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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.82 no.3 suppl.0 Porto Alegre July 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572006000400006 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Vacina BCG: eficácia e indicações da vacinação e da revacinação

 

 

Mauricio L. BarretoI; Susan M. PereiraII; Arlan A. FerreiraIII

IProfessor titular, Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, (UFBA), Salvador, BA
IIProfessora adjunta, Instituto de Saúde Coletiva, UFBA, Salvador, BA
IIIProfessor adjunto, Departamento de Pediatria, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: Revisar aspectos relacionados ao efeito protetor da primeira e segunda doses da vacina BCG e discutir as suas principais indicações e contra-indicações.
FONTES DOS DADOS: Utilizando o PubMed, foi realizada uma revisão sistemática da literatura abrangendo um período de, aproximadamente, 50 anos. Os estudos foram agrupados por tipo de desenho, apresentando-se separadamente os principais resultados de ensaios clínicos, estudos de caso-controle e meta-análises. Outros tópicos relevantes, como a BCG e HIV/AIDS, o uso do teste tuberculínico, aspectos relacionados à cicatriz vacinal e ao desenvolvimento de novas vacinas, dentre outros, foram também revistos.
SÍNTESE DOS DADOS: A vacina BCG é utilizada desde 1921. Apesar disso, ainda apresenta controvérsias e aspectos não esclarecidos. O efeito protetor da primeira dose da vacina BCG contra a tuberculose na forma miliar ou na meningite é bastante significativa. No entanto, em relação à forma pulmonar, os resultados são discordantes, variando de ausência de efeito a níveis próximos a 80%. Há evidências de que uma segunda dose da BCG não aumenta o seu efeito protetor. Estudos demonstram proteção da vacina contra a hanseníase. Pesquisas sobre novas vacinas que, no futuro, poderão vir a substituir a BCG estão sendo realizadas.
CONCLUSÕES:Apesar da expectativa de que, no futuro, venhamos a ter uma nova vacina para a tuberculose, no presente e ainda por muitos anos, a vacina BCG, apesar de suas deficiências, mantém-se como um importante instrumento nos esforços para controle dos efeitos danosos da tuberculose, sobretudo em países em que essa doença ocorre em médias e elevadas taxas de incidência.

Palavras-chave: Tuberculose, vacina BCG, teste tuberculínico intradérmico, efeito protetor, cicatriz BCG.


 

 

Introdução

A tuberculose (TB) é um importante problema de saúde pública em escala mundial. Estima-se que um terço da população do planeta esteja infectada com o Mycobacterium tuberculosis (MT). Cerca de 8,8 milhões de casos novos de TB ocorrem no mundo anualmente. Destes, 3,9 milhões apresentam baciloscopia positiva e são registrados em torno de 1,7 milhões de óbitos. Aproximadamente 2 bilhões de pessoas apresentam infecção tuberculosa latente (ITL), e uma pequena proporção evolui para TB clínica, dependendo de algumas situações, a exemplo de desenvolvimento de imunodeficiência ou outras condições desconhecidas. A forma clínica mais freqüente de TB é a pulmonar, principal responsável pela transmissão do bacilo da TB. Apesar do declínio acentuado na ocorrência de TB na maioria das regiões desenvolvidas do globo, a incidência dessa doença tem permanecido elevada em regiões como África e Leste Europeu. Geralmente observa-se tendência de elevação de TB em países com alta incidência de AIDS1,2. No mundo industrializado, o aumento de TB tem sido relacionado com o aumento da pobreza e das desigualdades sociais que vêm ocorrendo em vários países desse grupo3.

Países que apresentam baixa incidência de TB têm direcionado suas ações de controle para identificação e tratamento de indivíduos infectados, visando evitar a ocorrência de novos casos. Em alguns desses países, a vacina BCG tem sido descontinuada com a justificativa de preservar o valor diagnóstico do PPD como indicador de infecção passada com o MT. Nos demais países, a exemplo do Brasil, a vacina BCG é recomendada ao nascer, sendo também recomendados, como medidas de controle, o diagnóstico precoce, o tratamento de casos de TB e quimioprofilaxia dos contatos2.

O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão dos principais estudos publicados na literatura sobre o efeito protetor da primeira e segunda doses da vacina BCG contra TB, discutindo as principais indicações e contra-indicações da vacina. Para atingir esses objetivos, foi realizada uma revisão sistemática através do PubMed, utilizando como palavras-chave BCG, vaccine, tuberculosis, BCG scar, BCG and TST, BCG and PPD, isoladamente ou combinadas. O período de revisão abrangeu 50 anos, aproximadamente. Os estudos foram agrupados por desenho, descrevendo-se separadamente os principais resultados através de ensaios clínicos, estudos observacionais (caso-controle, descritivos) e meta-análise. Incorporaram-se a esta revisão alguns estudos recentes a respeito de novas vacinas, exame de PPD, aspectos relacionados à cicatriz vacinal, dentre outros.

A vacina BCG foi obtida em 1921 por Albert Calmette e Camille Guerin, após 13 anos de repicagens sucessivas de uma cepa isolada por Nocard em 1908, responsável por mastite tuberculosa bovina, a "Lait Nocard"4. Foram realizadas passagens sucessivas até 1921, quando foi então liofilizada no Instituto Pasteur. Essas passagens seqüenciais motivaram oito mutações genéticas ao longo de 40 anos, de modo que a cepa trazida para o Uruguai em 1925, por Julio Elvio Moreau, já sofrera duas mutações5. A vacina BCG foi trazida para o Brasil em 1927, por Arlindo de Assis, que recebeu uma estirpe-filha da BCG trazida por Moreau, a qual passou a ser denominada BCG Moreau - Rio de Janeiro4. Apesar das modificações genéticas, não foi observada redução da capacidade protetora originalmente descrita6, sendo a cepa brasileira considerada uma das mais imunogênicas dentre as 12 estirpes vacinais atualmente em uso7.

A vacina BCG é produzida em diversos laboratórios no mundo. Apesar de originadas do M. bovis atenuado, podem não ser bacteriologicamente idênticas, devido à variabilidade biológica de cepas, que possuem características genotípica e fenotípica distintas. Como conseqüência, apresentam características diferentes, a depender da cepa, em relação à viabilidade, imunogenicidade, reatogenicidade e virulência residual. Estudos genômicos recentes apontam que a vacina BCG difere em algumas características genéticas4.

A vacina BCG foi utilizada pela primeira vez em 1921, em um recém-nascido cuja mãe apresentava TB. A criança não desenvolveu a doença e também não foram observados eventos adversos. A vacina foi adotada largamente na Europa entre 1920 e 1930. Um evento ocorrido em 1929/30, em Lubek, Alemanha, relacionado à utilização de um lote de BCG oral inadvertidamente contaminado com o bacilo da TB virulento e que provocou 72 óbitos em um total de 251 crianças vacinadas, gerou percepções negativas sobre a vacina, mas ao final foi aceito como um acidente isolado e que não mais se repetiu8. Em 1927, foi introduzida a técnica intradérmica de aplicação do BCG e, em 1939, a de multipuntura2. No Brasil, somente em 1968 passou-se a utilizar a BCG intradérmica, pois, até aquela data, utilizava-se exclusivamente a vacina administrada por via oral. A partir de 1930, começaram a ser realizados os primeiros ensaios clínicos para avaliar o efeito protetor da primeira dose de BCG. Com os resultados favoráveis obtidos a partir de 1948, a Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) orientaram a realização de campanhas de vacinação em todo o mundo. Entre 1948 e 1974, estima-se que foram vacinadas 1,5 bilhão de pessoas2. Em 1974, a vacinação com BCG foi incorporada ao Programa Ampliado de Vacinação (PAI/OMS). Atualmente, a cobertura vacinal da BCG alcança 85% dos recém-nascidos. Estima-se que aproximadamente 100 milhões de crianças recebam a vacina BCG a cada ano, sendo observadas coberturas vacinais mais baixas nos países africanos, sudeste da Ásia e oeste do Pacífico8,9.

Além dos efeitos na TB, tem sido relatado o efeito protetor da vacina BCG contra outras micobacterioses, a exemplo da hanseníase e da úlcera de Buruli10. Efeitos têm sido demonstrados na imunoterapia de algumas formas de câncer, em especial do câncer de bexiga11. Há ainda relatos na literatura sobre proteção da vacina BCG contra ancilostomíase12 e outras infecções por helmintos13. A redução na freqüência de atopia em crianças vacinadas com BCG tem sido descrita14,15.

 

Efeito protetor da primeira dose de vacina BCG para tuberculose pulmonar

Diversos estudos foram realizados para avaliar o efeito protetor da BCG contra TB pulmonar. Esses estudos apontam enorme variação na proteção conferida, a depender do desenho, ou áreas geográficas onde foram realizados, dentre outros aspectos. Isso tem gerado incertezas quanto à proteção conferida pela vacina, permanecendo este tema bastante controverso. Há consenso na literatura sobre a proteção conferida pela primeira dose da vacina BCG contra formas graves e disseminadas de TB em crianças, principalmente meningite e miliar. Entretanto, o debate continua em relação ao efeito protetor da vacina BCG para a TB pulmonar, forma clínica de importância para o controle da doença.

Os diversos ensaios clínicos para avaliar a proteção conferida pela vacina BCG contra TB pulmonar, realizados a partir de 1930, mostram resultados de efetividade variando entre 0 a 80%16-22. O maior ensaio clínico realizado para avaliar a efetividade da vacina BCG foi realizado em Madras, Índia, e apresentou ausência de proteção contra TB. Essa variação do efeito protetor confere um certo grau de incerteza referente ao papel protetor da primeira dose de BCG contra a TB pulmonar, com possíveis reflexos no controle de TB na comunidade9,23.

Diversos estudos caso-controle foram também realizados para avaliar a proteção conferida pela primeira dose da vacina BCG contra todas as formas de TB. Os estudos, em seu conjunto, mostram efeito protetor variando entre 16 e 73%. Para as formas pulmonares, o nível da proteção observado variou de 10 a 66%, enquanto que, para as formas meníngeas e miliares, o efeito protetor foi consistentemente alto, superior a 50% em todos os estudos. Esses estudos diferem entre si quanto a algumas características, a exemplo da faixa etária dos casos incluídos na análise, proporção das diversas formas clínicas de TB, fonte e processo de seleção de controles e tamanho da amostra, fatores que podem interferir nos níveis de proteção observados24-39. Estudos de casos controle realizados em crianças infectadas com HIV não mostraram evidências de proteção da vacina BCG para formas pulmonares e extrapulmonares de TB40,41.

Estudos de meta-análise foram também realizados no esforço de sintetizar a diversidade dos resultados existentes. Com relação ao efeito protetor da vacina BCG para a meningite tuberculosa e a TB miliar, os resultados entre os vários estudos são homogêneos, variando entre 72 e 100%, com uma medida sumarizada de 86%42. Medidas sumarizadas da proteção conferida pelo BCG contra todas as formas de TB foram similares para ensaios clínicos controlados, randomizados (ECR) e estudos de casos controle, sendo 51 e 50%, respectivamente43. Entretanto, o efeito protetor do BCG contra TB pulmonar foi bastante heterogêneo, pois mesmo os diversos ECR apresentaram resultados que variaram de -88 a 79%. Admitindo-se que essas variações ocorram em conseqüência de fatores nem sempre conhecidos (ver próximo tópico), os esforços de apresentação de uma medida sumarizada e global para representar de forma uniforme o efeito protetor da vacina BCG em diferentes contextos têm sido criticados44.

 

Variação na proteção com BCG

As variações observadas na proteção com a BCG, principalmente no que se refere às formas pulmonares, têm sido atribuídas a diversos fatores, sendo estes os mais destacados:

Variabilidade biológica da BCG devido a diferentes cepas

Ocorreria em função de possíveis mutações e diferenças imunogênicas entre cepas cultivadas nos diferentes laboratórios em culturas que se propagaram durante anos. Esse aspecto tem sido apontado como capaz de interferir para os diferentes resultados observados na eficácia, não havendo, entretanto, consenso a respeito. Estudos realizados com a mesma cepa de BCG em diferentes países registraram níveis de proteção discordantes23,45,46.

Exposição às micobactérias ambientais (MA)

A exposição das populações a outras micobactérias poderia interagir com a resposta imune do receptor, interferindo na proteção conferida pela BCG. Ensaios clínicos realizados em populações de países situados mais distantes da linha do Equador, com baixa ou nenhuma prevalência de MA, apresentaram valores de eficácia elevados, acima de 70%. A baixa eficácia observada em estudo realizado no sul da Índia é compatível com a existência de imunidade heteróloga adquirida por exposição ambiental prévia a micobactérias. Estudo de meta-análise apontou que 41% da variação na estimativa de eficácia seria explicada pela variação na latitude, o que pode representar a exposição às MA23,46-48.

Via de infecção

Diferenças na história natural de infecção e doença também têm sido identificadas como capazes de influenciar nos achados de eficácia. A vacina teria um efeito protetor se a doença resulta de infecção primária, a exemplo de meningite e formas disseminadas de TB. O efeito protetor baixo seria observado em relação à TB resultante de reinfecção exógena. Se essa hipótese for verdadeira, ocorreria baixa eficácia naquelas populações com alto risco de infecção e elevada ocorrência de reinfecção exógena22.

Outros fatores

Outros fatores relacionados às condições de utilização da vacina, como viabilidade, dose utilizada, via de administração; fatores relacionados ao hospedeiro, como estado nutricional, outras infecções e aspectos genéticos também poderiam interferir nas estimativas da eficácia vacinal22,48,49.

Resumindo, apesar de as evidências apontarem a ocorrência de MA como o fator mais consistente para explicar as variações da proteção conferida pela BCG, esta continua sendo apenas uma hipótese, sem comprovações definitivas.

 

Duração do efeito protetor da BCG

A duração do efeito protetor da vacina BCG é um aspecto importante para a tomada de decisões nas políticas de vacinação11. Tem sido considerado, na literatura, que a proteção conferida pela vacina BCG declina com o tempo50. Na Grã-Bretanha, o Medical Research Council realizou estudo para avaliar o efeito protetor da vacina BCG, entre 1950 e 1970, envolvendo 54.239 participantes entre 14 e 15 anos de idade21. A incidência anual média para todo o período de acompanhamento foi de 0,98/1.000 nos não-reatores não vacinados e 0,23/1.000 nos dois grupos que receberam a vacina, sendo observada uma proteção de 77% para o período. Entretanto, a análise qüinqüenal apontou uma redução da proteção de 84% nos primeiros 5 anos, para 59% entre 10 e 15 anos, demonstrando declínio do efeito protetor nesse período21.

Recentemente, foi publicado um estudo resultante de um ensaio clinico placebo-controlado em população de índios norte-americanos e nativos do Alasca. A proteção atribuída à BCG no período inicial de acompanhamento (1935 a 1947) foi de 77%20,51. Nova avaliação publicada recentemente, mas referente ao período de 1948 a 1998, apontou o efeito protetor significante de 52% referente ao acompanhamento durante 6 décadas, mas observando uma redução da proteção inicial ao longo do período. Estudo realizado utilizando o grupo controle do ECR, sobre a eficácia da segunda dose em escolares no Brasil, mostrou duração da proteção de BCG neonatal até 15-20 anos, para todas as formas de TB52. Esses achados, se confirmados, sugerem que a duração da proteção conferida pelo BCG neonatal é superior ao anteriormente estabelecido na literatura, apesar de evidências apontando que esse efeito protetor seja superior nos anos mais próximos à vacinação30,53-55.

 

Revacinação com BCG

A OMS recomenda o uso de uma dose de BCG na proteção contra TB, considerando a ausência de evidências que sustentem utilização de doses adicionais de BCG56. Alguns países, a exemplo de Rússia, Portugal, Chile e Hungria, adotam o uso de doses repetidas de BCG para o controle da TB pulmonar, baseados no pressuposto de que a proteção conferida pela vacina BCG declina ao longo do tempo. As evidências que apontam para a utilização da segunda dose da vacina BCG são fundamentadas, em sua maioria, em estudos observacionais. Na Hungria, a partir de 1959, foi adotada a revacinação com BCG em menores de 20 anos não-reatores ao PPD. Nos anos seguintes, observou-se rápido declínio da incidência de TB em crianças revacinadas, quando comparadas com a população de adultos, sendo atribuído às políticas de revacinação adotadas57. No Chile, estudo caso-controle não evidenciou proteção após doses adicionais de BCG58. Na Finlândia, a partir de 1990, após descontinuidade do uso da segunda dose da vacina BCG em crianças não-reatoras ao PPD, não foi observada elevação no número de casos, quando comparados à coorte de revacinados com BCG59. ECR realizado no Malawi para avaliar a efetividade da segunda dose da vacina BCG contra TB não mostrou proteção, apesar da redução observada em 50% dos casos de hanseníase60. No Brasil, resultados de um ECR da revacinação de escolares em duas capitais do país, Salvador e Manaus, mostraram ausência de proteção da segunda dose de BCG para TB pulmonar e, como conseqüência, recomendaram a suspensão dessa prática61,62. No Japão, estudo sobre a segunda dose da vacina BCG concluiu que, naquele país, a política de revacinação foi uma estratégia ineficiente de prevenção, considerando a baixa prevalência de TB, os custos estimados e a evidência de ausência de proteção conferida pela segunda dose63.

 

Cicatriz da BCG

A vacinação com BCG deixa uma cicatriz típica no local da vacinação, sendo considerada um bom indicador de vacinação passada com BCG64. Estudos realizados em duas diferentes cidades no Brasil apontaram para uma elevada sensibilidade e especificidade da cicatriz como indicador da vacinação pelo BCG65,66. Estudos em outros locais, entretanto, têm encontrado que entre 17 e 25% das crianças anteriormente vacinadas com BCG não possuem cicatriz67,68. A presença de cicatriz vacinal representa passado de vacinação com BCG, não havendo evidências na literatura de associação entre presença de cicatriz e proteção ou imunidade contra TB. Apesar disso, o Ministério da Saúde (MS), através do Programa Nacional de Imunizações, orienta a vacinação de crianças que não apresentem cicatriz vacinal, mesmo que possuam história positiva de vacinação com BCG, pela possibilidade teórica de que unidades não viáveis da vacina tenham sido aplicadas, motivando a ausência da resposta cutânea.

Quando aplicada em recém-nascidos e lactentes, caracteriza-se pelo aparecimento tardio da reação local: na segunda semana, surge enduração de 3 a 9 mm no local de aplicação, seguindo-se o amolecimento da zona central entre a quinta e a oitava semanas com formação de crosta. Essa crosta, ao cair, deixa no local uma úlcera de 2 a 6 mm de diâmetro, que cicatriza lentamente entre a oitava e a décima terceira semanas69,70.

O tamanho da cicatriz vacinal guarda correlação com a resposta ao PPD antes da vacinação. Foi observado que indivíduos com maior resposta tuberculínica pré-vacinação possuem cicatriz vacinal cerca de 2,8 mm maior71. Além disso, a formação de cicatriz vacinal de menor diâmetro associada ao uso de dose menor de BCG (0,05 mL) tem sido relatada72. O tamanho da cicatriz vacinal também está associado com o número de doses de BCG, sendo maior à medida que aumenta o número de doses68,73. Entretanto, foi observado, em estudo realizado em escolares brasileiros revacinados, que a segunda cicatriz mostrou-se menor em relação à primeira, aplicada no período neonatal70.

A reatividade cutânea produzida pela BCG, quando aplicada por via intradérmica, tem evolução distinta quando se compara a primo-vacinação com a revacinação. A revacinação de escolares com a mesma dose da BCG aplicada no primeiro ano de vida produz reação vacinal intensa e precoce, compatível com o fenômeno de Koch. Isto é, dentro das primeiras 72 horas já se observa presença de hiperemia e enduração e, a partir da segunda semana, já aparece úlcera. Entretanto, o tempo decorrido para a cicatrização completa é mais lento, sendo descrito que aproximadamente dois terços de escolares revacinados terão completado o processo de cicatrização na décima semana, não ocorrendo a cicatrização rápida como descrito no modelo experimental de Koch70.

 

Teste tuberculínico intradérmico e vacina BCG

Em 1890, Robert Koch preparou a primeira tuberculina, denominada de old-tuberculin. Apenas na década de 1920, a tuberculina veio a constituir-se, definitivamente, em um método de identificação de infecção pelo M. tuberculosis. Em 1955, a OMS padronizou a leitura do teste tuberculínico intradérmico (TT-ID) em 48 a 72 horas após sua aplicação74. Em 1958, o Statens Seruminstitut, Dinamarca, produziu um grande lote da "Renset Tuberculin (Tuberculina Purificada) partida 23"(PPD-RT23), com o objetivo de estocar um preparado padronizado75. O teste vem sendo usado para investigar contato de indivíduos com TB ativa, especialmente crianças76. O MS do Brasil preconiza a realização do teste tuberculínico com 0,1 mL do PPD RT23 por via intradérmica, de preferência no terço médio anterior do antebraço, segundo a técnica de Mantoux77.

A resposta ao PPD mede o grau de alergia à proteína tuberculínica. Em geral, uma resposta ao teste superior a 10 mm é considerada positiva. Em populações vacinadas com BCG, a resposta ao PPD torna-se de difícil interpretação, pois a vacinação recente (período anterior a 15 anos) pode interferir nessa resposta. A resposta tuberculínica é inferior (RR 2,4; IC95% 2,00-2,97) após o uso de BCG neonatal, sendo superior após a vacinação pós-neonatal (RR 10; IC95% 5,29-18,89). Na interpretação da resposta ao TT-ID, deve ser considerada a prevalência de infecção tuberculosa, além do passado vacinal. Em países com baixa incidência de infecção tuberculosa, foi demonstrado que essa resposta está relacionada ao uso de BCG78.

No Brasil, crianças vacinadas no período neonatal apresentaram viragem tuberculínica acima de 80%79,80. Em escolares, reação forte ao TT-ID esteve presente em 60 a 80% das crianças testadas até 10 meses após a vacinação81-83. Há evidências na literatura de que a reatividade tuberculínica pós-vacinal declina ao longo dos anos. Em 11.455 escolares vacinados no primeiro ano de vida na cidade de São Paulo, o teste tuberculínico produziu enduração igual ou superior a 10 mm em apenas 6,4% do total de crianças vacinadas e 6,2% em um estrato vacinado com meia dose de BCG nos primeiros 3 meses de vida84. Um teste tuberculínico positivo (forte reação ao TT-ID) 2 anos após a primo-vacinação, na criança de baixa idade, não deve ser atribuído ao uso da vacina aplicada no período neonatal.

Mesmo em países de elevada cobertura vacinal, o teste tuberculínico é utilizado como método adjuvante na indicação de quimioprofilaxia em comunicantes de paciente com TB ativa. Baseado no resultado da resposta ao teste, no Brasil, o MS recomenda o uso de isoniazida nas seguintes situações: menores de 15 anos, sem clínica de TB ativa, contactante com bacilífero, não vacinados, com reação ao TT-ID > 10 mm ou vacinados com TT-ID > 15 mm; indivíduos com viragem tuberculínica recente, ou seja, aumento de no mínimo 10 mm na reação ao TT-ID nos últimos 12 meses; na população indígena em todo contactante de bacilífero, reator forte ao TT-ID, independente de idade ou estado vacinal, após ser afastada TB-doença; imunodeprimidos, por uso de drogas ou doença, contactantes intradomiciliares de TB ativa, sob criteriosa decisão médica; reatores fortes à tuberculina, sem sinais de TB ativa, mas com condições clínicas associadas a maior risco de virem a desenvolver a doença (diabetes, nefropatias graves, sarcoidose, linfoma, alcoolismo, silicose)85.

Há evidências na literatura de que um teste tuberculínico positivo não representa imunidade induzida por vacina, ou seja, a presença de reações de hipersensibilidade do tipo retardada não está associada à proteção vacinal6,73,78. Em linhas gerais, considera-se que endurações superiores a 15 mm estão mais relacionadas à infecção pelo bacilo da TB do que hipersensibilidade cutânea produzida pela vacina. Outros testes vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de discriminar entre uma infecção causada pelo bacilo da TB ou pela vacina BCG86. Recentemente, o Food and Drug Administration (FDA) nos EUA liberou o uso de um teste in vitro (QuantiFERON® TB Gold Test - QTF-G, Cellestis, Limited, Carnegie, Victoria, Austrália). Este se baseia no fato de que o MT produz antígenos específicos, quais sejam o Early Secretory Antigen Target-6 (ESAT-6) e Culture Filtrate Protein-10 (CFP-10), que não são produzidos pelo BCG ou por outras MA. O sangue de um indivíduo infectado (doente ou com TB latente), ao ser incubado com aqueles dois antígenos, resultará na produção de interferon gama (IFN- ) pelos linfócitos sensibilizados. O resultado positivo, demonstrado pela técnica de ELISA, aponta para infecção pelo MT. O teste tem uso limitado pelo alto custo, necessidade de laboratório especializado e também por ainda não ter sido testado em grupos de indivíduos com idade inferior a 17 anos87.

 

BCG e hanseníase

Apesar de a vacina BCG ter sido inicialmente desenvolvida visando o seu efeito protetor contra TB, proteção tem sido também observada para a hanseníase. A partir de 1960, ensaios clínicos controlados foram realizados em seis diferentes países9. Em relação à proteção para a segunda dose da vacina BCG na população em geral, a eficácia variou entre 0 e 50%9,88, no Brasil e Malawi, respectivamente. A proteção conferida para a primeira dose da vacina BCG foi de 14% na Índia, na população geral e 80% em contatos de hanseníase. Diversos estudos caso controle foram realizados para avaliar a proteção conferida pela vacina BCG em hanseníase, sendo 12 para avaliar a primeira dose9,89-92. Esses estudos, em sua maioria, foram realizados em populações atendidas pelos programas de controle de TB. Um deles foi realizado em contatos de hanseníase, em serviços de rotina. A proteção geral obtida nesses estudos variou de 36 a 90%89,92-95. Em resumo, tem sido demonstrado que a primeira dose de vacina BCG protege contra hanseníase e que uma dose adicional acrescenta proteção60,93,96,97. Entretanto, em razão da variação nessas estimativas, não é possível obter uma medida sumarizada, não podendo ser generalizado o achado da elevada proteção observada em alguns estudos15,98. Questões relacionadas a quem, quando, e com que freqüência as populações devem ser vacinadas ainda não estão completamente esclarecidas99.

No Brasil, a vacinação/revacinação é recomendada pelo MS para contatos de casos de hanseníase. Apesar disso, o impacto dessa estratégia na incidência de hanseníase na comunidade e seu custo/efetividade ainda não foram demonstrados100.

 

Eventos adversos à BCG

Em geral, a vacinação com BCG é seguida de uma reação local de evolução lenta e benigna, não sendo freqüente a ocorrência de eventos adversos (EA). A cepa Moreau, em particular, tem-se mostrado muito segura101,102. A ocorrência de EA associados ao uso da vacina BCG está relacionada com a concentração do bacilo vacinal, a idade da criança, a cepa e a técnica de vacinação. Esses eventos variam desde úlceras com cicatrização demorada no local da aplicação, hipertrofia e/ou supuração de linfonodos satélites até disseminação hematogênica, principalmente quando aplicada em porção mais profunda da derme ou em pacientes imunodeprimidos.

Os EA mais freqüentes são úlceras no local da aplicação, resultantes de técnica imperfeita, a exemplo de aplicação subcutânea, ao invés de intradérmica, dose excessiva ou contaminação secundária no local da aplicação. Outro EA raro é a linfadenite supurativa regional (LS). Foi observada uma incidência de 0,1 por 1.000 crianças vacinadas na Dinamarca, atingindo até cinco por 1.000 em alguns países em desenvolvimento101. A maioria desses EA ocorrem no decorrer dos primeiros 5 meses pós vacinação. Infecção disseminada por bacilo BCG é uma complicação rara, que pode evoluir para desfecho fatal. A taxa de incidência relatada para esse evento é de 0,19 a 1,56 por milhão de vacinados. Recentemente, no Canadá, a taxa de ocorrência desse EA foi estimada em 205 casos por milhão de doses aplicadas, valor bastante acima do anteriormente observado. Sua ocorrência tem sido relatada após 6 meses de vacinação, geralmente em crianças com imunodeficiência congênita ou adquirida que são inadvertidamente vacinadas103. O desenvolvimento de imunossupressão progressiva pode levar à reativação de organismos BCG latentes, causando EA regionais ou disseminados. Disseminação da BCG tem sido descrita em pacientes com AIDS. O número de casos relatados nesse grupo de pacientes tem sido baixo, possivelmente devido à subnotificação, pois o diagnóstico depende de disponibilidade de laboratório104. Outro evento raro é a osteíte, com uma taxa de incidência de 0,6 a 46 casos por um milhão de crianças vacinadas101.

A revacinação com BCG não está significantemente relacionada com a freqüência de EA na população105. Entretanto, a ocorrência de dor e hipertrofia de linfonodos após a revacinação foi superior ao observado entre escolares primo-vacinados. Na primo-vacinação, a hipertrofia de linfonodos axilares é mais freqüente em recém-nascidos que em crianças maiores106.

 

BCG e HIV/AIDS

A epidemia de HIV/AIDS contribuiu para o aumento da incidência de TB em diversos países do mundo. A principal explicação para esse fato é que pacientes HIV/AIDS apresentam imunodepressão que favorece a reativação de LTBI. Crianças com síndromes de imunodeficiência desenvolvem linfadenites ou apresentam disseminação de BCG após a vacinação. Estudo realizado em pacientes imunodeprimidos na África do Sul demonstrou que a elevada freqüência de crianças com AIDS e que apresentavam linfadenite e/ou formas disseminadas de TB teve como agente etiológico a vacina BCG dinamarquesa, aplicada no período neonatal107. A OMS recomenda a vacinação BCG, ao nascimento, para crianças infectadas pelo HIV vivendo em países com alta prevalência de TB. Entretanto, a vacina está contra-indicada para as crianças infectadas pelo HIV que apresentem sinais clínicos da doença ou de imunossupressão. Países com baixa prevalência de TB, em geral, não adotam vacinação de infectados108.

 

Uso da BCG na rotina

A primeira dose da vacina BCG ao nascer é recomendada na maioria dos países, principalmente naqueles com elevada incidência de TB, a exemplo do Brasil. Essa recomendação visa evitar a ocorrência de formas graves de TB em crianças109. Em países com baixa prevalência de TB, a exemplo da Inglaterra e outros países europeus, a primeira dose da vacina BCG é adotada em escolares (12 e 13 anos de idade) que possuam teste tuberculínico negativo. Outros países adotam o uso de doses repetidas de BCG, como Portugal e Suíça (duas doses). Rússia e outros países do Leste Europeu recomendam até cinco doses de BCG. Entretanto, essas estratégias são discutíveis, não havendo evidências que assegurem haver proteção adicional produzida por mais de uma dose de BCG98,109.

 

Uso da BCG em profissionais da área de saúde

Profissionais da área de saúde (PAS) são considerados um grupo de alto risco para TB, apresentando uma incidência maior do que em outras categorias profissionais. Recentemente, foram relatados surtos de TB em hospitais, alguns deles por cepas multidrogas resistentes. Países com baixa prevalência têm relatado surtos em clusters de pacientes e PAS110. Vários especialistas orientam que PAS não-reatores ao TT-ID devam ser vacinados99,108.

Tem sido demonstrado que indivíduos não reatores ao TT-ID, ao freqüentar ambientes de grande exposição a pacientes bacilíferos, a exemplo de estudantes de medicina e enfermagem, dentre outros, têm maior risco de adoecimento quando comparados com aqueles que exibem TT-ID entre 5 e 15 mm111.

Desde a época pré-estreptomicina, primeira droga efetiva no tratamento da TB, vem sendo demonstrada a proteção conferida pela BCG contra a TB em estudantes e outros PAS. Tais estudos ressaltam a importância da vacina como elemento isolado na proteção desses grupos específicos.

No Brasil, algumas escolas de medicina optam por não vacinar seus alunos e sim realizar o TT-ID anual nos estudantes; constatada a viragem tuberculínica, indicam a quimioprofilaxia com isoniazida (INH)111. Essa estratégia é eficaz contra o desenvolvimento da doença por bacilo sensível à INH, mas tem limitações em vista de problemas advindos da reduzida aderência ao uso da INH durante 6 meses, por PAS112, além da hepatotoxicidade da droga113,114. Além disso, não está comprovada sua eficácia para comunicantes de indivíduos sabidamente portadores de TBMR. Nos EUA, a preocupação com a emergência da TBMR115-117 levou o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) a recomendar a vacinação de PAS não-reatores ao TT-ID e que apresentarem exposição a indivíduos portadores de TBMR, quando não estiverem disponíveis, na sua totalidade, os meios físicos de proteção individual8,118.

 

Recomendações para a vacinação BCG no Brasil

A cepa utilizada no Brasil é a Moreau - Rio de Janeiro, que, em sua apresentação liofilizada, tem prazo de validade de 6 meses quando conservada em temperatura entre 2 e 8 ºC. É apresentada em frascos de cor âmbar contendo 20 doses. A dose empregada na vacinação corresponde a 0,1 mL de vacina reconstituída com soro fisiológico. Contém entre 800.000 a 1 milhão de bacilos viáveis por mililitro até 4 a 6 horas após diluição, desde que conservada fora da exposição à luz solar direta ou mantida menos de meia hora na temperatura ambiente e sob luz solar indireta69.

Até março de 2006, as recomendações do MS eram as seguintes:

a) Vacinação de crianças no primeiro mês de vida: a primo-vacinação BCG é recomendada o mais próximo possível ao nascimento em crianças com peso superior a 2.000 g84, sendo obrigatória no primeiro ano de vida119.

b) Revacinação de escolares: o MS do Brasil preconiza a revacinação BCG em escolares, sem teste tuberculínico prévio, baseando-se em fatores como: permanência da incidência de TB no patamar de 50/100.000 nos últimos 10 anos; agravamento das epidemias de TB e do HIV/AIDS, sobretudo entre adolescentes e adultos jovens; permanência de índices estáveis de ocorrência de meningoencefalite tuberculosa em indivíduos acima de 5 anos de idade69. Essa política está sendo revisada, e a revacinação na idade escolar não mais deverá ser recomendada.

c) Vacinação de estudantes e PAS: no Brasil, o MS recomenda a vacinação de todo profissional que for prestar assistência a pacientes com TB e hanseníase e que seja inicialmente não-reator ao TT-ID, com ou sem cicatriz vacinal69,77. Essa política está sendo revisada, e os PAS envolvidos exclusivamente nos programas de tuberculose deverão ser vacinados apenas no caso de não apresentarem cicatriz vacinal e serem não-reatores ao TT-ID.

 

Principais contra-indicações da vacina BCG

As contra-indicações ao uso da vacina BCG podem ser relativas ou temporárias (peso < 2 kg; reações dermatológicas no local da aplicação; doenças graves; uso de drogas imunossupressoras) ou absolutas (imunodeficiências adquiridas ou congênitas)85.

 

Perspectivas de novas vacinas contra tuberculose

As vantagens da utilização da vacina BCG nos países com média ou alta incidência de TB certamente superam os seus limites, aqui já discutidos (efeito protetor variável para TB pulmonar e, de acordo com área geográfica, interferência na interpretação do teste cutâneo, contra-indicação absoluta para pacientes imunocomprometidos). Entretanto, esforços estão em curso para o desenvolvimento de pelo menos uma nova vacina que venha substituir a BCG. Considera-se que a vacina ideal deva possuir um elevado efeito protetor contra TB e com menor variação em diferentes contextos e formas clínicas, superando esta e outras deficiências anteriormente descritas acerca da vacina BCG. A identificação de novas vacinas que funcionem como imunoterápicos a serem associadas ao tratamento convencional da TB também tem sido buscada. Centenas de vacinas candidatas, utilizando diferentes conceitos, têm sido desenvolvidas, e algumas já estão em fase I ou II de ensaios clínicos, na expectativa de que algumas sejam aprovadas para a fase III em breve120-122.

Diferentes conceitos têm sido usados no desenvolvimento dessas vacinas, como: M. tuberculosis atenuado123; subunidades de BCG ou M. tuberculosis como a ESAT 6124; co-imunização do BCG com plasmídeo codificado para síntese de IL-12125; vacina de DNA que codifique a expressão de proteínas antigênicas como Hsp 60, 85 B ou Hsp 65125-127, todas ainda em fase de estudos. Alguns resultados são promissores. Recentemente, foi demonstrado que uma vacina BCG modificada por engenharia genética adquiriu a capacidade de bloquear o gene da urease produzida pela BCG original quando fagocitada pelo macrófago, além de ter sido inserido um gene responsável pela produção de lisina proveniente da Listeria monocytogenes. Isso resultou na expressão de novos antígenos da BCG no citoplasma e superfície do macrófago, capacitando-o para a estimulação tanto de células CD4+ como CD8+. O resultado, ainda em fase experimental, é que essa vacina recombinante possui maior espectro e efetividade da resposta imune, conferindo maior potencial de proteção contra a infecção pela micobactéria tuberculosa128. Estudos em cobaios com vacinas DNA têm demonstrado não só efeito indutor de proteção contra a TB em animais não-infectados, como também efeito terapêutico em animais já infectados. Isso faz vislumbrar a perspectiva de se tratar a TB, inclusive a TBMR, não só com medicamentos clássicos, mas também com uma abordagem imunoterapêutica129.

Introdução e testes de novas vacinas têm sido alvos de preocupação em países com elevada ocorrência de TB. Nesses países, o impacto observado da vacina BCG na ocorrência da TB em sua forma de meningite ou miliar é suficiente para justificar o seu uso. Conseqüentemente, aspectos éticos norteiam o consenso de que uma nova vacina contra TB só deverá vir a ser testada em populações previamente vacinadas com BCG130 apenas no momento em que os benefícios dessa nova vacina estiverem claramente estabelecidos. Só então poderá ocorrer a completa substituição da BCG.

 

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Correspondência:
Mauricio L. Barreto
Instituto de Saúde Coletiva, UFBA
Rua Basílio da Gama, s/nº, Canela
CEP 40110-040 - Salvador, BA
E-mail: mauricio@ufba.br