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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.56 n.3A São Paulo Sept. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1998000300031 

ANÁLISES DE LIVROS

 

 

QUESTÕES ATUAIS SOBRE DEPRESSÃO. ANTONIO EGIDIO NARDI. Um volume (14x21 cm) em brochura, com 192 páginas. ISBN 85-85561-57-2. São Paulo, 1998: Lemos Editorial (Rua Rui Barbosa 70, 01326-010 São Paulo SP)

 

Depressão é considerada o transtorno mental do século XX. Atinge adultos, idosos, crianças e adolescentes. Não poupa classes sociais. Ocorre em indivíduos hígidos e associa-se a pacientes com doenças sistêmicas, crônicas e do sistema nervoso central. Embrenha-se nas famílias, ou através de predisposição genética ou pelo impacto causado nos parentes mais próximos do paciente deprimido. Apresenta várias formas clínicas e níveis de gravidade. Se não tratada adequadamente tende a cronificar-se, piorar em intensidade e levar ao suicídio.

O conhecimento dos sintomas de depressão pelo paciente e seus familiares é de vital importância para Educação em Saúde. Este é o objetivo deste livro de Antonio Egídio Nardi, Professor Adjunto do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFRJ e pesquisador do CNPq.

O livro inicia-se com importante diferenciação entre depressão e tristeza, e prontamente orienta o leitor para como a psiquiatria na atualidade pode tratar adequadamente este transtorno. Desta maneira procura desmistificar e solucionar o possível preconceito ainda existente na população geral sobre "ter uma doença mental e procurar um psiquiatra". Posteriormente apresenta a evolução histórica da doença e seu conceito, e a partir daí passa a mostrar a entidade "Depressão" sob vários aspectos.

Primeiramente descreve os sintomas depressivos e como eles podem afetar a vida do paciente, exemplificando cada sintoma com um caso verídico. Orienta o leitor sobre as atuais classificações em psiquiatria e sobre os vários transtornos que incluem depressão. Discorre sobre as possíveis causas da doença e sua relação com outras doenças físicas e mentais, apresentando as últimas de maneira mais detalhada e abrangente. Antes de entrar nas orientações sobre o tratamento, dedica um capítulo ao tema "Suicídio". Aborda o assunto de maneira aberta, clara, sem assustar o leitor mais que o necessário, fazendo apenas o alerta adequado para seus riscos.

Apresenta um "guia para psicoterapias" e um "guia para medicamentos" utilizados na depressão, tomando o cuidado de informar sobre eles sem, no entanto, exaltar nenhum deles. Posteriormente orienta sobre resposta terapêutica e suas possibilidades, enfatizando que "a medicina atual considera hoje uma imprudência tratar alguém com depressão sem medicamentos". No entanto, não deixa de salientar que o melhor tratamento é aquele que associa psicotópicos à psicoterapia. Conclui o livro com uma explanação sobre qual é o futuro do paciente com depressão, falando de cura, episódios recorrentes, sintomas residuais, cronicidade e prevenção para novos episódios.

Atualizado, abrangente e de fácil leitura, "Questões atuais sobre depressão " destina-se basicamente ao público não especializado, tendo pouco a acrescentar a profissionais atuantes na área. Seu ponto forte é a orientação que fornece a pacientes deprimidos e seus familiares, sendo ainda de grande valia para público não médico mas com interesse no assunto e para estudantes de medicina. Apresenta-se também como excelente guia de orientação para clínicos não psiquiatras que desejem atualizar-se no tema, detectar corretamente os casos, tratar os de leve e moderada intensidade e encaminhar os de gravidade maior para profissionais da área.

 

REGIANE GARRIDO
Unidade de Idosos, Departamento de Saúde Mental, Santa Casa de São Paulo

 

 

LA SANTÉ MENTALE DES RÉFUGIÉS. ORGANISATION MONDIALE DE LA SANTÉ en collaboration avec le HAUT COMISSARIAT DES NATIONS UNIES POUR LES REFUGIÉS. Um volume (16x24 cm) em brochura, com 150 páginas. ISBN 924 254 486 8. Genebra, 1997: OMS (1211 Genève 27, Suisse).

 

O acometimento psicológico das vítimas de catástrofes e de guerras motivou a preparação deste manual. Ele foi redigido pelo "Bureau du Haut Comissariat des Nations Unies pour les Refugiés" e a Organização Mundial da Saúde.

Lembrando que o número de refugiados é cerca de 18 milhões de pessoas no presente e que é duas vezes maior o número de deslocados em seu próprio país, as duas entidades responsáveis pela publicação do livro colocam em foco tanto as consequências psico-sociais do problema como seus efeitos sobre a saúde mental de cada uma das vítimas e da comunidade na qual passam a inserir-se.

A matéria é tratada em dez módulos e estes reunem as contribuições de N. Argyll (Inglaterra), N. Baron (Sri Lanka), J. T. V. M. de Jong (Holanda), L. Gask (Inglaterra), J. P. Hiegel (Tailândia), R. Mollica (EUA), D. S. Samarsinghe (Sri Lanka), H. Sell (Índia), S. Wali (EUA), J. Williamson (EUA). O tema de cada um dos módulos é: capacitações úteis para a ajuda, estresse e relaxamento, alterações funcionais, problemas mentais, ajuda a crianças refugiadas, cuidados médicos essenciais, alcoolismo e toxicomanias, ajuda a vítimas de tortura e de outras formas de violência, ajuda a vítimas de estupro e à sua comunidade, organização de serviços para cuidar da saúde mental e bem-estar dos refugiados.

Dois aspectos marcam as importantes diretrizes do livro. O primeiro é o fato de não deverem os refugiados ser tratados como pessoas na inteira dependência de ajuda: frequentemente eles são dotados de forte vontade de sobreviver e é por este motivo que, muitas vezes, encontraram energia para se refugiarem. O segundo é que as pessoas que ajudam a cuidar dos refugiados e de outros deslocados, neles devem buscar a capacidade de sobreviver e ultrapassar dificuldades. Devem também procurar ajudá-los a desenvolver esse elemento positivo de sua personalidade. Assim, os refugiados e outras pessoas deslocadas poderão ser encorajados a mais de perto contar consigo mesmos.

Esse direcionamento capacita o manual a beneficiar agentes que socialmente cuidam da comunidade, e de seu ensino e saúde. Para sua leitura não é necessária formação especial em psicologia ou em saúde mental.

Os profissionais da saúde de nosso meio encontram neste livro dados úteis particularmente para o cuidado diuturno de nossos deslocados. Ainda, nesse texto vão eles encontrar meios práticos para orientar seus auxiliares e cooperadores.

 

ANTONIO SPINA-FRANÇA

 

 

ARTE PODER EPILEPSIA. ELZA MÁRCIA TARGAS YACUBIAN, GRAZIELA R. S. COSTA PINTO. Um volume (18x25 cm) em brochura, com 94 páginas. São Paulo, 1998: Lemos Editorial (Rua Rui Barbosa 70, 0136-010 São Paulo SP).

 

"Este livro aborda a vida de artistas e líderes políticos do ponto de vista da epilepsia que marcou suas trajetórias." Com essa sentença as autoras iniciam o Prefácio e traçam o objetivo do livro. O modo de tratar a matéria convida o leitor ao diálogo com as autoras e consigo mesmo, pois acalenta a meditação sobre a tríade escolhida para dar nome ao livro: arte ¾ poder ¾ epilepsia. E assim, aquilo que poderia ser mais um discurso sobre a matéria ganha vida de imediato, pois focaliza dúvidas conceituais sobre nossos conhecimentos de epilepsia e sua relação com nossos sentimentos quanto ao significado do artisticamente belo, do exercício do poder e da chefia. É esse desafio que os exemplos escolhidos ilustram.

Van Gogh é o primeiro deles. O contexto da sociedade em que ele viveu serve de pano de fundo para a exposição e o impressionismo da arte dessa época oferece o ponto para a análise das crises que apresentou e que foram interpretadas por Gastaut dentro do diagnóstico de epilepsia psicomotora associada a alterações psíquicas intercríticas do tipo esquizóide, ambas em decorrência de provável lesão irritativa têmporo-paratemporal.

Dostoiewski é o segundo. Sua trajetória nas letras foi enriquecida pelas experiências oriundas do quadro epiléptico de que era portador, e sofredor. Desse quadro se vale na elaboração de seus romances e nenhuma descrição de aura marcada por êxtase encontrada na literatura excede aquela que faz em Os Possessos (Os Demônios) e em O Idiota.

Flaubert e seu medo da doença de que fugia mesmo em seus romances encerra a análise da galeria internacional de arte e precede a análise do nosso Machado de Assis, cuja cinzenta obra ao mesmo tempo lhe serviu de refúgio e de defesa contra as manifestações de sua epilepsia.

Napoleão Bonaparte, com Júlio César, e nosso Imperador D. Pedro I são as figuras históricas escolhidas para o discurso sobre o poder e a epilepsia.

Este último assunto abre perspectivas para futuras análises do significado do poder que se manifesta durante o exercício da chefia em muitos professores universitários. Charcot seria um ponto de início, levando pelo menos em conta suas crises de "idiossincrasia" como as relatadas por Axel Munthe, que teve sua carreira médica abalada por elas. É um assunto que as autoras ou poderiam desenvolver ou indicar para estudo a outros entusiastas do tema. Coragem e conhecimento para tanto não lhes falta: introduzem o livro com o texto bíblico do jovem lunático (Marcos 9:14-29), muito embora deixem de lado aquele do endemoninhado gadareno (Marcos 5:1-12). Este poderia ilustrar o problema da epilepsia resistente a tratamento medicamentoso ¾ se a visão das autoras acerca de interpretação bíblica for considerada.

O livro é ricamente ilustrado por preciosas reproduções de telas e fotos. Suas referências bibliográficas são igualmente preciosas e incluem autores brasileiros. Entre estes destacam-se os neurologistas Carlos Alberto Mantovani Guerreiro, estudioso de Machado de Assis, e Edson José Amâncio que enriquece, com seu grupo e sua pena literária, nosso conhecimento acerca de Dostoiewski.

As autoras estão de parabéns pelo esforço e pela qualidade do conteúdo e da apresentação do livro. Ele vem a lume por ocasião do lançamento pela Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) da campanha "Epilepsy: out of the shadows" da Liga Internacional contra a Epilepsia (XXIII Reunião da LBE, Porto Alegre, junho 1998).

O neurologista e em particular o epileptologista ampliam seu conhecimento com a informação contida no livro e nele encontram segura contribuição para sua cultura médica.

 

ANTONIO SPINA-FRANÇA

 

 

COM PARKINSON E DE BEM COM A VIDA. MARYLANDES GROSSMANN. Um volume (18x24 cm) em brochura, com 112 págnas. ISBN 85-85561-71-8. São Paulo, 1998: Lemos Editorial (Rua Rui Barbosa 70, 01316-010 São Paulo SP).

 

Intitulada COM PARKINSON E DE BEM COM A VIDA, a publicação de Marilandes Grossmann traz preciosas informações para pacientes portadores da doença assim como para médicos ligados ou não diretamente à problemática do parkinsoniano.

O lívro, constituído de seis partes, descreve inicialmente o depoimento sincero da autora sobre os primeiros sintomas da doença, as suas dificuldades para enfrentar a realidade do diagnóstico, ao mesmo tempo em que transmite com muita firmeza os meios que ela utilizou para se adaptar a uma nova condição de vida, dando um exemplo a ser seguido por outros doentes.

Na segunda parte, tomamos conhecimento de como surgiu a idéia de criar uma associação que atendesse aos interesses dos portadores da doença. A autora, presidente da Associação Brasil Parkinson, entidade que já existe há onze anos, descreve as atividades que têm sido realizadas nessa associação.

Com a orientação dos colegas neurologistas, a terceira parte deste livro é dedicada à exposição detalhada e ao mesmo tempo clara sobre a sintomatologia clínica da doença, fatores etiológicos, diagnósticos diferenciais e terapêuticas clínica e cirúrgica. Chamou-me atenção a preciosa informação de que os aspectos clínicos são de fundamental importância para o diagnóstico, afastando a necessidade de um "teste positivo" atrás do qual muitos pacientes vão à procura de forma desnecessária.

A abordagem das terapêuticas auxiliares, fonoaudiologia e fisioterapia, é feita na quarta parte e as considero de máxima relevância, já que ela proporciona ao paciente um perfeito entendimento da necessidade de sua participação ativa no processo do tratamento.

Na penúltima parte, informações são dadas sobre o melhor esquema dietético, assim como conselhos práticos de como lidar com situações de estresse e distúrbios do sono e, finalizando, a autora mostra na última parte deste livro descobertas ou "truques", no decorrer da doença, que tentam contornar algumas dificuldades motoras.

O autor do prefácio, Dr. João Carlos Papaterra Limongi, enfatizou a qualidade inegável desta obra, e eu considero um privilégio poder expressar, nesta oportunidade, o meu respeito e admiração pela Sra. Marylandes Grossmann, guerreira e vencedora.

 

SONIA AZEVEDO SILVA MAGALHÃES GOMES
Disciplina de Neurologia Clínica, Escola Paulista de Medicina, UNIFESP

 

 

EPILEPSY AND OTHER NEUROLOGICAL DISORDERS IN COELIAC DISEASE. G GOBBI, F. ANDERMANN, S. NACCARATO & G BANCHINI, editors. Um volume (17,5x24,5 cm) encadernado, com 378 páginas. ISBN 0 86196 537 X. London, 1997: John Libbey & Co Ltd. (13 Smiths Yard, Summerley Street, London SW18 4HR, England, UK).

 

Trata-se de um livro que surgiu a partir de um simpósio realizado em San Marino em que foram analisados os aspectos neurológicos da doença celíaca (DC). Os capítulos, escritos por diferentes autores, relatam na maioria das vezes os resultados de estudos multicêntricos, e mais raramente revisões da literatura, em relação aos vários aspectos neurológico e psiquiátricos da DC. O livro consta, além da introdução, de nove partes, cada uma delas com 3 a 8 capítulos, referentes a assuntos específicos.

A introdução faz uma análise histórica, com descrição cronológica sobre a doença e seus vários sintomas. A parte I, capítulos 1 ao 5, é uma visão geral sobre a DC. Inicialmente discutem-se as características clínicas e biológicas da intolerância ao glúten e descrevem-se as diversas apresentações da doença, ressaltando-se a ocorrência frequente das formas silenciosa e latente. Em seguida são apresentados os sintomas não gastrointestinais, desde o mais frequente (dermatite herpetiforme) aos menos frequentes e aos duvidosos, mencionando ainda os neurológicos. Existe ainda um capítulo interessante sobre a evolução dos hábitos alimentares do homem que, com a evolução, mudou de caçador para fazendeiro e como o glúten passou a integrar a dieta de alguns povos. Finalmente, são mostrados alguns aspectos quanto a incidência da doença em especial no Sul da Índia e em San Marino.

A parte II, capítulos 6 ao 9, analisa os aspectos fisiopatológicos da DC, incluindo os aspectos neurológicos. Esta parte inicia-se com um análise dos erros inatos do metabolismo a partir da compreensão do papel da deficiência da vitamina B12 e do folato sobre o sistema nervoso, questionando a relação da deficiência de folato com as calcificações da DC. Em seguida são muito bem discutidos os aspectos genéticos e imunológicos da doença, estes últimos tanto em relação aos sintomas gastrointestinais como aos sistêmicos e também em relação ao sistema nervoso.

A parte III, capítulos 10 ao 14, diz respeito à relação entre epilepsia e DC. Inicialmente são amplamente discutidos os diversos aspectos clínicos da epilepsia como tipo de crise, gravidade, evolução, resposta às drogas antiepilépticas e as dietas. Observa-se ainda a possibilidades de ocorrência três tipos de pacientes: com DC, epilepsia e calcificações; com DC, epilepsia mas sem calcificações; com epilepsia e calcificações mas sem DC. Cada um destes grupos é analisado com detalhe, surgindo discussões interessantes quanto à possibilidade dessas associações ocorrerem ao acaso, ou constituírem apresentações de uma mesma doença, ou ainda refletirem uma predisposição genética aos diversos sintomas. No capítulo 14 é referida a experiência da Argentina com epilepsia, calcificações e DC.

A parte IV, capítulos 15 ao 17, mostra a frequência da epilepsia nas diversas apresentações clínicas da DC e a frequência da DC em epilepsia. Destaca-se nesta parte o capítulo 17 em que os autores além de discutirem a prevalência de calcificações e epilepsia na DC, relembram o quadro clínico e radiológico, destacando o diagnóstico diferencial com a síndrome de Sturge-Weber.

A parte V, capítulos 18 ao 21, procura estabelecer as relações etiopatológicas entre a epilepsia e a DC. Se por um lado parece claro a relação entre as crises e epileptogenicidade da área occipital bem como a uma suscetibilidade geneticamente determinada pelo complexo HLA, por outro lado fica difícil de entender o porquê do envolvimento seletivo do lobo occipital, embora várias hipóteses sejam aventadas.

A parte VI, capítulos 21 ao 24, está voltada para o estudo do diagnóstico diferencial com outras patologias que cursam com epilepsia e calcificações cerebrais, em especial as neuroectodermoses e entre elas a síndrome de Sturge-Weber (com e sem angioma cutâneo) e a esclerose tuberosa. Finalmente, nesta secção são relatados os achados neuropatológicos referentes a dois pacientes submetidos a cirurgia de epilepsia que, embora ainda insuficientes, permitem estabelecer algumas diferenças em relação à síndrome de Sturge-Weber.

A parte VII, capítulos 25 ao 27, demonstra os achados neurorradiológicos. São referidos inicialmente as imagens de tomografia computadorizada e ressonância magnética, ressaltando-se as diferenças em relação à síndrome de Sturge-Weber. Os estudos de fluxo sanguíneo cerebral com SPECT demonstram, em todos os pacientes, hipoperfusão occipital que por vezes se estende a áreas próximas, estabelecendo melhor correlação clínica. As imagens do metabolismo cerebral através do estudo de PET são referidas em relação à síndrome de Sturge-Weber.

A parte VIII, capítulos 28 ao 33, estuda os distúrbios psiquiátricos associados à DC como depressão, autismo e esquizofrenia. Nesta parte discute-se ainda o possível envolvimento dos neurotransmissores na patogenia do autismo e dos derivados peptídeos dos alimentos nas doenças do sistema nervoso.

A parte IX, capítulos 34 ao 41, diz respeito aos distúrbios neurológicos descritos na DC. Inicialmente são apresentados dados da literatura quanto aos principais sintomas neurológicos e psiquiátricos, as possíveis etiologias, a patologia e o tratamento deste sintomas na DC. A seguir discutem-se os aspectos clínicos e patogênicos lembrando que os sintomas neurológicos geralmente iniciam-se após os distúrbios gastrointestinais e ainda a possibilidade de que alguns dos sintomas menos frequentemente descritos possam constituir associações ao acaso. Finalmente são discutidos, especificamente, a ataxia mioclônica progressiva, a demência, as neuropatias periféricas, as desordens musculares e os distúrbios cognitivos nos pacientes com DC.

No final do livro encontra-se um "adendum" em que são apresentados os resumos de 25 trabalhos diversos, sobre aspectos dos distúrbios neurológicos em relação à DC.

 

MARIA LUÍZA GIRALDES DE MANREZA