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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.81 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572005000100007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Monitoramento microbiológico seqüencial da secreção traqueal em pacientes intubados internados em unidade de terapia intensiva pediátrica

 

 

Cid E. CarvalhoI; Eitan N. BerezinII; Ivan P. PistelliIII; Lycia MímicaIV; Maria Regina A. CardosoV

IDoutor. Médico, Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, Santa Casa de São Paulo. Professor assistente, Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo, SP
IIProfessor adjunto, Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo. Chefe do Setor de Infectologia Pediátrica, Santa Casa de São Paulo, SP
IIIMestre. Professor assistente, Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo. Chefe da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, Santa Casa de São Paulo, SP
IVProfessora adjunta, Departamento de Microbiologia, Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo e Diretora do Laboratório de Controle de Infecção Hospitalar
VDoutora. Professora, Departamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Estudar seqüencialmente a flora traqueal em pacientes internados em unidade de terapia intensiva pediátrica e associar esta flora com o tempo de internação, a utilização prévia de antimicrobianos e o diagnóstico de pneumonia associada à ventilação mecânica.
MÉTODOS: A população estudada foi constituída de pacientes pediátricos admitidos em uma unidade de terapia intensiva pediátrica entre novembro de 2002 e dezembro de 2003 e submetidos a ventilação mecânica. Foram coletadas três amostras seriadas de secreção traqueal de cada paciente. A primeira coleta foi realizada dentro das primeiras 6 horas após a admissão, e as amostras seguintes, depois de 48 e 96 horas.
RESULTADOS: Foram estudados 100 pacientes com idade entre 1 dia e 14 anos. Nas três coletas realizadas, observou-se um aumento do percentual de culturas positivas para Pseudomonas aeruginosa, de 6 para 22% (p = 0,002), e também uma diminuição das culturas positivas para Staphylococcus aureus, de 23 para 8% (p = 0,009). No grupo com uso prévio de antimicrobianos, houve maior freqüência de isolamento de Candida spp (p < 0,05). Dezesseis (23,5%) dos 68 pacientes que foram internados sem diagnóstico de pneumonia desenvolveram pneumonia associada à ventilação mecânica. Em relação à cultura de secreção traqueal desses pacientes, foram obtidas culturas positivas em 10 casos: seis S. aureus (com três Acinetobacter baumanni concomitantes), dois Klebsiella spp. (com um Enterobacter spp. concomitante), um Candida spp. e um P. aeruginosa.
CONCLUSÃO: O monitoramento seqüencial da secreção traqueal pode ser útil na avaliação das alterações da flora microbiana nas unidades de terapia intensiva pediátrica.

Palavras-chave: Pneumonia, UTI, resistência bacteriana, Staphylococcus aureus


 

 

Introdução

A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é uma das mais importantes causas de infecções nosocomiais em unidades de terapia intensiva pediátrica (UTIP), como mostram estudos avaliando infecções nosocomiais em pediatria1-4.

O papel das secreções das vias aéreas superiores contaminadas por patógenos que drenam para a subglote em pacientes intubados submetidos à ventilação mecânica na patogênese da PAV é conhecido. Este fato levou a investigações clínicas e epidemiológicas que contribuíram significantemente para o entendimento e o manejo dos pacientes portadores de PAV5-8.

Estima-se que a incidência de PAV em adultos ultrapasse 10%9. A incidência em crianças, estimada pelo estudo nacional de vigilância de infecção nosocomial americano (NNIS), é de 20%5-7. Entre os pacientes pediátricos, a maior incidência ocorre na idade entre 2 meses e 1 ano, e a bactéria mais comumente implicada na PAV é a Pseudomonas aeruginosa8.

A árvore traqueobrônquica e a orofaringe dos pacientes em ventilação mecânica estão freqüentemente contaminadas por microorganismos9. No entanto, a relação entre essa colonização e a infecção pulmonar ainda permanece pouco clara. Johanson et al.10 mostraram que 23% dos pacientes colonizados por bactérias subseqüentemente desenvolvem infecção pulmonar.

Em relação à PAV, ainda persistem controvérsias, principalmente em relação às técnicas diagnósticas e às estratégias de prevenção. Esse debate é resultado de diferenças na análise de três importantes questões: diferenciação entre colonização e infecção, interpretação dos sinais clínicos e uso de antimicrobianos em unidades de terapia intensiva9.

Devido a esses fatos, vários estudos têm sido publicados no intuito de prevenir, identificar e tratar as infecções intra-hospitalares do trato respiratório inferior. Um dos métodos utilizados é o monitoramento seriado de secreções traqueais em pacientes intubados em ambiente de UTI11-13. Carvalho et al.14, em estudo realizado no Brasil com adultos, relataram sensibilidade e especificidade de cerca de 70% da cultura da secreção traqueal quando comparada com lavado bronco-alveolar. Em outro estudo brasileiro recente, Camargo et al.15 encontraram boa sensibilidade da cultura de secreção traqueal no diagnóstico de PAV, mas baixa especificidade.

Avaliando a literatura, pode-se perceber que existem poucos dados sobre o problema em pacientes pediátricos.

O objetivo do presente estudo, portanto, foi estudar seqüencialmente a flora traqueal em pacientes internados em UTIP. Além disso, procuramos associar essa flora com algumas variáveis, como tempo de internação, utilização prévia de antimicrobianos e diagnóstico de PAV.

 

Métodos

A população estudada foi constituída por todos os pacientes pediátricos intubados dentro das primeiras 6 horas após admissão na UTIP da Santa Casa de São Paulo, durante o período de novembro de 2002 a dezembro de 2003. Os pacientes eram selecionados independendo do sexo, do diagnóstico na data de admissão, do tempo de internação hospitalar e do uso de antimicrobianos.

Foram coletadas, quando possível, três amostras seriadas de aspirado de secreção traqueal de cada paciente. Além disso, foram colhidas hemocultura, urocultura, cultura de ponta de cateter ou outra cultura necessária para a investigação do caso. A primeira coleta de secreção traqueal foi realizada dentro das primeiras 6 horas de intubação, e as amostras seguintes foram coletadas em intervalos regulares de 48 e 96 horas após a primeira coleta. Todas as amostras foram encaminhadas para cultura microbiológica e para testes de sensibilidade antimicrobiana.

Houve participação consentida no estudo, de acordo com as normas do Código de Ética para pesquisas envolvendo seres humanos.

A coleta da secreção foi realizada por técnica estéril, utilizando-se sonda de aspiração traqueal. O conteúdo traqueal foi coletado o mais profundamente possível, em sistema fechado sob vácuo, diretamente ao frasco coletor Transbac®, que contém material para cultivo. Os coletores foram lacrados e enviados ao Serviço de Microbiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde foram semeados e cultivados.

O material foi semeado em ágar-sangue e anaerinsol-S. O ágar-sangue foi incubado em estufa a 35±2 ºC durante 18 a 24 horas, sendo, que após a incubação, a placa era analisada; não havendo crescimento, a placa era reincubada por mais 24 horas. Para os prováveis patógenos, o teste de sensibilidade aos antimicrobianos foi realizado conforme o método de Kirby-Bauer. Quando houve crescimento de mais de uma colônia com morfologia aparentemente diferente, foi realizado um isolamento, que consistiu em repicar cada um deles individualmente em outra placa de ágar-sangue. Após nova incubação, o procedimento foi repetido conforme descrito anteriormente. O cultivo anaeróbico foi realizado em placa de anaerinsol-S fechada em jarra com gerador de anaerobiose, que permite que bactérias anaeróbicas estritas e facultativas se desenvolvam. Essa jarra foi incubada em estufa a 35±2 ºC por 48 horas. Após este período, ela foi aberta e, havendo crescimento, foi realizado o teste de aerotolerância, expondo a cepa ao crescimento em atmosfera ambiente. Não havendo crescimento, foram realizadas provas padrão para a identificação de anaeróbios. Em caso de fungos, o meio utilizado foi o de Saboraud.

O critério diagnóstico de PAV utilizado neste estudo foi: paciente em ventilação mecânica por no mínimo 48 horas que apresentou progressão ou surgimento de novo infiltrado alveolar no raio X de tórax associado a instabilidade térmica, leucopenia ou leucocitose, presença de secreção purulenta e necessidade de oxigênio suplementar16.

Na análise estatística, foram realizados os testes de qui-quadrado, exato de Fisher e Mann-Whitney para comparar proporções entre grupos de pacientes. Foram também calculados os riscos relativos (rr), com os respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), para o isolamento de patógenos na terceira coleta em relação à primeira. O software SPSS versão 10.0 foi usado em todas as análises.

 

Resultados

No período estudado, 389 pacientes foram internados na UTIP da Santa Casa de São Paulo, sendo que 237 não foram intubados nas primeiras horas de internação e 52 foram extubados antes das 6 horas iniciais. Desta forma, foram incluídos no presente estudo 100 (26%) pacientes. Houve três coletas de secreção traqueal em 59 pacientes, duas coletas em 18 pacientes e uma em 23. O total de três coletas seriadas não pôde ser realizado em 41 pacientes, pois, em menos de 48 horas, 23 já não estavam mais intubados, o mesmo ocorrendo com outros 18 pacientes em 96 horas.

A faixa etária dos pacientes estudados variou de 1 dia a 14 anos. Em relação aos diagnósticos de entrada na UTI, foram observados: 35 casos de doença respiratória, 32 casos de pós-operatório ou trauma, 15 malformações ou doenças neurológicas, nove septicemias e oito casos com outros diagnósticos. Cinqüenta e cinco pacientes internados já utilizavam antimicrobianos antes da admissão na UTI.

A comparação dos três momentos de coleta, com os números e as porcentagens de culturas negativas e positivas para as diversas bactérias isoladas, está apresentada na Tabela 1. Nas três coletas seriadas, obteve-se percentual de cultura negativa de 43, 48 e 39%, respectivamente (p > 0,05). Para vários pacientes, houve isolamentos concomitantes de mais de uma bactéria. Ocorreu aumento significativo de culturas positivas para Pseudomonas spp., passando de 6% na primeira coleta para 22% na terceira (p = 0,002), com rr de 2,08 (IC95%: 1,41-3,06). Por outro lado, observou-se decréscimo significativo na terceira cultura em relação à primeira cultura positiva para Staphylococcus aureus, com percentuais de 23 e 8% (p = 0,009) e rr = 0,43 (IC95%: 0,19-0,98).

 

 

Dos 100 pacientes estudados, 68 foram internados sem diagnóstico de pneumonia. Destes, 16 (23,5%) desenvolveram PAV. Em relação à cultura de secreção traqueal e ao perfil de resistência aos antimicrobianos desses pacientes, culturas positivas foram obtidas em 10 casos: seis S. aureus, com três Acinetobacter baumanni concomitantes; duas Klebsiella spp., com uma Enterobacter spp. concomitante; uma Candida spp.; e uma P. aeruginosa. Foram encontradas quatro culturas de S. aureus ß meticilino-resistente, duas de Klebsiella spp. produtora de ß-lactamase, e a cultura de P. aeruginosa foi resistente somente à carbenicilina.

Em relação a culturas colhidas concomitantemente em outros sítios (hemoculturas, uroculturas e culturas de ponta de cateter), 31 pacientes tiveram culturas positivas (18 hemoculturas, cinco culturas de ponta de cateter e 15 uroculturas). Em seis hemoculturas, houve concordância com o achado na secreção traqueal — quatro S. aureus e duas Candida spp. Duas uroculturas e uma cultura de ponta de cateter positivas para Candida spp. também foram concomitantes com as de secreção traqueal; isso ocorreu nos mesmos pacientes que tiveram hemoculturas positivas para este microorganismo.

A Figura 1 mostra o perfil microbiológico na primeira cultura de secreção traqueal dos grupos de pacientes com uso de antimicrobianos por mais de 48 horas antes da internação e sem uso prévio de antimicrobianos. A aplicação do teste de Mann-Whitney para a identificação de diferenças entre os dois grupos revelou um aumento significativo da presença de Candida spp. no grupo com uso de antimicrobianos (p < 0,05).

 

 

Discussão

Nas três coletas seriadas, obteve-se um percentual superior a 40% de culturas negativas, independentemente do tempo prévio de internação e do uso de antimicrobianos. Estudos anteriores já alertavam sobre a possibilidade de resultados negativos devido ao uso prévio de antimicrobianos e falhas em técnicas de cultura17,18. Entretanto, nosso estudo revelou índices maiores de culturas negativas nas três coletas seriadas do que aqueles relatados na literatura12,17,19.

Na comparação dos dois grupos de pacientes — os que recebiam e os que não recebiam antimicrobianos —, a análise da primeira coleta não evidenciou diferença significativa em relação à obtenção de culturas negativas. O único patógeno que apresentou diferença no isolamento entre os dois grupos foi a Candida spp., com maior freqüência de isolamento no grupo de pacientes com uso prévio de antimicrobianos. Este fato se deve à predisposição à colonização de mucosas por este microrganismo em conseqüência do uso de antimicrobianos17.

Quando os resultados das culturas de secreção traqueal foram associados com os de culturas de outros sítios, colhidas concomitantemente, foram encontradas seis (33%) de 18 hemoculturas com o mesmo patógeno da secreção traqueal. Destas, quatro foram positivas para S. aureus e duas para Candida spp. Duas uroculturas positivas para Candida spp. também foram isoladas concomitantemente com as de secreção traqueal, sendo estas nos pacientes que tiveram hemoculturas positivas para o mesmo microorganismo. O achado de Candida spp. em secreção traqueal é mais associado com colonização; no entanto, os casos descritos são compatíveis com infecção fúngica generalizada20.

Entre as bactérias isoladas nos primeiros dias após o início da ventilação mecânica, houve predomínio de S. aureus, que corresponde, na literatura, a cerca de 20 a 30% das infecções respiratórias em UTIP, principalmente entre aquelas que se manifestam mais precocemente8.

Ocorreu aumento significativo de culturas positivas para Pseudomonas spp., um indício de que a intubação endotraqueal quebra a barreira entre o meio ambiente e a mucosa traqueal dos pacientes, propiciando a colonização progressiva por Pseudomonas spp., patógeno freqüente em ambiente de UTI conforme aumenta o tempo de intubação20,21. A Pseudomonas spp. é uma bactéria capaz de sobreviver na natureza com mínimas necessidades nutricionais, podendo persistir viável por longos períodos em umidificadores e soros11. O aumento de colonização por Pseudomonas spp. à medida que aumenta a permanência do paciente na UTI foi um achado importante, uma vez que esta bactéria é a maior causa de PAV entre as bactérias gram-negativas e a mais associada com aumento de mortalidade8,21.

Neste estudo, a incidência de PAV foi de 23% (16 de 68 pacientes), próxima da encontrada na literatura (1610 e 29,1%11). Um dos agentes isolados na secreção traqueal dos pacientes com PAV foi o S. aureus — em seis de 16 casos (37,5%), sendo que quatro eram cepas resistentes à oxacilina.

As bactérias gram-positivas têm se tornado importantes patógenos nesse cenário, principalmente o S. aureus, com resistência freqüente à oxacilina8,12,13.

Dos 16 pacientes com PAV em nosso estudo, quatro (25%) apresentaram isolamento, em secreção traqueal, de dois microorganismos diferentes na mesma amostra, o que é compatível com a literatura17,18.

Houve dificuldades em nosso estudo para o diagnóstico adequado de PAV, devido a dificuldades de padronização diagnóstica, particularmente por se tratar de pacientes pediátricos. Dois estudos brasileiros avaliaram a utilidade da secreção traqueal no diagnóstico etiológico de PAV.

O estudo de Camargo et al.15 comparou a avaliação da secreção traqueal com avaliação microbiológica qualitativa ou quantitativa, concluindo que havia maior sensibilidade nos métodos qualitativos e maior especificidade nos métodos quantitativos. Outros estudos, inclusive um nacional, mostraram alguma associação entre os resultados de lavado bronco-alveolar e os de cultura de secreção traqueal13,14.

A colonização por bactérias patogênicas que ocorre em pacientes com longa permanência em hospital, particularmente em UTIP, representa um alto risco para o paciente e para os comunicantes do mesmo. Devemos lembrar que os pacientes, após a alta da UTIP, são encaminhados para unidades de pediatria geral, onde podem vir a se tornar fonte de contaminação para outros pacientes22,23.

Concluímos que o monitoramento seqüencial de secreção traqueal pode apresentar utilidade na avaliação do perfil da flora microbiana desses pacientes, como indicador das mudanças que ocorrem no ambiente das UTI.

 

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Endereço para correspondência
Cid E. Carvalho
Av. do Guacá, 445/94, Bloco B
CEP 02435-000 — São Paulo, SP
Fone: (11) 81262400
E-mail: uti.ped@santacasasp.org.br

Artigo submetido em 27.02.04, aceito em 24.11.04.