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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 56 n. 2 Campinas  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051997000200015 

MANEJO DA ÁGUA E UTILIZAÇÃO DE OXYFLUORFEN NO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO NO SISTEMA PRÉ-GERMINADO(1)

 

ENES FURLANI JUNIOR(2,5), JOSÉ RICARDO MACHADO(3), OMAR VIEIRA VILLELA(4) e EDIVALDO DOMINGUES VELINI(3)

 

 

RESUMO

Realizou-se uma pesquisa no ano agrícola 1993/94, na Estação Experimental de Pindamonhangaba (SP), e cujos objetivos foram verificar a necessidade da troca da água no sistema de cultivo pré-germinado para arroz (Oryza sativa L.) irrigado por inundação e o efeito de doses do herbicida Oxyfluorfen (240 g de ingrediente ativo por litro do produto comercial) e momento de inundação da área, sobre o comportamento da cultura do arroz e reflexos sobre a comunidade de plantas daninhas presentes nas áreas experimentais. Utilizaram-se os tratamentos TI10 - testemunha inundada 10 dias após o preparo do solo, e TIPS - testemunha com solo inundado logo após o preparo do solo, comparadas com duas doses de Oxyfluorfen (1 e 2 L/ha do produto comercial ) e ao manejo com e sem troca da água tratada com herbicida. O uso da inundação logo após o preparo do solo e do herbicida ocasiona os melhores níveis de controle das plantas daninhas. A inundação logo após o preparo do solo propicia os melhores níveis de controle das plantas daninhas, quando comparado à inundação realizada 10 dias após. O Oxyfluorfen mostrou-se eficiente no controle das plantas daninhas, principalmente o capim-arroz (Echinochloa sp.), no sistema com sementes pré-germinadas em arroz irrigado por inundação. Respeitando-se o período de carência para posterior semeadura e não ocorrendo baixa luminosidade durante esse tempo, não há necessidade de efetuar a troca da água onde foi aplicado o herbicida Oxyfluorfen.

Termos de indexação: arroz, Oryza sativa L., sistema pré-germinado, Oxyfluorfen, capim-arroz, Echinochloa sp., plantas daninhas, manejo da água.

 

ABSTRACT

WATER MANAGEMENT AND THE USE OF OXYFLUORFEN FOR WEED CONTROL IN THE WATER SEEDED RICE CROP

This research was carried out at Pindamonhangaba Experimental Station, Instituto Agronômico, State of São Paulo, Brazil. During the growing season 93/94 the effects of water exchange, herbicide doses and water admission delay on weed control and rice development yield were evaluated. Herbicide Oxyfluorfen was tested along with two control treatments: TI10 (10 day-water admission delay) and TIPS (immediate water admission, after soil tillage); two doses (1 and 2 L/ha) of commercial product and two water management conditions: CT and ST ( with and without exchange of treated water). The experiment was placed in a factorial design 2 x 2 (doses x water management) compared with TI10 and TIPS in a randomized complete block design. The results showed that the Oxyfluorfen was effective for weed control and selective to rice. Immediate water admission by flooding just after soil tillage, reduced significantly weeds infestation, mainly Echinochloa sp. The water exchange can be supressed after ten days for the water seeded rice. The immediate water admission just after soil tillage, the herbicide use and absence of water exchange reduced the weed population.

Index terms: rice, Oryza sativa L., weeds, water seeded system, Oxyfluorfen, Echinochloa sp., water management.

 

 

1. INTRODUÇÃO

A cultura do arroz desempenha um papel fundamental na nutrição humana, sendo responsável pela alimentação de mais de dois terços da população mundial, distribuída desde o Nordeste da China até o Sul da Austrália (Sousa & Alcântara, 1984), existindo um predomínio do sistema de cultivo sob irrigação por inundação. No Brasil, no entanto, é contrastante, uma vez que o arroz irrigado por inundação ocupa menos de 30% da área de cultivo, sendo responsável, entretanto, por 55% da produção nacional. Sua produtividade média é baixa, quando comparada àquela obtida em alguns países asiáticos. Tal fato pode ser debitado a vários fatores, sobretudo a interferência imposta pelas plantas daninhas.

Entre os sistemas de cultivo de arroz irrigado que oferecem bom controle dessas plantas, citam-se o de transplantio manual de mudas e o de semeadura com o emprego de sementes pré-germinadas. Devido ao elevado custo de mão-de-obra, o transplantio manual de mudas tem sido pouco adotado pelos agricultores.

O emprego de sementes pré-germinadas, em semeadura direta sobre uma lâmina d'água, é amplamente adotada nos Estados Unidos e na Europa, restringindo-se, no Brasil, ao Estado de Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul (Sousa & Alcântara, 1994). Tal sistema está, paulatinamente, ocupando as várzeas do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, visando minimizar os problemas com as plantas daninhas, principalmente o arroz-vermelho. Este sistema tem como requisito o uso de herbicidas, aplicados sobre a lâmina d'água, antes da semeadura, constituindo a necessidade da troca da água para posterior semeadura, bem como o momento ideal para admissão de água nos tabuleiros, algumas práticas de manejo que devem ser mais bem estudadas.

O presente trabalho teve por objetivos verificar o momento ideal para admissão de água no tabuleiro, a necessidade de troca de água antes da semeadura e a eficiência da aplicação do herbicida Oxyfluorfen no controle das plantas daninhas e no comportamento da cultura do arroz irrigado no sistema de semeadura com sementes pré-germinadas.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi desenvolvido na Estação Experimental do Instituto Agronômico, no município de Pindamonhagaba (SP), definida pelas coordenadas geográficas 22o55'S de latitude e 45o30'W Grw de longitude e 590 metros de altitude. O clima regional foi considerado, segundo a classificação de Köppen, como Cwa, com inverno seco, temperatura média anual de 28,9oC e precipitação média anual de 1.334 mm e, o solo, classificado como glei pouco húmico. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com quatro repetições. Para efetuar a análise da influência das doses do herbicida e da troca ou não da água tratada pelo Oxyfluorfen (240 g de ingrediente ativo por litro do produto comercial), optou-se por utilizar um esquema fatorial 2 x 2, num total de quatro tratamentos com o produto químico e duas testemunhas, com os tratamentos:

I. Após o preparo do solo e o nivelamento com água, as parcelas permaneceram inundadas e, na semeadura, não foi efetuada a troca da água (TIPS: testemunha com solo inundado logo após o preparo do solo);

II. Depois do preparo do solo e o nivelamento com água, as parcelas inundadas foram imediatamente drenadas, com o intuito de permitir a emergência das plantas daninhas. Passado o décimo dia da drenagem, a área foi novamente inundada (TI10 - testemunha inundada 10 dias depois do preparo do solo);

III. Preparado o solo e feito o nivelamento com água, as parcelas permaneceram inundadas e, imedia-tamente a seguir, efetuou-se a drenagem, aguardando-se a emergência das plantas daninhas. Depois de dez dias da drenagem, a área foi reinundada e aplicou-se o Oxyfluorfen sobre a lâmina da água na dose de 1 L/ha (produto comercial); oito dias após sua aplicação, efetuou-se a troca de água e, posteriormente, a semeadura a lanço (D1CT);

IV. Procedimento semelhante ao tratamento II, não se efetuando, no entanto, a troca da água (D1ST);

V. Após a emergência das plantas daninhas, admitiu-se água e aplicou-se o Oxyfluorfen na dose de 2 L/ha e, passados oito dias, efetuou-se a troca da água e a semeadura a lanço (D2CT);

VI. Depois da emergência das plantas daninhas, admitiu-se água e aplicou-se o Oxyfluorfen na dose de 2 L/ha, não se realizando a troca da água (D2ST). Preparado o solo, aplicaram-se 400 kg/ha de adubo na formulação 4-14-8, em área total e, em seguida, foram inundadas e imediatamente drenadas, com exceção do tratamento de inundação após o preparo do solo, que permaneceu inundado. Esse preparo consistiu em uma aração, gradagem e nivelamento das parcelas com a área inundada.

Decorridos dez dias, fez-se a inundação dos demais tratamentos e a aplicação do herbicida, excetuando-se as duas testemunhas. A aplicação foi sobre a lâmina da água, com um pulverizador costal desprovido do bico dosador. Antes da aplicação, avaliou-se a comunidade infestante das parcelas.

A semeadura manual foi efetuada oito dias após a aplicação do herbicida, mediante 180 kg/ha de sementes pré-germinadas do cultivar de arroz IAC 102. As sementes foram pré-germinadas em água, realizando-se a semeadura em 21/1/94. Efetuou-se a adubação em cobertura, mediante 200 kg/ha de sulfato de amônio, 40 dias após a semeação, em pleno perfilhamento.

Anotaram-se dados de emergência das plântulas, perfilhamento, diferenciação do primórdio de panícula, florescimento e maturação.

Os dados avaliados foram: altura da planta, comprimento da panícula, número de colmos/metro quadrado, massa e número de espiguetas por panícula, espiguetas granadas por panícula, espiguetas chochas por panícula, massa de mil grãos e massa de grãos da área útil da parcela. A população de plantas daninhas foi avaliada antes da aplicação do herbicida e aos 12 e 50 dias após a aplicação e na colheita, por meio de duas amostras de 0,25 m2, correspondentes a 0,5 m2 da área de cada parcela.

Efetuou-se a colheita em 20/5/94 e o cálculo da porcentagem de redução e de aumento do número de plantas daninhas, tomando-se por base a avaliação antes da aplicação do herbicida, comparando-a às outras avaliações.

Realizou-se a análise da variância, sendo as médias dos tratamentos que compunham o esquema fatorial 2 x 2 comparadas pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade, enquanto se utilizou o teste de Dunnet ao nível de 5% para confrontar os tratamentos com as testemunhas.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A inundação logo após o preparo do solo (TIPS) e sua manutenção até a semeadura reduziram a densidade de capim-arroz (Echinochloa sp.) e de angiquinho (Aeschynomene sp.) (Quadro 1). Tais resultados estão de acordo com aqueles obtidos por Reddy & Raju (1987), os quais encontraram, em solo sob inundação contínua, 22,7 g/m2 de massa das plantas daninhas e, em solo apenas saturado, 43,1 g/m2.

 

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Comparando-se a avaliação realizada 12 dias após a pulverização do herbicida com a inicial, antes da pulverização, observou-se que a entrada de água, após o período de drenagem, controlou o capim-arroz, que emergiu durante aquele período, mas não o angiquinho (TI10). Todavia, a irrigação por inundação contínua (TIPS) controlou as duas espécies (Quadro 1). Tais resultados se assemelham àqueles obtidos por Smith & Fox (1973), que verificaram, respectivamente, 93 e uma planta de capim-arroz, para as condições de saturação do solo e inundação contínua. Richard Jr. & Street (1984) observaram, tanto sob condições de inundação imediata como tardia, bons níveis de controle de capim-arroz com herbicidas aplicados em pré- e em pós-emergência das plantas daninhas, Andrade (1987) observou que essa planta daninha é controlada com eficiência pelos grami-nicidas, na fase de uma a três folhas, propiciando, assim, bons níveis de controle, tendo sido o caso do presente trabalho com a utilização do Oxyfluorfen.

A avaliação do número de colmos de arroz/metro quadrado, efetuada aos 50 dias após a aplicação do herbicida, foi realizada com o intuito de verificar seu efeito sobre as plantas de arroz. Comparando o número de colmos/metro quadrado nos tratamentos com herbicida com o verificado nas testemunhas sem o produto, não se detectaram diferenças entre os tratamentos (Quadro 1). Como as plantas não apresentavam sintomas visíveis de fitotoxicidade, o menor número de colmos de arroz ocorrido no tratamento TI10 provavelmente fosse decorrente da competição com as plantas daninhas, no início do desenvolvimento da planta de arroz. Nesse tratamento, na avaliação, efetuada aos 50 dias da aplicação do herbicida, a única espécie detectada foi a tiririca (Cyperus sp.), na densidade de 17 plantas/metro quadrado. Nos demais, a densidade populacional foi baixa ou nula. Resultado semelhante foi observado por Vega & Paller Jr. (1975), os quais relataram incidência de ciperáceas da ordem de 90 plantas/metro quadrado, 28 dias após o transplantio de arroz, com lâmina de água de 7,5 cm. Deve-se destacar que as espécies de capim-arroz e angiquinho não foram observadas no momento dessa avaliação, o que reflete seus bons níveis de controle, tanto com a utilização da lâmina de água como pela combinação do seu efeito com o do herbicida. Dessa forma, deve-se aliar o controle químico ao manejo de água, para que se obtenha bom nível de controle dessas plantas daninhas.

Na colheita do arroz, notou-se maior densidade de plantas daninhas no tratamento sem inundação prévia e sem herbicida (TI10). Essa densidade foi superior à do tratamento com inundação prévia (TIPS), que, por sua vez, foi superior à dos tratamentos com herbicida (Quadro 2). Dessa forma, pode-se inferir que os tratamentos à base de herbicida são importantes para impedir a reinfestação das plantas daninhas, não somente no período crítico de competição como, também, no fim do desenvolvimento, podendo as plantas daninhas prejudicar a qualidade final do produto.

 

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Nos tratamentos com herbicidas, aqueles sem troca da água apresentaram menor número de plantas daninhas/metro quadrado (Quadro 2).

A espécie daninha de maior ocorrência na avaliação no momento da colheita - capim-macho (Ischaemum rugosum) - surgiu na área somente 50 dias após a aplicação do herbicida; por ser a espécie preponderante no momento da colheita, determinou o resultado sobre o total de plantas daninhas. Com o tratamento TI10, ocorreu maior número de indivíduos dessa espécie, devido à não-adoção de práticas de controle com inundação prévia ou utilização do herbicida. Dessa forma, com o tratamento TIPS, o número de plantas de capim-macho foi inferior ao verificado no tratamento TI10, devido ao uso da inundação prévia, que deve ter contribuído para a inibição do seu desenvolvimento. Os valores encontrados para o número de plantas de capim-macho, para os tratamentos que utilizaram o controle químico, foram substancialmente menores do que os verificados nos tratamentos TI10 e TIPS, indicando que, aliando-se o controle das plantas daninhas pela água à utilização de herbicidas, podem-se obter os melhores resultados para inibir o seu desenvolvimento.

Pela análise estatística do número de colmos de arroz/metro quadrado, pode-se verificar a não-existência de diferenças provocadas pela competição das plantas daninhas ou pelo efeito fitotóxico do herbicida sobre a planta de arroz (Quadro 2).

Os valores do número de colmos/metro quadrado obtidos, de 431 a 538, foram coerentes com a ausência de fitotoxicidade, como indicam os trabalhos de Ramos & Ishiy (1984) e Noldin (1988). Os resultados de produção de matéria seca da planta de arroz reiteram a ausência de fitotoxicidade do herbicida sobre as plantas de arroz, com ou sem troca da água e em ambas as doses utilizadas, pois não houve diferença significativa entre o maior e o menor valor (Quadro 2). Os tratamentos não afetaram a altura da planta de arroz, obtida na colheita (Quadro 3). Entretanto, evidencia-se um pequeno aumento da altura da planta, decorrente do tratamento TIPS, provavelmente ocasionado pela ação da água desde o início do desenvolvimento da planta.

 

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Em arroz irrigado por inundação, a competição por água é praticamente inexistente, mas aquela por luz e nutrientes se reflete na fase vegetativa da cultura, mais precisamente no perfilhamento pleno. No presente trabalho, o número de plantas daninhas na área experimental, por ocasião desse perfilhamento, foi notadamente inferior àquele observado no trabalho de Smith Junior (1967), que constatou uma redução de 110 para 85 cm na altura da planta, quando a densidade de plantas daninhas aumentou de zero para 277/metro quadrado. Não houve efeito dos tratamentos sobre o comprimento das panículas (Quadro 3). Da mesma forma, como para a altura da planta, a quantidade de plantas daninhas na área não afetou significativamente o comprimento da panícula, discordando dos resultados de Furlani Junior et al. (1995). Pelos dados referentes ao número de colmos com e sem panícula, pode-se verificar inexistência de diferenças significativas entre os tratamentos como, também, dos efeitos das doses e do manejo da água sobre esses componentes da produção.

Os resultados do presente trabalho podem ser explicados pela pequena quantidade de plantas daninhas presentes na área experimental, propiciando valores máximos de massa das plantas daninhas da ordem de 3,59 g/metro quadrado, produzindo, aproximadamente, 538 colmos/metro quadrado, sendo que no trabalho desenvolvido por Reddy & Raju (1987), para valores de 43 e 37,8 g/metro quadrado de massa das plantas daninhas, ocorreram 481 e 447 colmos/metro quadrado respectivamente. De acordo com os resultados para o número de colmos com e sem panícula, que, em decorrência de constituírem a base para o cálculo do perfilhamento útil, não se verificaram diferenças significativas para tal dado. A não-existência de diferenças quanto ao perfilhamento útil permite inferir que, mesmo com uma dose elevada do herbicida e não se efetuando a troca da água, obtiveram-se valores compatíveis com aqueles verificados nas testemunhas, as quais não receberam a aplicação do herbicida, indicando que não houve fitotoxicidade.

A análise dos dados referentes à massa de mil grãos permite constatar que, da mesma forma que os outros componentes da produção, não houve diferenças significativas entre tratamentos, doses e manejo da água. Conforme Yoshida (1978), esse componente é pouco afetado por fatores externos, justificando-se, assim, a inexistência de diferenças significativas entre os tratamentos, no presente trabalho.

Os dados referentes à massa, ao número de espiguetas chochas e granadas/panícula e à produtividade de grãos encontram-se no quadro 4. Mediante sua análise, pode-se verificar que a massa de espiguetas chochas, granadas e seu total não foram afetados pelos tratamentos utilizados, nem houve influência das doses de Oxyfluorfen e do manejo com ou sem a troca da água sobre tais componentes da produção. Esses resultados evidenciam que as plantas daninhas não causaram prejuízos ao desenvolvimento das espiguetas, em termos de número e de massa. O relato de Furlani Junior et al. (1995) evidencia que uma população inicial de 751 plantas daninhas/metro quadrado pode reduzir a massa de espiguetas por panícula de maneira significativa. Neste trabalho, o valor mais alto em termos de número de plantas daninhas, antes da aplicação do herbicida, foi de 22 plantas/metro quadrado (Quadro 1), o que, aparentemente, é insuficiente para afetar tanto a massa total de espiguetas como a de espiguetas granadas e chochas por panícula. O número total de espiguetas, de espiguetas chochas e granadas por panícula - Quadro 4 - atingiram, respectivamente, 78,50; 23,87 e 54,62 para o tratamento TIPS. Deve-se destacar que esses valores não diferiram dos demais tratamentos, o que indica que a competição com as plantas daninhas pode não ter afetado o número de espiguetas chochas, granadas e total/panícula.

 

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Tais resultados estão de acordo com aqueles obtidos por Reddy & Raju (1987), os quais verificaram que, variando a população de plantas daninhas de 85 para 133/metro quadrado, o número de grãos por panícula apresentou pequena variação, ou seja, de 82 para 80, evidenciando que o número de plantas daninhas deve ser maior para ocasionar danos à cultura do arroz. Dessa forma, pode-se inferir que o pequeno número de plantas daninhas detectado neste trabalho, em todos os tratamentos, não afetou o número e a massa das espiguetas. Outrossim, deve-se salientar que o Oxyfluorfen aplicado em condições de troca e de não-troca da água, não afetou nem o número nem a massa das espiguetas.

A análise dos dados referentes à produtividade de grãos (Quadro 4) permitiu constatar que o tratamento TI10, no qual a inundação foi retardada, produziu 25% menos do que aquele com inundação imediata e 22,3% menos do que a média dos tratamentos em que foi utilizado o herbicida, embora tais diferenças não se mostrem estatisticamente significativas. No entanto, refletem a necessidade de que se efetue a inundação da área o mais breve possível, para minimizar os efeitos das plantas daninhas sobre a cultura do arroz.

Tais resultados estão de acordo com aqueles obtidos por Noldin (1988), que verificou a possibilidade do controle do arroz-vermelho e do capim-arroz com herbicidas aplicados sobre o solo inundado, seguido da semeadura a lanço com sementes pré-germinadas, sem, contudo, efetuar a troca da água. Assim, é possível inferir que, para as condições deste trabalho, é possível utilizar o manejo sem a troca da água, sem afetar a produtividade de grãos.

 

4. CONCLUSÕES

A utilização da inundação, logo depois do preparo do solo, e o uso do herbicida Oxyfluorfen resultaram nos melhores níveis de controle das plantas daninhas. Esse herbicida se mostrou eficiente no seu controle, principalmente do capim-arroz (Echinochloa sp.), no sistema com sementes pré-germinadas. Respeitando-se o período de carência de oito dias para posterior semeadura, não foi necessário efetuar a troca da água na qual foi aplicado o Oxyfluorfen.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(1) Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor, apresentada à Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP/ Botucatu. Recebido para publicação em 19 de agosto de 1996 e aceito em 15 de agosto de 1997.

(2) Instituto Agronômico, Campinas (SP). Atualmente na Universidade de Ilha Solteira/UNESP, Caixa Postal 31, 15385-000, Ilha Solteira (SP).

(3) Departamento de Agricultura e Melhoramento Vegetal, FCA/UNESP, Caixa Postal 233, 18603-970 Botucatu (SP).

(4) Instituto Agronômico, Estação Experimental de Pindamonhangaba (SP).

(5) Com bolsa de produtividade científica do CNPq.

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