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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.32 no.1 São Paulo Mar. 1974

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1974000100004 

Tolerância a agente curarizante provocada pela administração repetida da droga

 

Tolerance to curarizing drug induced by chronic administration: an experimental study

 

 

Antonio Carlos ZaniniI; Octavio SlemerII; José Edmilson FernandesIII

IDepartamento de Terapêutica Clínica da Faculdade de Medicina e do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo: Professor
IIDepartamento de Terapêutica Clínica da Faculdade de Medicina e do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo: Técnico farmacologista
IIIDepartamento de Terapêutica Clínica da Faculdade de Medicina e do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo: Assistente de Terapêutica Clínica

 

 


RESUMO

Baseados em teoria discutível segundo a qual a miastenia grave é provocada pela presença no sangue de substância curarizante liberada pelo timo, tentou-se reproduzir um modelo experimental. Foram utilizados 40 ratos, criados nas mesmas condições, nascidos no mesmo dia, pesando ao redor de 350 g e divididos em 4 grupos: o Grupo I não foi manuseado; no Grupo II foi injetada solução fisiológica, 1 ml i.p. durante 6 semanas; no Grupo III foi injetada a dimetil tubocurarina (DMT) 2,8 mcg/kg i.p., durante o mesmo tempo; no Grupo IV 14 mcg/kg da mesma droga foram injetados i.p. Uma semana após a última injeção i.p. os ratos, anestesiados, foram preparados para registro neuromuscular. O nervo ciático foi estimulado nas freqüências de 0,33 pulsos/seg, 70 pulsos/seg (séries de 10 pulsos a intervalos de 3 seg), 70 pulsos/seg (mantidos por 15 seg) e novamente 0,33 pulsos/seg logo após a tetanização. A dose curarizante de DMT foi determinada por uma "terceira parte cega" quando 80% do bloqueio era alcançado.
Quando apenas 10 estímulos em alta freqüência foram aplicados ao nervo, foi observada diferença significativa (p<0.05) na resposta: Grupo I, 46,50 ± 20,00 g+; Grupo II, 55,25 ± 11,33 g+; Grupo III, 37,25 ± 10,77 g+; Grupo IV 37,00 ± 12,74 g+. Diferenças significantes de força muscular foram também observadas após a tetanização mantida: Grupo I, 79,00 ± 16,21 g+; Grupo II, 76,75 ± 15,23 g+; Grupo III, 59,12 ± 17,38 g+; Grupo IV, 61,62 ± 14,74 g.
Doses significamente mais altas de curare i.v. foram necessárias no grupo injetado diariamente com a maior dose de curare do que em qualquer dos outros grupos (p < 0,01): Grupo I, 3,62 ± 1,17 mcg/kg; Grupo II, 3,69 ± 1,21 mcg/kg; Grupo III, 4,01 ± 0,80 mcg/kg; Grupo IV, 5,48 ± 1,40 mcg/kg.
Tais resultados mostram que a administração crônica do curare leva ao enfraquecimento físico e hiposensibilidade à droga. Isto sugere que embora a existência de substância curarizante no sangue humano possa realmente contribuir para a fraqueza muscular do paciente miastênico, o curare sangüíneo não tem importância fundamental na patogênese da síndrome, pois o miastênico é altamente sensível à injeção de qualquer substância curarizante.


SUMMARY

The trial is a temptative experimental model of myasthenia gravis based on a doubtful theory whereby this disease is atributed to circulating curare in blood. Forty rats kept under the same conditions, bom on the same day and weighing around 350 g entered the trial, divided in four groups. Group I was not handled, Group II was injected with saline, 1 ml i.p. Group III was submitted to dimethyl tubocurarine iodide (DMT) 2,8 mcg/kg i.p. and Group IV received 14 mcg/kg, all solutions being administered daily for a six-week period. One week after the last rats were anesthetized and prepared for cyatic-gastrocnemius neuro-muscular recording. Monopolar pulses were given at frequencies of 0.33 p/sec, 70 p/sec, (trains of 10 pulses at 3 sec intervals), 70 p/sec (kept for 15 sec) and again 0.33 p/sec right after tetanus. Curarizing effective dose of DMT was determined by a "third part blind" when a 80% block was attained.
When only 10 high frequency stimuli were applied to the nerve, a significant difference (p<0.05) in response was observed: Group I, 46.50 ± 20.00 g+; Group II, 55.25 ± 11.33 g+; Group III, 37.25 ± 10.77 g+; Group IV, 37.00 ± 12.74 g+. Significant differences in muscular force were also observed with sustained tetanus: Group I, 79.00 ± 16.21 g+; Group II, 76.75 ± 15.23 g+; Group III, 59.12 ± 17.38 g+; Group IV, 61.62 ± 14.74 g.
Significant higher doses of curare i.v. were necessary in the group injected daily with the highest dose of curare than in any other group (p < 0.01): Group I, 3.62 ± 1.17 mcg/kg; Group II, 3.69 ± 1.21 mcg/kg; Group III, 4.01 ± 0.80 mcg/kg; Group IV, 5.48 ± 1.40.
These results show that chronic administration of curare leads to physical weakness and hyposensitivity to the drug, thus suggesting that although the existence of a curarizing drug in the human blood may in fact contribute for the muscular weakness of the myasthenic patient, the blood curare does not play a major role in the pathogenesis of the syndrome since the myasthenic patient is highly sensitive to the injection of any curare.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

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Departamento de Terapêutica Clínica — Faculdade de Medicina — Caixa Postal 2921 — 01000 São Paulo, SP — Brasil.
Trabalho realizado com auxílio da Fundação de Amparo a Pesquisa no Estado de São Paulo (Auxílio 68/002).

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