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Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

On-line version ISSN 1677-9487

Arq Bras Endocrinol Metab vol.51 no.2 São Paulo Mar. 2007

https://doi.org/10.1590/S0004-27302007000200016 

REVISÃO

 

Impacto do diabetes mellitus na mortalidade em síndromes coronarianas agudas

 

The impact of diabetes mellitus on the mortality of acute coronary syndromes

 

 

Juarez R. de Braga; Ítalo S.O. Santos; Uri P. Flato; Hélio P. Guimarães; Álvaro Avezum

Divisão de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O diabetes mellitus (DM) é uma das grandes causas de morte no mundo, principalmente em decorrência das doenças cardiovasculares. Atualmente, sabe-se que não somente o DM, como também os demais estados hiperglicêmicos, determinam um risco aumentado de doença arterial coronariana. No contexto das síndromes coronarianas agudas (SCA), o DM determina um pior prognóstico, tanto a curto quanto a longo prazo. Sendo o risco absoluto de mortalidade maior em diabéticos, as intervenções nessa população trazem maior impacto quanto aos benefícios. Estudos têm comprovado um maior benefício em diabéticos contra não-diabéticos na adoção de medidas como controle rigoroso da hiperglicemia intra-hospitalar, terapia de reperfusão (seja por trombólise, seja por intervenção percutânea), uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa e de inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA). Apesar dos benefícios da adoção de intervenções baseadas em evidências no tratamento das SCA em diabéticos, chama atenção a sub-utilização dessas medidas. Tendo em vista o aumento da prevalência do diabetes mellitus previsto para os próximos anos e levando-se em conta que as síndromes coronarianas agudas serão a principal causa de mortalidade nessa população, torna-se cada vez mais necessário que cardiologistas e endocrinologistas passem a interagir, de maneira a modificar o panorama previsto.

Descritores: Doenças cardiovasculares; Diabetes mellitus; Mortalidade; Medicina baseada em evidências


ABSTRACT

Diabetes mellitus (DM) is a leading cause of mortality in the world, mainly on account of cardiovascular diseases. At present we know that not only DM but also other hyperglycemic states are a risk factor for coronary arterial disease. In the context of acute coronary syndromes, DM determines a worst prognosis, either in short- or long-term outcomes. Since the absolute risk of death is greater among diabetic patients when compared to non-diabetic patients, therapeutical interventions have a greater impact in terms of benefits to these patients as well. Strategies such as strict control of hyperglycemia during hospitalization, acute reperfusion management (either by thrombolysis or by percutaneous coronary intervention), use of platelet glycoprotein IIb/IIIa inhibitors and angiotensin-converting enzyme (ACE)-inhibitors have recently proven to be of greater benefit for diabetics over non-diabetic patients. Meanwhile, in spite of all proven benefits of the use of evidence-based interventions to the treatment of acute coronary syndromes on diabetic patients, there is still an under utilization of these measures. Therefore, taking into account the predictions of an increasing number of diabetics in the world for the future years, and the fact that acute coronary syndromes will be the leading cause of death among them, it becomes increasingly necessary for both cardiologists and endocrinologists to work together in order to reduce the unfavorable outcomes that are expected to arise.

Keywords: Cardiovascular diseases; Diabetes mellitus; Mortality; Evidence-based medicine


 

 

O DIABETES MELLITUS (DM) representa a quinta causa de morte no mundo (1), o que ocorre principalmente em conseqüência das doenças cardiovasculares. Estima-se que ele eleve o risco de sua ocorrência, em especial o da doença arterial coronariana (DAC), em duas a quatro vezes (2), sendo o terceiro fator de risco mais importante na sua gênese (3).

Conseqüentemente, o DM aumenta também o risco de síndromes coronarianas agudas (SCA), cuja incidência chega a 20% em 7 anos, em diabéticos, contra 3,5% em não-diabéticos — uma incidência semelhante àquela de indivíduos que já sofreram um infarto agudo do miocárdio (IAM) anteriormente (2). No Brasil, a presença de valores basais de glicemia > 126 mg/dL oferece um risco quase 3 vezes maior para a ocorrência de infarto agudo do miocárdio (4). No contexto das SCA, o DM determina, ainda, um pior prognóstico, tanto a curto prazo, com uma mortalidade durante a internação que chega a ser duas vezes maior que a de não-diabéticos (5), quanto a longo prazo, após a alta hospitalar (6,7). Atualmente, sabe-se que não somente o diabetes, mas também a tolerância diminuída à glicose e demais estados hiperglicêmicos, determinam um aumento no risco de DAC e eventos coronarianos agudos (8,9).

Infelizmente, apesar de todos os avanços na Cardiologia, em especial no tratamento das SCA, os diabéticos não têm experimentado uma diminuição significativa nas taxas de mortalidade como aquela experimentada por indivíduos não-diabéticos (5,10).

Segundo estimativas, o número de diabéticos no mundo deve dobrar nas próximas décadas, totalizando 300 milhões de indivíduos no ano de 2030 (11); desses, 11 milhões só no Brasil. Tendo em vista esse aumento na prevalência do diabetes e demais estados hiperglicêmicos, o que se espera é um aumento correspondente na incidência das síndromes coronarianas agudas. Desta forma, torna-se fundamental entender o porquê do risco cardiovascular aumentado nesses pacientes, de modo a estabelecer quais as melhores estratégias para o seu adequado tratamento.

 

FISIOPATOLOGIA DO RISCO CARDIOVASCULAR AUMENTADO EM DIABÉTICOS

Trombose sobre uma placa de ateroma no território das artérias coronárias é o processo fisiopatológico subjacente a uma síndrome coronariana aguda. A trombose formada a seguir pode levar a uma oclusão do vaso que varia entre subtotal e total, determinando um quadro clínico que se apresenta entre a angina instável, infarto agudo do miocárdio (com e sem supradesnivelamento do segmento ST), e a morte súbita (12).

As síndromes coronarianas agudas ocorrem em conseqüência de um enfraquecimento focal da placa de ateroma, que sofre ruptura e subseqüente trombose (12). As placas suscetíveis à ruptura são aquelas com menor espessura da capa fibrosa e maior quantidade de lípides — as placas ditas instáveis, que são justamente o tipo mais freqüente em diabéticos (13). Essa predisposição à formação de placas instáveis no DM decorre do estado metabólico anormal vigente nesses pacientes, que leva a alterações no funcionamento de várias células: células endoteliais, células inflamatórias e células musculares lisas. Além disso, há uma tendência pronunciada à trombose, devido a alterações funcionais nas plaquetas e na cascata de coagulação (figura 1).

 

 

A disfunção das células endoteliais ocorre por mecanismos diversos, e tem como evento central a redução dos níveis de óxido nítrico. O óxido nítrico, na microcirculação, tem propriedades vasodilatadoras e inibe tanto a ativação plaquetária quanto à migração de células inflamatórias. Com a redução dos seus níveis, todas essas ações ficam comprometidas. Paralelamente, ocorre um aumento de substâncias vasoconstrictoras, como a endotelina-1 e a angiotensina-II, bem como um aumento de radicais livres de oxigênio (14).

Ocorre, ainda, um aumento da expressão de receptores de adesão de células inflamatórias (14), que leva a um aumento do número de linfócitos T e monócitos nas placas de ateroma. Os linfócitos T estimulam a produção local de citocinas e metaloproteinases, que determinam uma diminuição na síntese dos componentes da capa fibrosa — um dos fatores que levam uma placa a se tornar instável. Já os monócitos, no espaço sub-endotelial, tornam-se macrófagos que irão ingerir partículas de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) oxidadas, gerando as células espumosas, que determinam o conteúdo de lípides da placa — outro fator determinante do grau de instabilidade (15). As células espumosas irão, ainda, sintetizar interleucinas que estimulam a aderência de mais células inflamatórias, gerando um círculo vicioso aterogênico (15). As células musculares lisas são estimuladas a sofrer apoptose, o que resulta em menor síntese de colágeno, levando ao enfraquecimento da capa fibrosa (15).

As plaquetas nos diabéticos têm, caracteristicamente, um diâmetro aumentado, uma maior quantidade de receptores de glicoproteína (Gp) IIb/IIIa e Ib em suas superfícies, sintetizam maiores quantidades de tromboxano A2 e exibem adesividade e agregação mais intensas. Tudo isso exacerba as conseqüências no caso de uma ruptura da placa, aumentando as chances de trombose (14).

Paralelamente, o DM induz um estado de hipercoagulabilidade, por aumentar a expressão do fator tecidual, fator VII e fibrinogênio, e diminuir o número de anticoagulantes endógenos, como a antitrombina III e a proteína C. Ocorre, ainda, uma redução na atividade do sistema fibrinolítico, pelo aumento nos níveis do inibidor da ativação do plasminogênio-1 (PAI-1), o que favorece ainda mais uma trombogênese exacerbada nesses pacientes (15).

 

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DAS SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS EM DIABÉTICOS

Pacientes com diabetes e SCA apresentam-se freqüentemente com sintomas e sinais atípicos, provavelmente devido à neuropatia sensitiva e autonômica. Nessa subpopulação, predominam dispnéia, sudorese, náuseas e vômitos em relação à dor torácica (16), o que leva a um retardo na procura por serviços de emergência e, conseqüentemente, posterga o início do seu tratamento (17). A interpretação de eletrocardiogramas também é mais difícil nesses pacientes, visto que as sulfoniluréias, usadas no tratamento da hiperglicemia, parecem diminuir o grau de alterações eletrocardiográficas, por uma diminuição da sensibilidade do método, reduzindo a amplitude de alterações do segmento ST e onda T (18).

Durante a internação, os diabéticos apresentam taxas mais elevadas de mortalidade que os não-diabéticos. Esses números podem chegar a 11,7%, 6,3% e 3,9%, no caso de IAM com supradesnivelamento do segmento ST, IAM sem supradesnivelamento do segmento ST e angina instável, respectivamente, contra 6,4%, 5,1% e 2,9% em não-diabéticos (5). O diabetes, naqueles que sobrevivem à fase aguda de um evento coronariano, eleva a mortalidade ao longo do tempo em valores que variam entre 7 a 18% em 30 dias, 15 a 34% após 1 ano e até 43% após 5 anos (17-19,21). O risco relativo para mortalidade após uma SCA em diabéticos varia entre 1,3 e 5,4, após ajustes estatísticos para fatores de confusão (12) (tabela 1).

Vários fatores têm sido implicados na determinação de um pior prognóstico nos diabéticos que tiveram uma SCA: a extensão da disfunção ventricular, a persistência de isquemia no miocárdio residual, as alterações pró-trombóticas, e o desequilíbrio no sistema nervoso autonômico, que predispõe a arritmias (6). Esses fatores levam a um risco de morte aumentado, gerando principalmente reinfarto e insuficiência cardíaca. Além desses, a instabilidade elétrica (arritmias ventriculares, bloqueios atrioventriculares e morte súbita), o acidente vascular cerebral e o choque cardiogênico também contribuem para uma maior mortalidade nessa população. O reinfarto, que ocorre devido a uma DAC difusa, associada a alterações pró-trombóticas, tem uma chance de incidência de até 1,8 vezes após SCA em diabéticos (21).

Na internação, assim como a longo prazo, a insuficiência cardíaca é a complicação mais comum. Sua incidência durante a internação varia entre 15%, em caso de angina instável, e 30%, no caso de IAM. Esses valores correspondem praticamente ao dobro da incidência em pacientes não-diabéticos (5). Após a alta, a incidência de insuficiência cardíaca ainda permanece elevada, chegando a 1,3% ao ano (12). Estima-se que isso possa ser devido a uma doença aterosclerótica mais difusa — que pode influenciar negativamente o processo de remodelação após um IAM — ou, ainda, a uma miocardiopatia gerada pelo aumento dos triglicérides sangüíneos, alteração metabólica que freqüentemente acompanha o diabetes (6).

 

INTERVENÇÕES

Sendo o risco absoluto de mortalidade maior em diabéticos quando comparado ao de não-diabéticos, as intervenções nessa população trazem maior impacto quanto aos benefícios (18,22). Manejar agressivamente a hiperglicemia intra-hospitalar com insulina parece reduzir a mortalidade a longo prazo (23), bem como evitar a hipoglicemia (24). No entanto, ainda existem uma série de questionamentos a esse respeito (25-27). Em pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, a terapia de reperfusão, seja por trombólise, seja por intervenção coronariana percutânea, traz mais benefícios em diabéticos do que em não-diabéticos. A trombólise traz uma redução absoluta da mortalidade duas vezes maior que em não-diabéticos, salvando 35 vidas por 1.000 doentes trombolisados quando comparadas a 15 em não-diabéticos (28).

Na intervenção coronariana percutânea, os benefícios parecem ser semelhantes em diabéticos e não-diabéticos, porém com taxas menores de eventos adversos em 30 dias nos diabéticos (18). No infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST e angina instável, tanto diabéticos como não-diabéticos se beneficiam de uma estratégia invasiva precoce (estudo angiográfico em até 48 horas durante a internação e revascularização se necessário) (29). Quando adotada essa estratégia, no entanto, os benefícios são maiores em diabéticos do que em não diabéticos (20,30).

Inibidores da glicoproteína IIb/IIIA (iGPIIb/ IIIA) mostraram que sua administração reduz a freqüência de morte, reinfarto e isquemia recorrente em 30 dias, quando usados como terapia primária em síndromes coronarianas sem supra de ST. Os benefícios dos iGPIIb/IIIA aparecem especialmente quando usados em indivíduos com marcadores de alto risco, como alterações dinâmicas do segmento ST, marcadores de necrose positivos e o diabetes mellitus (31).

O uso combinado de AAS e clopidogrel em pacientes com síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST não mostrou diferenças no benefício entre diabéticos e não-diabéticos (32). No entanto, em uma sub-análise do estudo, benefícios maiores foram trazidos para a subpopulação submetida à intervenção coronariana percutânea (18).

Beta-bloqueadores têm eficácia comprovada após um IAM, reduzindo as taxas de reinfarto e mortalidade. Em diabéticos, parece haver um efeito similar ou um leve benefício quando comparado ao de não-diabéticos (33,34).

Inibidores da ECA já demonstraram, em inúmeros estudos randomizados, a importância na diminuição da morbimortalidade após a sua introdução nas fases iniciais do infarto agudo do miocárdio (35). Entre os pacientes com diabetes, os benefícios foram maiores que entre não-diabéticos: 17,3 vidas salvas por 1.000 pacientes diabéticos tratados, contra 3,2 vidas salvas por 1.000 pacientes não-diabéticos tratados. Apesar de não estudados de maneira específica no contexto das SCA sem supra de ST, provavelmente têm benefício nesses pacientes também, especialmente em quadros clínicos com outros fatores de risco ou outras manifestações de doença cardiovascular.

Algumas intervenções têm eficácia comprovada no tratamento das SCA, mas ainda não dispõem de evidências especificamente relacionadas à população diabética. É o caso, por exemplo, das estatinas, que, quando administradas de maneira precoce (em menos de 4 semanas) após uma SCA, reduzem marcadores inflamatórios e a incidência de isquemia recorrente (36,37). O seu emprego em altas doses reduz, ainda, novos eventos coronarianos e mortalidade (38). Outros exemplos seriam os antitrombínicos, e o clopidogrel, que, quando usados no IAM com supradesnivelamento do segmento ST, associados à trombólise ou à intervenção coronariana percutânea, resultam em melhores taxas de reperfusão (39). Entretanto, ainda não existem evidências de que os seus benefícios sejam superiores em diabéticos.

 

LACUNAS ENTRE AS EVIDÊNCIAS E A PRÁTICA CLÍNICA

Apesar dos benefícios das intervenções baseadas em evidências no tratamento das SCA em diabéticos, chama atenção a sub-utilização dessas medidas, o que também contribui para a maior morbimortalidade dessa população (40). Conforme dados obtidos do estudo CRUSADE, registro americano de pacientes com SCA sem supra de ST, os pacientes diabéticos tiveram menor chance de serem tratados com antiplaquetários, antitrombínicos e beta-bloqueadores. Tiveram, ainda, menor chance de serem submetidos à coronariografia ou intervenção coronariana percutânea, especialmente dentro de 48 horas após a internação. Quando se usou método estatístico para controlar os fatores que seriam potenciais contra-indicações para as terapias, como a insuficiência renal crônica, diferenças significativas ainda permaneceram (41). Quando considerados os pacientes com infarto agudo do miocárdio, diabéticos tiveram menor chance de receberem AAS, beta-bloqueadores e serem submetidos a procedimento de revascularização (7,40). São, ainda, menos propensos a receber trombolítico (42), com uma chance 50% menor que não-diabéticos (43). A utilização de intervenção coronariana percutânea mostra as mesmas tendências que no caso da fibrinólise — tem menor chance de ser usada em diabéticos (44). Na alta, os pacientes diabéticos tendem a receber menos medicações para prevenção secundária. O uso de antiagregantes plaquetários, estatinas, inibidores da ECA e beta-bloqueadores é menor que em não-diabéticos que sofreram IAM (45).

 

CONCLUSÕES

Tendo em vista o aumento da prevalência do diabetes mellitus previsto para os próximos anos e levando-se em conta que as síndromes coronarianas agudas serão a principal causa de mortalidade nessa população, torna-se cada vez mais necessário que cardiologistas e endocrinologistas passem a interagir, de maneira a modificar o panorama previsto. Para tanto, devem se valer de maneira agressiva das evidências já estabelecidas, buscando, além de um controle glicêmico rigoroso e dos demais fatores de risco cardiovascular, o adequado tratamento das síndromes coronarianas agudas.

 

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Endereço para correspondência:
Álvaro Avezum
Avenida Dr. Dante Pazzanese 500, 1º andar
04012-909 São Paulo, SP
E-mail: avezum@yahoo.com

Recebido em 11/11/06
Aceito em 16/11/06

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