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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.82 no.5 suppl.0 Porto Alegre Nov. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572006000700012 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Antileucotrienos no tratamento da asma e rinite alérgica

 

 

Jose Dirceu RibeiroI; Adyléia A. D. C. ToroII; Emilio C. E. BaracatIII

IMestre e Doutor. Coordenador, Setor de Pneumologia Pediátrica, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP. Professor, UNICAMP, Campinas, SP. Presidente, Departamento de Pneumologia Pediátrica, Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Pesquisador, CNPq e FAPESP
IIMestre. Membro, Setor de Pneumologia Pediátrica, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP. Professora contratada, Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP, Campinas, SP
IIIMestre e Doutor. Membro, Setor de Pneumologia Pediátrica, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP, Campinas, SP. Professor, Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP, Campinas, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Comparar os antagonistas de leucotrienos (ARLT) aos outros grupos de medicamentos utilizados para tratar a asma e a rinite alérgica.
FONTES DOS DADOS: MEDLINE, LILACS e Biblioteca Cochrane. Palavras chaves: leucotrienos, antileucotrienos, tratamento da asma, tratamento da rinite alérgica, asma e rinite alérgica. Procurou-se agrupar os principais trabalhos e revisões sobre o assunto.
SÍNTESE DOS DADOS: Os ARLT são mais eficazes do que placebo e potencializam os efeitos dos corticosteróides inalados. A associação de corticosteróides inalados com agentes b2 agonistas de longa duração (LABA) é mais eficaz do que a associação de cortiscoteróides inalados + ARLT. Embora pareça racional o uso de ARLT na crise aguda de asma e rinite alérgica, mais estudos são necessários para comprovar esse benefício. Os ARLT promovem redução no tempo de hospitalização e no número de crises de sibilância em lactentes com bronquiolite viral aguda pelo vírus respiratório sincicial e na sibilância recorrente após bronquiolite viral aguda. Os ARLT são menos eficazes que os corticosteróides intranasais no manejo da rinite alérgica. Os ARLT são eficazes na asma induzida por exercício (AIE), embora não constituam a primeira linha de tratamento.
CONCLUSÃO: Estudos controlados e randomizados mostram que os corticosteróides inalados são as drogas de escolha para o tratamento da asma persistente e rinite alérgica. :Não existem evidências suficientes para recomendar o uso de ARLT como medicamento de primeira linha (monoterapia) em crianças com asma (nível I). Nas crianças que não podem usar corticosteróides inalados, os ARLT podem ser uma alternativa (nível II).

Palavras-chave: Asma, asma induzida por exercício, rinite, antileucotrienos, montelucaste, zafirlucaste.


 

 

Introdução

Nas últimas décadas, muitos progressos foram obtidos no entendimento da fisiopatologia e no manejo da asma e da rinite alérgica na infância e adolescência. Seguramente, quatro paradigmas foram confirmados e muito divulgados: I) que ambas têm prevalências elevadas e que estão aumentando, II) que se apresentam clinicamente e funcionalmente como vários fenótipos com gravidades diferentes, III) que o componente inflamatório, que resulta em sinais e sintomas clínicos, é muito importante e IV) que a inflamação pode causar alterações permanentes nas estruturas das vias aéreas (remodelamento)1-4. Com a expectativa de controlar da melhor forma possível essas doenças, muitos esforços foram realizados para encontrar um medicamento, ou grupo de medicamentos, capaz de combater a inflamação nas vias aéreas. Contudo, apesar dos importantes avanços, muitos pacientes não conseguem obter o controle total de seus sintomas.

O otimismo foi primeiramente alcançado com os estudos que evidenciaram o poder antiinflamatório dos corticosteróides inalados (CI) e, a partir de 1990, com o desenvolvimento dos broncodilatadores b2-agonistas de longa ação (LABA) (formoterol e salmeterol), que propiciavam broncodilatação com duração de até 12 horas. Inicialmente, verificou-se que os LABA, quando utilizados como monoterapia, causavam broncodilatação e broncoproteção, mas que possuíam efeito antiinflamatório mínimo ou ausente. Posteriormente, na busca do resultado máximo de desobstrução das vias aéreas, foi constatado um efeito sinérgico entre os LABA e os CI.

Em adultos, o uso de medicamentos contendo LABA e CI tem demonstrado eficácia. Evidenciou-se que a combinação de CI + LABA produzia melhor controle da asma do que o uso isolado dos CI, além de menor número de exacerbações, melhora da função pulmonar e melhor controle dos sintomas clínicos do que o aumento isolado na dose diária do CI; e ficou evidente, ainda, que a combinação estaria indicada nos asmáticos com asma persistente moderada e grave2-4. O entusiasmo levou alguns grupos de pesquisadores e algumas diretrizes a sugerir a utilização da combinação CI + LABA no tratamento de pacientes com asma persistente, inclusive para crianças, extrapolando resultados adquiridos com base em estudos com adultos. Conseqüentemente, o número de prescrições de CI isoladamente diminuiu significativamente, enquanto que o número de prescrições da combinação CI + LABA aumentou proporcionalmente, como pode ser visto em crianças de países do norte da Europa1.

 

O que recomendam as diretrizes de tratamento?

De acordo com a Iniciativa Global pela Asma (Global Initiative for Asthma, GINA)2, os LABA devem ser utilizados para a asma persistente moderada quando não houver resposta aos CI.. As diretrizes da British Thoracic Society (BTS)3 sugerem que os LABA devam ser adicionados aos asmáticos que não controlarem seus sintomas com CI. Nos Estados Unidos, as diretrizes dos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health Guidelines for Diagnosis and Management of Asthma)4 sugerem que os LABA sejam utilizados como adjuntos da terapia antiinflamatória para produzir controle dos sintomas por tempo prolongado, especialmente dos sintomas noturnos, e prevenir a asma induzida por exercício.

Todos recomendavam as associações para indivíduos maiores de 12 anos de idade.

A partir do ano 2000, a comunidade científica internacional começou a se preocupar com dois fatos: I) falta de estudos controlados sobre a segurança da associação LABA + CI em crianças e II) os resultados dos estudos de fase IV realizados em adultos para elucidar a segurança, efetividade e eficácia da associação LABA + CI.

Começaram a surgir numerosos trabalhos que evidenciavam ser a associação eficaz no manejo da asma persistente, porém com risco maior para desfechos indesejáveis como: desenvolvimento de tolerância e diminuição da atividade broncodilatadora e broncoprotetora, arritmias, morte súbita, hipopotassemia, piora da asma com aumento do número de exacerbações e aumento de risco para eventos cardiovasculares5-8. Mesmo sendo em números pequenos, esses efeitos colaterais não eram desprezíveis, e eram maiores em afro-descendentes. Passou-se, então, a argumentar que os LABA em crianças deveriam ser utilizados em situações especiais, nos casos muito graves e quando não existisse resposta a doses adequadas de CI e/ou inibidores de receptores de leucotrienos. Recentemente, associações médicas mundiais publicaram recomendações para o uso dos LABA9: I) não utilizá-los como monoterapia ou como medicação de resgate (para esses casos fica recomendado um b2-agonista de curta duração); II) não utilizá-los em substituição aos CI; e III) sempre utilizá-los nas menores doses possíveis. Com esses argumentos, baseados em metanálises e estudos de fase IV, muitos autores têm afirmado que, até o momento, existem poucas evidências científicas para confirmar o uso rotineiro de LABA em crianças, e que as diretrizes de tratamento para o uso de LABA em crianças são extrapoladas dos estudos com adultos. A asma da criança é diferente da asma do adulto, e os resultados de estudos com adultos não devem ser extrapolados para as crianças.

Contra esses argumentos, em 2006, Nelson et al. publicaram um trabalho de revisão10 e o estudo intitulado SMART11, nos quais colocam os principais pontos controversos sobre o uso dos LABA, principalmente o salmetrol, defendendo os benefícios da associação LABA + CI. Como esses dados foram obtidos de adultos, o uso de LABA em crianças continua com a indicação de cautela, esperando que os estudos de fase IV possam confirmar a eficácia e a relação custo-benefício. Portanto, ainda prevalecem os argumentos sugeridos sobre a utilização dos LABA em crianças, recentemente discutidos em dois artigos1,12 que chamam a atenção para a segurança e os riscos da utilização desse grupo de medicamentos em crianças.

Enquanto o debate sobre o papel dos LABA continua, numerosos trabalhos de fase IV confirmam, cada vez mais, que o tratamento antiinflamatório da asma deve ser a viga de sustentação para qualquer asmático persistente (leve, moderado e grave). Entre as drogas antiinflamatórias, os CI constituem o tratamento básico da asma persistente. Quando a resposta a eles é pequena, Pode-se associar LABA, ARLT, teofilina ou outros antiinflamatórios. Droga b-agonista de curta duração, principalmente o salbutamol, deve ser o medicamento de resgate.

Martinez12 chama a atenção para a segurança dos ARLT como uma boa opção terapêutica, principalmente para pacientes com asma leve e moderada em associação aos CI quando não há resposta ao tratamento isolado com CI. Mais estudos de fase IV serão necessários para confirmar e sedimentar esses efeitos. Segundo Martinez12, com o uso de doses adequadas de ARLT, a utilização de LABA, em crianças, fica indicada para formas graves.

Todos esses grupos de medicamentos apresentam um perfil de segurança, facilidade de uso, eficácia, efetividade e ações sobre o remodelamento das vias aéreas que permitem o ajuste individual (ARLT e CI) ou em associações (LABA) (Tabela 1).

A comunidade de profissionais que trabalha e trata crianças com asma espera que novos estudos de fase IV com esses grupos de drogas possam esclarecer melhor o real papel de cada um desses grupos no manejo adequado da asma. O que a maioria dos consensos afirma é que em pacientes cuja asma não é adequadamente controlada com CI, as opções incluem associações com LABA, ARLT, teofilina ou aumentar a dose dos CI.

O objetivo principal desta revisão é verificar o papel dos antagonistas de leucotrienos na asma e na rinite alérgica.

 

O que são e como agem os leucotrienos (LT) e os antagonistas de leucotrienos (ARLT)

Diversas células sangüíneas presentes nas vias aéreas, e outras que para lá migram, liberam substâncias pré-formadas (por exemplo, histamina) e pós-formadas (por exemplo, LT) em resposta a agressões de origem atópica.

Leucotrieno é o nome dado à família de ácidos eicosatetraenoicos poli-insaturados que são formados por ação enzimática na camada fosfolipídica de uma variedade células alvo-ativadas. Nas vias aéreas e pulmões. as principais células que liberam LT incluem: neutrófilos, eosinófilos, mastócitos, macrófagos, células epiteliais e células endoteliais vasculares. Os LT são mediadores lipídicos potentes, derivados da camada fosfolipídica das células, que modulam grande quantidade de processos intra e extracelulares. Os leucotrienos têm demonstrado ações antimicrobianas na defesa do hospedeiro e participação em doenças caracterizadas por inflamação, proliferação celular e fibrinogênese. Existem duas classes de leucotrienos: Cysteinil LT ou LT cisteínicos (Cys-LTs: LTC4, LTD4, LTE4) e LTB4, segundo a presença ou não de cisteína, respectivamente. Esses dois tipos de LT atuam através de dois receptores específicos distintos13. Por ação da enzima fosfolipase sobre os fosfolípides da membrana celular, ocorre uma cascata de formação de mediadores, como esquematizados na Figura 1.

 

 

As ações dos Cys-LT nas estruturas das vias aéreas têm sido documentadas em numerosas investigações e incluem: potente broncoconstrição (muito maior do que a induzida pela histamina e metacolina), com conseqüentes alterações nos valores da função pulmonar, vasodilatação, aumento da secreção de muco, diminuição do transporte de muco e recrutamento de eosinófilos13-15.

Os principais efeitos dos Cys-LT nas vias aéreas podem ser vistos na Figura 2.

 

 

O esforço para desenvolver fármacos que bloqueiam as ações pró-inflamatórias dos Cys-LT produziu dois tipos de fármacos: os inibidores da 5 lipoxigenase e os ARLT. O zileuton reduz a velocidade de síntese dos LT ao bloquear a 5 lipoxigenase. O zafirlucaste e o montelucaste, antagonistas do LTD4, bloqueiam os receptores de leucotrienos e evitam que esses mediadores provoquem reações inflamatórias nas vias aéreas.

Os ARLT têm demonstrado efeitos opostos aos dos LT: melhoram a obstrução das vias aéreas periféricas avaliada por volumes pulmonares, aprisionamento de ar (air trapping)16, resistência das vias aéreas, condutância específica17 e oscilometria18. Diminuem o número de eosinófilos no escarro induzido19 e no sangue periférico de pacientes asmáticos20. Diminuem a migração de eosinófilos aos pulmões14. Podem interferir na melhora do remodelamento das vias aéreas21.

Outro aspecto importante da inclusão dos ARLT como terapia potencial para alguns asmáticos decorre de achados de que o uso de corticosteróides orais, mesmo em doses elevadas, não modifica as concentrações de LT na urina22 e nas secreções das vias aéreas dos asmáticos23. Esse fato sugere duas vias para combater a inflamação nas vias aéreas e pulmões, que ocorrem na asma e na rinite: uma sensível aos corticosteóides e outra sensível aos ARLT. O fato de que os corticosteróides não modificam as concentrações de LT na urina também explica a melhor ação da associação dos CI + ARLT versus o uso isolado de ambos.

 

Estudos sobre o papel dos ARLT na asma e na rinite alérgica

Todos os consensos mundiais têm chamado a atenção para o tratamento antiinflamatório mais agressivo na asma persistente. Apesar de outros grupos de drogas antiinflamatórias terem sido utilizadas (cetotifeno, nedocromil, cromoglicato dissódico), os CI continuam sendo o "padrão áureo" no tratamento da rinite alérgica e da asma persistente. Infelizmente, boa parte dos pacientes não controla a sua asma com o uso isolado de CI. Outro aspecto intrigante é que todas as drogas e grupos de drogas utilizados para o manejo da asma e rinite alérgica apresentam variabilidade individual de resposta.

Os ARLT constituem uma nova classe de drogas antiinflamatórias. Eles podem ser administrados por via oral uma (montelucaste) ou duas vezes (zafirlucaste, pranlucaste) ao dia com poucos efeitos colaterais. Embora tenham efeitos antiinflamatórios menores do que os CI, demonstram eficácia em alguns pacientes com asma e rinite alérgica.

 

Antileucotrienos versus placebo na asma

Os estudos que avaliaram os efeitos dos ARLT e os compararam ao placebo, e as revisões que catalogaram esses estudos13, mostram superioridade estatística evidente dos ARLT quando comparados ao placebo na melhora dos sintomas da asma. Entre esses estudos, Straube et al.24 verificaram que o montelucaste, em lactentes chiadores asmáticos com idade entre 10 e 26 meses, determinou melhora significativa da inflamação, da função pulmonar e dos escores de sintomas quando comparado ao grupo placebo.

Bisgaard et al.25 realizaram o estudo PREVIA com o objetivo de investigar o papel do montelucaste na prevenção de crises de sibilância induzida por infecção viral em crianças com asma intermitente e idade entre 2 e 5 anos. Os pacientes foram randomizados para receber montelucaste ou placebo por um período de 12 meses. O grupo com tratamento ativo apresentou menor número de sintomas e exacerbações de sibilância.

Outro estudo, multicêntrico, realizado com crianças entre 2 e 6 anos de idade, de diferentes países e continentes, duplo cego, randomizado e controlado com placebo, também obteve como desfecho melhora significativa nos sinais e sintomas da asma quando foi utilizado o montelucaste26. Recentemente, Spahn et al.17 comprovaram os efeitos do montelucaste sobre a obstrução das vias aéreas periféricas e a concentração de proteína catiônica eosinofílica em crianças e adolescentes com asma moderada. O uso de montelucaste foi associado a menor aprisionamento de ar, hiperinflação e resistência e maiores valores de espirometria e condutância específica das vias aéreas quando comparado com placebo.

 

Antileucotrienos versus CI na asma

Embora alguns estudos tenham verificado eficácia semelhante dos ARLT e dos CI no manejo de pacientes com asma persistente27, a maioria dos estudos mostra superioridade dos CI sobre os ARLT28,29.

Ducharme & Di Sálvio29 analisaram os resultados de 27 estudos recentes que compararam a eficácia dos ARLT versus os CI no manejo da asma persistente crônica de adultos e crianças maiores de 2 anos. Essa revisão permitiu verificar que os CI na dose de 400 mg/dia (beclometasona ou equivalente) são mais eficazes do que os ARLT; todavia, a equivalência entre as doses desses dois grupos de medicamentos ainda não está determinada. Os autores concluíram que os CI, em monoterapia, constituem a primeira escolha terapêutica para a asma persistente.

Szefler et al.30 mostraram que a resposta ao CI e ao ARLT varia entre pacientes asmáticos. Eles realizaram estudo para testar se um paciente que responde pouco a um medicamento pode responder melhor ao outro, e compararam, de maneira cruzada, os efeitos da fluticasona (FT) inalada versus o montelucaste utilizado isoladamente e em seqüência alternada. Eles utilizaram modificações nos valores de volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) superiores a 7,5% como indicativas de resposta à droga. Verificaram que 17% de 126 participantes (escolares e adolescentes) responderam aos dois fármacos, 23% apenas à FT, 5% apenas ao montelucaste e 55% não responderam aos medicamentos utilizados. Esses resultados mostram o que se observa no dia-a-dia do médico que trata crianças e adolescentes com asma: alguns respondem a um grupo de medicamentos, outros não, e às vezes é necessário associar grupos de drogas.

Mais recentemente, Zeiger et al.31 analisaram comparativamente a eficácia da FT (100 mg 2xs por dia) contra montelucaste (5-10 mg/noite dependendo da idade) em pacientes com idades entre 6-17 anos com asma persistente moderada . O grupo que utilizou FT teve resultados clínicos e laboratoriais mais favoráveis do que o grupo que utilizou montelucaste isoladamente, indicando que os CI constituem a primeira linha no tratamento da asma persistente.

 

Adição de ARLT aos CI para uso na asma

Estudo multicêntrico denominado CASIOPEA32 foi realizado para testar a comparação do uso de budesonida + placebo versus budesonida + montelucaste em pacientes com asma durante 16 semanas. O estudo envolveu 639 pacientes. Os autores concluíram que a adição de montelucaste à budesonida melhora significativamente os sintomas de asma, mais do que o uso de budesonida isoladamente.

LaViolette et al.20, em estudo duplo cego, randomizado e controlado por placebo, por um período de 20 semanas, com asmáticos maiores de 15 anos, também constataram que o montelucaste associado à beclometasona inalada controlou melhor a inflamação de pacientes asmáticos do que os esquemas em separado. O estudo COMPACT33, multicêntrico, randomizado, duplo cego, de grupos paralelos, com 16 semanas de duração, foi realizado para comparar os efeitos da budesonida inalada (800 µg/dia) + montelucaste (10 mg/dia) versus dobrar a dose de budesonida (1600 µg/dia) no tratamento da asma. A eficácia dos dois sistemas de doses foi semelhante nos desfechos utilizados como marcadores de melhora da asma: necessidade do uso de b2-agonistas de curta duração, escores de sintomas, despertares noturnos, exacerbações de asma, qualidade de vida, numero de eosinófilos no sangue periférico e numero de crises agudas de asma.

Com o objetivo de comparar a eficácia dos CI versus CI + ARLT no tratamento da asma persistente, Ducharme et al.34 realizaram pesquisa dos trabalhos duplo-cegos randomizados e controlados (27 em adultos e 2 em crianças) publicados até 2003. A análise desses estudos permitiu concluir que a adição de ARLT causa melhora na função pulmonar, embora de maneira modesta.

 

ARLT associados a LABA versus CI associados a LABA

Pacientes com asma persistente que não melhoram com uso regular de CI podem necessitar de associação dos CI com LABA ou ARLT.

Um estudo comparativo entre montelucaste + FT versus salmeterol + FT na proteção contra exacerbações de asma em adultos foi realizado por Bjermer et al.35 durante 54 semanas. Os desfechos foram semelhantes nos dois grupos. Os dois tratamentos foram bem tolerados e a eosinofilia ao final do estudo foi menor no grupo que utilizou montelucaste associado à FT. Os autores concluíram que a adição de montelucaste em pacientes cuja asma permanece não controlada com a FT promove controle clínico igual ao grupo que recebe FT mais salmeterol. Esses mesmos autores publicaram o estudo denominado IMPACT36, em que compararam a eficácia e a segurança de salmeterol + montelucaste versus salmeterol + FT em prevenir crises de asma, melhorar a qualidade de vida, a função pulmonar e diminuir os níveis de eosinófilos séricos em 1.200 adolescentes e adultos asmáticos de 120 centros de vários países. A discussão principal frente aos desfechos semelhantes nos dois grupos, segundo os autores, é que a adição de montelucaste aos CI representa efeito aditivo, e que o montelucaste atenua os efeitos dos LT, o que não ocorre com os CI. Em contrapartida, contrariamente aos estudos anteriores descritos, Ringdal et al.37 encontraram eficácia superior da associação FT + salmeterol em relação à associação FT + montelucaste em pacientes maiores de 15 anos com asma.

Essa relação de eficácia foi confirmada por Ram et al.38, que avaliaram 13 estudos randomizados e controlados comparando associações de ARLT + LABA versus CI + LABA em 5.895 pacientes asmáticos adultos e concluíram que, em adultos asmáticos inadequadamente controlados com CI, a adição de LABA é superior à adição de ARLT para: I) prevenir exacerbações da asma; II) melhorar a função pulmonar; III) melhorar os sintomas asmáticos; e IV) permitir menor utilização de medicamentos de resgate (b2-agonistas de curta duração).

 

Uso de ARLT na asma aguda

Sabe-se que grandes quantidades de LT são liberadas e documentadas na urina e nas secreções das vias aéreas de pacientes durante crises agudas de asma. Esses altos níveis de LT têm sido encontrados mesmo em asmáticos em tratamento com CI e LABA.

Alguns autores têm demonstrado e proposto que o uso de ARLT associado a broncodilatadores de curta duração pode ser eficaz no tratamento da asma aguda, e que, em pacientes graves que não melhoram com CI + LABA, o acréscimo de ARLT pode ser benéfico39. Mais estudos são necessários para comprovar estes benefícios.

 

ARLT versus corticosteróides intranasais na rinite alérgica

Revisões e metanálises mostram que os ARLT fazem parte do arsenal terapêutico no manejo da rinite alérgica40,41.

A revisão sistemática realizada por Rodrigo & Yañez40 incluiu 17 estudos controlados, com 6.231 adultos, e concluiu que os ARLT são mais eficazes do que placebo e do que os antagonistas dos receptores H1 da histamina, porém são menos eficazes do que os corticosteróides intranasais no controle dos sintomas e para a melhora da qualidade de vida dos pacientes com rinite alérgica. A ordem crescente de eficácia foi: anti-H1, ARLT associados a anti-H1 e corticosteróides intranasais.

 

ARLT e sibilância em lactentes

Os LT têm sido encontrados em níveis elevados nas secreções de lactentes após episódios de bronquiolite viral aguda (BVA) pelo vírus sincicial respiratório (VSR)42-44. Muitos desses lactentes persistem com sibilância recorrente e hiper-responsividade das vias aéreas (HVA) por muitos anos. Portanto, os Cys-LT são um alvo racional para o tratamento da BVA por VSR e suas seqüelas. Na ultima década, alguns estudos duplo cegos, randomizados e controlados com placebo, têm evidenciado eficácia dos ARLT em lactentes com BVA e na sibilância recorrente após BVA45.

Estudos in vitro têm demonstrado que a infecção pelo VSR nas células epiteliais induz a expressão do gene da 5-lipoxigenase (5LO), que desempenha um papel importante na síntese dos LT42,46. Bisgaard et al.45 acompanharam crianças com idade entre 3 e 36 meses que foram internadas por BVA pelo VSR, sem história de asma. Um grupo recebeu montelucaste e outro placebo em estudo duplo cego, controlado e randomizado. No seguimento desses pacientes, o grupo ativamente tratado teve menos exacerbações de crises de sibilância e menos tosse noturna. Em outro estudo, que envolveu 129 crianças com infecções das vias aéreas recorrentes, BVA ou sibilância recorrente, foram observados níveis mais elevados de CysLT em secreções respiratórias das crianças com BVA e sibilância recorrente do que nas com infecções das vias aéreas superiores (IVAS)44.

Ainda não se sabe se a quantidade de LT presente nas secreções de asmáticos em crise de asma desencadeada por infecção viral é diferente da observada em crises desencadeadas por alérgenos. Em crianças menores de 5 anos, com sibilância recorrente, o montelucaste, comparado ao placebo, mostrou-se mais eficaz em controlar as crises de sibilância e melhorar os sintomas clínicos47.

A asma é a doença crônica mais comum na infância, e ainda não tem cura. Um trabalho recente avaliou o uso de CI diariamente, por 2 anos contínuos, em crianças, e comprovou que os sintomas e as alterações da asma voltaram como antes do tratamento quando este foi suspenso. Ou seja: o CI não alterou a evolução da asma no terceiro ano quando os pacientes não utilizaram CI. Essa observação ainda não feita com a associação ARLT + CI48. Portanto, estudos de longo prazo poderão confirmar se a adição de montelucaste aos CI em asmáticos graves é realmente benéfica ou não.

 

Doses e efeitos colaterais dos ARLT

As doses de montelucaste são de 4 mg/dia para crianças de até 6 anos, 5 mg/dia dos 6 aos 14 anos e de 10 mg/dia após os 14 anos de idade, em dose única diária, de preferência no período noturno. Os ARLT, segundo a maioria dos estudos, são bem tolerados. Os efeitos colaterais incluem cefaléia, otite, dor abdominal, faringite, urticária e náusea. Esses efeitos colaterais têm sido encontrados em número muito próximo nos grupos que utilizam placebo. A síndrome de Churg-Straus, inicialmente descrita em pacientes que receberam zafirlucaste, mas não com o montelucaste, hoje é atribuída à suspensão de corticosteróides em pacientes com a síndrome e que se comportavam como tendo asma grave córtico-dependente. O montelucaste atravessa a placenta e passa pelo leito materno. Não existem trabalhos que avaliem os riscos e benefícios nessas situações13.

Becker et al. realizaram estudo comparando os efeitos do montelucaste e da beclometasona sobre o crescimento de escolares asmáticos e observaram diminuição da velocidade de crescimento causado pela beclometasona, enquanto o grupo que recebeu montelucaste não apresentou tais alterações49.

 

ARLT na obstrução brônquica induzida por exercício

Alguns asmáticos apresentam obstrução brônquica induzida por exercício (BIE). Quantidades aumentadas de LT têm sido verificadas na urina desses pacientes após BIE50. Embora o manejo ideal seja a profilaxia, o aquecimento e o uso de broncodilatadores antes dos exercícios, o uso de montelucaste apresenta ação rápida em prevenir a BIE51, tanto se administrado pela manhã quanto à noite52. Além disso, o montelucaste atenua a fase imediata e tardia do BIE53 e pode atenuar os sintomas das crianças com BIE por longo período de tempo54. Segundo vários consensos e autores internacionais55, os CI constituem a viga mestra para o manejo de pacientes com asma persistente. Esses autores propuseram que as recomendações para o uso de medicamentos para o manejo da asma obedeçam a critérios de efetividade, eficácia e aderência e propõem a fórmula mostrada na Figura 3.

 

 

Apesar de oferecer algumas vantagens, como terapia oral, dose única diária, poucos efeitos colaterais, pouca interação com alimentos, uso permitido em lactentes e ação antiinflamatória, os ARLT estão longe de ser uma panacéia no tratamento da asma, e não devem ser a escolha inicial, a não ser em casos selecionados. Os pacientes que se encaixam melhor nas indicações de ARLT são lactentes e crianças menores de 5 anos com resposta clínica efetiva após 4 semanas de tratamento e nos com asma induzida por antiinflamatórios não-esteróides.

Principais considerações sobre os ARLT para o manejo da asma e da rinite alérgica

- Os ARLT são mais eficazes do que o placebo.

- Os ARLT potencializam os efeitos dos CI

- A associação CI + LABA é mais eficaz do que a associação CI + ARLT.

- Embora pareça racional o uso de ARLT na crise aguda de asma e rinite alérgica, mais estudos são necessários para comprovar os benefícios.

- Os ARLT demonstram redução no tempo de hospitalização e no número de crises de lactentes com BVA por VSR e na sibilância recorrente apos BVA.

- Os ARLT são menos eficazes que os CI no manejo da rinite alérgica.

- Os ARLT são eficazes na AIE, embora não constituam a primeira linha de tratamento.

- Todas as drogas e grupos de drogas utilizados para o manejo da asma e rinite alérgica apresentam variabilidade individual de resposta.

 

Conclusões

A asma é uma doença crônica e a inflamação das vias aéreas é o mais importante agente na indução e manutenção dos sintomas. O uso de agentes antiinflamatórios sempre será uma busca constante no tratamento da asma. Embora os ARLT sejam melhores do que o placebo, são menos eficazes do que os CI no controle da inflamação. Estudos controlados e randomizados oferecem evidências de que os CI são as drogas de escolha para o tratamento da asma persistente. Não existem evidências suficientes para recomendar o uso de ARLT como medicamento de primeira linha (monoterapia) em crianças com asma (nível I). Nas crianças que não podem usar CI, os ARLT podem ser uma alternativa (nível II). Em alguns pacientes, os ARLT diminuem o processo inflamatório nas vias aéreas e pulmões, propiciando diminuição de sinais e sintomas e melhora na qualidade de vida.

Quando a criança não melhora com um grupo de medicamentos em termos de sintomas clínicos ou função pulmonar, é importante verificar a profilaxia ambiental, a aderência ao uso dos medicamentos, e se necessário, devem-se aumentar as doses ou substituir o grupo utilizado por outros grupos de drogas, na ordem de eficácia.

 

Referências

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Correspondência:
Jose Dirceu Ribeiro
Setor de Pneumologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da FCM/Unicamp
Laboratório de Fisiologia Pulmonar (LAFIP) do Centro de Investigação em Pediatria (CIPED)
Caixa Postal 6111 - Cidade Universitária Zeferino Vaz
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