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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.41 no.3 São Paulo Sept. 1983

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1983000300012 

ANÁLISES DE LIVROS

 

 

CEREBROVASCULAR INSUFFICIENCY. JOHN J. BERGAN & JAMES S. T. YAO. Urn volume com 609 páginas. Grune & Stratton, New York, 1983. Preço US$ 65,00.

Este livro trata de tema primordialmente neurológico, a insuficiência vascular cerebral, enfocado por dois especialistas em cirurgia vascular, com a colaboração de equipe constituída, em sua quase totalidade, de neurocirurgiões ou cirurgiões vasculares.

Eastcott, um de seus pioneiros, abre o primeiro capítulo com revisão histórica do início da cirurgia carotídea. O termo «carótida» deriva do grego «Karotides», «Karoo» (estupefação) pois essa seria a conseqüência da compressão dessas artérias. A patologia das carótidas e suas conseqüências experimentaram, com o tempo, alterações de conceito que acompanharam a investigação através de novos equipamentos, assim como alterações da terapêutica e de seus resultados. A parte II desse livro enfaixa, sob o título «Considerações Básicas», 5 capítulos de relevante atualidade: a distribuição de placas ateroscleróticas e perfis de velocidade do fluxo na bifurcação carotídea (Zarins, Giddens e Glagov), a interação plaqueta-vaso na doença cerebrovascular e o papel das prostaglandinas (Salzman); o significado da hemorragia no interior da placa na patogênese da aterosclerose carotídea (Lusby, Ferrell e Wylie); a avaliação da isquemia cerebral em suas formas transitórias, focais, lateralizadas e ataques isquêmicos não-hemisféricos (Dyken) e, finalmente, o tratamento médico de pacientes com ataques isquêmicos transitórios (Fields). Nesses capítulos, todos eles de relevante atualidade, estuda-se, entre outros assuntos, o papel das prostaglandinas como promissoras drogas antitrombóticas. A prostaciclina, por exemplo, previne a adesividade plaquetária e evita a formação de trombos no subendotélio vascular exposto. Os subsídios para o diagnóstico (Partes II e III) através da radiografia digital, são avaliados, sucessivamente quanto ao diagnóstico da estenose da artéria carótida interna (Turnipseed) e para a avaliação da reconstrução cirúrgica da artéria carótida interna extracerebral (Hertzer e Modic).

Interessante assinalar o papel substitutivo que a radiografia digital vem exercendo em detrimento da angiografia cerebral convencional através de cateterismo arterial. Com efeito, a radiografia digital, como método de contrastação arterial, promete tornar o diagnóstico e o manejamento de doenças braquiocefálicas mais simples, mais seguro e menos traumático para o paciente. Besta forma, está muito mais indicada do que a angiografia cerebral na investigação de lesões carotídeas assintomáticas. A angiografia por catéter deve ser reservada para uma investigação mais ampla, em pacientes assintomáticos, em que uma intervenção cirúrgica for planejada.

Na IV parte da obra são revistos os processos de diagnóstico não invasivos: a pulso-doppler arteriografia- (Sumner, Russell e Miles) e o uso da freqüência espectral na análise dos resultados de cirurgias na artéria carótida interna (Zierler, Roederer e Strandness). Outros processos de investigação, alguns ainda não empregados habitualmente no Brasil, são revistos. A parte V do livro é dedicada ao estudo da cirurgia da artéria carótida interna em patologias ateroscleróticas. Inicialmente, Moore estuda o significado e o tratamento da placa carotídea ulcerada. Conclui que os êmbolos partidos de lesões ulceradas da artéria carótida interna constituem a causa mais freqüente de ataque isquêmico transitório e do icto; estes êmbolos podem ser liberados na ausência de estenoses hemodinamicamente significantes. Na opinião de Moore, a endarterectomia carotídea elimina virtualmente o risco de icto em um follow-up que se estendeu por 96 meses.

Logo a seguir, McIntyre e Goldstone estudaram a circulação carotídea na vigência de um ataque isquêmico transitório, em casos em que esses episódios eram repetidos e amiudados, assim como no icto em progressão. Um problema, revisto a seguir por Thompson, Talkington e Garrett, de grande interesse prático, é a atitude do médico face a um sopro carotídeo assintomático. É sempre um tema controverso e estudos prospectivos nem sempre são conclusivos. Entretanto, o advento da radiografia digital, sem risco e não propriamente invasiva, parece haver equacionado o problema pela visibilização direta da área suspeita.

Schuler, Flanigan e Williams registram seus resultados na endarterectomia carotídea. O significado da cirurgia da artéria carótida externa, habitualmente considerada como de importância secundária, é abordado por O'Hara. A possibilidade de uma coexistência de uma patologia da artéria carótida externa em pacientes com oclusão aterosclerótica da artéria carótida interna, deve ser sempre considerada nas eventualidades de uma isquemia retiniana ou mesmo cerebral. Uma revascularização da artéria carótida externa deve ser sempre considerada quando se planeja uma anastomose da artéria temporal superficial com a artéria cerebral média. Esta revascularização da artéria carótida externa visa a evitar uma embolização da artéria anastomosada, assim como a melhorar o fluxo da própria anastomose. Outros capítulos são dedicados para peculiaridades de técnica operatória e cujo interesse se destina particularmente aos cirurgiões e, obviamente em menor grau, aos neurologistas clínicos. A insuficiência vascular cerebral não é sempre devida a aterosclerose da artéria carótida. Vezes há em que a displasia fibromuscular pode ser responsabilizada pelo ataque isquêmico transitório ou pelo icto. Por outro lado, Kieffer e Natali, se incumbiram de rever as lesões dos vasos supra-aórticos que conduzem à doença de Takayasu, responsável por casos de patologia vascular cerebral isquêmica. A afecção concomitante da artéria carótida e das coronárias pode conduzir a dificuldades sobretudo no que concerne à prioridade de cirurgia sobre as artérias do cérebro ou sobre o coração. Uma parte desta obra é dedicada à oclusão da artéria subclávia e da artéria vertebral e as estratégias cirúrgicas, nessas eventualidades, são focalizadas.

Os capítulos finais são reservados para o estudo da anastomose extracraniana-intra-craniana. Em capítulo abrangente, de Greenhalgh e col., conclui-se que, com efeito, o processo aumenta o fluxo sangüíneo para o cérebro e a permeabilidade das anastomoses é excelente. Entretanto, os resultados clínicos finais do processo, ainda precisam ser apurados. Com efeito, esses resultados avaliados pela tomografia por emissão de positron não permitem muito otimismo no que concerne às vantagens da derivação da artéria temporal superficial para a artéria cerebral média ou em qualquer outro processo de vascularização. Não há, pois, demonstração de melhoras substanciais no déficit funcional circulatório após a intervenção. Mais tempo ainda deve ser aguardado para haver conclusões definitivas.

A leitura deste livro, seguramente fascinante, é recomendada para neurologistas clínicos que podem se inteirar dos pontos de vista dos cirurgiões a quem enviam seus pacientes portadores de insuficiência vascular cerebral.

ROBERTO MELARAGNO FILHO

 

MANUAL DE PSIQUIATRIA. W. SCHULTE & R. TÖLLE. Um volume em brochura (16x22,5 cm) com 365 páginas e 10 tabelas. Tradução para o português por C. O. Vieira & col. Editora Pedagógica Universitária - Editora Springer, São Paulo, 1981.

A psiquiatria se transformou na atualidade em especialidade muito ampla, complexa e bastante interligada a todas as áreas médicas. Mantém-se ainda algo desconhecida - apesar de todas as pesquisas na área - e de difícil acesso mesmo com os tratados já existentes.

Não obstante, os autores deste manual, mesmo seguindo os parâmetros normais de obras similares, conseguem em sua abordagem tornar os temas focados de fácil leitura e compreensão, uma vez que tratam o material de maneira bastante objetiva e clara. Não esgotam o assunto; entretanto, abrem possibilidade para pesquisas direcionadas em obras mais abrangentes.

Bastante atualizado e eclético, o manual procura mostrar os conhecimentos atuais existentes sobre diagnóstico, sintomatologia, etiopatogenia e tratamento das doenças mentais, É dada ênfase às bases genéticas, bioquímicas e psicofarmacológicas, bem como aos aspectos de dinâmica psíquica e social.

A divisão de tópicos é bem cuidada e bastante didática. Basicamente, o livro se inicia enfocando a abordagem psiquiátrica, passa por todas as alterações psíquicas conhecidas e finaliza com as várias possibilidades terapêuticas atuais, tanto psicoterápicas como psicofarmacológicas, terapia de eletrochoque e insulinoterapia.

Trata-se de obra de valor para os que estejam iniciando contato com a psiquiatria, pela clareza de raciocínio e de exposição.

MÁRCIA HELENA BRANDIMARTI

 

HUMORAL IMMUNITY IN NEUROLOGICAL DISEASES. KARCHER, D.; LQWENTHAL, A. & STROSBERG, A.D., editores. Um volume (17x25) com 668 páginas, 137 figuras e 120 tabelas. Plenum Press, New York, 1979.

Este livro contém os trabalhos apresentados e discutidos em simpósio realizado em setembro de 1978, em Antuérpia, sobre "Imunidade Humoral nas Doenças Neurológicas" e que foi coordenado pelo Prof. A. Lowenthal. O simpósio contou com a presença de 132 participantes como clínicos, neurologistas, bioquímicos e virologistas. O livro está dividido em duas partes precedidas de uma introdução feita pelo seu coordenador. A primeira parte é relativa a doenças espontâneas e experimentais do sistema nervoso e contém 22 trabalhos divididos em quatro secções: a primeira relativa a esclerose múltipla; a segunda, a panencefalite esclerosante sub-aguda; a terceira relata implicações genéticas; a quarta é relativa a doenças animais.

A segunda parte o livro contém 55 trabalhos distribuídos em 7 secções e é dedicada à "heterogeinidade restrita", ou seja, à reação oligoclonal. A primeira destas 7 secções consta de 10 trabalhos, todos sobre metodologia do líquido cefalorraqueano (LCR), salientando-se o estudo das imunoglobulinas do LCR por diversas metodologias. A seg- nda secção, com três trabalhos,, trata da heterogeinidade restrita da IGG em moléstias neurológicas. A terceira contém 4 trabalhos sobre recentes avanços imunoquímicos, inclusive sobre a importância dos imunecomplexos circulantes em neurologia. A quarta secção toda ela é dedicada a antígenos virais. A quinta é dedicada aos estudos de antígenos próprios ao sistema nervoso central. A sexta secção contém 7 trabalhos sobre a resposta imune do sistema nervoso e, finalmente, a sétima secção contém 16 trabalhos em que são levantados não só os aspectos da imunidade humoral como também a imunidade celular no sistema nervoso central, sobretudo quanto ao papel desempenhado pelas células T.

O livro termina com conclusões em que o Prof. Lowenthal tece comentários e deixa várias questões em aberto sobre a reação oligoclonal, metodologia do LCR, problemas imunológicos e terapêutica das doenças imunológicas do sistema nervoso.

Apesar de ter sido o volume publicado em 1979, este livro continua a ser de grande importância para aqueles que estudam os diversos ramos das ciências neurológicas, sobretudo a Neuroimunologia.

JOSÉ ANTONIO LIVRAMENTO

 

INTRODUÇÃO ANALÍTICA À NEUROPSICOLOGIA. DANIEL R. ROBINSON. Tradução para o português por M. C. V. Carnevale. Um volume em brochura (13x20) com 182 páginas e 42 figuras. Editora Pedagógica Universitária e Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1977.

Trata-se de adequada tradução para o vernáculo da clássica obra publicada em inglês pelo autor (The Enlightened Machine: An Analytical Introduction to Neuropsychology. Dickenson Publ. Co., Belmont, 1973), na qual procura ele apresentar de modo didático bases para introdução a conhecimentos ligados à neuropsicologia.

Assim, o livro abrange 8 capítulos, nos quais o autor aborda, descreve e analisa princípios essenciais da neurofisiologia, levando em consideração os mecanismos psíquicos subjacentes e na busca de uma compreensão funcional desses fenômenos.

Antes de adentrar na neurofisiologia, o autor expõe de maneira sistemática as várias concepções filosóficas como o empirismo, reducionismo e o materialismo. Este capítulo nos dá noção da evolução do objeto da ciência. Nos capítulos seguintes, é feita exposição detalhada dos mecanismos, mapas nervosos e da atividade sensorial.

Após a descrição geral dos fenômenos e das linhas de pesquisas que foram seguidas, são abordados temas como a aprendizagem, atenção, vigília e linguagem, entre outros.

Dessa forma, o autor apresenta aspectos evolutivos que permitem compreender, de modo preciso e útil, relações funcionais entre a atividade do cérebro e o comportamento propriamente dito, dando ao leitor oportunidade de familiarizar-se com alguns aspectos essenciais dos conhecimentos básicos necessários àqueles que desejam dedicar-se a estudos sobre neuropsicologia.

MARIA LÚCIA LIVRAMENTO

 

NEUROLOGIA PRÁTICA. O. HALLEN. Tradução para o português por H. T. BUCKUP. Um volume em brochura (13,5x20,5) com 341 páginas, 37 tabelas e 66 figuras. Editora Pedagógica Universitária - Editora Springer - Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1978.

O ensino da neurologia nas escolas médicas sempre foi tarefa das mais árduas, especialmente nos dias atuais quando os conhecimentos médicos em geral e da neurologia em particular acumulam-se numa velocidade nunca antes imaginada. A grande complexidade resultante exige livros de texto adequados que facilitem a compreensão do assunto.

O professor Otto Hallen, catedrático de Neurologia na Faculdade de Manheim (Universidade de Heidelberg) propôs-se no livro em análise a realizar uma exposição sucinta da matéria, procurando apresentar conhecimentos básicos de propedêutica e clínica neurológica sob forma didática e facilmente assimilável.

Seguindo a sequência lógica do método clínico (sinais clínicos - diagnóstico sindrômico - diagnostico topogrático - diagnóstico etiológico), o autor divide o compêndio em três partes: exame neurológico, incluindo noções dos principais exames subsidiários exceto a tomografia axial computadorizada; sindromes neurológicas; quadros clínicos, em que são resumidas as principais patologias neurológicas com breves considerações a respeito da terapêutica.

De acordo com o prefácio do autor, a intenção da obra não é a de ser completa mas, sim, a de prestar-se como uma introdução a elaboração do diagnóstico. Assim sendo, trata-se de obra destinada principalmente a alunos, de graduação, que poderá auxiliar na difícil porém gratificante tarefa do ensino de Clínica Neurológica nas escolas de Medicina.

BENJAMIN HANDFAS

 

MEYLINATION AND DEMYELINATION. PALO J. editor. Um volume (17x25) com 651 páginas, 188 figuras e 137 tabelas. Plenum Press, New York, 1978.

Este volume contém os trabalhos apresentados em simpósio realizado em Helsinki em agosto de 1977 sobre "Mielinização e Desmielinização: recentes avanços químicos". Elizabeth Roboz Einstein abre o livro com uma introdução ao simpósio discutindo aspectos básicos sobre: degradação da proteína básica por enzimas proteolíticos; supressão da encefalomielite alérgica experimental; presença de proteínas do sistema nervoso central no líquido cefalorraqueano (LCR); discussão crítica sobre metodologia do estudo proteico do LCR.

O restante do livro é dividido em duas partes. A primeira, com 18 trabalhos sobre bioquímica e organização molecular da mielinização; salientam-se os estudos sobre a proteína básica de mielina. A segunda parte consta de 32 trabalhos sobre o processo de desmielinização e é dividida em três secções: a primeira sobre estudos da desmielinização experimental, a segunda sobre a desmielinização clínica e a última sobre a possível etiologia viral da esclerose múltipla.

Todos os tópicos são de interesse à neuroimunologia e, apesar da defasagem do tempo decorrido desde a sua publicação, este livro continua sendo obrigatório para aqueles que se dedicam ao estudo das ciências neurológicas.

JOSÉ ANTONIO LIVRAMENTO

 

CEREBRAL MICROCIRCULATION AND METABOLISM. CERVÓS-NAVARRO, J. & FRITSCHK, E. editores. Um volume (18x26) com 473 páginas, 245 figuras e 47 tabelas. Raven Press, New York, 1981.

Os trabalhos apresentados no Simpósio Internacional Erwin Riesch de Microcirculação Cerebral e Metabolismo realizado em setembro de 1979, em Berlim, foram reunidos neste volume por seus editors.

O livro foi dividido m quatro partes: I - Morfologia; II - Fisiologia; III - Patologia Experimental; IV - Patologia Humana e Modelos Terapêuticos.

A primeira parte consta de 18 trabalhos sobre aspectos anatômicos da circulação cerebral, sobretudo aqueles referentes a microcirculação; é de destacar a qualidade das fotografias q e ilustram todos os trabalhos. A segunda parte reune 14 trabalhos sobre aspectos fisiológicos, incluindo estudo sobre neurotransmissores, neuropeptídios e barreira hêmato-encefálica. A terceira parte, sobre patologia experimental reune 15 trabalhos experimentais sobre condições adversas à microcirculação, ralizados em animais de laboratório. Finalmente, a quarta e última parte contém 16 trabalhos sobre aspectos clínicos do assunto, discutindo modelos terapêuticos atuais.

Após cada uma das partes, os editores reunem em capítulo os comentários e as perspectivas críticas aos tópicos analisados.

Trata-se de livro de interesse para aqueles que se dedicam às ciências neurológicas, como também apresenta interesse para fisiologistas, farmacologistas e endocrinologistas.

JOSÉ ANTONIO LIVRAMENTO

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