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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 57 n. 2 Campinas  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051998000200011 

V. FITOTECNIA

 

CHUVA E PREVISÃO DE ÉPOCAS DE PULVERIZAÇÃO PARA CONTROLE DAS MANCHAS FOLIARES DO AMENDOIM(1)

 

JOSÉ RICARDO MACEDO PEZZOPANE(2,3), MÁRIO JOSÉ PEDRO JÚNIOR(2,8), SÉRGIO ALMEIDA DE MORAES(4,8), IGNÁCIO JOSÉ DE GODOY(5,8), JOSÉ CARLOS VILA NOVA ALVES PEREIRA(6) e LUIS CLÁUDIO PATERNO SILVEIRA(7)

 

 

RESUMO

Foram realizados experimentos de campo, em Ribeirão Preto e Pindorama (SP), no ano agrícola de 1996/97, com o objetivo de avaliar o uso da chuva na previsão de épocas de pulverização para racionalizar o controle da mancha-preta e da mancha-castanha em amendoim. Cada experimento constituiu-se de cinco tratamentos, em blocos ao acaso com cinco repetições, utilizando-se, em todos os experimentos, o cultivar Tatu. Os tratamentos empregados foram: (A) testemunha, sem controle das doenças; (B) quatro pulverizações em datas fixas, a cada 14 dias, com início aos 42 dias após a semeadura; indicação de pulverização após a ocorrência de dois (C), quatro (D) ou seis (E) dias com chuvas diárias >2,5 mm, consecutivos ou não, com monitoramento da chuva no período entre o 35o e o 90o dia após a semeadura. As pulverizações foram realizadas com chlorothalonil, na dosagem recomendada. Para avaliar o desempenho dos tratamentos, mediram-se: índice de severidade (I%), em amostragens semanais realizadas a partir do quarto decêndio após a semeadura, sendo a intensidade das doenças durante o ciclo estimada pela área sob a curva de progresso de cada doença (ASCPD), bem como sua soma (ASCPDT). Também se avaliaram os índices de produção: produtividade (kg.ha-1), rendimento em sementes (%) e massa de 200 sementes. Segundo os resultados dos experimentos, os tratamentos com indicação de pulverização após a ocorrência de dois ou quatro dias com chuva >2,5 mm, revelaram dados semelhantes ao tratamento com pulverizações fixas, nos itens: intensidade de doença (ASCPDT) e produtividade da cultura. O desempenho desses três tratamentos foi superior à testemunha e àquele com indicação de pulverização após a ocorrência de seis dias com chuva >2,5 mm. Devido à ocorrência de elevado número de dias com precipitação pluvial no período, foi possível, nos dois experimentos, apenas a redução de uma pulverização no tratamento D em relação ao tratamento com pulverizações fixas. No C, a recomendação de pulverização com fungicidas foi praticamente semelhante ao de pulverizações fixas.

Termos de indexação: amendoim, chuva, manchas foliares, épocas de pulverização.

 

ABSTRACT

RAINFALL AND SPRAYING TIME FORECASTING FOR PEANUT LEAF SPOTS CONTROL

Field experiments were carried out at Ribeirão Preto and Pindorama, São Paulo State, Brazil, to evaluate the use of rainfall to predict the scheduling of fungicide applications to peanut early and late leaf spots control. Experiments were designed in completely randomized blocks with five replications. The following treatments were studied: (A) control, with no sprays to control leaf spots; (B) 4 sprays, on a 14-day application schedule, beginning at the 42nd day after planting; fungicide application after the occurrence of two (C), four (D) and six (E) days with daily rainfall > 2.5 mm, consecutive or not. The rainfall was monitored between 35th and 90th day after planting. The fungicide applications were made using chlorothalonil. Disease evaluations were made by a severity index, in leaflet samples at weekly intervals starting at the 30th day after planting. For each disease, disease severity was calculated by the area under the disease progress curve. A third variable was also obtained by adding the values of both diseases. The following evaluations were also made after harvesting and drying naturally: yield of unshelled peanuts kg.ha-1, shelling percentage and weight of 200 seeds. The results showed that the treatment: spraying after occurrence of 2 and 4 days with rainfall > 2.5 mm had the same performance as the 4-spraying treatment, considering disease severity and yield. These three treatments showed also better performance than those of the control and the treatment E. The occurrence of a high number of rainy days during the period of the study, allowed a reduction of only one spray for the treatment D as compared to the 4-spraying treatment, while the treatment C was similar to the control.

Index terms: peanut, rainfall, leaf spot diseases, spray scheduling.

 

 

1. INTRODUÇÃO

O cultivo do amendoim (Arachis hypogaea) é uma atividade agrícola tradicional e tem papel significativo para a economia do Estado de São Paulo, onde ocupa uma área aproximada de 80 mil hectares por ano, com produtividade média de 1.500 kg.ha-1 em casca, sendo o Estado responsável por cerca de 90% da produção nacional (CATI, 1997).

Um dos fatores limitantes à produtividade da cultura é a ocorrência de doenças da parte aérea, destacando-se, dentre elas, a mancha-castanha e a mancha-preta, causadas pelos fungos Cercospora arachidicola Hori e Cercosporidium personatum (Berk. & Curt) Deighton respectivamente. Sob condições meteorológicas favoráveis (elevadas precipitações pluviais e temperaturas) na época de cultivo, esses patógenos se tornam as mais importantes doenças da cultura, ocorrendo de forma generalizada em, praticamente, todos os campos de cultivo, variando de intensidade em função do local e da época de plantio. Nas condições de cultivo paulistas, a mancha-preta tem-se mostrado predominante e a mais severa entre as doenças foliares do amendoim (Moraes et al., 1988; Moraes & Godoy, 1997).

Diversas são as medidas utilizadas no controle da mancha-castanha e da -preta do amendoim, destacando-se, entre elas a resistência varietal e a rotação de culturas, porém o controle químico se faz necessário. Atualmente, para o cultivar Tatu, com ciclo ao redor de 110 dias, produto como o chlorothalonil, aplicado a intervalos de 14 dias, com início aos 35-40 dias após a semeadura, num total de quatro a cinco pulverizações, tem sido indicado como eficiente no controle da mancha-preta e da -castanha (CATI, 1983).

Existe a possibilidade de redução no número de pulverizações para o controle dessas doenças. Trabalhos recentes, sob as condições de cultivo do Estado de São Paulo com o cultivar Tatu (Pedro Júnior et al., 1994; Moraes et al., 1997) em vários anos, estimaram que o número necessário de aplicações de fungicidas para o controle da mancha-preta varia de um a três.

A influência de elementos climáticos, como temperatura e umidade relativa do ar sobre o desenvolvimento de epidemias das manchas foliares do amendoim, são bastante conhecidas (Jensen & Boyle, 1965; Vale & Zambolim, 1996). Um modelo de previsão dessas doenças foi desenvolvido por Jensen & Boyle (1966), levando em consideração a duração do período onde a umidade relativa é maior ou igual a 95% (medida indireta do molhamento foliar) e a temperatura mínima nesse período. Esse modelo vem sendo aplicado em cultivares de amendoim suscetíveis, nos Estados Unidos (Smith, 1986), na Argentina (Giorda et al., 1984) e também no Brasil, em particular no Estado de São Paulo (Pedro Júnior et al.,1994; Moraes et al., 1997), para uma ou ambas as doenças.

Além da eficiência do controle de doenças de plantas, métodos de pulverização para tal controle, com base em elementos climáticos, devem levar em consideração a facilidade de sua aplicação. Para as manchas foliares do amendoim, uma simplificação do monitoramento é a utilização da chuva como alternativa ao uso da temperatura e umidade relativa (Johnson et al., 1986; Davis et al., 1993). Isso é possível, pois, nas condições de cultivo do Estado de São Paulo, a temperatura geralmente é favorável aos períodos de infecção e pós-infecção da doença (Moraes et al., 1994) e nos processos de epidemias de plantas, a chuva é um parâmetro indireto das condições requeridas para a infecção, especialmente molhamento foliar, atuando também na disseminação de esporos produzidos nas primeiras lesões, conduzindo a ciclos secundários de infecção (Eversmeyer & Burleigh, 1970).

Pezzopane et al. (1996) correlacionaram os valores de severidade da mancha-preta (variável dependente) e a precipitação pluvial em diferentes limites mínimos diários (variável independente), utilizando-se de vários modelos de regressão, em diversos cultivos de amendoim nas regiões paulistas de Campinas, Ribeirão Preto e Pindorama. O modelo exponencial evidenciou os melhores coeficientes de determinação para todas as variáveis independentes utilizadas e, entre as variáveis independentes, dias com chuva excedendo o limite mínimo de 2,5 mm, consecutivos ou não, resultou na melhor estimativa de severidade da mancha-preta, indicando que esta pode ser uma boa variável a ser utilizada num sistema de previsão para o controle dessa doença.

O trabalho teve por objetivo avaliar o uso da chuva na previsão de épocas de pulverização para racionalizar o controle da mancha-preta e da -castanha do amendoim nas regiões produtoras paulistas.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram realizados em condições de campo no Núcleo de Agronomia da Alta Mogiana, Ribeirão Preto (latitude: 21º10'S, longitude: 47º48'W e altitude: 621 metros) e na Estação Experimental de Agronomia, Pindorama (latitude: 21º13'S, longitude: 48º56'W e altitude: 562 metros), do Instituto Agronômico de Campinas.

Em Ribeirão Preto, efetuou-se a semeadura em 30 de outubro de 1996 e, a colheita, em 13 de fevereiro de 1997; em Pindorama, o período experimental foi de 8 de novembro de 1996 a 17 de fevereiro de 1997. Nos dois casos, utilizou-se a cultura de amendoim (Arachis hypogaea L.), cultivar Tatu.

O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com cinco tratamentos e cinco repetições, num total de 25 parcelas. Cada parcela experimental correspondia a quatro linhas de 5 m de comprimento, com espaçamento de 0,6 m entre linhas e 0,1m entre plantas. Os tratamentos previstos para a avaliação das estratégias de controle das manchas foliares foram os seguintes:

A - Testemunha - sem controle químico de doenças.

B - Esquema tradicional de controle de doenças com quatro pulverizações em datas fixas, espaçadas de 14 dias, iniciando-se aos 42 dias da semeadura (CATI, 1983).

C - Pluviométrico - 2 dias. Controle de doenças com pulverizações após a ocorrência de 2 dias com chuvas diárias >2,5 mm, consecutivos ou não, com início do monitoramento da chuva aos 35 dias após a semeadura.

D - Pluviométrico - 4 dias. Controle de doenças com pulverizações após a ocorrência de 4 dias com chuvas diárias >2,5 mm, consecutivos ou não, com início do monitoramento da chuva passados 35 dias da semeadura.

E - Pluviométrico - 6 dias. Controle de doenças com pulverizações após a ocorrência de 6 dias com chuvas diárias >2,5 mm, consecutivos ou não, com início do monitoramento da chuva aos 35 dias depois da semeadura.

Nos três tratamentos com controle fundado na precipitação pluvial, embora o monitoramento começasse aos 35 dias da semeadura, a primeira pulverização nunca aconteceu antes dos 42 dias (Moraes & Godoy, 1995). Quando o número de dias de chuva determinados pelos tratamentos indicavam a recomendação de pulverização, esta foi realizada no máximo em 48 horas. Após as pulverizações, o monitoramento recomeçava decorridos 10 dias, respeitando as pulverizações subseqüentes um período mínimo de 14 dias, em função da carência do produto (Elliot & Spurr Junior, 1993). Além disso, não foram efetuadas pulverizações após 90 dias da semeadura (Moraes & Godoy, 1995).

Em todos os tratamentos envolvendo controle químico da doença, o fungicida utilizado foi o chlorothalonil na formulação suspensão concentrada (SC), na dosagem de 1,5 L do princípio ativo por hectare, aplicado com pulverizador costal.

Os demais tratos culturais, como o controle de plantas daninhas e insetos, bem como as adubações realizadas durante o ciclo da cultura, seguiram as recomendações técnicas oficiais (CATI, 1983).

As observações diárias de precipitação pluvial foram realizadas nos postos meteorológicos, situados a, aproximadamente, 100 m das áreas experimentais.

Para o acompanhamento do progresso da mancha-preta e mancha-castanha, fizeram-se coletas semanais de amostras compostas por 20 folíolos colhidos aleatoriamente nas duas linhas centrais de cada parcela na parte média das plantas. Avaliaram-se a porcentagem de folíolos infectados e o índice de infecção, que foi obtido pela comparação visual com escalas diagramáticas do índice de área foliar infectada apresentadas por Moraes (1987).

No total, foram realizadas nove amostragens em Ribeirão Preto e dez em Pindorama. Além disso, na última avaliação das doenças, em cada experimento, efetuou-se uma observação visual de desfolha das plantas em todas as parcelas experimentais.

A intensidade da mancha-preta e da -castanha do amendoim durante o período experimental foi estimada para cada parcela, por meio da área sob a curva de progresso da doença (ASCPD), segundo a fórmula utilizada por Shaner & Finney (1977), ou seja:

ASCPD = S [(Yi+1 + Yi)/2].(xi+1 - xi)

em que:

Yi = porcentagem de área foliar infectada pela doença (I%) na amostragem i;
Xi = tempo em dias após a semeadura na amostragem i.

Calculou-se, para cada tratamento, a quantidade de doença proporcional à ASCPD da testemunha não pulverizada (ASCPDP), bem como a soma das áreas sob a curva de progresso (ASCPDT) da mancha-preta e da -castanha para cada parcela.

Após a colheita, pesaram-se as vagens secas (10% de umidade aproximadamente), para a determinação da produtividade kg.ha-1 de vagens. Foi calculado, para cada tratamento, um índice de produtividade obtido a partir da relação entre a produtividade do respectivo tratamento e a testemunha.

Em seguida, a produção de cada parcela foi descascada manualmente, efetuando-se a pesagem das sementes. A partir desses dados, estimou-se o rendimento em sementes (relação entre a massa das sementes e a da produção em casca, expressa em porcentagem). Após a eliminação de impurezas (sementes abortadas, danificadas ou apodrecidas), pesaram-se 200 sementes por parcela, coletadas aleatoriamente.

Para cada experimento, a fim de obter o efeito dos diferentes tratamentos na ocorrência da mancha-preta e da -castanha do amendoim, bem como na produção, realizou-se o teste de Tukey ao nível de 5% para a comparação das médias, segundo Banzatto & Kronka (1992).

Os parâmetros submetidos a esse tratamento estatístico foram, para a intensidade de doença: a área sob a curva de progresso da mancha-preta e da -castanha (ASCPD) e a soma das áreas (ASCPDT), bem como a desfolha e os índices de produção: produtividade kg.ha-1, rendimento em sementes e massa de 200 sementes.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No experimento de Ribeirão Preto, verificou-se o início do aparecimento dos sintomas na amostragem realizada aos 41 dias da semeadura. O período de incubação, compreendido entre a infecção e o aparecimento dos sintomas, para a mancha-preta e a mancha-castanha do amendoim varia, aproximadamente, entre 7 e 11 dias, dependendo das condições do ambiente no período de pós-infecção (Jensen & Boyle, 1966; Moraes & Godoy, 1997).

A precipitação pluvial ocorrida a partir do 35o dia da semeadura, provavelmente tenha favorecido a ocorrência da primeira infecção pelos patógenos no experimento - Figura 1. A influência desse elemento climático, favorecendo a ocorrência da primeira infecção, fora constatada por Moraes et al. (1994).

 

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Figura 1. Curvas de progresso da mancha-preta (A) e da mancha-castanha (B) do amendoim, expressas em área sob a curva de progresso da doença (ASCPD), para o cultivar Tatu, e variação diária da chuva (C), referentes ao cultivo de Ribeirão Preto, no ano agrícola de 1996/97.

 

O aparecimento de sintomas da mancha-preta e da mancha-castanha do amendoim também é influenciado pela idade das folhas (Abdou et al., 1974): as muito novas de plantas suscetíveis são completamente imunes à infecção. No experimento de Ribeirão Preto (Figura 1), no fim do primeiro e início do segundo decêndio após a semeadura, ocorreram 8 dias com chuva, porém foram insuficientes para induzir a primeira infecção, não levando à manifestação de sintomas. Essa constatação mostra a importância em iniciar o monitoramento das condições climáticas para a indicação de controle de doenças na cultura de amendoim a partir dos 35 dias da semeadura (Moraes & Godoy, 1995); métodos de controle que consideram apenas as condições climáticas, como a chuva (Jacobi et al., 1995), monitorada após a germinação da cultura, poderiam sugerir a aplicação desnecessária de fungicida.

No experimento de Pindorama - Figura 2 - pode-se verificar que a ocorrência de dias com chuva, a partir do terceiro decêndio após a semeadura foram, provavelmente, responsáveis pela ocorrência da primeira infecção das manchas foliares, constatada na avaliação feita aos 45 dias da semeadura.

 

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Figura 2. Curvas de progresso da mancha-preta (A) e da mancha-castanha (B) do amendoim, expressas em em área sob a curva de progresso da doença (ASCPD), para o cultivar Tatu, e variação diária da chuva (C), referentes ao cultivo de Pindorama, no ano agrícola de 1996/97.

 

De maneira geral, nos dois experimentos, os tratamentos com indicação de controle após a ocorrência de 2 (Tratamento C) ou 4 (Tratamento D) dias com chuva >2,5 mm, monitorados entre o 35o e o 90o dia após a semeadura, mostraram um desempenho semelhante ao tratamento com pulverizações fixas. Pelos dados de ASCPDT e desfolha (Quadro 1) e produtividade da cultura (Quadro 2) dos experimentos, pode-se verificar que tais tratamentos não diferiram estatisticamente nesses itens. O desempenho dos três tratamentos foi superior à testemunha e àquele com indicação de controle após a ocorrência de seis dias com chuva > 2,5 mm.

 

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Em vista da ocorrência de elevado número de dias com chuva no período, foi possível, em ambos os experimentos, apenas a redução de uma pulverização no tratamento D em relação àquele com pulverizações fixas. Para o tratamento C, a recomendação foi praticamente semelhante, também, ao tratamento com pulverizações fixas.

A época de pulverização também parece ter tido efeito no desenvolvimento das doenças. Isso pode ser verificado numa comparação entre os tratamentos cujo controle era indicado com base na ocorrência de 4 ou 6 dias com precipitação pluvial acima de 2,5 mm (D e E respectivamente), no experimento de Ribeirão Preto. Embora tenha recebido o mesmo número de pulverizações (3), o tratamento D obteve menores valores de intensidade das doenças e menores incrementos na ASCPD, principalmente com relação à mancha-preta, por ocasião das últimas avaliações (Figura 1). No tratamento E, houve maior intervalo de tempo entre as pulverizações: além disso, sua última pulverização foi seguida por um período de ocorrência de vários dias com chuva, o que pode ter diminuído a eficácia do produto, não levando a um controle satisfatório (Elliott & Spurr Junior, 1993).

Embora no experimento de Pindorama tenham ocorrido reduções maiores na intensidade de doenças quando se utilizaram pulverizações com fungicida em relação à testemunha (Quadro 1), tais reduções não representaram respostas semelhantes ao experimento de Ribeirão Preto, com relação aos índices de produção. Os tratamentos B, C e D diferiram estatisticamente da testemunha em relação à produtividade; contudo, observando seu índice em relação à testemunha, pode-se verificar que foram menores que os do outro experimento (em média 135 contra 230 em Ribeirão Preto).

Segundo Moraes et al. (1994), nem sempre as respostas ao controle químico apresentam estreita relação com as ASCPDs em si ou com sua redução. Isso pode acontecer se for considerado o atraso no aparecimento da doença e sua evolução mais expressiva apenas no final do ciclo, como o caso de Pindorama (Figura 2), provocando menor efeito sobre a produção desse cultivar de ciclo curto.

Embora nas condições de cultivo de amendoim no Estado de São Paulo a mancha-preta venha ocorrendo com predominância nos últimos anos (Moraes et al., 1988; Moraes & Godoy, 1997), a mancha-castanha apresentou maior intensidade no experimento de Ribeirão Preto, talvez influenciada por ocorrência de maiores temperaturas em relação a Pindorama. Os resultados do controle proporcionado pelo uso da chuva nos dois experimentos sugerem que o uso dessa variável climática proporciona controle semelhante, independentemente do patógeno que predomina na estação de cultivo.

Jacobi et al. (1995), utilizando a chuva para indicar pulverizações com fungicida visando ao controle das manchas foliares do amendoim, no Alabama (E.U.A.), obtiveram resultados semelhantes, pois, em quatro anos de experimentação, o desempenho proporcionado pelo sistema pluviométrico foi igual em cada experimento, independentemente da predominância da mancha-castanha ou da mancha-preta do amendoim.

Com relação ao rendimento em sementes e massa de 200 sementes, os resultados foram semelhantes nos dois experimentos. No primeiro item, não houve diferença estatística entre os tratamentos. Para o segundo, os tratamentos com melhores índices de produção proporcionaram maior massa de 200 sementes.

 

4. CONCLUSÕES

1. O número de dias com chuva >2,5 mm, consecutivos ou não, elemento climático de fácil obtenção, pôde ser utilizado para indicar a necessidade de pulverização para controle das manchas foliares do amendoim.

2. Pulverização após dois ou quatro dias com chuvas diárias >2,5 mm, consecutivos ou não, com monitoramento da chuva entre 35 e 90 dias após a semeadura, mostraram o melhor desempenho no controle das manchas foliares do amendoim.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(1) Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor, apresentada à ESALQ/USP. Parcialmente financiado pela FAPESP. Recebido para publicação em 19 de novembro de 1997 e aceito em 23 de abril de 1998.

(2) Centro de Ecofisiologia e Biofísica, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13001-970 Campinas (SP).

(3) Bolsista da CAPES.

(4) Centro de Fitossanidade, IAC.

(5) Centro de Plantas Graníferas, IAC.

(6) Núcleo de Agronomia da Alta Mogiana, IAC.

(7) Estação Experimental de Agronomia de Pindorama, IAC.

(8) Com bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq.

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