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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.9 no.2 São Paulo Apr./June 1951

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1951000200003 

Complicações neurológicas por osteomas dos seios paranasais. A propósito de um caso de pneumatocele extradural por osteoma do seio frontal

 

 

R. Melaragno FilhoI; Moysés CutinII

IAssistente da Clínica Neurológica da Fac. Med. da Univ. de São Paulo (Prof. A. Tolosa)
IINeurologista do I.A.P.E.T.C. Assistente de Clínica Otorrinolaringológica da Fac. Med. da Univ de São Paulo (Prof. A. Paula Santos) Otorrinolaringologista do I.A.P.E.T.C

 

 


RESUMO

Os autores relatam o caso de um homem de 38 anos de idade que apresentava uma hemiparesia direita nítida, sem afasia, datando de cerca de um mês. O déficit motor no dimídio direito se iniciara com violenta cefaléia, rebelde ao uso de analgésicos, mas que, pouco a pouco, cedeu completamente. O exame clínico não revelou qualquer causa capaz de explicar a hemiparesia. Liqüido cefaiorraquidiano e exame oftalmoscòpico inteiramente normais. As radiografias simples do crânio mostravam opacificação de consistência compacta no seio frontal e imagem aérea, volumosa, ocupando a maior parte do hemicrânio esquerdo. Os cortes planigráficos sagitais revelaram erosão da parede posterior e do assoalho do seio frontal, sem continuidade com a coleção de ar. Durante a operação foi verificada integridade da dura mater. Dias após a intervenção, a motricidade voluntária do hemicorpo direito já havia melhorado consideravelmente e, um mês após, o exame neurológico foi totalmente negativo. Tratava-se de osteoma ebùrneo.
Após estudar os aspectos otorrinolaringológicos dos osteomas dos seios frontais, os autores consideram as suas eventuais complicações. Assim, se o tumor crescer para o lado, poderá invadir a órbita, causando exoftalmo, proptose e diplopia; expandindo-se para trás, poderá erosar a parede posterior do seio frontal, ocasionando pneumatocele extradural, como ocorreu no caso registrado neste trabalho; sucessivamente, poderá também perfurar a dura mater (pneumatocele subdural), invadir o tecido cerebral (pneumatocele intracerebral) e mesmo se comunicar com o ventrículo lateral (pneumatocele ventricular).
Essas coleções aéreas intracranianas (pneumocéfalos) são eventualidades excepcionais em doença também rara. De fato, até 1941, haviam sido registrados 321 casos de osteomas, dos quais apenas 8 se complicaram de pneumocéfalo: 2 extradurais, 4 intracerebrais e 2 ventriculares. Por outro lado, essas complicações neurológicas de osteomas podem se agravar pela inflamação do seio paranasal infectado.
Comparando os casos de pneumatocele subdural traumático com os determinados por osteomas sinusais, os autores chamam a atenção para a inconstância e a transitoriedade com que, nestes últimos, se evidencia a rinorréia cefalorraquidiana.
Para que se forme a coleção aérea intracraniana é necessário que o duto nasofrontal seja permeável; evidentemente, se este houver sido previamente obliterado pela expansão do tumor, o pneumatocele não poderá se constituir.
Os autores explicam a hemiparesia apresentada pelo paciente, como o resultado de uma compressão da coleção de ar, através da dura mater e dos planos subjacentes, sobre o hemisfério cerebral esquerdo.


SUMMARY

The authors present a case of a man, 38 years old, who presented since a month a right hemiparesia, without aphasia. The paresia in the right side began with a violent headache, which would not give way to the analgesics, but little by little, disappeared completely. A careful general examination did not show any cause capable of explaining the hemiparesia. Ophthalmologic and spinal fluid examinations were absolutely normal. The plain radiograms shows a opacity of compact consistency in the frontal sinus and a voluminous image occupying the largest part of the left side of the skull. The sagital tomographic sections revealed erosion of the posterior wall and floor of the frontal sinus in continuity with the air collection. Once the patient was operated on, the integrity of the dura mater was evident. A few days after the intervention, the voluntary movements of right side of the body had already improved considerably, and a month later the neurologic examination was entirely negative. The removed tumor was an osteoma eburneo.
After studying the otorhinolaryngologic aspects of the osteoma of the frontal sinus the authors consider its eventual complications. If the tumor grows lateral wards, it may invade the orbit, causing exophtalm, proptosis and diplopia; expanding backwards, it may erode the posterior wall of the frontal sinus causing an extradural pneumatocele, as occurred in the case registered in the present paper; it may also successively perforate the dura mater (sub-dural pneumatocele), invade the brain tissue (intra-cerebral pneumatocele), and even communicate with the lateral ventricle (ventricular pneumatocele). These intracranial collections (pneumocephalus) are exceedingly rare eventualities in a rare illness. As a matter of fact, until 1941, 321 cases of "osteomae" had been registered, of which only 8 had complications of pneumocephalus (2 extra-dural, 4 intra-cerebral and 2 ventricular). Besides, these neurologic complications of "osteomae" may get worse with inflammation brought from the infected paranasal sinus.
Comparing the cases of traumatic sub-dural pneumatocele with those determined by sinusal "osteomae" the authors emphasize the inconstancy and transitoriness with which, in the last ones, the rhinorrhea is present.
The naso-frontal duct must be permeable to allow the formation of intracranial aerial collection; evidently if this one has been previous obliterated by the expansion of the tumor, the pneumatocele cannot be produced.
The authors explain the hemiparesia presented by the patient, as the result of a compression by the air collection, through the dura mater and the subjacent plans, on the left cerebral hemisphere.


 

 

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