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Bragantia

On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol.72 no.3 Campinas  2013

http://dx.doi.org/10.1590/brag.2013.034 

FITOTECNIA
ARTIGO

 

Crescimento, composição mineral e fenóis totais de espécies de Passiflora em função de fontes nitrogenadas

 

Growth, mineral composition and total phenol of Passiflora species as affected by nitrogen sources

 

 

Liliane Barroso de Sousa; Letícia Celia Heitor; Paulo Cesar dos Santos; Jalille Amim Altoé Freitas; Marta Simone Mendonça de Freitas*; Silvio de Jesus Freitas; Almy Junior Cordeiro de Carvalho

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Av. Alberto Lamego, 2000, Parque Califórnia, 28013-602 Campos dos Goytacazes (RJ), Brasil

 

 


RESUMO

O trabalho teve como objetivo avaliar a influência de fontes nitrogenadas sobre o crescimento inicial, os teores nutricionais e os fenóis totais contidos nas folhas do ramo primário de três espécies de Passiflora e ainda, os efeitos dessas fontes sobre a composição química do substrato de cultivo. O experimento foi conduzido em delineamento em blocos casualizados em sistema fatorial 4×3, sendo quatro fontes nitrogenadas (esterco bovino + nitrato de amônio; esterco bovino + sulfato de amônio; esterco bovino + ureia e esterco bovino) e três espécies de Passiflora (Passiflora edulis, Passiflora alata e Passiflora ligularis), com quatro repetições. A espécie P. edulis apresentou maior comprimento, diâmetro e número de brotações do ramo primário em relação às espécies P. alata, e P. ligularis. Os maiores teores de fenóis totais e menores teores de N na massa seca foliar foram observados nas espécies P. alata e P. ligularis adubadas apenas com esterco bovino. Entre as espécies de Passiflora estudadas, a espécie P. edulis apresentou maiores teores foliares de N, P, K e Ca. De acordo com a análise química dos substratos, o tratamento com apenas esterco bovino causou maior pH, maior teor de P e de K, maior soma de bases e maior índice de saturação de bases.

Palavras-chave: Passiflora alata, Passiflora edulis, Passiflora ligularis, adubação.


ABSTRACT

The study aimed to evaluate the influence of nitrogen sources on the initial growth, the nutritional status and total phenol content in leaves of the primary branch of three species of Passiflora. The effects of nitrogen sources on the chemical composition of the plant substrate were also evaluated. The experiment was carried out in a randomized block design, evaluating four nitrogen sources (manure+ammonium nitrate; manure+ammonium sulfate; manure+urea; and manure) and three species of Passiflora (Passiflora edulis, Passiflora alata and Passiflora ligularis), with four replications. The P. edulis showed greater length, diameter and number of shoots on the primary branch than P. alata and P. ligularis. The highest total phenolic content and lower concentration of N in leaf dry mass were observed in P. alata and P. ligularis fertilized with only manure. Among the Passiflora species studied, P. edulis had the highest concentrations of N, P, K and Ca. According to the chemical analysis of the substrates, the manure treatment caused higher pH, higher content of P and K, higher sum of bases and higher bases saturation index.

Key words: Passiflora alata, Passiflora edulis, Passiflora ligularis, fertilization.


 

 

1. INTRODUÇÃO

O maracujá é uma fruta de grande importância econômica no Brasil, tanto pelo aproveitamento para consumo in natura quanto processado (MACORIS et al., 2011), além de apresentar potencial para extração de essências aromáticas (OLIVEIRA et al., 2012). Os cultivos comerciais baseiam-se quase que exclusivamente em Passiflora edulis, ocupando cerca de 95% dos pomares comerciais (MELETTI e BRÜCKNER, 2001). Os demais 5% encontram-se divididos entre outras passifloras, como a Passiflora alata, Passiflora quadrangularis, Passiflora caerulea e Passiflora laurifolia.

O nitrogênio é um elemento que participa de diversos compostos considerados indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento das plantas (FREITAS et al., 2011). Para o maracujazeiro amarelo, é um dos nutrientes mais requeridos para esta espécie (MORAES et al., 2011; SANTOS et al. 2011). Segundo FREITAS et al. (2011) a deficiência de nitrogênio em plantas de maracujazeiro-doce, provoca clorose generalizada e queda prematura de folhas, flores com coloração vermelho-clara e frutos amarelo claros com aspecto translúcido.

A ureia (45% de nitrogênio) se destaca entre as fontes de nitrogênio no mercado pela facilidade de acesso, menor custo por unidade de nitrogênio, elevada solubilidade e compatibilidade para a mistura com outros fertilizantes (YANO et al., 2005). Por outro lado, essa fonte é perdida com muita facilidade por volatilização, além de acidificar o substrato de cultivo. Além da ureia, outros adubos também são utilizados como fonte de nitrogênio, como o sulfato de amônio (20% de nitrogênio) e o nitrato de amônio (33% de nitrogênio), que contém o nitrogênio na forma amoniacal (SILVA et al., 2012).

A prática da adubação exige conhecimentos sobre as características morfofisiológicas da planta, além daquelas relacionadas com a disponibilidade dos nutrientes no solo e com o seu comportamento na planta podendo os nutrientes serem fornecidos por meio da adubação orgânica ou mineral. Em maracujazeiro amarelo, PIRES et al. (2009) verificaram que adubos orgânicos proporcionaram produtividade, qualidade dos frutos e teores foliares de P e Ca semelhantes às plantas submetidas à adubação mineral.

A produção de compostos fenólicos, em muitos casos, está associada com a resposta aos mecanismos de interação da planta com o ambiente, que pode ser desencadeada em condições de estresse. Dentre os fatores de estresse, a nutrição mineral é um dos mais importantes, e segundo FREITAS et al. (2008) e LEITE et al. (2012), a deficiência mineral pode promover maior ou menor produção de compostos fenólicos. Por outro lado, o aumento dos compostos fenólicos em relação à disponibilidade de nutrientes no solo, pode variar entre as espécies de planta e com as diferentes rotas de biossíntese desses compostos (HAUKIOJA et al., 1998).

Informações a respeito do desenvolvimento das espécies P. alata e ao P. ligularis quando adubadas com diferentes fontes nitrogenadas são ainda desconhecidas, principalmente no que tange ao crescimento, a nutrição mineral e a produção de compostos fenólicos, sendo usualmente utilizados como parâmetro de comparação valores do P. edulis para as outras espécies de passiflora.

Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento inicial, os teores nutricionais e a produção de fenóis totais em três espécies de Passiflora submetidas a diferentes fontes nitrogenadas, bem como o efeito das mesmas com relação as características químicas do substrato ao final do experimento.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido sob delineamento em blocos casualizados (DBC), em esquema fatorial 4×3, sendo quatro fontes nitrogenadas (esterco bovino + nitrato de amônio; esterco bovino + sulfato de amônio; esterco bovino + ureia e esterco bovino) e três espécies de Passiflora (P. edulis, P. alata e P. ligularis), com quatro repetições.

As sementes de Passiflora foram coletadas de frutos obtidos de lotes comerciais e colocadas para germinar em tubetes de 50 cm3, preenchidos com substrato comercial Plantmax®. Quando as plântulas atigiram cinco centímetros de altura, estas foram transplantadas para vasos de 30 dm3, preenchidos com uma mistura composta de solo, areia e esterco bovino, na proporção de (3:1:1), cuja analise química foram: pH em água=6,9; matéria orgânica=25,0 g dm - 3; T=52,8 mmolc dm - 3; V=73%; P=41,6 mg dm - 3; K+=6,9 mmolc dm - 3; Ca2+=16,3 mmolc dm - 3; Mg2+=14,6 mmolc dm - 3; Al3+=0,0 mmolc dm - 3; SB=38,0 mmolc dm - 3; Fe=39,0 mg dm - 3; Cu=0,69 mg dm - 3; Zn=6,06 mg dm - 3 ; Mn=16,5 mg dm - 3 e B=0,28 mg dm - 3.

As plantas receberam 15 g de nitrogênio por vaso, de cada fonte nitrogenada (nitrato de amônio, sulfato de amônio e ureia), sendo a aplicação dividida em duas vezes. A primeira adubação foi realizada aos 30 dias após o tranplantio com 5 g de nitrogênio por vaso, período em que as plantas encontravam-se com aproximadamente 20 cm de altura. Após um intervalo de 35 dias, realizou-se a segunda adubação, na qual foi aplicado 10 g de nitrogênio por vaso.

As avaliações das plantas foram efetuadas aos 50, 70 e 100 dias após o transplantio. As variáveis avaliadas foram: comprimento do ramo primário (determinado a partir da superfície do substrato até a gema apical por meio de trena milimetrada), diâmetro do caule (determinado a 20 cm de altura do substrato por meio de paquímetro digital), número de folhas e número de brotações. Após a contagem do número de brotações estas foram destacadas do ramo principal.

Aos 77 dias após o transplantio foram coletadas as 4º, 5º, 6º e 7º folhas a partir do ápice do ramo para avaliação do estado nutricional das plantas e a extração dos fenóis totais. As amostras foliares foram secas em estufa de ventilação forçada de ar à temperatura de 45°C até peso constante. Em seguida, foram determinados os teores de nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) e ainda, os teores de fenóis totais.

Para a determinação do teor de N, P e K o material vegetal foi submetido à oxidação pela digestão sulfúrica. O N foi determinado pelo método de Nessler, o P pelo método colorimétrico do molibdato e o K por espectrofotometria de emissão de chama. Para a determinação dos teores de Ca, Mg e S o material vegetal foi submetido à digestão nítrico-perclórica. O Ca e Mg foram quantificados por espectrofotometria de absorção atômica e o S por turbidimetria com cloreto de bário. A extração dos fenóis totais foi realizada pelo método de Folin-Dennis, utilizando o ácido tânico como padrão (ANDERSON e INGRAM, 1993).

Aos 100 dias após transplantio, as plantas foram coletadas e avaliadas quanto: a área foliar total (determinada mediante medidor de área foliar modelo LI - 3100 LICOR); massa seca das folhas, massa seca total da parte aérea (caule e folhas) e massa seca das raízes (após secagem em estufa de circulação forçada de ar a 70°C até peso constate). Neste momento, também foram avaliadas as caracteristicas químicas do substrato de cultivo, como pH em água, enxofre (S-SO4), fósforo (P), potássio (K), capacidade de troca catiônica (CTC), soma de bases (SB) e saturação por bases (V).

Os dados foram submetidos a análises de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey. Ambos os testes foram conduzidos à 5% de significância.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Aos 70 dias após o transplantio, foi verificada diferenças entre as espécies de Passiflora quanto ao comprimento do ramo primário das plantas, de modo que as espécies P. edulis e P. alata foram iguais quanto a essa característica (Figura 1a). Por outro lado, aos 100 dias após o transplantio, a espécie P. edulis apresentou maior comprimento médio do ramo primário (506,3 cm) em relação as demais espécies (Figura 1a).

Observa- se na Figura 1b que aos 50 e 70 dias após o transplantio as espécies não apresentaram diferença estatística para o diâmetro do caule. Já aos 100 dias após o transplantio, a espécie P. edulis apresentou maior diâmetro em relação as demais espécies (7,54 mm). SANTOS et al. (2011) avaliando a influência de fontes nitrogenadas sobre o desenvolvimento da espécie P. edulis, encontraram média de 5,57 mm para o diâmetro do caule, aos 127 dias após a semeadura. VITORAZI FILHO et al. (2012) produzindo mudas de P. alata inoculadas com o fungo micorrízico Gigaspora margarita verificaram diâmetro de 3,8 mm aos 90 dias após o transplantio.

Com relação ao número de folhas do ramo primário, as diferenças entre as espécies de Passiflora para essa característica foram verificadas aos 100 dias após o transplantio, sendo de 31,2 e 31,5 para as espécies P. edulis e P. alata, respectivamente (Figura 1c). SANTOS et al. (2011) observaram que e aos 127 dias após a semeadura, a espécie P. edulis obteve média de 23,92 folhas no ramo primário.

Quanto ao número de brotações emitidas do ramo primário, à espécie P. ligularis obteve média de 3,75 brotos aos 50 dias após o transplantio, sendo superior às demais espécies (Figura 1d). Já aos 70 dias observou-se que a P. edulis obteve aumento considerável (média de 4,86 brotos), igualando-se estatisticamente a P. ligularis (Figura 1d). Aos 100 dias após o transplantio, a P. ligularis apresentou menor emissão de brotos (média de 1,74 brotos) não diferindo da espécie P. alata, enquanto que a espécie P. edulis continuou a apresentar maior média com relação às demais espécies (Figura 1d).

As fontes nitrogenadas fornecidas às plantas não proporcionaram incrementos para as características relacionadas ao comprimento do ramo primário, ao diâmetro do ramo primário e ao número de brotações do ramo primário para as três espécies de Passiflora (Tabela 1).

 

 

As espécies P. alata e P. ligularis apresentaram os maiores teores de fenóis totais (Tabela 2) e concomitantemente os menores teores de N na massa seca foliar, quando adubadas apenas com esterco bovino (Tabela 3). Teores adequados de nutrientes nas espécies P. alata e P. ligularis ainda não foram descritos na literatura, sendo comumente utilizados os valores descritos para a espécie P. edulis. Segundo CARVALHO et al. (2002), a faixa de teores foliares de N relacionada a maior produtividade para a espécie P. edulis é de 40,8 a 58,1 g kg- 1. Dessa forma, verifica-se que as espécies P. alata e P. ligularis poderiam estar deficientes neste nutriente.

 

 

O N é o elemento que participa da síntese de aminoácidos e de outros compostos nitrogenados. Plantas deficientes em N apresentam um desenvolvimento lento (FREITAS et al., 2011) e acúmulo de carboidratos, sendo desviados para a síntese de metabólitos secundários (FREITAS et al., 2008), como na síntese dos compostos fenólicos (GOBBO-NETO e LOPES, 2007).

FREITAS et al. (2008) observaram que plantas de P. alata deficientes em nitrogênio apresentaram incrementos de 46% nos teores de vitexina (compostos fenólicos), quando comparada às plantas que receberam solução completa. Embora trabalhando com outra espécie vegetal, LEITE et al. (2012) relataram aumento dos flavonoides em mudas de fava d'anta, quando receberam as menores doses de N.

A espécie P. edulis apresentou os maiores teores de N foliar em todas as fontes nitrogenadas estudadas, quando comparada as outras espécies de Passiflora (Tabela 3). Resultados semelhantes foram encontrados por SANTOS et al. (2011), em que os teores de nitrogênio foliar na espécie P. edulis, variaram de 45,6 a 55,2 g kg- 1, aos 82 dias após a semeadura.

A espécie P. alata, apresentou o menor teor de P (1,69 g kg- 1) na massa seca foliar, quando adubada com esterco bovino acrescido de ureia (Tabela 3), porém este não foi suficiente para desenvolver deficiência nutricional nas plantas (FREITAS et al., 2011) e proporcionar incrementos nos fenóis totais (Tabela 2). As plantas deficientes em fósforo tendem a acumular carboidratos, resultando em desvio de rota para a formação do ácido chiquímico, produzindo ao final do metabolismo as antocianinas, que pertencem à classe dos flavonoides (MANN, 2001). Em P. alata, FREITAS et al. (2008) verificaram incrementos de 16% nos teores de vitexina em plantas cultivadas com omissão de fósforo.

Entre as espécies de Passiflora, a P. edulis apresentou o maior teor de P foliar (2,94 g kg- 1) quando foi submetida à adubação com esterco bovino acrescido de sulfato de amônio (Tabela 3). CARVALHO et al. (2002) definiram que os teores ideais de fósforo para a espécie P. edulis encontra-se na faixa de 2,31 a 3,85 g kg- 1. MORAES et al. (2011) obteve para o P. edulis aos 145 dias após o transplantio, no campo, teores variando de 2,14 a 3,01 g kg- 1. Nesse sentido, verifica-se que o teor de P obtido neste experimento para esta espécie está adequado. Por outro lado, as fontes nitrogenadas não promoveram diferença estatística no teor de P foliar da espécie P. ligularis.

Na espécie P. edulis, o menor teor de Ca foliar (11,3 g kg- 1) foi obtido quando as plantas receberam adubação com esterco acrescido de sulfato de amônio, e maior teor de Ca foliar (21,8 g kg- 1), quando as plantas foram adubadas apenas com o esterco bovino (Tabela 3). Possivelmente o menor teor de Ca obtido neste trabalho, no tratamento adubação do esterco bovino + sulfato de amônio, pode estar associado pela maior movimentação do Ca nas primeiras camadas de solo, uma vez que o nitrogênio contido no amônio tende a ficar fixado nos coloides do solo e deslocar cátions, como o cálcio, para as camadas mais profundas dificultando com isso sua absorção pelas plantas (COELHO e VERLENGIA, 1973). Em algodoeiro, FOLONI e ROSOLEM (2006) observaram grande lixiviação do Ca e também do Mg quando estudava a dinâmica de cátions da solução do solo sob diferentes doses de sulfato de amônio.

A adubação com esterco bovino acrescida de nitrato de amônio ou ureia proporcionou maior teor de Ca foliar na espécie P. alata. Os teores de Ca foliar verificado para a espécie P. ligularis variaram de 9,4 a 12,4 g kg- 1 (Tabela 3).

Com relação aos teores de Mg pode-se observar que a espécie P. ligularis apresentou maior teor de Mg foliar quando submetida à adubação com esterco bovino (Tabela 3). Por meio do processo de mineralização e de humificação, o esterco bovino pode liberar bases que se encontravam imobilizadas nos seus tecidos e ainda produzir substâncias húmicas que são capazes de se ligarem a grupamentos como, os carboxílicos (-COOH), os alcoólicos (-OH) e os fenólicos (-OH) do solo proporcionando o aumento nos valores de pH da solução do mesmo (NOVAIS et al., 2007). Valores de pH em torno da neutralidade, proporcionam maior solubilidade do nutriente no solo e maior absorção pela planta. Em contrapartida, a acidez está correlacionada aos menores teores de Ca e Mg no solo (BÜLL et al., 1997) e consequentemente, menor disponibilidade de incorporação dos cátions pelas plantas. SILVA et al. (2008) estudando a influência do esterco bovino sobre as características químicas de um Latossolo, constataram aumento de pH na camada superficial e maiores teores de Mg no solo.

A espécie P. edulis apresentou maior teor foliar de K (32,8 g kg- 1) em relação às outras espécies de Passiflora (Tabela 4). Em outros trabalhos com a espécie P. edulis, SANTOS et al. (2011) e MORAES et al. (2011) obtiveram faixas de K na massa seca foliar de 34,8-37,5 e 33,5-38,7 g kg- 1, respectivamente.

Entre as fontes nitrogenadas estudadas, o esterco bovino acrescido de ureia ou somente a adubação com esterco bovino proporcionaram os menores teores de K na massa seca foliar das plantas (Tabela 5). O maior teor de potássio na massa seca foliar foi observado no tratamento adubado com esterco + sulfato de amônio (Tabela 5).

Os teores médios de potássio foliar em função das fontes nitrogenadas não contribuíram para produção de fenóis totais (Tabela 2 e 5). Já GOBBO-NETO e LOPES (2007) relataram que variações nos teores de K foliar podem interferir em uma maior ou menor produção de metabólitos secundários, dependendo da espécie da planta e do tipo de rota envolvido no processo de produção do metabólito. GARLET et al. (2007) estudando os efeitos da adubação potássica nos teores de óleo essencial, em plantas de menta, concluíram que houve incrementos significativos nos teores de óleos com o aumento das doses de K, porém, o rendimento por planta foi reduzido. Em maracujazeiro doce deficientes em K, FREITAS et al. (2008) observaram teores superiores de vitexina em relação ao tratamento completo.

A espécie P. ligularis apresentou o menor teor de S na massa seca foliar (Tabela 4). Entre as fontes nitrogenadas, o esterco bovino acrescido de ureia ou só a adubação com esterco bovino proporcionaram os menores teores de S na massa seca foliar (Tabela 5). Os maiores teores de enxofre na massa seca foliar foi obtido no tratamento adubado com esterco + sulfato de amônio (Tabela 5), provavelmente ocasionado pela presença de 24% de S na formulação deste adubo.

Ao final do experimento (100 dias após o transplantio), verificou-se que a espécie P. edulis apresentou maior média de área foliar total, massa seca da folha, massa seca total da parte aérea e massa seca das raízes (Tabela 4).

Os maiores valores de área foliar total e massa seca total da parte aérea foram obtidos no tratamento sem adição de fonte nitrogenada mineral (Tabela 5). Contudo, este tratamento não diferiu estatisticamente dos tratamentos contendo nitrato de amônio e sulfato de amônio para a massa seca total da parte aérea (Tabela 5). Na literatura alguns autores consideram que a diminuição na área foliar tem sido considerada um dos efeitos mais significativos da deficiência de nitrogênio, pela queda prematura das folhas (FREITAS et al., 2011). Desta forma, verificou-se que o tratamento sem adição de fonte nitrogenada mineral supriu as exigências requeridas pela planta para sua expansão foliar. Para CRUZ et al. (2007), a diminuição da área foliar em função da redução dos níveis de nitrogênio fornecidos a cultura pode estar relacionado à redução do potencial de pressão celular, ao aumento na rigidez da parede celular e/ou à redução da divisão celular.

O tratamento sem adição de fonte nitrogenada mineral apresentou maior massa seca das folhas do ramo primário, não diferindo dos tratamentos com adição de ureia e sulfato de amônio no substrato (Tabela 5). Foi verificado maior massa seca das raízes nos tratamentos esterco bovino + sulfato de amônio e no tratamento sem adição de fonte nitrogenada no substrato (Tabela 5). Estes resultados corroboram aos de SANTOS et al. (2011), que obtiveram a maior massa seca de raiz da espécie P. edulis quando mantidas em substrato com esterco bovino como fonte de nitrogênio. Efeito oposto foi verificado por FREITAS et al. (2012), que obtiveram incremento em biomassa foliar e expansão da área foliar em plantas de P. alata, quando adubadas com nitrogênio, na forma de ureia.

As fontes nitrogenadas proporcionaram mudanças no pH do substrato, de modo que o tratamento contendo apenas esterco bovino foi o que obteve maior média, o que influenciou na disponibilidade dos elementos como o fósforo e o potássio. Mesmo o tratamento contendo apenas o esterco bovino apresentar maior disponibilidade de P e K no solo (Tabela 6), este não proporcionou maior absorção dos nutrientes pelas espécies de Passiflora (Tabelas 3, 4 e 5).

À maior neutralização no pH do substrato pela adubação com apenas esterco bovino (Tabela 6) acarretou maior absorção de Ca pela espécie P. edulis (Tabela 3), visto que o pH influenciou na solubilidade deste nutriente no meio de cultivo e favoreceu maior absorção pelas plantas (NOVAIS et al., 2007).

O teor de enxofre, na forma de sulfato (S-SO4) presente no solo, ao final do experimento, foi influenciado pelas fontes nitrogenadas. O tratamento com esterco + sulfato de amônio apresentou maior teor de S-SO4 (Tabela 6). Provavelmente o acúmulo deste elemento no substrato está relacionado ao enxofre contido neste adubo.

As maiores médias de CTC foram encontradas nos tratamentos contendo apenas esterco bovino e com esterco bovino + sulfato de amônio (Tabela 6). O tratamento contendo apenas esterco bovino apresentou maior média de soma de bases trocáveis, não havendo diferença significativa entre os demais tratamentos (Tabela 6). As fontes nitrogenadas influenciaram no índice de saturação de bases, onde o tratamento com apenas esterco bovino apresentou os maiores índices e o tratamento esterco bovino + sulfato de amônio os menores índices de saturação de bases (Tabela 6).

 

4. CONCLUSÃO

A espécie P. edulis apresenta maior crescimento em relação às espécies P. alata, e P. ligularis aos 100 dias após o transplantio independentemente da fonte nitrogenada utilizada. As espécies de P. alata e P. ligularis apresentam os maiores teores de fenóis totais e os menores teores de N foliar, quando adubadas apenas com esterco bovino. A espécie P. edulis apresenta maiores teores foliares de N, P, K e Ca e a espécie P. ligularis o maior teor de Mg foliar. O substrato sem a suplementação com a adubação mineral apresenta maior pH, maior teor de fósforo e potássio, maior soma de bases e maior índice de saturação de bases.

 

REFERÊNCIAS

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* Autor correspondente: msimone@uenf.br

 

 

Recebido: 13/jun./2013
Aceito: 26/jul./2013

 

 

ERRATA

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