcação aortoilíaca (Figura 2).

Figura 1 Nódulo pancreático. Tomografia no plano coronal, fase arterial, demonstrando nódulo hipervascularizado com características de lesão neuroendócrina na cabeça pancreática (seta) 

Figura 2 Formação ovalada pré-aórtica. Tomografia no plano axial, fase portal, demonstrando formação ovalada anterior à bifurcação aortoilíaca (seta) 

Nesta situação, o corte axial da TC pode simular uma linfonodomegalia, especialmente no contexto clínico oncológico. Entretanto, a avaliação das diversas fases do exame e das reformatações coronais e sagitais auxiliam no correto diagnóstico de uma variação anatômica vascular: um trajeto anômalo da veia cava inferior (VCI) anterior à bifurcação aortoilíaca (Figuras 3 e 4).

Figura 3 Veia cava inferior anómala. Tomografia com MIP no plano coronal, fase portal, demonstrando que a estrutura anterior à bifurcação aortoilíaca representa trajeto anômalo da veia cava inferior (seta) 

Figura 4 Veia cava marsupial. Reconstrução tridimensional da tomografia demonstrando a veia cava inferior (em azul) com trajeto anterior à bifurcação aortoilíaca (em vermelho) 

A embriogênese da VCI é composta por regressões, anastomoses e substituições de precursores fetais, ao fim da qual a VCI é convertida em uma estrutura unilateral, destro-posicionada no abdome, composta por quatro segmentos: hepático, suprarrenal, renal e infrarrenal.(1,2) Eventos aberrantes nesse período determinam anomalias de desenvolvimento deste sistema, possibilitando 14 variações anatômicas diferentes.(2) As mais comuns são a duplicação da VCI e seu posicionamento à esquerda do abdome.(1,3) Outras são eventualmente identificadas, a exemplo da confluência ilíaca pré-aórtica, conhecida como veia cava marsupial.(4)

A veia cava marsupial é uma anomalia congênita na qual a VCI ou a veia ilíaca comum esquerda localizam-se anteriormente à bifurcação aórtica ou à artéria ilíaca comum direita.(1,5) Essa apresentação provavelmente representa a persistência do segmento ventral do anel venoso aórtico, associada à regressão do segmento dorsal desse anel - situação oposta ao desenvolvimento normal esperado.(5)

Embora complicações como trombose venosa profunda sejam possíveis, a maioria das anomalias da VCI é assintomática.(2) Entretanto, podem gerar erros de interpretação durantes exames de imagem ao serem confundidas com lesões retroperitoneais.(2) Seu reconhecimento é útil para planejamento de intervenções vasculares e cirúrgicas.(2)

REFERENCES

1. Babu CS, Lalwani R, Kumar I. Right Double Inferior Vena Cava (IVC) with preaortic iliac confluence - case report and review of literature. J Clin Diagn Res. 2014;8(2):130-2. [ Links ]

2. Artico M, Lorenzini D, Mancini P, Gobbi P, Carloia S, David V. Radiological evidence of anatomical variation of the inferior vena cava: report of two cases. Surg Radiol Anat. 2004;26(2):153-6. [ Links ]

3. Bass JE, Redwine MD, Kramer LA, Huynh PT, Harris JH Jr. Spectrum of congenital anomalies of the inferior vena cava: cross-sectional imaging findings. Radiographics. 2000;20(3):639-52. Review. [ Links ]

4. Ruemenapf G, Rupprecht H, Schweiger H. Preaortic iliac confluence: a rare anomaly of the inferior vena cava. J Vasc Surg. 1998;27(4):767-71. [ Links ]

5. Rocha Mde S, Lourenço RB, Chang YS, Gebrim EM, Cerri GG. Preaortic iliac confluence (marsupial vena cava): report of 4 cases. J Comput Assist Tomogr. 2008;32(5):706-9. [ Links ]

Recebido: 23 de Janeiro de 2018; Aceito: 27 de Abril de 2018

Autor correspondente: Antonio José Souza Reis Filho Avenida Albert Einstein, 627/701 - Morumbi CEP: 05652-900 - São Paulo, SP Brasil Tel.: (11) 2151-1233 E-mail: antonioreisf@gmail.com

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.