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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.4 Porto Alegre July/Aug. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572007000500018 

CARTAS AO EDITOR

 

Gama–hidroxibutirato para a sedação de crianças

 

 

Prezado Editor,

Lemos com interesse o artigo de Mencia et al. sobre analgesia e sedação em crianças1. Além da ampla variedade de drogas discutidas pelos autores, gostaríamos de acrescentar nossa experiência com o uso de gama–hidroxibutirato (GHB) na sedação de crianças2. O GHB foi introduzido em anestesia clínica em 1960. Embora ele induza à sedação de forma confiável sem diminuir significativamente os parâmetros respiratórios ou cardiocirculatórios, seu uso não é popular devido à sua ação prolongada. Estudos clínicos recentes sugerem uma reavaliação de seu uso na medicina de cuidados intensivos e na anestesia geral3. Ensaios clínicos com sedação induzida por GHB em crianças demonstraram bons resultados, mas até o momento, os dados ainda são limitados2,4.

Em nosso estudo randomizado prospectivo, mostramos que o GHB causa sedação profunda (escore 5 na escala de Ramsay) em crianças submetidas à ressonância magnética. O GHB foi associado a vômito, apesar da administração prévia de um antiemético. Isso pode ser parcialmente atribuído ao fato de que a sedação com GHB foi utilizada em pacientes pediátricos com câncer, tornando–os mais suscetíveis a esse efeito colateral devido ao tratamento concomitante com quimio e radioterapia. Embora nenhum de nossos pacientes sedados com GHB tenha apresentado aspiração durante o estudo, o médico deve estar atento a essa possibilidade. Além disso, nenhum de nossos pacientes necessitou de fisostigmina, um agente anticolinesterásico de curta duração, para o tratamento de sedação prolongada.

Concluímos que a sedação com GHB é uma alternativa razoável para a sedação de crianças que precisam ser submetidas a procedimentos diagnósticos não–invasivos. Os pediatras que não estiverem familiarizados com sedativos de curta duração potentes (propofol, remifentanil, etc.) podem considerar o GHB para sedação profunda de pacientes pediátricos.

 

Referências

1. Mencia SB, Lopez–Herce JC, Freddi N. Analgesia and sedation in children: practical approach for the most frequent situations. J Pediatr (Rio J). 2007;83(2 Suppl):S71–82.

2. Meyer S, Gottschling S, Georg T, Lothschutz D, Graf N, Sitzmann FC. Gamma–hydroxybutyrate versus chlorprothixene/ phenobarbital sedation in children undergoing MRI studies. Klin Padiatr. 2003;215:69–73.

3. Kleinschmidt S, Schellhase C, Mertzlufft F. Continuous sedation during spinal anaesthesia: gamma–hydroxybutyrate vs. propofol. Eur J Anaesthesiol. 1999;16:23–30.

4. Poschl J, Kolker S, Bast T, Brussau J, Ruef P, Linderkamp O, et al. [Gamma–hydroxybutyric acid sedation in neonates and children undergoing MR Imaging]. Klin Padiatr. 2006;[Epub ahead of print].

 

 

S. Meyer
The Centre for Newborn Care, Medical School, The Canberra Hospital, Australian National University, Canberra, Australia

S. Gottschling
Department of Pediatrics and Neonatology, University Hospital of the Saarland, Saarbrücken, German.

L. Gortner
Department of Pediatrics and Neonatology, University Hospital of the Saarland, Saarbrücken, Germany

 


 

Resposta dos autores

 

 

Lemos com interesse os comentários feitos pelo Dr. S. Meyer et al.1 sobre o uso de gama–hidroxibutirato (GHB) para a sedação de crianças. Não temos nenhuma experiência com esse sedativo em crianças. Na literatura médica, existem poucas referências, além desses autores, ao uso de GHB em crianças. O uso de GHB não está incluído nas recomendações de sedação para crianças2. Essa droga não é popular porque causa sedação profunda, sua duração é prolongada e está associada a vômito.

A clínica pediátrica em sedação inclui uma infinidade de subespecialistas, que utilizam uma ampla variedade de estratégias e instrumentos de sedação. As drogas mais usadas ainda são o propofol, midazolam e cetamina, embora haja novos fármacos a caminho3. A eficácia e segurança dessa prática precisam ser monitoradas cuidadosamente. Estudos recentes sobre a profundidade de sedação sugerem que devemos reconsiderar os sistemas que empregam a sedação moderada para procedimentos dolorosos em crianças.

O uso da sedação com dexmedetomidina vem sendo cada vez mais prescrito pelos pediatras, pois confere sedação adequada à maioria das crianças. A dexmedetomidina pode ser uma alternativa confiável em pacientes selecionados, uma vez que causa menos efeitos cardiorrespiratórios4. De forma semelhante, o uso de óxido nitroso, embora promissor, irá necessitar de maior investigação à medida que seu uso aumentar. Fauroux et al.5 demonstraram grande eficácia de sedação, controle da dor e segurança da pré–mistura de 50% de óxido nitroso e oxigênio para a realização de broncoscopia flexível em crianças.

Finalmente, os critérios de alta hospitalar para crianças que receberam sedação devem ser avaliados juntamente com as drogas e técnicas utilizadas para sedação durante um procedimento. A aplicação de critérios específicos nessa área representa uma melhora significativa em relação às medidas subjetivas empregadas no passado.

 

Referências

1. Meyer S, Gottschling S, Georg T, Lothschutz D, Graf N, Sitzmann FC. Gamma–hydroxybutyrate versus chlorprothixene/ phenobarbital sedation in children undergoing MRI studies. Klin Padiatr. 2003;215:69–73.

2. Playfor S, Jenkins I, Boyles C, Choonara I, Davies G, Haywood T, et al. Consensus guidelines on sedation and analgesia in critically ill children. Intensive Care Med. 2006;32:1125–36.

3. Cravero JP, Blike GT. Pediatric sedation. Curr Opin Anaesthesiol. 2004;17:247–51.

4. Koroglu A, Teksan H, Sagir O, Yucel A, Toprak HI, Ersoy OM. A comparison of the sedative, hemodynamic, and respiratory effects of dexmedetomidine and propofol in children undergoing magnetic resonance imaging. Anesth Analg. 2006;103:63–7.

5. Fauroux B, Onody P, Gall O, Tourniaire B, Koscielny S, Clément A. The efficacy of premixed nitrous oxide and oxygen for fiberoptic bronchoscopy in pediatric patients: a randomized, double–blind, controlled study. Chest. 2004;125:315–21.

 

 

Santiago Mencía

Jesús López–Herce
Sección de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital General Universitario Gregorio Marañón de Madrid, Madrid, España.