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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

versão impressa ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.31 no.1 São Paulo mar. 1973

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1973000100002 

Os basófilos do líquido cefalorraqueano

 

The basophil granulocytes in the cerebrospinal fluid

 

 

João Baptista dos ReisI; Ivan MotaII; Antonio BeiI; João B. dos Reis FilhoIII; Eliova ZukermanI

IDepartamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina, São Paulo, Brasil: Professor Adjunto da Escola Paulista de Medicina
IIDepartamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina, São Paulo, Brasil: Professor Associado da Universidade de São Paulo
IIIDepartamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina, São Paulo, Brasil: Assistente voluntário da Escola Paulista de Medicina

 

 


RESUMO

Os autores antigos e atuais não deram a devida consideração aos basófilos do líquido céfalorraqueano (LCR) apenas havendo referências isoladas e imprecisas na literatura. Alguns pesquizadores referem-se a estas células simplesmente como basófilos; outros afirmam que só há basófilo de tecido (mastócito) no LCR. O propósito do presente trabalho foi o de relatar os resultados dos estudos sobre os basófilos do LCR.
O material é constituído pelas observações de 300 pacientes neurológicos com moléstias ou condições mórbidas diversas em cujo LCR foi assinalada a presença destas células basófilas. Os resultados destes estudos permitiram a seguintes conclusões: 1) os basófilos do LCR são morfologicamente identificáveis com os basófilos sangüíneos; 2) a falta de correlação percentual entre as células do LCR e sangue sugere que estes basófilos têm a sua origem nas leptomeninges e, neste sentido, são basófilos de tecido; 3) deve ser considerada a hipótese da presença simultânea de basófilo e de mastócito no LCR; 4) os basófilos foram encontrados no LCR de numerosos pacientes com processos inflamatórios agudos do sistema nervoso central, particularmente nas meningites linfocitárias, meningo-encefalites e meningo-mielites, em percentagem que variou de 0.1 a 18%; 5) em muitos casos em que existe um quadro agudo de alterações do LCR conseqüentes à reação a corpo extranho, tais como casos de parasitoses do sistema nervoso central, de hemorragia e de Insuflação de ar no espaço sub-aracnóide, os basófilos foram observados em percentagem que variou de 0.1 a 11%; 6) em muitos destes pacientes, nos quais é provável haver uma reação imuno-alérgica, os eosinófilos e as células plasmocitárias estavam presentes em associação com os basófilos; 7) a presença dos basófilos no LCR é de duração efêmera durante o curso da moléstia ou condição mórbida; 8) habitualmente os basófilos aparecem em casos com pleocitose, mas não é excepcional o achado destas células com contagem global normal; 9) ainda nada se sabe sobre a significação dos basófilos no LCR em relação com as moléstias do sistema nervoso central, assunto que constitui campo aberto para pesquisa clínica e investigação experimental; 10) seria tentador sugerir que a presença dos basófilos no LCR faça parte das alterações citológicas indicadoras de reação imuno-alérgica em sua fase aguda.


SUMMARY

The references to the basophil type of granulocyte of the abnormal cerebrospinal fluid are strictly limited and deficient. Some authors describe them as tissue basophils (mast cells) stating that there are no basophil granulocytes in the spinal fluid. The purpose of this paper is to contribut to the study of this subject. The material of the study consisted of the clinical records of 300 neurologic patients whose spinal fluid cytologic examinations revealed the basophils. The results of these studies showed that the basophils of the cerebrospinal fluid and the blood basophils are morphologically identical. However, the lack of correlation between the number of basophils in the blood and in the spinal fluid suggests that the basophil of the spinal fluid comes from the leptomeninges and in a sense it is a tissue basophil. In the group of patients with inflammatory diseases of the nervous system (Group 1), mostly cases of lymphocytic meningitis, meningo-encepha- litis, and meningomyelitis, the basophils ranged between 0.1 and 18 per cent. In the cases of purulent and tuberculous meningitis the basophils were observed in a lesser number (0.1 to 5 per cent). In the group of patients with changes in the cerebrospinal fluid due to subarachnoid hemorrhage, brain cysticercosis and air injected into the subarachnoidal space (Group 2), the basophils ranged between 0.1 and 11 per cent. In several patients plasma cells and eosinophils were frequently observed in association with the basophil leucocytes. There was a good correlation between basofils and eosinophils in the group of patients with problable immune-allergic reactions (Group 2). Basophils disappear rapidly from the spinal fluid after the onset of the disease. Usually basophils are seen in cases with spinal fluid pleocytosis, but it is not uncommon to observe them in cases with normal cell count.
We know nothing about the meaning of the spinal fluid basophil in relation to central nervous system diseases and this is a field open to clinical and experimental investigations. It would be tempting to suggest that basophils do appear in the spinal fluid as part of the cytologic changes which point out to an immune-allergic reaction in its acute phase.


 

 

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