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Dados

Print version ISSN 0011-5258

Dados vol.55 no.2 Rio de Janeiro  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52582012000200001 

Pela liberdade intelectual: uma homenagem a Gilberto Velho (1945-2012)*

 

In defense of intellectual freedom: a tribute to Gilberto Velho (1945-2012)

 

Pour la liberté intellectuelle: un hommage à Gilberto Velho (1945-2012)

 

 

Karina Kuschnir

Professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E-mail: karinakuschnir@gmail.com

 

 


ABSTRACT

This is a tribute to anthropologist Gilberto Velho, born in 1945 in Rio de Janeiro, and who passed away suddenly from a heart attack in his home on April 14, 2012, at the age of 66. During his brilliant 40-year career, Gilberto Velho published dozens of articles, supervised more than 100 theses, won various awards, and occupied outstanding positions in Brazil's most important social sciences institutions. He was Full Professor and Head of the Department of Social Anthropology at the National Museum (UFRJ) and member of the Brazilian Academy of Sciences. In this article, I pay tribute to his love for intellectual freedom, a value which illuminates the interfaces between his life and work.

Key words: Gilberto Velho; obituary; tribute; anthropology


RÉSUMÉ

Hommage à l'anthropologue Gilberto Velho, né en 1945, à Rio de Janeiro, et décédé à l'âge de 66 ans, d'un arrêt cardiaque chez lui, le 14 avril 2012. Pendant plus de quarante ans de travail, Gilberto Velho a publié des dizaines de textes, dirigé une centaine de thèses et mémoires, reçu divers prix et occupé des postes importants dans les institutions les plus renommées des Sciences Sociales brésiliennes. Il était professeur agrégé, Doyen du Département d'Anthropologie Sociale du Musée National de l'Université Fédérale de Rio de Janeiro et membre de l'Académie Brésilienne des Sciences. Dans cet article, on rend homage à son attachement à la liberté intellectuelle - une valeur qui illumine les interfaces de sa vie et de son oeuvre.

Mots-clés: Gilberto Velho; nécrologie; hommage; anthropologie


 

 

Começo esta homenagem com algumas palavras do próprio Gilberto Velho sobre a educação e o papel do intelectual. Um texto que me surpreendeu quando o reencontrei:

"Os melhores momentos da nossa vida" são "aqueles em que [nos] sentimos responsáveis". [...] "Ninguém gosta de ser manipulado. Todos querem tomar parte na construção de seu próprio futuro, sem aceitar dogmas e princípios herméticos e autoritários. São necessários o debate, o diálogo, a confiança mútua [...] e uma dose de audácia.

Temos que viver a nossa época, procurando atualizar na prática as conquistas teóricas. Seria retrógrado, anticientífico e antidemocrático pretender educar sem conhecer e respeitar os que estão sendo educados.

Minha surpresa veio não da precisão destas ideias, mas da ocasião em que foram proferidas. Trata-se de trechos do discurso que Gilberto Velho fez, aos 19 anos de idade, como orador de turma na formatura do curso Clássico no Colégio de Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em dezembro de 1964. Na ocasião, ele afirmava com muita ênfase que:

"Liberdade intelectual e indiferença social" não são sinônimos.

"(...) a realidade exige uma permanente atitude crítica, inquisitiva. (...)

É preciso mergulhar nos problemas de nossos dias, de nosso país, para apalpá-los e percebê-los."

É preciso ter um "compromisso com o real", para que possamos "conhecer os obstáculos, enfrentá-los, ir ao encontro da vida, dispostos a agir sobre ela, despidos de preconceitos e menosprezando qualquer forma de obscurantismo".

A respeito desse pronunciamento de formatura, já afirmou Alzira Abreu que "é uma peça importante para o entendimento dos valores e orientações dessa geração no tocante a seu papel e função social. Apesar de ainda não ter entrado na vida profissional, Gilberto já fala como se dela participasse (...)" (Abreu, 1992:115).

Apenas seis anos depois de proferir esse discurso, ou seja, aos 25 anos de idade, Gilberto Velho já havia concluído o mestrado em Antropologia Social e se tornado professor de Antropologia no curso de Ciências Sociais da UFRJ, no atual Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). Em depoimento ainda inédito, de 2009, explica que, ao final da faculdade, foi convidado para dar aula nas três grandes áreas das Ciências Sociais1. Ou seja, podia escolher entre Sociologia, Ciência Política ou Antropologia. Optou por esta última, não por considerá-la superior às demais, mas, entre outros fatores, porque descobriu que gostava do trabalho qualitativo, do contato direto com as pessoas, das entrevistas e da observação participante.

Entre 1968 e 1969 fez cursos e concluiu a pesquisa que resultaria em sua dissertação A Utopia Urbana; e, em 1971, passou por um período de intensa formação nos Estados Unidos, frequentando disciplinas e realizando novas pesquisas. Mas que antropologia ele praticava? Como os valores defendidos com tanto vigor pelo Gilberto de 19 anos se atualizaram no seu trabalho como jovem antropólogo?

Como ele próprio disse, sua produção intelectual deve muito à sua coragem de juntar, combinar, fazer dialogar autores e ideias que estavam em mundos separados por fronteiras desnecessárias. Sua "audácia" - para retomar uma palavra de seu discurso de 1964 - foi não temer criar a sua antropologia, o seu plano de trabalho, a partir de múltiplas fontes:

• A biblioteca do pai, Octavio Alves Velho, intelectual e tradutor de mais de 100 obras, onde encontrava de Gilberto Freyre a Aluísio de Azevedo;

• A leitura apaixonada dos clássicos, de Homero aos autores do teatro grego;

• O fascínio pelas obras de Marx, Engels, Lukács, mas também por Florestan Fernandes, Caio Prado, Raimundo Faoro - lidos ainda no colégio;

• E, não menos importante, sua formação de pós-graduação, que passou por três instituições: o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional; o Departamento de Antropologia da Universidade do Texas, em Austin; e, mais tarde, o Departamento de Ciências Sociais, da Universidade de São Paulo.

É com "liberdade intelectual" que Gilberto se move em direção a novas sínteses e novas combinações. Nada mais saudável, ele afirmou, do que não se deixar seduzir por "dogmas e princípios herméticos". Ele próprio deixou bem documentada sua relação com autores e obras das Ciências Sociais, da Literatura, da Filosofia e de várias áreas que muito o influenciaram, refletindo sobre sua trajetória em artigos (Velho, 2011), entrevistas publicadas (Velho, 2001, 2009) ou em depoimentos em formato audiovisual (Velho, 2008).

Nos anos de formação, Gilberto Velho acrescentaria ao seu projeto científico - em grande parte já esboçado no discurso de formatura de 1964 - o interesse pelo estudo dos "problemas de antropologia no contexto de grandes cidades". Conscientemente, num documento de 1971, evita o termo "antropologia urbana", pois não está interessado em definir uma subdisciplina; está empenhado, sim, em questões de metodologia de investigação no meio urbano, nas "possibilidades de o antropólogo estudar o seu meio, sendo ao mesmo tempo 'nativo' e 'investigador'".

Queria propor a si mesmo e aos seus alunos explorar a "concretude da cidade em que vivem", tomando como relevantes, desde essa época, temas tais como os das empregadas domésticas, das gangues de jovens, dos apostadores, dos universos suburbanos; além do sempre fortíssimo interesse pelas manifestações culturais: teatro, imprensa, televisão, rádio, literatura e música.

Temos de fazer um esforço para não ler essas fontes históricas com os olhos da atualidade. Afinal, qual antropólogo contemporâneo brasileiro não leu o texto "Observando o Familiar", publicado pela primeira vez em 1978? Hoje, basta olhar sua produção intelectual, bem como sua lista de orientações, para concluir que esse era um projeto inovador, plenamente executado e ainda ampliado.

Como intelectual público, Gilberto seguiu os ideais do jovem formando de 1964: tinha um profundo compromisso com os problemas de seu tempo. Procurou dar sua contribuição tanto no plano das ideias e do ensino, como também por meio de uma intensa participação em associações científicas e em políticas públicas que afetaram profundamente as concepções de complexidade cultural no nosso país.

Lembro, entre outras ações, sua decisiva atuação como relator do tombamento do terreiro de candomblé Casa Branca, em Salvador, Bahia - primeira vez em que a tradição afro-brasileira obteve o reconhecimento oficial do Estado Nacional, em 1984. Na mesma direção, vale citar sua participação, como presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), entre 1982 e 1984, nas lutas pelos direitos das minorias, nas questões indígenas, na descriminalização das drogas e contra a violência aos homossexuais. Cabe ainda mencionar, entre tantos exemplos possíveis, sua participação como um dos primeiros cientistas sociais a ingressar na Academia Brasileira de Ciências, antes fechada às humanidades.

Nas coletividades de que participava, mesmo nas mais heterogêneas e discordantes, tinha como projeto o diálogo e a negociação, reconhecendo a legitimidade de diferentes pontos de vista e buscando não tomar as diferenças como algo a ser anulado. Numa entrevista ainda não publicada, disse que aprendeu com seu pai e ainda no Colégio de Aplicação, a "reconhecer a competência, a qualidade e a seriedade das pessoas, independentemente das suas opções ideológicas".

Finalmente, gostaria de terminar essa homenagem lembrando a faceta de Gilberto Velho como nosso interlocutor. Cultivava o mundo das ideias, mas também os detalhes e prazeres do cotidiano. Era um professor, mas também um aluno. Amava a antropologia, porém não fazia dela um altar, nem lugar de culto. A antropologia para ele não era o centro do universo; fazia parte de uma busca pelo conhecimento muito mais ampla, que incluía história, arte, literatura e a admiração por áreas como matemática e filosofia. Não se tratava de uma retórica, mas de uma prática que tinha sempre em vista comparar e colocar os dados em perspectiva. Isto significava que nós, seus orientandos, tínhamos que subitamente interromper nossas pesquisas para ler as memórias de Tarquínio de Souza ou estudar a fundo os jovens turcos, ainda que estivéssemos fazendo trabalho de campo num subúrbio carioca.

Ocupou posições de poder, entretanto, nunca quis ser líder de grupos fechados, nem erguer laboratórios em seu nome. A ausência dessas molduras, no entanto, não impediu que sucessivas gerações de seus orientandos formassem sólidos grupos de amizade e colaboração intelectual. Ao contrário, a liberdade parece ter favorecido o fortalecimento desses vínculos.

Gilberto nos divertia com seu humor peculiar. Quando falava de sua juventude, ou dos primórdios da carreira, acrescentava, sempre seríssimo: "Mas isso foi no século treze...". Aos jovens alunos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), cobrava: "Já aprenderam a cantar o hino da antropologia?". E entoava, operisticamente: "Estranhar, relativizar...". Gostava de nos deixar atônitos com o horário de reuniões e encontros. Depois de consultar sua agendinha preta, dizia: "Ok, terça-feira, às 8 horas e 47 minutos". Animava-nos com os carimbos da "Venerável Ordem dos Amigos da Capivara", caçando insetos com sua gigante espada de madeira, falando de seus tempos de "campeão de esgrima", passando trotes, citando batalhas do Império Bizantino ou contando histórias misteriosas sobre como o cérebro de Euclides da Cunha foi parar nas aulas do Museu Nacional2.

Sem dúvida, Gilberto tinha vaidade e orgulho pela própria obra, mas paradoxalmente era discreto e não gostava de se expor em excesso. Cultivava suas relações afetivas ao extremo. Homenageava, convidava, publicava, recomendava, investia, telefonava... E sentia profundamente as perdas. Tinha preferências e paixões, "pisava na bola", como ele próprio dizia, contudo era suficientemente lúcido para fazer autocríticas e não se levar tão a sério - exceto quando o assunto eram os prazos!

Tudo isso vinha junto com uma obsessiva disciplina para orientar, que incluía ler capítulos de tese na mesma tarde em que eram entregues, ligar às 7 horas da manhã para saber se estávamos trabalhando e marcar bancas com quatro meses de antecedência. Cobrava, reclamava e brigava - muito. Mas tentava compensar essa rigidez com um imenso afeto e uma inegável vontade de nos ver crescer. Gilberto nos acolhia nas dificuldades e vibrava com nossos sucessos. É verdade que resistia a mudanças, às vezes com ferocidade. Porém, mudava de ideia, aceitando e até se divertindo com as propostas mais inusitadas, desde mudar radicalmente o tema de uma pesquisa até decidir a data de uma defesa de tese com a ajuda de um mapa astrológico.

Entre os muitos que o perderam, é difícil separar quem são as centenas de orientandos, alunos, colegas ou amigos. Na sua vida, essas categorias estavam todas misturadas. "As pessoas são complexas", ele gostava de dizer; "não devemos congelar as identidades". Para estar com todos, adorava marcar reuniões, festas, aulas, palestras, almoços e jantares. Nestes, invariavelmente deveríamos aguardar pela chegada de uma "ilustre antropóloga húngara" - mais uma de suas brincadeiras, que, mesmo depois de conhecida, nos divertia pelo desafio de adivinhar quem faria o papel de convidado-surpresa. Por meio desses encontros, surgiam incontáveis relações: amizades, trocas profissionais, viagens transatlânticas, orientações, pesquisas, publicações, livros e até namoros e casamentos.

Escrevo aqui por mim, mas, tenho certeza, também pelos seus quase 100 orientandos e mais tantas centenas de alunos, pesquisadores, funcionários e amigos que tiveram suas vidas afetadas, transformadas e, como ele gostava de dizer, "atordoadas" por ele. Embora nada possa reverter essa perda, ajuda muito saber que somos tantos que a sentimos, especialmente por meio das muitas homenagens que têm sido publicadas (Duarte, 2012; Duarte et alii, 2012).

Sinto repetir um clichê, mas é necessário afirmar: Gilberto Velho é uma presença insubstituível nas ciências brasileiras e na vida de todos nós. Como um clássico, na acepção de Calvino (2004), tenho a convicção de que ainda terá muito a nos dizer. Várias fontes citadas ao longo dessa homenagem são oriundas do seu acervo científico, que inclui uma vasta coleção de documentos, correspondências e textos produzidos ao longo de mais de 40 anos de atividade como pesquisador. Como organizadora desse arquivo e pelos nossos 21 anos de trabalho e amizade, Gilberto deixou para mim a tarefa de acolher, cuidar e organizar esse material3. Espero contribuir para que sua obra e trajetória acadêmicas continuem vivas, valorizando o apreço pela liberdade intelectual e não me esquecendo de que ele era complexo: foi o jovem que defendeu o diálogo e a audácia, mas foi também o "Velho cético", como ele se chamava, rindo de si mesmo e fazendo piada com o próprio nome.

 

NOTAS

* Gostaria de agradecer a Luiz Fernando Dias Duarte, pelo convite para participar da homenagem a Gilberto Velho, na 28a Reunião Brasileira de Antropologia, realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), entre os dias 2 e 5 de julho de 2012 - oportunidade que deu origem à primeira versão deste texto. Agradeço também as leituras e sugestões de Arbel Griner, Celso Castro, Dora Rocha, Hermano Vianna, Howard S. Becker, Maria Laura Cavalcanti, Mariza Peirano, Myriam Lins de Barros, Peter Fry e Yvonne Maggie.

1. Depoimento ainda inédito concedido em 2009 ao projeto Cientistas Sociais de Países de Língua Portuguesa: Histórias de Vida. A primeira dessa série de entrevistas já se encontra disponível em Velho (2009).

2. Sobre a origem da Venerável Ordem dos Amigos da Capivara, ver o artigo de Ho-ward S. Becker em Duarte et alii (2012).

3. Agradeço a Ana Flaksman, Antonio Carlos de Souza Lima, Moacir Palmeira, Tavane Almeida e Pedro Ferraz pelo apoio indispensável para o recebimento deste arquivo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, Alzira. (1992), Intelectuais e Guerreiros: O Colégio de Aplicação da UFRJ (1948-1968). Rio de Janeiro, Ed. UFRJ.         [ Links ]

CALVINO, Italo. (2004), Por Que Ler os Clássicos? São Paulo, Companhia das Letras.         [ Links ]

DUARTE, Luiz Fernando Dias. (2012), "Gilberto Velho e a Antropologia Brasileira". Revista Ciência Hoje, vol. 49, pp. 78-79.         [ Links ]

_____ et alii. (2012), "Obituaries: Gilberto Velho and Santuza Naves" (com textos de Luiz Fernando Duarte, Howard S. Becker; Mariza Peirano; Karina Kuschnir; Celso Castro; Julia O'Donnell; e Fernanda Arêas Peixoto). Vibrant: Virtual Brazilian Anthropology, vol. 9, no 1, pp. 8-23. Disponível em http://www.vibrant.org.br/issues/v9n1/.         [ Links ]

VELHO, Gilberto. (2001), "Entrevista com Gilberto Velho", concedida a Celso Castro, Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira. Revista Estudos Históricos, no 28, pp.183-210. Disponível em http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/ar-ticle/view/2140/1279.         [ Links ]

_____. (2008), "Conversa com o autor: Gilberto Velho". 32o Encontro Anual da Anpocs, Caxambu, MG, 27-31 de outubro. Disponível em http://youtu.be/AlDrm-_DK3s.         [ Links ]

_____. (2009), "Entrevista ao Projeto Cientistas Sociais de Países de Língua Portuguesa". Inclui também seu memorial de professor titular. Disponível em texto e audiovisual em cpdoc.fgv.br/cientistassociais/gilbertovelho        [ Links ]

_____. (2011), "Antropologia Urbana: Interdisciplinaridade e Fronteiras do Conhecimento". Mana, vol. 17, no 1, pp. 161-185. Disponível em http://ref.scielo.org/cdz5jp.         [ Links ]

 

 

(Recebido para publicação em julho de 2012)