SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.12 issue4Tratamento das paralisias faciais infranucleares pelo tartarato de ergotaminaParalisia facial periférica nos doentes de hipertensão arterial author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.12 no.4 São Paulo Dec. 1954

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1954000400007 

Tratamento da paralisia facial de Bell pela cortisona

 

 

A. Akerman

Professor de Clínica Neurológica na Escola Paulista de Medicina

 

 

Encontradiça na clínica, a paralisia de Bell apresenta etiología muito discutida. Pesquisas dos últimos anos, em particular verificações cirúrgicas, na fase inicial, parecem estabelecer que o mecanismo mais plausível de sua produção seria um edema inflamatorio agudo do nervo ou das partes que o constituem, assim como de seus envoltórios. A reação congestiva ou inflamatoria inespecífica (fenômenos vasomotores, exsudação), por si só, ou a conseqüente isquemia do nervo e sua bainha, no canal ósseo, bloqueariam o fluxo nervoso. Os mais diversos fatores poderão desencadear essas reações: infecções mínimas das vias respiratórias superiores, infecções otológicas subclínicas, exposição ao frio, vento, etc. Há, incontestàvelmente, predisposições individuais, anatômicas e reacionais. Embora grande parte das paralisias de Bell cure espontaneamente, ao fim de algumas semanas, certo número persiste, criando sérios problemas clínicos. Sabe-se que a duração da fase aguda, antes de se iniciarem as melhoras, influi decisivamente na freqüência das seqüelas, em conseqüência da degeneração do nervo.

O emprêgo da cortisona, na paralisia de Bell, foi sugerido por Rothendler, em 1951, baseado nas propriedades desse esferoide de inibir o edema e os processos inflamatorios em geral.

Tratamos, pela cortisona, nos primeiros dias da instalação da paralisia facial periférica, 10 pacientes, dos quais 2 crianças. A recuperação completa das funções fêz-se em 9 casos em menos de duas semanas, e no décimo caso, no fim da terceira semana.

Parece-nos, diante dessas observações, que a cortisona é um agente terapêutico eficaz quando utilizado a tempo, isto é, logo no início da instalação da paralisia facial. Entretanto, para chegar-se a conclusões mais definitivas, é óbvio ser necessária casuística mais numerosa, pois trata-se de processo patológico que, muitas vezes, evolui espontaneamente para a cura.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License