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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705

Bragantia vol.12 no.7-9 Campinas July/Sept. 1952

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051952000300002 

Melhoramento do milho(1). II — Germoplasma utilizado nos trabalhos de seleção

 

 

G. P. ViegasI; C. A. KrugII, (2)

IEngenheiro agrônomo, Secção de Cereais e Leguminosas
IIEngenheiro agrônomo, diretor, Instituto Agronômico de Campinas

 

 


RESUMO

No trabalho de melhoramento de milho que, a partir de 1932, vem sendo conduzido pelo Instituto Agronômico de Campinas, procurou-se obter linhagens das mais diversas procedências e origens, tendo em vista a diversificação do material genético a ser eventualmente utilizado. Neste sentido, foram feitos esforços com o intuito de introduzir, no Estado de São Paulo, sementes de variedades, linhagens e híbridos cultivados alhures. Até o ano de 1951, haviam sido recebidas 1405 amostras, a maior parte das quais provenientes dos Estados Unidos e do próprio país. Da Colômbia, Peru e Bolívia, também foi recebido muito material. Ultimamente, deram ingresso numerosos híbridos efetuados pela Oficina de Estúdios Especiales, na Colômbia e no México, cruzando híbridos simples sintetizados naqueles países, com híbridos simples obtidos no Brasil.
As variedades de milho amarelo-duro introduzidas, que melhor se portaram na coleção anualmente plantada, e onde foram feitas observações preliminares sobre o comportamento, nas nossas condições, foram incluídas em ensaios instalados em Campinas, Ribeirão Prêto e Pindorama. Dentre elas, salientaram-se as var. 1-Catêto; 333-Creole Yellow Flint e 417-Assis Brasil. Igualmente, as variedades amarelo-dente mais promissoras foram também ensaiadas, destacando-se: 373-Itaici e 986-Tuxpan.
Mais de 50 variedades foram autofecundadas com o intuito de serem obtidas boas linhagens. De 20 variedades, existem linhagens na nossa coleção. A maior parte destas linhagens, no que concerne a milho duro-ama-relo, provém da var. Catêto. Dentre elas, podemos mencionar a L. 483, que apresenta bons caracteres agronômicos e capacidade específica e geral de combinação, igualmente, muito satisfatória. Outros investigadores, no país, também obtiveram boas linhagens derivadas dêsse milho.
Dentre as variedades amarelo-dente, foi isolada, em Campinas, a L. 2233 da var. 739-Tuxpan. Em Ipanema, foram obtidas linhagens muito promissoras derivadas do mesmo milho. Cumpre ressaltar ainda que, em Viçosa, do milho Tuxpan, foi isolada a L. 94-956, cujo comportamento é muito satisfatório.
De par com as variedades, foram introduzidas também linhagens puras. Em 1941 e 1942, houve oportunidade de conseguir amostras de 153 linhagens nos Estados Unidos, obtidas nos principais centros de melhoramento do cereal em Wisconsin, Iowa, Mississippi, Illinois, Connecticut e North Carolina. De todo êsse material, apenas as conhecidas linhagens norte-americanas 38-11 e Hy portaram-se de modo relativamente satisfatório, nas nossas condições. O milho de procedência norte-americana é, em geral, muito precoce e tem pouca palha, o que o torna muito sujeito ao ataque do caruncho e da traça.
De outras procedências, como da Argentina, por exemplo, também foram obtidas algumas linhagens. Com exceção das recebidas de outros centros do próprio país, devotados ao melhoramento do milho, — notadamente Viçosa, Piracicaba e Ipanema — as demais linhagens recebidas não se portaram bem nas nossas condições.
Foram introduzidas ainda amostras de sementes de híbridos. Queremos nos referir especialmente às remessas feitas dos Estados Unidos, diretamente, ou por intermédio de firmas locais, interessadas. Êstes híbridos portaram-se, todos êles, muito mal. Atualmente, está sendo observado o comportamento dos híbridos simples sintetizados no México e na Colômbia, cruzados com híbridos obtidos no Brasil.


SUMMARY

In order to diversify the maize germplasm utilized in the breeding work conducted at the Instituto Agronômico, at Campinas, São Paulo, Brazil, efforts were made to obtain corn samples from the most diversified origins. Seeds of numerous varieties, inbred lines and hybrids were introduced and their performance observed under local conditions.
Until 1951, a total of 1405 samples were introduced, most of them being derived from various parts of Brazil. From the United States, Colombia, Peru, Bolivia also numerous samples were obtained. Recently, single crosses from Colombia, and Mexican inbred lines crossed to Brazilian single hybrids, were introduced, and are being tested under local conditions.
Yellow flint and dent varieties were tested in trials conducted at Campinas, Ribeirão Preto and Pindorama. The best ones were : 1-Catêto, 333-Creóle Yellow Flint and 417-Assis Brasil among the yellow flint and 373-Itaici and 986-Tuxpan, among the yellow dent varieties.
Plants from more than 50 distinct varieties were selfed to get inbred lines. Lines from about 20 varieties are still available. Most of these were derived from Catêto, some having now been selfed for 20 generations. L. 483 is the most outstanding one, as it has excelent agronomic features and high combining ability. From Tuxpan the line L. 94-956 was obtained in Viçosa, Minas Gerais.
In the years 1941 and 1942, 153 inbred lines and many hybrids were introduced from the United States. Their performance is not satisfactory under local conditions, as they are too early, the ears having poor husk protection.


 

 

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LITERATURA CITADA

1. Krug, C. A., G. P. Viegas e L. Paolieri. Híbridos comerciais de milho. Bragantia 3 : 367-552. 1943.         [ Links ]

 

 

(1) Trabalho apresentado à Segunda Reunião Latino-Americana de Fitogeneticistas e Fitoparasitologistas, realizada em São Paulo, Piracicaba e Campinas, de 31 de março a 8 de abril de 1952. O primeiro artigo da série corresponde ao de n.° 1, mencionado na literatura citada deste trabalho.
(2) Desejamos agradecer aqui, especialmente, aos prezados colegas Eng.os Agr.os A. Carvalho e L. A. Nucci. Ambos, trabalhando na Secção de Introdução de Plantas, não pouparam esforços na obtenção de amostras das mais variadas procedências. Compete-nos destacar a colaboração prestada pelo Eng.° Agr.° L. Paolieri, que trabalhou na Secção de Genética, até 1949.

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