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Revista Gaúcha de Enfermagem

versão On-line ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. vol.38 no.4 Porto Alegre  2017  Epub 21-Maio-2018

https://doi.org/10.1590/1983-1447.2017.04.2016-0080 

ARTIGO ORIGINAL

Significados a respeito da prevenção ao HIV/aids e da sexualidade para jovens católicos

Representaciones sociales de los jóvenes católicos sobre el VIH/SIDA y sexualidade

Pablo Luiz Santos Coutoa 

Mirian Santos Paivab 

Antônio Marcos Tosoli Gomesc 

Elionara Teixeira Boa Sorteb  d 

Larissa Silva de Abreu Rodriguesb  d 

Edmeia de Almeida Coelhob 

a Faculdade Guanambi, Colegiado de Enfermagem. Guanambi, Bahia, Brasil.

b Universidade Federal da Bahia (UFBA), Escola de Enfermagem, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Salvador, Bahia, Brasil.

c Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Faculdade de Enfermagem, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

d Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus XII, Departamento de Educação, Colegiado de Enfermagem. Guanambi, Bahia, Brasil.


Resumo

OBJETIVO

Analisar as representações sociais de jovens católicos(as) quanto à prevenção ao HIV/AIDS e à sexualidade.

MÉTODO

Estudo misto, com base na teoria das representações sociais, realizado em 2015 com 84 jovens católicos participantes do grupo “Jornada Mundial da Juventude” no Facebook. Os dados foram coletados através da técnica de associação livre de palavras e entrevista em profundidade. Para análise das informações, foram usados os softwares Tri-Deux-Mots e Alceste.

RESULTADOS

A sexualidade é processada no campo representacional dos(as) jovens como sendo associada à prática sexual. Por sua vez, a prevenção ao HIV, fenômeno representado como intrínseco à sexualidade, ocorre com o uso de preservativos ou com a fidelidade dentro do matrimônio.

CONCLUSÃO

Jovens católicos representam a prevenção ao HIV/AIDS como fenômeno transversal à sexualidade, cujas práticas sexuais estão ancoradas tanto nos discursos hegemônicos quanto nos progressistas.

Palavras-chave: Religião e sexo; Sexualidade; HIV; Enfermagem.

Resumen

OBJETIVO

Analizar las representaciones sociales de los(as) jóvenes católicos(as) sobre la prevención del VIH/SIDA y la sexualidad.

MÉTODO

Estudio mixto, basado en la teoría de las representaciones sociales, llevado a cabo en 2015 con 84 jóvenes participantes del grupo de católicos “Jornada Mundial de la Juventud” en Facebook. Los datos fueron recolectados a través de la técnica de la asociación libre de palabras y la entrevista en profundidad. Para el análisis de la información se utilizó el software Tri-Deux-Palabras y Alceste.

RESULTADOS

La sexualidad es procesada en el campo representacional de los(as) jóvenes como siendo asociada con la práctica sexual. A su vez, la prevención del VIH, fenómeno representado como intrínseco a la sexualidad, se produce con el uso de preservativos o con la fidelidad dentro del matrimonio.

CONCLUSIÓN

Jóvenes católicos(as) representan la prevención del VIH/SIDA como fenómeno transversal a la sexualidad, cuyas prácticas sexuales están ancladas tanto en los discursos hegemónicos como en los progresistas.

Palabras clave: Religión y sexo; Sexualidad; VIH; Enfermería.

Abstract

OBJECTIVE

To analyze the the social representations of young Catholics about HIV/AIDS prevention and sexuality.

METHOD

Mixed study, based on the theory of social representations, held in 2015 with 84 young Catholics participating in the group “World Youth Day” on Facebook. The data were collected through the technique of free association of words and in-depth interview. For the information analysis, the software Tri-Deux-Mots and Alceste were used.

RESULTS

Sexuality is processed in the representational field of young people as being associated with the sexual practice. In turn, the prevention of HIV, a phenomenon represented as intrinsic to sexuality, occurs through the use of condoms or fidelity within marriage.

CONCLUSION

Young Catholics represent the prevention of HIV/AIDS as a transverse phenomenon to sexuality, whose sexual practices are anchored both in hegemonic and progressive discourses.

Keywords: Religion and sex; Sexuality; HIV; Nursing

INTRODUÇÃO

A Religião Católica, a mais predominante no Brasil e com maior número de adeptos em suas várias correntes, tem sido uma das principais formadoras de opinião e representações sobre diversos temas do cotidiano social inclusive aqueles referentes aos direitos sexuais e reprodutivos que interferem nas formas de prevenção da infecção pelo HIV/aids.

Nessa perspectiva, esse estudo versa sobre conteúdos que emergiram das redes de significações de jovens católicos/as ligados/as à Renovação Carismática Católica (RCC). Esse movimento tem reafirmado, ao longo de décadas, discursos condizentes com preceitos mais tradicionais da Igreja Católica Apostólica Romana, com novas estratégias referentes às formas de agrupar os/as jovens, trazê-los/as para igreja e, assim propor a renovação das práticas, dos ritos e da mística da igreja1.

Dentro da RCC, também estão inseridos/as os/as jovens que se encontram em meio à encruzilhada ética e com diversas inquietações, suscitadas por posicionamentos divergentes entre a igreja e o acesso ao conhecimento cientifico reificado divulgado pela mídia. Se, por um lado, a igreja dissemina informações que relacionam o sexo seguro à castidade ou à virgindade e vivência do sexo restrito ao matrimônio, à reprodução e à fidelidade entre marido e esposa, por outro, a mídia propaga a liberdade sexual e a prática do sexo seguro vinculada ao uso dos preservativos2.

Informações superficiais, inconsistentes e contraditórias sobre sexualidade e sexo seguro potencializam a vulnerabilidade de/as jovens religiosos/as às infecções adquiridas sexualmente, especificadamente, pelo HIV, bem como a dogmatização de assuntos que estão na alçada do conhecimento cientifico. Considera-se que a situação de integrar grupos religiosos não seja um fator protetor da contaminação pelo HIV, pois favorece um sentimento de invulnerabilidade por alguns grupos de fiéis em face do que consideram preservação do pecado e proteção divina natural3.

O Ministério da Saúde informou que, no período de 2003 a 2012, houve elevação nas taxas de detecção de HIV/aids em jovens de 15 a 24 anos4. Diante do exposto e considerando que o curso futuro da epidemia do HIV/aids está relacionado ao comportamento adotado por jovens e aos fatores contextuais, de ordens social e política, que influenciam modos de prevenção, dentro os quais se destacam as práticas sexuais seguras4, questiona-se: quais as representações sociais de jovens católicos/as sobre a prevenção ao HIV/aids e a sexualidade?

Esse estudo utiliza o aporte teórico-metodológico da Teoria das Representações Sociais (TRS) para compreender os significados de sexualidade e HIV/aids para jovens católicos/as, desvelando nuances e saberes imbricados no contexto do poder religioso que interferem em condutas, comportamentos, no exercício da sexualidade e no processo saúde-doença de jovens. Objetiva-se, portanto, analisar as representações sociais de jovens católicos/as sobre a prevenção ao HIV/aids e a sexualidade.

MÉTODO

Trata-se de um estudo com abordagem quanti-qualitativa, fundamentada na TRS, a qual possibilita desvelar construções mentais relacionadas à realidade comum a um grupo de pessoas - grupo de pertencimento - que compartilha um conjunto de conceitos, proposições e vivências interpessoais cotidianas, constituindo uma teoria do senso comum5.

A produção dos dados empíricos ocorreu na internet, no período de fevereiro e março de 2015, na página virtual da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) da rede social denominada Facebook. Participaram do estudo jovens adultos/as católicos/as, com idade entre 18 a 24 anos, de ambos os sexos, frequentadores/as de uma paróquia, integrantes de grupos da igreja ligados à RCC que participaram da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Em um primeiro momento, foi utilizada a Técnica de Associação Livre de Palavra (TALP) junto a 84 internautas que compuseram uma amostra intencional por conveniência, não requerendo cálculo amostral. O roteiro da TALP foi composto de quatro estímulos indutores: exercício da sexualidade; religião católica e exercício da sexualidade; aids; religião católica e aids. Em seguida, foi realizada a entrevista em profundidade, com 19 jovens, atendendo ao critério de saturação dos dados.

Os dados provenientes da TALP foram organizados e processados pelo software Tri-Deux Mots versão 2.2, resultando em um mapa fatorial de correspondência (gráfico) com disposição de dados que permite a visualização de aproximações e distanciamentos das evocações (variáveis de opinião) e das características sociodemográficas (variáveis fixas), revelados em um plano fatorial de dois eixos/fatores analisados pela técnica de Analise Fatorial de Correspondência (AFC).

As verbalizações oriundas das entrevistas em profundidade foram copiadas integralmente das ‘caixas de bate-papo’, organizadas em um único corpus no documento do Microsoft Office Word, versão 2003 e processadas por meio do software Alceste, versão 4.5. O Alceste realiza a análise lexical que permite exploração da estrutura, organização do discurso de agentes sociais e visualização do Gráfico do Plano Fatorial e a AFC6. Ademais, apoia-se em cálculos de coocorrência de palavras nos segmentos de texto, buscando distinguir classes de palavras que representam o tópico de interesse da investigação7.

Após análise, foi realizada triangulação dos dados para apreensão das representações sociais. Neste momento, foram integrados os dados oriundos das diferentes técnicas, quantitativas e qualitativas, confrontando-os e discutindo-os de modo a maximizá-los e validá-los.

A pesquisa respeitou as recomendações da Resolução n°466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, sendo iniciada após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, com número de protocolo 878.042/2014. Ressalta-se que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi encaminhado online através das ferramentas disponibilizadas pela rede social, e, após a leitura, os/as participantes confirmavam a participação com a assinatura digital.

RESULTADOS

Participaram do estudo 43 homens e 41 mulheres; a maioria procedente da Bahia (36), Minas Gerais (12), Rio de Janeiro (07) e São Paulo (07); 22 referiram ter ensino médio completo, 30 com ensino superior incompleto e 32 com ensino superior completo; 41 se autodeclararam da cor branca, 17 de cor preta e 26 pardas; 61 disseram estar solteiros/as e 23 casados; 58 referiram-se heterossexuais, 18 homossexuais e 08 bissexuais. No que se refere à prática de sexo com proteção: 46 utilizaram camisinha/preservativo e 38 não utilizaram, destes, 21 declararam-se virgens e 17 fizeram sexo sem proteção. Quanto à frequência na igreja, 62 relataram ir entre duas a três vezes por semana e 22 entre quatro a cinco vezes.

O Mapa Fatorial de Correspondência (Gráfico 1) proveniente do processamento de dados por meio do software Tri-Deux Mots versão 2.2 evidencia variações da organização espacial das variáveis, expondo aproximações e distanciamentos das variáveis fixas e de opinião nos dois fatores, fator 1 (F1) e fator 2 (F2). Dito de outra maneira, expõe a proximidade e o afastamento entre as características dos/as participantes e suas respostas.

Fonte: Autores

Legenda: F1+ Mulheres jovens; F1- Homens jovens; F2+ Negros/as com faixa-etária de 22 a 24 anos; F2- Brancos/as com faixa-etária de 18 a 21 anos; Variáveis fixas contribuintes com o F1; Variáveis fixas contribuintes com o F2

Gráfico 1 Plano fatorial resultante da análise do plano fatorial de correspondência, processado pelo software Tri-deux-mots versão 2.2 

No eixo das abscissas, onde se localiza o F1, há a tradução das objetivações mais significativas, necessárias para a formação das representações, demonstrando 41,1% da variância total de respostas. No eixo das ordenadas, está o F2 que demonstra 22,4% da variância e compõe as objetivações.

Somando-se os valores percentuais de F1 e F2, explica-se 63,5% de variância total das respostas, o que demonstra parâmetros estatisticamente fidedignos e com consistência interna, ou seja, caracteriza-se uma análise com significância. Quanto à frequência mínima de palavras para esse estudo, considerou-se 8 (oito), devido ao campo semântico vasto e heterogêneo disponibilizado pelos/as entrevistados/as. No total, foram 1637 palavras, sendo 313 diferentes.

No Mapa Fatorial, encontram-se os campos semânticos que compõem as representações sociais de jovens católicos/as quando incitados pelos estímulos (e): exercício da sexualidade (e1), religião católica e exercício da sexualidade (e2), aids (e3), religião católica e aids (e4). O estímulo que ofereceu maior contribuição de vocábulos para o jogo de oposições foi o estímulo 4 (aids), possivelmente, devido a sua maior difusão, propagação e propaganda na mídia e nos ambientes de convívio social.

As variáveis fixas que contribuíram com os eixos das abscissas e ordenadas foram sexo, faixa etária e raça. Para o eixo das abscissas, estão em oposição os sexos, masculino (F1 -) e feminino (F1+). No eixo das ordenadas, se opõem jovens de ambos os sexos, os da raça negra com idade entre 18 a 21 anos (F2 +), e os de raça branca na faixa etária de 22 a 24 anos no (F2-).

No F1- (fator um negativo), destaca-se que os homens não emitiram palavras com significância estatística para o estímulo exercício da sexualidade (e1), o que possivelmente denota uma situação constrangedora para esses jovens. Isto porque, quando esse estímulo foi associado à religião católica (e2), observa-se que eles evocaram os vocábulos repressão, pecado, respeito e doutrina, que reforçam a evidência de mecanismos de defesa, advinda do controle da sexualidade pregado pela igreja que integram. Para o estímulo aids (e3), eles expressaram irresponsabilidade e preconceito, entretanto, quando a aids foi relacionada à religião católica (e4) mencionaram doutrina.

As mulheres colaboraram com o F1 + ao evocarem orientação e práticas, entendidas como práticas sexuais quando estimuladas sobre o exercício da sexualidade (e1). Quando foram indagadas acerca da religião católica e exercício da sexualidade, evocaram o termo preconceito. Ao escutarem o estímulo aids (e3), utilizaram os vocábulos vulnerabilidade, medo e prevenção. Por sua vez, ao responderem ao estímulo religião católica e aids (e4) se referiram novamente à prevenção, no entanto, acompanhada de outro sentido, ou seja, que os princípios católicos também contribuem para evitar este agravo.

No fator F2 +, jovens de ambos os sexos, que se autodeclaram da raça negra, com idade entre 18 e 21 anos, evocaram prazer, liberdade, amor para o estímulo 1, e o termo proibido para estímulo 2. Ao serem perguntados/as sobre a palavra aids (e3) referiram doença, irresponsabilidade, homossexualismo*, prostituição, tratamento e tristeza. Entretanto, não houve verbalizações estatisticamente significativas para a expressão religião católica e aids (e4), possivelmente por tratar-se de um tema tabu houve censura do seu sistema cognitivo as possibilidades de associação dos termos.

No fator F2-, jovens brancos/as na faixa-etária entre 22 e 24 anos definiram o (e1) exercício da sexualidade como sexo. Quando estabeleceram relação com a expressão religião católica (e2) disseram virgindade e família. O (e3) aids foi representado pelos termos África, promiscuidade, camisinha. Por fim, quando perguntados sobre a expressão religião católica e aids evocaram palavras carregadas de sentidos religiosos como culpa, fé e empatia.

As respostas oriundas das entrevistas, também submetidas à Análise Fatorial de Correspondência (AFC), ao serem processadas pelo software Alceste, originando o gráfico 2. As repostas foram estruturadas a partir da leitura do conteúdo lexical das palavras e das variáveis-atributos com maiores cargas fatoriais, dispostas nos campos semânticos, cuja organização evidenciou o grau de proximidade entre os conteúdos das classes.

Fonte: Autores

Legenda para interpretação do Gráfico do Plano Fatorial: Classe; Classe 1; Variáveis-Atributos; Ind_5: Entrevistada 05; Ind_11: Entrevistada 11; Ind_14: Entrevistada 14; Ind_19: Entrevistada 19; Sexo_1: feminino; Reg_2: Procedência Interior; Classe 2; Ind_7: Entrevistado 07; Esco_3: Ensino Superior Completo; Reg_1: Procedência Capital / Região metropolitana; Sexo_2: Masculino; Cor_2: Raça negra; Classe 3; Ind_18: Entrevistado/a 18; Classe 4; Ind_08: Entrevistado/a 08

Gráfico 2 Plano Fatorial de Correspondência emitido pelo software Alceste 

Os dados processados no software Alceste, a partir da análise estatística padrão, originou um corpus constituído de 19 unidades de contexto iniciais (UCI), totalizando 10.115 ocorrências, 1855 palavras distintas e média de 5 ocorrências por palavra, com frequência igual ou superior à média e com khi² ≥ 3,84. Após reduzir o vocabulário às suas raízes lexicais, foram encontrados 268 radicais reduzidos e analisáveis, sendo 217 unidades de contextos elementares (UCE).

O conteúdo lexical das entrevistas foi dividido em quatro conglomerados, de forma não-aleatória e referiram-se aos desenhos específicos para cada classe evidenciada no gráfico. Todas as classes contribuíram para o ponto zero, local onde os eixos das abscissas e das ordenadas se cruzam, ainda que a oposição das classes se revela discretamente no plano fatorial, em ambos os fatores (F1 e F2); que explicaram juntos 75% da variância total das UCEs.

No eixo 1 ou F1, percebeu-se as maiores cargas fatoriais levantadas pelo Alceste, o que explicou 40% da variância total das UCEs. No lado negativo (da esquerda) do F1, há palavras agrupadas nas classes 2 e 4, representadas nos discursos dos/as jovens, homens negros, residentes nas capitais/regiões metropolitanas, com ensino superior completo. Na apresentação espacial do mapa fatorial as duas classes estão interligadas no F1-, compartilhando das variáveis-atributos e a palavra sexualidade. A classe 4 contribuiu ainda individualmente com o fator: fé, fala (sentido de dialogar), abstinência, viver, segue (práticas doutrinárias), desejo, namoro e professar.

Em oposição, no mesmo eixo 1, no lado positivo (à direita), posicionam-se as palavras com maiores cargas fatoriais aglutinadas nas classes 1 e 3, apreendidas com as entrevistas e, que também, estão sobrepostas. A classe 1 teve a colaboração de mulheres, procedentes do interior de seus respectivos estados, com ensino superior completo, com as palavras: uso, prevenção, método e dia (referente nas UCIs aos dias atuais). A classe 3 foi construída com a contribuição de jovens católicos/as, de ambos os sexos, com ensino superior incompleto, cujas palavras com significância estatística para o F1+ foram: meio, camisinha, proteger, parceiro, doença, discurso, tempo e fidelidade.

Em relação ao F2, na linha vertical, do Gráfico 2, destacam-se quatro grupos de vocábulos que, juntos, explicam 30% da variância total das UCEs. No eixo 2 positivo, na parte superior, encontram-se justapostas as classes 1 e 2. Da classe 1, que teve contribuição das mulheres, procedentes do interior de seus respectivos estados, com ensino superior completo, adveio os seguintes campos semântico-lexicais: dever, assunto, grupo e opinião. Na classe 2, os participantes, homens negros, que residiam em capitais/regiões metropolitanas, o objeto de estudo foi representado através das palavras: valor, doutrina, discutido (discussão), corpo, prazer, momento, acontecimentos e entendimentos.

Em oposição, no F2- (porção inferior do gráfico), encontram-se categorizadas as classes 3 e 4, que juntas e interseccionadas, colaboram para a formação desse setor. Verifica-se que na classe 3, composta pelos jovens, de ambos os sexos, com ensino superior incompleto, há a apreensão das objetivações: tempo e fidelidade. Por sua vez, a classe 4, que sofreu interferência das variáveis da classe 2, por meio da sobreposição no F1-, teve relação estabelecida com os vocábulos: fé, respeito, mulheres, abstinência, viver, fala (sentido de dialogar), segue (praticas doutrinárias), namoro e professar.

Desse modo, pode-se inferir que a análise do campo semântico/lexical realizada pela AFC do Tri-Deux-Mots realçou as oposições significativas para as variáveis fixas sexo, faixa etária e raça/cor. Por sua vez, a análise lexical das classes favorecidas pelo Plano Fatorial gerado pelo Alceste revelou disformidade das classes 1 e 3, com as classes 2 e 4. Uma vez que, respectivamente, tratavam de assuntos referentes à camisinha e à prevenção ao HIV/aids (classes 1 e 3), e as últimas classes (2 e 4) remeteram aos temas consoantes à esfera da sexualidade.

A leitura das palavras visualizadas no mapa fatorial produzido pelo Tri-Deux-Mots se assemelha e complementa a análise lexical realizada pela interpretação das classes na AFC do plano fatorial do Alceste. Assim, tanto a interseção das classes quanto a proximidade das palavras com o ponto central dos eixos/fatores de ambos os gráficos convergem para a formação e confirmação de um grupo de pertencimento.

Quanto à variável-fixa procedência, essa se revelou insignificante estatisticamente para as oposições com as palavras evocadas e também para as variáveis-atributos que contribuíram para as quatro classes.

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo demonstraram que o conteúdo das representações revela os significados, os símbolos e as ideias acerca do objeto investigado, quando compartilhados e difundidos nas redes sociais e em seus grupos de pertencimento e contextualizados no cotidiano onde estão inseridos.

A influência das doutrinas e dos dogmas católicos e a participação na Jornada Mundial da Juventude, de maneira geral, aproximaram diversos/as jovens, favorecendo o surgimento de uma identidade religiosa que determinou o surgimento de consensos de jovens de diferentes locais do Brasil e de dissensos relacionados ao sexo, raça e faixa etária desses/as jovens.

Considerando a dinâmica de compartilhamento e troca de informações em rede, a difusão e propagação ágil e veloz de conhecimentos e ideologias na formação de redes de relações entre pessoas de diversas localidades, houve a identificação do grupo de pertencimento nessa pesquisa. A formação do grupo de pertença está relacionada à identidade social desenvolvida pelas pessoas e remete ao autoconceito derivado do conhecimento de sua pertença a um grupo social. Esta conformação parte do pressuposto de que o comportamento interpessoal é formado pela relação estabelecida com o comportamento intergrupal e vice-versa8.

Nesse processo de trocas interindividual e intergrupal, que se delimitam em um determinado contexto histórico e social, acontecem a materialização da memória e das representações sobre fenômenos da sociedade e, portanto, certa organização social, estrutural, de legitimidade e estabilidade do grupo. Logo, tais pressupostos facilitam a compreensão da identidade social associada ao sentimento de pertença, com o qual se formam os grupos de pertencimento8.

Ao revelarem consenso quanto às dúvidas sobre prática de ‘sexo seguro’, os/as jovens sutilmente chamam atenção para a necessidade da aproximação de discursos científicos reificados a partir da Igreja Católica. Dentre as temáticas importantes, destaca-se a prática do sexo seguro defendida pela ciência, o que levaria ao descortinamento das dúvidas de jovens católicos praticantes e à menor exposição aos agravos à saúde provocados pela prática sexual sem proteção9.

Dúvidas, receios, hábitos e tabus são comuns entre jovens e adolescentes, no que concerne ao uso do preservativo, uma vez que existem aqueles/as que não gostam de usá-lo em suas práticas sexuais pelo receio de não atingirem o prazer e, também os/as demais que não possuem maiores informações sobre a importância do uso para a saúde sexual.

Em um estudo realizado com adolescentes de uma escola municipal da cidade de Fortaleza (CE), os autores perceberam que as relações de poder, de gênero, os tabus e as questões culturais, as quais os adolescentes estão submetidos, contribuíram para a estruturação de suas representações e, por conseguinte, na decisão de se adotar o preservativo para a prática do sexo seguro10.

Sobre a sexualidade, as mulheres apresentaram representações sociais condizentes com os discursos teóricos e científicos hegemônicos, assim como possuíam críticas que teceram em seus discursos sobre a forma como a igreja católica aborda e conduz este tema. Além disso, pontuaram que a prática sexual livre é considerada pela igreja como desviante (pecaminosa), vista com olhares preconceituosos e condenatórios contra quem a pratica.

A partir do momento que a sexualidade é apresentada como um domínio de conhecimento, torna-se objeto das relações de poder, uma vez que sua aplicação é para o controle do exercício da sexualidade. Os mecanismos de controle são subjetivos, sendo ativados por discursos e conhecimentos, que desencadeiam processos de controle nas construções sociais dos indivíduos e se iniciam ainda na convivência familiar11.

Diferente das mulheres, os homens ancoraram suas representações sobre o exercício da sexualidade nas normas morais da tradição cristã-católica, construídas historicamente, objetivando o preconceito. Sobre esse aspecto, entende-se que as informações se processaram no sistema cognitivo das pessoas partindo do modo como os/as jovens foram ensinados/as desde a infância a vivenciarem a sexualidade12.

Essas ideias que se contrapõem às doutrinas tradicionais católicas ganham força com os ideais progressistas das Católicas pelo Direito de Decidir, quando propõem que os/as jovens podem ser bons católico/as, mas discordam do posicionamento impositivo da Igreja Católica, na medida em que todos/as possuem a liberdade para distinguir o que é essencial à sua fé ou não2.

Os discursos de alguns entrevistados/as reforçam representações hegemônicas sobre a prevenção para a infecção pelo HIV, fundamentada ainda no “comportamento de risco” e centralizada na vulnerabilidade individual. Ou seja, são apenas as condutas e as práticas sexuais de cada pessoa que irão favorecer ou não a contaminação pelo vírus causador da aids.

As falas dos/as jovens provenientes da entrevista refletiram o universo semântico objetivado nas palavras evocadas para o estímulo aids e religião católica. Assim, ao ancorar os termos irresponsável, preconceito e doutrina, por exemplo, aos dogmas da igreja, eles/as contribuem com a manutenção de estigmas e preconceitos contra os/as que convivem com o HIV e/ou exercem livremente sua sexualidade.

As representações sociais de jovens católicos/as se coadunam com achados de uma pesquisa realizada com pessoas em processo de envelhecimento acerca do significado do HIV/aids, no qual os/as entrevistados/as associaram a infecção e as formas de contágio às práticas homossexuais masculinas, aos homens que se relacionam com travestis, à boemia, à promiscuidade, ao prazer e ao sexo casual13.

Os/as participantes deste estudo reafirmaram conhecimento difundido no início da epidemia ao associarem o continente África à aids. É possível que essa ideia ainda permeia o imaginário social, na qual o vírus pode ter sido transmitido pela relação sexual de humanos com o macaco, assim como da ingestão da carne deste primata.

Estudo sobre representações sociais de pessoas que convivem com HIV apreendeu a representação de que aids se originou em outros povos, a exemplo da África, o que denota um estabelecimento da doença à grupos estrangeiros e marginalizados, representado pelo continente mais pobre do mundo, cuja população apresenta comportamentos considerados ‘desviantes’ como a prática sexual com animais14.

As representações da aids como uma doença tratável, percebidas nesta pesquisa, também foram destacadas em outros estudos com diversos grupos investigados como adolescentes, mulheres e pessoas em processo de envelhecimento14-15. Fato que evidencia o consenso entre os vários grupos de pertença na compreensão sobre a importância do tratamento para a longevidade com qualidade de vida.

Outra representação processada pelos/as jovens católicos/as foi sobre a homossexualidade, associada a palavra ‘homossexualismo’ e a prostituição, que se fizeram presentes em outros estudos sobre representações da aids. Tais evocações remetiam ao preconceito e à discriminação aos grupos tidos como de ‘risco’, o que reflete os estigmas difundidos e naturalizados no início da epidemia16. Além disso, percebeu-se que há a construção relacional das representações sobre a aids ancoradas em modelos biomédicos e em algumas construções sociais tradicionais decorrentes do conhecimento reificado17.

Através dos dogmas da igreja católica, percebeu-se nos discursos a culpabilização individual, ou seja, o indivíduo é o único culpado por contrair o HIV, desconsiderando fatores que remetem a vulnerabilidade social e programática. Além disso, houve reafirmações de construções sociais hegemônicas como a liberdade sexual dos homens, virgindade das jovens, o casamento heterossexual, a confiança e a fidelidade como práticas preventivas, aumentando a vulnerabilidade da juventude católica às IST’s e a aids.

CONCLUSÃO

Compreender as representações sociais a partir da comparação, por meio da análise de dois mapas fatoriais de correspondência, permitiu o entendimento das representações mentais processadas pelos/as jovens católicos/as sobre a prevenção ao HIV/aids como fenômeno transversal à sexualidade, cujas redes de significados são influenciadas pelas doutrinas e dogmas católicos, ao passo que refletem a influência do conhecimento científico/moderno/midiático, por meio do uso de preservativos.

Salienta-se que para o grupo social investigado, a representação sobre a sexualidade é processada conforme critérios de normatividade, além disso, está associada a uma prática sexual - mesmo tendo liberdade para exercê-la - carregada de valores morais, cujo prazer deve ser desfrutado com amor e respeito entre o casal (heterossexual).

A prevenção para o HIV/aids foi ancorada, sobretudo, nos discursos tradicionais, reverberando as representações hegemônicas, os quais se traduzem nos ideais da prática sexual depois do casamento e na fidelidade. Ressalta-se que a consciência e o conhecimento dos direitos sexuais como um direito universal é fundamental para que os/as jovens exerçam sua religiosidade com liberdade, sem, no entanto, comprometer o livre exercício da sexualidade, também, salvaguardando a sua saúde.

O estudo foi relevante na medida que se buscou a compreensão de como os/as jovens católicos/as lidam com a liberdade sexual, com a adoção de comportamentos preventivos e com a forma como representam tais fenômenos, frente aos princípios religiosos, tendo em vista a possibilidade de contribuir com o conhecimento de profissionais de saúde acerca da vulnerabilidade de jovens religiosos ao HIV/aids.

No entanto, o estudo apresenta como limitações a pouca adesão de jovens à coleta de informações, se comparado ao universo que são as redes sociais e o fato de existirem escassos estudos voltados à saúde sexual de jovens religiosos para subsidiar o aprofundamento teórico na pesquisa.

Recomenda-se que profissionais de saúde, especificamente a enfermeira, se concatene com a vivência do cotidiano de jovens possibilitando-a compreender o funcionamento dos sistemas religiosos que integram os espectros das subjetividades humanas. Assim, será possível operacionalizar práticas de cuidado fundamentadas a partir do conhecimento que orienta o comportamento do grupo

REFERÊNCIAS

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*Optou-se por utilizar a expressão homossexualismo ao invés de homossexualidade apenas quando for feita referências às respostas dos participantes deste estudo. Isso se deve pela importância em revelar os significados oriundos do sistema cognitivo dos participantes.

Recebido: 16 de Janeiro de 2017; Aceito: 04 de Julho de 2017

Autor correspondente:Pablo Luiz Santos Couto. pabloluizsc@hotmail.com

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