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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.78 no.2 Porto Alegre Mar./Apr. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572002000200020 

Corticóide na crise asmática

 

 

Senhor editor,

A pesquisa de Paro e Rodrigues(1) sobre a indicação do uso de corticóide na criança asmática é de um excelente nível e vai na linha da "Medicina por evidências" já que procura trazer sólidos subsídios para uma atuação segura numa das emergências mais freqüentes - a crise asmática, na qual conhecimentos científicos e empíricos se misturam de forma subjetiva. Os autores concluem que o exame físico, de grande importância, pode não ser suficiente e deve ser completado com medidas não invasivas como a oximetria de pulso e o pico de fluxo expiratório.

Quando esses recursos são disponíveis não resta dúvida de que eles devam ser utilizados. Entretanto, como isso não ocorre em todos serviços que atendem crises asmáticas, o trabalho se presta a uma releitura: o corticóide (e um número maior de inalações) está indicado nos casos moderados (e mais ainda nos graves). Mas como identificar esses casos? Inicialmente por um exame físico simples - impressão geral (inclui cor e estado de consciência), taquidispnéia (quantificada pela freqüência respiratória que se aproxima de 50 no pré-escolar e 40 no escolar) e ausculta. Vale completar com rápida anamnese: duração da crise (mais de 12 horas já está na fase tardia em que só os broncodilatadores não têm ação suficiente) e resposta (ou falta de) aos broncodilatadores, incluindo inalações já feitas em casa; convém ainda perguntar pela evolução habitual das crises ("cada criança tem sua própria asma") em condições similares, o que inclui a época do ano. Em casos de dúvida, reavaliar a crise pelo resultado da primeira inalação. O uso de corticóides encurta a crise, diminui a hospitalização e as recaídas precoces(2).

Em relação ao corticóide, a via EV para a metilprednisolona (usada pelos autores) pode representar um problema operacional no Serviço de Emergência: oposição da criança, dificuldade técnica para puncionar veia (mobilizando a enfermagem, às vezes por tempo prolongado); seu preço é 10 vezes maior que da dexametasona.

Algumas pesquisas-(3) têm demonstrado eficácia idêntica dos corticóides (prednisona, metilprednisolona e dexametasona) por via EV, IM ou oral. A dexametasona tem o início de ação semelhante ao da prednisolona, é potente e com a vantagem de uma duração mais longa (meia-vida de 24 a 36h) o que diminui o risco de recaída. Por outro lado, em caso de crises a curto intervalo, obrigando a repetições freqüentes, pode causar supressão adrenal. A dexametasona pode ser usada por via oral ou intramuscular. A própria formulação parenteral pode ser aproveitada para uso oral (recomendando-se uma segunda dose no dia seguinte, em casa) misturada com um xarope doce(4).

Uma boa pesquisa como a que estamos comentando, é útil não só para ser usada conforme seus resultados como pode abrir caminho para reflexões que ampliem sua utilização prática.

 

Sobe

Referências bibliográficas

1. Paro, MLZ; Rodrigues, JC - É possível prever o número de nebulizações e o uso de corticosteróide intravenoso em crianças com crise asmática na unidade de emergência? J Pediatr (Rio J) 2001; 77 (3): 219-26.

2. Jones, MA; Wagener, JS - Managing acute pediatric asthma. J Pediatr 2001; 139: 3-5.

3. Becker JM et al - Oral versus intravenous corticosteroids in hospitalized asthma. J Allergy Clin Immunol 1999; 103: 586-90.

4. Qureshi, F; Zaritsky, A; Poierier MP - Comparative efficacy of oral dexamethasone versus oral prednisone in acute pediatric asthma. J Pediatr 2001; 139: 20-6.

 

Sobe

Jayme Murahovschi – Prof. Titular Pediatria Fac. Ciências Méd. Santos; Presidente co Comitê de Pediatria Ambulatorial da SBP