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Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

Print version ISSN 0004-2730

Arq Bras Endocrinol Metab vol.52 no.4 São Paulo June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000400014 

ARTIGO ORIGINAL

 

Histomorfometria óssea de ratas hipertireóideas lactantes e não-lactantes

 

Bone histomorphometry of lactating and no lactating hyperthyroid rats

 

 

Rogéria Serakides; Natália de Melo Ocarino; Fernanda do Carmo Magalhães; Cíntia de Almeida Souza; Eveline Dias Leite; Edmilson Santos de Freitas

Setor de Patologia do Departamento. de Clínica e Cirurgia Veterinárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar se o hipertireoidismo potencializa a osteopenia causada pela lactação. Foram utilizadas 24 ratas adultas distribuídas em quatro grupos: eutireóideo não lactante (controle), eutireóideo lactante, hipertireóideo não-lactante e hipertireóideo lactante. Todos os animais foram necropsiados, 20 dias após a gestação. As vértebras torácicas e lombares, o fêmur e a tíbia foram colhidos, descalcificados e submetidos à análise histomorfométrica. O grupo eutireóideo lactante apresentou osteopenia intensa em todos os sítios ósseos estudados. No grupo hipertireóideo não-lactante, não houve alteração da porcentagem de tecido ósseo trabecular nos sítios analisados. No grupo hipertireóideo lactante, havia osteopenia na tíbia e no fêmur, semelhante à do grupo eutireóideo lactante. Mas a porcentagem de tecido ósseo trabecular em todos os corpos vertebrais foi significativamente maior em comparação ao grupo eutireóideo lactante. Conclui-se que o hipertireoidismo não agrava a osteopenia lactacional em ratas, mas minimiza a osteopenia vertebral por estimular a atividade osteoblástica.

Descritores: Osso; Osteopenia; Lactação; Hipertireoidismo; Rata.


ABSTRACT

The objective of this study was to verify if hyperthyroidism potentiates the osteopenia lactational. 24 adult female rats were distributed in four groups: euthyroid no lactating (control), euthyroid lactating, hyperthyroid no lactating and hyperthyroid lactating. 20 days after gestation, all the animals were necropsied. The thoracic and lumbar vertebrae, the femur and tibia were decalcified and processed for histomorphometric analysis. The euthyroid lactating group presented intense osteopenia in the studied bones. In the hyperthyroid no lactating group, there was not any change in trabecular bone percentage in none of the analyzed bone. In the hyperthyroid lactating group, there was osteopenia in the tibia and femur, similar to the one in the euthyroid lactating group. But the trabecular bone percentage in all the vertebral bodies was significantly larger in comparison with the euthyroid lactating group. It was concluded that the hyperthyroidism does not potentiate the osteopenia lactational in female rats, but it minimizes the vertebral osteopenia once it stimulates the osteoblastic activity.

Keywords: Bone; Osteopenia; Lactation; Hyperthyroidism; Rat.


 

 

INTRODUÇÃO

A GESTAÇÃO E A LACTAÇÃO caracterizam-se por alterações significativas do perfil endócrino materno, particularmente dos níveis de estrógeno e prolactina, que, entre seus inúmeros efeitos, atuam também no tecido ósseo (1,2). Enquanto na gestação há elevados níveis de estrógeno, na lactação há hipoestrogenismo e hiperprolactinemia (3), que podem estar envolvidos na gênese da osteopenia lactacional. Além disso, durante a gestação e a lactação, há transferência de cálcio da mãe para o feto e hipercalciúria (4), o que causa na mãe desequilíbrio entre reabsorção e aposição ósseas, balanço negativo de cálcio sérico (5) e osteoporose lactacional (3). Assim, gestações sucessivas sem recuperação da massa óssea podem ter impacto negativo futuro sobre o tecido ósseo, aumentando o risco de osteoporose durante o período reprodutivo ou na menopausa (4). Além disso, deficiências de cálcio, vitaminas e alterações endócrinas podem alterar o metabolismo ósseo, agravando a osteopenia lactacional (6).

Já foi estudado o efeito do hipertireoidismo associado à osteopenia pós-castração em modelos animais (7,8) e em associação à osteopenia pós-menopausa (9,10). Os resultados destes estudos permitiram concluir que o hipertireoidismo deve ser considerado fator de risco para a osteoporose causada pela deficiência dos hormônios sexuais (9,10), e que os efeitos da administração de tiroxina são dose e tempo dependentes, variando entre os diferentes sítios do esqueleto (8). Mas a literatura carece de informações sobre o efeito da associação hipertireoidismo-lactação no tecido ósseo.

O objetivo deste estudo foi comparar a histomorfometria óssea de ratas lactantes tratadas ou não-tratadas com tiroxina, a fim de verificar se o hipertireoidismo constitui fator de risco para a osteopenia lactacional.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizadas 24 ratas Wistar com dois meses de idade (adultas), alojadas em caixas plásticas (quatro a cinco ratas/caixa) e recebendo ração comercial (1,4% de cálcio, 0,60% de fósforo e 22% de proteína) e água ad libitum. As ratas foram mantidas em regime de 12 horas de luz e 12 horas de escuro, à temperatura de 25 oC. Após o período de sete dias de adaptação, os animais foram divididos em quatro grupos experimentais: eutireóideo não-lactante (controle) (n = 6), eutireóideo lactante (n = 6), hipertireóideo lactante (n = 6) e hipertireóideo não-lactante (n = 6).

Os animais dos grupos hipertireóideo receberam tiroxina (L-thyroxine, Sigma, Sant Louis, USA-T2376) na água de beber, na concentração de 1,6 µg/ml, durante a indução, e de 0,8 µg/ml, durante a gestação e a lactação. Os animais dos grupos eutireóideos receberam apenas água, como placebo.

A partir do consumo diário médio de água ingerido por animal, estimou-se que a dose diária de tiroxina ingerida por animal foi de 60,43 µg ± 8,82, durante a indução (dois meses) e de 39,72 µg ± 8,85, durante a gestação e a lactação.

Após dois meses do início do tratamento com tiroxina, as ratas dos grupos hipertireóideo e eutireóideo lactantes eram colocadas com ratos machos adultos, na proporção de quatro fêmeas para cada macho, durante a noite por período de 12 horas. Após o acasalamento, pela manhã, era realizada citologia vaginal nas ratas que estavam com os machos. A cópula era confirmada pela presença de espermatozóides no esfregaço vaginal, e este dia era designado como dia zero. As fêmeas que não apresentaram espermatozóides na citologia vaginal eram colocadas novamente com machos na noite seguinte, até que se encontrassem espermatozóides na citologia vaginal (11).

A partir dos 19 dias de gestação até o momento da eutanásia, cada fêmea gestante era isolada em caixa plástica. Elas permaneceram com os filhotes até o desmame, ou seja, 20 dias após a gestação, quando todos os animais foram necropsiados.

A eutanásia foi realizada por punção cardíaca precedida por anestesia intraperitoneal com pentobarbital 2,5% (30 mg/kg), de acordo com procedimento aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

À necropsia, as carcaças foram seccionadas em duas metades, pelo seu eixo longitudinal. Após pré-fixação em formalina a 10%, neutra e tamponada, por 96 horas, de uma hemiparte da carcaça, foi dissecado o fêmur, a tíbia e as vértebras torácicas (torácicas 1-7 e 8-13) e lombares (1-3 e 4-6) para posterior descalcificação. A descalcificação foi realizada em EDTA a 10%. Após completa descalcificação controlada por raios X, todos os segmentos vertebrais e os ossos longos foram seccionados longitudinalmente. Em seguida, os ossos foram processados pela técnica de inclusão em parafina, as secções histológicas foram cortadas a 4 µm e coradas pela técnica da hematoxilina-eosina para avaliação histomorfométrica.

Para a determinação da quantidade de osso trabecular, foi realizada morfometria em secções histológicas do fêmur, da tíbia e das vértebras. No osso longo, numa área tecidual média de 8 mm2, iniciada a 1 mm abaixo da placa epifisária e da cartilagem articular foram determinados, com objetiva de 40×, as porcentagens de osso trabecular com o auxílio de uma ocular micrométrica, contendo uma gratícula com 25 pontos. As variáveis foram determinadas em total de 10 campos na região da epífise e 10 campos na metáfise, totalizando 250 pontos cada. Nos segmentos vertebrais, com objetiva de 40×, as mesmas variáveis foram determinadas em total de 9 campos/vértebra, sendo 3 campos iniciados a 1 mm abaixo de cada placa epifisária e os três campos restantes, tomados na região média do corpo vertebral, totalizando, assim, 225 pontos por vértebra (12).

O hipertireoidismo foi confirmado pela dosagem das concentrações plasmáticas de T4 total nos animais dos grupos eutireóideo e hipertireóideo não-lactantes. A dosagem foi realizada pela técnica da quimioluminescência (Access Immunoassay System, Sanofi Diagnostics Pasteur Inc., Chaska, MN, EUA) em sistema totalmente automático e de acordo com as recomendações do fabricante dos kits. Os coeficientes de variação intra e inter-ensaios foram de 4% e 7%, respectivamente.

O delineamento utilizado foi inteiramente ao acaso. Para cada variável, a média e o desvio-padrão foram determinados. Os dados foram submetidos à análise de variância ANOVA do programa estatístico Instat (Graph Pad Software, Versão 3.00, 32 Win 95/NT, Created December 23 1997) e as médias foram comparadas pelo teste Student-Newman Keuls (SNK).

 

RESULTADOS

Os níveis plasmáticos de tiroxina nos grupos tratados com tiroxina foram significativamente mais elevados em comparação ao grupo não-tratado, confirmando o estado hipertireóideo destes animais (Tabela 1). Além disso, as ratas tratadas com tiroxina apresentavam comportamento agressivo, polifagia e poliúria, alterações compatíveis com o hipertireoidismo.

 

 

No grupo eutireóideo não-lactante (controle), as trabéculas epifisárias e metafisárias dos ossos longos e vértebras apresentavam-se em grande quantidade, espessas e confluentes (Figura 1A). A cobertura osteoblástica era formada por células cuboidais com núcleos grandes ou por células fusiformes. Os osteócitos mostravam-se ora ativos, com núcleos grandes alojados em lacunas periosteociticas alargadas, ora inativos com núcleos pequenos alojados em lacunas estreitas e pouco basofílicas.

 


 

No grupo eutireóideo lactante, as alterações osteopênicas observadas foram acentuadas em todos os sítios analisados quando comparado ao grupo-controle (Tabela 2). A porcentagem de trabéculas epifisárias e metafisárias dos ossos longos e vértebras era significativamente menor comparada ao controle. As trabéculas eram delgadas, desconectadas e fragmentadas (Figura 1B). A maioria dos osteócitos apresentava núcleos grandes alojados em lacunas periosteocíticas alargadas com bordas basofílicas, característica compatível com o aumento da reabsorção óssea por osteólise osteocítica. A cobertura osteoblástica era reduzida com a presença de osteoblastos fusiformes (inativos). A cortical também se apresentou delgada e recoberta por periósteo pouco celularizado e delgado.

 

 

No grupo hipertireóideo não-lactante, a porcentagem de tecido ósseo trabecular não diferiu do grupo controle em nenhum dos sítios analisados (Tabela 2). Neste grupo as trabéculas ósseas apresentavam-se espessas e confluentes (Figura 1C) semelhantes ao grupo-controle. A cobertura osteoblástica era constituída por células cuboidais e com núcleo volumoso (ativas). Havia focos ocasionais de hiperplasia osteoblástica e acúmulo de osteóide. Os osteócitos mostravam-se ora ativos, com núcleos grandes alojados em lacunas periosteocíticas alargadas e ora inativos com núcleos pequenos alojados em lacunas estreitas e pouco basofílicas.

No grupo hipertireóideo lactante, havia osteopenia menos acentuada quando comparada ao grupo eutireóideo lactante nas vértebras torácicas e lombares (Tabela 2). Nas vértebras, a porcentagem de tecido trabecular era significativamente maior, com a presença de trabéculas espessas e confluentes (Figura 1D) revestidas por osteoblastos cuboidais. Havia também vários focos de hiperplasia osteoblástica, ao contrário do grupo eutireóideo lactante que apresentava trabéculas com cobertura osteoblástica fusiforme (Figura 2). A cortical das vértebras também se apresentou espessa. No fêmur e na tíbia, o grau de osteopenia e suas características foram semelhantes a do grupo eutireóideo lactante. As trabéculas se encontravam em número reduzido, delgadas e fragmentadas. A maioria dos osteócitos era ativa, com núcleos grandes alojados em lacunas periosteocíticas alargadas. A cobertura osteoblástica era predominantemente constituída por células fusiformes. A cortical também se apresentou delgada e recoberta por periósteo pouco celularizado e delgado.

 

 

DISCUSSÃO

Os níveis plasmáticos de tiroxina foram mais elevados no grupo tratado com tiroxina, o que aliado aos sinais clínicos descritos comprova o estado hipertireóideo destes animais. A redução da dose de tiroxina realizada durante a gestação e a lactação foi realizada a fim de que não houvesse morte dos filhotes pela transferência de tiroxina por meio do leite, tal como relatado por Rosato e cols. (13). De fato, em todo o experimento não houve nenhuma morte de filhote (dados não demonstrados).

No grupo eutireóideo lactante, a osteopenia ocorreu por redução da atividade osteoblástica aliada ao aumento da reabsorção óssea por osteólise osteocítica. É provável que a redução do estrógeno durante a lactação seja um dos agentes etiológicos envolvidos na gênese da insuficiência osteoblástica, à semelhança do que é observado nas osteopenias pós-castração em ratas (8,12) e pós-menopausa em mulheres (14). Já o aumento da reabsorção óssea provavelmente se deve à necessidade de transferência de cálcio para o feto que sabidamente é oriundo da ingestão de cálcio materno e da mobilização óssea (3).

Os estudos sobre a massa óssea de mulheres gestantes e lactantes são contraditórios, demonstrando osteopenia (5,15) ou nenhuma anormalidade (16,17). Acredita-se que essa disparidade de resultados deva-se a diferença na idade da população estudada, nos hábitos alimentares, no número de partos e de fetos nascidos e no período de aleitamento (3,16).

Ratos produzem aproximadamente 70 ml de leite/dia com 30 mg/ml de cálcio. Estima-se que cada filhote reduz a densidade vertebral da mãe em 6,7 mg/cm2. Em mulheres, a perda de cálcio durante nove meses de lactação é maior que a perda durante a gestação. Aproximadamente 280 a 400 mg de cálcio são eliminados diariamente no leite (3). Esta demanda do cálcio poderia ser compensada pelos mecanismos que incluem absorção intestinal aumentada de cálcio dietético, reabsorção renal do cálcio ou mobilização do mineral do esqueleto maternal. Entretanto, a hipercalciúria e a não reabsorção renal do cálcio implicam balanço sérico negativo de cálcio e osteopenia lactacional (16).

O hipertireoidismo, por si só, é uma causa importante de osteopenia em modelos animais (8) e na mulher (9). No entanto, no presente estudo, a tiroxina na dose e no período administrados não induziu a osteopenia. No hipertireoidismo, há estímulo tanto da aposição quanto da reabsorção ósseas (18), mas a diminuição da massa óssea advém da supremacia do processo catabólico diante do anabólico (19). Além disso, foi demonstrado que a osteopenia em ratas hipertireóideas varia de acordo com o indivíduo, com o sítio ósseo e com o tempo de administração da tiroxina (8).

As ratas hipertireóideas deste estudo tiveram número significativamente mais elevado de filhotes (11), o que poderia implicar piora da osteopenia lactacional, que é influenciada pelo número de filhotes (3). No entanto, o hipertireoidismo não agravou a osteopenia lactacional em nenhum dos sítios ósseos estudados. Nas vértebras, o hipertireoidismo minimizou a osteopenia lactacional, mas na tíbia e no fêmur a osteopenia manteve-se em grau semelhante ao do grupo eutireóideo lactante. É provável que o hipertireoidismo tenha minimizado a osteopenia lactacional por estimular a atividade osteoblástica, já que neste grupo houve, em vários sítios, hipertrofia e hiperplasia de osteoblastos, célula responsável pela síntese de matriz óssea (20). Mas sabe-se também que além de aumentar a atividade osteoblástica, o hipertireoidismo aumenta a reabsorção óssea, não havendo entre os sítios ósseos uniformidade de resposta ao hipertireoidismo (8), tal como observado na tíbia e no fêmur.

A tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) exercem profunda influência no metabolismo ósseo (21,22) e na homeostasia do cálcio e do fósforo (23). A presença de receptores nucleares para o hormônio tireoidiano nos osteoblastos, nos osteócitos e nos osteoclastos (24) sugere que a ação dos hormônios tireoidianos sobre o osso é direta, embora eles possam agir indiretamente, já que estimulam a síntese de fatores de crescimento, citocinas e outros hormônios (25).

Assim, da mesma forma que os esteróides sexuais, T3 e T4, também estimulam a expressão de genes nos osteoblastos para a produção de colágeno, osteocalcina e fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGFs), importantes para a síntese de matriz óssea (26,27), os genes que codificam a síntese de receptores para IGF-1 e para proteínas ligantes de IGF são os principais alvos da ação dos hormônios tireoidianos nos osteoblastos, o que pode explicar, em parte, o efeito anabólico desses hormônios sobre o osso (28). Além do mais, há receptores para os hormônios tireoidianos nas células da medula óssea, precursoras da linhagem osteoblástica (29), fato esse que talvez explique o porquê da hiperplasia osteoblástica no osso de ratas hipertireóideas (8). Os hormônios tireoidianos também estimulam a síntese e a atividade da fosfatase alcalina, mediadora da síntese e da mineralização ósseas (30).

Vários são os relatos de que o hipertireoidismo, quando associado à menopausa, aumenta o risco para a osteoporose, pois potencializa a diminuição da massa óssea desencadeada pela deficiência dos esteróides sexuais (9,10). Foi comprovado, no entanto, que a tiroxina, quando administrada em pequenas doses ou por curto período, reverte a osteoporose de ratas castradas, mas quando administrada em doses elevadas e por longo período intensifica a osteopenia (7) ou a torna mais extensa (8). Isso reafirma que o hipertireoidismo é fator de risco para a indução ou o agravamento da osteopenia da castração, pelo menos em algum momento da associação (8). Embora, no presente estudo o hipertireoidismo não tenha resultado piora da osteopenia lactacional em ratas, mais estudos são necessários em mulheres lactantes com hipertireoidismo após período lactacional prolongado e gestações sucessivas.

 

CONCLUSÃO

O hipertireoidismo não agrava a osteopenia lactacional em ratas, mas minimiza a osteopenia vertebral por aumentar a atividade osteoblástica.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Rogéria Serakides
Setor de Patologia do Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinárias da UFMG
Av. Pres. Antônio Carlos, 6.627 Caixa Postal 567
31.270-901 Belo Horizonte, MG
E-mail: serakide@dedalus.lcc.ufmg.br

Recebido em 06/09/2007
Aceito em 26/02/2008