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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.6 Porto Alegre Nov./Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.2223/JPED.1722 

ARTIGO ORIGINAL

 

Utilização da impedância bioelétrica na indicação do excesso de gordura visceral e subcutânea

 

 

Rômulo A. FernandesI; Clara S. C. RosaII; Camila BuonaniII; Arli R. de OliveiraIII; Ismael F. Freitas JúniorIV

IMestrando, Centro de Educação Física e Esporte (CEFE-UEL), Londrina, PR
IIAcadêmica de Educação Física, Departamento de Educação Física, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Presidente Prudente, SP
IIIDoutor. CEFE-UEL, Londrina, PR
IVDoutor. Departamento de Educação Física, UNESP, Presidente Prudente, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar a relação e o desempenho da impedância bioelétrica na indicação do excesso de gordura visceral e sobrepeso/obesidade em jovens brasileiros.
MÉTODOS: A amostra foi composta por 811 jovens de ambos os sexos (de 11 a 17 anos). A identificação do estado nutricional foi baseada no valor da dobra cutânea tricipital e gordura relativa (impedância bioelétrica) e no excesso de gordura visceral no valor da circunferência de cintura. A análise estatística utilizou valores médios, desvios padrão, correlação linear, teste t de Student e curva ROC.
RESULTADOS: Em ambos os gêneros, impedância bioelétrica apresentou bom desempenho na identificação do simultâneo excesso de gordura visceral e sobrepeso/obesidade, sendo mais específica (masculino = 92,4%; feminino = 93,8%) do que sensível (masculino = 86,1%; feminino = 71,8%).

CONCLUSÃO: Em conclusão, os achados oferecem suporte para o uso da impedância bioelétrica na identificação do excesso de gordura visceral e subcutânea em adolescentes.

Palavras-chave: Circunferência abdominal, estado nutricional, obesidade, adolescentes, análise de impedância bioelétrica.


 

 

Introdução

Ao longo das últimas 3 décadas, a prevalência de sobrepeso e obesidade tem aumentado de forma alarmante em todo o mundo1. Devido ao fato da obesidade estar associada ao desenvolvimento de fatores de risco ao desenvolvimento da síndrome metabólica2-3, gerar elevados gastos com saúde4 e, conseqüentemente, diminuir a expectativa de vida do indivíduo obeso5, este aumento constitui uma preocupação entre profissionais da área da saúde e precisa ser acompanhado.

O Brasil segue esta tendência mundial e já apresenta uma alta prevalência de sobrepeso e obesidade em sua população jovem1,6. Nesse sentido, no que se refere à obesidade, uma especial atenção precisa ser creditada à identificação e tratamento da obesidade infantil, uma vez que ela tende a se manter até a fase adulta7. Sendo assim, em função da importância adquirada pela obesidade, o desenvolvimento e a utilização de técnicas úteis e confiáveis para a sua correta identificação entre crianças e adolescentes também adquirem importância.

Nesse sentido, devido ao fato de serem técnicas de campo relativamente simples e apresentarem correlações significativas com a gordura corporal8-10, a antropometria (ANT) e a análise de impedância bioelétrica (BIA) são técnicas amplamente utilizadas em estudos epidemiológicos9-13. No entanto, no Brasil, nos últimos anos, embora a BIA esteja se popularizando, até o presente momento não existem estudos que tenham analisado a relação e a eficiência dos valores de gordura corporal fornecidos pela BIA na identificação de excesso de tecidos adiposo visceral e subcutâneo em jovens brasileiros.

Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi analisar, em uma amostra composta por adolescentes, a relação e a eficiência da BIA na identificação do excesso de gordura visceral e subcutânea indicados, respectivamente, por valores de circunferência de cintura (CC) e da dobra cutânea tricipital (Dtr).

 

Métodos

O presente estudo possui um delineamento transversal e foi conduzido na cidade de Presidente Prudente (população de ~ 180.000) durante o ano de 2006. O tamanho da amostra de 805 sujeitos foi calculado para detectar uma prevalência de sobrepeso e obesidade de 28,5%14, com um erro amostral de 3,1% e significância estatística de 5%. Com base em dados de um estudo piloto, estimou-se uma perda amostral de 6%. Sendo assim, foi planejada a coleta de informações referentes a 853 sujeitos.

Para a seleção da amostra, durante um primeiro momento da pesquisa, dados foram levantados e o município de Presidente Prudente foi subdividido em cinco regiões distintas (Regiões Norte, Sul, Leste, Oeste e Central). Com base nas informações levantadas, constatou-se que a Região Central abrigava as principais linhas de transporte urbano, vias de acesso ao município e, conseqüentemente, a maior parcela das instituições e escolares da rede privada de ensino. Dessa forma, dentro do universo de escolas privadas localizadas na referida região, cinco foram selecionadas de forma aleatória para a realização do estudo.

Nas cinco unidades escolares selecionadas, todos os adolescentes matriculados nos ensinos fundamental e médio foram convidados a participar do estudo. Desses, um total de 860 concordaram em participar da pesquisa, declararam não possuir nenhuma doença metabólica diagnosticada e retornaram com o termo de consentimento devidamente assinado por seus responsáveis. No entanto, devido a faltas durante a realização das avaliações, 49 sujeitos foram excluídos da amostra (30 do sexo masculino e 19 do feminino). Por terem faltado às avaliações, não foi possível detectar a existência de possíveis diferenças nas variáveis analisadas entre o grupo excluído (n = 49) e a amostra estudada (n = 811). Sendo assim, a amostra foi composta por 811 adolescentes saudáveis de ambos os sexos e com idade variando de 11 a 17 anos (365 do sexo masculino e 446 do feminino), o que representa uma fração superior a 15% do número total de alunos de mesma faixa etária matriculados na rede privada de ensino do município.

O consentimento formal foi obtido dos participantes e de seus respectivos responsáveis antes da realização da pesquisa, e o protocolo de estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual Paulista -UNESP (Presidente Prudente).

A idade cronológica dos adolescentes foi determinada em forma centesimal utilizando a data de nascimento e o dia da avaliação. As principais variáveis antropométricas estudadas foram peso corporal, estatura, Dtr e CC. O peso corporal foi aferido com a utilização de uma balança portátil digital com graduação de 100 g e capacidade máxima de 150 kg. A estatura foi aferida com a utilização de um estadiômetro de madeira com precisão de 0,1 cm e extensão máxima de 2 metros. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado por meio da divisão do peso corporal pelo valor da estatura elevado ao quadrado (kg/m2). Os procedimentos para a coleta do peso corporal e estatura seguiram a padronização apresentada na literatura15, e todas as medidas foram realizadas com os indivíduos descalços e vestindo roupas leves. O valor da Dtr foi utilizado como indicador de excesso de tecido adiposo subcutâneo, sendo aferido com a utilização de um adipômetro da marca Lange (Cambridge Scientific Industries, Inc., Cambridge, Maryland, EUA) e seguindo as recomendações encontradas na literatura16. O valor da CC foi adotado como indicador de excesso de tecido adiposo visceral, sendo as medidas tomadas em duplicata na mínima circunferência entre a crista ilíaca e a última costela, com a utilização de uma fita metálica antropométrica com precisão em milímetros (mm)17.

A resistência e a reatância corporal (ohm) foram aferidas com a utilização de um analisador portátil de composição corporal (BIA Analyzer -101Q, RJL Systems, Detroit, EUA). O aparelho foi calibrado antes das avaliações com o uso de um resistor de 500 ohm, providenciado pelo próprio fabricante. A BIA foi realizada no período da manhã após uma noite em jejum e após a primeira urina. Os procedimentos foram realizados com o indivíduo deitado em uma superfície plana de material não condutor de eletricidade (colchonete) e após a retirada de calçados, meias e qualquer tipo de metal unido ao corpo (brincos, pulseiras, colares, etc.). Os eletrodos transmissores foram colocados na superfície posterior da mão direita, na falange distal do terceiro metacarpo e na superfície anterior do pé direito, na falange distal do segundo metatarso, e ao menos de 5 cm de distância dos eletrodos receptores, os quais foram colocados entre o processo estilóide do rádio e da ulna e entre os maléolos medial e lateral do tornozelo18. O percentual de gordura corporal (%GC-BIA) foi calculado pelo uso de duas equações específicas para sexo elaboradas por Sun et al.11.

Para indicar o excesso de gordura corporal, foram utilizados valores críticos específicos para sexo (GC > 25% para o masculino e GC > 30% para o feminino)19. Para a indicação de excesso de tecidos adiposo subcutâneo e visceral, foram utilizados dois valores críticos de referência específicos para sexo e idade: um para Dtr (valor > P85) elaborado por Must et al.20 e um para CC apresentado por Taylor et al.21. Toda a amostra foi classificada segundo os três valores críticos de referência.

O teste de Komolgorov-Smirnov (K-S) foi utilizado para avaliar a distribuição do conjunto de dados analisado e indicou o enquadramento de todas variáveis analisadas no modelo Gaussiano de distribuição. As variáveis quantitativas foram apresentadas por meio de valores médios e de desvios padrão, e as qualitativas, por meio de valores percentuais. A correlação linear de Pearson foi empregada para analisar a relação entre os valores de CC, Dtr e %GC-BIA. O teste t de Student e o teste do qui-quadrado analisaram a existência de diferenças entre valores médios e percentuais, respectivamente. A curva ROC e, conseqüentemente, seus parâmetros -sensibilidade, especificidade, área sob a curva (AUC), valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN) -foram utilizados para analisar o desempenho do %GC-BIA na indicação do excesso de gordura visceral, indicado por valores de CC, e também em discriminar entre a ausência e a presença do concomitante excesso de gordura visceral e sobrepeso/obesidade (Dtr > P85). A análise foi desenvolvida com a utilização do software específico SPSS versão 10.0 (Statistical Package for Social Science, SPSS Inc, Illinois, EUA), e o nível de significância adotado foi de p < 0,05.

 

Resultados

Na Tabela 1, são apresentados os valores referentes às características gerais da amostra. O grupo do sexo feminino representou 55% da amostra. Entre os gêneros, no que se refere às variáveis antropométricas, não houve diferenças estatísticas apenas para a variável idade. Em toda a amostra, 15,4% dos indivíduos apresentaram excesso de gordura abdominal, indicado pela CC (masculino: 21,8% e feminino: 10,3%; p = 0,000), 17% valores elevados de gordura corporal (masculino: 23,2% e feminino: 11,9%; p = 0,000) e 36,2% excesso de tecido adiposo subcutâneo indicado pelo valor da Dtr (masculino: 45,6% e feminino: 29%; p = 0,000).

Por meio da correlação linear de Pearson, observou-se que os valores de %GC-BIA relacionaram-se de forma positiva e significante (p < 0,001) com os escores de Dtr e CC, tanto para o sexo masculino (r = 0,76 e r = 0,82, respectivamente) como para o feminino (r = 0,77 e r = 0,82, respectivamente).

A análise da sensibilidade e da especificidade está diretamente relacionada ao desempenho ou acurácia de um teste. Sensibilidade é a capacidade de um instrumento em reconhecer os casos verdadeiros positivos e especificidade é a capacidade de um instrumento reconhecer os casos verdadeiros negativos.

Para o sexo masculino, na indicação do excesso de gordura visceral (Tabela 2), a BIA apresentou alta precisão na indicação dos indivíduos obesos (sensibilidade = 81%), não-obesos (especificidade = 92,9%), além de valores elevados nos demais parâmetros da curva ROC: AUC (0,87), VPP (76,1%) e VPN (94,6%). Quando comparado ao sexo masculino, os valores de %GC-BIA para o grupo do sexo feminino apresentaram maior precisão na indicação dos indivíduos não-obesos (especificidade = 94%); no entanto, os valores de sensibilidade encontrados (63%) foram inferiores aos observados no sexo masculino.

Para ambos os sexos, quando se testou a eficiência da BIA em indicar os indivíduos que apresentavam simultâneo excesso de gordura visceral e excesso de tecido adiposo subcutâneo (Tabela 3), foram observados valores de especificidade superiores a 90% e de sensibilidade superiores a 70%, indicando que a BIA se apresentou mais específica do que sensível nesta função.

 

Discussão

A identificação e o tratamento da obesidade durante a infância e a adolescência são estratégias de prevenção ao desenvolvimento da obesidade na idade adulta e, portanto, de seus malefícios à saúde e à economia mundial5,22. Contudo, em grandes levantamentos populacionais, devido aos elevados gastos envolvidos, a utilização de técnicas mais precisas de avaliação da composição corporal e, conseqüentemente, de identificação do correto estado nutricional torna-se inviável. Devido a este fato, e também devido às consistentes relações apresentadas com a gordura corporal avaliada por meio de métodos mais precisos11,21,23-25, procedimentos simples e de fácil manuseio para a identificação da obesidade e distribuição da gordura corporal são amplamente utilizados.

Nesse sentido, entre populações jovens, o valor da CC é um eficiente indicador de excesso de gordura visceral21,24,26, gordura essa que apresenta taxas de lipólise mais elevadas que a gordura subcutânea e, dessa forma, propicia o desenvolvimento dos componentes da síndrome metabólica (hipertensão arterial, resistência à insulina e perfil lipídico desfavorável)27,28. Dessa forma, os coeficientes de correlação observados entre os valores de %GC-BIA e CC, que foram similares aos resultados apresentados por Eisenmann et al.24 para crianças de 3 a 8 anos (r = 0,84), podem ser encarados como um indicativo positivo do potencial da BIA em identificar presença do excesso de gordura visceral em populações jovens.

A Dtr é um indicador de gordura corporal subcutânea amplamente utilizado, e estudos como o de Sardinha et al.10 têm indicado que os seus valores apresentam sólidas correlações com a gordura corporal total, sendo dessa forma utilizada como um eficiente indicador do estado nutricional20. Na presente pesquisa, assim como observado por Pecoraro et al.8 em uma amostra composta por crianças italianas, o %GC-BIA apresentou uma significativa correlação com o valor da Dtr. Este fato confirma a existência de relações significativas entre as estimativas de gordura corporal fornecidas pela BIA e os tecidos adiposo visceral e subcutâneo.

Os altos valores de correlação observados entre Dtr, CC e %GC-BIA são um bom indicativo da viabilidade de aplicação do métdo em questão. No entanto, como observado por Sardinha et al.10, por si só, estes valores não apresentam a eficiência do método, no caso a BIA, na indicação do excesso de gordura visceral e também do sobrepeso/obesidade. Para este fim, deve-se recorrer a outras técnicas estatísticas mais específicas, como é o caso da curva ROC.

No que se refere à análise da curva ROC, de acordo com Vieira et al.12, a escolha por pontos de corte mais sensíveis ou mais específicos representa significativas implicações nos objetivos desejados. Altos valores de sensibilidade representam maior acurácia do método em questão na identificação de jovens obesos, sendo esta uma importante ferramenta de identificação e encaminhamento de jovens obesos aos profissionais da área da saúde. Em contrapartida, métodos altamente específicos implicam em uma menor triagem incorreta de jovens não-obesos classificados como sendo obesos (caso falso-positivo) e, por conseqüencia, impedem que os sistemas de saúde já tão saturados sejam ainda mais sobrecarregados de forma desnecessária. Nesse sentido, em virtude da crescente1 e já alta prevalência6 de sobrepeso e obesidade observada na população jovem brasileira, prevalência esta que, de acordo com os dados apresentados por Ferreira et al.27, já representa uma ameaça real à saúde desses jovens, métodos mais sensíveis à identificação da obesidade parecem ser os mais indicados à realidade brasileira.

Dessa forma, tantos os valores de sensibilidade como os de especificidade observados para o %GC-BIA na indicação do simultâneo excesso de gordura visceral e sobrepeso/obesidade foram elevados, sendo superiores aos observados por Neovius et al.29 para o IMC, que é o índice antropométrico mais amplamente utilizado em todo mundo para identificação de adolescentes com sobrepeso e obesidade.

Os resultados do presente estudo indicaram que 90,5 e 91,5% dos adolescentes com excesso de gordura visceral e simultâneo excesso de gordura visceral e sobrepeso/obesidade, respectivamente, apresentaram valores elevados de %GC-BIA. Além disso, de forma geral, os valores de AUC, que representam o poder de discriminação do %GC-BIA, foram elevados tanto para a indicação do excesso de gordura visceral (masculino = 0,87; feminino = 0,78) como para a indicação do simultâneo estado de excesso de gordura visceral e sobrepeso/obesidade (masculino = 0,89; feminino = 0,82). Esses elevados valores de AUC refletem-se nos elevados valores de VPP, que é a probabilidade de o indivíduo realmente apresentar determinado desfecho, dado o fato de que foi indicada pelo %GC-BIA a presença do mesmo, e VPN, que é a probabilidade de o indivíduo realmente não apresentar determinado desfecho, dado o fato de que foi indicada pelo %GC-BIA a ausência do mesmo. Esses resultados são indicativos adicionais de que, em levantamentos populacionais, o %GC-BIA pode ser usado com razoável sucesso para detectar a presença do excesso de gordura visceral de forma isolada e também acompanhada da presença do sobrepeso/obesidade em adolescentes brasileiros.

Nesse sentido, em vista dos dados apresentados, que apontam a viabilidade do emprego da BIA em estudos populacionais, a ausência de equações específicas para a população brasileira constitui uma limitação do método e do estudo, e indica a necessidade de que as inferências realizadas sejam feitas com cautela. Dessa forma, os autores indicam que o desenvolvimento de equações específicas para a população brasileira representa um importante foco para realização de futuros estudos.

 

Conclusões

Em resumo, este estudo indica que, para ambos os sexos, no geral, o %GC-BIA apresenta elevada correlação com o tecido adiposo subcutâneo e visceral. Indica também que o %GC-BIA apresenta uma razoável eficiência em discriminar a presença/ausência de excesso de gordura visceral de forma isolada e acompanhada do estado de sobrepeso/obesidade.

Dessa forma, diante dos indicativos apresentados, o presente estudo conclui que o %GC-BIA é um bom indicador de excesso de gordura visceral em adolescentes brasileiros e aponta que o desenvolvimento de mais estudos visando à elaboração de equações específicas para a população brasileira é necessário.

 

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Correspondência:
Rômulo Araújo Fernandes
Rua Santos, 620/202 - Edifício Itamaracá
CEP 86020-040 -Londrina, PR
Tel.: (43) 3344.2812
Email: romulo_ef@yahoo.com.br

Artigo submetido em 08.05.07, aceito em 08.08.07.

 

 

Este trabalho foi desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Presidente Prudente, SP.
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.