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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 57 n. 2 Campinas  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051998000200013 

EFEITOS DA QUALIDADE DA ÁGUA DE PULVERIZAÇÃO SOBRE A EFICÁCIA DE HERBICIDAS APLICADOS EM PÓS-EMERGÊNCIA(1)

 

HAMILTON HUMBERTO RAMOS(2) e JULIO CEZAR DURIGAN(3)

 

 

RESUMO

Com o objetivo de estudar o efeito da qualidade da água utilizada na pulverização, sobre a eficácia de herbicidas aplicados em pós-emergência, instalou-se um experimento no ano agrícola 91/92, em área da Fazenda Experimental da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, município de Jaboticabal (SP), com 21 tratamentos e três repetições. Os tratamentos foram constituídos pelas combinações de formulações comerciais de glifosate, mistura pronta de glifosate + 2,4D, MSMA e paraquat com as águas deionizada, destilada, limpa (poço profundo), turva 1 (limpa + 2 g.L-1 de solo) e turva 2 (limpa + 10 g.L-1 de solo), além de uma testemunha, na qual não se efetuou a aplicação de herbicidas. Avaliações visuais de controle, geral e por espécie, aos 14, 30 e 45 dias após a aplicação, mostraram que nenhum dos tipos de água utilizados interferiu significativamente na eficiência dos herbicidas, independentemente do produto e da época de avaliação. As quantidades de argila adicionadas às águas denominadas de turva 1 e turva 2 não adsorveram os herbicidas paraquat e glifosate a ponto de prejudicar-lhes a ação. A análise e interpretação dos resultados obtidos, portanto, permitem concluir que o emprego de água turva, oriunda de um reservatório aberto, foi viável para aplicação de alguns herbicidas (glifosate, glifosate + 2,4-D, MSMA e paraquat) em pós-emergência, não influenciando significativamente na sua eficácia .

Termos de indexação: glifosate, 2,4D, paraquat, MSMA, qualidade da água.

 

ABSTRACT

EFFECT OF THE SPRAYING WATER QUALITY ON THE EFFICIENCY OF POS-EMERGENCE HERBICIDES

An experiment aiming to study the effect of the quality of the spraying water on the efficiency of pos-emergence herbicides was carried out at the Experimental Farm, Department of Agronomy, College of Agriculture and Veterinary of the UNESP, in Jaboticabal, State of São Paulo, Brazil, during the crop season of 1991/92. A randomized block design with 21 treatments and 3 replications was adopted. The treatments were commercial formulations of glyphosate; commercial mix of glyphosate + 2,4-D, MSMA and paraquat diluted in deionized, distilled, deep well water, turbid water 1 (clean water + 2 g.L-1 of soil with 56% of clay), turbid water 2 (clean water + 10 g.L-1 of soil with 56% of clay) and check (not sprayied). Control evaluations of the plots, both general and specific (by species) were made at 14, 30 and 45 days after spraying. The results demonstrated no significant influence of the water on the effectiveness of any of the herbicides used independently of the time of evaluation. It was concluded that water with up to 10 g.L-1 of soil in suspension can be used with no major problems as far as herbicide effectiveness is concerned.

Index terms: gliphosate, 2,4-D, paraquat, MSMA, water quality.

 

 

1. INTRODUÇÃO

A utilização de água limpa em aplicações de herbicidas nem sempre é possível, principalmente quando provém de reservatórios abertos (lago, açude, rio, etc.), sujeitos à influência das águas das chuvas. Nesses casos, é interessante saber até que ponto a argila e outros materiais em suspensão na água podem comprometer a eficácia de alguns herbicidas aplicados em pós-emergência das plantas daninhas.

As influências isoladas de partículas coloidais, bem como as de alguns íons que podem estar presentes nas águas de pulverização, sobre a ação de herbicidas aplicados em pós-emergência, têm sido estudadas por alguns autores. Sprankle et al. (1975 a, b), por exemplo, verificaram que o glifosate se liga ao solo por meio do grupamento químico que caracteriza o ácido fosfônico, e que essa ligação não parece estar relacionada com a CTC da argila, mas, sim, aos cátions sobre a argila. Argilas saturadas com Fe3+ e Al3+ e matéria orgânica adsorveram mais glifosate que argilas saturadas com Na+ e Ca2+. No entanto, segundo Rieck et al. (1974), a adição de 1% de argila montmorilonita ou matéria orgânica na solução de aplicação reduz a fitotoxicidade do glifosate em 80 a 90%, mas esta não é influenciada pela adição de 1% de caulinita. A toxicidade também foi drasticamente reduzida com uma solução 0,1 M de Al2(SO4)3.

Vários autores têm relatado o efeito de sais sobre a toxicidade do glifosate: os cátions NH4+ (Wills & McWhorther, 1985); K+ (Wills & McWhorther, 1985) e Na+ (Wills & McWhorther, 1985) e o ânion PO43 (Wills & McWhorther, 1985) são citados como potencializadores da toxicidade; Zn2+ (Phillips, 1975; Stahlman & Phillips, 1979; Wills & McWhorther, 1985); Fe3+ (Phillips, 1975; Stahlman & Phillips, 1979; Wills & McWhorther, 1985); Al (Phillips, 1975; Stahlman & Phillips, 1979) e Ca2+ (Phillips, 1975; Monsanto Co., 1979; Stahlman & Phillips, 1979; Wills & McWhorther, 1985), como redutores da toxicidade e outros, ainda, como Ca2+ (Shilling & Haller, 1989); K+ (Phillips, 1975; Stahlman & Phillips, 1979; Na+ (Phillips, 1975; Stahlman & Phillips, 1979) como não interferindo de maneira significativa na ação do glifosate. Sais dos ânions C1-, NO3-, Co32- e SO42- resultaram em incremento, redução ou nenhuma variação na toxicidade do glifosate dependendo do cátion a eles associado (Wills & McWhorther, 1985).

Para os sais que reduzem a atividade do glifosate, tem-se notado que o efeito redutor é mais pronunciado com altas concentrações (Monsanto Co., 1979; Stahlman & Phillips, 1979; O'Sullivan et al., 1981; Buhler & Burnside, 1983); baixas dosagens do produto (Monsanto Co., 1979; O'Sullivan et al., 1981; Shilling & Haller, 1989) e altos volumes de calda (Sandberg et al., 1978; Monsanto Co., 1979; Stahlman & Phillips, 1979; Jordan, 1981; O'Sullivan et al., 1981; Buhler & Burnside, 1983).

Nalewaja et al. (1991) estudaram o antagonismo de vários sais ao 2,4D amina e observaram que o Mg2+, K+ e Fe2+ foram sempre antagônicos; o Ca2+ e o Na+ foram antagônicos, exceto quando em sulfato ou fosfato, e que nenhum sal de amônio antagonizou o 2,4D. Este apresentou melhor efeito quando misturado com ácidos do que com seus sais de amônio em caldas com água destilada, bicarbonato de sódio ou sulfato férrico. Contudo, baixo pH não foi essencial na quebra do antagonismo do 2,4D aos sais, nem o 2,4D sozinho foi eficaz com pH baixo. Ânions sulfato e fosfato monobásico foram eficazes na quebra do antagonismo por bicarbonato de sódio e cloreto de sódio.

Com relação ao paraquat, Damanakis et al. (1970) observaram que a presença de poeira sobre a folha ocasionou redução de cerca de 50% na eficiência desse herbicida e que, quando água de torneira, contendo um total de 405 mg.L-1 de sólidos dissolvidos, constituídos principalmente por carbonato de cálcio e silicatos, foi utilizada para a preparação da solução de paraquat, a fitotoxicidade foi 25% menor do que quando a água destilada foi utilizada. O efeito combinado de empoeiramento e água de torneira foi aditivo e, em média, 67% menor que em água destilada sem poeira. O efeito da poeira sobre a ação do paraquat pode ser explicado pela afirmação de Almeida & Rodrigues (1985) de que esse herbicida é inativado ao entrar em contato com o solo, o que resulta de uma reação entre o cátion com dupla carga positiva com as cargas negativas dos minerais do solo.

Resultados semelhantes de redução na atividade do paraquat pelo emprego de água de torneira contendo 425 mg.L-1 de sólidos dissolvidos, compostos principalmente por bicarbonato de cálcio e sulfatos de cálcio e magnésio, no controle de Lemma minor L., foram obtidos por Parker (1966).

O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de estudar a influência da qualidade da água de pulverização sobre a eficácia de alguns herbicidas aplicados em pós-emergência das plantas daninhas.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado no pomar da Fazenda Experimental da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Campus de Jaboticabal, da Universidade Estadual Paulista (FCAV/UNESP) (latitude: 21°15'22" S; longitude: 48°18'58" WGr). O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é o Cwa, subtropical com inverno relativamente seco. A precipitação média anual é de 1.400 mm e a do mês mais seco, de 13,9 mm. A temperatura média anual é de, aproximadamente, 22 °C e, a do mês mais frio, inferior a 16 °C.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com 21 tratamentos e 3 repetições. Os tratamentos consistiram em quatro herbicidas combinados com cinco diferentes tipos de água, além da testemunha, sem herbicidas. Utilizaram-se parcelas de 4,0 x 6,0 m, demarcadas nas entrelinhas de um pomar cítrico, deixando-se, como bordadura, uma faixa de 0,5 m nas extremidades de cada parcela. As principais plantas daninhas existentes na área experimental eram capim-colonião (Panicum maximum Jacq.), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea (Link) Hitch.), capim-amargoso (Digitaria insularis (L.) Mez ex Ekman), losna-branca (Parthenium hysterophorus L.), apaga-fogo (Alternanthera ficoidea (L.) R. Br.) e guanxuma (Sida sp.).

Os tratamentos incluíram herbicidas isolados (glifosate, paraquat e MSMA) e a mistura pronta de glifosate + 2,4D amina, combinados com as águas deionizada, destilada, limpa (poço profundo), turva 1 (2 g.L-1 de solo) e turva 2 (10 g.L-1 de solo) - Quadro 1. Manteve-se também uma testemunha, sem aplicação de herbicidas.

 

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Os herbicidas usados foram formulações comerciais de glifosate (480 g.L-1 do ingrediente ativo), mistura pronta de glifosate + 2,4D amina (161,9 + 202,7 g.L-1 do ingrediente ativo), MSMA (480 g.L-1 do ingrediente ativo) e paraquat (200 g.L-1 do ingrediente ativo).

As chamadas água turva 1 e água turva 2 foram selecionadas previamente, de forma visual, em laboratório, elaborando-se várias misturas de terra coletada na faixa superficial do solo (0-20 cm de profundidade), na área experimental e água. Tais misturas foram feitas em provetas de vidro e o critério de seleção levou em consideração as duas que mais se aproximavam da água suja e muito suja encontradas normalmente no campo.

Para o preparo das águas turvas, durante a aplicação, a quantidade de solo correspondente foi adicionada à água limpa, seguida de forte agitação da suspensão. Após um minuto para que as partículas mais pesadas decantassem, o sobrenadante foi transferido para outro recipiente, onde foi adicionado o herbicida. Depois de nova agitação, a calda foi transferida para o tanque de aplicação, com auxílio de um coador, que, por sua vez, não retinha as partículas coloidais.

Os cinco tipos de água e o solo utilizados na elaboração das águas turvas foram, posteriormente, enviados ao laboratório para análises físico-químicas. A análise física do solo empregado na simulação das águas turvas mostrou que era composto por 56% de argila, 11% de limo, 14% de areia fina e 19% de areia grossa e pertencente à classe textural argila. Os resultados da análise química do solo encontram-se no Quadro 2 e, os das águas, no Quadro 3.

 

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A aplicação dos herbicidas, com seus respectivos veículos, foi realizada em 7 de janeiro de 1992, de forma dirigida, em pós-emergência tardia das plantas daninhas (altura variando entre 40 e 60 cm). Utilizou-se um pulverizador costal, à pressão constante (mantida por CO2 comprimido) de 40 lbf.pol-2 (2,81 kgf.cm-2), equipado com barra de 2,0 m de largura e quatro bicos(4) de jato plano ("leque"). Consumiu-se o equivalente a 300 L.ha-1 de calda. Nessa ocasião, coletaram-se amostras das caldas, após a passagem pelo bico, as quais foram enviadas imediatamente ao laboratório, onde se mediu o pH. As medições foram realizadas em um período máximo de 30 minutos depois da coleta das amostras e seus resultados se encontram no Quadro 4.

 

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Por ocasião da aplicação, a temperatura ambiente era de 28 °C à sombra; a insolação, alta; o solo, úmido na superfície e a velocidade do vento, variável entre 1 e 3 km.h-1. A aplicação iniciou-se às 15h30min e estendeu-se até às 17h50min.

Realizaram-se avaliações visuais de controle geral e por espécie das plantas daninhas presentes na área, aos 14, 30 e 45 dias da aplicação, utilizando-se a escala de notas da Asociación Latinoamericana de Malezas (1974), na qual a nota 1 representa 0 a 40% de controle e a 6, de 91 a 100% de controle.

Para sua análise, aplicaram-se aos resultados das avaliações visuais de controle (nota geral), para os quatro herbicidas, cinco padrões de água e três épocas de avaliação, uma análise da variância segundo o esquema de parcela subdividida, na qual as subparcelas foram representadas pelas épocas de avaliação e as parcelas, pelo fatorial 4 x 5, correspondendo aos quatro herbicidas e aos cinco padrões de água testados.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias dos resultados das avaliações visuais de controle, por espécie, e as notas gerais de controle para cada um dos tipos de água utilizados e para os vários herbicidas, nas três épocas de avaliação, são mostrados nos Quadros 5 a 8.

 

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No Quadro 7, pode-se notar um dado interessante e que foi constante durante as avaliações do experimento: o MSMA, apesar de não mostrar bom controle da maior parte das plantas daninhas, nem bom controle geral, aos 30 dias após a aplicação (DAA) já havia obtido 100% de controle da losna-branca, mantendo esse nível de controle até os 45 DAA. Na mesma linha, o paraquat tendeu a ter melhor controle da guanxuma em relação às demais plantas avaliadas (Quadro 8).

Na análise da variância para as notas gerais de controle dos quatro herbicidas testados, nas três épocas de avaliação, apenas os herbicidas e as épocas de avaliação apresentaram efeitos significativos sobre o controle das plantas daninhas, ao nível de 1%, pelo teste F. A interação herbicidas x épocas também foi significativa nesse nível, indicando existir dependência entre os efeitos desses fatores. No entanto, os cinco tipos de água testados revelaram efeitos semelhantes sobre o controle das plantas daninhas, independentemente do herbicida e da época de avaliação.

Apesar de se propiciarem, principalmente para o glifosate e para a mistura glifosate + 2,4-D amina, as condições ideais para a manifestação dos efeitos dos componentes das águas de elaboração das caldas, a eficiência dos herbicidas não foi alterada, contrariando o observado por Szabo & Buchholts (1961), Parker (1966), Damanakis et al. (1970), Phillips (1975), Stahlman & Phillips (1979), Wills & McWhorter (1985) e Nalewaja et al. (1991).

Os fatores citados como potencializadores do efeito redutor dos componentes das águas sobre a ação de herbicidas são a alta concentração de íons, a baixa dosagem do herbicida e o alto volume de calda. A Monsanto Co. (1979) cita como baixa dosagem do glifosate e, portanto, passível de ser influenciada pelo meio, 0,56 a 0,84 kg.ha-1, enquanto Shilling & Haller (1989) consideram 4,48 kg.ha-1 como uma dosagem alta do produto na qual o meio teria menor influência. As dosagens empregadas, portanto (0,72 kg.ha-1 para o produto puro e 0,97 kg.ha-1 para a mistura pronta), encontram-se dentro ou muito próximas da faixa de baixa dosagem.

O volume de calda utilizado no ensaio (300 L.ha-1) também pode ser considerado alto, visto que Stahlman & Phillips (1979) observaram uma redução significativa na atividade do glifosate aplicado com água de torneira em volumes superiores a 187 L.ha-1. Buhler & Burnside (1983) também notaram redução na atividade desse produto aplicado com 190 L.ha-1 de uma água de poço com alta concentração de íons.

A concentração de íons, no entanto, não foi controlada no ensaio e sua baixa concentração em relação às citadas por diversos autores como tendo reduzido a eficiência de alguns herbicidas (Parker, 1966; Damanakis et al., 1970; Stahlman & Phillips, 1979; O'Sullivan et al., 1981) pode ser um dos fatores responsáveis por tal resultado.

A quantidade de argila presente nas águas turvas também não foi suficiente para reduzir a eficácia dos herbicidas. Isso pode ser explicado pelo fato de a maior parte dos solos brasileiros serem compostos por argila de baixa atividade, como a caulinita. Tal conclusão é suportada por estudos de Rieck et al. (1974), segundo os quais a adição de 1% de caulinita na calda de aplicação não influenciou a eficiência do glifosate.

Essas informações permitem inferir que a utilização de água turva, oriunda de um reservatório aberto, é viável para aplicação de herbicidas em pós-emergência, não influindo na sua eficiência.

O teste de Tukey foi aplicado à interação herbicidas x épocas de controle - Quadro 9.

 

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Observa-se que o controle das plantas daninhas com a mistura comercial de glifosate + 2,4D amina e com o glifosate isolado evoluiu até 30 dias da aplicação, tendo-se mantido até 45 DAA. Tal resultado era esperado em vista da ação sistêmica desses herbicidas. O paraquat, no entanto, apresentou controle máximo aos 14 DAA, tendo decaído a seguir. Esse comportamento também pode ser explicado pelo modo de ação desse herbicida, que age basicamente nas células próximas à região do contato, com pouca ação sistêmica. O MSMA não possibilitou bom controle em nenhuma das épocas de avaliação, o que pode estar relacionado a sua baixa dosagem para as espécies de plantas daninhas existentes na área, ou ao baixo volume de calda, que pode ter prejudicado a sua ação.

 

4. CONCLUSÃO

A utilização de água turva, semelhante à oriunda de um reservatório aberto, foi viável para aplicação de alguns herbicidas (glifosate, glifosate + 2,4-D amina, MSMA e paraquat) em pós-emergência, não influenciando significativamente sua eficácia.

 

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(1) Parte da dissertação apresentada à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP, Campus de Jaboticabal. Recebido para publicação em 16 de outubro de 1995 e aceito em 7 de agosto de 1998.

(2) Centro de Mecanização e Automação Agrícola, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 26, 13201-970 Jundiaí (SP).

(3) Departamento de Defesa Fitossanitária, FCAV/UNESP, Rodovia Carlos Tonanni, km 5, 14870-000 Jaboticabal (SP).

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