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Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

Print version ISSN 0004-2730

Arq Bras Endocrinol Metab vol.51 no.5 São Paulo July 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302007000500022 

PERSPECTIVA

 

Nódulos com diagnóstico de padrão folicular: marcadores biológicos são o futuro?

 

Nodule diagnosed as follicular patterned lesion: are biomarkers the promise?

 

 

Janete M. Cerutti

Disciplina de Genética, Departamento de Morfologia e Disciplina de Endocrinologia, Departamento de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Com o uso da ultra-sonografia de alta resolução, a prevalência de nódulos tem aumentado e, conseqüentemente, o número de punção aspirativa por agulha fina (PAAF), que é o método de escolha para diagnóstico inicial. Um dos maiores dilemas clínicos para o citologista é o diagnóstico diferencial das lesões foliculares comumente agrupadas na classe padrão folicular. Neste artigo de revisão, discutiremos quais são as lesões que podem ser assim classificadas e os marcadores moleculares, identificados por nós ou por outros grupos, que são capazes de distinguir as lesões benignas das malignas.

Descritores: Padrão folicular; Marcadores moleculares; Adenoma folicular da tiróide; Carcinoma folicular da tiróide; PAAF; Diagnóstico


ABSTRACT

There are an increasing number of thyroid nodules found by ultrasound and sampled by fine needle aspiration (FNA). A clinical problem is the accurate distinction between benign and malignant forms of follicular lesion. In this review we discuss the thyroid lesions that are common sources of diagnostic error, and grouped together as follicular patterned lesion, and the molecular markers identified by us and others, and that are able to distinguish the benign from the malignant ones.

Keywords: Follicular patterned; Biomarkers; Follicular thyroid adenoma; Follicular thyroid carcinoma; FNA; Diagnosis


 

 

NÓDULO COM DIAGNÓSTICO DE PADRÃO FOLICULAR, "A CATCH-ALL TERM"

OS NÓDULOS DA TIRÓIDE SÃO ENCONTRADOS em prevalência de aproximadamente 4–7% na população. Com o advento da ultra-sonografia de alta resolução, uma técnica simples, barata, de fácil acesso e sensível, capaz de identificar nódulos a partir de 2 mm, a prevalência de nódulos pode chegar a 67% (1,2). Portanto, na maioria das vezes, os nódulos são impalpáveis e identificados nas ultra-sonografias cervicais realizada por razões nem sempre relacionadas à tiróide. Sendo os nódulos da tiróide um problema clínico comum, o que o médico deve fazer?

A conduta clínica depende da avaliação inicial. O método de escolha para avaliação inicial dos nódulos tiroidianos, na maioria dos serviços, é a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) com subseqüente análise citológica. O principal objetivo da PAAF é diferenciar os nódulos com maior risco de malignidade, e que devem ser encaminhados para cirurgia, dos nódulos tiroidianos, que devem ser seguidos clinicamente.

Na citologia, os nódulos podem ser classificados como benignos (60–70%), malignos (5–10%), indeterminados (10–20%) ou inadequados (10–15%) (3,4). Quanto aos nódulos diagnosticados como inadequados na citologia, estes podem ser submetidos a uma nova PAAF. No entanto, os nódulos classificados como indeterminados representam um dilema clínico devido à dificuldade de classificá-los como benignos ou malignos. Quais são essas lesões cujo diagnóstico na PAAF representa um desafio para o citologista e diminui a acurácia do método?

Este dilema clínico ocorre, sobretudo, nos casos de adenoma folicular da tiróide (AFT) e de carcinoma folicular da tiróide (CFT) (5,6). A dificuldade de diagnóstico diferencial é decorrente, além da semelhança citológica das duas lesões, da impossibilidade de verificar na PAAF se há invasão de vasos e/ou cápsula, que são os critérios que determinam malignidade. Para estes nódulos, tem sido recomendado o uso do termo lesão folicular ou, ainda, padrão folicular (PF).

Além do adenoma folicular e do carcinoma folicular, o termo citológico PF também pode incluir outras condições que podem levar a dificuldade no diagnóstico. Estas lesões são os nódulos hiperplásicos (NH), adenomas de Hürthle (AH), carcinomas de Hürthle (CH) e a variante folicular do carcinoma papilífero da tiróide (VFCPT) (6-9). Nos casos de AH e CH, que são considerados variantes dos tumores foliculares, os critérios de malignidade seguem àqueles determinados para o AFT e CFT e, portanto, necessitam de análise histológica para verificar invasão de vasos e/ou cápsula. No caso da VFCPT, os critérios de diagnóstico citológico de carcinoma papilífero (CPT) podem estar ausentes e, nestes casos, apresentam características citológicas que se assemelham ao AFT ou CFT (6,8).

Além disso, vários grupos observaram que um grande número dos casos de nódulos diagnosticados como PF na PAAF eram, na análise histológica final, casos de VFCPT, ou ainda de CPT (10-13). Estes achados demonstram que mesmo o CPT, cuja sensibilidade e especificidade na PAAF se aproxima de 100%, também pode ser uma fonte de dificuldade para o diagnóstico na PAAF.

Embora de 10–30% de todas as PAAFs resultem no diagnóstico PF, e estes possam corresponder a qualquer uma das entidades acima citadas, na prática clínica somente 20% dos nódulos têm diagnóstico de carcinoma na análise histológica final (3,14,15). Assim, a maior parte dos nódulos removidos cirurgicamente são nódulos benignos (6). Isso se deve principalmente ao excesso de tratamento, pois, embora o diagnóstico falso-positivo na citologia de tireóide seja indesejável, a maior preocupação são os falso-negativos devido ao atraso no tratamento.

Para minimizar o número de cirurgias desnecessárias ou sérias conseqüências no atraso do tratamento, vários grupos têm procurado aumentar a sensibilidade e especificidade do teste pré-operatório.

Balochi e cols. sugerem que sejam observadas certas características nucleares sugestivas de CPT, os nódulos com diagnóstico de PF poderiam ser subdivididos em duas classes: neoplasias foliculares ou neoplasias foliculares suspeitas para CPT (9,16). Levando em consideração tais características, o grupo observou uma taxa de malignidade de 35% nos casos de nódulos inicialmente diagnosticados como PF, e de 72% nos nódulos inicialmente classificados como PF suspeitos para CPT (17). Entre os nódulos diagnosticados como PF, a maioria era composta por AFT (33%) e bócio (31%), seguida por VFCPT (22%). Entre os 72% inicialmente diagnosticados como suspeitos para CTP, o diagnóstico observado com maior freqüência foi de VFCPT (54%), seguido por bócio nodular (20%), CPT (12%), AFT (8%), CFT (4%) e CCH (2%).

Nos casos de AFT, CFT, ACH e CCH, cujo critério de diferenciação é invasão de vasos e/ou cápsula, a análise citológica isoladamente não resultará no aumento da acurácia do teste. Vários protocolos foram realizados com o intuito de determinar parâmetros clínicos que pudessem identificar os nódulos com alto risco de malignidade daqueles com menor risco (10). Entretanto, nenhum dos parâmetros foi satisfatório.

A compreensão do genoma humano e o avanço das técnicas moleculares têm revolucionado a prática clínica. Estes avanços tiveram profundas implicações no diagnóstico, no planejamento do tratamento individualizado e no desenvolvimento de novas drogas em várias áreas da medicina, incluindo a endocrinologia.

Com relação ao diagnóstico dos nódulos tiroidianos, vários grupos investigaram alterações genéticas específicas das lesões benignas ou malignas ou ainda investigaram o perfil de expressão gênica das lesões inicialmente classificadas como PF com o objetivo de identificar genes diferencialmente expressos que possam ser utilizados como marcadores de diagnóstico. Os marcadores identificados com estas análises têm sido testados quanto à eficiência em classificar os nódulos como benignos ou malignos utilizando várias metodologias como, por exemplo, RT-PCR, ensaio de atividade enzimática e imunoistoquímica. Neste trabalho de revisão serão discutidos os principais marcadores moleculares identificados e que, em associação com a PAAF, oferecem perspectivas no diagnóstico diferencial dos nódulos inicialmente classificados como PF.

 

PAX8-PPARg, UM MARCADOR MOLECULAR CAPAZ DE DIFERENCIAR AS LESÕES BENIGNAS DAS MALIGNAS?

Entre as alterações genéticas identificadas e inicialmente associadas à patogênese do CFT, destaca-se o rearranjo envolvendo os genes PAX8 e PPARg (18). Este evento somático de translocação justapõe a região 5’ do gene PAX8 (2q13) ao exon 1 do gene PPARg (do inglês, peroxisome proliferator-activated receptor g) (3p25). Até o momento, algumas variantes têm sido observadas em decorrência dos diferentes pontos de quebra no gene PAX8, que podem ocorrer nos exons 7-9 (19,20). As quebras observadas no gene PPARg ocorrem no exon 1 do gene (figura 1). A proteína de fusão formada tem aproximadamente 87–99 kDa.

 

 

Na descrição original, o gene quimérico formado em decorrência desta translocaçãoestava presente em 5/8 (63%) casos de CFT investigados. Por outro lado, o rearranjo não foi detectado em nenhum dos casos de adenoma folicular (0/20), bócio (0/10) e carcinoma papilífero da tiróide (0/10) (18). Os autores sugeriram que este marcador poderia diferenciar o CFT do AFT. Estes dados são extremamente interessantes porque é o primeiro evento genético associado especificamente com CFT e porque já havia sido observada em análise citogenética a perda de 3p em CFTs, sugerindo que provavelmente nesta região haviam genes supressores de tumor (21).

Entretanto, vários grupos, incluindo o nosso, reportaram a ocorrência deste rearranjo em 8–55% dos casos de AFT (20,22,23). Além disso, a freqüência do rearranjo nos casos de CFT é inferior à reportada por Kroll e cols., com uma prevalência acumulativa de 30% (24). Outras alterações envolvendo 3p25 como, por exemplo, trissomia, tetrassomia e trissomia associada a monossomia parcial, foram identificadas em casos de CFT (25). Recentemente, este rearranjo foi detectado em casos de VFCPT (26,27). Os autores sugerem que alguns casos de VFCPT apresentam características moleculares semelhantes aos CFT.

A partir destes achados, muitas questões foram levantadas. Por exemplo, qual o real papel desta proteína na patogênese dos tumores foliculares? Este evento ocorre precocemente e, de fato, os AFT com este rearranjo são formas mais agressivas e devem ser tratados como CFT? Este marcador pode predizer a evolução clínica? Sendo PAX8 e PPARg fatores de transcrição, quais são as vias de sinalização que estão comprometidas? Diferentes vias de sinalização foram ativadas em decorrência deste rearranjo? Serão as vias associadas ao PPARg fundamentais, uma vez que aneuplodias envolvendo o 3p25 foram identificadas em casos de CFT? Eventos genéticos adicionais são necessários para a transformação maligna das células foliculares da tiróide? Novas drogas que têm como alvo esta proteína de fusão serão mais eficientes no tratamento dos pacientes com CFT e rearranjo PAX8–PPARg?

Com relação à expressão desta proteína e sua associação com a apresentação clínica e evolução, existem controvérsias. Em trabalhos posteriores, o grupo de Kroll reforça a sua posição de que este rearranjo está associado à patogênese dos CFT. O grupo sugere que o rearranjo ou a aneuplodia observada possam ser eventos subseqüentes a outras alterações e estão presentes em CFT mais agressivos. Discute, ainda, que a positividade nos casos de adenoma folicular, descrita pelos outros grupos, deve indicar a presença de carcinomas foliculares in situ e, portanto, AFT com um prognóstico menos favorável (25). Nikiforova e cols. confirmam a associação entre rearranjo PAX8–PPAg e CFTs mais agressivos e sugerem que a exposição à radiação pode ser o mecanismo responsável pela geração deste evento genético (28). Sahin e cols. sugerem que a expressão da proteína de fusão, investigada através da expressão do PPARg por imunoistoquímica, está associada a um subtipo menos agressivo (29).

Com relação ao mecanismo molecular, Kroll e cols. acreditam que a proteína de fusão (figura 1) contribui para a patogênese do CFT porque inibe a função da proteína PPARg normal produzida na célula através do efeito dominante-negativo (18). Martelli e cols. demonstraram que a proteína PPARg, quando re-expressa em linhagens celulares de carcinoma de tiróide, inibe o crescimento celular, promove parada no ciclo celular e induz apoptose (30). Estudos posteriores demonstraram que a proteína de fusão foi capaz de estimular o crescimento das células, interferir na progressão do ciclo celular e inibir apoptose (31). Mais recentemente, em um modelo biológico onde a proteína de fusão foi constitutivamente expressa em diferentes linhagens celulares, foi demonstrado que as vias de sinalização controladas por PAX8–PPARg são complexas e dependem do tipo celular. Os autores acreditam que a inapropriada expressão de genes responsivos a PPARg ou PAX8, associada à inibição da expressão de outros genes, seja o mecanismo pelo qual essa proteína contribua para o crescimento celular e perda da diferenciação (32).

Embora esses trabalhos citados e outros que investigaram genes diferencialmente expressos nos tumores que apresentam este rearranjo (33,34) tenham contribuído para a compreensão da patogênese dos tumores foliculares da tiróide, o papel do rearranjo PAX8–PPARg como marcador de malignidade não é consensual na literatura. Enquanto não for esclarecido se os casos de AFT com rearranjo PAX8–PPARg têm um prognóstico menos favorável e se tratam de carcinomas foliculares in situ, como interpretar os resultados em que este rearranjo está presente na PAAF? Além disso, sendo que este rearranjo tem uma freqüência acumulativa de 30% dos casos de CFT, qual a conduta para os casos negativos?

 

OUTROS MARCADORES MOLECULARES

Outros candidatos a marcadores moleculares foram descritos. Entre estes, telomerase, HMGI (Y), HBME-1, FN-1, CITED-1, TPO, CK19, GAL-3, RASSF1, RAS, PTEN e CAV1 (35-45). Até o momento, nenhum destes marcadores se mostrou eficiente em distinguir as lesões benignas das malignas e, portanto, não têm sido aplicados na prática clínica.

Sendo a carcinogênese um processo complexo e associado a múltiplas alterações genéticas, a identificação de um único marcador capaz de classificar todas as lesões com alta sensibilidade e especificidade é um grande desafio ou, talvez, inexeqüível. Por exemplo, GAL-3 foi capaz de distinguir AFT de CFT com boa sensibilidade e especificidade (37,46), mas quando testada em outras populações este dado não foi confirmado (47,48). Esta discrepância na literatura também ocorre para os demais marcadores. Assim, sugere-se que a associação entre os marcadores possa aumentar a sensibilidade e a especificidade.

Prasad e cols. testaram um painel de marcadores contendo GAL3, FN1, CITED1, HBME1 e CK19. Os autores sugerem que a combinação da expressão de dois dos marcadores GAL3, HBME1 e FN1 foi observada somente em carcinomas e, portanto, é capaz de diferenciar AFT de todos os carcinomas derivados das células foliculares com sensibilidade de 82% (GAL3 e FN1) e 62% (HBME1 e FN1). Vale a pena comentar que somente 6 casos de CFT foram investigados, sendo a grande maioria casos de CPT e VFCPT. Dos 6 casos de CFT, somente 3 foram positivos para dois destes marcadores. Além disso, quando incluídas na análise outras lesões benignas como bócio e hiperplasia, que também são fonte de erro no diagnóstico, estes marcadores mostraram baixa especificidade. Por exemplo, 55% dos bócios expressam GAL3, 31% expressam CK19, 7% expressam FN1 e 3% expressam HBME1. Ainda, a co-expressão de dois destes marcadores, declarada como específica de carcinomas, foi observada em 38% dos bócios.

Outro painel de anticorpos, que consiste em GAL3, TPO, CK19, KS e HBME1, foi testado em material obtido da PAAF e comparado com material conservado em parafina dos mesmos pacientes (49). Os autores propõem um protocolo para avaliação dos nódulos diagnosticados como PF, sendo a análise inicial a imunoistoquímica empregando o anticorpo para GAL3. Segundo o protocolo, todos os nódulos positivos devem ser encaminhados para cirurgia sem adicional avaliação imunoistoquímica. Os nódulos negativos para GAL3 devem ser investigados quanto à expressão de CK19 e HBME1. Em presença de um resultado negativo do segundo marcador, é sugerido que o médico acompanhe o paciente clinicamente, incluindo uma nova PAAF nos próximos 6–12 meses e reavaliação por imunoistoquímica. Eles acreditam que em caso de falso-negativo, o tratamento seria adiado por no máximo 12 meses. Em resultado positivo do segundo marcador, este deve ser encaminhado para cirurgia. Segundo os autores, GAL3 e HBME1 diferenciam as lesões foliculares convencionais (FTA e CFT), enquanto GAL3 e CK19 distinguem ACH de CCH com alta sensibilidade e especificidade. Os autores sugerem que a discrepância observada nos vários trabalhos provavelmente é decorrente da metodologia utilizada na imunoistoquímica (49).

Interessantemente, outros grupos têm associado a expressão de GAL3 principalmente a CPT, bócios e outras lesões benignas, mas raramente ao CFT. A expressão de HBME1 é positiva em casos de ACH (12%) e AFT (55%) (41,48,50-53).

Portanto, o protocolo de screening inicial com GAL3 (49) dever ser analisado com muita cautela, não só pelos casos falso-negativos de CFT, mas pelo grande número falso-positivos. Mesmo que a positividade de GAL3 ou ainda HBME1 tenha sido focal nas lesões benignas, como alguns autores discutem, como será esta interpretação no material obtido da PAAF? Embora os autores acreditem que um atraso de 12 meses no tratamento não implique em conseqüências mais sérias para os pacientes, nos casos de CFT negativo para GAL3 que permanecem negativos e cujo tamanho do nódulo não varie muito, como será o tratamento? Doze meses de atraso no tratamento realmente não faz diferença?

Alterações associadas especificamente ao CPT, como a mutação no gene BRAF ou ainda rearranjos do tipo RET/PTC, também têm sido propostas para serem utilizadas no material obtido da PAAF numa tentativa de classificar os nódulos em benignos e malignos. Entretanto, a mutação V600E encontrada no exon 15 do gene BRAF ocorre exclusivamente na forma clássica de CPT (30–69%), dependendo da casuística estudada (54-56). Portanto, além de não ser identificado em todos os casos de CPT da forma clássica, não identifica as lesões mais comumente agrupadas como lesões foliculares que são as VFCPT. Se este marcador pode ser utilizado ou não como marcador de prognóstico, isso não será discutido nesta revisão.

 

DIAGNÓSTICO DE NÓDULOS COM PADRÃO FOLICULAR: NOVAS FERRAMENTAS

Tendo em vista o fato de que o desenvolvimento e a progressão dos tumores são decorrentes do acúmulo de alterações genéticas e/ou epigenéticas no genoma das células somáticas tumorais e que essas alterações resultam em modulação da expressão gênica, a caracterização do perfil de expressão gênica dos tumores tem se tornado uma ferramenta importante para a descoberta de genes que estejam envolvidos na patogênese dos tumores e que possam ser utilizados com marcadores de diagnóstico, prognóstico ou ainda alvos terapêuticos.

Metodologias que utilizam sistemas fechados onde os genes são dispostos em arranjos gênicos como cDNA microarray e oligonucleotídeo array têm sido utilizadas para caracterizar a "assinatura molecular" e identificar genes diferencialmente expressos em cada uma das lesões comumente agrupadas como PF. Estas análises têm contribuído para aumentar a compreensão das diferenças moleculares existentes entre os diferentes subtipos de tumores foliculares e estão resumidas na tabela 1.

Nosso grupo utilizou macroarray com o objetivo de identificar novos marcadores. Entre os genes identificados, 5 foram selecionados para validação em diferentes subtipos de tumores da tiróide. A validação dos achados mostrou que os marcadores eram diferencialmente expressos nos diferentes subtipos tumorais e podem contribuir para a compreensão da patogênese dos tumores da tiróide, não eram eficientes para serem utilizados como marcadores de diagnóstico (57).

Barden e cols. investigaram o perfil de expressão gênica de AFT e CFT e identificaram 105 genes diferencialmente expressos. Os autores sugerem a análise destes 105 genes candidatos em material obtido da PAAF (58).

Mazzanti e cols., empregando microarray, identificaram um grupo de 11 genes diferencialmente expressos entre as lesões benignas e malignas da tiróide (tabela 1). Dois modelos foram criados a partir da combinação da expressão destes 11 genes. O primeiro modelo é baseado na combinação de 10/11 genes e o segundo de 6/11 genes. Estes dois modelos foram utilizados para testar 10 amostras com diagnóstico desconhecido. Os resultados demonstraram que a combinação de 6 genes classificou corretamente 10/10 amostras (59). Posteriormente, o grupo investigou a expressão dos 6 genes selecionados por microarray através da metodologia de PCR em tempo real. Entretanto, três dos genes tiveram níveis semelhantes nas amostras benignas e malignas. Os autores discutem que mesmo com uma diferença pequena, estes genes são fundamentais para a correta classificação das amostras e devem ser incluídos na investigação. Somente com análises realizadas em outros laboratórios utilizando este painel de genes será possível dizer se este achado é reproduzível. Vale a pena salientar que, embora os autores discutiram que foram utilizadas amostras de subtipos comumente classificados como lesões foliculares, nestas duas análises não foram incluídos casos de CFT e ACH (60).

Um novo modelo de classificação, baseado nos níveis de expressão de três genes, permitiu que os autores discriminassem AFT de CFT. Os genes PCSK2 e CCDN2 apresentaram aumento de expressão em AFT, enquanto que PLAB tem aumento de expressão em CFT (61). Vale a pena comentar que o gene PCSK2, diferentemente do descrito como um dos marcadores expressos em AFT por Weber e cols. em 2005, havia sido identificado no nosso screening inicial como marcador de CFT. Entretanto, a validação demonstrou que PCSK2 não foi capaz de diferenciar AFT de CFT, pois estava expresso em 30–40% dos casos de AFT e em 30–69% dos CFT (62).

Uma crítica comum às análises que utilizam array é a falta de concordância entre os diferentes estudos e as exaustivas listas de genes geradas. Como selecionar entre a lista de genes aqueles que têm potencial para serem usados como marcadores biológicos ou que têm importância na patogênese dos tumores da tiróide, daqueles genes cuja expressão é ilegítima? Com o objetivo de identificar genes cuja diferença de expressão era constante nos diferentes estudos, Griffith e cols. re-avaliaram as listas resultantes de 21 estudos publicados (63). Neste trabalho foram incluídos dois trabalhos publicados pelo nosso grupo e que utilizaram metodologias "hightroughput" (57,62).

Usando critérios de seleção bem definidos, eles identificaram 107 genes diferencialmente expressos e citados mais de uma vez, 18 foram reportados pelo menos duas vezes e doze citados pelo menos quatro vezes. Os autores descrevem uma lista de 12 genes, 10 dos quais foram validados por metodologias que investigam mRNA e/ou proteína (PCR em tempo real e/ou imunoistoquímica e elisa) (tabela 1). Os autores sugerem que estes genes candidatos poderão auxiliar no desenvolvimento de um painel de marcadores que terá suficiente sensibilidade e especificidade para diagnóstico dos tumores da tiróide. Uma análise utilizando estes marcadores em material obtido da PAAF é necessária para rejeitar ou aceitar tal hipótese. Entretanto, devido à quantidade de material obtido da PAAF e o custo do teste, o uso de 12 marcadores não é desejável. Outro fator que deve ser levado em consideração é que entre esses 12 marcadores, são listados genes cuja eficiência em distinguir lesões benignas das malignas é questionável como, por exemplo, TPO.

Ainda com relação ao perfil de expressão gênica, alguns autores têm investigado o perfil de expressão em uma nova classe de pequenos RNAs, também denominados microRNAs ou miRNAs, com o objetivo de identificar marcadores de diagnóstico e prognóstico. Esta classe de pequenos RNAs, que apesar de serem transcritos não codificam proteínas, exerce suas funções através da regulação da transcrição gênica (64). Recentemente, um grupo identificou um aumento de expressão dos microRNAs miR-197 e miR-346 em CFT. Os autores sugerem que esses microRNAs podem participar da progressão de AFT para CFT. Além disso, sugerem que estes ou ainda seus genes alvos possam ser candidatos a marcadores moleculares e alvos terapêuticos (65).

Além das ferramentas acima discutidas e que investigam o conjunto de RNA mensageiro que são expressas em um determinado tecido e que caracterizam o "transcriptoma", a análise do "proteoma" oferece uma vantagem que é a detecção dos reais realizadores das funções moleculares, que são as proteínas. Um estudo piloto investigou o perfil de expressão das proteínas em biópsias de CPT comparado com o de tiróide normal. O estudo revelou alguns candidatos a marcadores moleculares de malignidade (66).

 

"BENCH-TO-BEDSIDE", QUAIS SÃO AS PERSPECTIVAS?

Na ausência de um biomarcador que eficientemente pudesse resolver esse problema clínico que é diferenciar as lesões benignas das malignas, investigamos o perfil de expressão gênica de uma lesão benigna (AFT) e de uma lesão maligna (CFT). De posse das duas "assinaturas moleculares" poderíamos, então, compará-las e selecionar os melhores candidatos a marcadores de diagnóstico. Para essa investigação, optamos pela metodologia de SAGE. Esta metodologia foi escolhida porque, diversamente dos microarrays que se caracterizam por serem sistemas fechados, os quais investigam os genes presentes em uma determinada plataforma, SAGE nos permitiria identificar e quantificar "todos os genes" expressos em uma determinada amostra. Para maiores detalhes da metodologia, consultar as referências (67,68).

A análise realizada usando SAGE e subseqüente validação dos genes candidatos por PCR em tempo real permitiu identificar quatro novos marcadores, DDIT3, ARG2, ITM1 e C1orf24. A combinação da expressão destes marcadores permitiu diagnosticar corretamente 19 das 23 amostras analisadas (83%) (62).

Posterior validação por imunoistoquímica, usando anticorpos comerciais para DDIT3 e ARG2, revelou que esses marcadores foram capazes de diferenciar AFT de CFT com alta especificidade (90,6%) e sensibilidade (85,2%) (62). Será que a associação com outros marcadores (ITM1 e C1orf24) poderia aumentar a sensibilidade e a especificidade? Anticorpos para ITM1 e C1orf24 (Niban) foram produzidos pelo nosso grupo e testados nas amostras de AFT e CFT previamente analisadas para DDIT3 e ARG2. Obtivemos uma sensibilidade de 100% para ITM1 e C1orf24 e especificidade de 89% (C1orf24) (tabela 2, figura 2) (69).

Vale a pena comentar que os falso-positivos eram 2 casos de adenomas de células de Hürthle e 1 adenoma atípico. A positividade era focal e, interessantemente, os 3 casos foram positivos para os 4 marcadores. Desta forma, a combinação dos 4 marcadores não aumentou a especificidade.

Com relação aos adenomas atípicos, alguns autores sugerem que alguns casos possam ser lesões intermediárias entre adenoma folicular e carcinoma indiferenciado, uma vez que mutações no gene supressor de tumor P53 foram identificadas em dois casos de adenoma atípico (70). Outros acreditam que os adenomas atípicos possam ser precursores de CFT ou CPT, pois apresentam características morfológicas e genéticas comuns a esses dois subtipos de carcinomas (71,72).

Como discutido na primeira seção deste manuscrito, o termo padrão folicular não se restringe só a AFT e CFT, mas pode incluir outras lesões.

Todos os marcadores mostraram alta sensibilidade e especificidade quando testados nas demais lesões benignas e malignas comumente agrupas como padrão folicular (tabela 2, figura 2). Isoladamente, ITM1 teve maior especificidade e sensibilidade. Os falso-positivos foram 3 casos de nódulos hiperplásicos com células de Hürthle. Esses 3 casos também foram positivos para os demais marcadores (69). Embora os dados sugiram que ITM1 pode distinguir as lesões benignas das malignas com alta sensibilidade e especificidade, a análise estatística demonstra que nenhum dos marcadores deve ser eliminado nas etapas posteriores do desenvolvimento de um teste pré-cirúrgico, uma vez que há sobreposição do intervalo de confiança (tabela 2).

Uma vez que desejávamos desenvolver um teste pré-cirúrgico barato e de fácil implementação na rotina laboratorial, estes marcadores foram testados em material obtido da PAAF de nódulos diagnosticados como padrão folicular utilizando a metodologia de imunocitoquímica. Entre os seis nódulos analisados, cinco casos foram submetidos a tiroidectomia. A comparação com os dados obtidos da análise histológica revelou que 5/5 casos foram corretamente classificados pelos marcadores (69).

Três meses após a nossa publicação validando os 4 marcadores nas várias lesões (69), um grupo japonês publicou um trabalho sugerindo que Niban (também denominado C1orf24) era um "novo marcador" tumoral em tiróide (73). Semelhante aos nossos achados, algumas lesões benignas com células de Hürthle foram focalmente positivas para a expressão de C1orf24. O grupo sugere que talvez Niban seja um marcador de progressão tumoral.

Com relação à expressão destes marcadores nos estudos de array, DDIT3 e ARG2 estavam entre os genes listados como diferencialmente expressos em CFT mas não foram validados (Barden, 2003 #7; Ying, 2003 #202). C1or24 e ITM1 não foram identificados, muito provavelmente porque estes genes não estavam presentes nas plataformas usadas, deixando clara a vantagem de SAGE sobre as outras metodologias.

Até agora, as decisões de tratamento têm sido predominantemente baseadas na avaliação dos dados clínicos e citológicos do nódulo. Ao final das pesquisas, nossas e de outros grupos, esperamos ter marcadores tumorais que poderão ser investigados no material obtido de PAAF, que é um método minimamente invasivo, seguro e barato.

O uso de marcadores moleculares, associado à análise citológica, é uma nova concepção no diagnóstico dos nódulos tiroidianos. Com um diagnóstico pré-cirúrgico mais preciso teremos um tratamento adequando e, conseqüentemente, mais efetivo para os pacientes com câncer de tiróide.

 

AGRADECIMENTOS

Aos alunos Flávia Latini, Gisele Oler, Liliane Arnaldi, Cléber Camacho, Cláudia Nakabashi, que contribuíram para a realização dos trabalhos aqui citados. Aos colegas e colaboradores Gregory Riggins, Rui Maciel, Rosana Delcelo, Jennifer Shoemaker e Vitor Andrade.

As pesquisas desenvolvidas pelo grupo e citadas aqui contaram com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (04/15288-0 e 05/60330-8) e NIH Grant CA113461. JMC é pesquisadora do CNPq e FADA-UNIFESP.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Janete Cerutti
Universidade Federal de São Paulo
Rua Pedro de Toledo 781, 12º andar
04039-032 São Paulo, SP
Fax: (11) 5084-5231
E-mail: cerutti-endo@pesquisa.epm.br

Recebido em 12/02/07
Aceito em 16/02/07