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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.29 no.1 São Paulo Mar. 1971

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1971000100013 

Análises de livros

 

 

DIE LIPIDE DES NORMALEN UND PATHOLOGISCHEN LIQUOR CEREBROSPINALIS. Harmut Pilz. Monografia (16,5 x 24,5) com 123 páginas, 4 figuras e 23 tabelas. Springer Verlag, Berlin-Heidelberg-New York, 1970.

Esta monografia visa à atualização dos conhecimentos sobre os compostos lipidícos presentes no líquido cefalorraqueano (LCR). Após capítulo inicial no qual os diferentes lípides são relacionados, a matéria de estudo é distribuída em quatro capítulos com ordenação didática. No primeiro são descritos e comentados aspectos da metodologia empregada para a determinação das diferentes substâncias lipídicas, sendo dada ênfase às aplicações da cromatografia em camada fina. Os resultados obtidos são analisados no capítulo seguinte, sendo destacados aqueles que se referem aos lípides totais, colesterol e seus ésteres, fosfatídes, glicolípides e ácidos graxos. O capítulo terceiro é dedicado a estudos comparados de lípides do parênquima nervoso, do LCR e do soro sangüíneo. No último são comentados os problemas oriundos dos resultados apresentados. Minuciosas tabelas contendo dados colhidos na literatura e os resultados obtidos pelo próprio autor permitem avaliar o conjunto das pesquisas já realizadas neste campo, pois abrangem cifras obtidas desde os estudos primordiais quanto à bioquímica do LCR até as mais recentes pesquisas utilisando técnicas e aparelhagens das mais modernas. Através dessas tabelas, todas criteriosamente analisadas, o leitor tem idéia exata sobre as dificuldades inerentes ao estudo dos vários compostos lipidícos no LCR, encontrando explicação para muitas das disparidades assinaladas entre os dados registrados pelos pesquisadores que se dedicaram ao assunto. A revisão feita nesta monografia e os pertinentes comentários feitos por seu autor tornam indispensável sua leitura por parte daqueles que se dedicam ao estudo químico do LCR normal e patológico, sendo de lamentar que a edição tenha sido apresentada em idioma germânico, cerceando sua divulgação entre os estudiosos.

A. Spina-França

 

JAKOB-CREUTZFELD DISEASE. W. R. Kirschbaum. Um volume encadernado com 251 páginas, 65 figuras e várias tabelas. Elsevier Publishing Co., New York, 1968.

Inicialmente Kirschbaum refere e comenta os cinco casos originais relatados por Jakob (1921) e o único caso descrito por Creutzfeld (1920), justificando sua opção eponimica, dando primazia a Jakob por seus estudos mais completos. Em seguida são referidos sucintamente 150 casos coligidos na literatura entre 1920 e 1965, seguidos de comentários quanto aos grupos etários acometidos, ao tempo de evolução da doença, aos substratos anátomo-patológicos nas várias formas descritas (tipo Jakob, tipo Heidenhaim, tipo cerebral difuso). No que respeita ao quadro clínico, em que pese o polimorfismo das manifestações, é tentada uma padronização com a descrição de várias tormas clínicas e com o desdobramento da evolução da doença em três estágios, sendo particularizados o quadro de progressiva desagregação mental e o agravamento constante dos distrúbios motores pirâmido-extrapiramidais. Os aspectos eletrencefalográficos são analisados detalhadamente e valorizados como meio auxiliar para o diagnóstico. Depois de comentar alguns casos melhor estudados ,tanto esporádicos como aparentemente hereditários, Kirschbaum analisa os aspectos neuropatológicos macro e microscópicos. Fundamentalmente as alterações histológicas são constituídas por degeneração neuronal e hipertrofia da astroglia; o estacfo esponjoso, embora ocorra na maioria dos casos, não é patognomônico da doença. Aspectos da ultraestrutura também são comentados pois vieram a demonstrar a ausência de patologia vascular na etiopatogenia da moléstia.

W. Sanvito

 

OCCLUSIVE LESIONS OF THE CERVICAL ARTERIES IN PATIENTS WITH ISCHEMIC CEREBROVASCULAR DISEASES. A CLINICAL AND ANGIOGRAPHIC STUDY OF 213 PATIENTS. R. Fogelholm. Monografia (16x24) com 64 páginas e 41 tabelas. Suplemento nº 42 de Acta Neurológica Scandinavica. E. Munksgaard, Copenhagen, 1970.

Estudo de pacientes com doença isquêmica cerebral visando a verificar o papel das lesões oclusivas das artérias cervicais na patogênese desta doença, bem como estabelecer possíveis relações entre lesões oclusivas das artérias cervicais e vários outros fatôres geralmente associados com arterioesclerose. De início, o autor faz revião de literatura, focalizando: a) a qualidade e localização das lesões oclusivas nas artérias cervicais e intracranianas; b) multiplicidade de lesões oclusivas nas artérias extra e intracranianas e sua dependência com idade e sexo; c) a fisiopatologia da isquemia cerebral; d) a correlação de lesões oclusivas extra e intracranianas tom sintomas de isquemia cerebral; e) a correlação de lesões oclusivas arterioescleróticas nas artérias cerebrais extra e intracranianas com hipertensão, diabete e níveis de lípides plasmáticos. O material consta de 213 pacientes com isquemia cerebral examinados, mediante angiografia do arco aórtico, no Departamento de Neurologia da Universidade de Helsinki, no período de dezembro de 1966 a dezembro de 1968, O autor realizou um estudo completo destes pacientes (anamnese, exame neurológico, estudo angiográfico e outros processos radiológicos, eletrencefalograma, mapeamento cerebral, eletrocardiograma e exames de laboratório). Bem expostos e tabelados, os resultados agrupam-se em 6 itens: o) anamnese e achados do exame neurológico; b) estudo angiográfico; c) correlações entre achados neurológicos clínicos e lesões oclusivas das artérias cervicais; d) estudo eletrencefalográfico e mapeamento cerebral; e) doenças significativas concomitantes (tabagismo, hipertensão arterial, alterações eletrocardiográficas, aumento do colesterol sérico, de triglicérides séricas, da glicemia); /) correlação de lesões oclusivas das artérias cervicais e outras características da série. Seguem-se alguns destes resultados: a) doença isquémica transitória foi a mais freqüente; b) a correlação entre grau de oclusão nas artérias cerebrais extra e intracranianas foi considerável; c) a grande maioria dos pacientes era tabagista; d) hipertensão arterial e alterações do eletrocardiograma sugerindo doença coronária, ocorreram em alta percentagem; e) não houve correlação entre os valores de colesterol e glicose séricos e oclusão nas artérias cerebrais extra e intracranianas. Finalmente, comentários muito apropriados analisam os resultados, comparando-os com os dados de literatura.

Pedro Garcia Lopes

 

DIE KOMBINATION HYSTERISCHER UND EPILEPTISCHER ANFALLE. Franz Rabe. Monografia com 112 páginas, encadernada. Volume 5 da série Schriftenreihe Neurologie. Springer Verlag, Berlin-Heidelberg-New York, 1970.

A coexistência de crises histéricas e epilépticas no mesmo doente tem sido assinalada desde fins do século passado, tendo recebido, inicialmente, a denominação de histeria epileptiforme. Ulteriormente Charcot a rotulou como histero-epilepsia, salientando que as crises histéricas e epilépticas poderiam estar combinadas tanto de modo sucessivo como simultâneo. No início deste século a combinação histeria-epilepsia foi contestada por vários autores e, mesmo, relegada, por alguns, a completo esquecimento. No entanto, nas últimas décadas, o assunto vem novamente despertando interesse, com muitos debates de opiniões. Pelo que registra a literatura verifica-se que as descrições clínicas desta combinação apresentam uma continuidade desde os tempos de Charcot até os dias atuais, em que pese as mais diversas e contraditórias interpretações. A histero-epilepsia em crises sucessivas e distintas corresponde ao que se observa em pacientes reconhecidamente epilépticos que apresentam, vez por outra, quadros agudos de caráter pitiático, ao passo que a coexistência, ou seja, a simultaneidade das crises, constitui síndrome diferente conhecida sob diversas denominações (epilepsia reativa, epilepsia afetiva). A monografia de Franz Rabe é fruto de trabalho bem organizado, baseado em observações pessoais e em ampla revisão bibliográfica, sendo redigida sob excelentes moldes didáticos. Após um resumo histórico no qual são ressaltadas as conceituações de epileptólogos de renome, são expostas as opiniões bastante diversificadas que existem sobre a associação da epilepsia à histeria, sendo discutida a posição nosológica de ambas as entidades, seguindo-se um capítulo reservado ao estudo das possibilidades e limitações do diagnóstico diferencial entre os dois tipos de crises. Os aspectos clínico-eletrencefalográficos são amplamente ventilados, sendo salientada a importância das pesquisas psicológicas e sociais no sentido de apurar a existência de possíveis tendências neuróticas dos pacientes. As bases terapêuticas para tratamento desta combinação mórbida são expostas com clareza e relativa concisão, sendo salientada a necessidade da estabilização dos pacientes no ambiente familiar e social, assim como a metodização de suas ocupações físicas e mentais.

Juvenal Rogério

 

INFANTILE AUTISM. A CLINICAL AND PHENOMENOLOGICAL-ANTHROPOLOGICAL INVESTIGATION TAKING LANGUAGE AS THE GUIDE. G. Bosch. Um volume encadernado com 158 páginas. Versão inglesa do original alemão publicado em 1962. Springer Verlarg New York Inc., New York, 1970.

Encontramos neste livro valiosas sugestões, não só para a avaliação, diagnóstico e tratamento como para a compreensão do autismo infantil. Os casos estudados revelam como as crianças autistas podem ter diversas atitudes deante do mundo. Uma delas não somente consegue estudar e compor música como também participa do grupo de sua idade, apesar de contínua dificuldade de contacto. Outras encontram dificuldade predominante na aprendizagem e no relacionamento, permanecendo a vida toda desintegradas do ambiente à sua volta. Verificando a riqueza de dados semiológicos que a linguagem oferece, Bosch desenvolve o estudo, analisando como evolui a fala nos autistas salientando o retardo no uso do pronome "eu" e dos possessivos meu, seu. Como a criança não distingue o seu mundo do "mundo à sua volta" também não se estrutura o "having". São comentadas também as perturbações da "ação", das "perguntas e respostas", do "outro" da representação e da imitação. Analisando o processo fenomenológico, seguindo Husserl e concordando com Minkowski, Bosch critica a maneira simplista de se considerar o autismo retratado no "inner-world", ou a completa falta de contacto, quando há possibilidade de se descrever relações dectetáveis com o mundo. Ao descrever as manifestações autistas comparadas com a atividade da criança normal, Bosch insiste em que nenhuma de suas crianças apresentou completa falta de contacto. Havia sempre uma ligação com o meio semelhante àquela dos primeiros meses de vida, que êle chama de "symbiotic link". Finalmente, em apêndice, é feito interessante confronto de diferentes opiniões relacionadas com os diversos critérios para o diagnóstico, sendo referidas as de Creak (1961), O'Gorman (1964) e Geyer, do próprio grupo de Bosch, que estuda 14 casos tratados em sua clínica; esses pacientes foram observados antes e depois da terapia. Quanto ao quociente intelectual, variava de —32 até 105. Os principais sintomas estudados foram: distúrbio de contacto interpessoal, tendência a manter a mesma situação e distúrbio de linguagem. Nas crianças muito retardadas não-verbais, o único progresso notado foi um contacto básico com pessoas (olhar, receber e dar afeição). Houve maior progresso no grupo representado por crianças com QI normal. O tratamento exige, em geral, a separação da criança, para quebrar inicialmente a rotina autística; é importante também o tratamento pedagógico e medicação leve. A terapia foi feita em grupo seguindo os estágios que individualmente eram exigidos por cada criança.

Beatriz H. Whitaker Ferreira

 

TEST DE LAS BOLITAS. GRUPO E IMAGEM. R. J. Usandivaras, D. Romanos, H. Hammond e E. Issaharoff. Manual (16 x 25) encadernado com 134 páginas, 14 ilustrações e 6 pranchas em cores. Volume 30 da série Biblioteca de Psicometria y Psicodiagnostico. Editorial Paidós, Buenos Aires, 1970.

Os autores apresentam um novo método de avaliação para pequenos grupos de pacientes. A base do teste é constituida por figuras formadas pelas bolinhas que cada grupo deve realizar em conjunto. A análise das imagens plásticas permite que se tenha uma visão das características individuais, do nível de integração grupal e das defesas individuais que variam de acordo com a personalidade de cada um. O material consiste de um taboleiro com orifícios e 20 bolinhas da mesma côr para cada participante do grupo. E todos juntos devem formar algo no taboleiro. Os autores utilizam o teste para "selecionar pacientes para formar grupos terapêuticos". A análise do teste permitirá que se faça o prognóstico e, ulteriormente, com o estudo comparativo de avaliações, poderão ser observados os resultados do processo terapêutico, através do progresso notado nas várias sessões. Foram estudados de modo sistemático grupos de psicóticos e grupos de crianças com distúrbios de aprendizagem. A dislexia manifesta-se no teste pelos transtornos de percepção no espaço. O autor termina com um convite ao leitor para prosseguir no estudo dessa investigação científica, cuja creatividade artística poderia ser analisada em pesquisas ulteriores.

Beatriz H. Whitaker Ferreira

 

 

Livros e monografias recebidos

Nota da Redação — A notificação dos livros recebidos não implica em compromisso da Redação da revista quanto à publicação de uma apreciação. Todos os livros e monografias recebidos são arquivados na biblioteca da Clinica Neurológica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

INFANCIA Y SOCIEDAD. Erik H. Erikson. Um volume (14,5x22,5) com 382 páginas. Versão castelhana da segunda edição norte-americana. Ediciones Hormé S.A.E., Buenos Aires, 1970.

INFANTILE AUTISM. A CLINICAL AND PHENOMENOLOGICAL-ANTHROPOLOGICAL INVESGATION TAKING LANGUAGE AS THE GUIDE. G. Bosch. Um volume encadernado com 358 páginas. Springer Verlarg New York Inc., New York, 1970. Preco: US$ 10,50.

CATECHOLAMINE TURNOVER IN CENTRAL NERVOUS SYSTEM. Torgny person. Monografia (15x22) com 57 páginas. Dissertação inaugural. Elanders Boktryckeri AB, Goteborg, 1970.

METABOLISM OF GANGLIOSIDES. A STUDY WITH SPECIAL REFERENCE TO HUMAN BRAIN GANGLIOSIDE SIALIDASE. rolf Ohman. Monografia (15 x 22) com 34 páginas. Dissertação inaugural. Elanders Boktryckeri Aktiebolag, Göteborg, 1970.

FACTORS INFLUENCING THE AUTONOMIC COMPONET OF THE DEFENCE REACTION. Bjorn Lisander. Monografia (16 x 23) com 42 páginas, suplemento n.º 351 de Acta Physiologica Scandinavica. Orstadius Boktryckeri Aktiebolag, Göteborg, 1970.

POSTNATAL DEVELOPMENT OF SPINAL ANTERIOR HORN NEURONES IN NORMAL AND UNDERNOURISHED RATS. Matti Haltia. Monografia (16x23) com 70 páginas, 10 tabelas e 25 ilustrações. Suplemento n.° 352 de Acta Physiologica Scandinavica, Helsinki, 1970.

ESTUDIO PSICOANALITICO DE LA PERSONALIDAD. W. R. D. Fairbairn. Urn volume encadernado (15,5x23) com 294 páginas. Versão castelhana da 3.ª edição inglesa. Ediciones Hormé, Buenos Aires, 1970.

NINES Y ADOLESCENCIA. L. J. Stone e J. Church. Um volume encadernado (20,5 x 29) com 350 páginas e 85 figuras. Versão castelhana da segunda edição norte-americana. Ediciones Hormé, Buenos Aires, 1970.

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