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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.3 Porto Alegre May/June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572007000400005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Resultados de um programa de prevenção da cegueira pela retinopatia da prematuridade na Região Sul do Brasil

 

 

João Borges Fortes FilhoI; Cristiano Koch BarrosII; Marlene Coelho da CostaIII; Renato S. ProcianoyIV

IMestre. Doutorando em Oftalmologia, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP. Professor, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS. Chefe, Setor de Retinopatia da Prematuridade, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Porto Alegre, RS
IIAcadêmico de Medicina, UFRGS, Porto Alegre, RS. Pesquisador, Setor de Retinopatia da Prematuridade, HCPA, Porto Alegre, RS
IIIEnfermeira, Centro de Neonatologia, HCPA, Porto Alegre, RS
IVProfessor titular, UFRGS, Porto Alegre, RS. Chefe, Serviço de Neonatologia, HCPA, Porto Alegre, RS

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever os resultados do programa de prevenção da cegueira pela retinopatia da prematuridade implantado em um hospital universitário de nível terciário desde 2002, conforme os critérios de triagem adotados no Brasil, e comparar alguns aspectos com critérios preconizados para outros países.
MÉTODOS: Estudo observacional descritivo incluindo todos os prematuros nascidos na instituição com peso de nascimento < 1.500 g ou idade gestacional < 32 semanas que sobreviveram até a sexta semana pós-natal no período entre outubro de 2002 e junho de 2006. Os exames oftalmológicos iniciaram na sexta semana de vida e foram repetidos de acordo com a necessidade até a regressão da doença.
RESULTADOS: Foram incluídos 300 recém-nascidos e detectaram-se 18 casos de doença limiar e tratável (18/300, 6%) com o critério brasileiro. Um dos pacientes não realizou tratamento, pois desenvolveu doença após a alta hospitalar e não retornou para exame a tempo de realizar o tratamento. Com critérios sugeridos para países desenvolvidos, haveria redução na totalidade de exames nas mesmas condições, porém não teriam sido detectados 11,76% dos casos de doença limiar.
CONCLUSÕES: O critério para a triagem de prematuros definido para o Brasil foi eficaz na detecção dos casos tratáveis da doença. Evitou-se a cegueira em 17 prematuros nesse período. A universalização deste programa em hospitais universitários ou nas redes de saúde pública e privada do país contribuiria para evitar uma das principais causas de cegueira infantil prevenível e tratável nos países em desenvolvimento. No momento atual, haveria risco em se modificar esse critério no Brasil.

Palavras-chave: Prematuridade, retinopatia da prematuridade, retinopatia da prematuridade/epidemiologia/ prevenção & controle, cegueira/prevenção & controle, triagem.


 

 

Introdução

A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma das maiores causas de cegueira infantil. Atinge proporções epidêmicas em vários países latino-americanos, incluindo o Brasil1,2. A incidência de cegueira pela ROP varia entre países, sendo influenciada pelo nível de cuidado perinatal e pela existência ou não de programas de triagem para o diagnóstico precoce da doença3.

Para justificar essa constatação, têm sido relatados: maior sobrevivência de prematuros de muito baixo e de extremo baixo peso, maior índice de gravidez em adolescentes de baixo nível social sem adequado preparo pré-natal para diminuir a chance do parto prematuro, maior ocorrência de partos múltiplos pelas fertilizações, existência de mais unidades neonatais e falta de atendimento oftalmológico na maioria das unidades neonatais nesses países4.

Os programas de triagem neonatal foram implantados depois dos anos 1990, quando os trabalhos iniciais do Multicenter Trial of Cryotherapy for Retinopathy of Prematurity mostraram resultados animadores do tratamento da ROP pela crioterapia5.

Vários critérios de triagem foram estabelecidos em diferentes países, levando ao questionamento sobre qual o ideal em função das realidades específicas de cada região. O modelo considerado ideal deveria contemplar exames em todos os prematuros em risco para as formas severas da doença por ocasião das triagens3.

As diretrizes brasileiras para a triagem neonatal foram estabelecidas em 2002, no I Workshop sobre Retinopatia da Prematuridade (I WK), organizado pela Agência Internacional de Prevenção à Cegueira, Instituto Vidi, Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Após discussões sobre a situação da ROP no Brasil, verificou-se que prematuros não eram examinados para a ROP na maioria de nossas cidades, elevando a prevalência de cegueira ou deficiência visual grave6.Naquele encontro, foi difícil determinar o número de crianças deficientes em decorrência da ROP no país, em função de não haver diretrizes de diagnóstico ou de tratamento em nível nacional, existindo apenas iniciativas isoladas em algumas unidades públicas ou privadas, as quais utilizavam diferentes critérios de diagnóstico e tratamento.

Foi determinada, então, a triagem neonatal nos prematuros com peso de nascimento (PN) < 1.500 g e/ou idade gestacional (IG) < 32 semanas, sob oftalmoscopia binocular indireta (OBI) e dilatação das pupilas, entre a quarta e a sexta semana de vida no Centro de Neonatologia (CNEO). Foram realizadas avaliações repetidas, de acordo com o estadiamento da ROP encontrado ou em função dos fatores de risco (FR) identificados para cada paciente7.

Utilizando esses critérios, foi implantado, em 2002, um projeto de prevenção da cegueira pela ROP, com atendimento semanal sistemático aos prematuros no grupo de risco, agendados para triagem neonatal desde o seu nascimento, além de um programa ambulatorial de seguimento dos sobreviventes até o final do primeiro ano de vida.

O objetivo deste trabalho é relatar resultados desse programa comparando com critérios utilizados em outros países.

 

Métodos

O protocolo deste estudo observacional e descritivo, aprovado por comitê de ética em pesquisa, incluiu todos os prematuros nascidos na instituição com PN < 1.500 g ou com IG < 32 semanas que sobreviveram até a sexta semana de vida, momento do exame oftalmológico inicial, entre outubro de 2002 e junho de 2006. Foram excluídos apenas os prematuros que tiveram óbito antes do exame oftalmológico inicial.

O desfecho clínico foi o surgimento da ROP em qualquer estadiamento evolutivo. Os estadiamentos registrados corresponderam sempre ao pior grau de retinopatia encontrado em qualquer dos olhos durante o seguimento dos pacientes. Todos os pacientes foram examinados inicialmente no CNEO e seguidos ambulatorialmente até o momento de completada a vascularização retiniana na periferia temporal ou até a completa estabilização da retinopatia após o tratamento.

Não temos dados sobre prematuros que faleceram após os exames iniciais, depois da alta do CNEO ou sobre os que não se apresentaram aos exames de seguimento.

A avaliação oftalmológica consistiu no exame de fundo de olho sob dilatação pupilar (com colírios associados de tropicamida 0,5% e fenilefrina 2,5%), sob OBI com lente de 28 dioptrias (Nikon®, Melville, NY, EUA) e blefarostato (Alfonso Eye Speculum, Storz®, Bausch & Lomb Inc., San Dimas, CA, EUA). Indentação escleral foi utilizada quando necessário.

Foram determinadas as incidências geral e por estadiamentos da retinopatia pela classificação internacional de 1984/19878,9.

Os pacientes com ROP 2 ou 3 realizaram exames semanais para garantir que nenhum caso de doença limiar passasse despercebido e sem tratamento (doença limiar: definida classicamente como o momento ideal para o tratamento, a partir do qual o risco de um desfecho funcional não favorável ou de progressão para cegueira ocorre em 50% dos pacientes)7.

OS FR para definir a periodicidade de avaliações foram: prematuridade extrema, septicemia, uso de transfusões ou eritropoetina, baixo ganho ponderal pós-natal e oxigênio-terapia por ventilação mecânica ou pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).

Esses critérios foram pareados com outros mais seletivos, utilizados em países desenvolvidos (EUA 1997/2001 e Reino Unido 1996/2005), para determinar se o mesmo número de pacientes com doença limiar teria sido detectado.

Para tratamento, foi utilizado o diodo laser FTC 2500® 810 nm (Opto, São Carlos, SP, Brasil) aplicado de forma transpupilar sob OBI, anestesia geral ou sedação entubada no CNEO. Os dois olhos foram tratados na mesma oportunidade, após a identificação de doença limiar.

As análises estatísticas foram realizadas com o programa SPSS (SPSS® 13.0 for Windows®, SPSS Inc., Chicago, IL, EUA).

 

Resultados

A amostra incluiu 300 recém-nascidos prematuros (RNP). Setenta e quatro pacientes (24,67%) apresentaram ROP. A doença limiar afetou 18 pacientes (6%). Os estadiamentos da retinopatia com os respectivos percentuais de incidência podem ser vistos na Tabela 1.

 

 

Evitou-se a cegueira em 17 prematuros após tratamento pelo laser quando atingiram doença limiar. Um paciente desenvolveu doença limiar posteriormente ao exame inicial e não retornou para exames de seguimento após a alta. Esse paciente atingiu estadiamento ROP 5 (cegueira total bilateral). A Tabela 2 mostra características e resultados nos pacientes que atingiram doença limiar.

Os pacientes deste estudo que atingiram doença limiar foram pareados com critérios estadunidenses (1997/2001) e ingleses (1996/2005). Observou-se, após o pareamento, que não se teria diagnosticado a doença limiar em dois pacientes, correspondendo a 11,76% (Tabelas 3 e 4).

 

Discussão

O conceito de prevenção da cegueira nas unidades neonatais é recente. Se fossem realizados programas de triagem para a retinopatia, o número de cegos de uma comunidade poderia ser significantemente reduzido10.

A ROP tornou-se a maior causa de cegueira infantil nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, em função da grande sobrevivência de prematuros com menor PN e menor IG2.A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou, em 2005, que, das 100.000 crianças cegas na América Latina, 24.000 sejam em decorrência da ROP1.

Essa situação ocorreu por uma melhora das condições de atendimento perinatal pelo maior número de hospitais habilitados ao atendimento de gestantes de risco e pelo aumento na sobrevivência de prematuros extremos de 8% para 35%, aproximadamente, em alguns centros, com incidência da doença atingindo cerca de 47% dos nascidos com peso entre 1.000 e 1.250 g11,12. Em outros, a chance de sobrevida entre nascidos com IG de 27 a 28 semanas alcançou até 90% e, acima de 32 semanas, até 95%, embora esses números sejam variados em todo o mundo13.

Entre melhorias no cuidado pré-natal, citam-se o uso preventivo de corticóides e os programas assistenciais de pré-parto para evitar a prematuridade. A melhoria do cuidado perinatal após o nascimento prematuro incluiu o uso de incubadoras com aquecimento controlado, respiradores mecânicos de melhor qualidade, respiradores de alta freqüência, dispositivos como o CPAP de uso imediato após o nascimento, disponibilidade de surfactante, eritropoetina, indometacina, além de equipamentos de ultra-sonografia e raio X para identificação de comorbidades associadas à prematuridade14.

Desde 1966, a OMS utiliza, como forma de mensurar a problemática da cegueira entre países, o fator "anos de cegueira", obtido pela multiplicação do número de pessoas afetadas pelo número de anos estimados de sobrevivência. Assim, é possível comparar prevalências de diferentes doenças e seu impacto na saúde pública15.No Brasil, a cegueira infantil tornou-se um problema de altíssima relevância socioeconômica quando analisada por esse fator, pois crianças nascidas cegas ou deficientes visuais desde muito cedo viverão cerca de 70 anos amparadas pelo sistema de seguridade social, sem nunca terem contribuído economicamente para o mesmo. Além disso, a cegueira afeta também o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e social durante toda a vida da criança.

Dados do Ministério da Saúde, trazidos ao I WK, mostraram que 15.000 prematuros nasceram com risco de desenvolver ROP em 2001. Considerando-se que 7,5% destes evoluíram para doença limiar e 50% deles ficariam cegos sem tratamento, chegou-se ao número aproximado de 562 crianças cegas/ano no país, com um custo socioeconômico elevado, por ser a ROP uma doença que causa dano severo à visão, mas passível de tratamento. Calcula-se que o número de crianças afetadas dobrará nos próximos 20 anos caso medidas de prevenção não sejam tomadas.

Trabalhos na área da oftalmologia mostram a quase inexistência, neste momento, de programas de triagem neonatal na maioria das cidades brasileiras, salvo nas principais capitais e restritos aos hospitais universitários7,16.Assim, programas nacionais de triagem neonatal assumem importância primordial12,16.

O programa implantado nesta instituição também previa a introdução do conhecimento sobre a ROP no curso de graduação em medicina, nos cursos de residência médica em oftalmologia e neonatologia e também junto à equipe de enfermagem. Para o aprimoramento do programa, objetivando uma eficiente administração dos FR conhecidos para o surgimento da retinopatia, ocorreu importante integração entre oftalmologistas e neonatologistas. Desta forma, estamos conseguindo formar pessoal médico e técnico capacitado para a realização desse trabalho entre prematuros, um dos objetivos iniciais do I WK. Outro ponto importante do programa foi a criação de linhas de pesquisa envolvendo os serviços de oftalmologia, neonatologia, genética e enfermagem, com a participação de alunos de graduação, residentes, pós-graduandos e professores da instituição.

Os resultados deste estudo mostraram que, pelo critério brasileiro, foi possível a detecção de 18 casos de doença limiar, com provável evolução para cegueira se não tratados. A incidência de 6% de ROP tratável (18/300) nesse período torna-se um importante indicador da qualidade do atendimento perinatal no hospital, sendo este resultado favoravelmente comparado com dados de outros hospitais, tanto dentro do nosso país quanto em países considerados mais desenvolvidos do que o Brasil17,18.

Baseado em resultados de 16 programas de diagnóstico e tratamento da ROP, trazidos ao I WK, verificou-se que o estadiamento ROP 3, doença limiar, afetou cerca de 7,5% dos prematuros com média de PN e de IG de 948 g e 28,5 semanas, respectivamente17.

A Tabela 2 mostra que a média de PN e IG no grupo de pacientes que atingiram doença limiar neste hospital foi de 918,61 g (mediana 885 g; DP 263,39) e 28,44 semanas (mediana 29 semanas; DP 2,33). Os pacientes com doença limiar foram tratados ao redor de 38 semanas de idade pós-concepção (mediana 37; DP 1,89). Esses dados também são comparáveis com resultados de outros centros18,19.

A sobrevida entre prematuros de muito baixo peso (PN < 1.500 g ou IG < 32 semanas) manteve-se ao redor de 70,11% e de 33,67% entre prematuros de extremo baixo peso (PN < 1.000 g ou IG < 28 semanas) neste hospital no período do estudo.

Recentemente, observa-se tendência à revisão dos critérios de triagem inicialmente estabelecidos em vários países, com o objetivo de viabilizar economicamente os programas pela diminuição do número de atendimentos e manutenção do mesmo nível de eficácia na detecção da doença20.Na Tabela 3, estão relacionados critérios de triagem comumente utilizados em vários países.

Desde 1997, a American Academy of Pediatrics(AAP), a American Academy of Ophthalmology(AAO) e a American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus (AAPOS)21 limitavam, nos EUA, o atendimento aos nascidos com PN < 1.500 g ou IG < 28 semanas ou em caso de intercorrência clínica severa a critério do neonatologista. Na Inglaterra, o Royal College of Ophthalmologistse aBritish Association of Perinatal Medicine22, desde 1996, determinaram o atendimento aos prematuros com PN < 1.500 g ou IG < 31 semanas.

Caso esses critérios tivessem sido aplicados à nossa amostra, teríamos detectado todos os 18 casos de doença limiar. Isso teria sido possível porque não ocorreu nenhum caso de doença limiar em nascidos com > 1.500 g ou com > 32 semanas de IG na população em estudo em nossa instituição.

Em 2001, as instituições estadunidenses e, em 2005, as inglesas reavaliaram os critérios, com tendência à redução na amplitude de seus programas, concentrando os exames em nascidos abaixo de 1.250 g ou com IG < 30 semanas (Reino Unido) e < 28 semanas (EUA)23,24.

Caso tivéssemos aplicado esses novos critérios neste estudo, não seriam detectados dois casos de doença limiar (correspondendo a 11,76% dos detectados pelo critério brasileiro). O número de prematuros incluídos na triagem seria reduzido a 202.

No ano de 2006, as instituições estadunidenses, após a publicação dos resultados finais do Multicenter Trial of Cryotherapy for Retinopathy of Prematurity e do Early Treatment for Retinopathy of Prematurity Randomized Trial Study25,26, emitiram novas diretrizes para a triagem neonatal. Foi estabelecida a necessidade de exames em todos os nascidos com PN < 1.500 g ou IG < 32 semanas e em casos selecionados de crianças com PN entre 1.500 e 2.000 g ou IG > 32 semanas que tiveram intercorrências clínicas importantes,retornando assim a uma ampliação na abrangência da triagem. O tratamento poderia ser indicado já em um momento de doença pré-limiar (definida pela The International Classification of Retinopathy of Prematurity Revisited27 como: doença em zona I, qualquer estadiamento com doença plus; doença em zona I, estadiamento 3 sem doença plus;ou doença em zona II, estadiamentos 2 ou 3, com doença plus)28.

Na realidade, o critério ideal na prevenção da cegueira pela ROP depende das características individuais de cada país ou mesmo de regiões dentro de um mesmo país. Na Índia, em países latino-americanos e no Leste Europeu, existe tendência para uma ampliação dos programas incluindo nascidos com > 1.750 g ou > 34 semanas de IG em função de a ROP ter sido detectada em muitos prematuros de maior PN e maior IG3,29.

Em nossa amostra, o único caso de doença atingindo estadiamento 5 da ROP ocorreu por falta de comparecimento da criança (por meio de seus familiares) ao ambulatório para as reavaliações após a alta hospitalar.

É possível que, em nosso trabalho, a incidência da ROP possa ainda ser maior do que a encontrada, por não possuirmos dados sobre pacientes falecidos após o exame oftalmológico inicial e que, por serem mais doentes, poderiam ter desenvolvido estadiamentos maiores da ROP se tivessem sobrevivido.

Ainda como fator adverso observado, deve ser considerado o fato de todo o grupo de pacientes ter sido originado de uma única instituição, onde os padrões de atendimento perinatal são seguidos rotineiramente em todos os prematuros de muito risco. Por este não ser um estudo populacional com pacientes oriundos de vários centros, algumas observações aqui relatadas devem ficar restritas aos centros de neonatologia com condições similares aos dessa instituição.

Os critérios definidos para a triagem neonatal no Brasil após o I WK foram eficazes em detectar os casos que atingiram doença limiar. Foi evitada cegueira bilateral em 17 crianças nesse período.

Os critérios brasileiros de triagem para a ROP poderiam ser revisados no futuro para diminuição do número de exames desnecessários; entretanto, neste momento, alterações nesses critérios podem significar perdas na detecção de casos tratáveis da doença.

O programa de prevenção da cegueira pela retinopatia aqui relatado, se repetido em outras instituições nas áreas públicas ou privadas no país, diminuiria índices nacionais de cegueira infantil evitável decorrente da prematuridade.

 

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Artigo submetido em 03.10.06, aceito em 19.12.06.