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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572007000100003 

EDITORIAIS

 

Qualidade de atendimento de recém-nascidos de muito baixo peso no Brasil

 

 

Fernando C. BarrosI; José Luis Diaz-RosselloII

IPediatra y epidemiólogo. Consultor, Centro Latinoamericano de Perinatología y Desarrollo Humano (CLAP), Organización Panamericana de la Salud/Organización Mundial de la Salud (OPAS/OMS), Montevideo, Uruguay
IIPediatra neonatólogo. CLAP, OPAS/OMS, Montevideo, Uruguay. Profesor, Facultad de Medicina, Universidad de la Republica, Montevideo, Uruguay

 

 

Este número do Jornal de Pediatria publica um artigo interessante sobre a pesquisa em serviços de saúde, analisando a mortalidade de recém-nascidos de muito baixo peso (MBP) que nasceram em hospitais equipados com unidades de tratamento intensivo neonatal (UTIN) em 2002 e 2003, em Fortaleza, Ceará, Brasil1. Segundo os autores, esse grupo de peso de nascimento, embora represente menos de 2% do número total de nascidos vivos, requer cuidados hospitalares altamente qualificados e é responsável por um aumento considerável nas taxas de mortalidade neonatal e infantil.

O artigo mostra que as taxas totais de mortalidade neonatal e hospitalar de recém-nascidos de MBP de Fortaleza são bem mais altas que aquelas observadas numa rede de UTIN dos EUA, para todos os grupos de peso de nascimento2. A mortalidade intra-hospitalar específica para o peso de nascimento é um indicador da qualidade de atendimento e essa comparação inicial com as UTIN de um país altamente desenvolvido pode gerar metas muito difíceis de serem atingidas. Todavia, os autores também mostram que as taxas de mortalidade em Fortaleza são mais altas, para todos os grupos de peso de nascimento, que aquelas observadas em Montevidéu, Uruguai3. Aqui, deveríamos estar mais preocupados com a magnitude de nossas mortes evitáveis, considerando que não existem diferenças relevantes na tecnologia e recursos humanos disponíveis para o atendimento de recém-nascidos entre as duas cidades.

Após a publicação desses resultados interessantes, quais são os próximos passos para identificar falhas na qualidade de atendimento nas UTIN de Fortaleza a fim de prevenir mortes evitáveis? Uma primeira opção seria comparar as unidades que participaram do presente estudo – três delas públicas e cinco privadas – investigando as suas taxas de mortalidade específicas para o peso de nascimento e idade gestacional e avaliando sua qualidade de atendimento, medida em diferentes domínios – áreas físicas, recursos humanos (enfermeiros, neonatologistas e outros profissionais), prevalência do uso de intervenções baseadas em evidências, equipamentos e participação da família. É bem provável que os autores se deparem com UTIN em Fortaleza com melhor qualidade de atendimento e outras que necessitem auxílio para corrigir seus problemas. As informações encontram-se atualmente disponíveis para serem usadas de forma confidencial a fim de implementar as mudanças necessárias.

Um outro exercício interessante seria comparar, usando um grupo de dados mínimos comuns, os resultados do estudo de Fortaleza (e aqueles da futura Rede Perinatal do Norte e Nordeste) com informações semelhantes obtidas de outras UTIN brasileiras, especialmente da Rede Brasileira de Pesquisa Neonatal4,5, que abrange um número significativo de instituições, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Além de comparar as características das mães e seus bebês atendidos nessas unidades, este estudo poderia fornecer informações cruciais sobre a qualidade de atendimento de um grande número de UTIN no Brasil, e identificar áreas que precisam de melhorias imediatas, a fim de reduzir o grande número de recém-nascidos brasileiros que ainda morrem de causas evitáveis. Reduções maiores na mortalidade infantil no Brasil dependem muito da redução na mortalidade neonatal e, nesse caso, o monitoramento permanente e a melhoria na qualidade de atendimento de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional são um elemento chave.

 

Referências

1. Castro EC, Leite AJ. Hospital mortality rates of infants with birth weight less than or equal to 1,500 g in the northeast of Brazil. J Pediatr (Rio J). 2007;83:27-32.

2. Horbar JD. The Vermont Oxford Trials Network 2002. Annual Report Burlington. Vermont: Network; 2003.

3. Forteza C. Morbi-mortalidad en recién-nacidos menores de 1500 g en la ciudad de Montevideo, Uruguay [dissertation]. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas; 2000.

4. Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais. Uso antenatal de corticosteróide e evolução clínica de recém-nascidos pré-termo. J Pediatr (Rio J). 2004;80:277-84.

5. Leone CR, Sadeck LSR, Vaz FC, Almeida MFB, Draque CM, Guinsburg R, et al. Brazilian Neonatal Research Network (BNRN): very low birth weight (VLBW) infant morbidity and mortality. Pediatr Res. 2001;49:405A.