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Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

Print version ISSN 0004-2730

Arq Bras Endocrinol Metab vol.47 no.4 São Paulo Aug. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302003000400013 

ATUALIZAÇÃO

 

Aspectos neuroendócrinos da síndrome metabólica

 

Neuroendocrinology of the metabolic syndrome

 

 

Amélio F. Godoy Matos; Rodrigo O. Moreira; Erika P. Guedes

Serviço de Nutrologia e Metabologia e Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (GOTA), Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), e Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A síndrome metabólica (SM) é caracterizada por alterações no metabolismo glicídico, obesidade, hipertensão e dislipidemia. Estas alterações metabólicas interrelacionam-se com diversos eixos endócrinos controlados pelo hipotálamo e pela hipófise. A obesidade central parece relacionar-se a uma hiperativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, como também do sistema nervoso simpático, que poderia levar a um quadro de hipercortisolismo sub-clínico e hipertensão arterial. A SM é também um estado de hipo-somatotropismo relativo relacionado à gordura visceral. Além disso, níveis elevados de ácidos graxos livres e a hiperinsulinemia, secundários à resistência insulínica, estão relacionadas a um bloqueio do eixo somatotrófico. Em homens, a SM relaciona-se a um hipogonadismo tanto por diminuição de gonadotrofinas como por inibição direta da produção de testosterona. Já nas mulheres, existe um excesso de produção de androgênios, principalmente relacionado à hiperinsulinemia, aumento da atividade da aromatase e da liberação de LH. Desta forma, a SM é um estado relacionado a importantes modificações nos mecanismos de feedback responsáveis pelo correto funcionamento dos eixos neuroendócrinos.

Descritores: Síndrome metabólica; Obesidade; Adrenal; Hormônios; Hormônio do crescimento


ABSTRACT

The metabolic syndrome (MS) is characterized by alterations in carbohydrate metabolism, obesity, hypertension and dislipidemia. These metabolic alterations interfere with some endocrine axes controlled by the hypothalamus and the pituitary. Central obesity might be associated to a state of subclinical hypercortisolism and hypertension, secondary to an activation of the hypothalamic-pituitary-adrenal axis and the sympathetic nervous system. MS is also a state of relative hyposomatotropism, probably related to visceral fat. Furthermore, high levels of free fat acids and hyperinsulinemia, secondary to insulin resistance, can contribute to a blockade of the somatotropic axis. In men, MS is related to a state of hypogonadism caused by impairment in gonadotropin secretion and testosterone production. Women exhibit excessive androgen production, secondary to hyperinsulinemia, high levels of LH and to an increase in aromatase activity. In summary, MS is a condition linked to important modifications in feedback mechanisms responsible for the correct functioning of the neuroendocrine axes.

Keywords: Metabolic syndrome; Obesity; Adrenal; Hormones; Growth hormone


 

 

A SÍNDROME METABÓLICA E A NEUROENDOCRINOLOGIA

A SÍNDROME METABÓLICA (SM) CARACTERIZA-SE pela associação, num mesmo indivíduo, de dislipidemia, diabetes mellitus do tipo 2 ou intolerância à glicose, hipertensão arterial e excesso de peso ou obesidade (1). Interligando estas alterações metabólicas está a resistência à insulina (hiperinsulinemia), daí também ser conhecida como síndrome de resistência à insulina. A SM é a mais comum doença metabólica da atualidade e também a maior responsável por eventos cardiovasculares (2-4). Embora poucos dados epidemiológicos existam, o 3º. Censo de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos sugere que cerca de 23,7% da população adulta americana é portadora da SM (3). A necessidade de uma abordagem multidisciplinar e de inúmeros medicamentos impõem ao paciente e ao sistema de saúde elevados custos, tanto com prevenção primária como com prevenção secundária e terciária. Apenas com este tipo de abordagem estes pacientes são adequadamente tratados e uma diminuição significativa da mortalidade pode ser alcançada (5).

O maior entrave para o estudo epidemiológico da SM e das suas complicações reside no fato de que a sua definição ainda não é uma unanimidade. Pelo menos dois critérios têm sido adotados, um proposto pelo NCEP-ATP III e outro pela OMS (6,7). Recentemente, todavia, um grupo finlandês validou estes critérios com algumas adaptações, o que possibilita a sua utilização como critério diagnóstico na prática clínica (tabela 1) (4). É necessário definir aqui, para inteiro entendimento da discussão que se segue, que um dos mais importantes aspectos fisiopatológicos e fenotípicos da SM é a presença da obesidade central ou visceral.

Nenhum dos componentes da SM possui relação direta com o sistema nervoso central ou o eixo hipotálamo-hipofisário. Nos últimos anos, entretanto, diversos autores vêm comprovando que as alterações inerentes à SM relacionam-se indiretamente com diferentes eixos neuroendócrinos (principalmente corticotrófico, somatotrófico e gonadotrófico). Estas alterações hormonais neuroendócrinas muitas vezes promovem uma piora da própria SM ou podem estar associadas à predisposição para outras doenças. Por outro lado, doenças como acromegalia, síndrome de Cushing e a síndrome dos ovários policísticos, entre outras, têm mortalidade elevada associada ao comprometimento metabólico do paciente.

Um hormônio recentemente descoberto, a leptina, embora não incluído diretamente nos eixos acima citados, parece ser mais um dos componentes das disfunções hormonais da SM. A leptina é um hormônio regulado pelo gen ob e é um importante marcador da quantidade de tecido adiposo. A maioria absoluta dos casos de obesidade em humanos está relacionada a um quadro de hiperleptinemia, o que denota o aumento do conteúdo total de gordura corporal, como também, provavelmente, uma resistência à leptina. A deficiência de leptina, apesar de rara, também se relaciona a um quadro grave de obesidade associado a hipogonadismo hipogonadotrófico (8). Embora seja produzida principalmente pelos adipócitos, sua principal ação é a regulação da saciedade a nível hipotalâmico, além de uma importante função na reprodução humana. Alguns dos efeitos da leptina in vitro incluem atenuação da ação da insulina nos hepatócitos, aumento da oxidação de ácidos graxos e da depleção de triglicérides nos adipócitos e diminuição da ligação da insulina aos adipócitos (1). Desta forma, a leptina é um dos responsáveis pela modulação da ação e da sensibilidade da insulina. Além disso, a sua associação com o eixo gonadotrófico e, possivelmente, com o eixos somatotrófico e corticotrófico, relacionam-na com a neuroendocrinologia da SM.

O objetivo deste artigo, portanto, é revisar os aspectos neuroendócrinos envolvidos com a SM, notadamente com a deposição de gordura na região abdominal-visceral, e, com isso, facilitar o entendimento diagnóstico e terapêutico dessa associação.

 

A SÍNDROME METABÓLICA E O EIXO ADENOCORTICOTRÓFICO

Certos casos de obesidade têm claras características clínicas de hipercortisolismo, incluindo obesidade centrípeta, algumas vezes com tendência à formação de "giba de búfalo", elevação da pressão arterial, resistência à insulina com intolerância à glicose e dislipidemia (9). Observações em pacientes com síndrome de Cushing orientam para o importante papel dos glicocorticóides na regulação da distribuição de gordura corporal, especificamente sua ligação com obesidade central (10). Apesar de ainda não existir consenso em relação às potenciais anormalidades implicadas neste processo, a possibilidade da obesidade humana ser uma condição de hipercortisolismo vem sendo investigada.

Diversos modelos de estudos sobre obesidade em animais têm demonstrado um aumento da secreção de glicocorticóides (11,12). Em humanos, a obesidade parece ser seguida de vários sinais de disfunções hipotalâmicas similares aos observados em roedores, mas usualmente em menor grau (9). De fato, já foi demonstrado que a obesidade é caracterizada por uma produção aumentada de cortisol, combinada a uma elevada taxa de turnover, a qual resulta num cortisol circulante normal e, freqüentemente, em níveis baixos pela manhã (13).

Os primeiros estudos, todavia, não diferenciavam pacientes com obesidade central, mais relacionada com a SM, da obesidade periférica. Marin e cols. (14) encontraram que o cortisol urinário correlacionava-se diretamente com a relação cintura-quadril (RCQ) ou com o diâmetro sagital, medidas clínicas da centralização de gordura corporal. Além disso, quando submetidos a testes de estresse intelectual (testes matemáticos, quebra-cabeças, etc), o cortisol plasmático aumentava em relação direta com o diâmetro sagital. Estes dados sugerem que há uma sensibilidade aumentada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) nos pacientes com obesidade central. Mais interessantes foram os achados de Pasquali e cols. (15) que demonstraram, em mulheres com obesidade central submetidas ao teste de estímulo com CRF ou ACTH, uma resposta aumentada do cortisol plasmático. Curioso é que as mulheres com deposição periférica de gordura demonstravam uma resposta do cortisol menor do que o grupo controle, como a sugerir que na obesidade periférica, diferentemente da central, haveria até uma diminuição da sensibilidade do eixo ao estímulo com CRF ou ACTH.

Uma outra forma de avaliar o eixo HHA na obesidade é testando a sua supressibilidade. A utilização de testes convencionais para o diagnóstico da síndrome de Cushing, entretanto, pode causar confusão diagnóstica quando se avaliam as alterações do eixo na SM. A pouca sensibilidade e o pequeno poder discriminatório destes testes para as formas leves de hiperatividade do eixo HHA são problemas comuns (13). Por exemplo, ao se utilizar o teste com a dose de 1mg de dexametasona, o controle por feedback do eixo HHA tem sido encontrado como normal na obesidade (16). Entretanto, com doses menores, de 0,25 a 0,5mg, foi possível demonstrar que a supressão está diminuída quanto maior for o diâmetro sagital-abdominal (17).

A dosagem do cortisol salivar se enquadra nas necessidades de avaliação do eixo HHA, pois possibilita a coleta de amostras repetidas durante o dia, sob diversas circunstâncias, além de estar medindo o cortisol livre circulante (13,18). Utilizando esta técnica em homens obesos, Rosmond e cols. (19) analisaram a cinética da atividade do eixo HHA, a resposta do cortisol a uma refeição padronizada e ao estresse, bem como a sua supressão por dose baixa (0,5mg) de dexametasona. Homens com regulação normal do eixo, e sem uma secreção de cortisol exagerada relacionada ao estresse, foram considerados como o grupo referência para a normalidade. Em cerca de um terço da população estudada, foi observado um funcionamento normal do eixo HHA, mas com sensibilidade normal-alta ao estresse. Nestes, a secreção de cortisol fica mais elevada durante o dia, sugerindo um eixo freqüentemente ativado e sensibilizado. Em uma pequena porcentagem da amostra, cerca de 10%, as concentrações de cortisol durante o dia mostraram pequena variabilidade, sem muita reação ao estresse e com menor estimulação após a alimentação, quando comparado ao grupo referência. O perfil de secreção de cortisol neste grupo sugere uma perda completa (burn out) dos mecanismos fisiológicos de controle nictemérico do cortisol. Nos dois últimos grupos foram encontradas correlações positivas com a circunferência abdominal e o diâmetro sagital-abdominal, e, mais importante, com algumas variáveis metabólicas, como triglicerídeos, insulina, HDL (relação inversa), IGF-1 e com a pressão arterial, ou seja, com parâmetros indicativos da SM (19,20).

A relação da dinâmica do ACTH com a obesidade tem sido pouco investigada. Pasquali e cols. (21) demonstraram que mulheres na pré-menopausa e com obesidade visceral apresentavam aumento da freqüência de pulso de ACTH e diminuição de sua amplitude, apesar de manterem concentrações sangüíneas médias de ACTH similares. A presença deste eixo hiperativado é confirmada mesmo com a estimulação máxima da hipófise após a administração combinada de CRH e AVP (22).

A hiperatividade do eixo HHA na obesidade central poderia estar associada a um aumento do volume das glândulas adrenais. Assim, nosso grupo estudou 52 mulheres com diferentes graus de corpulência, submetendo-as a estudo com tomografia computadorizada para medir a gordura visceral e o volume das adrenais (23). Encontramos uma correlação significativa entre a RCQ e o volume das adrenais. Mais importante, o teor de gordura visceral também se relacionou diretamente com o volume das adrenais, embora no limite da significância (r= 0,228; p= 0,05). Ainda nos interessava saber se, no diabetes do tipo 2, uma expressão final da SM e que está intimamente relacionado à gordura visceral, este aumento das adrenais poderia estar presente. Estudamos, então, 22 mulheres obesas, sendo 11 diabéticas e 11 não diabéticas, submetendo-as ao mesmo protocolo radiológico anterior (24). Definitivamente, encontramos que o volume das adrenais das mulheres diabéticas era duas vezes maior que o das não diabéticas.

Em resumo, a obesidade central-visceral, provável mecanismo maior da SM, relaciona-se a um aumento da atividade do eixo HHA e a uma diminuição da sua supressibilidade. Esta hiperatividade parece se expressar anatomicamente por um aumento do volume das adrenais em pacientes com obesidade visceral e com SM.

 

A SÍNDROME METABÓLICA E O SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO

O eixo HHA e o sistema nervoso simpático (SNS), envolvidos nos eventos de resposta ao estresse, estão intimamente conectados. Além disso, foi demonstrado que um aumento expressivo no peso corporal está associado com maior ativação simpática (25). Assim, na situação onde o eixo HHA é patológico, além da situação de secreção elevada de cortisol, a ativação do SNS central deve ser avaliada como outra potencial causa para as alterações somáticas (13). A possibilidade de ativação do SNS é indicada pela forte associação da elevação da pressão arterial e da freqüência cardíaca com o excesso de peso. Esta ativação e os efeitos cardiovasculares associados, ocorrendo agudamente em resposta a estímulos laboratoriais, parece ser mediada, pelo menos em parte, por peptídeos secretados centralmente e, possivelmente, também pelo eixo hipotálamo-hipófisário (26). Indivíduos com relação cintura/quadril maior que 1,0 apresentam pressão de pulso e freqüência cardíaca significativamente maiores, o que também se correlaciona com excreção elevada de metabólitos de catecolaminas, além de glicemia, insulinemia e perfil lipídico desfavoráveis (17). Grassi e cols. (27) evidenciaram que, em pacientes obesos normotensos, a atividade do SNS foi marcadamente maior que nos pacientes magros. O novo achado deste estudo é que, nos obesos, a atividade simpática não foi afetada pela administração aguda de dexametasona, mas foi claramente reduzida quando esta supressão foi mantida por 1 semana. Isto é compatível com a possibilidade desta hiperatividade simpática crônica nos obesos ser dependente, pelo menos em parte, de substâncias e/ou estruturas cuja liberação e/ou função sejam alteradas pela administração de dexametasona.

As substâncias e/ou estruturas que seriam responsáveis pela relação estímulo simpático-obesidade ainda não foram identificadas. Existe, porém, a possibilidade de um maior envolvimento de substâncias liberadas pelo hipotálamo e/ou hipófise (27). Evidências indicam que CRH e neuropeptídeo Y (peptídeos liberados pelo hipotálamo) estimulam o SNS através de: 1) efeitos hormonais (liberação de CRH) que aumentariam a insulinemia (26,28); 2) ativação de vias descendentes do hipotálamo para a medula e neurônios simpáticos espinhais (28,29); e 3) determinação de resistência insulínica pela vasoconstrição no leito vascular de músculos esqueléticos (28,30).

O aumento da atividade do SNS poderia não apenas ser responsável pela elevação da pressão arterial e da freqüência cardíaca, mas também pelo aumento na mobilização de ácidos graxos livres (AGL) do tecido adiposo. A elevação dos níveis de ácidos graxos é um importante achado na obesidade abdominal (31), exercendo profundos efeitos periféricos no desenvolvimento da resistência insulínica nos músculos e no fígado (32).

Mecanismos periféricos e a hipótese do "Cushing Omental"

A principal anormalidade metabólica do excesso de cortisol é a resistência insulínica (33). Os glicocorticóides inibem a captação de glicose pelos tecidos periféricos, estimulam a gliconeogênese e aumentam a glicemia pós-prandial e a insulina. O funcionamento pós-receptor de insulina é prejudicado pelos glicocorticóides através de mecanismos que envolvem interação com receptor de glicose (33). A hiperinsulinemia poderia ter uma influência estimulatória na atividade do eixo HHA. Evidências têm indicado um efeito estimulatório agudo da insulina durante clamp euglicêmico em homens saudáveis (34). Já foi demonstrado que a insulina atravessa a barreira hematoencefálica (35), e a presença de alta densidade de receptores de insulina na hipófise suporta esta idéia (36). Como já discutido acima, a hiperatividade do eixo HHA em indivíduos geneticamente suscetíveis poderia levar ao aumento da secreção de cortisol e ao aumento da gordura visceral. Assim, um círculo vicioso poderia se perpetuar ao promover mais deposição de gordura intra-abdominal, resistência insulínica e SM (37,38).

Os efeitos dos glicocorticóides dependem da interação do complexo receptor de glicocorticóide (RG)-hormônio, o qual interage com genes específicos para induzir a síntese protéica. A densidade dos RG é dependente da secreção e concentração de cortisol. Níveis elevados de cortisol são seguidos por uma diminuição no número de RG no hipocampo (39) e adipócitos (40). A retroalimentação negativa da função dos RG na obesidade abdominal foi demonstrada em homens, sugerindo uma sensibilidade moderadamente diminuída deste mecanismo na secreção de cortisol. A explicação poderia ser uma base genética, sugerida por polimorfismos no gene do RG associado ao pobre controle da secreção de cortisol (41).

A magnitude do impacto da densidade dos RG e da concentração de cortisol está na dependência da ação periférica das enzimas 11b-hidroxiesteróide desidrogenase 1 e 2 (11b-HSD) (9). A 11b-HSD tipo 1 tem uma ação redutase, convertendo cortisona a cortisol, está presente no tecido adiposo e em maior quantidade no tecido adiposo omental. Isto poderia ser um fator para o desenvolvimento da obesidade central na presença de níveis circulantes normais de cortisol (35). Estudos in vitro confirmam os efeitos estimulatórios do cortisol na diferenciação de células adiposas estromais em adipócitos maduros (43,44). Masazuki e cols. (39) demonstraram que a superexpressão da 11b-HSD1 (aumentando a conversão cortisona-cortisol) em adipócitos causava um aumento de três vezes no acúmulo da gordura visceral. Assim, a geração de cortisol no tecido adiposo pode promover o acúmulo de gordura visceral ("Cushing Omental"). Por outro lado, na obesidade, a 11b-HSD1 está diminuída no fígado, sugerindo uma regeneração deficiente de cortisona a cortisol. Desta forma, haveria uma ativação compensatória do eixo HHA, via feedback hipotalâmico (18). Isto, porém, não exclui uma hiperatividade primária do eixo, como discutido anteriormente, e os dois modelos podem coexistir ou mesmo trabalhar isoladamente na deposição de gordura central.

Parece claro que o efeito metabólico do cortisol na periferia tem o potencial de alterar não apenas os efeitos locais nos tecidos alvos, mas também sua regulação secretória (9). Melhores esclarecimentos são necessários diante deste complexo funcionamento (figura 1). Além dos glicocorticóides, estão envolvidos no controle destas enzimas: citocinas, insulina, hormônio de crescimento (GH) e estresse. Também diferenças nas sensibilidades destes receptores entre grupos diferentes de pacientes e entre os diversos tecidos têm sido relatadas, contribuindo para esta intrigante rede de funcionamento (40).

 

A SÍNDROME METABÓLICA E O EIXO SOMATOTRÓFICO

O GH é um dos principais componentes do eixo somatotrófico. Sua secreção pela hipófise é controlada pelo hipotálamo através de 2 fatores: um de liberação, o GHRH (Growth Hormone Releasing Factor) e um de inibição, a somatostatina. Sua ação se dá primariamente através da regulação periférica do IGF-1 (Insulin-like Growth Factor) e das IGFBP 1 a 5 (Insulin-like Growth Factor Binding Proteins), além de possuir uma ação direta na maioria das células do corpo humano. Sua deficiência, tal como seu excesso, leva não somente a modificações no crescimento, mas também a uma ampla variedade de distúrbios metabólicos. Da mesma forma, as alterações metabólicas ocasionadas por diferentes doenças podem ter grande impacto na regulação do eixo somatotrófico.

A obesidade é um estado de hipo-somatotropismo relativo, com diminuição da resposta do GH a vários estímulos conhecidos (45). Diversos estudos já comprovaram que o aumento do IMC está relacionado a uma diminuição na meia-vida (46), na produção, na freqüência e na amplitude (47) dos episódios secretórios do GH. De uma forma geral, a taxa de secreção e produção do GH diminui em 6% para cada unidade aumentada no IMC e é quase 4 vezes menor em pacientes obesos do que em controle normais (46). A diminuição na liberação do GH também já foi evidenciada em crianças (48) e adolescentes obesos (49) e correlaciona-se indiretamente com o IMC. Todas estas alterações são, entretanto, reversíveis com a perda de peso, chegando à normalização em casos onde o emagrecimento é maciço (50). As alterações no eixo somatotrófico, relacionadas à obesidade, parecem ser ocasionadas mais por fatores associados à SM do que ao simples aumento do tecido adiposo. Interessante é que a inibição da secreção de GH aos estímulos farmacológicos, como arginina e clonidina, relaciona-se inversa e independentemente com o teor de gordura visceral, medida por tomografia computadorizada (51). Além do mais, o pool de GH em 24 horas também se mostrou inversamente relacionado com a gordura visceral (52). Isto sugere que a inibição do eixo do GH está mais relacionada com a gordura visceral do que com o grau de obesidade.

A quantidade de tecido adiposo está diretamente relacionada aos níveis plasmáticos dos AGL (53). Note-se que os AGL estão mais aumentados em pacientes com obesidade central-visceral, e já foi demonstrado que elevações agudas ou crônicas nos AGL são capazes de inibir a liberação de GH pela hipófise (54). Com efeito, Casanueva e cols. (54) demonstraram que a adição de ácido oleico e caprílico a células somatotróficas in vitro é capaz de induzir um bloqueio direto da liberação de GH. Níveis elevados de AGL também interferem na resposta do GH a diversos estímulos conhecidos, inclusive ao GHRH. Trabalhos utilizando acipimox (45,55), uma droga que inibe a liberação de AGL perifericamente, demonstraram que o bloqueio na liberação do GH é reversível quando existe uma diminuição significativa dos AGL. Um outro possível mecanismo para a inibição da secreção do GH seria um aumento do tônus somatostatinérgico em pacientes obesos. A utilização da piridostigmina (56,57), um agonista colinérgico capaz de suprimir a liberação de somatostatina, é capaz de recuperar parcialmente a liberação de GH estimulado pelo GHRH em pacientes obesos. Desta forma, a SM parece relacionar-se a: 1) inibição direta da liberação de GH pela hipófise; 2) diminuição da resposta da hipófise ao GHRH; e 3) aumento do tônus da somatostatina.

A hiperinsulinemia também é um dos fatores reguladores do eixo somatotrófico na SM. Melmed (58) já demonstrou que a insulina exerce efeito inibitório direto na liberação de GH pela célula somatotrófica. Níveis elevados de insulina estão também associados ao aumento da fração livre da IGF-1, através do bloqueio hepático na produção das IGFBPs e, conseqüentemente, da IGF-1 total (54,59). Isto levaria a um aumento nos níveis de somatostatina, contribuindo para o bloqueio da liberação de GH. Além disso, os efeitos da insulina parecem ser potencializados pelos AGL. A diminuição tanto nos níveis de IGF-1 total quanto das IGFBPs (principalmente IGFBP-1 e 2) nos pacientes com SM também pode ser explicada pelos níveis baixos de GH associados à SM. A diminuição das IGFBPs, entretanto, aumenta a biodisponibilidade da IGF-1 livre, que exerce efeito inibitório na liberação de GH pela hipófise. Além disso, a fração livre do IGF-1 é a responsável pelo crescimento normal dos adolescentes obesos, que apresentam níveis diminuídos de GH, IGF-1 total e IGFBPs. Desta forma, discute-se hoje se a SM pode ser realmente considerada um estado de hipo-somatotropismo ou se os mecanismos compensatórios são suficientes para preservar ações primárias do GH, principalmente em crianças e adolescentes (60).

Ainda existem diversas dúvidas a respeito do papel da leptina na regulação do eixo somatotrófico. A injeção de anticorpos anti-leptina em ratos levou a uma diminuição na secreção de GH, o que sugere a existência de uma relação entre os níveis de leptina e GH (61). Desta forma, seriam esperados níveis elevados de GH em pacientes obesos, secundários a hiperleptinemia. Duas explicações podem justificar o hipo-somatotropismo evidenciado na obesidade: a resistência à leptina evidenciada em humanos obesos impediria sua ação no hipotálamo/hipófise (62) e/ou níveis normais de leptina exercem sua ação máxima no eixo somatotrópico (61). Desta forma, já foi demonstrado que os níveis de leptina correlacionam-se inversamente com os níveis de GH tanto em crianças (48) e adolescentes (49), como em adultos (59).

A SM também parece exercer papel importante na regulação da GHBP (Growth Hormone Binding Protein). A GHBP é uma proteína de ligação do GH e é gerada através de clivagem proteolítica da porção extracelular dos receptores de GH. Desta forma, um aumento no número de receptores para GH leva a um aumento na GHBP. A diminuição dos níveis de GH na SM levaria a um aumento no número e sensibilidade dos receptores como mecanismo compensatório do hipo-somatotropismo. Este mecanismo também é um dos responsáveis pelo crescimento normal de crianças e adolescentes obesos. Trabalhos recentes comprovaram que níveis elevados de leptina (63), insulina (63,64), AGL (65) e a diminuição da sensibilidade à insulina (65) são fatores que estimulam a GHBP. Desta forma, níveis elevados de GHBP são um importante indicador de distúrbios metabólicos.

Existem algumas semelhanças entre a SM e a deficiência de GH em adultos. Entre os achados de ambas, incluem-se a obesidade visceral (66), a dislipidemia e a resistência insulínica. O tratamento de pacientes com deficiência do GH proporciona uma importante melhora em diversos parâmetros metabólicos (67). O uso de GH recombinante (rhGH) em pacientes com a SM reduziu em 19% o teor de gordura visceral e produziu melhoras, embora modestas, no metabolismo lipídico e de glicose, sem alterações significativas no IMC. A diminuição nos níveis de colesterol, triglicérides e na gordura abdominal podem ter sido relacionadas ao efeito lipolítico do GH (68). O uso do rhGH em pacientes com a SM, entretanto, deve ser reavaliado, uma vez que os níveis de IGF-1 livre, já aumentados, podem sofrer uma elevação excessiva durante o tratamento.

Em resumo, a obesidade, e principalmente a SM, é responsável por distúrbios importantes no eixo somatotrófico (figura 2). Por outro lado, as alterações metabólicas ocasionadas pela diminuição nos níveis de GH contribuem para uma piora da síndrome, principalmente através da diminuição da lipólise e do aumento dos AGL. Definir, entretanto, a obesidade ou a SM como um estado de hipo-somatotropismo é um fato discutível. Os níveis elevados da fração livre do IGF-1 permitem que a principal função do eixo somatotrófico seja exercida durante a adolescência: o crescimento. Desta forma, a SM é capaz de influenciar de maneira negativa ações secundárias do GH, sem, entretanto, alterar sua função primordial.

 

A SÍNDROME METABÓLICA E O EIXO GONADOTRÓFICO

O eixo gonadotrófico é o responsável pela maturação sexual durante a puberdade e pela reprodução, sua função primordial. A produção dos principais hormônios sexuais (testosterona no homem e estradiol na mulher) é regulada através de dois hormônios hipofisários: o hormônio luteinizante (LH) e o folículo estimulante (FSH). Além disso, existem outras substâncias diretamente reguladas por este eixo, como os precursores androgênicos e a progesterona. A complexidade da relação hipófise-gônada faz com que pequenas alterações, em qualquer dos hormônios que participam da sua regulação, possam promover um grande impacto no eixo gonadotrófico. Doenças que diminuam a produção de LH e/ou FSH levam a um quadro de hipogonadismo hipogonadotrófico, enquanto que alterações primárias em gônadas (testículos ou ovários) levam a um hipogonadismo hipergonadotrófico.

A SM altera o eixo gonadotrófico de diferentes maneiras em homens e mulheres. Em homens, existe uma diminuição dos níveis plasmáticos de testosterona total e livre, das proteínas de ligação dos hormônios sexuais (SHBG), uma atenuação da amplitude dos pulsos de LH e um aumento nos níveis de estradiol. Nas mulheres, por sua vez, existe um aumento dos níveis de testosterona e das gonadotrofinas, além de uma diminuição nos níveis de estradiol e da SHBG. Em ambos os sexos, a SM também apresenta uma importante relação com o desenvolvimento da puberdade.

O hipogonadismo relacionado à SM em homens é ocasionado tanto por uma diminuição das gonadotrofinas como por uma inibição direta da produção de testosterona. Diversos autores já demonstraram alterações no ritmo circadiano do LH em pacientes com obesidade mórbida, levando a um quadro de hipogonadismo hipogonadotrófico (69,70). As alterações nos níveis da SHBG também apresentam importância clínica. Da mesma forma, as IGFBPs (descritas anteriormente) e a hiperinsulinemia também agem bloqueando a produção hepática da SHBG (71). Níveis baixos de SHBG são um importante marcador do hipogonadismo e parecem relacionar-se diretamente à mortalidade cardiovascular e à resistência insulínica (72,73). Estes níveis diminuídos, entretanto, explicam apenas parcialmente a diminuição dos androgênios. A própria diminuição da produção de testosterona pelos testículos pode ocasionar diminuição da SHBG (74). Seria esperado, então, que a diminuição das proteínas de ligação levasse a um aumento da testosterona livre. Pacientes com a SM, entretanto, apresentam níveis diminuídos tanto da testosterona total como da fração livre (69,72,75,76).

A explicação para o hipogonadismo poderia vir através da leptina. Esta parece interferir com a produção de androgênios pelos testículos, já tendo sido demonstrado que a hiperleptinemia está relacionada a níveis baixos de testosterona (77). A identificação de receptores de leptina nos testículos sugere que pode existir um bloqueio periférico na produção dos androgênios (76,77). Isidori e cols. (75) demonstraram que a hiperleptinemia age bloqueando a produção de testosterona induzida pela gonadotrofina coriônica (hCG). Os autores também identificaram níveis baixos de 17-hidroxiprogesterona (17OHP) em pacientes com obesidade mórbida. Estes níveis, entretanto, apresentavam uma resposta exacerbada ao estímulo com hCG, o que já havia sido demonstrado previamente (71). Desta forma, parece que a leptina, assim como a insulina (78), age bloqueando a 17,20-liase, inibindo a conversão de 17OHP para androstenediona e, conseqüentemente, a produção de testosterona. Como existe uma diminuição total na produção, a diminuição nos níveis de SHBG não é suficiente para elevar os níveis da fração livre. Quanto maior o grau de obesidade, principalmente visceral (79), maior a inibição testicular e menores os valores de testosterona total e livre (74,80).

O excesso de tecido adiposo relaciona-se a um aumento da atividade da aromatase. A hiperatividade desta enzima aumenta a conversão periférica de testosterona para estradiol, contribuindo para o hipogonadismo (81). Desta forma, os níveis elevados de estradiol também podem contribuir para a supressão na liberação do LH. Parece que, em homens, o aumento da relação estradiol/testosterona livre também é considerado um fator de risco para DM, infarto agudo do miocárdio e hipertensão (81).

A relação entre a SM e os androgênios em homens comporta-se da maneira descrita por Björntorp (82), como uma "janela fisiológica". Existe um intervalo de normalidade nos valores de testosterona que não interfere com o perfil metabólico do indivíduo. Níveis baixos de androgênios, por sua vez, parecem relacionar-se à piora da resistência à insulina e a um aumento da mortalidade cardiovascular (75,83). O tratamento do hipogonadismo, com o re-estabelecimento de níveis fisiológicos de testosterona, melhora a sensibilidade à insulina, o perfil lipídico e a distribuição do tecido adiposo (84). No outro extremo, níveis elevados de esteróides sexuais, como evidenciado em pessoas que utilizam esteróides anabolizantes, estão associados à piora da resistência insulínica e do perfil lipídico, predisposição ao desenvolvimento de diabetes mellitus e aumento do riso cardiovascular (82,84).

A SM, em mulheres, altera o eixo gonadotrófico de maneira oposta aos homens. O aumento da atividade da aromatase, relacionado à quantidade de tecido adiposo, está associado a uma elevação dos níveis de estrona, que, por sua vez, leva a uma maior secreção de LH pela hipófise, com diminuição do FSH. A resposta ovariana ao excesso de LH é um aumento da produção de androgênios. Desta forma, os níveis de testosterona encontram-se aumentados em mulheres com a SM. Já a diminuição dos níveis de FSH interfere com a maturação do folículo ovariano e o que condiciona uma diminuição nos níveis de estradiol. A ocorrência destas alterações é responsável pela alta prevalência da síndrome de ovários policísticos em pacientes com a SM (85).

A resistência à insulina também leva a alterações no eixo gonadotrófico em mulheres. O aumento nos níveis de androgênio ocasiona uma diminuição na captação de glicose pela musculatura esquelética e resistência à insulina (86). A hiperinsulinemia está associada a um aumento direto da produção de androgênios pelo ovário e à diminuição das SHBG, o que aumenta a fração livre da testosterona. Além disso, o aumento da IGF-1 livre (conforme descrito), que ocorre na SM, leva a um aumento de volume ovariano, além de potencializar a ação do LH, e também contribui para o hiperandrogenismo (86).

A leptina não parece relacionar-se ao hiperandrogenismo em mulheres. Diversos autores já comprovaram que o uso de anti-androgênicos e de sensibilizadores de insulina, embora melhorem a resistência insulínica, não alteram a concentração plasmática de leptina (87). Embora tenham níveis mais elevados que os homens, a hiperleptinemia não parece contribuir para as alterações no eixo gonadotrófico em mulheres com a SM.

A leptina, embora seja produzida pelos adipócitos, é um dos principais ativadores do eixo gonadotrófico durante a puberdade. Os receptores da leptina, além de serem encontrados no hipotálamo, também já foram encontrados nos ovários e na próstata, indicando que a leptina pode regular de modo direto e indireto este eixo (88). Diversos estudos já comprovaram que os níveis plasmáticos de leptina aumentam conjuntamente aos esteróides sexuais em meninas durante a puberdade, refletindo o aumento no percentual de gordura. Em homens, os níveis de leptina são inversamente proporcionais aos níveis de testosterona e permanecem relativamente constantes durante a puberdade (89). Nesta fase, o aumento do IMC em homens é mais relacionado ao aumento de massa magra do que ao tecido adiposo (88). Desta forma, quanto maior a quantidade de tecido adiposo no corpo, maior a secreção de leptina e mais precoce a maturação sexual. De uma forma geral, um aumento de 1ng/ml nos níveis plasmáticos de leptina está associado à diminuição da idade média da menarca em 1 mês (90). Parece ser necessário um nível mínimo de leptina para que a puberdade possa ser desencadeada. Modelos animais e humanos de deficiência de leptina são associados a hipogonadismo hipogonadotrófico.

Mais do que à obesidade simplesmente, a SM relaciona-se a importantes alterações no eixo gonadotrófico. As alterações nos hormônios sexuais, principalmente o hipogonadismo masculino (figura 3) e o hiperandrogenismo feminino (figura 4), têm um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. Um número considerável de pacientes que procura o serviço médico o faz mais por estas complicações do que pela SM propriamente dita. Embora a maioria dos estudos defina os níveis de SHBG, testosterona total e livre como preditores de risco cardiovascular e de desenvolvimento do diabetes mellitus, Abate e cols. (91), recentemente, sugeriram que estes são apenas marcadores indiretos da obesidade e da resistência insulínica, que seriam os reais fatores de risco. Os profissionais que lidam com estes pacientes devem conhecer e entender as imposições da SM no eixo gonadotrófico, de modo a oferecer um tratamento adequado a todas as queixas do paciente.

 

CONCLUSÕES

As profundas alterações hormonais que acompanham a SM parecem ser, em geral, conseqüentes ao excesso de peso, notadamente ao aumento da gordura visceral. Há uma complexa interrelação entre a resistência à insulina e a hiperinsulinemia, atuando nos diferentes eixos neuroendócrinos. Mais especificamente, no eixo HHA um possível estado de hipercortisolismo subclínico e/ou tissular se manifesta por níveis baixos de cortisol no período matinal. No eixo somatotrófico, a expressão clínica maior dá-se nos níveis de GH suprimidos e não estimuláveis pelos testes convencionais de liberação deste hormônio. Além disso, níveis baixos de IGF-1 e de IGFBP1 também acompanham a SM. Finalmente, um estado de hipogonadismo em homens e hiperandrogenismo em mulheres constituem importantes aspectos clínicos da SM.

A correta avaliação de pacientes obesos, portadores da SM, depende do conhecimento prévio destas alterações para a adequada interpretação dos testes diagnósticos que envolvem estes eixos.

 

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Endereço para correspondência
Amélio F. de Godoy Matos
Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE)
Serviço de Nutrologia e Metabologia
Rua Moncorvo Filho 90
20211-340 Rio de Janeiro, RJ
Fax: (021) 2224-9562
E-mail: godoymatos@openlink.com.br

Recebido em 04/04/03
Aceito em 30/04/03