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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705

Bragantia vol.16 no.unico Campinas  1957

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051957000100028 

Melhoramento do cafeeiro. XIII - Café bourbon amarelo(*)

 

Coffee breeding. XIII - yellow bourbon coffee

 

 

A. CarvalhoI; H. Antunes FilhoI; J. E. T. MendesII; W. LazzariniIII; A. Junqueira ReisIV; J. Aloisi SobrinhoV; M. Vieira de MoraesVI; R, Kerr NogueiraVI; T. R. RochaVII

IEngenheiros-agrônomos, Seção ãe Genética
IIDiretor, Divisão de Agronomia
IIIEngenheiro-agrônomo, Seção de Café
IVEngenheiro-agrônomo, Estação Experimental de Ribeirão Prêto
VEngenheiro-agrônomo, Estação Experimental de Pindorama
VIEstação Experimental de Jaú
VIIEstação Experimental de Macaca, Instituto Agronômico

 

 


RESUMO

Um conjunto de 30 plantas matrizes de Bourbon Amarelo foi selecionado em 1945, em Jaú, na propriedade "Fazendinha". As progênies dêsses cafeeiros foram plantadas nas Estações Experimentais do Instituto Agronômico em Campinas, Ribeirão Preto, Pindorama, Mococa e Jaú, em linhas de 20 plantas. Diversas observações foram feitas relativas ao desenvolvimento dos cafeeiros, produção e tipos de sementes.
De maneira geral o desenvolvimento foi considerado muito bom, com exceção de Mococa, onde as plantas apresentaram porte e produção menores devido ao terreno mais pobre onde foram plantadas. Embora tenha havido variações acentuadas no comportamento das progênies quanto à produção, verificou-se que as de n. J 30, J 3, J 8, J 10, J 11 e J 24 classificaram-se como as melhores nas cinco localidades, ao fim de oito anos seguidos de produção. As melhores plantas das boas progênies já foram incluídas em campos de aumento e suas sementes vêm sendo distribuídas aos lavradores.
Notou-se acentuada variação de produção anual do conjunto de progênies, principalmente a partir do quarto ano de colheita. As produções bienais cresceram até o terceiro biênio, estacionando ou diminuindo no quarto.
Notou-se que algumas progénies são tardias na produção, de modo que não será aconselhável a seleção precoce de progênies de Bourbon Amarelo eliminando-se as menos produtivas logo após o primeiro biênio de produção. Verificou-se, também, que as plantas de maior produção total pertencem, em grande parte, a progênies que apresentam produção média geral elevada, as quais, por sua vez, possuem variabilidade menor de produção. A curva de distribuição da produção total das plantas individuais mostrou-se variável.nas diferentes localidades; em tôdas verificou-se a ocorrência de plantas muito pouco produtivas, com produções médias inferiores à média geral subtraída de 2,57 vezes o desvio padrão geral do lote. A ocorrência desse tipo de plantas é de 1,7% no Bourbon Amarelo, inferior à que se encontra no café Mundo Novo.
Os dados referentes às porcentagens de sementes dos tipos moca e concha indicaram que não há excesso de sementes anormais. As sementes moca mostraram-se mais freqüentes em Ribeirão Prêto, e menos em Pindorama e Campinas. As sementes concha são mais freqüentes em Campinas e Pindorama, e menos em Ribeirão Prêto. Quanto à distribuição das porcentagens de sementes concha, notou-se maior variação em Campinas e Pindorama.
Com relação à ocorrência da anomalia constituída por frutos com lojas desenvolvidas e sem sementes, verificou-se que é pouco freqüente no café Bourbon Amarelo e da mesma intensidade que a verificada em outras variedades comerciais, como Bourbon Vermelho e Caturra.
A ocorrência de plantas com frutos alaranjados, heterozigotas para os alelos Xcxc, indicou que devem ser freqüentes os cruzamentos naturais no cafezal onde as plantas matrizes foram selecionadas, pois embora o número de plantas de frutos vermelhos (XcXc) no local fôsse de freqüência reduzida em relação às plantas de frutos amarelos (xcxc), a ocorrência média de plantas heterozigotas entre os descendentes foi de 2,46%.
Devido às características apresentadas por êsse grupo de progênies analisadas, tais como vigor vegetativo, alta produção e bom rendimento, confirma-se ser o Bourbon Amarelo uma variedade de café de bastante importância econômica, devendo suas seleções ser cultivadas em larga escala.


SUMMARY

Little is known about the origin of Yellow Bourbon coffee (Coffea arabica cv. Bourbon Amarelo), one of the most promising coffee varieties. It probably originated in the neighbourhood of Pederneiras, S. P. (Brazil), either as a mutation of Bourbon coffee (red fruits), or as a recombinant from an eventual natural hybridization between this variety and Amarelo de Botucatu (yellow fruits when ripe), which is a natural mutation of typica (C. arabica L. var. typica Cramer).
In order to develop new strains of this variety, 30 outstanding mother trees were chosen in 1945, in a private plantation located in Jaú, S. P. These trees were selected mainly on the basis of their vigor, plant type and apparent yield at selection time. To secure vegetative propagation branches were taken from each selected mother tree and then grafted in Campinas. Open-pollinated seeds from each tree were planted at five experiment stations of the State of São Paulo, namely, Campinas, Ribeirão Prêto, Pindorama, Mococa, Jaú. These locations show differences in soil type, and slight dissimilarities in climatic conditions. Campinas is located in the "Terra roxa-misturada" soil type, Ribeirão Prêto and Jaú on "Terra-roxa" soil, Mococa on "Massapé", and Pindorama on "Arenito Bauru" soil. At the beginning of the rainy season of 1946 the seedlings were transplanted to the field. In each location 20 plants from each mother tree were grown in lines, without replications, with a single individual tree per "hill". Individual records were taken for the first 8 years of crop (1949-56). During two or three years nearly all plants were sampled in order to determine the percentages of normal, "moca" (peaberry) and "concha" (elephant) seeds, grade of normal beans, incidence of empty fruit locules, and, in Campinas only, the ratio between weight of ripe fruits and the weight of dry seeds from these fruits (out-turn), and the weight of a thousand normal beans.
From tables 1, 6, 9, 12, 15 and 18 which summarize the annual yields of each progeny in five locations, it appears that the most promising progenies are those derived from mother trees J 30, J 3, J 8, J 10, J 11 and J 24. High yielding progenies tend to show less variability from year to year than lower yielding-groups. Outstanding trees among the highest yielding progenies have already been included in seed production plots, and their seeds are being released to farmers for the establishment of new plantations.
All progenies presented growing yields, up to the fourth crop, after which a clear biennial bearing cycle took place. Total yields per biennium increased as a rule from the first to the sixth crop, decreasing slightly in the las two years (1955-56).
It was noticed that Yellow Bourbon progenies as a rule are not so consistent in keeping their initial yield ranking, from the first four to the sixth or eighth crops, as it was shown to occur in the closely related Red Bourbon variety. This indicates that if the lowest yielding progenies were discarded on the basis of th'e first two years of crop, some late high yielding progenies would have been lost for selection at a later period. Six or eight consecutive crops may already give an indication of the best progenies and of the individual trees which are probably among those to be selected for their high yields. Out of the 30-highest yielding trees in Campinas, 70 per cent belong to progenies ranked among the first ten on the basis of progeny mean yields. In Ribeirão Preto, Pindorama, Mococa and Jaú these figures were 90, 73, 60 and 80 per cent, respectively. This seems to indicate that under these circunstances selection should rather be based on the average yields of progenies.
Considering altogether the five groups of progenies in the different experiment stations, an average was found of less than 2 per cent of individual trees presenting reduced total yields, that is, less than x - 2,57 s.
The study of seed samples revealed that the highest percentage of "moca" seed is that from Ribeirão Prêto and the lowest one those from Campinas and Pindorama. These two locations, however, presented the highest percentages of "concha", while in Ribeirão Prêto the incidence of this abnormality was the lowest. Tables 20 and 21 summarize the characteristics of the distributions of these individual percentages of "moca" and "concha" seeds.
All plants were examined for the presence of empty fruit locules. The incidence of this abnormality is low, as it is normally found in commercial varieties such as Red Bourbon and Caturra.
Out of 2,930 plants belonging to 30 progenies grown in five' locations, 82 or 2.57c had fruits of a light red colour, being heterozygotes Xcxc. These plants resulted, as expected, from natural cross-pollination in the original plot where the seeds of mother trees were collected. If taken as a measure of the amount of cross-pollination this percentage may be considered as relatively high, because few plants with red fruits (XcXc) were noticed in the original plot of Yellow Bourbon.
From these studies it may be concluded that due to their excellent agronomic characteristics the new strains of Yellow Bourbon coffee will have an outstanding place among the commercial varieties for the Brazilian coffee areas.


 

 

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LITERATURA CITADA

1.  ANTUNES, H. (filho) & CARVALHO, A. Melhoramento do cafeeiro. XI. Análise da produção de progênies e híbridos de Bourbon Vermelho. Bragantia 16: [175]-195. 1957.         [ Links ]

2.  CARVALHO, A. Taxonomia dé Coffea arabica L. V. Algumas recombinações genéticas. Bragantia 12:[171]-178. 1952.         [ Links ]

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5. KRUG, C. A., MENDES, J. E. T. & CARVALHO, A. Taxonomia de Coffea arabica L. Descrição das variedades e formas encontradas no Estado de S. Paulo. Campinas, Instituto agronômico, 1938. 57 p. (Boletim técnico n. 62)        [ Links ]

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Recebido para publicação em 8 de outubro de 1957.

 

 

(*) Em vista de se tratar de um trabalho executado em diversas Estações Experimentais do Instituto Agronômico e por um tempo relativamente longo, vários foram os técnicos que ativamente colaboraram neste projeto além dos autores e aos quais expressamos agradecimentos. Em Campinas, agradecemos a colaboração doa engs. agrs. C. A. Krug e Célio S. Novais Antunes, nas primeiras observações realizadas, ao eng. agr. Hélio J. Scaranari pela participação na fase final do projeto e ao eng. agr. R. Forster, chefe da Estação Experimental Central, pelo auxílio no setor agronômico. Em Ribeirão Prêto, destacamos a colaboração do antigo chefe da Estação Experimental, eng. agr. O. A. Camprim pelos trabalhos preliminares de instalação do lote. Em Pindorama, somos gratos igualmente pelo auxílio do atual chefe eng. agr. Guilherme de P. Castro. Queremos ainda salientar a colaboração dos engs. agrs. C. G. Fraga Júnior e A. Conagin, da Seção de Técnica Experimental, pelo auxílio e recomendações dadas, e ao sr. A. Haddad, pelos cálculos efetuados. Somos também gratos pela colaboração prestada pelos saudosos engs. agrs. M. P. Penteado, em Pindorama e Hélio de Moraes, em Jaú.

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