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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

versión impresa ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. v.57 n.3B São Paulo set. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1999000500030 

PROFESSOR ANTONIO AUSTREGÉSILO

O PIONEIRO DA NEUROLOGIA E DO ESTUDO DOS DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO NO BRASIL

 

HÉLIO A G. TEIVE*, DANIEL SÁ**, OCTAVIO SILVEIRA NETO***, OCTAVIO A. DA SILVEIRA****, LINEU CESAR WERNECK*****

 

 

RESUMO - O Professor Antonio Austregésilo foi o pioneiro da neurologia brasileira, criando a primeira escola neurológica no Rio de Janeiro em 1912. Ele foi também o primeiro a estudar os distúrbios do movimento no Brasil, tendo publicado vários artigos nesta área, particularmente nas consagradas revistas "Revue Neurologique" e "L'Encephale", incluindo a descrição de um sinal sucedâneo de Babinski e a primeira descrição mundial de distonia pós-traumática.

PALAVRAS-CHAVE: Professor Austregésilo, neurologia brasileira, distúrbios do movimento.

 

Professor Antonio Austregésilo: the pioneer of neurology and of the study of movement disorders in Brazil.

ABSTRACT - Professor Antonio Austregésilo was the pioneer of neurology in Brazil, creating the first neurological school, in Rio de Janeiro, of which he was the first professor. He was also the first to study the movement disorders in Brazil, publishing several works on this subject, primarily in "Revue Neurologique", and "L'Encephale", including a rival sign of Babinski and the first description of a posttraumatic dystonia.

KEY WORDS: Professor Austregésilo, Brazilian neurology, movement disorders.

 

 

O professor Antonio Austregésilo foi o criador da primeira escola de neurologia do Brasil, tendo sido o primeiro professor da Cátedra de Neurologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (em 1912), posteriormente denominada Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil (criada por Decreto Presidencial em 7 de setembro de 1920), atual Universidade Federal do Rio de Janeiro1-3.

As publicações científicas do Professor Austregésilo contribuíram significativamente para o desenvolvimento da neurologia brasileira, tornando-a reconhecida internacionalmente1,3-7.

Este estudo tem por objetivo principal trazer a discussão as principais contribuições do grande mestre à neurologia brasileira e também mundial, bem como enfatizar suas publicações na área dos distúrbios do movimento.

 

DADOS PESSOAIS

Antônio Austregésilo Rodrigues Lima nasceu em Recife, Pernambuco, em 21 de abril de 1876 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 23 de dezembro de 1960 (Fig 1)1-3. De origem humilde, mulato e portador de tartamudez, Austregésilo apresentou ainda tiques na infância. Sempre se dedicou muito aos estudos, tendo ele próprio descrito na sua maturidade que "estudou como um escravo"1-3. Aos 16 anos de idade ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1899, defendendo a tese "Estudo clínico do delírio". O Professor Francisco de Castro foi o mestre que mais exerceu influência sobre ele1-3.

 

 

Entre os anos de 1901 e 1909 assumiu várias atividades profissionais nas áreas de medicina interna e de psiquiatria1-3. Após várias tentativas, sem sucesso, para ingressar na vida acadêmica como professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, através de concursos, foi indicado pela Congregação da Faculdade de Medicina como professor substituto de Clínica Médica, Patologia Interna e Clínica Propedêutica. Austregésilo foi preterido por três vezes. Na primeira vez não foi indicado para professor assistente e por duas vezes consecutivas foi derrotado em concurso público1. Entre os possíveis fatores que possam ter tido influência no insucesso inicial de sua cadeira acadêmica estão a origem humilde, do nordeste do Brasil, a sua tez e a sua precária situação econômica e social (Prof. Dr. Marcos R. Gomes de Freitas, comunicação pessoal). Em 1912 foi designado por unanimidade, pela congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, professor catedrático da recém fundada cadeira de Neurologia1-3.

Foi o fundador dos periódicos Arquivos Brasileiros de Medicina e dos Arquivos Brasileiros de Neurologia e de Psiquiatria1. Além de numerosas obras de medicina e de psicologia, foi escritor, ensaísta, pertencendo ao grupo do simbolismo, tendo sido eleito em 1914 para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira de número 301,3. Foi deputado federal por Pernambuco, entre 1912 e 19301,3.

Austregésilo publicou numerosas obras, no Brasil e no exterior, versando sobre temas médicos, especialmente na área de neurologia, na área de psicologia, além de vasta obra literária1-8.

Austregésilo realizou várias viagens de estudos pela Europa, particularmente a França, onde frequentou os serviços de Pierre Marie, Babinski e Dejérine, entre outros. Posteriormente, já como professor consagrado de Neurologia no Brasil, visitou outros serviços de neurologia e neurocirurgia, particularmente nos Estados Unidos da América1,9.

A escola de neurologia criada no Rio de Janeiro pelo Professor Austregésilo teve como sucessor o Professor Deolindo Couto, um dos seus discípulos mais brilhantes, após concurso público dos mais disputados. O Professor Deolindo Couto manteve a tradição e o excelente nível científico da primeira escola de neurologia do Brasil.

 

PUBLICAÇÕES LITERÁRIAS

Austregésilo dedicou-se à literatura, publicando inúmeros ensaios e um único romance. Tendo estilo considerado difícil e "complicado", foi alvo de comentários desairosos por parte de alguns jornalistas e críticos literários1.

Dentre as suas principais publicações literárias, salientam-se1,3,8: -Manchas, prosa poética, 1898; -Palavras acadêmicas, discursos, 1916; -Pequenos males, ensaio, 1917; -O mal da vida, ensaio, 1920; -Preceitos e conceitos, ensaio, 1921; -Educação da alma, ensaio, 1921; -Pessimismo risonho, ensaio, 1922; -Livro dos sentimentos, ensaio,1923; -Meditações, ensaio, 1923; -Perfil da mulher brasileira, ensaio,1924; -As forças curativas do espírito, ensaio,1926; -O meu e o teu, forças psicológicas, ensaio, 1932; -Caracteres humanos, ensaio, 1933; -Lições da vida, ensaio, 1934; -Disciplina espiritual, ensaio, 1934; -Ascenção espiritual, ensaio,1934; -Pensar, sentir e atuar, ensaio, 1935; -Viagem interior, ensaio, 1935; -Estátuas harmoniosas, ensaio, 1940; -Perfis de loucos, estudos psicológicos, ensaio, 1943; -Afeto e inteligência,ensaio, 1943; -Moral biológica, ensaio,1945; -Da biótica humana, ensaio,1953; -Vidas desgraçadas, romance, 1950.

 

CONTRIBUIÇÕES À NEUROLOGIA, PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA

Além de ser o pioneiro da neurologia brasileira, Austregésilo foi também o criador da neurocirurgia em nosso país. Em 1928, após visita aos serviços de Cushing e Frazier, nos Estados Unidos da América do Norte, estimula o Dr. José Ribe Portugal a iniciar a neurocirurgia no Rio de Janeiro1,9.

Dentre suas principais contribuições científicas deve-se considerar a descrição semiológica de um sinal sucedâneo do clássico sinal de Babinski1,4,10. Van Gijn publicou em 1996 o livro "The Babinski sign: a centenary" e nesta obra ele descreve os principais chamados rival signs, entre eles o sinal de Austregésilo e Esposel, publicado em 1912 no periódico L'Encéphale, com o título de "Le phénomène de Babinski, provoqué par l'excitation de la cuisse"10,11. Obtém-se o sinal através da estimulação (em vários pontos, superficial ou profundamente) da face anterior ou interna da coxa, com o desencadeamento do fenômeno de extensão do halux e eventual abertura dos artelhos em leque, no lado com disfunção do sistema piramidal. Apesar deste sinal semiológico não ter sensibilidade peculiar, ele ficou reconhecido internacionalmente como um dos sucedâneos do sinal de Babinski (Fig 2)11.

 

 

Destacam-se em sua produção científica os seguintes volumes1,3-8: -Estudo clínico do delírio, Tese, 1899; -As últimas aquisições no domínio dos reflexos, 1916; - Psiconeurose e sexualidade, 1919; - Clínica médica, 1917; - Clínica neurológica: volumes 1, 2, 3, (1917,1934, 1945); - A cura dos nervosos, 1917; - Educação da alma, 1922; - As forças curativas do espírito,1926; - Conselhos práticos aos nervosos, 1928; - As psiconeuroses, 1933; - Novas aquisições no domínio da Neurologia, 1934; - L'analyse mentale en pratique medicale,1936; - L'analyse mentale dans les psychoneuroses,1936; - Troubles nerveux et mentaux dans les maladies tropicales, 1937; - As psiconeuroses, 1939; - Manuel practique de psycotherapie, 1940; - Ensaios de filosofia biológica, 1941; - Neuroses sexuais,1941; - Fames libido. Ego,1941; - Patologia mental,1948; - Psicologia e psicoterapia,1951; - Vitaminas y sistema nervosio,1952; - Mielose funicular difusa,1952.

Quase todas as obras de Austregésilo foram traduzidas para a língua espanhola.

Muitos de seus artigos científicos, abordando as diferentes áreas da neurologia, foram publicados pelo mestre em revistas nacionais e internacionais, particularmente na França, destacando-se as renomadas "Revue Neurologique" "L'Encephale"1. Podem-se citar algumas dessas contribuições de Austregésilo e de seus discípulos: - Les reflexes pendulaires et pseudo-pendulaires: Revue Neurologique 192712; - Tumeur du plexus choroide: Revue Neurologique 192713; - Contribution brésilienne à l'etude de la sclérose amyotrophique: Revue Neurologique 193014; - Le petit cérébellisme: Revue Sud-Américaine de Médecine et de Chirurgie 193015; - Les chorées et les manifestations choréiformes: Revue Neurologique 193016; - Conception clinique des neuronoses et des neuromyéloses: L'Encephale 193817; - Aphasie et lobe parietal gauche: Presse Medicale 194018; - La fréquence de la sclerose em plaques au Brésil: Revue neurologique 194219; - Myéloses seniles: Revue Neurologique 194820.

Muitos estudos científicos produzidos por Austregésilo e seus assistentes tiveram grande repercussão internacional e SAK Wilson em seu famoso livro "Neurology", publicado em Londres em 1940, cita vários deles21.

 

CONTRIBUIÇÕES AOS DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO

Austregésilo realizou várias publicações científicas na área dos movimentos anormais, a maior parte delas em periódicos franceses, onde se concentrava a produção neurológica de destaque da época.

Os principais distúrbios do movimento enfatizados foram as distonias, os tiques, as coréias, incluindo os trabalhos sobre hemi-coréia e o parkinsonismo1,5-7,21-23.

Quanto às distonias, considera-se que o primeiro caso de distonia pós-traumática publicado na literatura mundial é o de Austregésilo e Marques, na publicação "Dystonies" (Revue Neurologique, 1928). Tratava-se de um paciente de 25 anos de idade, com história de início aos 13 anos de idade, após queda de um bonde e traumatismo craniano, com posterior desenvolvimento de distonia generalizada. O artigo faz referência a outros quatro pacientes com distonia de diferentes causas, todos documentados por fotografias24.

No que concerne às coréias Austregésilo ressaltou, em palestra proferida na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1915, que "nada mais fácil e nada mais difícil que diagnosticar coréias"6.

Considerava a coréia de Sydenham uma encefalite "ligeira" e curável, enquanto que a coréia de Huntington ,chamada degenerativa, foi motivo de estudos que complementaram o estudo clássico de Couto, publicado no Brasil em 18911,6.

No ano de 1924, Austregésilo e seu discípulo Gallotti publicaram na Revue Neurologique o estudo " Sur un cas d'hémiparésie et d'hémichorée avec lésion du noyau caudé "25. Trata-se sem sombra de dúvida de um trabalho de vanguarda para a época. D. Denny-Brown em seu livro clássico "The basal ganglia and their relation to disorders of movement " publicado em 1962, faz referência a este importante trabalho22.

Já em 1930 Austregésilo publicou na Revue Neurologique o artigo intitulado "Les chorées et les manifestations choréiformes". Neste estudo, ele resumiu os principais diagnósticos diferenciais das coréias, em particular os tiques e as mioclonias16.

Os tiques também foram objeto de publicações por parte de Austregésilo e seus colaboradores. Em 1917 foram publicados vários relatos de casos (Clínica Neurológica, Faculdade de Medicina, Rio de Janeiro) com comentários e discussões propedêuticas, caracterizando os tiques como uma psiconeurose (obsessão), conceito vigente na época, enfatizando o diagnóstico diferencial com as coréias, e a definição da doença descrita por Gilles de La Tourette em 18856.

Austregésilo foi o introdutor e divulgador no Brasil de dois tratamentos para a síndrome parkinsoniana. Em primeiro lugar o uso de escopolamina e posteriormente a fórmula criada por Roemer, com o uso de sulfato de atropina. Este tratamento foi sugerido no artigo intitulado: "O tratamento atropínico da síndrome parkinsoniana" publicado em 19457.

O Professor Austregésilo foi o pioneiro da neurologia no Brasil, tendo ao longo de sua profícua carreira acadêmica, como professor catedrático de neurologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, posteriormente denominada Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicado diversos trabalhos científicos de nível internacional, particularmente na área dos distúrbios do movimento.

 

REFERÊNCIAS

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2. Gomes MM. Marcos históricos da neurologia. Rio de Janeiro: Editora Científica Nacional,1997:163-165.         [ Links ]

3. Academia Brasileira de Letras Home-page. A. Austregésilo- cadeira 30. Rio de Janeiro,1998.         [ Links ]

4. Austregésilo A. As últimas aquisições no domínio dos reflexos. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commércio, 1916.         [ Links ]

5. Austregésilo A. Novas aquisições em patologia e terapêutica nervosas. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Waissman-Koogan, 1934.         [ Links ]

6. Austregésilo A. Clínica Neurológica. Rio de janeiro: Francisco Alves & Cia, 1917.         [ Links ]

7. Austregésilo A. Clínica Neurológica (3ª Série). Rio de Janeiro: Waissman, Koogan Ltda, 1945.         [ Links ]

8. Austregésilo A. As forças curativas do espírito (persuação, fé, sugestão, psicanálise). Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1926.         [ Links ]

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12. Austregésilo A, Rodrigues IC, Marques A. Les réflexes pendulaires et pseudo-pendulaires. Rev Neurol 1927;II(3):262-268.         [ Links ]

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15. Austregésilo A. Le petit cérebellisme. Revue Sud-Américaine de Médicine et de Chirurgie 1930;12:1237-1242.         [ Links ]

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23. Krauss JK, Mohadjer M, Braus DF, Wakhloo AJ, Nobbe F, Mundinger F. Dystonia folowing head trauma: a report of nine patients and review of the literature. Mov Disord 1992;3:263-272.         [ Links ]

24. Austregésilo A, Marques A. Dystonies. Rev Neurol 1928;2:562-575.         [ Links ]

25. Austregésilo A, Galotti O. Sur un cas d'hémiparésie et d'hémichorée avec lésion du noyau caudé. Rev Neurol 1924;(I)1:41.         [ Links ]

26. Trabalhos neurológicos comemorativos do jubileu de magistério do Professor Antonio Austregésilo. Prefácio: B Albaglis. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores, 1954.         [ Links ]

 

 

Hospital de Clínicas de Universidade Federal do Paraná (UFPR): *Professor Assistente de Neurologia; **Residente de Neurologia; ***Neurologista; ****Professor Adjunto de Neurologia; *****Professor Titular de Neurologia. Aceite: 4-junho-1999.

Dr. Hélio A.G. Teive - Serviço de Neurologia, Hospital de Clínicas UFPR - Rua General Carneiro181, 12º andar 80060-900 Curitiba PR - Brasil. Fax 041 264 3606.