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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.82 no.5 Porto Alegre Sept./Oct. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572006000600010 

ARTIGO ORIGINAL

 

Prevalência e variáveis associadas ao hábito de fumar em crianças e adolescentes

 

 

Maria Alayde M. da SilvaI; Ivan R. RiveraII; Antonio Carlos C. CarvalhoIII; Armando de H. Guerra JúniorIV; Tereza Cristina de A. Moreira IV

IProfessora adjunta, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió AL
IIProfessor adjunto, Faculdade de Medicina, UFAL, Maceió AL
IIIProfessor titular de Cardiologia, Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), São Paulo, SP
IVBolsista de iniciação científica, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), UFAL, Maceió AL

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Identificar a prevalência do hábito de fumar e a ocorrência de variáveis associadas ao hábito em crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, de ambos os sexos e provenientes da cidade de Maceió.
MÉTODOS: Estudo epidemiológico transversal, baseado na população de alunos da rede de ensino público e privada, níveis fundamental e médio. Cálculo da amostra baseado na menor prevalência esperada de inúmeras variáveis, incluindo tabagismo. Amostragem por conglomerados. Questionário sobre o hábito de fumar; entrevista individual com cada estudante. Considerado fumante atual aquele que admitiu ter fumado em 1 ou mais dias nos últimos 30 dias. Variáveis analisadas: relacionadas ao estudante (idade, sexo, experimentação prévia de cigarros e trabalho remunerado), à sua condição na escola (pública/privada, turno, nível e repetência) e à família (classificação econômica, pais fumantes e pais separados).
RESULTADOS: Foram avaliados 1.253 estudantes (547 do sexo masculino, média de idade 12,4±2,9 anos). Identificou-se uma prevalência de tabagismo de 2,4%. A análise estatística multivariada demonstrou associação significante do hábito de fumar com: maior idade (odds ratio de 1,31); experimentação prévia de cigarros (odds ratio de 33,96); estudar no período noturno (odds ratio de 5,43). Observou-se que 286 estudantes (22,8%) admitiram haver experimentado cigarros (9% de 7 a 9 anos; 21% de 10 a 14 anos; 36% de 15 a 17 anos).
CONCLUSÕES: A prevalência de tabagismo em crianças e adolescentes da rede de ensino da cidade de Maceió é de 2,4%, sendo mais freqüente em estudantes de 15 a 17 anos, do curso noturno. Estudantes que experimentaram cigarros apresentam 34 vezes mais chances de se tornarem fumantes.

Palavras-chave: Tabagismo, crianças e adolescentes, prevalência.


 

 

Introdução

O tabagismo é considerado o mais importante problema de saúde pública e a principal causa evitável de morte em nossos dias1,2, e as ações para sua prevenção e controle encontram-se entre as prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS)3 e do Ministério da Saúde do Brasil4.

A maior parte dos fumantes adquire o hábito de fumar e a dependência à nicotina na adolescência1-7, iniciando-se com a experimentação de cigarros1,5-7, sendo este fator um dos mais fortes preditores da adição ao tabaco na vida adulta1,5-7. Em inúmeros estudos com jovens, a prevalência do tabagismo aumenta com a idade8-21. As seguintes variáveis também têm sido mencionadas como favorecedoras de início precoce do tabagismo em crianças e adolescentes: o hábito de fumar dos pais, irmãos, professores ou colegas mais próximos8-20, sexo masculino11-17, defasagem nos estudos (repetência, cursos noturnos)11,13,14,16,18,19,21, pais separados14,19 e trabalho remunerado11,19.

Em função do aumento do preço dos cigarros para consumo, da implantação de programas escolares de educação contra o tabagismo e do aumento da exposição dos adolescentes a campanhas governamentais de prevenção, há evidências de que o consumo de cigarros pelos jovens se encontra em declínio nos EUA5,22-24.

Não há entretanto, dados populacionais sobre a evolução do consumo entre jovens no Brasil. Para análises dessa natureza, os estudos de prevalência realizados ao longo do tempo são essenciais, como propõe o Inquérito de Tabagismo em Escolares (VIGESCOLA)25, que tem como finalidade monitorar a magnitude do problema do tabagismo entre os adolescentes brasileiros de 13 a 15 anos, através de inquéritos epidemiológicos periódicos realizados em escolas públicas e privadas.

O presente trabalho tem como objetivos identificar a prevalência do hábito de fumar e as variáveis associadas a esse hábito em crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, de ambos os sexos, estudantes da rede de ensino pública e privada de Maceió.

 

Métodos

No ano letivo de 2001, foi realizado, em Maceió estudo epidemiológico descritivo e transversal, com a finalidade de identificar a prevalência de fatores de risco cardiovascular (risco de sobrepeso, sobrepeso, obesidade, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica e sedentarismo) em amostra representativa de crianças (7 a 9 anos) e adolescentes (10 a 17 anos), de ambos os sexos, matriculados nas escolas de ensino fundamental e médio das redes pública (municipal, estadual e federal) e particular da cidade de Maceió.

A amostra foi calculada através da fórmula recomendada por Thompson26, que leva em consideração a prevalência estimada do evento a ser estudado, o tamanho da população, o nível de confiança e a precisão desejada em torno da prevalência estimada. Para tal, utilizou-se a população total de 185.702 estudantes matriculados27, a menor prevalência esperada dentre as variáveis escolhidas para estudo (7% para hipertensão arterial), nível de confiança de 95% e precisão de 2%. A amostra final deveria constituir-se de 624 estudantes, mas optamos por duplicá-la para aumentar a precisão desse levantamento.

Foi realizada uma amostragem por conglomerados, de forma que cada escola foi considerada um conglomerado. Escolheu-se sortear 40 das 396 escolas cadastradas na Secretaria Estadual de Educação de Alagoas, com a finalidade de obter melhor precisão nas estimativas de prevalência a serem encontradas. Como as escolas apresentam diferentes números de alunos, para obter uma representação, na amostra final, proporcional ao tamanho de cada uma delas, foram sorteados 2,7% dos alunos matriculados em cada escola sorteada.

Para o sorteio das escolas, elas (em número de 396) foram listadas seqüencialmente, com seus respectivos número de alunos. Ao lado da coluna de freqüências, foi feita uma coluna de freqüências acumuladas. Dividiu-se o total de alunos por 40 (para sortear 40 escolas), obtendo-se o intervalo amostral de 4.642,55. Usando a tabela de números casuais, foi sorteado um número entre 1 e o valor do intervalo amostral. O número sorteado, 531, caiu dentro da escola 1, que possui 767 alunos, sendo esta, então, sorteada. Somando sucessivamente o intervalo amostral aos valores encontrados, as 40 escolas foram sorteadas. Obteve-se uma amostra que apresentava uma escola federal, 20 estaduais, oito municipais e 11 particulares (no total, havia uma escola federal, 124 estaduais, 69 municipais e 202 particulares cadastradas).

Em cada escola, o sorteio dos alunos foi realizado pela obtenção do valor do intervalo amostral da mesma (número total de alunos dividido pelo número de alunos a serem sorteados), sorteando-se, a seguir, um valor entre o número 1 e o intervalo amostral (este será o primeiro aluno). A seguir, foi somado sucessivamente o valor do intervalo amostral ao número anteriormente obtido, identificando os alunos, por escola, que constituiriam a amostra. O sorteio foi realizado após a obtenção das listas dos alunos que constituíam as diversas classes da escola em questão, as quais, colocadas em seqüência e tendo-se enumerado os alunos do primeiro (primeiro da primeira turma) ao último (último da última turma), forneceram a identificação dos alunos sorteados.

Para a realização do estudo, os diretores das escolas sorteadas foram convidados a participar de reunião com a equipe executora do projeto, para apresentação da importância, objetivos e metodologia.

Os alunos sorteados, bem como seus pais, foram informados sobre o projeto, sendo convidados a participar mediante assinatura de termo de consentimento (pelos pais, no caso de estudantes até 16 anos, ou pelo próprio adolescente maior de 16 anos). Em caso de recusa à participação no estudo ou quando sorteados estudantes com idade superior a 17 anos, foi realizado sorteio de um outro estudante da mesma escola.

Alguns dos resultados deste estudo foram previamente publicados28,29.

Como parte do protocolo de investigação, os alunos responderam a um questionário estruturado contendo perguntas relacionadas ao hábito de fumar deles e dos pais. A aplicação do questionário ocorreu durante entrevista individual, isolada, com cada estudante, que foi informado sobre o compromisso da equipe em manter o sigilo das respostas obtidas.

Foi considerado fumante atual o estudante que admitiu ter fumado em 1 ou mais dias nos últimos 30 dias, conforme critério adotado pelo Centers for Disease Prevention and Control (CDC), pela OMS e pelo Instituto Nacional do Câncer/Ministério da Saúde do Brasil25. O consumo de cigarros (mesmo uma ou duas tragadas) que não preencheu o critério de fumante atual foi considerado como experimentação prévia25.

Os dados foram tabulados em uma planilha do programa Microsoft Excel. A análise estatística foi realizada através do pacote estatístico SPSS (versão 11.0) para Windows. Para medir a associação entre variáveis, foi utilizado o teste do qui-quadrado e, quando foram observadas as restrições de Cochran, aplicou-se o teste exato de Fisher. Uma análise de regressão logística30 foi utilizada para estimar a odds ratio (OD). Estabeleceu-se em 0,05 ou 5% o nível de rejeição da hipótese de nulidade, sendo assinalados com um asterisco os valores significantes.

A variável dependente testada foi o hábito de fumar. As variáveis independentes foram relacionadas ao estudante (idade, sexo, experimentação prévia de cigarros e trabalho remunerado), à sua condição na escola (pública ou privada, turno que estuda na escola, nível em que se encontra e repetência) e à família (classificação econômica segundo o Critério de Classificação Econômica Brasil31, pais fumantes e pais separados).

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo comitê de ética do Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas.

 

Resultados

Dos 1.253 estudantes da amostra (cinco além da amostra prevista, em função de um maior número de matrículas em algumas escolas), 706 (56,3%) eram do sexo feminino e 547 (43,7%) do sexo masculino, com média de idade de 12,4±2,9 anos.

Dentre eles, 267 (21,3%) eram de escolas privadas e 986 (78,7%) de escolas públicas, sendo estes últimos provenientes de escolas estadual (741), municipal (193) e federal (52). Em relação à classificação econômica, observou-se que 70 estudantes pertenciam à classe A (5,6%), 155 à classe B (12,3%), 341 à classe C (27,1%), 567 à classe D (45,2%) e 120 à classe E (9,8%).

Apenas 30 estudantes admitiram manter o hábito de fumar cigarros, determinando uma prevalência de tabagismo de 2,4% em indivíduos da faixa etária de 7 a 17 anos na cidade de Maceió.

A Tabela 1 apresenta a distribuição dos estudantes, fumantes e não-fumantes, de acordo com as variáveis independentes analisadas. A análise estatística demonstrou que há associação significante entre o hábito de fumar e a faixa etária de adolescentes, a experimentação prévia de cigarros, ser estudante do período noturno e ter histórico de repetência.

 

 

No estudo da relação do hábito de fumar com as demais variáveis, através do ajuste do modelo logístico (Kleinbaun)30, os resultados inferenciais mostraram que tal hábito não está associado: ao sexo (p = 0,837); ao tipo de escola (p = 0,425); ao fato de o estudante estar trabalhando (p = 0,684); a estudar no nível fundamental ou médio (p = 0,120); a ter histórico de repetência (p = 0,479); à classe econômica (p = 0,175); ao pai ser fumante (p = 0,982); à mãe ser fumante (p = 0,633); aos pais viverem juntos ou separados (p = 0,538).

A Tabela 2 apresenta as variáveis que tiveram associação estatisticamente significante com o hábito de fumar.

 

 

A interpretação dos resultados demonstra que a chance de um estudante que já experimentou previamente o cigarro ser fumante é 33,96 vezes maior que a de um estudante que nunca experimentou; a de um estudante do curso noturno é 5,43 vezes maior que a de um estudante do curso diurno. Essa chance aumenta em 1,31 a cada ano de idade.

 

Discussão

No Brasil, o tabagismo está diretamente relacionado a 30% dos infartos do miocárdio, 25% dos acidentes vasculares cerebrais, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e 90 a 95% das mortes por câncer de pulmão, sendo o fator isolado causal de 30% da mortalidade total1,4,32.

Em crianças e adolescentes, os danos imediatos do tabaco estão relacionados ao aumento do número de crises de asma, bronquite e rinite alérgicas, sinusite, otite e pneumonia bacterianas1,4. Além disso, como 90% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 19 anos, sendo a média de idade da iniciação aos 15 anos, o tabagismo é considerado uma doença pediátrica, que necessita de diagnóstico, tratamento e prevenção1-4.

O presente trabalho permitiu estabelecer que a prevalência do tabagismo na população escolar de crianças e adolescentes de Maceió é de 2,4% e que a mesma aumenta com a idade, com o turno noturno e o histórico de repetência, bem como com a experimentação prévia de cigarros.

Os resultados dos estudos de prevalência do tabagismo em jovens, realizados nas últimas décadas, têm demonstrado grandes variações, principalmente decorrentes dos grupos etários estudados e da definição de fumante utilizada, o que dificulta a comparação de seus resultados5,7,10-22,25,32,33.

Em 2003, Malcon et al.19, através de revisão sistemática da literatura disponível sobre o tabagismo em adolescentes da América do Sul, concluíram que, no Brasil (1966-2002), a prevalência variou de 3 a 15,8% e, nos demais países da América do Sul (1982-2002), essa variação foi de 10,6 a 58,3%.

Barbosa et al.11, em estudo com adolescentes, realizado em 10 capitais brasileiras na década de 1980, apontaram uma prevalência de 20%. Quando analisados os estudos realizados ao longo da década de 1990 nos municípios brasileiros, a prevalência descrita variou de 3,2 a 12,1%12-15,18,21.

Carlini et al.7, em 2001, nas 107 maiores cidades brasileiras, identificaram uma prevalência de 2,2% em jovens de 12 a 17 anos.

O VIGESCOLA25, realizado no segundo semestre dos anos de 2002 e 2003 em 12 capitais brasileiras (Maceió não foi incluída), envolvendo uma população de 19.448 estudantes de 13 a 15 anos, das redes pública e privada, identificou uma prevalência de 16% (variando de 9 a 27%).

A prevalência encontrada no presente estudo, mais baixa do que a observada na maioria dos municípios brasileiros estudados isoladamente, pode ser, em parte, explicada por termos incluído crianças de 7 a 9 anos, um grupo etário ausente nos estudos mencionados, no qual a prevalência do tabagismo é ainda mais baixa que nos demais. Entretanto, sendo próxima ao resultado apontado por Carlini et al.7, parece também representar uma realidade local.

Nossos resultados demonstraram uma predominância de fumantes dos 15 aos 17 anos (77%), semelhante ao observado nos demais estudos8-21. Esse fato provavelmente também explica a associação significante entre ser tabagista e estudar no turno noturno11,13 ou estar repetindo série16,19, características presentes nos estudantes com mais idade.

Quanto à experimentação prévia de cigarros, o presente estudo identificou, em Maceió uma prevalência de 22,8% de jovens experimentadores. Os estudos brasileiros mais antigos mostraram uma prevalência de 14,6 a 31,6%12,15,16,18,21.

No estudo de Carlini et al.7, essa variável esteve presente em 15,7% dos entrevistados, correspondendo a um número estimado para o Brasil de 1.177.000 jovens. O VIGESCOLA25 identificou uma prevalência de experimentadores de 13 a 15 anos de 44%.

Sabendo-se que 90% dos fumantes adultos se tornaram dependentes da nicotina até os 19 anos34 e que 50% dos experimentadores jovens se tornarão fumantes na idade adulta35, qualquer experiência de experimentação é indesejável. Em nosso estudo, esse grupo representa em torno de 42.340 jovens, dos quais 21.170 (50%) poderão se tornar dependentes da nicotina.

Em conjunto, tais dados demonstram que, apesar da implementação no Brasil de inúmeras ações educativas, legislativas e econômicas, no plano nacional e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e de Educação4, nossos jovens ainda se encontram muito vulneráveis à experimentação de cigarros e aos agravos decorrentes do hábito de fumar.

A análise multivariada não apontou, no presente estudo, a associação do tabagismo com algumas variáveis identificadas em outros anteriormente realizados, tais como sexo masculino11-17, trabalho remunerado11,19, classe econômica mais elevada13,21, pais fumantes13,21 ou pais separados14,19. Os resultados discordantes demonstram que as diferentes comunidades de jovens provavelmente respondem a diferentes apelos em relação ao cigarro.

Segundo as investigações prévias, a iniciação do hábito de fumar pelo jovem é influenciada pela promoção e publicidade da indústria do tabaco2-4,25, pela pressão do grupo de colegas2,8,25 e pelas atitudes incentivadas por seus modelos de comportamento (na família e na escola)2,8,9,25. Além disso, adolescentes depressivos ou com baixa auto-estima apresentam maior tendência a manter o hábito25,36,37. Há ainda, relatos de que as crianças são mais propensas a admitir a possibilidade de fumar quando forem maiores se um ou ambos os pais fumam2,38. Para os adolescentes, entretanto, o fato de os colegas de grupo serem fumantes parece ser o mais importante fator de iniciação2.

A inclusão das variáveis que não foram contempladas no presente trabalho em investigações futuras provavelmente auxiliará no melhor entendimento das situações e comportamentos que favorecem a experimentação e, mais tarde, a manutenção do hábito de fumar dos jovens. A intenção é fazer com que as estratégias que visam impedir a iniciação do tabagismo, finalidade maior de estudos como o nosso, alcancem plenamente a sua finalidade.

Os dados do presente trabalho demonstram que a baixa prevalência de tabagismo identificada em crianças e adolescentes de Maceió representa, na verdade, um número indesejável de candidatos à doença cardiovascular ou respiratória em faixas etárias muito precoces, tendendo a perpetuar no futuro o perfil de doença que hoje se pretende modificar2-4,35. Além disso, a identificação do grande número de jovens que já experimentaram fumar cigarros e que podem se tornar dependentes desse hábito corrobora a necessidade de as Secretarias Municipal e Estadual de Educação e de Saúde implementarem com ainda maior investimento os programas já elaborados pelo Ministério da Saúde do Brasil4. Isso é crucial quando se sabe que um fumante que decide seriamente deixar o hábito, sem a ajuda de profissionais, tem menos de 5% de chances de estar sem fumar após 1 ano3.

 

Agradecimentos

À Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de Alagoas (FAPEAL) e ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-CNPq/Universidade Federal de Alagoas (PIBIC/CNPq/UFAL), pelo apoio financeiro recebido.

 

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Correspondência:
Maria Alayde Mendonça da Silva
Rua Eng. Mário de Gusmão, 1281/404, Ponta Verde
CEP 57035-000 - Maceió AL
Tel.: (82) 3377.1051, (82) 9991.3592
E-mail: malayde1@uol.com.br

Fonte financiadora de equipamentos e materiais: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), Maceió, AL.

Artigo submetido em 26.10.05, aceito em 07.06.06.