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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705

Bragantia vol.69 no.3 Campinas  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87052010000300016 

FITOSSANIDADE

 

Infestação de Bemisia tabaci biótipo B e Caliothrips phaseoli em genótipos de feijoeiro

 

Infestation of Bemisia tabaci biotype B and Caliothrips phaseoli on bean genotypes

 

 

Flávio Gonçalves de JesusI; Arlindo Leal Boiça JuniorII, *; Sergio Augusto Moraes CarbonellIII; Cesar Pagotto SteinIII; Rafael Major Pitta I; Alisson Fernando ChioratoIII

IPrograma de Pós-Graduação em Entomologia Agrícola da FCAV-UNESP. Bolsista CAPES. E-mail flavio.Jesus@posgrad.fcav.unesp.br
IIUniversidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Departamento de Fitossanidade, Via de Acesso Paulo D. Castellane, s/n.°, 14884-900 Jaboticabal (SP). E-mail. aboicajr@fcav.unesp.br
IIICentro de Grãos e Fibras - Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13012-970 Campinas (SP)

 

 


RESUMO

Avaliou-se o comportamento de genótipos de feijoeiro sob a infestação de Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B e Caliothrips phaseoli (Hood) em condições de campo, nas épocas de cultivo "de inverno", "das águas" e "da seca". Adotou-se o delineamento de blocos casualizados em esquema de parcelas sub-subdividida (19x3x6), com 19 genótipos (IAC Tybatã, IAC Una, FT Nobre, Pérola, Gen 96A98-15-3-32-1, Gen 96A45-3-51-52-1, IAC Alvorada, IAC Diplomata, Gen 96A3-P1-1-1, LP 98-122, LP 02-130, LP 01-38, LP 9979, BRS-Pontal, BRS-Requinte, BRS-Triunfo, BRS-Grafite, CV-48 e Z-28), três épocas de cultivos (inverno, águas e seca) e seis períodos de avaliação. As avaliações foram realizadas semanalmente, contando-se o número de ovos e ninfas de B. tabaci e ninfas de C. phaseoli em dez folíolos por parcela. Os genótipos IAC Una, Pérola, Gen 96A45-3-51-52-1, Gen 96A98-15-32-1, FT Nobre, IAC Tybatã, IAC Alvorada, LP 02-130, LP 01-38, LP 98-122, IAC Diplomata e Gen 96A3P1-1-1 foram menos ovipositados por B. tabaci no cultivo "das águas". Os genótipos Pérola, Gen 96A45-3-51-52-1, IAC Una, Gen 96A98-15-32-1, IAC Tybatã e FT Nobre foram menos infestados por C. phaseoli. A maior incidência de ninfas de mosca-branca ocorreu no fim de janeiro no cultivo "das águas" e início de maio no cultivo "da seca"; para tripés, foi em junho durante o cultivo "de inverno". A maior incidência da população de B. tabaci e C. phaseoli, ocorreu dos 46 aos 60 dias após a emergência das plantas.

Palavras-chave: Phaseolus vulgaris, mosca-branca, tripes, resistência de plantas.


ABSTRACT

The response of bean genotypes to infestation of Bemisia tabaci (Genn.) biotype B and Caliothrips phaseoli (Hood) in field conditions on the winter, rainy and dry seasons was evaluated. The experiment was arranged in a randomized Sub-divided (19x3x6) blocks design with 19 genotypes (IAC Tybatã, IAC Una, FT Nobre, Pérola, Gen 96A98-15-3-32-1, Gen 96A45-3-51-52-1, IAC Alvorada, IAC Diplomata, Gen 96A3-P1-1-1, LP 98-122, LP 02-130, LP 01-38, LP 9979, BRS-Pontal, BRS-Requinte, BRS-Triunfo, BRS-Grafite, CV-48 and Z-28) Three crops seasons of (winter, rainy and dry seasons) and six periods of evaluations were considered. The evaluations consisted on counting eggs and nymphs of B. tabaci biotype B and nymphs of C. phaseoli in 10 leaflets per plot. The genotypes IAC Una, Pérola, Gen 96A45-3-51-52-1, Gen 96A98-15-32-1, FT Nobre, IAC Tybatã, IAC Alvorada, LP 02-130, LP 01-38, LP 98-122, IAC Diplomata e Gen 96A3P1-1-1 were the least oviposited by B. tabaci biotype B, in rainy season. The least presence of C. phaesoli was observed on Gen 96A45-3-51-52-1, IAC Una, Gen 96A98-15-32-1, IAC Tybatã and FT Nobre. The highest occurrence of whitefly nymphs was observed during rainy season and beginning of the dry season, while the thrips preferred the winter season. The highest incidence of the population of B. tabaci biotype B and C. phaseoli, was found 46 to 60 DAE.

Key words: Phaseolus vulgaris, whitefly, thrips, host plant resistance.


 

 

INTRODUÇÃO

O Brasil destaca-se na produção mundial de feijão (Phaseolus vulgaris L.) e também é considerado o maior consumidor, sendo essa leguminosa sua principal fonte protéica vegetal. O feijão é uma cultura tradicional sendo explorado durante todos os meses do ano, em quase todo território, e com espaço crescente no agronegócio nacional. É uma das principais culturas cultivadas na entressafra sob sistemas irrigados, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil (BARBOSA FILHO et al., 2001, CARBONELL et al., 2001; 2007).

Pode ocorrer ataque de insetos e outras pragas que afetam a produção dessa cultura antes e após a colheita, com perdas de rendimentos estimadas entre 33% e 86% (YOKOYAMA, 2002). Dentre as pragas da cultura destacam-se a mosca-branca Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B e o tripes Caliothrips phaseoli (Hood), que atacam as folhas das plantas.

A mosca-branca, Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B, é apontada entre as principais pragas de muitas das plantas cultivadas, incluindo o feijoeiro. No Brasil, esse inseto ganhou maior destaque nos anos de 1990/1991, quando o biótipo B, também denominado B. argentifolii, foi constatado atacando diversas culturas, com destaque para oleráceas (LOURENÇÃO e NAGAI, 1994, FRANÇA et al., 1996, VILLAS BÔAS et al., 1997).

O dano mais sério causado por B. tabaci biótipo B na cultura do feijoeiro é a transmissão do geminivírus do mosaico-dourado, porém, é também vetor de outros vírus (SALGUERO, 1993). A relação de B. tabaci biótipo B com os geminivírus é do tipo circulativo, isto é, ao se alimentar de uma planta doente, as partículas virais adquiridas pelo inseto circulam por seu corpo, e quando o inseto virulífero se alimenta de uma planta sadia, inocula junto com a saliva as partículas virais. Só o adulto tem importância como vetor, uma vez que as ninfas não se locomovem de uma planta para outra (VILLAS BÔAS et al., 1997).

Durante a última década, os tripes tornaram-se praga-chave de muitas espécies cultivadas em várias partes do mundo. A espécie C. phaseoli é normalmente observada em culturas de feijão e ervilha. Seus danos são decorrentes da sucção de seiva e quando os ataques são intensos, as folhas tornam-se deformadas, amareladas, secam e caem (GALLO et al., 2002).

O controle das pragas tem sido feito quase que exclusivamente por inseticidas e por tratos culturais. PRABHAKER et al. (1985) mencionaram, entretanto, que características biológicas e comportamentais dos insetos, como rápido desenvolvimento, alta fecundidade e grande capacidade de dispersão são fatores que aumentam a probabilidade de aparecimento de resistência a inseticidas sintéticos de diferentes grupos químicos (PRABHAKER et al., 1989, DITTRICH et al., 1990). Em razão desse e de outros problemas causados pelos inseticidas no agroecossistema, métodos alternativos de controle de pragas vêm sendo estudados.

A seleção de plantas resistentes a B. tabaci biótipo B transmissora de geminivírus ou causadora de desordens fisiológicas em plantas cultivadas, representa uma forma importante de pesquisa visando diminuir os danos e as perdas causadas por esse inseto (MCAUSLANE, 1996). Para empregá-la, faz-se necessário conhecer as características morfológicas e fisiológicas da planta, o comportamento e a biologia do inseto e sua relação com o hospedeiro. Esses fatores são importantes para entender a resposta do hospedeiro quanto à atuação da praga, determinando sua resistência ou suscetibilidade à injúria causada (CAMPOS, 2003).

BOIÇA JUNIOR e VENDRAMIN (1986) observaram que a cultivar Bolinha modificou o ciclo de vida de B. tabaci, sugerindo a existência de resistência do tipo antibiose. Nas cultivares Carioca e G-2618 o desenvolvimento foi favorecido; nas cultivares BAT 85 e Goiano Precoce ocorreu maior oviposição e, na BAT 363 houve reduzido número de ninfas e menor preferência para oviposição. FARIA et al. (1996) ressaltaram que em trabalhos desenvolvidos em Goiás recomendou-se a cultivar Ônix para cultivo na época da seca. No Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) foram desenvolvidas algumas cultivares moderadamente resistentes ao vírus do mosaico-dourado, como a IAPAR 57 e a IAPAR MD 820.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de genótipos de feijoeiro quanto à infestação de B. tabaci biótipo B e C. phaseoli nos cultivos "das águas", "da seca" e "de inverno" em condições de campo.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram instalados nos períodos de dezembro de 2005 a março de 2006 (águas), de abril a junho de 2006 (seca) e de julho a setembro de 2006 (inverno) em área localizada no município de Jaboticabal (SP). O clima predominante na região enquadra-se no tipo CWA (clima temperado mesotérmico), que se caracteriza pela temperatura média de 28 °C, com verão chuvoso e inverno seco.

O solo da área onde foram instalados os experimentos é classificado como Latossolo Vermelho-Escuro (EMBRAPA, 1999). Este foi preparado convencionalmente e corrigido com calcário dolomítico, conforme analise química e as exigências da cultura.

Foram utilizados dezenove genótipos de feijoeiro a saber: IAC Tybatã, IAC Una, FT Nobre, Pérola, Gen 96A98-15-3-32-1, Gen 96A45-3-51-52-1, IAC Alvorada, IAC Diplomata, Gen 96A3-P1-1-1, LP 98-122, LP 02-130, LP 01-38, LP 9979, BRS-Pontal, BRS-Requinte, BRS-Triunfo, BRS-Grafite, CV-48 e Z-28.

O espaçamento adotado foi de 0,50 m entre linhas, plantando-se quinze sementes por metro linear. Após dez dias do plantio realizou-se o desbaste, deixando-se doze plantas por metro linear. Na adubação de plantio, foram utilizados 430 kg.ha-1 da fórmula 04-14-08, e em cobertura foi aplicado 180 kg.ha-1 de sulfato de amônia próximo aos vinte dias da emergência das plantas. Os demais tratos culturais (como capina manual, irrigação, etc.) foram realizados quando necessários.

Os tratamentos foram dispostos em delineamento de blocos ao acaso em esquema de parcelas sub-subdividida (19x3x6), com 19 genótipos, em três épocas de cultivos e seis períodos de avaliação efetuando-se três repetições.

As parcelas foram constituídas de quatro linhas de 4,0 m de comprimento, totalizando 8,0 m2 de área e 3,0 m2 de área útil. Cada experimento teve uma área total de 456 m2.

As amostragens de incidência das pragas foram iniciadas dos vinte e cinco até os sessenta dias após a emergência (DAE) das plantas, contando-se semanalmente o número de ovos e ninfas de B. tabaci biótipo B e de ninfas de C. phaseoli em dez folíolos por parcela. Esses folíolos foram retirados da parte mediana da planta que, segundo ROSSETTO et al. (1977), é a região de maior preferência dessas pragas, em duas linhas fixas dentro da área útil.

Os dados coletados foram submetidos à análise de variância pelo do teste F e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p < 0,05).

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não foram verificadas diferenças significativas no número médio de ninfas de B. tabaci biótipo B na superfície abaxial de dez folíolos entre os genótipos avaliados (Tabela 1). Para o número médio de ovos de B. tabaci biótipo B constata-se diferenças entre os genótipos, tendo IAC Una (0,02), Pérola (0,02), Gen 96A45-3-51-52-1 (0,02), Gen 96A98-15-32-1 (0,04), FT Nobre (0,11), IAC Tybatã (0,17), IAC Alvorada (0,26), LP 02-130 (0,29), LP 01-38 (0,46), LP 98-122 (0,46), IAC Diplomata (0,57) e Gen 96A3P1-1-1 (0,98) os menores índices de oviposições pela mosca-branca. Em relação a este mesmo parâmetro, observa-se maior preferência da praga em ovipositar nos genótipos na safra "da seca".

Diferenças significativas entre os genótipos quanto ao número médio de C. phaseoli também foram verificadas (Tabela 1), apresentando Pérola (2,27), Gen 96A45-3-51-52-1 (3,33), IAC Una (3,48), Gen 96A98-15-32-1 (3,76), IAC Tybatã (3,94) e FT Nobre (4,50) as menores infestações da praga. Em relação ao período de ataque de B. tabaci biótipo B e C. phaseoli nessa cultura, observa-se uma maior preferência dos 46 aos 60 DAE.

Dados semelhantes foram verificados por MUÇOUÇAH (1994) e BOIÇA JUNIOR et al. (2000) que, avaliando os graus de resistência de genótipos de feijoeiro à mosca branca sobre influência de inseticidas e adubação, constataram as maiores infestações da praga na cultura neste mesmo período após a emergência das plantas. Avaliando a suscetibilidade de genótipos de feijoeiro ao vírus do mosaico-dourado, LEMOS et al. (2003) verificaram também que esse período corresponde à fase mais crítica para a cultura.

Quanto às interações para ninfas de B. tabaci biótipo B, foram verificadas diferenças significativas para genótipos versus época de cultivo (Tabela 2), genótipos versus período de avaliação (Tabela 3) e época de cultivo versus período de avaliação (Tabela 4).

Para a interação genótipos versus época de cultivo, foram verificadas diferenças significativas somente para as safras "de inverno" e "da seca" (Tabela 2). Em relação a safra "de inverno", os genótipos BRS Pontal (0,67) e Gen 96A98-15-3-32-1 (0,72) tiveram as menores infestações de B. tabaci biótipo B, enquanto IAC Diplomata (3,89) as maiores. Para a safra "da seca", em BRS Requinte (0,78) ocoreu o menor número médio de ninfas, e, em LP 02-130 (4,50) o maior valor.

Com base nos valores referentes ao desdobramento da interação genótipos versus período de avaliação (Tabela 3), observam-se diferenças significativas nas avaliações aos 25, 46, 53 e 60 dias após a emergência das plantas.

Aos 25 DAE, verificou-se menor infestação de ninfas de B. tabaci biótipo B nos genótipos BRS Grafite (0,00), Z-28 (0,11), BRS Pontal (0,11) e BRS Requinte (0,22), enquanto IAC Alvorada (5,53) e Gen 96A98-15-3-32-1 (5,22) os maiores valores. Em 46 DAE em IAC Tybatã (1,11) ocorreu a menor infestação pela praga e em Z-28 (7,11) a maior. Aos 53 DAE Gen 96A45-3-51-52-1 (0,67), Gen 96A98-15-3-32-1 (0,78) e Pérola (1,00) tiveram as menores infestações de mosca- branca, já BRS Grafite (5,22) as maiores. Na avaliação de 60 DAE, IAC Tybatã (0,22), IAC Una (0,22), Gen 96A45-3-51-52-1 (0,22) tiveram os menores valores e LP 02-130 (5,11), o maior número médio de ninfas de B. tabaci biótipo B.

Diferenças significativas para o número médio de ninfas de mosca branca nas épocas de plantio, dentro de períodos de avaliação foram verificadas apenas aos 39 DAE (Tabela 4). A maior infestação de ninfas de B. tabaci biótipo B nesta avaliação ocorreu na época "da seca" e menor na "de inverno". Estes dados coincidem com aqueles relatados por MORALES GOMEZ (1997), BOIÇA JUNIOR et al. (2001) e LEMOS et al. (2003).

Para as interações da oviposição de B. tabaci biótipo B, verificam-se diferenças significativas entre genótipos versus época de cultivo (Tabela 5), genótipos versus período de avaliação (Tabela 6) e época de cultivo versus período de avaliação (Tabela 7).

Analisando a interação genótipos versus época de cultivo, observam-se de maneira geral maiores oviposições nas safras "de inverno" e "da seca" (Tabela 5). Em relação à safra "de inverno", os genótipos IAC Una, FT Nobre e Gen 96A45-3-51-52-1 não foram ovipositado pela praga, porém não diferenciaram de IAC Tybatã (0,005), Pérola (0,05), Gen 96A98-15-3-32-1 (0,05), LP 98-122 (0,22), IAC Alvorada (0,28), IAC Diplomata (0,33), LP 02-130 (0,44), LP 9979 (0,67), LP 01-38 (0,72) e Gen 96A3-P1-1-1 (0,83).

Na safra "das águas", os genótipos FT Nobre, Pérola e Gen 96A98-15-3-32-1 não foram ovipositados pelos adultos de B. tabaci biótipo B, não diferindo estatisticamente de Gen 96A45-3-51-52-1 (0,05), IAC Alvorada (0,05), IAC Tybatã (0,11), FT Nobre (0,11), LP 01-38 (0,22), LP 02-130 (0,28), LP 98-122 (0,94), IAC Diplomata (1,05) e Gen 96A3-P1-1-1 (1,33). O mesmo foi visualizado na safra "da seca" sendo os genótipos Pérola e Gen 96A45-3-51-52-1 os menos preferidos para oviposição em relação à praga, não diferindo também dos demais genótipos, conforme observado nas safras anteriores.

Nos valores referentes ao desdobramento da interação genótipos versus período de avaliação para oviposição, notaram-se diferenças significativas em todas as avaliações realizadas (Tabela 6). Analisando a oviposição da praga na cultura ao longo do período avaliado, observam-se valores próximos em cada genótipo, nas seis amostragens realizadas.

Analisando o desdobramento dos dados do número médio de ovos de B. tabaci biótipo B nos genótipos de forma conjunta para as avaliações, destacam-se IAC Una, FT Nobre, Pérola, Gen 96A98-15-3-32-1 e Gen 96A45-3-51-52-1 com os menores valores, próximo de zero, sendo ovipositado em apenas uma das seis realizadas, sugerindo serem resistentes à praga (Tabela 6).

Nos valores referentes ao desdobramento da interação época de plantio versus período de avaliação para o número médio de ovos de B. tabaci biótipo B (Tabela 7), observam-se diferenças significativas para a época de plantio, nos períodos de avaliação de 25 e 53 DAE, quando se verificam maiores oviposições na época "da seca".

TOSCANO et al. (2002), estudando a oviposição de adultos de B. tabaci biótipo B em tomateiro e CAMPOS et al. (2005) em algodoeiro, observaram que a praga tem preferência para ovipositar em plantas neste mesmo estádio, e em folhas mais novas. JESUS (2007) avaliando a não-preferência para oviposição da mosca branca em dezenove genótipos de feijoeiro em condições de campo, também observou que é nesta fase de desenvolvimento das plantas que a praga realiza maiores oviposições, provavelmente, por encontrar constituição química e morfológica mais favorável em razão da idade da planta (WALKER e PERRING, 1994) e os estímulos envolvidos entre o inseto e a planta (LARA, 1991).

Os dados referentes à interação genótipos versus época de cultivo para o número médio de C. phaseoli, observando-se diferenças significativas nas três safras avaliadas (Tabela 8). Na safra "de inverno" os genótipos Pérola (1,94) foi o menos infestado por C. phaseoli, enquanto Gen 96A3-P1-1-1 (14,78) e IAC Alvorada (16,33) tiveram maiores valores. Para a safra "das águas" em IAC Una (3,22), IAC Tybatã (3,28), Gen 96A98-15-3-32-1 (3,61), Gen 96A45-3-51-52-1 (3,67) e IAC Alvorada (3,83) notaram-se as menores incidências da praga diferindo significativamente dos maiores valores constatados em Z-28 (21,00), BRS Grafite (20,44) e BRS Pontal (18,05). Na safra "da seca" em Gen 96A45-3-51-52-1 (2,44) observou-se menor valor, diferindo de Z-28 (17,22) com maior infestação de C. phaseoli.

Os valores referentes à interação genótipos versus período de avaliação estão apresentados na tabela 9, onde se observam diferenças significativas para todas as épocas avaliadas.

Aos 25 DAE, em FT Nobre (1,33) houve a menor infestação diferindo de Z-28 (19,78); aos 32 DAE destacaram IAC Una (0,55), IAC Tybatã (1,11) e Pérola (1,22) com menores valores para a praga, diferindo de Z-28 (24,22). Aos 39 DAE IAC Una (1,55) diferiu de LP 98-122 (10,00), LP 01-38 (10,55) e LP 02-130 (12,33) com maiores valores. Em 46 DAE as menores infestações foram visualizadas em LP 02-130 (4,67), Gen 96A45-3-51-52-1 (4,78), IAC Tybatã (5,22) Pérola (5,67) e FT Nobre (6,11) e maiores em Z-28 (26,67). Aos 53 DAE Gen 96A98-15-3-32-1 (1,22), Gen 96A45-3-51-52-1 (1,55) diferiram de BRS Grafite (19,22) e IAC Alvorada (19,44) e finalmente aos 60 DAE IAC Una (4,33) e Gen 96A45-3-51-52-1 (6,11) com menores valores diferiram de Gen 96A3-p1-1-1 (30,55).

De maneira geral, o número médio de ninfas de C. phaseoli ao longo dos seis períodos de avaliação realizados proporcionou menores infestações da praga nos genótipos IAC Una e Gen 96A45-3-51-52-1 e maiores em Z-28 (Tabela 9).

Quanto ao desdobramento da interação época de plantio versus período de avaliação para o número médio de C. phaseoli e por estes dados observam-se diferenças significativas para a época de plantio nas avaliações aos 32 e 60 DAE (Tabela 10). Os resultados revelam maior preferência da praga pela safra "da seca" e sua população aumenta com o envelhecimento da cultura, atingindo a maior infestação aos 60 DAE. Esses dados são semelhantes aos de BOIÇA JÚNIOR et al. (2005) em que esses autores avaliaram a interação de óleos vegetais com inseticida no controle de Thrips tabaci (Lind.) no genótipo Carioca e constataram valores semelhantes de ninfas e adultos da praga nesta mesma época de cultivo.

 

4. CONCLUSÕES

1. Os genótipos IAC Una, Pérola, Gen 96A45-3-51-52-1, Gen 96A98-15-32-1, FT Nobre, IAC Tybatã, IAC Alvorada, LP 02-130, LP 01-38, LP 98-122, IAC Diplomata e Gen 96A3P1-1-1 são menos ovipositados pela B. tabaci biótipo B no cultivo "das águas".

2. Os genótipos Pérola, Gen 96A45-3-51-52-1, IAC Una, Gen 96A98-15-32-1, IAC Tybatã e FT Nobre são menos infestados por C. phaseoli.

3. Constata-se a maior incidência de ninfas de mosca-branca no fim de janeiro no cultivo "das águas" e início de maio no cultivo "da seca"; para tripés, ocorre em junho durante o cultivo "de inverno".

4. A maior incidência da população de B. tabaci biótipo B e C. phaseoli, ocorre dos 46 aos 60 dias após a emergência das plantas.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação em 9 de agosto de 2007 e aceito em 15 de março de 2010.

 

 

* Autor correspondente.