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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.84 no.3 Porto Alegre May/June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572008000300007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Percepção de estudantes do ensino fundamental quanto ao aleitamento materno e a influência da realização de palestras de educação em saúde

 

 

Mahmi FujimoriI; Tassiane C. MoraisI; Eduardo L. FrançaII; Olegário R. de ToledoIII; Adenilda C. Honório-FrançaIV

IAcadêmica de Farmácia, Instituto Universitário do Araguaia (Uniaraguaia), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Pontal do Araguaia, MT
IIDoutor. Professor adjunto, Uniaraguaia, UFMT, Pontal do Araguaia, MT
IIIMestre. Professor assistente, Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Uniaraguaia, UFMT, Pontal do Araguaia, MT
IVDoutora. Professora adjunta, Uniaraguaia, UFMT, Pontal do Araguaia, MT

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a percepção de estudantes do ensino fundamental em relação ao aleitamento materno e a influência de palestra educativa sobre seus conhecimentos.
MÉTODOS: Realizou-se um estudo transversal em cinco escolas, envolvendo 503 estudantes da quarta à oitava série, de ambos os sexos, divididos em dois grupos, controle (n = 215) e de intervenção (n = 288), para avaliar a influência de palestra educativa. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário contendo 30 questões sobre diferentes aspectos da amamentação. A intervenção consistiu em uma palestra com duração de 30 minutos realizada nas escolas.
RESULTADOS: A palestra aumentou o número de alunos que responderam que o leite materno é o mais adequado para a criança (p < 0,05) e que o ato de amamentar é a forma mais prática de alimentação (p < 0,05). Houve redução na intenção de realizar a suplementação alimentar no primeiro mês de vida (p < 0,05) e na oferta de chupeta ao bebê (p < 0,05). Após a intervenção, menos da metade das meninas optaria por um tempo de aleitamento igual a 1 ano ou mais (39,1% no grupo controle versus 43,2% no de intervenção); verificou-se o oposto para o sexo masculino (54,7% no controle versus 51,7% no de intervenção). Os meninos souberam citar vantagens específicas da amamentação para as mães com maior freqüência (37,1%), quando comparados ao sexo feminino (19,9%).
CONCLUSÃO: Os resultados indicam que palestras de educação em saúde, realizadas em escolas, exercem influência benéfica sobre o conhecimento, percepção e atitudes em relação ao aleitamento materno.

Palavras-chave: Aleitamento materno, educação em saúde, estudantes.


 

 

Introdução

Há um crescente aumento das taxas de aleitamento materno no Brasil, decorrentes de trabalhos de órgãos governamentais e não-governamentais na sua promoção e incentivo. No entanto, verifica-se ainda que a mediana de amamentação no Brasil é inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde. A maioria das intervenções é desenvolvida nos estágios pré e pós-natal1, porém esses períodos podem exercer uma influência limitada na decisão dos indivíduos2. Percebe-se, portanto, a necessidade da elaboração de diferentes estratégias que possam colaborar na conscientização de tal prática.

Posições quanto à alimentação infantil podem ser formadas previamente à gestação3 e à adolescência4, o que sugere que a promoção da amamentação em indivíduos em diferentes períodos de desenvolvimento humano possa ser potencialmente eficaz5. Se as crianças fossem providas de informações adequadas sobre a amamentação nas escolas, provavelmente se tornariam adultos com maior capacidade de escolha6 e que não aceitariam práticas modernas e artificiais sem antes realizar uma crítica fundamentada7.

São necessários vários anos para a construção de atitudes e crenças positivas sobre o aleitamento materno; sendo assim, é de fundamental importância prover as pessoas dessas informações constantemente8. Por meio do ensino, as barreiras que limitam a amamentação podem ser substituídas pela concepção de que amamentar é um ato natural6,9,10.

Há registro na literatura sobre a carência de informações para jovens a respeito da promoção da amamentação5. Tais dados indicam que esse não é assunto comum em escolas.

A carência de exposições positivas sobre a amamentação, ao longo da infância e da adolescência, pode estar contribuindo para a ocorrência de baixas taxas de aleitamento materno6. A escola constitui um centro de ensino-aprendizagem, convivência e crescimento onde se adquirem valores vitais11 e que podem ser transmitidos à família e à comunidade. Trabalhos que avaliaram conhecimentos de estudantes sobre a amamentação demonstraram que há necessidade de medidas que venham a promover uma postura mais favorável ao assunto nas escolas12, com a abordagem de conceitos ainda não assimilados pelos alunos6. Pelo exposto, o objetivo do presente estudo foi avaliar a percepção de estudantes do ensino fundamental em relação ao aleitamento materno e a influência de palestra educativa em seus conhecimentos.

 

Métodos

Realizou-se um estudo transversal envolvendo estudantes de ambos os sexos, da quarta à oitava série do ensino fundamental de escolas da área urbana do município de Barra do Garças (MT). O município apresenta 51 escolas com séries desse nível de ensino, das quais 42 são de domínio público (cinco em área rural e 37 em área urbana) e nove são de caráter privado (todas em área urbana).

Dentre as escolas particulares, apenas três apresentam todas as séries de interesse para a pesquisa, sendo elas as instituições particulares selecionadas para o estudo. Destas, duas escolas particulares de menor número de alunos foram reunidas em um único bloco. Foram sorteadas duas escolas públicas, situadas em área urbana, de forma a se obter a quantidade mais próxima possível de alunos de escolas públicas e particulares. Para se definir a quais grupos pertenceriam as escolas participantes, realizou-se um novo sorteio: grupo controle (uma escola pública e duas particulares) e grupo de intervenção (uma escola pública e uma particular). Em conseqüência dessa seleção, determinou-se o número de 503 alunos participantes da pesquisa, sendo 215 alocados para o grupo controle e 288 para o grupo de intervenção.

Visando detectar a disponibilidade dos alunos em participar da pesquisa, os termos de consentimento livre e esclarecido foram encaminhados às instituições. As professoras, previamente informadas sobre a realização da pesquisa pelas direções escolares e pelos pesquisadores, foram as responsáveis por convidar os alunos do grupo de intervenção a assistirem à palestra. A participação era voluntária, e os questionários somente eram preenchidos pelos alunos de ambos os grupos mediante a apresentação dos termos de consentimento assinados pelos pais ou responsáveis. Foi evidenciado que as respostas obtidas seriam totalmente anônimas e que, em hipótese alguma, suas identidades seriam reveladas.

Um questionário preliminar contendo 25 questões foi aplicado a 30 alunos da mesma faixa etária prevista para o estudo, visando detectar possíveis dificuldades de compreensão e variáveis que pudessem acarretar vieses. Obtidos os resultados do teste piloto, realizaram-se as devidas alterações no questionário, que passou a apresentar 30 questões, das quais 25 foram de múltipla escolha e cinco discursivas. O instrumento constituiu-se de quatro seções que abordavam aspectos distintos: (1) informações demográficas; (2) experiência prévia; (3) conhecimento, comportamentos e atitudes dos estudantes; e (4) interesse pelo tema. Para as questões "alguma vez você recebeu informações sobre a importância do aleitamento materno?" e "onde as informações foram transmitidas?", os estudantes do grupo de intervenção foram orientados a desconsiderar em suas respostas a palestra assistida.

A aplicação do questionário foi realizada nas escolas, entre maio a agosto de 2007, no período matutino, em que todos os alunos estudavam. Os estudantes do grupo controle participaram da pesquisa mediante a concessão pelas professoras de tempo suficiente para o preenchimento do instrumento. No grupo de intervenção, o questionário foi aplicado logo após a apresentação da palestra. Foram excluídos da amostra 14 alunos que eram pais. Não participaram do trabalho 38 alunos que estavam ausentes, 57 que não foram autorizados pelos responsáveis e dois alunos que optaram por não responder o questionário.

A intervenção consistiu da apresentação de uma palestra, com duração de 30 minutos, conduzida pelos próprios pesquisadores a grupos contendo, em média, 30 estudantes, perfazendo um total de 10 palestras. Foram utilizados recursos visuais, através da apresentação de slides por meio de projetor de imagens. Explanou-se sobre a praticidade e o menor custo do aleitamento materno comparado com os métodos artificiais, início e tempo de duração da amamentação exclusiva e complementar, além de seus respectivos significados no âmbito da alimentação infantil. Certos mitos comuns em nossa cultura, como "leite fraco", "o leite é pouco" e "amamentação deforma os seios da mãe ou causa estrias", também foram esclarecidos. Além disso, houve a preocupação de se transmitir aos alunos a influência negativa dos bicos artificiais, a importância do apoio dos pais e familiares, assim como o aleitamento materno como um processo natural.

Para análise dos dados, os alunos foram subdivididos, levando-se em consideração o sexo. Os dados foram avaliados pelo programa Epi-Info® versão 6.04d, sendo utilizados os testes de qui-quadrado de Maentel-Haenszel e t de Student. As análises foram consideradas significativas quando o seu valor p-associado foi inferior a 0,05 (p < 0,05).

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sob o protocolo de nº 341/CEP-HUJM/07, datado de 08/08/07.

 

Resultados

Dentre os alunos entrevistados, 503 foram considerados representativos da amostra. A média de idade dos estudantes foi de 11,7 anos, e a sua distribuição por escola, série, sexo e indivíduos com quem residem encontra-se na Tabela 1.

Houve relação entre as estudantes amamentadas quando bebês e pretensão de amamentar quando futuras mães (p < 0,05). As experiências prévias dos estudantes em relação ao tema foram descritas na Tabela 2.

Observou-se que 79,7% dos estudantes demonstraram interesse em ser pais no futuro. Um número menor de estudantes do sexo feminino (67,9%) pretende ter filhos, sendo que 26,2% não apresentaram opinião definida sobre o assunto. Aproximadamente 96,0% das estudantes que pretendem ter filhos possuem a intenção de amamentá-los. Quanto aos indivíduos do sexo masculino, 98,3% manifestaram prontidão em apoiar suas esposas na decisão de amamentar. Nota-se uma restrição em relação à amamentação em público, já que 37,5% manifestaram constrangimento quando questionados em relação à amamentação de suas esposas em público. O conhecimento, atitudes, comportamentos dos estudantes sobre o tema, bem como a influência da intervenção, estão apresentados na Tabela 3. Quando questionados sobre as vantagens do leite humano para os bebês, 29,3% dos alunos responderam que "o leite humano contém todos os nutrientes que os bebês necessitam", seguidos por "o leite materno é o alimento mais saudável para o bebê" (25,5%). Quanto à suplementação alimentar, logo no primeiro mês de vida, verificou-se que os alimentos mais citados por alunos que se utilizariam dessa prática foram a água (27,6%) e os chás (19,5%).

Dos alunos que afirmaram que a prática do aleitamento materno também é benéfica para as mães, 69,5% voltavam a atribuir vantagens relativas à saúde dos bebês em suas respostas; apenas 30,5% souberam atribuir vantagens específicas para as mães. Destes, 58,8% pertenciam ao grupo de intervenção. Souberam descrever tais vantagens 37,1% dos meninos e 19,9% das meninas. É importante salientar que as vantagens foram apresentadas por meio de questões abertas, portanto, de forma espontânea.

O interesse pelo tema aleitamento materno por parte dos estudantes é demonstrado na Tabela 4.

 

Discussão

No presente estudo, foram realizadas palestras educativas sobre amamentação, e observou-se que os estudantes demonstraram grande interesse em situações por eles vivenciadas no cotidiano. Esses dados reforçam a hipótese de que medidas educacionais relativas à disseminação do aleitamento materno, como valor cultural a ser agregado desde a infância, devem ter início na vida escolar13. Há certa dificuldade dos programas pró-amamentação em elevar as taxas de aleitamento materno no período perinatal, devido à prévia internalização de conceitos negativos pelos adolescentes14. No entanto, tais atitudes podem ser modificadas ao longo da adolescência, por isso deve-se insistir também no desenvolvimento de campanhas educativas direcionadas aos adolescentes15.

A maioria dos alunos foi exposta à amamentação em seus próprios lares. Apesar de tais dados não quantificarem a intensidade da exposição, trazem a indicação de que os jovens continuam tendo contato com o aleitamento materno em seus lares8. Fato que contribuiu para uma maior predisposição às alunas a praticar o aleitamento materno no futuro. Durante a criação e educação dos filhos, as mães fornecem subsídios para a prática do aleitamento materno através dos seus exemplos de vida16. Da mesma forma que pode transmitir comportamentos positivos, a mãe também pode disseminar crenças antigas que influenciam negativamente na amamentação12.

A respeito das futuras pretensões, um número maior de estudantes do sexo masculino apresentou intenção de ter filhos quando comparados ao sexo feminino. Trabalhos de educação em saúde e de planejamento familiar, bem como os próprios anseios quanto ao futuro profissional, podem estar influenciando na mentalidade das estudantes quanto à maternidade na vida adulta. Elas acreditam que serão as maiores prejudicadas profissionalmente com a chegada de seus filhos. Os estudantes do sexo masculino, por sua vez, podem apresentar uma tendência em acreditar que as responsabilidades com os cuidados para com o bebê devem ser exclusivamente das mães. Mais de 96,0% das estudantes que possuem a intenção de ter filhos pretendem amamentá-los. Independente da intervenção realizada, quase a totalidade dos estudantes do sexo masculino pretende incentivar suas esposas a amamentar. Vale salientar que esses resultados não indicam que as estudantes serão exemplos de sucesso quanto à prática do aleitamento materno. O apoio paterno durante a amamentação é capaz de melhorar o grau de satisfação materna em relação ao ato de amamentar17, além de exercer efeitos positivos na duração do aleitamento materno18,19. Estudos demonstram que mães adolescentes com parceiros de idade semelhante são mais aptas a exercer o aleitamento materno do que as mães adolescentes com parceiros adultos20. O conhecimento dos pais está fortemente relacionado à sua disposição em apoiar essa prática21. Além do incentivo dos pais, a relação entre o casal22 e o suporte fornecido pelos demais familiares são importantes para que as mães amamentem seus filhos23.

Em estudo realizado por Greene et al.5, observou-se um número reduzido de meninos com a predisposição de incentivar a amamentação. No presente trabalho, apesar do maior número de meninos predispostos ao incentivo do aleitamento materno, 37,5% disseram que se sentiriam constrangidos em ver suas esposas amamentando em público e 30,6% das estudantes também relataram o mesmo sentimento. No presente trabalho, apesar do maior número de estudantes masculinos predispostos ao incentivo do aleitamento materno, 37,5% disseram que se sentiriam constrangidos em ver suas esposas amamentando em público, e 30,6% das estudantes também relataram o mesmo sentimento. Os meninos, mais freqüentemente, vêem a mama como órgão sexual, desconsiderando que sua principal função é a amamentação, assim acabam por opinar negativamente em relação à amamentação em público12,24. Dessa forma, o assunto poderia ser tratado nas escolas com mais intensidade para que os alunos pudessem ver a amamentação como um processo natural6,9,10.

Programas de educação em saúde são medidas efetivas que podem exercer papéis positivos na prática do aleitamento materno. Em estudo de intervenção com medidas educativas, verificou-se uma redução nas atitudes negativas em relação à amamentação25. Em outro, com intervenções pré e pós-natal, verificou-se que as últimas são menos efetivas que intervenções realizadas anteriormente ao parto26. Isso pode ser um indicativo de que as intervenções realizadas desde cedo podem exercer mais efeitos positivos do que intervenções pós-parto. No presente estudo, os resultados indicaram que a palestra exerceu efeitos positivos no conhecimento dos estudantes quanto à praticidade do leite materno em relação a outros métodos de alimentação infantil, uso de chupeta e suplementação alimentar em idade inapropriada. Todos os alunos, independente de grupo ou sexo, atribuem ao aleitamento materno benefícios para o bebê, porém desconhecem vantagens específicas. Em estudo realizado sobre o conhecimento em relação ao assunto e às atitudes de mães adolescentes, foi verificado que elas têm menor conhecimento sobre informações básicas27.

Quando questionados sobre as vantagens da amamentação para as mães, o sexo masculino do grupo de intervenção apresentou maior capacidade de assimilação dessas informações durante a palestra do que o sexo feminino do mesmo grupo. Nas respostas abertas sobre quais seriam os benefícios para a figura materna, os meninos foram capazes de realmente citar tais vantagens, evidenciando valores aproximados ao dobro daqueles encontrados para o sexo feminino. Possíveis explicações para a diferença entre os sexos poderiam incluir a crença de que a decisão e a função de amamentar são exclusivamente das mulheres2. Os achados do atual estudo demonstram que estudantes do sexo masculino podem responder bem a programas pró-amamentação, que propagam realidades em que a presença do pai pode tanto contribuir como prejudicar a ocorrência e desenvolvimento dessa prática. Tais resultados vão de encontro a outros descritos na literatura, que demonstram que as estratégias educacionais voltadas aos meninos requerem planejamento e avaliação especial para serem mais efetivos, já que estes apresentam uma resistência maior à aceitação do tema28.

Notou-se entre os estudantes que um número maior dos indivíduos do sexo masculino é favorável a um tempo de aleitamento materno mais prolongado em relação ao feminino, em que as maiores porcentagens (43,5% para o grupo controle e 52,7% para o grupo de intervenção) adotaram o período de até 6 meses de duração do aleitamento materno como correto. Esses resultados possivelmente ocorreram porque muitas campanhas enfatizam o tempo de amamentação até 6 meses de idade e, muitas vezes, as meninas não associam esse tempo como sendo de amamentação exclusiva. Observa-se também que a intervenção realizada não foi suficiente para que a maioria dos alunos acreditasse que a amamentação pode ser prolongada até 1 ano de idade ou mais. Resultados semelhantes foram encontrados por Bottaro12 e demonstram que tal aspecto deve ser reforçado nos programas de promoção ao aleitamento materno para crianças e adolescentes. Os dados reproduzem o que acontece na fase adulta, uma vez que um elevado número de mães realiza a suplementação alimentar precocemente29.

A grande maioria (87,1%) dos estudantes relata haver recebido alguma informação sobre o aleitamento materno anteriormente, sendo os meios de comunicação os maiores transmissores do tema, seguidos por informações transmitidas na escola. Estudo realizado por Forrester et al.9 mostra que a maioria dos jovens pesquisados relatou que as informações em relação à amamentação foram transmitidas dentro da própria casa, seguidas da mídia. Partindo do exposto, deveriam ser investidas mais iniciativas a favor da amamentação na mídia, no intuito de eliminar os aspectos negativos e romper as barreiras que prejudicam o aleitamento materno11. Cerca da metade dos estudantes gostaria que o tema fosse discutido dentro de seus próprios lares. Observa-se que os estudantes do sexo masculino recebem menos informações sobre amamentação dentro de seus lares. Possivelmente pelo fato de o sexo feminino possuir uma maior afinidade e liberdade em falar sobre o processo de amamentação e assuntos co-relacionados com suas mães. Exemplos de pais que apóiam e incentivam suas parceiras e colaboram com elas, durante a fase de lactação, podem ser importantes ferramentas para que os meninos venham a crescer com uma mentalidade positiva sobre o aleitamento materno e, assim, como no caso das meninas, possam se espelhar em bons exemplos2.

Cerca de 80% dos estudantes do sexo feminino e 91% do masculino afirmaram que gostariam de aprender mais sobre a amamentação. Apenas 28,9% dos alunos disseram ter recebido informações sobre o assunto nas escolas. Percebe-se, portanto, que há um descompasso entre o interesse dos alunos em aprender sobre o tema e o das escolas em transmitir essas informações aos alunos. Além disso, a promoção do aleitamento materno alcança indivíduos de ambos os sexos, diferentemente das intervenções pré e pós-natal, que geralmente atingem apenas as gestantes e puérperas, raramente os pais28.

Há relato na literatura de que o efeito de intervenções realizadas com estudantes pode ser mantido por, pelo menos, 3 meses, embora haja a possibilidade de esses efeitos diminuírem, ou mesmo desaparecerem, ao longo do tempo na ausência de reforços12. A inclusão do tema no currículo escolar seria uma importante medida para manutenção dos reforços.

A análise dos resultados em conjunto indica que a palestra de educação em saúde pode ser útil ao aumento do conhecimento dos estudantes, assim como à sua mudança de conduta frente à amamentação. A promoção de crenças positivas sobre o assunto a jovens é um importante passo para a amamentação no futuro. Essas ações podem ser convertidas em melhores taxas, já que, como amplamente descrito na literatura, maior conhecimento representa maior capacidade de escolha e predisposição em amamentar. É indispensável salientar que os indivíduos do sexo masculino deste estudo, ao contrário do descrito em outros trabalhos, apresentaram percepção significante em assimilar o tema proposto. Essa percepção superou em alguns aspectos o sexo feminino, fato este que pode ser utilizado como importante fator na formação de gerações de pais mais conscientes, levando a uma cultura diferenciada, co-participativa, e melhorando os índices da amamentação no Brasil.

 

Agradecimentos

Os autores desejam expressar seus agradecimentos às graduandas em farmácia Aline B. Cavalcante, Ericka K. R. Lopes, Silvia R. B. Cavalcante, Larissa N. Ribeiro e Veronice S. Barbosa do Instituto Universitário do Araguaia, pela valiosa colaboração durante as apresentações das palestras, e à Dra. Maria Celeste Saad Guirra, pela valiosa contribuição nas adequações do texto às normas da língua portuguesa.

 

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Correspondência:
Adenilda C. Honório-França
Instituto Universitário do Araguaia (UFMT)
Rodovia MT 100, km 3,5 s/nº
CEP 78698-000 - Pontal do Araguaia, MT
Tel.: (66) 3402.1110
Email: adenilda@ufmt.br

Artigo submetido em 13.12.07, aceito em 26.03.08.

 

 

Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.