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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.12 no.2 São Paulo June 1954

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1954000200009 

O bloqueio do gânglio estrelado nas tromboses e embolias cerebrais agudas

 

 

Jorge Armbrust-Figueiredo

Assistente de Neurologia na Escola Paulista de Medicina. Ex-assistente de Neurologia na George Medical Washington Medical School e no Gallinger Municipal Hospital (Prof. Walter Freeman), Washington, D.C., U.S.A.

 

 


RESUMO

O autor apresenta os resultados obtidos com o emprego do bloqueio do gânglio estrelado em 43 casos de acidentes vasculares cerebrais agudos. Destes, 31 pacientes sofriam de trombose cerebral sem complicação, 5 de trombose cerebral com insuficiência cardíaca e 7 de embolia cerebral. Em todos os casos a infiltração foi efetuada empregando-se uma solução de novocaína a 1% e usando-se a via anterior para atingir o gânglio.
Foram efetuadas 521 infiltrações no total de 43 enfermos. Ligeiras complicações surgiram em alguns casos: a veia jugular foi atingida em 21 ocasiões, em 5 casos a carótida comum foi puncionada e em um caso a pleura foi atingida. Não surgiram dificuldades posteriores. Os bloqueios foram sempre efetuados o mais precocemente possível em cada um dos casos e repetidos cada 12 horas, pelo menos durante 4 dias. Os resultados obtidos com essa terapêutica foram considerados de acordo com o tipo de acidente vascular e com o tempo decorrido entre a instalação do acidente vascular e a infiltração do gânglio estrelado.
Os melhores resultados foram obtidos naqueles pacientes em que o bloqueio foi realizado nas primeiras 16 horas. De 32 pacientes, 20 obtiveram melhora imediata após a primeira infiltração e 31 melhora evidente após o oitavo bloqueio. Dos 8 enfermos tratados entre as primeiras 17 e 24 horas, 2 melhoraram imediatamente e 4 após o oitavo bloqueio. Dois pacientes tratados após as primeiras 24 horas não apresentaram melhora.
De acôrdo com o tipo de acidente vascular, os melhores resultados foram registrados no grupo das tromboses sem complicação. De 31 en- fermos, 28 apresentaram grande melhoria de seu estado ao fim de 4 dias de tratamento. Dentre os 5 enfermos com história de trombose cerebral e insuficiência cardíaca, apenas 2 apresentaram melhoria e dos 7 casos de embolia 5 tiveram boa recuperação.
Em 11 casos foi obtido o EEG imediatamente antes e 1 e 4 horas após o bloqueio. O traçado realizado antes do tratamento mostrou ondas lentas de baixo potencial que, contudo, desapareceram em 9 casos por ocasião do terceiro exame. Em outros dois casos, justamente aqueles em que não houve melhora clínica, as ondas lentas e de baixo potencial persistiram ao exame.
Em outros 5 enfermos, o fluxo sangüíneo cerebral foi determinado antes e 5 horas após o bloqueio. Embora 4 enfermos apresentassem melhora clínica evidente, somente em um caso o valor do fluxo mostrou-se mais elevado após a infiltração do estrelado.
O autor conclui que o bloqueio do gânglio estrelado 6 o melhor tratamento de que se dispõe na atualidade para os casos de tromboses e embolias cerebrais agudas.


SUMMARY

The author presents the results obtained by using the stellate ganglion block in 43 cases of acute cerebral vascular accidents. Thirty one patients had cerebral thrombosis with no complications, 5 had thrombosis complicated by cardiac decompensation and 7 had cerebral embolism.
In all cases the blocks were made by using a one per cent solution of procaine hydrochloride and the ganglion was always reached using the anterior approach.
The stellate blocks were always made as early as possible and repeated every 12 hours, at least during the first four days. The results obtained were considered according to the type of vascular accident and to the time between the onset of symptoms and the stellate block.
The best results were obtained in those patients who received treatment within the first 16 hours after the onset of their symptoms. From 32 patients 20 showed immediate improvement after the first block and 31 patients showed marked improvement after the eighth block. Eight patients had the first stellate block between 17 and 24 hours after the onset of their symptoms; 2 showed immediate improvement and 4 had improved after the onset of their symptoms; 2 showed immediate improvement and 4 had improved after the eighth block. Two patients had the stellate block 24 or more hours after the onset of the symptoms and did not show any improvement.
According to the type of vascular accidents, the best results were obtained in that group of uncomplicated thrombosis. From 31 patients 28 showed marked improvement at the fourth day of treatment. Two patients out of 5 with complicated thrombosis and 5 out of 7 with cerebral embolism had good recovery.
Electroencephalogram were recorded in 11 cases immediately prior and 1 hour and 4 hours after the first stellate block. The correlation betweei* the changes in the EEG and the clinical picture was always present.
The cerebral blood flow was obtained in 5 cases immediately prior and 5 hours after the first block. Even though 4 patients had presented clinical improvement only in one case the blood flow showed increase in its value after the first block.
The author concludes thai the stellate block is the best treatment at present time for acute cerebral thrombosis and embolism.


 

 

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Trabalho realizado no Gallinger Municipal Hospital, Washington, D.C.

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