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Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

Print version ISSN 0004-2730

Arq Bras Endocrinol Metab vol.52 no.9 São Paulo Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000900003 

REVISÃO

 

Novos aspectos da genética e dos mecanismos moleculares da morfogênese da tiróide para o entendimento da disgenesia tiroidiana

 

New aspects of genetics and molecular mechanisms on thyroid morphogenesis for the understading of thyroid dysgenesia

 

 

Helton E. RamosI,II; Suzana Nesi-FrançaIII; Rui M. B. MacielI

ILaboratório de Endocrinologia Molecular, Disciplina de Endocrinologia, Departamento de Medicina, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
IIDisciplina de Endocrinologia, Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Paraná
IIIUnidade de Endocrinologia Pediátrica, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Paraná; Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (SNF); Curitiba, PR, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A organogênese da tiróide ainda não está completamente elucidada, assim como também não se conhece o mecanismo patogenético da maioria dos casos de disgenesias tiroidianas. Vários genes têm sido identificados como importantes para a sobrevivência, a proliferação e a migração dos precursores das células tiroidianas e tem-se demonstrado que eles atuam de modo integrado. Além disso, por meio da geração de camundongos geneticamente modificados, diversos estudos têm trazido melhor entendimento para o papel destes genes na morfogênese tiroidiana. Finalmente, tem-se também evidenciado que mutações em alguns destes genes são responsáveis pelo desenvolvimento de disgenesias tiroidianas em crianças com hipotiroidismo congênito. O objetivo desta revisão é sumarizar os aspectos moleculares do desenvolvimento tiroidiano, descrever os modelos animais e respectivos fenótipos e oferecer novas informações sobre a ontogenia e a patogênese das disgenesias tiroidianas humanas.

Descritores: Disgenesia tiroidiana; Hipotiroidismo congênito; Desenvolvimento da tiróide


ABSTRACT

The elucidation of the molecular mechanisms underlying the very early steps of thyroid organogenesis and the etiology of most cases of thyroid dysgenesis are poorly understood. Many genes have been identified as important contributors to survival, proliferation and migration of thyroid cells precursors, acting as an integrated and complex regulatory network. Moreover, by generation of mouse mutants, the studies have provided better knowledge of the role of these genes in the thyroid morphogenesis. In addition, it is likely that a subset of patients has thyroid dysgenesis as a result of mutations in regulatory genes expressed during embryogenesis. This review summarizes molecular aspects of thyroid development, describes the animal models and phenotypes known to date and provides information about novel insights into the ontogeny and pathogenesis of human thyroid dysgenesis.

Keywords: Thyroid dysgenesis; Congenital hypothyroidism; Thyroid development


 

 

INTRODUÇÃO

O hipotiroidismo congênito (HC) é a endocrinopatia congênita mais comum, afetando cerca de 1:3.000 a 4.000 recém-nascidos (RN) (1). Um grupo heterogêneo de doenças relacionadas às alterações no desenvolvimento da tiróide, conjuntamente denominadas disgenesias tiroidianas (DT), responsabiliza-se por aproximadamente 85% de todos os casos de HC. Tradicionalmente, as DT são divididas em subgrupos: agenesia ou atireose, hemiagenesia, ectopia e hipoplasia; contudo, não parece satisfatória a classificação com base unicamente em aspectos morfológicos, uma vez que fenótipos semelhantes podem ser oriundos de eventos moleculares distintos. Nos últimos anos, a descoberta de genes (especialmente fatores de transcrição envolvidos na diferenciação das células foliculares tiroidianas) e outros mecanismos implicados na morfogênese tiroidiana possibilitaram maior esclarecimento sobre as bases genéticas da ontogênese tiroidiana. Entretanto, apenas 5% dos pacientes com DT apresentam mutações nos genes candidatos: receptor do TSH (TSHR), PAX8, TITF1 e FOXE1, indicando que sua patogênese é ainda muito mais complexa (1). Esta freqüência baixa de mutações nas populações estudadas pode ser explicada pelo fato de que as análises são, na sua maioria, limitadas às regiões codificadoras dos genes e, portanto, não excluiriam mutações potenciais existentes em outras regiões regulatórias, aspectos pós-zigóticos ou, mesmo, a existência de fenômenos epigenéticos como causa de DT (1). Adicionalmente, a ampla variabilidade fenotípica encontrada e a presença invariável de penetrância incompleta nos casos familiares apontam, ainda, para possíveis mecanismos multigênicos de herança não-mendeliana (2). Portanto, não obstante os avanços recentes na compreensão de muitas etapas do desenvolvimento tiroidiano, montante considerável de aspectos etiopatogênicos estão ainda bastante obscuros. Do ponto de vista clínico, um melhor entendimento dos mecanismos de controle morfogenéticos da tiróide seria extremamente relevante, uma vez que os distúrbios de desenvolvimento da glândula são responsáveis pela maioria dos casos de HC. Este artigo de revisão visa a sumarizar novos conhecimentos adquiridos a partir do estudo de modelos animais e de pacientes com DT, discutindo aspectos já estabelecidos e enfatizando os pontos ainda enigmáticos no entendimento do desenvolvimento normal da tiróide e de sua fisiopatologia molecular.

 

GENÉTICA DO DESENVOLVIMENTO TIROIDIANO NORMAL

A Tabela 1 resume os diversos passos do desenvolvimento tiroidiano normal, didaticamente divididos em especificação, formação do broto tiroidiano embrionário, migração do primórdio tiroidiano, lobulação e foliculogênese, diferenciação funcional e hormonogênese e expansão da tiróide fetal.

Especificação

No embrião humano, a tiróide é o primeiro órgão endócrino a se desenvolver. Em sua forma madura compõem-se de dois grupos celulares distintos, com origens embrionárias diferentes, denominados células foliculares tiroidianas (CFT) e células parafoliculares (ou células C). Um espessamento do epitélio endodérmico, localizado no assoalho da linha média da faringe embrionária, correspondente à base da língua, abriga o conjunto de células que representa as CFT primordiais ou o primórdio tiroidiano. Esta estrutura primitiva pode ser observada por volta do E8-8.5 em camundongos e E20-22 em humanos. As CFT primordiais, a esta altura, já apresentam assinatura molecular específica - a coexpressão única de quatro fatores de transcrição: Hhex, Titf1, Pax8 e Foxe1 - que as diferencia de células do epitélio endodérmico vizinho (3). Este processo, em que as células primordiais recebem programação definida de mudanças morfológicas e moleculares a serem seguidas com a finalidade de se tornarem CFT chama-se especificação ou determinação (4). Não se conhece o mecanismo controlador, moléculas ou genes responsáveis pela indução deste processo; acredita-se na hipótese de possível sinalização oriunda do mesênquima adjacente ou do endotélio do saco aórtico primitivo (4). Portanto, problemas na etapa de especificação deveriam gerar agenesia tiroidiana (total ausência da glândula) como conseqüência do grave defeito de organogênese. Ao serem estudados, modelos animais com inativação específica de genes essenciais para a formação do intestino primitivo, como Nodal, fatores de transcrição reguladores do Nodal, FGF4, membros da família GATA ou Sox, e que, portanto, seriam potenciais candidatos a reguladores da especificação não foram completamente informativos. Na maioria destes modelos animais há interrupção do processo de desenvolvimento embrionário antes mesmo do surgimento do primórdio tiroidiano (5). Outros possíveis genes candidatos, mas ainda não identificados, seriam fatores de transcrição responsáveis pelo início da expressão e controladores dos genes Hhex, Titf1 e Pax8 (5).

Formação do broto tiroidiano embrionário

Por volta do E9.5 em camundongos e E24 em humanos, o primórdio tiroidiano invagina-se e invade o mesênquima adjacente, formando, no E10.5 em camundongos e no E26 em humanos, estrutura alongada, conhecida como broto tiroidiano primitivo. Este processo de crescimento e brotamento do primórdio tiroidiano envolve, evidentemente, aumento muito rápido do número de células progenitoras, porém, recentemente, demonstrou-se que isso não ocorre por proliferação celular, mas, possivelmente, por recrutamento de células do endoderma vizinho (4). Em seguida, o broto tiroidiano assume formato de divertículo e migra caudalmente em direção ao mesênquima. Nesta etapa, o divertículo tiroidiano ainda se comunica com o epitélio faríngeo por uma estrutura estreita, o duto tiroglosso, que se desfaz gradualmente e desaparece por volta do E11.5 no camundongo e do E37 em humanos, quando a tiróide primitiva perde definitivamente a comunicação com o assoalho faríngeo (3).

Problemas na rede de interação gênica durante a especificação e o brotamento tiroidiano podem significar prejuízo importante na sobrevivência e na proliferação das CFT primordiais. É justamente nesta fase que as CFTs caracterizam-se pela coexpressão singular de fatores de transcrição importantes para a morfogênese: Hhex, Pax8, Titf1 e Foxe1. Modelos animais transgênicos de inativação destes genes oferecem informações valiosas para o mecanismo de disgenesia. Na realidade, o estudo de animais mutantes para Hhex, Titf1 e Pax8 permite observar que a morfogênese tiroidiana inicia-se, mas, em seguida, ocorre involução e subseqüente desaparecimento do broto tiroidiano primitivo.

Migração do primórdio tiroidiano

Por volta do E13-14 em camundongos e E44-48 em humanos, a tiróide primitiva alcança seu posicionamento final, anteriormente à traquéia e inferiormente à cartilagem cricóide, quando, por fim, funde-se com os corpos ultimobranquiais que contém as células derivadas da crista neural e precursoras das células C. Todo esse processo de migração dura, em humanos, quatro semanas e sua base genética já é parcialmente compreendida, com participação importante do fator de transcrição Foxe1, reforçando a idéia de migração ativa, em vez de simples processo de movimentação passiva por remodelamento (6). Alguns outros eventos morfológicos das regiões cervical e oral podem ainda contribuir no direcionamento da tiróide primitiva para a sua localização final (7). A Figura 1 ilustra alguns aspectos da migração e da organogênese.

 

 

Lobulação e foliculogênese

Nos E14-15 em camundongos e E60-70 em humanos, a tiróide primitiva tem formato semicircular e já possui dois lobos rudimentares paratraqueais. Em seguida, os lobos laterais crescem e a glândula assume seu formato final: dois lobos conectados por um estreito istmo. No E15.5 do camundongo e no E50 de humanos, inicia-se o processo de formação de folículos rudimentares - foliculogênese. Qualquer problema no processo chamado de lobulação pode comprometer a organogênese e a glândula, ao final, pode não formar os dois lobos simetricamente - hemiagenesia. Os mecanismos controladores da formação de lobos, da organogênese e da proliferação celular, nesta etapa, ainda são obscuros. Estudos recentes em modelos animais apontam a influência do gene Shh (sonic hedgehog) e de outras interações celulares envolvendo genes expressos em tecidos adjacentes (9,10). Recentemente, modelo animal duplo-heterozigoto para a inativação de Titf1 (Titf1+/-) e Pax8 (Pax8+/-), denominado DHTP (duplo-heterozigoto para Tif1 e Pax8), mostrou elevada freqüência de hemiagenesia (2).

Diferenciação funcional e hormonogênese

O processo de diferenciação completa-se apenas quando a glândula atinge sua localização final; porém, esta localização normal não é exatamente requisito absoluto para que as CFTs completem sua diferenciação funcional plena; isso explica o fato de pacientes com glândula ectópica sublingual produzirem normalmente o hormônio tiroidiano (HT), porém, em menor quantidade (1). A diferenciação funcional inicia-se por volta de E14.5 e é conseqüência da expressão de proteínas essenciais para a produção do HT: tiroglobulina (Tg), peroxidase tiroidiana (TPO), receptor do TSH (TSHR), "simportador" sódio/iodo, sodium/iodide symporter (NIS), DUOX (NADPH oxidases tiroidianas) e pendrina, que obedecem o padrão temporal preciso, o que indica que fatores genéticos possam ter influência. A expressão de genes específicos inicia-se em E14.5 com Tg, TPO e Tshr e, em seguida, em E16, com NIS. O início da produção de T4 já pode ser observado no E16.5 (1).

Expansão da tiróide fetal

Nesta etapa existe alta taxa de proliferação do tecido tiroidiano embrionário que proporciona grande aumento do seu tamanho e, ao mesmo tempo, a expressão de características próprias da arquitetura da glândula. No camundongo, o eixo hipotálamo-hipofisário exerce regulação completa do crescimento e função da tiróide somente após o nascimento. Já em seres humanos, a tiróide apresenta estrutura folicular organizada por volta de 10 a 11 semanas de gestação e aumenta de volume até o termo, porquanto o eixo hipotálamo-hipófise-tiroidiano já funciona durante a gestação. No animal adulto, a via AMPc induzida por TSH é o regulador principal do crescimento tiroidiano. Os modelos animais com inativação do Tshr ou seus ligantes apresentam invariavelmente a glândula hipoplásica na fase adulta. O modelo de animal transgênico que, na tiróide, superexpressa o receptor A2 de adenosina, e conseqüentemente, apresenta ativação constitutiva da adenilciclase, demonstra notável hiperplasia da tiróide na fase adulta (11). Contudo, no período embrionário E17, no contexto de ausência de Tshr funcional, o tamanho da glândula e o número de tirócitos permanecem inalterados e não se reduzem (12); adicionalmente, neste mesmo modelo transgênico, o volume tiroidiano não se altera no período embrionário e encontra-se normal até o nascimento (11). Em conclusão, no feto, o crescimento da glândula é controlado por mecanismos independentes da sinalização TSH-Tshr-AMPc, ainda não completamente esclarecidos. Interessantemente, o animal duplo-heterozigoto para inativação de Titf1 e Pax8 apresenta defeito de organogênese da tiróide, com fenótipo de hipoplasia evidenciada em E15 e que persiste até o nascimento. Sendo assim, é possível que fatores de crescimento regulados por Titf1 e Pax8 estejam envolvidos na proliferação de tirócitos imaturos na fase de crescimento da tiróide fetal (2).

 

MODELOS ANIMAIS DE DISGENESIA TIROIDIANA

Titf1

O Titf1 (Nkx2-1 ou T/EBP) é um fator de transcrição da família Nkx2 codificado por gene localizado no cromossomo 12 em camundongos e 14q13 em humanos. Durante a vida embrionária, o Titf1 expressa-se no primórdio tiroidiano, na traquéia, no pulmão, no cérebro e na neuro-hipófise (1). Animais com mutação inativadora do Titf1 (Titf1-/-) apresentam fenótipo complexo, caracterizado por morte neonatal, agenesia tiroidiana, hipoplasia pulmonar, morfologia alterada da traquéia, alterações cerebrais e ausência da hipófise (13). O primórdio tiroidiano, identificado em fases mais precoces do desenvolvimento embrionário (E9), forma-se plenamente e é absolutamente normal. Contudo, em fases mais tardias, por volta do E10.5, a tiróide primitiva já apresenta significativa redução volumétrica e de expressão de Pax8, Foxe1 e Hhex. Subseqüentemente, o primórdio tiroidiano desaparece (E13), dando lugar somente a células apoptóticas. Compatível com o conhecido padrão de expressão de Titf1, ocorre desaparecimento não só das CFT, mas também das células C e das células epiteliais do corpo ultimobranquial (14). Portanto, Titf1 não é verdadeiramente necessário para a etapa de especificação, mas fundamental para a proliferação e sobrevivência dos dois tipos celulares; esta função é comprovadamente dose-dependente (fenômeno de haploinsuficiência), pois os animais Titf1+/- apresentam incoordenação motora associada a leve hipertirotropinemia com níveis normais de T4 e fusão anormal dos corpos ultimobranquiais com a tiróide primitiva (14,15). As vias genéticas controladas pelo Titf1 não estão esclarecidas. Sabe-se que a ausência do Titf1 determina, no embrião, a falta de expressão de genes como Bmp4 (bone morphogenetic protein 4) e Fgf8 (fibroblast growth factor 8) nos pulmões e na hipófise, respectivamente (16). Portanto, paralelamente, o Titf1 poderia controlar a sobrevivência das CFTs por meio de mecanismos semelhantes, envolvendo alguns fatores de crescimento. Consistente com esta hipótese é o fato de que o gene Fgfr2 tem sua expressão no primórdio tiroidiano por volta de E11 e animais knockout para este receptor apresentam agenesia tiroidiana (16). A proteína Titf1 é definitivamente regulada de maneira tecido-específica, participando da regulação de diferentes genes em distintos tipos celulares. Na tiróide, além da importância embrionária, o Titf1 desempenha claro papel na expressão de genes específicos da tiróide na fase adulta.

Pax8

O Pax8 (paired box gene 8) é membro de uma família de fatores de transcrição caracterizada pela presença do domínio paired domain (Prd), constituído de 128 aminoácidos que se liga a seqüências específicas do DNA. O Pax8, em células foliculares tiroidianas diferenciadas, reconhece e liga-se à região promotora de Tg e TPO e interage física e sinergisticamente com Titf1, sugerindo existência de cooperação, entre os fatores de transcrição, no controle da diferenciação tiroidiana. No embrião, expressa-se precocemente no primórdio tiroidiano (E8.5), no mielencéfalo e nos rins (4). Embriões de animais Pax8-/- apresentam primórdio tiroidiano morfologicamente normal e comparável ao fenótipo selvagem nos estágios mais precoces, mas, em estágios mais tardios, por volta de E11.5, apresentam primórdio tiroidiano francamente hipoplásico e com expressão reduzida de outros fatores de transcrição, como Foxe1 e Hhex (5). Depois, ainda um dia mais tarde (E12.5), as CFT não são mais detectadas no primórdio primitivo. Animais Pax8-/- apresentam tiróide rudimentar composta quase exclusivamente por células C e morrem com duas a três semanas de idade por hipotiroidismo grave e retardo de crescimento e desenvolvimento generalizados (ossos, intestino, baço), porquanto a administração de T4 evita a morte destes animais (5). Similarmente ao Titf1, o Pax8 não é requisitado para a fase de especificação inicial, mas possui importância fundamental nas etapas seguintes do desenvolvimento e da sobrevivência celular. O animal heterozigoto Pax8+/- possui tiróide histológica e funcionalmente normal, diferindo, portanto, do fenótipo de DT encontrado em pacientes com mutações inativadoras em heterozigose (17). Recente estudo em mode-lo animal com dupla heterozigose para mutação no Pax8 e Titf1 (modelo DHTP) revelou tiróide hipoplásica durante a vida fetal com alta incidência de hemiagenesia e redução na síntese de tiroglobulina; interessantemente, este modelo de DT é específico da linhagem de animais C57BL/6, não sendo observado em animais com a linhagem 129/Sv, indicando possível atuação moduladora multigênica (2).

Hhex

O Hhex (hematopoietically expressed homeobox) é fator de transcrição primeiramente identificado em células hematopoiéticas multipotentes, localizado nos cromossomos 19 e 10q23.32 em camundongos e humanos, respectivamente. É expresso no coração, no cérebro, no primórdio tiroidiano e em outros órgãos derivados do intestino primitivo (fígado, timo, pâncreas, pulmão). Em animais Hhex-/-, no E9, o primórdio tiroidiano existe e a expressão de Titf1, Pax8 e Foxe1 é normal. Mais tardiamente (E10), o brotamento tiroidiano é grandemente prejudicado e existe apenas pequeno número de células que não expressam Titf1, Pax8 e Foxe1; em seguida, o primórdio tiroidiano desaparece ou apresenta-se gravemente hipoplásico. Portanto, parece que o Hhex, bem como os outros fatores de transcrição estudados, não são essenciais para a especificação, mas sim para a sobrevivência das células precursoras. Nos embriões de animais Titf1-/- e Pax8-/-, o Hhex é indetectável no remanescente tiroidiano, indicando a presença de uma rede de interação gênica entre estes fatores de transcrição (1,18).

Foxe1

O Foxe1 (TTF2, thyroid transcription factor 2) é codificado por gene situado no cromossomo 4 em camundongos e 9q22 em humanos. Durante a vida embrionária expressa-se muito precocemente na tiróide, na bolsa de Rathke, na língua e no esôfago; mais tardiamente no palato, nas cóanas e no folículo piloso (19). A sua ausência nos animais Foxe1-/- não determina defeito na especificação, porém compromete gravemente a migração e a sobrevivência da tiróide primitiva: em E10 o primórdio tiroidiano ainda encontra-se atracado no assoalho faríngeo, e em estágios mais tardios existe apenas pequeno número remanescente de CFT capazes de sintetizar Tg (indicando capacidade preservada de diferenciação) ou simplesmente agenesia completa (6). Esta variabilidade fenotípica pode ser explicada por eventos epigenéticos ou influência do background genético individual. O animal Foxe1-/- morre nas primeiras 48 horas de vida e apresenta fenótipo de agenesia tiroidiana e hipotiroidismo grave associado à fenda palatina (responsável pela morte neonatal). Em outro modelo animal, em que a expressão do Foxe1 restringiu-se às células do primórdio tiroidiano e não apareceu no endoderma faríngeo (Titf1+/Foxe1), ocorreu completa migração, o que sugere que este evento seja autônomo e dependente do controle intrínseco e local exercido por Foxe1 nas células precursoras da tiróide, não havendo interferência da ausência de Foxe1 no endoderma faríngeo vizinho (5).

Shh

O Shh (sonic hedgehog) é codificado pelo gene localizado no cromossomo 5 em camundongos e 7q36 em humanos. Não há expressão no primórdio tiroidiano, mas é amplamente detectado no epitélio do intestino primitivo, inclusive no assoalho faríngeo. Estudos com animais Shh-/- indicam sua grande importância na organogênese de várias estruturas, incluindo a tiróide. Neste modelo animal, as etapas precoces da morfogênese tiroidiana não sofrem alteração, mas parece haver prejuízo no processo de lobulação: no E15, a tiróide primitiva aparece apenas como massa tecidual localizada em região paratraqueal (9). Como o Shh ou seu receptor não são expressos em células tiroidianas, parece haver controle da lobulação por meio de mecanismos prejudicados na ausência de Shh. O desenvolvimento anormal de diversas estruturas vasculares próximas à tiróide que ocorre em animais Shh-/- seria mecanismo candidato. Esta hipótese é consistente com o relato de hemiagenesia em pacientes acometidos por doenças caracterizadas por defeitos vasculares e cardíacos congênitos, como a síndrome de Di George (20). Porém, a base genética do processo de lobulação ainda precisa ser amplamente explorada, possivelmente envolvendo fatores intrínsecos das CFT e do tecido adjacente (2).

Nkx2.5

O Nkx2.5 é um fator de transcrição essencial para a morfogênese cardíaca e que se expressa precoce e transitoriamente no primórdio tiroidiano (E8.5-9.5) (1). A inativação do gene Nkx2.5 em animais causa morte precoce (E9.5) no período fetal por defeitos graves na formação do coração e na especificação ventricular, o que dificulta a análise da importância deste gene na morfogênese tiroidiana (21). Embriões de animais Nkx2.5-/- apresentam primórdio tiroidiano hipoplásico se comparados ao tipo selvagem, mas não há alteração da expressão de outros fatores de transcrição (Pax8, Titf1 e Foxe1) (22).

Tshr

O Tshr (thyroid-stimulating hormone receptor) é um membro da família dos receptores acoplados à proteína G. Este receptor é detectado em células tiroidianas por volta do E15, simultaneamente à produção de TSH pelos tirotrofos da hipófise fetal, e sua expressão aumenta consideravelmente a partir do E17. Os modelos animais disponíveis possibilitaram compreensão muito maior sobre a fisiologia do eixo hipotálamo-hipófise-tiroidiano durante a vida embrionária. Tanto o Tshrhyt/Tshrhyt (com mutação puntiforme espontânea no 4º domínio transmembrana do receptor) quanto o Tshr-/- (com inativação do gene por recombinação homóloga em células-tronco) apresentam hipotiroidismo grave após o nascimento, associados à hipoplasia na vida adulta (12,23). Na ausência de um Tshr funcionante existe importante diminuição da expressão de NIS e TPO na tiróide fetal; portanto, a sinalização via Tshr é de extrema importância no processo de diferenciação funcional. Entretanto, a síntese de DNA e o tamanho glandular, durante a vida fetal, não parecem ser influenciados pelo Tshr, sugerindo mecanismos de controle diversos do tamanho da tiróide no feto e no adulto (12).

Tbx1

Animais Tbx1-/- exibem fenótipo de malformação vascular importante e, recentemente, é crescente a importância atribuída à influência dos grandes vasos per se ou de fatores reguladores e essenciais à vasculogênese na morfogênese tiroidiana. Acredita-se que a malformação vascular, direta ou indiretamente, possa contribuir ou causar defeito de migração ou de formação tiroidiana. O animal Tbx1-/- possui atraso na migração do divertículo tiroidiano em direção ao saco aórtico e isso ocorre sem haver qualquer prejuízo na expressão do Foxe1, único fator de transcrição de importância reconhecida no processo de migração. O resultado da inativação do gene Tbx1 é um fenótipo de alteração vascular associado a defeito de bilobação e glândula de volume reduzido (4,24).

Outros genes

Alguns genes da família Hox de fatores de transcrição poderiam estar envolvidos na morfogênese tiroidiana. A inativação do gene Hoxa5 gera fenótipo de hipotiroidismo neonatal e menor expressão embrionária dos fatores Titf1, Pax8 e Foxe1, associados a defeito na foliculogênese e na produção de Tg (25). Especialmente o gene Hoxa3, que é detectado no assoalho faríngeo e no primórdio tiroidiano, tem animal knockout que apresenta fenótipo de hipoplasia tiroidiana e de hipodesenvolvimento e migração anormal dos corpos ultimobranquiais, com conseqüente ausência do número de células C parafoliculares, associados à agenesia tímica e de paratiróide (26). O gene Eya1, apesar de presente nos corpos ultimobranquiais e não ser expresso no primórdio tiroidiano, gera fenótipo idêntico ao animal knockout para Hoxa3, indicando que o defeito na organogênese tiroidiana pode advir da ausência de fusão com os corpos ultimobranquiais durante a embriogênese (10). Um fenótipo idêntico é também observado em animais com mutação nos genes Pax3 e Endothelin-1, que são fundamentais para o desenvolvimento de estruturas derivadas da crista neural, fato que corrobora o conceito de interação importante e crítica entre os corpos ultimobranquiais e o divertículo tiroidiano (27,29). O gene Fgfr2 (fibroblast growth factor receptor 2), detectado após formação do primórdio tiroidiano (E11.5) e seu ligante Fgf10 (fibroblast growth factor 10) parecem representar vias significativas de diferenciação e proliferação da tiróide durante a vida embrionária, uma vez que os animais knockout apresentam fenótipo de agenesia (16,29).

 

GENÉTICA DA DISGENESIA TIROIDIANA HUMANA

TITF1

Os rastreamentos de mutação do TITF1 em populações de pacientes com DT apresentaram resultados negativos (30-32). Dada a importância fundamental deste gene nas morfogêneses pulmonar e cerebral, observada no modelo animal knockout, presume-se que a mutação inativadora em homozigose seria praticamente incompatível com a sobrevivência no período neonatal. De fato, os pacientes até então identificados, apresentam defeitos genéticos em heterozigose (deleção, inserção, mutação nonsense e missense) e quadro sindrômico que abrange problemas respiratórios no período neonatal (em alguns casos ausente ou com ampla variação de gravidade), distúrbios neurológicos (coreoatetose) e fenótipo tiroidiano variável entre eutiroidismo e HC (tiróide normal a hipoplásica) (15,33-38). Na literatura, a análise de famílias estabelece forte relação com coréia hereditária benigna (distúrbio de movimento autossômico-dominante) (39). A imensa variação do fenótipo e a falta de correlação com a extensão do defeito genético indicam a presença de penetrância incompleta e influência de genes moduladores, assim como de fatores ambientais. Contudo, haploinsuficiência parece ser o mecanismo responsável pela presença de doença em indivíduos heterozigotos, assim como recentemente observado em estudo de animais Titf1+/- (15).

PAX8

O gene PAX8, em humanos, localiza-se no cromossomo 2 e possui 12 éxons que codificam proteína de 450 aminoácidos. Dez mutações do gene PAX8 (oito missense, uma nonsense e uma deleção) já foram descritas em casos esporádicos e familiares com transmissão autossômica dominante de HC com DT, todas em heterozigose (Tabela 2) (40-48). O fenótipo tiroidiano é bastante variável (de casos leves àqueles com hipoplasia grave) entre indivíduos afetados da mesma família, o que indica penetrância incompleta (41,45).

FOXE1

A síndrome de Bamforth-Lazarus caracteriza-se por fenda palatina, atresia bilateral de cóanas, epiglote bífida, alteração do couro cabeludo (cabelos espetados) e agenesia tiroidiana (49). O gene FOXE1 é expresso continuamente na tiróide desde o período embrionário e possui um único éxon codificando uma proteína de 367 aminoácidos. Estudos recentes sugerem associação entre polimorfismos do gene e risco de DT (50). Entretanto, o rastreamento de mutação em indivíduos com DT e fenda palatina isolados ou em combinação não tiveram sucesso, sugerindo tratar-se de defeito genético raro (51). Três mutações do gene FOXE1 em homozigose, todas localizadas no domínio forkhead de ligação ao DNA, já foram descritas em cinco pacientes com HC: S57N, A65V e R102C (52-54). Indivíduos heterozigotos são normais e os portadores de mutações com atividade funcional parcialmente preservada apresentam fenótipo incompleto, como ausência de atresia de cóanas e de epiglote bífida (53). A última mutação descrita (R102C), em homozigoze, foi encontrada em paciente com HC grave, ausência de concentração de iodo e tiroglobulina indetectável, mas associados à presença de tecido tiroidiano identificado por ultra-sonografia (52).

NKX2.5

O gene que codifica NKX2.5 em humanos localiza-se no cromossomo 5q34 e possui dois éxons codificando uma proteína de 324 aminoácidos. Estudos in vitro indicam que Nkx2.5 seja um forte indutor de NIS e interage sinergisticamente com Titf1; além disso, a expressão de isoforma com ação dominante negativa (N188K) em células tiroidianas provocou redução na transcrição de genes específicos, como pendrina e tiroglobulina (55,56). Uma vez que este gene é fundamental para a morfogênese e a miogênese cardíaca, várias mutações inativadoras do gene NKX2.5 já foram identificadas em pacientes com cardiopatia congênita, visto que os defeitos de septo e distúrbios de condução figuram entre os fenótipos mais comumente encontrados (57-60). Durante a embriogênese, parece haver íntima relação entre o desenvolvimento tiroidiano e cardiovascular, sobretudo referente ao processo de migração do primórdio tiroidiano (4,61). Recentemente, três mutações heterozigóticas inativadoras (R25C, A119S e R161P) foram descritas em quatro pacientes com DT (três com ectopia e um com agenesia). Os estudos funcionais in vitro demonstraram redução de transativação, capacidade de ligação ao DNA e efeito dominante negativo das proteínas mutantes (22). O grupo de estudo deste trabalho realizou o rastreamento de mutações do gene NKX2.5 em uma população de 157 pacientes com DT (17 com cardiopatia congênita) e foram identificadas quatro mutações novas (D16E, A80G, D105E e L245I) e uma previamente descrita (A119S) em quatro indivíduos (todos com ectopia), também sem estigmas de cardiopatia congênita (22).

TSHR

O gene TSHR tem dez éxons, codifica proteína de 765 aminoácidos e localiza-se no cromossomo 14q31. A porção extracelular amino-terminal é codificada por nove éxons, enquanto os domínios transmembrana e citoplasmático são codificados por um único grande éxon. As mutações inativadoras do gene TSHR, em homozigose ou heterozigose composta, representam o achado genético mais comum em pacientes com DT. O espectro da manifestação fenotípica da hipossensibilidade ao TSH é grande, variando de hipertirotropinemia leve ou hipotiroidismo subclínico a grave HC com profunda hipoplasia da glândula (62). Parte desta variabilidade clínica pode ser explicada por atividade funcional residual das moléculas mutantes de Tshr, influência moduladora de outros genes e diferenças no background genético (1). Nos casos familiares, a doença tem herança autossômica recessiva e indivíduos heterozigotos possuem fenótipo normal ou níveis de TSH levemente aumentados (62). O rastreamento de mutações no Tshr em casos esporádicos ou familiares de hipotiroidismo não auto-imune mostrou que se trata de evento genético raro (63). Estudo recente de famílias com fenótipo de resistência ao TSH (RTSH), mas com padrão de herança autossômico dominante de alta penetrância, após adequada investigação dos locus candidatos, indica provável implicação de novos mecanismos moleculares ou epigenéticos (64-66).

Outros genes

O gene SHH, classicamente relacionado à holoprosencefalia (ausência do lobo frontal do cérebro do embrião) e malformação de estruturas da linha média (dismorfismos craniofaciais, fenda palatina e alteração da morfogênese hipotálamo-hipofisária), possui diversas mutações descritas em casos isolados e familiares com herança autossômica dominante, com grande variabilidade fenotípica. A síndrome pode englobar diversos distúrbios endócrinos: diabetes insípido, hipoplasia adrenal, hipogonadismo e hipoplasia tiroidiana (67). O gene TBX1 pode estar relacionado à síndrome 22q11 (de Di George), que possui prevalência de 20% de hipotiroidismo em seus casos, às vezes, com manifestação tardia na vida adulta, sendo sugerida como causa aparente a deficiência do crescimento glandular (hipoplasia). O quadro clínico é complexo, envolvendo malformação vascular, dismorfismos faciais e agenesia de timo e paratiróide. A investigação não sistemática do fenótipo tiroidiano, nos pacientes já descritos com esta síndrome, encontrou alguns casos de hemiagenesia, hipoplasia lobar e agenesia de istmo em estudos de autópsia (24,68).

 

CONCLUSÃO

Os estudos em animais geneticamente modificados e relatos de mutações humanas demonstram papel importante de alguns genes na embriogênese tiroidiana. Até o momento, quatro genes estão fortemente implicados: TITF1, PAX8, FOXE1 e TSHR. Os três primeiros, todos fatores de transcrição, muito conservados na escala zoológica (> 90% de homologia entre camundongos e humanos), embora não específicos da tiróide, possuem coexpressão única no primórdio tiroidiano durante a embriogênese que se mantém na fase adulta. O fenótipo em humanos geralmente assemelha-se ao encontrado no modelo animal correspondente, porém as mutações já encontradas explicam apenas parte muito limitada dos casos de DT. Mesmo levando-se em conta que, na maioria das vezes, a análise é restrita à região codificadora do gene, é muito provável que outros genes não conhecidos estejam envolvidos. A exclusão dos já conhecidos genes candidatos, em uma série de casos familiares, reforça esta hipótese (69). Além disso, o modo de transmissão da doença pode ser diferente entre animais e humanos. Em animais, linhagens Pax8+/- apresentam fenótipo aparentemente normal, enquanto linhagens Titf1+/- possuem hipotiroidismo subclínico e distúrbios motores. Por outro lado, em humanos, indivíduos com mutações heterozigóticas para os mesmos genes homólogos apresentam quadro clínico de DT com herança autossômica dominante. Em modelos animais, o gene Foxe1 está fortemente implicado em defeito de migração, enquanto em humanos, os casos de ectopia, que representam a maioria dos pacientes com DT, permanecem obscuros do ponto de vista genético, não sendo relacionados às poucas mutações descritas do FOXE1. Ainda existe controvérsia sobre o caráter passivo do processo de migração do primórdio tiroidiano e acredita-se que genes expressos no mesênquima vizinho deveriam ser também considerados candidatos na patogênese da ectopia (5). Analogicamente, na síndrome de Kallmann, em que existe distúrbio na migração de neurônios secretores do GnRH (gonadotropin-releasing hormone), o defeito genético advém de perda funcional de proteína extrínseca a estas células endócrinas (70). Ultimamente, importância crescente tem sido dada à influência dos vasos embrionários na organogênese tiroidiana, sugerindo que fatores vasculares devam ser adicionados à lista de genes candidatos (4,61). Os dados recentes deste estudo apontam possível associação de ectopia com o gene NKX2.5, fator de transcrição conhecidamente importante para a diferenciação e morfogênese cardiovascular, porém os mecanismos moleculares implicados são desconhecidos, podendo incluir interação com outros fatores de transcrição extrínsecos da tiróide, como os pertencentes à família Tbx (22,71,72).

A análise dos casos familiares descritos na literatura permite concluir que não existe padrão de transmissão claramente mendeliano, havendo alta incidência de alterações subclínicas da morfogênese tiroidiana em familiares dos pacientes com DT (69). A variabilidade fenotípica intrafamiliar é evidente nos casos de mutações no PAX8 e TITF1, indicando penetrância incompleta. Isso sugere modelo de doença de origem multigênica que, mais uma vez, recentemente, encontrou respaldo em modelo animal (DHTP). O número de genes candidatos é vasto e ainda largamente desconhecido. A Tabela 3 resume os diversos genes, sendo a maioria fatores de transcrição ou de crescimento, capazes de produzir defeitos de organogênese tiroidiana em modelos animais.

 

 

A identificação de novos genes, principalmente se forem relacionados ao processo de especificação ou em fases mais precoces da organogênese, seria extremamente útil (73). Ainda assim, a DT ocorre predominantemente como doença esporádica (95% dos casos) e existe indubitável discordância na maioria dos casos documentados em gêmeos monozigóticos e forte preponderância no sexo feminino (principalmente para ectopia) (74,75). Estes dados indicam que a DT, mesmo tendo causa genética, pode não ser hereditária e que mecanismos não-mendelianos, como eventos pós-zigóticos e fenômenos epigenéticos podem estar envolvidos na sua patogênese (76).

Agradecimentos: Este trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Auxílio à pesquisa nº 06/54950-6 e Fundação Araucária (Programa de Pesquisa para o SUS, Protocolo nº 9348). Os autores agradecem a colaboração dos Drs. Gisah Amaral de Carvalho e Luiz de Lacerda e valiosas discussões com os Drs. Peter Kopp, Samuel Refetoff e Massimo Tonacchera. Os autores declaram não haver conflitos de interesse científico neste artigo.

 

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Endereço para correspondência:
Rui M. B. Maciel
Laboratório de Endocrinologia Molecular, Unifesp
Rua Pedro de Toledo, 781, 12º andar
04039-032 São Paulo SP
E-mail: rui.maciel@unifesp.br

Recebido em 15/1/2008
Aceito em 9/5/2008