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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.79 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572003000100006 

Fatores de risco para infecção pelo Helicobacter pylori em crianças

Risk factors for Helicobacter pylori infection in children

Mônica M. C. Moraes1, Gisélia A. P. da Silva2

RESUMO

ABSTRACT

Objetivo: conhecer a soroprevalência da infecção pelo Helicobacter pylori em crianças e identificar a presença de fatores de risco associados à sorologia positiva.

Método: realizou-se um estudo transversal para o estabelecimento da soroprevalência e, posteriormente, um estudo comparativo entre as crianças com sorologias positivas e negativas. Estudadas 228 crianças, no Hospital Geral de Pediatria - Instituto Materno-Infantil de Pernambuco, entre maio e julho de 1999. Avaliou-se idade, sexo, variáveis ambientais, socioeconômicas, de saúde e nutricionais; história de moradores do mesmo domicílio, com queixas digestivas e história pregressa de doença péptica. Esses dados foram obtidos através de entrevista realizada com os pais ou responsáveis das crianças. O estado nutricional foi avaliado através dos índices antropométricos.

Resultados: a soroprevalência para o Helicobacter pylori foi de 32% (IC 95% 26%-38%); 25,8% (IC 95% 17,8%-33,8%) nos pré-escolares, e de 39,4% (IC 95% 30,4% -48,4%) nos escolares. Nas crianças soropositivas, observou-se com maior freqüência ausência, no domicílio, de vaso sanitário, ou o mesmo não tinha descarga (p=0,008), maior aglomeração domiciliar (p=0,05), uma menor renda familiar (per capita) (p=0,03) e maior número de mães que não sabiam ler nem escrever (p=0,0002). Não houve diferença estatística significante nos dois grupos em relação às variáveis indicadoras de condições de saúde, aos índices antropométricos e quanto ao contato com morador com queixas digestivas ou história pregressa de gastrite ou úlcera péptica.

Conclusões: a soroprevalência da infecção pelo Helicobacter pylori foi alta na população estudada, sendo maior entre os escolares. Verificou-se associação entre a soropositividade e condições ambientais desfavoráveis.

infecções por Helicobacter, pylori, fatores de risco.

Objective: to establish the seroprevalence of Helicobacter pylori infection in children and to identify risk factors for seropositivity.

Methods: a cross-sectional study established the seroprevalence of infection by Helicobacter pylori and afterwards a comparative study was performed amongst seropositive and seronegative children. A group of 228 children were cared for at the outpatient clinic of Instituto Materno Infantil de Pernambuco, from May to July 1999. Age, sex, indicators of environmental, social and economic conditions, health and nutritional status as well as children living in contact with dwellers with history of gastrointestinal pain or peptic disease were evaluated. All data was obtained through an interview with children's parents or caretakers. Nutritional status was evaluated by anthropometric index.

Results: seroprevalence of infection caused by Helicobacter pylori was found in 32% (95% CI 26% - 38%); 25.8% (95% CI 17.8% - 33.8%) in preschool children and 39.4% (95% CI 30.4% - 48.4%) in school age children. Analysis of environmental variables demonstrated higher frequency of seropositivity in children living in houses without toilets or sanitary flush toilet facilities (p = 0.008), overcrowded (p = 0.05), lower family income (p = 0.03) and poor maternal education (p = 0.002). There were no statistically significant differences between the groups regarding health indicators, anthropometric indexes and children living with dwellers with history of gastritis or peptic ulcer.

Conclusions: seroprevalence of Helicobacter pylori infection was high in the studied population, being even higher among the school age group. A positive association between seropositivity and less favorable environmental variables was detected.

Helicobacter infections, risk factors.



Introdução

A identificação do Helicobacter pylori (HP) em 1982 e o reconhecimento de seu papel patogênico proporcionaram um melhor entendimento da doença péptica gastroduodenal (1,2).

A prevalência dessa infecção varia entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo menor nos primeiros. Porém, independentemente da região, as diferenças parecem estar em função da condição socioeconômica da população (3). Em estudo com crianças finlandesas, detectou-se taxa de prevalência de 5,6% (4). No México, a taxa de infecção varia de 20% em crianças de até um ano, chegando a 50% aos dez anos (5). No Brasil, em um estudo transversal, realizado em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, verificou-se uma soroprevalência de 34,1% em crianças (6). No Mato Grosso do Sul, a soroprevalência foi de 77,5% em crianças e jovens, e de 84,7% entre adultos, quando se avaliou uma área rural carente desse Estado (7).

A infecção pelo HP pode ser adquirida em qualquer faixa etária (3). Estudos soroepidemiológicos indicam que ocorre freqüentemente na infância (3,8), e que a taxa de prevalência aumenta progressivamente com a idade (6,7,9,10). Como essa infecção pode durar anos ou décadas, a curva de soroprevalência reflete efeito cumulativo na taxa de infecção (3).

A transmissão do HP parece ocorrer, predominantemente, através do contato pessoa-pessoa, podendo ser por contaminação fecal-oral ou oral-oral (11,12). Há referência, também, a que o aparelho endoscópico possa funcionar como via de contaminação (11). Cepas bacterianas semelhantes do HP encontradas na mucosa oral de uma mesma família indicam a ocorrência da via de transmissão oral (3,13). Esse fato parece ser favorecido pela própria aglomeração domiciliar ou, ainda, por essas pessoas estarem expostas às mesmas fontes de infecção (11).

Através da água contaminada, pessoas podem infectar-se, como foi demonstrado em um trabalho no Peru, no qual as crianças, cuja fonte de água era municipal, apresentaram uma prevalência de infecção pelo HP em torno de 37% (14).

Outro fator de risco para infecção pelo HP em crianças é a história positiva dos pais para doenças gástricas ou do trato digestivo superior (15).

No Brasil, ainda não foi realizado um estudo de base populacional, apenas estudos com populações específicas, mas que contribuíram para o entendimento do comportamento da prevalência da infecção em diferentes regiões. Em relação à criança, a carência de informações é maior, o que nos despertou o interesse de investigar a ocorrência da infecção em nossa região.

Neste estudo, tivemos como objetivo conhecer a soroprevalência da infecção pelo HP em crianças atendidas num serviço de saúde conveniado com o Sistema Único de Saúde (SUS), e identificar a presença de fatores de risco associados à sorologia positiva.

Métodos

O estudo realizou-se no ambulatório geral do Hospital Geral de Pediatria do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (HGP-IMIP), que faz parte da rede conveniada do SUS, no período de maio a julho de 1999. Este hospital é um centro de referência, atendendo grande parte da população carente da região metropolitana do Recife-PE.

Inicialmente realizou-se um estudo do tipo corte transversal, no qual foi possível caracterizar a população e estabelecer a soroprevalência da infecção, por sexo e por faixa etária; posteriormente, realizou-se um estudo comparativo entre o grupo de crianças com sorologia positiva e o grupo de crianças com sorologia negativa para o HP.

A amostra foi não-probabilística, por conveniência, ou seja, a partir do dia estabelecido para o início da pesquisa, foram incluídas todas as crianças atendidas no turno da manhã, no ambulatório geral de Pediatria, com idade entre dois e dez anos, procedentes da região metropolitana do Recife.

O tamanho da amostra foi calculado utilizando-se o programa Statcalc do Epi-Info 6.04. Como base, utilizou-se os dados das primeiras 100 crianças estudadas, nos quais a soroprevalência encontrada para infecção pelo HP foi de 28,3% em pré-escolares, e de 37,5% em escolares. Considerando-se um intervalo de confiança de 95% e, como pior resultado, uma diferença de +/-10% na prevalência, estimou-se um número mínimo de 78 crianças pré-escolares e 90 escolares. Foram recrutadas um total de 228 crianças, 124 pré-escolares e 104 escolares.

Considerou-se como variável dependente a soropositividade para infecção pelo HP, e como variáveis independentes em relação à criança, a idade (pré-escolar/escolar), o sexo, o peso de nascimento, o tempo de aleitamento materno, a matrícula em posto de saúde, o esquema de vacinação e o estado nutricional (avaliado segundo os índices peso/idade, altura/idade, peso/altura, utilizando-se como padrão de referência a curva do National Center of Health Statistics/NCHS, sendo considerada desnutrida a criança abaixo do percentil 3); em relação à família dessas crianças, escolaridade materna, tipo de construção das moradias, acesso à fonte de água ligada à rede pública, destino do lixo, utilização do vaso sanitário, aglomeração domiciliar, renda familiar (em salário mínimo), morador do domicílio com queixa relacionada ao trato gastrintestinal, assim como com história pregressa de gastrite ou úlcera péptica.

Após o atendimento médico à criança no ambulatório, a pesquisadora realizava uma entrevista com o acompanhante responsável pela mesma. Nessa ocasião, eram verificados peso e comprimento/estatura das crianças.

Para o teste sorológico, foi utilizado o kit-IMMUNOCOMB II Helicobacter pylori IgG, técnica de ELISA (Enzime linked immunosorbent assay) da Orgenics, que se destina à detecção de anticorpos IgG para o HP no soro ou plasma, com base no princípio do imunoensaio fase sólida, de acordo com as recomendações do fabricante. O ponto de corte foi obtido para cada kit separadamente. Era considerado como teste positivo aquele que tivesse a reação de coloração igual ou superior a 20UI/ml (limite máximo de 160 UI/ml). Para obtenção do resultado, comparava-se a intensidade da coloração da reação e a cor já estabelecida pelo cartão de referência CombScale.

Essa pesquisa foi aprovada pelas Comissões de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde - Universidade Federal de Pernambuco e do HGP-IMIP.

Os pais ou responsáveis pelas crianças assinavam o termo de consentimento livre e esclarecido após terem sido informados sobre os objetivos do estudo.

As informações foram codificadas e armazenadas em banco de dados montado no software de estatística EPI-Info, versão 6.0, bem como realizadas as análises estatísticas. A soroprevalência foi obtida através do cálculo da proporção, e estimados os intervalos de confiança (95%). Foi realizada a análise univariada, com o objetivo de identificar associação estatística entre a variável dependente (soropositividade para infecção pelo HP) e as variáveis independentes ou explanatórias, e realizou-se o teste do qui-quadrado (de Pearson) com correção de Yates. Admitiu-se nível de confiança de 5% (p = 0,05) para aceitação de associação.

Resultados

A idade das crianças estudadas variou entre dois e dez anos; 54,4% (124/228) eram pré-escolares, e 45,6% (104/228), escolares. Em relação ao sexo, 46,5% (106/228) das crianças eram do sexo masculino, e 53,5% (122/228), do feminino. Quanto à procedência, 43,4% (99/228) da amostra moravam na capital do estado (Recife), e 56,6% (129/228), em outras cidades da região metropolitana do Recife.

Dentre as 228 crianças testadas, 73 foram HP-positivas, com soroprevalência de 32% (IC de 95% 26% - 38%). A soroprevalência no sexo masculino foi de 37,7% (IC de 95% 27,9%-47,5%), e no sexo feminino, de 27% (IC de 95% 19%-35%) (p=0,11). De acordo com a faixa etária, a soroprevalência foi de 25,8% (IC de 95% 17,8%-33,8%) para pré-escolares (2 a 4 anos), e de 39,4% (IC de 95% 30,4%-48,4%) para escolares (5 a 10 anos) (p=0,04).

A distribuição do baixo peso ao nascer, o tempo de aleitamento materno predominante, a matrícula em posto de saúde e o esquema vacinal atualizado foram semelhantes nos dois grupos, não havendo diferença do ponto de vista estatístico (Tabela 1).

Em relação ao tipo de construção dos domicílios, ao acesso à água encanada e ao destino do lixo, não foi encontrada associação estatisticamente significante (Tabela 2).

As crianças soropositivas para o HP pertenciam a famílias com menor renda, moravam em domicílios com maior aglomeração de pessoas, em condições de higiene menos favoráveis, e as mães apresentavam um menor nível de escolaridade (Tabelas 2 e 3).

Não houve associação estatística significativa entre o estado nutricional e a sorologia positiva para infecção pelo HP (Tabela 4).

Não foi demonstrada associação estatística entre a soropositividade para o HP e história de contato intradomiciliar com outros moradores com queixas relacionadas ao trato gastrintestinal, ou que tivessem história pregressa de gastrite ou úlcera péptica (Tabela 5).

Discussão

Observa-se associação da soropositividade com a idade em vários trabalhos científicos realizados (4,6,7,9,10,16). No presente estudo, verifica-se claramente o aumento da soroprevalência quando analisamos as crianças por grupo etário, ou seja, 25,8 e 39,4% em pré-escolares e escolares, respectivamente.

Apesar do fato de que a infecção pelo HP pode ser adquirida em qualquer idade, constata-se que ela ocorre já nos primeiros anos de vida, especialmente em comunidades pobres. O aumento progressivo da soropositividade com a idade parece estar relacionado a um contínuo risco de infectar-se ao longo da vida, determinando efeito cumulativo na curva de soroprevalência (11).

Informações acerca do peso ao nascimento, tempo de aleitamento materno, matrícula em posto de saúde e esquema de vacinação permitem uma avaliação da situação de saúde e dos cuidados dispensados à população infantil. Provavelmente, por esses indicadores terem apresentado percentuais equivalentes entre os dois grupos de crianças, refletindo a homogeneidade do ponto de vista social da amostra estudada, nenhum deles mostrou associação com a soroprevalência em questão.

Percebe-se maior percentual de desnutrição quando avaliado através do índice altura/idade, entre as soropositivas (8,2%). Através desse índice, podemos constatar uma situação de cronicidade em relação à desnutrição, refletindo piores condições de vida, o que favorece maior contato dessas crianças com o HP.

O tipo de moradia, o acesso à água, o destino do lixo e a existência ou não de sanitário adequado são aspectos que refletem o ambiente em que as pessoas vivem e, conseqüentemente, suas condições socioeconômicas. A partir desse ambiente, o indivíduo poderá ter maior ou menor contato com diversos tipos de agentes infecciosos, inclusive o HP3 (11).

Neste trabalho, a ausência de sanitário, ou a presença do mesmo sem descarga, predominou no grupo de crianças soropositivas, indicando um ambiente domiciliar desfavorável do ponto de vista do tratamento dos dejetos, o que poderia justificar a maior probabilidade de contaminação dessas crianças, uma vez que acredita-se ser principalmente através da via fecal-oral que se adquire a infecção pelo HP (11,12). O desenho de estudo utilizado não permitiu avaliar se a água consumida pelas crianças desempenharia algum papel na veiculação do microorganismo, tal como analisado por Klein et al. no Peru (14).

Estudos na literatura sugerem que, em populações de baixo nível socioeconômico, a transmissão desse microorganismo pode ser facilitada por precárias condições de higiene e grande aglomeração domiciliar, devido à alta prevalência de adultos infectados, com conseqüente aumento do risco de contaminação infantil (6,17,18-20). Observamos uma aglomeração domiciliar em 83,6% das famílias de crianças com sorologia positiva, revelando associação significante entre maior número de pessoas por domicílio e presença de criança soropositiva para o HP. Um trabalho com 348 crianças em El Paso, Texas, verificou que a alta aglomeração domiciliar e ausência de vaso sanitário determinaram risco de 2,56 e 2,20 vezes a mais de infectar-se pelo HP (21). A transmissão oro-oral (11,12) tem sido descrita na literatura em uma maior aglomeração familiar; desde que houvesse indivíduos portadores de HP, aumentariam as chances de contaminação entre as crianças. No entanto, no nosso estudo, não foi analisada a situação dos outros moradores do domicílio em relação à infecção pelo HP, o que dificulta conclusões a esse respeito.

Uma renda per capita de menos de um quarto do salário mínimo revela pobreza absoluta (22). Neste estudo, 71,4% das famílias das crianças soropositivas alcançaram, no máximo, meio salário mínimo de renda per capita, demonstrando situação econômica precária, estando algumas delas, provavelmente, em extrema pobreza. Quando as comparamos às crianças soronegativas, que tinham padrão de renda um pouco melhor, constatamos relação inversa entre renda e infecção pelo HP.

Oliveira et al. (23), em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, verificaram menor renda entre os indivíduos soropositivos, apesar de, estatisticamente, essa associação não ter sido comprovada. Já em área rural desse mesmo estado, essa associação pôde ser demonstrada do ponto de vista estatístico (9).

A escolaridade materna tem sido destacada por ser capaz de refletir o nível de percepção das mães em relação aos cuidados básicos de higiene e de saúde que devem ser dedicados à família. Em nosso estudo, foi constatado maior percentual de mães que não sabiam ler nem escrever entre as crianças soropositivas. Situação oposta ocorreu entre as mães das crianças soronegativas, ou seja, com a melhora do nível de escolaridade, houve menor soropositividade para infecção pelo HP.

Redlinger et al. (21) demonstraram risco 2,22 vezes maior de infecção pelo HP entre as crianças cujas mães não conseguiram completar o ensino fundamental. Um estudo prospectivo, realizado no Brasil, em adultos, revelou maior soropositividade entre indivíduos com pior nível de escolaridade (23).

Em estudo realizado na China rural, com uma população pobre, que apresenta alta prevalência da infecção pelo HP, constatou-se que, nas famílias em que um dos pais estava infectado, 85% das crianças também estavam infectadas, enquanto que, naquelas em que nenhum dos pais estava contaminado, a prevalência da infecção pelo HP em seus filhos foi de 22,2% (OR=30,4) (16).

Com a possibilidade de transmissão através do contato entre moradores do mesmo domicílio, investigamos se haviam ali pessoas com queixas relacionadas ao aparelho gastrintestinal, ou com história positiva para gastrite ou úlcera péptica, confirmada por algum método diagnóstico. A associação entre essas variáveis e a soroprevalência para infecção pelo HP não foi comprovada neste estudo, entretanto, observou-se que as crianças soropositivas tiveram contato com maior número de moradores, ou seja, dois ou mais, com queixas ou histórias positivas. Como essa relação parece-nos bastante coerente, é provável que um estudo realizado com amostra maior possa demonstrar associação positiva nesses casos.

Concordando com os dados publicados, a soroprevalência da infecção pelo HP foi maior entre os escolares do que nos pré-escolares. Observando-se uma associação da positividade para o HP e as variáveis que refletem uma condição socioeconômica desfavorável.

Semelhante ao que acontece com outras doenças infecciosas prevalentes na infância, só com a melhoria das condições socioeconômicas das famílias e um ambiente domiciliar adequado é que poderíamos ter uma redução nas taxas de soroprevalência da infecção pelo HP entre as crianças.

Sobe

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Endereço para correspondência:
Dra. Gisélia Alves Pontes da Silva
Rua Simão Mendes, 195/202 - Jaqueira
CEP 52050-110 - Recife, PE
E-mail: gisapontes@uol.com.br

Sobe

Mônica M. C. Moraes - Médica Preceptora do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco, Mestre em Pediatria - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Gisélia A. P. da Silva - Profª Adjunta do Departamento Materno-Infantil da UFPE, Doutora em Pediatria - EPM/UNIFESP.