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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572007000100009 

ARTIGO ORIGINAL

 

Fatores associados ao risco de consumo insuficiente de fibra alimentar entre adolescentes

 

 

Márcia R. VitoloI; Paula D. B. CampagnoloII; Cíntia M. GamaIII

IProfessor adjunto, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (FFFCMPA), Porto Alegre, RS
IINutricionista. Mestre, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, FFFCMPA, Porto Alegre, RS
IIIProfessor adjunto, Departamento de Saúde Coletiva, FFFCMPA, Porto Alegre, RS

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar o consumo de fibra alimentar entre adolescentes e analisar os fatores associados ao risco de consumo insuficiente desse nutriente.
MÉTODOS: Estudo transversal com 722 adolescentes da cidade de São Leopoldo. O processo amostral deu-se por conglomerados por meio de sorteio sistemático de 40 setores censitários e domicílios, incluindo todos os indivíduos entre 10 e 19 anos. Foram obtidos peso e estatura dos adolescentes e dados sociodemográficos da família. Os métodos utilizados para avaliar o consumo alimentar foram o inquérito recordatório de 24 horas e o inquérito de freqüência. Para o cálculo da quantidade de fibra alimentar da dieta, foi utilizado o Programa de Apoio à Nutrição (Nutwin) do Departamento de Informática da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A análise estatística foi realizada por meio de regressão logística, utilizando modelo hierárquico.
RESULTADOS: A prevalência de consumo insuficiente de fibras foi de 69% nas meninas e 49,7% nos meninos (p < 0,001). Entre os meninos, os fatores que determinaram essa condição foram: consumo não habitual de feijão (OR 2,65; IC95% 1,05-6,68) e excessivo de lipídeo (OR 2,67; IC95% 11,23-5,83). Para as meninas, maior faixa etária (OR 5,33; IC95% 2,33-12,2), consumo não habitual de feijão (OR 3,01; IC95% 1,44-6,53), consumo excessivo de lipídeo (OR 1,85; IC95% 1,01-3,37), fazer dieta para perder peso (OR 2,50; IC95% 1,10-5,70) e presença de excesso de peso (OR 2,06; IC95% 1,04-4,07).
CONCLUSÕES: Os resultados permitem concluir que a ingestão excessiva de gordura e o consumo não habitual de feijão estão fortemente associados ao risco de consumo insuficiente de fibra alimentar em ambos os sexos e que o sexo feminino apresenta mais fatores de risco para esse desfecho.

Palavras-chave: Fibra na dieta, constipação, obesidade, adolescentes.


 

 

Introdução

A fibra alimentar pode atuar na prevenção de doenças intestinais, como constipação, hemorróidas, hérnia hiatal, doença diverticular e câncer de cólon. Pode contribuir, também, na prevenção e no tratamento da obesidade, na redução do colesterol sangüíneo, na regulação da glicemia após as refeições e, ainda, diminuir o risco de doenças cardiovasculares e diabetes1.

A adolescência é um período de risco para adoção de práticas alimentares que propiciam alta densidade energética e insuficiência de determinados nutrientes na dieta, entre os quais a fibra alimentar2-4. Nos estudos sobre o padrão de consumo alimentar das famílias brasileiras, não foi avaliado o consumo de fibra alimentar5 e não foram estudados adolescentes6,7, diferentemente de dados de outros países, os quais mostram valores de consumo entre 15 e 19,6 g8-10. No Brasil, os estudos que investigaram consumo de fibra alimentar entre crianças e adolescentes compreenderam indivíduos de clínicas, ambulatórios e escolas, com o objetivo de estudar os fatores etiológicos da constipação intestinal11-14. Esses estudos mostram valores de ingestão de fibra entre 3,4 e 15,5 g por dia, porém os grupos estudados incluem desde lactentes até adolescentes, e há diferentes metodologias quanto ao inquérito dietético e tipo de fibra utilizada. Diante da falta de dados nacionais suficientes sobre o tema, o presente estudo objetivou avaliar o consumo de fibra alimentar entre adolescentes de ambos os sexos e os fatores associados ao mesmo.

 

Métodos

Estudo transversal com amostra representativa de adolescentes da cidade de São Leopoldo (RS). O tamanho da amostra foi calculado considerando prevalência de excesso de peso de 18%15,16, nível de confiança de 95% e poder estatístico de 80%, adicionado de 10% para as possíveis perdas, e 15% relativo à análise multivariada, o que determinou número amostral de 807 adolescentes. Foram excluídos adolescentes gestantes, nutrizes ou mães, adolescentes com deficiências físicas, mentais ou patologias crônicas.

O processo amostral deu-se por conglomerados em três estágios. Todos os indivíduos entre 10 e 19 anos que residiam nos domicílios foram identificados e convidados a participar do projeto. Do total de 810 adolescentes identificados nos domicílios e elegíveis para o estudo, houve recusa por parte dos pais, ou do próprio adolescente, representada por 8,6% (n = 70) dos convidados a participar; 1,8% (n = 15) não foram encontrados nos domicílios para realização da entrevista após três tentativas; e em 0,3% (n = 3) houve mudança de endereço, totalizando 11% de perdas. As perdas foram maiores para o sexo masculino, correspondendo a 85% (n = 60) e relativas às recusas. Nos setores com prevalência de analfabetismo menor do que 5%, o percentual de perdas foi de 24,5%, enquanto nos setores com mais do que 5% de analfabetos, o percentual de perdas foi de 17,5%.

Foi elaborado questionário pré-codificado abordando fatores socioeconômicos, biológicos, familiares, antropométricos e de ingestão alimentar, o qual foi aplicado e preenchido por pesquisadores especificamente treinados, independente da idade do adolescente. Realizou-se um estudo piloto com 60 adolescentes em setores não sorteados no processo de amostragem.

Foi utilizado, para quantificação da ingestão de lipídeo e fibras, o inquérito alimentar recordatório de 24 h com o auxílio de álbum com fotos coloridas de utensílios e alimentos, elaborado especificamente para a pesquisa, com o objetivo de melhor quantificar as porções consumidas. Foi utilizado questionário de freqüência para avaliar o consumo de feijão, vegetal e frutas.

Para realização do cálculo da ingestão de lipídeo e fibra alimentar, foi utilizado o Programa de Apoio à Nutrição (Nutwin) do Departamento de Informática da UNIFESP, além das informações obtidas das indústrias de alimentos sobre produtos não referenciados nas tabelas. Para ingestão de lipídeo, aplicou-se a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS)17, que preconiza como adequado até 30% do valor energético total da dieta. A adequação de fibra alimentar foi feita de acordo com Williams, que preconiza a fórmula idade + 518.

O consumo de feijão, vegetais e frutas foi considerado habitual quando o adolescente consumia esses alimentos quatro vezes ou mais na semana, critério estabelecido para esse estudo. A constipação foi considerada presente quando o adolescente apresentava evacuações com freqüência < três vezes na semana e cuja consistência das fezes foi considerada endurecida ou em cíbalos, além do relato de dificuldade de evacuar sem uso de laxantes.

Para pesagem, foram utilizadas balanças eletrônicas portáteis. A medida de peso foi obtida com o adolescente vestindo roupas leves, como calção para os meninos e shorts e camiseta para meninas. Para verificação da estatura, foi utilizado um estadiômetro com fita métrica embutida. Para classificação do estado nutricional, foi utilizado o índice de massa corporal (IMC) baseado na curva de referência do National Center for Health and Statistics e nos critérios da OMS19, a qual considera excesso de peso aqueles adolescentes com percentil > 85.

Foram utilizados o teste de Kruskal-Wallis para comparar a média de consumo de fibras entre as três faixas etárias e o de Mann-Whitney para comparar a média de consumo de fibras entre os sexos. A análise multivariada foi realizada por meio da regressão logística, utilizando modelo hierárquico (Figura 1), calculando-se odds ratio (OR) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). Utilizou-se OR como medida de efeito, sabendo que esta é ligeiramente superior à razão de prevalências quando fator de risco, e inferior quando fator de proteção. As variáveis foram incluídas no modelo quando alcançavam nível de significância de 20%, e a associação foi considerada significante quando atingiram 5%. As variáveis que apresentaram significância permaneceram na análise dos níveis seguintes.

 

 

Este trabalho foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

Resultados

Foram obtidos dados completos e válidos quanto aos inquéritos dietéticos de 722 adolescentes (89% da amostra total), correspondendo a 59% de meninas. A média de idade dos meninos foi de 14,2±2,6, e das meninas foi de 14,5±2,8 anos. Quanto à escolaridade materna, 28% tinham 4 anos ou menos de estudo e 34,4% estudaram por mais de 8 anos. A prevalência de excesso de peso foi de 17,8%, e de constipação intestinal foi de 22,9%.

A prevalência de consumo de fibra abaixo da recomendação foi de 61,2%, sendo 69% entre as meninas e 49,7% entre os meninos (p < 0,001). A média de consumo de fibras de acordo com o sexo foi de 21,5 g para os meninos e 16,9 g para as meninas (p < 0,001). A classificação por faixa etária mostrou que os meninos entre 10 e 12 anos consumiram em média 19,8±11,1 g; entre 13 e 15 anos, a média de consumo foi de 22,1±12,9 g; e entre 16 e 19 anos de idade, a média foi de 23,2±22,1 g, não havendo diferença significante entre as faixas etárias (p = 0,448). No sexo feminino, o consumo médio de fibra alimentar das meninas entre 10 e 12 anos (18,3±10,9 g) foi significativamente superior (p = 0,039) à média de consumo das meninas entre 16 e 19 anos (15,1±8,8 g).

A análise bruta e ajustada entre o desfecho e as variáveis independentes no sexo feminino podem ser observadas na Tabela 1. As meninas entre 16 e 19 anos apresentaram maior chance de consumo de fibras abaixo da recomendação. Entre as variáveis dietéticas estudadas, o consumo não habitual de feijão e excessivo de lipídeo foi associado ao consumo de fibras abaixo do recomendado. As meninas com excesso de peso e que já haviam feito algum tipo de dieta para perda de peso apresentaram maior freqüência de consumo de fibra alimentar abaixo do recomendado.

Quanto aos meninos, os resultados estão expostos na Tabela 2. A análise ajustada mostra que o consumo não habitual de feijão e excessivo de lipídeo também foi associado ao consumo de fibra abaixo da recomendação.

A presença de constipação intestinal e o consumo de frutas e verduras não foram associados com a ingestão de fibra alimentar abaixo do recomendado em ambos os sexos.

 

Discussão

Os valores médios de consumo de fibra alimentar, em nosso estudo, encontram-se na mesma faixa encontrada em países do continente europeu8,10,20, onde também há menor consumo pelas adolescentes do sexo feminino. Observa-se, entretanto, que o valor médio de ingestão de fibra alimentar encontrado nesta investigação para o sexo masculino (21,5 g) é maior do que o observado naqueles estudos.

A influência do gênero nos resultados encontrados abre novas perspectivas nas investigações que envolvem comportamento alimentar de risco para consumo insuficiente de fibra alimentar. Os resultados sugerem que o consumo não habitual de feijão é fator de risco para ingestão insuficiente de fibra alimentar em ambos os sexos, resultado compatível com os poucos estudos realizados no Brasil avaliando o consumo de fibra alimentar entre adultos. Demonstrou-se que o feijão foi a principal fonte de fibra alimentar entre os adultos e que houve diferença estatística entre os sexos, sendo que o consumo médio de fibra entre as mulheres adultas foi de 20 g e, entre os homens, foi de 29 g6,7. Tal condição pode estar iniciando no final da adolescência, considerando que, neste estudo, as adolescentes de maior faixa etária (16-19 anos) consomem menos fibra alimentar que as de menor idade.

Consumir dieta com proporção de gordura maior que 30% esteve associado ao risco de consumo insuficiente de fibra alimentar em ambos os sexos. Por ser um estudo transversal, não é possível identificar se é o menor consumo de fibras que leva ao maior consumo de gordura ou vice-versa. Entretanto, os resultados confirmam o risco de exposição às doenças crônicas não transmissíveis a que esses adolescentes estão submetidos5,21,22.

Apesar das evidências de que há associação entre menor consumo de fibra alimentar e excesso de peso23-26, neste estudo só foi possível observar essa associação no sexo feminino, resultado que é corroborado por estudo com adolescentes no Sul da Espanha27.

É importante ressaltar que a falta de associação entre constipação intestinal e consumo insuficiente de fibra alimentar encontrada neste estudo não indica que o consumo de fibra não desempenhe papel favorável no funcionamento intestinal de adolescentes. Outros fatores, além do consumo adequado de fibra (prática de exercício físico e ingestão adequada de líquidos), estão relacionados à etiologia da constipação intestinal. Estudo em um serviço especializado para constipação intestinal funcional na Região Sul do país observou maior predominância dessa patologia entre adolescentes do sexo feminino e também não encontraram associação de ingestão de fibra e constipação intestinal28.

Com relação ao método utilizado para avaliar a adequação do consumo de fibra em relação à recomendação, utilizou-se fórmula idade + 5, pois as novas recomendações (IOM, 2000/2005) constituem-se em fibra total, que é a soma de fibra alimentar + fibra funcional. Essa nova definição limita a análise pela dificuldade de se identificar a fibra funcional, a qual é adicionada ao alimento com objetivo específico. Por esse motivo, o presente estudo manteve o critério de fibra alimentar.

Os resultados indicam que a ingestão excessiva de gordura e o consumo não habitual de feijão estão fortemente associados ao risco de consumo insuficiente de fibra alimentar em ambos os sexos. Além disso, o sexo feminino tem mais fatores de risco para esse desfecho, como excesso de peso e o comportamento de fazer dieta para perder peso. Esses dados podem subsidiar programas de educação alimentar para escolas e serviços de saúde, os quais devem enfatizar o resgate aos hábitos alimentares no Brasil há mais de 1 década, nos quais predominava o consumo de cereais, leguminosas, legumes e verduras5.

 

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Correspondência:
Márcia Regina Vitolo
Rua Sarmento Leite, 245, Departamento de Saúde Coletiva, Sala 414
CEP 90050-170 – Porto Alegre, RS
Email: marciavitolo@hotmail.com

Artigo submetido em 30.03.06, aceito em 04.10.06.