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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.52 no.3 São Paulo Sept. 1994

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1994000300030 

ANÁLISES DE LIVROS

 

 

RESEARCH FOR HEALTH: PRINCIPLES, PERSPECTIVES AND STRATEGIES. WHO ADVISORY COMMITTEE ON HEALTH RESEARCH. Um volume (14,5 x 21 cm) em brochura com 72 páginas. Geneva, 1993: World Health Organization.

Preparado pelo Advisory Committee on Health Research (ACHR) da Organização Mundial de Saúde (OMS), este documento tem por finalidade apresentar enunciado da OMS sobre a estratégia de pesquisa em saúde, que traduza seus objetivos, prioridades e programas. O enunciado tem por finalidade dar suporte objetivo, coerente e coordenado à pesquisa voltada à saúde para todos. Dentro desse objetivo, o conteúdo do documento é considerado um informe preliminar pelo ACHR. Entretanto, as diferentes sugestões que contém merecem a atenção de todos os profissionais da saúde.

Os assuntos estudados perrmitiram estabelecer certas conclusões. Estas são enfeixadas como Recomendações Finais. De início, é lembrado que mudanças nas esferas sócio-econômica, tecnológica e de comportamento são determinantes progressivas do processo de desenvolvimento em saúde. Em seguida, é salientado que restrições financeiras, materiais e de recursos humanos trazem consigo a necessidade de um adequado redirecionamento, que promova métodos mais eficientes na política de análise, planejamento e pesquisa. Assim sendo, o ACHR estabelece como essenciais os esforços sinérgicos de todos os setores que estabelecem o status de saúde e que respondem pelos serviços de saúde. Ainda, é dada ênfase a ponto de vista anteriormente apresentado pelo próprio ACHR em decorrência do que foi observado em países desenvolvidos: o declínio de infecções resultou de melhora da nutrição; de adequada imunização; da redução de contágio, por melhores medidas de higiene pessoal e do ambiente. Por outro lado, nos países em desenvolvimento e quando observado, o declínio da mortalidade parece estar relacionado a: melhor nutrição e, indiretamente, a melhoria: educacional; eficiente acesso aos recursos de saúde; determinação política e social de melhorar as condições de saúde. À luz desses dados e numa visão realista, o ACHR recomenda que nos países em desenvolvimento seja dada prioridade em pesquisa a: nutrição, imunização e medidas sanitárias. Como responsáveis pela apresentação deste documento, encontram-se M. Gabr e B. Mansourian, respectivamente Presidente e Secretário do ACHR.

Dessa forma, o documento aqui analisado também dá atenção especial ao que se passa no mundo em desenvolvimento, antes de tudo salientando suas necessidades básicas em saúde, como substancialmente reduzir índices de infecção. Em Neurologia Tropical, as infecções do sistema nervoso constituem o tema principal. Sua profilaxia, porém, resiste às recomendações feitas às autoridades de saúde pelos neurologistas e suas entidades representativas, assim como pela própria OMS. É possível esperar progresso no atender a essa necessidade básica desde que as conclusões de documentos como este sensibilizem devidamente os responsáveis pela política de saúde dos países do mundo em desenvolvimento, como no Brasil.

 

Antonio Spina-França

 

 

GENERO, MUJER Y SALUD EN LAS AMÉRICAS. ELSA GÓMEZ GÓMEZ, editora. Um volume (21,5 x 28 cm) em brochura com 304 páginas. Washington: Organización Panamericana de la Salud (525 Twenty-third Street NW, Washington, D.C. 20037, USA).

Precedendo a 45ª Assembléia Mundial de Saúde (1992) foram realizadas Discussões Técnicas, cujo tema "Mulher, Saúde e Desenvolvimento" deu origem a esta publicação de que Elsa Gómez Gómez é a editora, com a assessoria de Comitê Editorial integrado por Rebecca de los Ríos, Renate Plaut, Cristina Torres e João Yunes. Cerca de 28 colaboradores, especialistas em diversas disciplinas médicas e sociais, encarregaram-se do preparo dos 26 capítulos. Nestes, são destacadas diferenças por sexo observadas quanto a cada um dos temas e são salientados, do ponto de vista da saúde, tanto o acometimento como o papel da mulher.

Após Prólogo de Carlyle Guerra de Macedo - Diretor da OPAS - e Introdução da Editora, seguem-se os diversos capítulos. Neles, a matéria de estudo é distribuida em cinco seções: mulher, saúde e desenvolvimento: elementos conceituais; consideração do gênero na análise do processo saúde-enfermidade; através de idades, classes e fronteiras; tecnologia médica e atenção à saúde da mulher; mulher e direito à saúde; papel da mulher no desenvolvimento da saúde. Em cada uma das seções, o conteúdo dos capítulos é enfocado sob ângulo do papel desempenhado pelo gênero na saúde, isto é, "no estado de completo bem-estar físico mental e social e não somente ausência de afecções ou enfermidades" (OMS), levando também em conta o fator equidade/ discriminação. Trata-se portanto, de obra pioneira no estrututrar por gênero dados pertinentes à saúde e, no caso, dando ênfase ao que se passa com a mulher.

A leitura de diversos capítulos permite entrever áreas em que a distribuição por gênero viria aprimorar e ampliar conhecimentos em Neurologia. Este enfoque deve ser adequadamente desenvolvido pois, além de dados já clássicos de diferenças por gênero relativos a doença encefalovascular, outros merecem detalhadamento. Entre eles, dados acerca de doenças do sistema nervoso de causa infecciosa e/ou parasitária. Serve de exemplo a neurocisticercose, em relação à qual já foi verificado haver diferenças de prevalência por gênero, quando a faixa etária é considerada associadamente. A mulher é mais precocemente acometida e esta diferença pode depender de sua exposição mais precoce ao ciclo parasitário, como por muito cedo serem envolvidas no preparo de alimentos para a família. Este hábito é particularmente observado em classes menos diferenciadas do ponto de vista sócio-econômico. Neste compêndio, G. A. Schmunis chama a atenção para aspectos paralelos a este, ao tratar das doenças infecciosas em regiões tropicais. Temas como este último merecem tratamento específico, em que sejam somados os esforços tanto do pessoal habilitado para cuidar da saúde da comunidade como, do neurologista. Seguramente, estudos nessa linha, considerando o gênero, poderão vir a ser delineados e detalhados em Neurociências num futuro próximo, a exemplo do que foi feito em relação a diversos outros temas abordados neste compêndio.

Essa linha de considerações vem reforçar o que pensam os Editores, cujo ponto de vista se segue. Gómez Gómez salienta que um dos objetivos do livro é estimular novas investigações, por gênero, de fatores que modulam a saúde - ferramenta analítica para avanços na compreensão do processo saúde-enfermidade de dada população. De fato, do ponto de vista informativo, certas áreas de vital importância não foram incluídas no livro ou foram tratadas tangencialmente, como reconhece a Editora. Ainda, segundo ela, o material reunido deve estimular reavaliações de dados conhecidos e inspirar o planejamento de novas investigações.

 

Antonio Spina-França

 

 

NEUROINFECÇÃO'94. L.R. MACHADO, J.P.S. NÓBREGA, J.A. LIVRAMENTO, A. SPINA-FRANÇA, editores. Um volume (15,5 x 25 cm) em brochura, com 284 páginas. São Paulo, 1994: Academia Brasileira de Neurologia (Rua Raja Gabaglia 235, 04551-000 São Paulo SP, Brasil).

Este compêndio reúne temas do Simpósio Neuroinfecção 94, realizado em São Paulo (18 e 19-março-1994) sob os auspícios da Academia Brasileira de Neurologia, com o apoio da Clínica Neurológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Com a colaboração de 46 conceituados especialistas brasileiros, todos escrevendo sobre assunto de seu domínio e que abordaram na reunião, puderam os Editores reunir neste compêndio aspectos atuais sobre neuroinfecção (NI), isto é, sobre as infecções do sistema nervoso mais comumente observadas em nosso meio.

A matéria é distribuída em oito seções, cada uma delas correspondendo a um dos módulos do simpósio: quando e como indico a investigação diagnostica, líquido cefalorraqueano e NI, ressonância magnética e NI, NI na infância, neuroviroses, AIDS e sistema nervoso, NI e neurocirurgia, como tratar. São 53 os temas discutidos, em todos eles sendo ressaltados aspectos práticos de interesse à conduta diagnostica e, obviamente, terapêutica. Entre as últimas têm destaque, por exemplo, meningites agudas, neurossífilis, neuroesquistossomose, neurocisticercose e neuromicoses.

Não constitui prática habitual um dos próprios editores analisar seu compêndio. Não é, também, o que aqui se pretende. Pretende-se, isto sim, reconhecer o dedicado esforço dos colaboradores e autores dos capítulos e ao mesmo tempo, dentro do espírito do procurar ensinar sempre daquilo que se sabe, apresentar um guia prático aos que se iniciam em Neurologia. A estes compete avaliar os temas reunidos no livro, assim fazendo a real análise de seu conteúdo. É o que espero, com os Editores principais.

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