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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.80 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572004000100017 

CARTAS AO EDITOR

 

Tabagismo durante a gravidez: um problema maior do que se imagina

 

 

Krzysztof M. Kuczkowski

Médico e Professor de Anestesiologia e Medicina Reprodutiva, Diretor de Anestesia Obstétrica, Departamentos de Anestesiologia e Medicina Reprodutiva, Universidade da Califórnia, San Diego, Califórnia, EUA

 

 

O tabagismo interfere na função reprodutora das mulheres no período pré-concepção, na evolução da gravidez e na lactação1. Uma vez que as gestantes estão em contato regular com os profissionais de saúde (acompanhamento pré-natal), as campanhas antitabagismo normalmente surtem um ótimo efeito durante esse período. No entanto, para que esses esforços sejam bem-sucedidos, devemos estar atentos às seguintes considerações:

1) Enquanto que o uso de drogas ilícitas durante a gravidez vem recebendo grande atenção nas últimas duas décadas, muito pouca atenção tem sido dada às conseqüências do uso de "drogas sociais", como fumo, álcool e cafeína, que são certamente as drogas mais comumente consumidas durante a gravidez.

2) Enquanto que os efeitos nocivos da cocaína, anfetaminas e opióides nas mães e nos fetos são mais acentuados e fáceis de identificar, o tabagismo, o etilismo e o consumo de cafeína são normalmente mais sutis e mais difíceis de diagnosticar2. Conseqüentemente, o uso recreacional do fumo durante a gravidez pode permanecer despercebido, afetando significativamente a evolução da gravidez e a lactação.

3) Aproximadamente 80% das mulheres que fumam antes da gravidez continuam a fumar enquanto grávidas2. O baixo consumo de cigarros antes da gravidez é o melhor fator preditivo para a interrupção do tabagismo durante a gravidez.

4) A maioria das pacientes com histórico de uso de drogas durante a gravidez (incluindo fumo) nega seu uso quando entrevistada por médicos atendentes, obstetras e/ou neonatologistas3.

5) Os fatores de risco que sugerem o uso de fumo durante a gravidez incluem ausência de acompanhamento pré-natal, complicações respiratórias e histórico de parto prematuro.

É necessário, portanto, que tenhamos uma grande desconfiança quanto ao uso do fumo (bem como de outras drogas sociais e ilícitas) durante a gravidez. Também devemos adotar uma postura não-crítica em relação a cada paciente.

 

Referências

1. Mello PR, Pinto GR, Botelho C. The influence of smoking on fertility, pregnancy and lactation. J Pediatr (Rio J). 2001;77:257-64.

2. Kuczkowski KM. Tobacco and ethanol use in pregnancy: implications for obstetric and anesthetic management. The Female Patient. 2003;28:16-22.

3. Kuczkowski KM. Labor analgesia for the drug abusing parturient: is there cause for concern? Obstet Gynecol Surv. 2003;58:599-608.