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Arquivos Brasileiros de Oftalmologia

Print version ISSN 0004-2749On-line version ISSN 1678-2925

Arq. Bras. Oftalmol. vol.71 no.3 São Paulo May/June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27492008000300029 

ATUALIZAÇÃO CONTINUADA

 

Nomenclatura anatômica em oftalmologia

 

Anatomical nomenclature in ophthalmology

 

 

Ricardo LamyI;Adalmir Morterá DantasII

IPós-Graduação Nível Mestrado em Oftalmologia; Médico do Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ - Rio de Janeiro (RJ) - Brasil
IIProfessor Titular de Oftalmologia; Chefe do Departamento de Otorrinolaringologia e Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ - Rio de Janeiro (RJ) - Brasil

Endereço para Correspondência

 

 


RESUMO

Os objetivos deste estudo são: informar os oftalmologistas sobre as diferenças existentes entre as listas em língua inglesa e portuguesa de termos equivalentes para as estruturas do olho, ambas aprovadas pela Comissão Federativa Internacional de Terminologia Anatômica; apresentar os termos anatômicos incluídos na lista de descritores publicada pela Biblioteca Nacional de Medicina Norte-Americana e traduzida pela Biblioteca Regional de Medicina (BIREME); para propor uma lista em português de termos de uso comum pelos oftalmologistas.

Descritores: Terminologia; Anatomia; Olho; Oftalmologia; Descritores em medicina; Epônimos; História da medicina


ABSTRACT

The purposes of this article are: to inform ophthalmologists about the differences between the English and Portuguese list of equivalent terms for eye structures, approved by the Federative International Committee on Anatomical Terminology; to present the anatomical terms included in the list of medical subject headings published by the United States National Library of Medicine and translated by the Regional Library of Medicine (BIREME); propose a list of Portuguese terms of common usage by ophthalmologists.

Keywords: Terminology; Anatomy; Eye; Ophthalmology; Medical subject headings; Eponyms; History of medicine.


 

 

INTRODUÇÃO

A elevada freqüência com que os oftalmologistas utilizam termos inadequados para designar as estruturas anatômicas do olho, e as diferenças entre os termos reconhecidos como equivalentes da terminologia anatômica latina, em inglês e na língua portuguesa, justificam a realização deste estudo de revisão sobre a história da anatomia e da etimologia dos termos anatômicos, assim como a divulgação das listas de termos equivalentes em inglês, português, e a proposição e apresentação de uma lista contendo os termos de uso corrente na literatura oftalmológica nacional.

Na história da origem da anatomia, o mais antigo tratado anatômico existente é um papiro egípcio escrito por volta de 1600 a.C(1). Ele demonstra que o coração, fígado, baço, rins, ureteres e vesícula já eram conhecidos, assim como o fato de os vasos sanguíneos se originarem no coração. Centenas de anos depois, um professor de anatomia de Pádua chamado Andréas Vesalius (1514-1564) publicava sua monumental obra intitulada De Humani Corporis Fabrica Libri Septem (1543). Ilustrada pelo artista John Calcar, a obra padronizava uma terminologia anatômica e serviu de referência para todo o mundo civilizado à época. Com o passar dos anos, outros centros científicos foram publicando seus próprios livros, onde incluíam novos nomes para estruturas antes desconhecidas e corrigiam os nomes que julgavam impróprios. Desta forma, diferentes nomes foram sendo criados e se acumulando, chegando a existir na Europa no final do século XIX mais de cinqüenta mil nomes para designar estruturas anatômicas. Alguns dicionários médicos listavam mais de vinte sinônimos para uma única estrutura, induzindo a uma enorme confusão(2).

Percebendo a necessidade de se tentar uniformizar a nomenclatura, a Sociedade de Anatomia Alemã iniciou em 1887 (Leipzig) o trabalho de elaboração de uma lista que veio a ser aprovada em 1895 durante o Congresso de Anatomia da Basiléia. A obra ficou conhecida como Basle Nomina Anatomica (BNA) e foi publicada contendo 5.228 termos em latim. No ano de 1903 foi fundada a International Federation of Associations of Anatomists (IFAA), que pretendia reunir-se a cada cinco anos, tendo como um de seus objetivos a seleção de uma nomenclatura uniforme e universal para as ciências anatômicas. Nos anos que se seguiram, a Sociedade Britânica de Anatomia e a Sociedade Alemã de Anatomia apresentaram suas próprias atualizações da BNA (Birminghan em 1933; Jena em 1935), mas estas revisões não foram bem aceitas internacionalmente. Em 1950, durante o Congresso Internacional de Oxford, foi designada pelo presidente da IFAA uma Comissão Internacional para Nomenclatura Anatômica (IANC), cuja tarefa principal era preparar uma lista de termos anatômicos que seriam submetidos à aprovação durante o congresso seguinte em Paris. Assim, em 1955 foi aprovada com unanimidade a Parisiensia Nomina Anatomica, contendo 5.640 termos em latim (1.354 nomes de estruturas descobertas após a BNA; os segmentos anátomo-cirúrgicos dos pulmões; o grupo de órgãos endócrinos e nenhum epônimo).

A terceira edição da Nomina foi publicada em 1966 e em 1975 veio a quarta edição, desta vez contendo a Nomina Embryologica e a Nomina Histologica. Após lançamento da quinta edição em 1983, membros do IANC propuseram transformar a comissão em um corpo editorial independente da IFAA e em 1989 publicaram uma sexta edição da Nomina Anatomica sem submeter a lista à aprovação dos membros da IFAA durante o Congresso Internacional do Rio de Janeiro. Foi convocada então uma Assembléia Geral da IFAA, sob a presidência do brasileiro Liberato Di Dio, onde foi aprovada com unanimidade a criação de uma nova Comissão Federativa de Terminologia Anatômica (FCAT) cujos membros seriam eleitos de forma democrática, objetivando representar os anatomistas dos cinco continentes. Em 1997, após o término do Congresso Internacional de São Paulo, o FCAT anunciou oficialmente o lançamento da nova Terminologia Anatomica (TA)(3) simplificada e atualizada, contendo pela primeira vez além dos termos em latim, uma lista com termos de uso corrente em inglês (que embora sejam reconhecidos como termos equivalentes, não são necessariamente as traduções dos termos em latim). Em 1998, a Sociedade Brasileira de Anatomia (SBA) em conjunto com o FCAT, publicam pela editora Manole a edição em língua portuguesa da TA(4) contendo a lista de termos em latim e uma lista de equivalentes em português. Embora esta lista pudesse incluir termos de uso corrente na língua portuguesa, observa-se, na seção destinada aos órgãos dos sentidos (e em especial nas estruturas relacionadas ao olho), haver apenas uma tradução direta dos termos em latim, diferentemente da lista preparada pelos países de língua inglesa. Uma das poucas exceções é o termo "ducto lacrimonasal", equivalente do termo em latim ductus nasolacrimalis, e cujo equivalente em inglês é nasolacrimal duct.

No ano de 2005, Abib e Oréfice publicaram excelente artigo(5) na seção de atualização continuada dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia objetivando divulgar à classe oftalmológica a existência da edição em língua portuguesa da TA.

Em trabalho(6) apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Oftalmologia, Lamy, Dantas et al., avaliam o conhecimento e a aplicação pelos oftalmologistas dos termos aprovados pelo FCAT (agora chamado FICAT: Comissão Federativa Internacional de Terminologia Anatômica) para designar as estruturas anatômicas da córnea. Os autores utilizaram um questionário objetivo de múltipla escolha (Figura 1), com versões em inglês e português, onde o médico participante deveria assinalar os termos anatômicos adequados para designar cada uma das cinco camadas da córnea. O questionário foi distribuído durante o Congresso Mundial de Oftalmologia de São Paulo e respondido por 85 médicos de 26 países (Figura 2). 9,41% eram residentes de oftalmologia e, dentre os especialistas em oftalmologia, 44,83% declararam ser sub-especialistas em córnea. Nenhum entrevistado assinalou o termo anatômico correto para todas as cinco camadas da córnea. 90,59% utilizaram os termos membrana de Bowman e membrana de Descemet para designar a lâmina limitante anterior e a lâmina limitante posterior da córnea. Nenhum participante assinalou o termo epitélio posterior da córnea.

 

 

 

 

Se considerarmos a lista de termos equivalentes em inglês publicada na TA, poderiam ser considerados corretos os questionários que tiveram o termo endothelium escolhido para designar a camada mais interna da córnea.

Embora esteja claro no prefácio da TA que a lista de termos equivalentes em inglês não deve ser usada como referencial para tradução para outras línguas, lamentamos que a seção de estruturas relacionadas ao olho da lista de termos equivalentes em língua portuguesa tenha sido elaborada, aparentemente sem levar em consideração os termos de uso corrente na literatura oftalmológica nacional.

Considerando a importância dos trabalhos desenvolvidos em língua inglesa na literatura médica da atualidade, parece-nos claro a iminente confusão quando, por exemplo, é aprovado pelo FICAT o uso do termo endothelium of anterior chamber, enquanto na língua portuguesa, reconhece-se apenas o termo epitélio posterior da córnea. A confusão fica ainda mais evidente quando um trabalho publicado em língua portuguesa é acompanhado por um resumo em inglês (abstract) contendo algum destes termos. Desta forma, propomos uma lista de termos anatômicos oftalmológicos de uso corrente na língua portuguesa (Quadro 1). Esperamos que esta lista possa servir de referência para comunidade oftalmológica brasileira, permitindo o reconhecimento destes termos, ao menos enquanto se aguarda a aprovação de uma segunda edição da TA. Para elaboração desta lista, revisamos diversos livros da literatura médica nacional, em especial os pertencentes à bibliografia mínima(7-26) sugerida pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia para os candidatos ao título de especialista em oftalmologia. Estão presentes nesta lista termos já consagrados no meio oftalmológico, como coróide ao invés de corióide, e tivemos o cuidado de não "criar" nenhum termo novo, que não tenha seu correspondente em inglês incluso na lista de termos equivalentes ou na lista de termos descritores.

Apesar da freqüente utilização dos epônimos na literatura oftalmológica (dezenas de anos após serem banidos da terminologia anatômica), optamos por excluí-los da lista de termos de uso corrente. O uso de epônimos é causa freqüente de confusão, visto que algumas vezes temos descrito mais de um epônimo para uma mesma estrutura anatômica, ou até um único epônimo para duas estruturas anatômicas diferentes (ex: o termo músculo de Muller pode ser utilizado para designar as fibras circulares do músculo ciliar ou o músculo orbital.). Além disso, epônimos são termos inespecíficos e o termo anatômico deve ter uma característica localizadora, descritiva ou etiológica que facilite a compreensão dos fatos ou sua ligação com a natureza ou a causa do assunto em questão(27-28). Contudo, visto que muitos epônimos ainda são aceitos como termos descritores em ferramentas de pesquisa; faz-se necessário o conhecimento de alguns destes termos (epônimos) pelos oftalmologistas. O quadro 2 contém os principais epônimos oftalmológicos seguidos pelos termos anatômicos adequados, aprovados pelo FICAT.

Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), derivados do termo em língua inglesa Medical Subject Headings (MeSH) são publicados pela Biblioteca Nacional de Medicina Norte Americana (U.S. National Library of Medicine), responsável pela base de dados Medline que é uma das mais completas e utilizadas na pesquisa bibliográfica na área das Ciências da Saúde.

Outras bases de dados como o LILACS (Literatura Médica da América Latina e do Caribe) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online) também disponíveis na Biblioteca Regional de Medicina (BIREME) usam a padronização dos DeCS.

É fundamental que os autores dos trabalhos científicos façam uma escolha criteriosa e adequada destes unitermos, para que a indexação permita a recuperação de seus trabalhos, quando procurados pelos seus pares em uma pesquisa bibliográfica. O quadro 3 apresenta a lista de descritores (DeCS) para as estruturas anatômicas do olho, em português e inglês. A coluna do meio apresenta os sinônimos para língua portuguesa indexados pela BIREME. Consideramos indevida a utilização de alguns destes sinônimos, como é o caso do termo rubor aquoso.

A fim de complementar este trabalho, organizamos um vocabulário etimológico de termos anatômicos utilizados em oftalmologia(29-38). O estudo da etimologia é de grande valor mnemônico, pois, desde os tempos remotos, a maioria dos termos foi criada com base em semelhanças com objetos de uso doméstico, com a natureza, a geometria e funções desempenhadas pelos órgãos do corpo.

Esperamos estar contribuindo com todos aqueles que pretendem empregar, de forma correta, os termos anatômicos para as estruturas relacionadas ao olho, elucidando as diferenças existentes entre as listas de termos equivalentes em inglês, português e a lista de termos descritores.

 

VOCABULÁRIO ETIMOLÓGICO DE TERMOS ANATÔMICOS EM OFTALMOLOGIA

Anatomia é palavra grega que significa cortar de permeio, separar em partes; origina-se de aná (prefixo que, entre outros sentidos, tem os de sobre, para cima) e tomia (= corte). É sinônimo da palavra latina dissecação, de dis (= separação, divisão), e secare (= cortar).

Anatomia é, pois, o estudo das partes de seres organizados.

Sendo os seres organizados vegetais e animais, teremos, então, uma Anatomia Vegetal ou Fitoanatomia, do grego phytos (= planta) e uma Anatomia Animal, Zooanatomia, do grego zôo (= animal).

Na Zooanatomia, que é o que nos interessa, estudaremos a Androanatomia, ou Antomia Humana, de anér, andrós (= homem), ou Antropoanatomia, de antropos, ántropou (= homem).

A Anatomia Descritiva estuda os ossos (osteologia), de ostéon (= osso), as articulações (artrologia), de árthros (= articulação), os músculos (miologia), de mys, myós (= músculo), a circulação (angiologia), de ángion (= vaso), o sistema nervoso (neurologia), de néuron (= nervo), as vísceras (splancnologia), de splánchnon (= víscera).

A "Anatomia Geral" ou a "Histologia", de histós (= tecido), estuda as partes elementares dos tecidos. Fazem-se cortes delicados, e o estudo se realiza com o auxílio do microscópio.

A

Abdução

Do lat. ab (= afastamento, ponto de partida, separação, privação, para longe) e ductor, de ducere (= conduzir).

Adito

Do lat. aditus, us aditus (= entrada ou acesso a um lugar; ponto de acesso a uma cavidade).

Adução

Do lat. adductio, adductionis, de adducere ad + duccere (= puxar para si).

Aferente

Do lat. afferens, afferentis de ad, direção para, assimilado em af, e ferens, ferentis (= que vem vindo).

Alça

Do lat. ansa, ansae (= asa de qualquer objeto). Em gr., labé, labés (= alça, punho).
Também pode ser derivado regressivo de alçar.

Angiologia

Do gr. angeiologia, de angéion (= vaso), logia, de log (= ciência).

Aquoso

Do lat. aquosus, de aqua, aquae (= água). Em gr., hydatódes (= semelhante à água, aquoso, que vem de hydor, hydatos (= água).

Aracnóide

Do gr. arachnolidés (= semelhante à teia de aranha), de arachnés, arachnon (= aranha) e eidos (óidos) (= semelhante).

Artéria Do gr. artéria, arterías, de aér (= ar), e terein (=manter,conduzir), (= canal de ar para respiração), pelo lat. arteria, arteriae. Pelo fato de ficarem vazias após a morte, os antigos as relacionaram a dutos de ar. Os brônquios e a traquéia também eram chamados de artérias.
Asa 1. Do lat. ansa (= ansae, cabo por onde se pega em alguma coisa). 2. De ala, alae (= membro empenado das aves). Em gr., ptéryx, ptérigos (= asa ou objeto semelhante à asa).
Assoalho ou soalho Em gr., katástroma, kaktastrómatos, e sanidómatos (= superfície inferior de uma cavidade).
 
B
Bainha Do lat. vagina, vaginae. Em gr. lémma, lémmatos (= envoltório, o que é capaz de receber).
Buraco Do lat. foramen, foraminis (= buraco, abertura). Em gr., trema, trématos (= orifício) e trypa, trypes (= buraco). Na nomenclatura anatômica moderna, emprega-se forame preferentemente a buraco.
 
C
Cabeça Do lat. caput, caputis (Em gr., Kephalé, kephalés, de onde cefaléia)
Canal Do lat. canalis (= cano, tubo). Em gr., solén, solénos (= canal, tubo, ranhura).
Canalículo Do lat. canaliculus, canaliculi, diminutivo de canalis (= cano pequeno, estreito; canudo; tubozinho).
Cápsula Do lat. capsula, capsulae, diminutivo de capsa, capsae (= caixinha, cofrezinho, cápsula).
Carúncula Do lat. caruncula, carunculae, diminutivo de caros, carnis (= pouca carne, um bocadinho de carne).
Cavernoso Do lat. cavernosus, a, um (= de caverna. Que encerra pequenas cavidades, pequenas cavernas, ou que é um tecido vascular esponjoso).
Cerebral Do francês cerebral, que veio do lat. cerebralis, de cerebrum, cerebri.
Ciliar (corpo ciliar) Do lat. cilium, ii (= a beira da capela do olho, da pálpebra. Ciliar = relativo aos cílios).
Concha Do gr. kónche, kónches (= casa, concavidade), pelo lat. concha, conchae.
Conjuntiva Do lat. conjunctivus, a, um, de conjungere (= que serve para ligar, unir).
Córnea Do lat. corneus, a, um (= consistência de corno ou chifre; semelhante a chifre).
Crânio Do gr. kranion (= crânio, cabeça), pelo lat. cranion (= parte da cabeça).
Cristalino Do gr. krystállinos, de krystallos (= vidro, gelo, cristal), pelo lat. crystallinus, a um (= de cristal).
 
D
Dácrio Do gr. dákryon (= lágrima).
Dental Do lat. dentalis, e (= relativo ou pertencente aos dentes. O mesmo que dentário), pelo francês dental.
Díploe Do gr. díploe, díploes (= idéia de dois, coisa dupla).
Dura-máter Do lat. dura, durae (= firme, forte) e mater, matris (= mãe).
 
E
Eferente Do lat. efferens, efferentis (= o que leva para fora).
Encéfalo Do gr. enképhalos, de en (= dentro) e kephalé (= cérebro, o que está na cabeça).
Endotélio Do gr. Endon (= dentro) e thele (= mamilo). Embora não haja mamilos nos endotélios, a origem foi a analogia com epitélio.
Epitélio Do gr. epi (= por cima) e thele (= mamilo). Primitivamente aplicava-se só às camadas celulares que cobriam as papilas da língua, depois estendeu-se para outras superfícies sem papilas, inclusive a pele.
Esclerótica Do gr. sklerótes, sklerótetos (= segurança, dureza). Hoje, em oftalmologia, é chamada de esclera.
Esfenóide Do gr. sphén, sphénos (= cunha ou ponta) e óide, ou eídos (= em forma de, ou semelhante a).
Esfíncter Do gr. sphinkter, sphinktéros (= o que aperta, laço). De sphíngein (= apertar).
Estroma Do gr; stroma (= o que se estende, que cobre).
Etmóide Do gr. ethmos (= peneira, crivo) e oide, de eidos (= semelhante a).
 
F
Face Do lat. facies, faciei (= rosto, cara, semblante).
Fáscia Do lat. fascia, fasciae (= faixa, atadura).
Fissura Do lat. fissura, fissurae, de findere (= rachar, fender; fenda, rachadura).
Forame Do lat. foramen, foraminis (= buraco, cova, abertura).
Fossa Do lat. fossa, fossae, de fodere (= cavar, escavação, cova).
Frontal Do lat. frontalis (= que pertence à fronte ou à frente).
 
G
Gânglio Do gr. gánglion, pelo lat. ganglion, ganglii (= tumor, inchaço, pequenos corpos de forma e estruturas variáveis, de que se distinguem duas espécies: gânglios linfáticos (linfonódulos) e os gânglios nervosos.
Geniculado Do lat. geniculatus (= dobrado em forma de geniculum; joelho).
Glândula Do lat. glandula, glandulae (= diminutivo de glans, glandis (= bolota, glande)). Em gr. adén, adenos (= glande).
Glia Do gr. glia (= cola).
 
H
Humor Do lat. humor, humoris. Em gr. chymós, chymoü (= suco, líquido, fluido).
 
I
Íris Do gr. iris, iridos, pelo lat. iris, iridis (= arco-íris).
 
L
Lágrima Do lat. lacrima, lacrimae. Em gr., dácryon (= lágrima; gota de seiva).
Lâmina Do lat. lamina, laminae. Em gr., elasmós, ou (= pedaço muito fino, folha, chapa, lâmina).
Lateral Do lat. Lateralis (= afastado do plano mediano ou da linha média de um corpo ou estrutura; relativo a lado).
Lente Do lat. lens, lentis (= lentilha - usado devido à semelhança de forma entre as lentes de vidro e aquele grão vegetal).
Ligamento Do lat. ligamentum, i (= ligadura, atadura).
Limbo Do lat. limbus, i (= borda ou margem; orla).
 
M
Mácula Do lat. macula, maculae (= mancha, mácula).
Margem Do lat. margo, marginis (= beira, borda, margem).
Maxila Do lat. maxilla, maxillae (= queixada, queixo).
Maxilar Do lat. maxillaris, maxilare. Em gr., gnátos, gnáton (= maxilar, queixal).
Medial Do lat. mediale, medialis (= próximo do plano mediano ou da linha média de um corpo ou estrutura; relativo ao meio)
Membrana Do lat. membrana, membranae (= película, membrana).
Meninge Do gr. menix, meningos por intermédio do lat. meninge (= membrana muito fina; meninge).
Mental Do lat. mentum, menti (quando se refere ao queixo); do lat. mens, mentis (quando se refere ao espírito).
Músculo Do lat. musculus, diminutivo de mus, muris (= camundongo). Talvez porque o tamanho e formato do músculo bíceps braquial tenham sido considerados semelhantes aos de um pequeno rato se movimentando sob a pele. A mesma analogia acontece em grego: mys (=rato), origem do prefixo "mio".
 
N
Nervo Do lat. nervus, nervi (= nervo, corda, tendão).
Neuroglia Do gr. neuron (= nervo) e glia (= cola).
 
O
Oblíquo Do lat. obliquus, a, um (= oblíquo, curvo, torto; que está de esguelha). Em gr., loxós (= direção oblíqua, curvo).
Oftálmico Do gr. ophtalmikós (= relativo aos olhos, ocular).
Óptico Do gr. optikós (= relativo à vista, visual); optormai (= eu vejo).
Orbicular Do lat. orbicularis, e, derivado de orbis, orbis (= toda figura circular, anel, rodinha). Em Gr. kiclikós (= circular, redondo).
Órbita Do lat. orbita, orbitae, de orbis, orbis (= toda figura esférica ou circular).
Em gr. perifora, es (= 1. cavidade do olho; 2. percurso de um planeta).
Orbitário (= que tem relação com a órbita).
Osteologia Do gr. osteologia de osteon (= osso) + logia (= ciência, estudo).
Ótico Do gr. otikós, de oûs, otós (= relativo ao ouvido).
 
P
Palatino Do lat. palato + ino (= que se refere ao palato).
Pálpebra Do lat. palpebra, palpebrae, de palpare (Relaciona-se com tatear, tocar, aplacar, acalmar; para proteger e lubrificar o olho).
Papila Do lat. papilla, papillae (são pequenas eminências mais ou menos salientes, cônicas, que se elevam de uma superfície).
Pele Do lat. pellis, pellis (= cútis, couro). Em gr. dérma, dermatos.
Periósteo Do gr. periósteon, de peri (= em volta de, em torno de) e ostéon (= osso).
Pia-máter Do lat. pia (= piedosa) e mater (= mãe).
Pupila Do lat. pupilla, pupillae, diminutivo de pupa, pupae (= menina). Em gr., kóre, kóres (= menina).
 
Q
Quiasma Do gr. chíasma, chiásmatos (= disposição em forma de cruz).
 

R

Raiz Do lat. radix, radicis (= raiz). Em gr., riza, rizes (Figurado: base, fundamento, fonte, origem).
Ramo Do lat. ramus, rami. Em gr. ózos, ózon e kládos, kládon (= ramo).
Retina Do lat. retina, retinae, de rete, retis (= teia ou rede).
 
S
Septo Do lat. saeptum, septi (= parede, muro). Em gr., diaphragma, diaphrágmatos (= separação).
Supercílio Do lat. supercillium, supercilli, de super (= acima) e cilium, cillii (= pestana superior, sobrancelha).
 
T
Tróclea Do gr., trochalía, trochalías (= polia, molinete); pelo lat. trochlea, trochleae (= guindaste, roldana, polé).
Túnica Do lat. tunica, tunicae (= vestido). Em gr., chitón, chitonós (= vestimenta de baixo, túnica). Toda membrana que forma ou concorre para formar paredes de um órgão.
 
U
Unguis

Do lat. unguis, unguis (= unha).
Nome do osso lacrimal, assim chamado pelo seu feitio de unha.

Úvea Do inglês uvea. Em gr., chorioeidés (= semelhante a uma membrana, revestimento), de chorión (= membrana).
 
V
Veia Do lat. vena, venae. (= vaso de sangue) Do gr. Flebos. (origem do termo flebite).
Vórtex

Do lat. vortex, vorticis (= turbilhão, redemoinho). Em gr. strómbos, strómbon (= turbilhão).

 
Z
Zigomático

Do gr. zugoma + ataxo (= armação, peça de sustentação).

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para Correspondência:
Ricardo Lamy
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho
Av. Brigadeiro Trompowsky, s/nº - 11º sndar
Dept. de Otorrino e Oftalmologia - Bloco F - Sala 14
Rio de Janeiro (RJ) CEP 21941-590
E-mail: lamy@ufrj.br
adalmirdantas@uol.com.br

Recebido para publicação em 15.07.2007
Última versão revisada em 13.02.2008
Aprovação em 05.03.2008

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Otorrinolaringologia e Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ - Rio de janeiro (RJ) - Brasil.
Nota Editorial: Depois de concluída a análise do artigo sob sigilo editorial e com a anuência do Dr. Carlos Ramos Souza Dias sobre a divulgação de seu nome como revisor, agradecemos sua participação neste processo.

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