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Arquivos Brasileiros de Oftalmologia

versão impressa ISSN 0004-2749

Arq. Bras. Oftalmol. vol.73 no.6 São Paulo nov./dez. 2010

https://doi.org/10.1590/S0004-27492010000600012 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Descrição do desenvolvimento neuropsicomotor e visual de crianças com deficiência visual

 

Description of the neuropsychomotor and visual development of visually impaired children

 

 

Telma de Araujo SouzaI; Vivian Estevam de SouzaII; Marcia Caires Bestilleiro LopesIII; Silvia Prado Smit KitadaiIV

IFisioterapeuta, Ambulatório de Estimulação Visual Precoce, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil
IIFisioterapeuta, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil
IIIFisioterapeuta, Ambulatório de Estimulação Visual Precoce, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil; Universidade de Santo Amaro - UNISA - São Paulo (SP), Brasil
IVMédica, Universidade de Santo Amaro - UNISA - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Objetivo: Avaliar o desenvolvimento neuropsicomotor e visual de crianças com deficiência visual.
Métodos: Foram avaliadas 45 crianças, de ambos os gêneros, em um período de 6 meses. As crianças foram distribuidas em dois grupos de estudo: experimental e de controle. Dessa forma aplicou-se a avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor e da funcionalidade visual.
Resultado: No grupo controle 86,66% da amostra estava inadequado quanto ao comportamento da coordenação, entretanto, todos os aspectos analisados estavam inadequados. As diferenças entre os grupos mostraram-se significativas, já que valores como p<0,05 foram evidenciados, tanto no comportamento da funcionalidade visual, quanto no desenvolvimento neuropsicomotor.
Conclusão: Na amostra estudada, observou-se que os deficientes visuais caracterizavam-se por apresentar atraso global, do desenvolvimento, principalmente no comportamento da coordenação.

Descritores: Desenvolvimento infantil; Acuidade visual; Transtornos psicomotores; Doenças do sistema nervoso


ABSTRACT

Purpose: To assess the neuropsychomotor and visual development of visually impaired children.
Methods: Fourty-five children of both genders were evaluated in a 6-months period. The children were distributed into two study groups: experimental and control. The neuropsychomotor development and visual efficiency were evaluated in the two groups.
Results: In the control group, 86.66% of the sample was inappropriate on the coordination behavior, however, all aspects were considered inadequate. The differences among the groups were significant, since p values<0.05 were evidenced in the visual efficiency behavior as well as in the neuropsychomotor development.
Conclusion: It was observed in the studied sample that the visually impaired were characterized by a global delay in the neuropsychomotor development, mostly in the coordination behavior.

Keywords: Child development; Visual acuity; Psychomotor disorders; Nervous system diseases


 

 

INTRODUÇÃO

A integridade do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) depende da organização dos sentidos pelo sistema nervoso central, sendo este a base para potencializar o desenvolvimento das habilidades humanas, do comportamento e da aprendizagem(1-4). O DNPM realiza-se pelo prazer da criança em experimentar algo novo, como uma aquisição motora ou sensorial. A deficiência visual infantil pode então propiciar eventuais atrasos nesse tipo de desenvolvimento(5).

No processo de desenvolvimento infantil normal, a visão promove a integração das atividades motoras, perceptivas e mentais, ou seja, estabelece uma relação na qual a diminuição das capacidades vitais leva a uma série de comprometimentos em outras áreas do comportamento da criança, causados geralmente pela privação de certos estímulos. Sendo assim, no decorrer dos primeiros anos de vida a integração, a sintetização e a interpretação das informações fornecidas por outros canais perceptivos devem ser amplamente exploradas nestas crianças(6-7).

A representatividade da deficiência visual permite considerar que, todos os anos, cerca de 500.000 crianças menores de 16 anos de idade ficam cegas no mundo, sendo que aproximadamente 90% delas residem em países em desenvolvimento(8-9).

A cegueira infantil representa 3,9% dos casos de cegueira no mundo(5,10-11).

Em função das necessidades destas crianças, os profissionais da área de reabilitação têm procurado desenvolver aspectos conceituais que as caracterizem, orientando-as para o treinamento e a intervenção precoce de acordo com os princípios da medicina de reabilitação e de habilitação(12-13). Por parte dos fisioterapeutas, faz-se necessária a compreensão das características intrínsecas deste grupo para a efetiva intervenção, já que o déficit de integração sensorial pode comprometer o desenvolvimento(14-16). O presente estudo foi desenvolvido tendo por objetivo avaliar o DNPM e também o desenvolvimento visual de crianças com deficiência, já que pesquisas específicas sobre estes aspectos ainda são escassas.

 

MÉTODOS

O presente estudo observacional, de corte transversal, realizou-se após a aprovação do comitê de ética da Universidade de Santo Amaro, em 2007, sob o número 104/2007. Foi desenvolvido no Ambulatório de Habilitação e Reabilitação Visual por um período de seis meses seguindo os princípios da Declaração de Helsinque.

Foram avaliadas individualmente 45 crianças com idade entre 0 e 36 meses (média total de 22,9 meses) de ambos os sexos, cujos pais/responsáveis/cuidadores consentiram na utilização dos dados por meio da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Os participantes foram submetidos a duas avaliações: de DNPM, por meio da tabela elaborada com base na literatura de Arnold Gesell (Anexo 1)(7), composta por quatro escalas comportamentais: motora, de coordenação, de linguagem e social; e de visão funcional, utilizando-se a tabela da American Foundation for the Blind (AFB)(17). Para a aplicação das avaliações foi necessária aproximadamente 1 hora. Os participantes foram distribuídos em dois grupos (experimental e de controle) conforme os critérios de inclusão: crianças sem doenças sistêmicas associadas e sem diagnóstico médico de atraso do DNPM, sendo que no grupo experimental as crianças deveriam apresentar deficiência visual bilateral diagnosticada. Todas as crianças avaliadas permaneceram no estudo. De acordo com os critérios adotados, o grupo controle constituiu-se de 30 participantes (com média de 24,1 meses), enquanto o grupo experimental apresentou apenas 15 crianças (com média de 21,7 meses), sendo que os integrantes deste já realizavam estimulação visual precoce por um período médio de 8,6 horas. Os materiais utilizados e as atividades realizadas foram específicos e baseados na idade cronológica referenciada nas tabelas.

Os resultados obtidos ao término da avaliação permitiram considerar se os comportamentos das crianças estavam adequados ou não à sua faixa etária. Caso estivessem inadequados, seria necessário continuar a avaliação voltando às fases anteriores, a fim de se obter a idade comportamental apropriada. Na análise dos resultados todos os comportamentos foram considerados.

Para a análise da representatividade estatística, os dados deste estudo foram analisados através do teste t de Student e da Análise de Variância (ANOVA), sendo que os valores considerados significativos apresentaram nível de significância de 95% (p<0,05).

 

RESULTADOS

Os valores absolutos obtidos na análise do grupo experimental permitem considerar que o desempenho da coordenação apresentou-se atrasado, ou seja, inadequado quando comparado aos outros, fato referente ao número da amostra totalizando 13 crianças (86,66%). Na tabela 1 nota-se o atraso do DNPM do grupo experimental em todos os comportamentos analisados, em comparação com o grupo controle. Os valores obtidos no comportamento social mostraram-se mais elevados, porém com relevância significativa (p=0,04). Na avaliação da visão funcional tabela 2 notou-se novamente p<0,05.

 

 

 

A comparação entre os diferentes comportamentos advindos do Teste de Análise de Variância (ANOVA) não evidenciou diferença estatística significativa entre os comportamentos de um mesmo grupo (experimental), sendo p>0,05; em contrapartida, as diferenças apareceram quando houve comparação com a média de comportamento do grupo controle (p<0,05), sendo os dados descritos na tabela 3.

 

 

Um dos achados da pesquisa, não relacionado com o objetivo principal, demonstra que a catarata congênita é o acometimento ocular mais frequentemente encontrado no grupo experimental, totalizando 9 crianças, fato também referenciado na literatura(18-21).

 

DISCUSSÃO

Os transtornos de integração sensorial causam alterações no desenvolvimento em diversas áreas comportamentais (motoras, linguísticas, cognitivas e sociais)(22-23). Com base nos dados coletados neste estudo, comprova-se que as crianças com deficiência visual apresentam atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e na visão funcional em comparação com as crianças sem comprometimento, o que também foi confirmado no estudo desenvolvido por Cioni et al.(24).

Os resultados mostraram que o desempenho da coordenação foi o mais comprometido no grupo experimental, o que está de acordo com os achados das pesquisas relacionadas às manifestações que ocorrem nos primeiros anos de vida e que são pobremente experimentadas(24-25). A deficiência visual limita a ação da criança em seu ambiente, o aprimoramento de seus atos motores e a sua vivência em atividades interativas com objetos, ou seja, altera o ambiente através do qual o processo de aprendizagem se desenvolve(14-16,26).

Segundo Glass, o impacto das alterações visuais pode interferir negativamente no estabelecimento de um contato social eficaz, uma vez que as expressões faciais, os gestos e o contato ocular têm um importante papel na comunicação e na interação social(27). A socialização da criança advém do primeiro grupo social ao qual ela pertence, a família, que possui grande responsabilidade na formação afetiva e também pessoal. Quanto ao comportamento social, a análise estatística mostrou valores mais próximos do limite de significância p=0,04. Na literatura, tem-se mostrado que as crianças portadoras de deficiência visual demonstram dificuldades sociais e emocionais que atingem suas famílias, causando assim impactos em termos de qualidade de vida(28-30). Estudos demonstram a preocupação primária com a socialização, porém, comparando este trabalho com o desenvolvido por Navarro e colaboradores, a questão do comportamento da coordenação aparece de forma mais expressiva(31). A tabela do DNPM normal (demonstrada e utilizada neste estudo) possui validação de uso, pois foi possível observar que os atos comportamentais das crianças pertencentes ao grupo controle, em relação à idade cronológica, foram compatíveis; fato notório durante a coleta de dados. Esse fato demonstra ainda a homogeneidade das escalas avaliadas (motora, de coordenação, de linguagem e social), confirmação referida nos resultados após o teste de Análise de Variância. Desta forma, a tabela pode ser utilizada como método de avaliação de crianças com deficiência visual, visto que outros instrumentos de avaliação precoce para essa faixa etária, que envolvem todos os aspectos conceituais similares aos da tabela aplicada, não estão inclusos na prática clínica(25).

 

CONCLUSÃO

Crianças com deficiência visual apresentam atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor e na visão funcional em comparação com as crianças sem esse tipo de deficiência. Referente aos comportamentos abordados na avaliação notou-se, no entanto, que o comportamento da coordenação foi o mais comprometido.

 

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Endereço para correspondência:
Telma da Araújo Souza
Rua Mairipotaba, 52
São Paulo (SP) - CEP 02977-060
E-mail: telmadeas@gmail.com

Recebido para publicação em 09.08.2009
Última versão recebida em 26.10.2010
Aprovação em 03.11.2010

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Reabilitação Visual, Universidade de Santo Amaro -UNISA - São Paulo (SP), Brasil.

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