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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705

Bragantia vol.69 no.1 Campinas  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87052010000100029 

ENGENHARIA AGRÍCOLA

 

Assistência de ar em barra de pulverização no controle da ferrugem asiática da soja1

 

AIR-Assistance in sleeve boom spray in the control of soybean rust

 

 

Rafael de Souza ChristovamI, II; Carlos Gilberto RaetanoI, *; Hélio Oliveira Aguiar JuniorI; Mario Henrique Ferreira do Amaral Dal-PogettoI, II; Evandro Pereira PradoI, II; Marcelo Junior GimenesI, II; Vilson Luís KunzI

IDepartamento de Produção Vegetal, Faculdade de Ciências Agronômicas - UNESP, Caixa Postal 237, 18603-970 Botucatu (SP), Brasil. E-mail: srchristovam@bol.com.br; raetano@fca.unesp.br
IIBolsista CNPq

 

 


RESUMO

O experimento foi instalado em Botucatu, na cultura da soja, safra 2006/2007. Duas tecnologias de aplicação foram comparadas: pulverização convencional (sem ar); pulverização com assistência de ar na barra nas velocidades de 9, 11 e 29 km h-1, sobre alvos artificiais, no controle da ferrugem asiática, em diferentes partes das plantas. Para a superfície adaxial das folhas, na parte superior das plantas, a assistência de ar com 11 km h-1, proporcionou maiores depósitos na superfície das folhas. Na parte inferior das plantas não houve diferença significativa entre os tratamentos. Quanto aos depósitos na superfície abaxial das folhas, na parte superior da planta, a velocidade de ar máxima gerada pelo ventilador (29 km h-1), proporcionou maiores níveis de depósitos. A assistência de ar proporcionou maior produtividade da soja, diferindo da pulverização convencional (sem ar) e testemunha (plantas não tratadas).

Palavras-chave: tecnologia de aplicação, deposição, controle químico.


ABSTRACT

The experiment was set in Botucatu, São Paulo State, Brazil, in the soybean crop, harvest 2006/07. Two application technologies have been compared: conventional spraying (without air); spraying with air assistance in the sleeve boom at 9, 11 and 29 km h-1 of the air speed on artificial targets as well as in the control of soybean rust in different parts of the plants. For the adaxial surface of leaves in the top part of the plants, the air assistance with 11 km h-1, provided greaters spray deposits. In the bottom part of the plants it was not observed significative differences between the treatments. The deposits in the abaxial surface of leaves in the top part of the plant, with maximum air speed generated by the fan (29 km h-1), provided greaters levels of deposits. The air assistance provided a higher productivity, in relation to conventional spraying (without air) and check (no treated).

Key words: application technology, deposition, chemical control.


 

 

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, um dos fatores que acarreta o aumento do custo de produção da cultura da soja é, sem dúvida, a aplicação de produtos fitossanitários. Atualmente, a doença mais preocupante na cultura é a ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi H. Sydow & Sydow, que, se não controlada, pode provocar a perda total da cultura (YORINORI et al., 2004).

Nos últimos anos, a ferrugem asiática tem merecido atenção especial devido à sua severidade e dificuldade de controle, por se desenvolver em toda a parte aérea da planta prejudicando sua fisiologia e reduzindo drasticamente a produção de grãos.

No Brasil, lavouras livres da doença ferrugem asiática da soja, podem alcançar uma produtividade média de 55 sacas ha-1, com custo de produção por volta de 40,6 sacas ha-1, sendo recomendável o controle do agente causal da doença (YORINORI, 2005).

Para o controle eficiente da ferrugem e a redução dos custos de produção deve-se aprimorar as técnicas e os equipamentos de aplicação de produtos fitossanitários, visando melhorar a distribuição da pulverização e a colocação do produto no alvo desejado, mais especificamente nas folhas localizadas no baixeiro da cultura, onde a doença inicia sua infestação.

Uma das técnicas utilizadas para melhorar a eficiência dos produtos fitossanítários no combate à ferrugem asiática da soja é a utilização de tamanho de gotas que proporcionam boa cobertura, variando entre 200 e 300 μm (OZKAN, 2005). No entanto, podem ser utilizadas gotas menores que 100 μm, com controle de deriva, e pulverizadores dotados de assistência de ar na barra de pulverização.

Estudos evidenciam que o uso da assistência de ar junto à barra de pulverização, reduz a deriva, aumentando a penetração das gotas no dossel da cultura e melhorando a distribuição da pulverização (TAYLOR et al., 1989; COOKE et al., 1990; TAYLOR e ANDERSEN, 1991; BAUER e RAETANO, 2000; RAETANO e BAUER, 2003).

Para a definição das estratégias de controle da ferrugem, quanto à tecnologia de aplicação, deve-se conhecer como os fungicidas sistêmicos se movimentam nas plantas após a aplicação e absorção. No mercado atual, a maioria dos fungicidas indicados para o controle da ferrugem da soja causam movimento no sentido da base para o ápice de cada folha, com mínima chance de movimentação no sentido contrário e sem a possibilidade de translocação de uma folha para outra (ANTUNIASSI, 2005).

Para os produtos de contato ou de menor ação sistêmica, o uso de gotas menores e/ou maior volume de calda torna-se necessário, devido à maior dependência com relação à cobertura dos alvos. Os produtos sistêmicos podem ser aplicados com menor densidade de gotas, permitindo o uso de gotas maiores, o que facilita a adoção de técnicas para redução de deriva e melhora a segurança da aplicação aumentando a eficiência. Se usadas de maneira correta, gotas grossas proporcionam bom nível de depósito, mas não proporcionam boas condições de cobertura e penetração (ANTUNIASSI, 2006).

No Brasil, novas técnicas de aplicação de produtos fitossanitários, têm sido desenvolvidas na Região Centro-Oeste (Cerrado) para controle da ferrugem asiática. Assim, o presente trabalho teve como objetivo comparar diferentes tecnologias de aplicação de produtos fitossanitários: barra de pulverização com e sem assistência de ar, sobre alvos artificiais, bem como o efeito dessas tecnologias no controle da ferrugem asiática, sobre parâmetros da produção e produtividade da cultura da soja.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado em Botucatu, Gleba Cascalheira, na cultura da soja, com a cv. Conquista, na safra agrícol de 2006/2007. A área está situada a uma altitude de 724 metros, a 22°48'59,7" S e 48°25'38,2" W.

A seleção da cultivar Conquista deveu-se à arquitetura da planta com folhas maiores, ciclo de desenvolvimento mais prolongado e porte da planta maior, características que proporcionam um microclima favorável ao desenvolvimento da ferrugem asiática da soja.

A semeadura da soja foi realizada em 18/12/2006, com espaçamento de 0,45 m entre linhas de plantio, no sistema de plantio convencional. A colheita foi realizada em 4/5/2007.

Utilizou-se o delineamento de blocos ao acaso, com quatro tratamentos: 0, 9, 11 e 29 km h-1 de velocidade do ar na barra de pulverização, em seis repetições, totalizando 24 unidades experimentais, com dimensões de 8,0 x 10,0 m (largura x comprimento). Para o controle da ferrugem asiática, empregaram-se os mesmos tratamentos, acrescido da testemunha (plantas não tratadas), com seis repetições, totalizando 30 unidades experimentais.

A regulagem da velocidade do ar junto à barra foi feita pelo número de voltas do dispositivo controlador da rotação do ventilador: zero, sem a presença de ar, e a partir do número máximo de voltas dada no controlador (sentido horário aumenta a velocidade e anti-horário diminui a velocidade do ar), proporcionando a velocidade de ar máxima 29 km h-1, medida a 0,50 m da saída do ar na barra. Em seguida, foram estabelecidas as velocidades de ar de 9 e 11 km h-1 com 50% e 75% respectivamente, a partir do número máximo de voltas do dispositivo controlador da velocidade do ar, pois a relação entre rotação do ventilador e velocidade de ar gerado não é linear. A velocidade do ar na barra do pulverizador tracionado modelo Advance vortex 2000 foi medida com auxílio de um anemômetro digital.

Para avaliação dos depósitos, foi utilizado marcador na concentração de 250 g 100 L-1 constituido de um produto cúprico (Cobox) na forma de oxicloreto de cobre, com equivalência de 50% de cobre metálico, visando à quantificação do volume de calda depositado em alvo artificial.

O pulverizador foi equipado com pontas de pulverização de jato plano XR 8002, operando à pressão de 251,50 kPa para a aplicação de 125 L ha-1. A velocidade de deslocamento do conjunto trator-pulverizador foi 7 km h-1 e a altura da barra foi de 0,50 m acima do dossel da cultura. Três aplicações foram realizadas na cultura, duas no estádio de desenvolvimento R2 (85 dias após semeadura), sendo uma delas para avaliação dos depósitos e outra visando ao controle do patógeno. Já no estádio de desenvolvimento R 5.2 (100 dias após semeadura) uma terceira aplicação foi feita visando ao controle da ferrugem asiática da soja. Durante a primeira pulverização, as condições meteorológicas foram as seguintes: umidade relativa do ar entre 62% e 64,1%, temperatura variando de 28 a 29 °C e velocidade do vento entre 3,9 e 7,9 km h-1, no período de 16h45min a 17h40min. Nesse momento, a cultura estava no estádio de desenvolvimento R2. Já para as pulverizações, visando ao controle da ferrugem asiática, com a mistura fungicida azoxistrobina + ciproconazole, as condições climáticas foram as seguintes: R2 (umidade relativa do ar entre 69% e 70%, temperatura entre 27,8 e 28,2 °C e velocidade do vento entre 8,6 e 10,3 km h-1, no período de 9h50min a 11h15min) e R 5.2 (umidade relativa do ar entre 72,2% e 74,1%, temperatura entre 27,5 e 28,3 °C e velocidade do vento entre 4,1 e 8,2 km h-1, no período de 15h40min a 16h30min).

Alvo artificial

Nas avaliações dos depósitos da aplicação optou-se pelo uso de alvo artificial pela necessidade de quantificá-los nas superfícies abaxial e adaxial dos folíolos. Em alvo natural, a remoção dos depósitos seria por lavagem, o que dificultaria a obtenção de resultados individualizados dos depósitos nas respectivas superfícies foliares.

Partindo dessa premissa, foi utilizado como alvo papel-filtro com dimensão de 0,03 x 0,03 m, distribuídos em 10 plantas, sob a barra de pulverização no sentido perpendicular ao deslocamento do equipamento. Em cada uma das plantas foram fixados quatro alvos coletores, um na superfície adaxial e outro na superfície abaxial de um mesmo folíolo, nas partes superior e inferior da planta.

Para a avaliação das perdas da aplicação, foram colocadas em cada tratamento três placas de Petri de 8,5 cm de diâmetro, com papel filtro a 0,10 m de altura do solo, posicionadas no carreador, dentro e fora do dossel da cultura. O posicionamento das placas a 0,10 m de altura da superfície do solo possibilitou a obtenção de amostras nas placas livres de partículas do solo quando ocorreu o acionamento da assistência de ar na barra de pulverização.

Extração e quantificação do marcador

Após a execução do tratamento, foi retirada uma amostra da calda de pulverização. Os alvos artificiais foram coletados das folhas e colocados em vidros contendo 20 mL de solução extratora de ácido nítrico a 1,0 mol L-1 e, após 15 minutos de agitação em velocidade de 220 rpm, seguida por 24 horas de descanso, as soluções de lavagem foram levadas ao espectrofotômetro de absorção atômica, modelo AA-6300 SHIMADZU para quantificação do íon cobre (Cu), conforme método utilizado por CHAIM et al., (1999). As placas de Petri distribuídas dentro e fora da cultura foram também lavadas com a mesma quantidade da solução extratora e o mesmo procedimento foi realizado para a quantificação do marcador.

Monitoramento de Phakopsora pachyrhizi

Após o início do estádio de desenvolvimento reprodutivo (R), foram realizadas avaliações semanais do número de pústulas por unidade de área (cm-2) em folíolos retirados da parte inferior da planta. Duas amostras de folhas (trifólios) foram retiradas de cada parcela, as quais em seguida, colocadas em sacos plásticos transparentes, para facilitar a diagnose da doença. Em seguida, os sacos foram amarrados e as amostras, levadas para quantificação do número de pústulas por cm2. O corte no folíolo da secção correspondente à área de 1 cm2 foi realizado na superfície abaxial e ao lado da nervura central; a contagem das pústulas na área seccionada foi realizada sob microscópio estereoscópio.

Avaliação dos parâmetros de produção e produtividade

Para avaliação do efeito da assistência de ar no controle da ferrugem asiática sobre a produção da soja foi realizada a colheita dentro de cada parcela, sendo colhidas três linhas de plantio centrais com tamanho de 8 m de comprimento, com auxílio de uma colhedora de parcelas experimentais da Marca Wintersteiger, modelo seedmech. Foram avaliados os seguintes parâmetros da produção: massa de 1000 sementes e classificação por tamanho de peneiras (17, 16, 15, 14 e 13) e fundo (grãos de tamanho inferior aos das demais peneiras). Também foi avaliada a produtividade (kg ha-1) da cultura nos diferentes tratamentos, com umidade das sementes corrigida a 13%.

Análise estatística

Os dados dos depósitos do marcador, expressos em μL cm-2, foram analisados separadamente para as superfícies abaxial e adaxial nas diferentes partes da planta (superior e inferior). A severidade da doença, as perdas dos depósitos, bem como os parâmetros de produção e produtividade foram submetidos à analise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Depósitos da pulverização

Os valores médios dos depósitos da aplicação expressos pelo volume de calda (μL cm-2) capturado em diferentes posições da planta, estão relacionados na tabela 1.

Verifica-se que não houve influência da velocidade do ar em diferentes posições da planta sobre os depósitos da pulverização. Para a superfície adaxial das folhas na parte superior das plantas, a assistência de ar com 11 km h-1 da velocidade de ar gerado pelo ventilador, foi a que obteve maior depósito na superficie das folhas; para a parte inferior da superfície adaxial não houve diferença significativa entre os tratamentos. Quanto aos depósitos na superficie abaxial das folhas, nas partes superior e inferior da planta, a velocidade de ar máxima gerada pelo ventilador (29 km h-1) proporcionou maiores depósitos na superfície das folhas. Os maiores níveis dos depósitos na superfície abaxial dos folíolos com a maior velocidade do ar pode estar relacionado à maior deflexão do ar pela superfície do solo, porém são muitas as dificuldades para o estudo da dinâmica das gotas de pulverização associadas à assistência de ar em condições de campo. RAETANO e BAUER (2003), também constataram melhores níveis dos depósitos da pulverização na superfície abaxial dos foliolos inferiores do feijoeiro com a utilização da assistência de ar, operada a plena capacidade do ventilador.

Quando se comparam os depósitos do marcador na superfície abaxial dos folíolos, nas diferentes partes da planta, verificam-se níveis significativamente maiores na parte superior, exceto para a velocidade de 29 km h-1, o que pode ser explicado pela interceptação das gotas pelas folhas nessa parte da planta (Tabela 1). Ao avaliar o efeito da assistência de ar em cultura de soja, no estádio de desenvolvimento R6, BAUER e RAETANO (2000) também constataram aumento na deposição da pulverização quando foi utilizada a assistência de ar na barra pulverizadora.

Avaliação das perdas da pulverização

Não houve interação significativa entre velocidades do ar sobre as perdas dos depósitos na cultura (interior do dossel e carreador) ou fora dela (a 1,0 m da extremidade da barra) (Tabela 2).

Maiores volumes de calda foram detectados nos alvos posicionados no carreador, pois não havia obstáculos à deposição das gotas nesses alvos. Depósitos significativamente menores foram obtidos no interior do dossel e "fora" da cultura pela interceptação das gotas nas folhas, independentemente da velocidade do ar junto à barra de pulverização. Também não se constatou efeito da velocidade do ar sobre os depósitos nos diferentes locais de posicionamento dos alvos artificiais (placa de Petri).

Severidade da ferrugem asiática da soja

Os valores médios do número de pústulas por área (cm2) obtidos antes e após as aplicações R 2 (85 DAS) e R 5.2 (100 DAS) da mistura fungicida azoxistrobina + ciproconazole na dosagem de 200 + 80 g i.a L-1 para o controle de P. pachyrhizi estão listados na tabela 3. Somente após a segunda pulverização da mistura fungicida (100 DAS) pode-se constatar redução significativa do número de pústulas por cm2 nas parcelas tratadas quando comparadas à testemunha (Tabela 3).

Aos 88 e 93 DAS, a não-existência de diferença significativa entre plantas tratadas com a mistura fungicida e aquelas não tratadas, quanto ao número médio de pústulas, provavelmente deveu-se a elevada porcentagem de infestação do patógeno aos 80 DAS (Figura 1), aliado à suscetibilidade à doença nesse estádio de desenvolvimento da planta.

 

 

Não se observou efeito de variação na velocidade do ar sobre a severidade da doença, pois aos 80 DAS o nível de severidade já estava acima de 5%. Portanto, a combinação assistência de ar e fungicida resultou em menores níveis de severidade aos 100 DAS (Figura 1) quando comparados as plantas não tratadas.

Avaliação dos parâmetros de produção e produtividade

A porcentagem de grãos retidos na peneira 16 foi maior que a retenção de grãos nas demais peneiras, mas não diferiu significativamente entre as velocidades de ar gerado pelo ventilador, quando se utilizou a assistência de ar na barra de pulverização (Tabela 4).

A classificação do tamanho de grãos por peneiras, tem como importância separar as sementes com o mesmo padrão em relação ao seu tamanho, a fim de alcançar populações de plantas uniformes no campo. Resultados positivos, indicativos de qualidade fisiológica superior de sementes de maior tamanho sobre as menores, em soja, foram obtidos por SMITH e CAMPER (1970), FEHR e PROBST (1971), FONTES e OHLROGGE (1972) COSTA et al. (1973) e SANTOS (2005).

Segundo SINGH et al. (1972), o tamanho da semente de soja não afeta a germinação em laboratório ou em condições de campo, muito embora tenham registrado que aquelas de maior tamanho produzem plantas com massa maior de matéria seca.

De acordo com CARLETON e COOPER (1972), citado por CARVALHO e NAKAGAWA (2000), o tamanho da semente parece influir principalmente sobre a massa da plântula resultante, sendo razoável que assim seja, uma vez que as sementes grandes são aquelas que dispõem de maior quantidade de substâncias de reserva para o desenvolvimento do eixo embrionário. As sementes vigorosas proporcionam maior transferência de matéria seca de seus tecidos de reserva para o eixo embrionário, na fase de germinação, originando plântulas com maior massa, em função do maior acúmulo de matéria (NAKAGAWA, 1999).

Os valores da massa de mil sementes e da produtividade (kg ha-1) são mostrados na tabela 5. A assistência de ar não influenciou significativamente na massa de mil sementes para as plantas tratadas com a mistura fungicida azoxistrobina + ciproconazole. Provavelmente, esse fato se deve ao maior tamanho das sementes na parte superior da planta obtido no tratamento convencional (sem ar).

 

 

O fato de ocorrer maior penetração das gotas no interior do dossel da cultura pode ter contribuido para o melhor controle da doença, o que influenciou significativamente no aumento do potencial de produtividade da cultura (Tabela 5). No entanto, variações na velocidade do ar não influenciaram significativamente os parâmetros de produção e produtividade avaliados nessa pesquisa.

 

4. CONCLUSÕES

1. A assistência de ar promove aumento dos depósitos da pulverização na cultura da soja, cultivar Conquista, na superfície abaxial dos folíolos na parte superior da planta;

2. Não há influência da velocidade do ar na barra sobre as perdas nas pulverizações e na severidade da ferrugem asiática da soja;

3. A assistência de ar melhora o potencial de produtividade da cultura da soja em relação à pulverização convencional e às plantas não tratadas.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, pela concessão de bolsa de estudo a Rafael de Souza Christovam.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação em 13 de novembro de 2008 e aceito em 15 de outubro de 2009.

 

 

* Autor correspondente.
1 Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor