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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.84 no.4 suppl.0 Porto Alegre Aug. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572008000500005 

ARTIGO DE REVISÃO

 

A genética dos distúrbios do sono na infância e adolescência

 

 

Magda Lahorgue NunesI; Oliviero BruniII

IMD, PhD. Associate professor, Faculdade de Medicina, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS
IIMD. Assistant professor, Center for Pediatric Sleep Disorders, Department of Developmental Neurology and Psychiatry, Faculty of Medicine, Sapienza University, Rome, Italy

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: O objetivo deste artigo é revisar a literatura sobre a genética dos distúrbios do sono na infância e adolescência.
FONTES DOS DADOS: As palavras–chave "sono" e "genética" foram usadas para pesquisar por artigos publicados nos últimos cinco anos no banco de dados MEDLINE. A seguir, seus resumos foram analisados. A pesquisa também incluiu artigos clássicos, com a primeira descrição dos genes.
SÍNTESE DOS DADOS: A recorrência familiar de muitos distúrbios do sono é um achado freqüente, mas loci genéticos foram descobertos para poucos deles. Descrevemos aqui distúrbios do sono transmitidos por herança genética e também aqueles que apresentam altos índices de recorrência familiar, apesar de nenhum gene específico haver sido encontrado.
CONCLUSÕES: Apesar da maioria dos distúrbios do sono ainda não terem uma base molecular identificada, técnicas modernas são cada vez mais utilizadas para determinar a contribuição dos genes ao sono e aos seus distúrbios associados. A importância clínica destas descobertas pode estar relacionada com a melhoria de métodos diagnósticos, mas também como alvo para o desenvolvimento de medicações específicas.

Palavras–chave: Sono, genética, narcolepsia, síndrome das pernas inquietas, parassônias, infância.


 

 

Introdução

Os distúrbios do sono (DS) são relatados freqüentemente durante a infância e adolescência. A história familiar positiva é comum1. Devido a sua elevada prevalência podem representar uma epidemia mundial emergente2.

A importância do diagnóstico e tratamento dos distúrbios do sono em crianças depende, entre outros fatores, dos achados sobre a influência do sono e do temperamento na vida escolar3.

Em contraste com o progresso impressionante da genética molecular dos ritmos circadianos, pouco se sabe sobre a base molecular do sono normal4–7. A pergunta sobre qual seria a função do sono segue sem resposta na Biologia5.

Muitos distúrbios do sono apresentam recorrência familiar, mas até hoje a pesquisa sobre a genética molecular dos distúrbios do sono continua sendo, surpreendentemente, um dos últimos campos ativos2.

Os estudos genéticos geralmente se restringem à narcolepsia, à síndrome das pernas inquietas (SPI) e a apnéia obstrutiva do sono.

Nos últimos anos, muitos genes foram associados a muitas doenças. O mapeamento destas alterações facilitou a identificação de pessoas afetadas, melhorou a compreensão de seu prognóstico e funcionou como novos alvos para o desenvolvimento de medicações.

O objetivo deste artigo é revisar a literatura sobre a genética dos distúrbios do sono na infância e adolescência para permitir a melhor compreensão destes distúrbios e para orientar o pediatra generalista em direção ao seu diagnóstico e prognóstico.

 

Metodologia

Foi realizada revisão da literatura sobre o tema no banco de dados MEDLINE, usando–se uma combinação das palavras–chave "sono" e "genética", e a seguir uma busca isolada pelas palavras–chave "narcolepsia", "apnéia do sono" e "síndrome das pernas inquietas". Os resumos foram analisados e os artigos que continham informações sobre a faixa etária pediátrica foram incluídos. A pesquisa também incluiu artigos clássicos, com a primeira descrição dos genes envolvidos em DS.

 

Resultados

Narcolepsia

A narcolepsia é um distúrbio crônico do sono que ocorre com predominância levemente maior em indivíduos do sexo masculino, entre a infância e a quinta década de vida, atingindo seu clímax na segunda década. A doença é caracterizada por uma tétrade de sintomas relativos à ocorrência de sono REM (sono com movimento rápido dos olhos) em momentos inadequados: sonolência diurna excessiva, cateplexia (queda abrupta com perda de tônus muscular, sem perda de consciência, geralmente provocada por emoções como riso, raiva ou surpresa), paralisia do sono (experiência aterradora que ocorre ao início do sono ou ao acordar, em que o paciente se descobre subitamente incapaz de se mover, falar ou respirar profundamente) e alucinações hipnagógicas/hipnopômpicas (sonhos vívidos que podem ser difíceis de distinguir da realidade e alucinações auditivas, visuais ou cenestopáticas que ocorrem no começo do sono, tanto diurno como noturno)8,9.

A ocorrência familiar de narcolepsia–cataplexia foi relatada pela primeira vez em 1877, por Westphal8. No entanto, a observação da associação da narcolepsia com o antígeno do leucócito humano (HLA) DR2 foi relatada pela primeira vez no Japão, cem anos depois8. Mais de 85% de todos os narcolépticos com cataplexia definida compartilham de uma mutação (um alelo de HLA) no cromossomo 6, seja apenas no HLA DQB1*0602 ou em conjunto com HLA DR15. Mais tarde, em 1999, um segundo gene, a orexina (hipocretina), localizado no cromossomo 12, foi relacionado com a narcolepsia em um modelo canino8. As hipocretinas/orexinas são novos neuropeptídeos hipotalâmicos envolvidos nas funções neuroendócrina e de homeostase de energia10. A deficiência de ligação de hipocretina é observada em muitos pacientes narcolépticos com cataplexia 11,12. Já que a hipocretina geralmente participa da manutenção da vigília, a perda dos neurônios que liberam este peptídeo pode permitir que o sono REM ocorra a qualquer momento e determine os ataques catalépticos9. Estes achados permitem uma nova compreensão da patofisiologia da narcolepsia: uma característica genética específica (a mutação de HLA no cromossomo 6) pode aumentar a susceptibilidade dos neurônios que contêm hipocretina a ataques imunes. A hipótese mais provável para a narcolepsia é um processo auto–imune que atinge os neurônios de hipocretina em resposta a fatores ambientais desconhecidos 9–11,13,14. Dentro desta perspectiva, os neurologistas e pediatras devem estar cientes que o tratamento inicial com imunoglobulinas em crianças e adolescentes recém–diagnosticados com narcolepsia pode atrasar o avanço da doença e até mesmo limitar ou evitar a necessidade de tratamento crônico com anfetaminas, agentes promotores de vigília (modafinil) ou antidepressivos15.

Recentemente, foi proposto que a regulação negativa do gene Mx2 nas células brancas do sangue de pacientes narcolépticos e a expressão do gene NLC1–A em uma região específica do cromossomo 21 (21q22.3) são novos fatores genéticos relacionados com a narcolepsia16,17. No entanto, o gene DQB1*0602 continua sendo o melhor marcador de HLA para todos os grupos étnicos8,18.

Síndrome do avanço da fase do sono e síndrome do atraso da fase do sono

O sono é regulado por um processo homeostático que determina sua necessidade e por um processo circadiano que determina sua freqüência19. O ciclo vigília–sono é controlado pelo relógio circadiano, e o primeiro gene do relógio a ser isolado (Clock, per) foi identificado em uma mosca drosophila. Mais tarde, contrapartes homólogas foram encontradas em mamíferos20.

Recentemente, dois genes envolvidos em distúrbios circadianos do sono foram descobertos 21. A síndrome do atraso de fase do sono (SAFS) é caracterizada pelo atraso do início do sono e pela demora para acordar (3–6 horas) em relação aos horários convencionais para as duas ações. Os pacientes típicos normalmente não adormecem antes das 2h da manhã e não acordam antes das 10–12h, apesar da arquitetura do sono poder ser considerada normal. Os pacientes normalmente relatam estarem mais alertas durante a noite do que durante a manhã. Quando o paciente é forçado a acordar mais cedo devido a compromissos escolares, o resultado pode ser a insuficiência crônica de sono e o excesso de sonolência diurna. Esta é uma das reclamações mais freqüentes na adolescência, associada também a problemas de desempenho escolar1,20. O atraso de fase de sono está associado ao polimorfismo em Per3. A síndrome do avanço de fase do sono é caracterizada por horários de início de sono e de acordar habitual e involuntariamente mais cedo do que a média da sociedade. Esta síndrome, menos comum do que a SAFS, geralmente ocorre na faixa etária pediátrica19 e é causada por uma mutação pontual em um gene do relógio biológico (Per2)21.

Insônia

A insônia é definida como a dificuldade iniciar e/ou manter o sono. A insônia infantil geralmente está relacionada com uma série de fatores externos e ambientais ou a hábitos que variam com a idade, da primeira infância à adolescência. Sua patofisiologia é completamente diferente na idade adulta e, portanto, a abordagem clínica do pediatra também deve ser22. Apesar dessa queixa estar associada freqüentemente a história familiar positiva, nenhum gene específico foi descoberto para a insônia.

Pesquisadores usaram modelos animais de privação do sono para identificar o gene Homer1a, cuja expressão reflete a susceptibilidade à perda de sono19. Pacientes adultos homozigóticos para o genótipo do gene clock estão mais predispostos à insônia inicial, média e terminal. Além disso, a insônia familiar fatal, uma doença letal que não ocorre na infância, foi relacionada com uma mutação pontual no gene da proteína priônica21.

Apnéia obstrutiva do sono

Em crianças, muitas reclamações e síndromes diferentes estão relacionadas com a apnéia do obstrutiva do sono 23. A presença de alterações sutis no sono, medidas pelo padrão alternante cíclico em crianças com apnéias obstrutivas, já foi relatada anteriormente24.

A etiologia da apnéia do obstrutiva do sono é multifatorial e consiste de uma associação entre fatores anatômicos e neuromusculares, além da predisposição genética. A obesidade relacionada com a apnéia do obstrutiva do sono atinge níveis de problema de saúde pública entre crianças, principalmente em países desenvolvidos 25.

Dados recentes indicam que a apnéia do obstrutiva do sono em adultos pode ser influenciada por fatores genéticos relativos à obesidade e distribuição de gordura corporal, controle muscular das vias respiratórias superiores, morfologia craniofacial (redução no tamanho mandibular e das vias respiratórias), controle respiratório e sono. Além disso, alguns polimorfismos genéticos foram identificados nesta população, mas ainda não se sabe se os genes candidatos reconhecidos são diretamente causais para o fenótipo ou não25–28. Estudos com roedores sugerem que a deficiência de monoaminoxidase A associada a aumentos na apnéia do sono e excesso de serotonina podem contribuir para este fenótipo29.

Um estudo recente publicou a hipótese que a apnéia do obstrutiva do sono pediátrica levaria a uma alteração na expressão genética em leucócitos circulantes. Os resultados mostram que o RNA derivado de leucócitos periféricos confirma a presença de expressão alterada de agrupamentos genéticos funcionalmente relevantes na apnéia do obstrutiva do sono pediátrica30.

Sabe–se que a gravidade da apnéia do obstrutiva do sono representa apenas aproximadamente 40% da variância em desempenho cognitivo, e que os determinantes genéticos da susceptibilidade individual podem contribuir para a morbidade. Recentemente, Gozal et al.31 demonstraram que o alelo apolipoproteína E (ApoE) epsilon4 estava presente em três de 199 crianças sem ASO, ao passo que naquelas com ASO, o mesmo alelo estava presente em 16 de 146 crianças (p < 0,0002), e que tais resultados também estavam correlacionados com os resultados de testes cognitivos. Os resultados sugerem que o alelo ApoE epsilon4 não está associado apenas a um risco maior de distúrbios respiratórios do sono, mas também a riscos maiores de disfunção neurocognitiva31. A apnéia do sono é uma doença complexa, e a identificação dos loci genéticos de susceptibilidade fortalecerão nossa capacidade de avaliar o risco29–33. A identificação dos genes relacionados com a patogênese desta síndrome pode levar ao desenvolvimento de agentes terapêuticos que modifiquem seu curso natural e previnam a morbidade cardiovascular e neurocognitiva em crianças28.

Síndrome de hipoventilação central congênita

A síndrome de hipoventilação central congênita é um raro distúrbio do controle respiratório caracterizado pela hipoventilação durante o sono, a não–responsividade a estimulantes respiratórios e a inconsciência da hipóxia com respiração básica adequada durante a vigília. O curso clínico varia, mas os sintomas podem ser reconhecidos, em alguns casos, desde os primeiros dias de vida (cianose, apnéia, falhas respiratórias súbitas durante o sono). A doença costumava ser conhecida como maldição de Ondina34. A síndrome pode ocorrer em combinação com outras manifestações clínicas , como a síndrome de Moebius. Mais recentemente, alguns pesquisadores relataram uma forte associação com a doença de Hirschprung e tumores de origem na crista neural35,36. Os primeiros casos desta associação foram informados por Haddad e colaboradores em 197837. O termo "neurocristopatia", que inclui este diagnóstico, foi proposto em 198038. Cerca de 50% dos pacientes com síndrome de hipoventilação central congênita apresentam doença de Hirschprung, e cerca de 20% desenvolvem tumores da crista neural.35. A doença resulta de uma mutação (expansão de repetições de polialanina) do gene homeobox (PHOX) 2B ou PHOX2B, que é crítico para o desenvolvimento da maioria dos transmissores do sistema nervoso autônomo, incluindo todos os derivativos da crista neural autônoma39. A penetração incompleta desta alteração gênica pode ocorrer em famílias; portanto, a intensidade dos sintomas pode variar. Indica–se a realização de uma avaliação genética em familiares de casos afetados para se estabelecer o risco reprodutivo e de desenvolvimento de hipoventilação alveolar40,41.

Síndrome da morte súbita do lactente

A síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) é definida como "a morte súbita de um lactente de menos de um ano de idade que continua inexplicada após uma investigação completa do caso, incluindo a realização de uma autópsia completa, análise da cena da morte e revisão do histórico clínico"42. Fatores de risco comportamentais foram identificados, e os mais prevalentes são o uso da posição prona, a exposição ao tabaco, camas macias e excesso de calor. Os irmãos de vítimas de SMSL correm risco maior de SMSL. No entanto, em casos familiares, distúrbios metabólicos ou genéticos como a síndrome do QT longo e erros inatos do metabolismo devem ser excluídos43–46.

Até o momento, não foi identificada nenhuma diferença genotípica que poderia ser ligada aos fenótipos clinicamente definidos. No entanto, diversos polimorfismos diferentes (canais de sódio e potássio, transportadores de serotonina, em genes envolvidos no desenvolvimento do sistema nervoso autônomo, tais como PHOX2a, RET, ECE1, TLX3 e EN1, e em citocina–interleucina 10 – IL10) foram relatados quando em comparações entre SMSL e controles46.

Síndrome das pernas inquietas

A SPI é um distúrbio do sono cujo diagnóstico muitas vezes é confundido com dores do crescimento na infância1. A SPI é caracterizada por uma ânsia irresistível e constante por mover as pernas, mesmo quando a pessoa está adormecendo, e por sensações desconfortáveis nos membros inferiores. A SPI é uma causa importante de interrupções do sono, e na maioria dos pacientes é possível detectar movimentos periódicos dos membros durante o sono47–50. No entanto, o papel do movimento periódico dos membros na produção de sonolência é controverso, e algumas publicações recentes sugerem que são apenas marcadores de despertares relacionados com esforços respiratórios51. A patogênese da SPI também já foi associada à deficiência de ferro. Em um estudo populacional realizado recentemente na Islândia, uma variante comum em um íntron de BTBD9 no cromossomo 6p21.2 foi observada como marcador de movimentos periódicos dos membros que ocorre em forte associação com níveis séricos reduzidos de ferritina52. Em um estudo alemão, foram observadas associações significativas entre a SPI e variantes intrônicas no gene homeobox MEIS1, BTBD9, MAP2K5 e o fator de transcrição LBXCOR1 nos cromossomos 2p, 6p e 15q, respectivamente. Como o gene MEIS1 está implicado no desenvolvimento dos membros, este achado levanta a possibilidade da SPI ser um distúrbio desenvolvimental53.

Parassônias

As parassônias pediátricas reúnem uma variedade de comportamentos e atividade motora alterados durante o sono. A American Academy of Sleep Medicine (Academia Americana de Medicina do Sono) define as parassônias como "eventos ou experiências físicas indesejáveis que ocorrem no início do sono, durante o sono ou ao despertar". Estes eventos incluem movimentos, comportamentos, emoções, percepções, sonhos e funcionamento do sistema nervoso autônomo anormais relativos ao sono1.

Nesta revisão, consideramos apenas aquelas parassônias infantis para as quais existe uma possível base genética.

Sonambulismo, despertar confusional e terror noturno

O sonambulismo, o despertar confusional e o terror noturno são parassônias que ocorrem durante o sono calmo (NREM) e freqüentemente compartilham de um histórico familiar positivo1,21. Nenhum modo de transmissão genético foi identificado até o momento, mas a alta concordância entre gêmeos homozigóticos e uma associação com o alelo HLA (DQB1*0501) na forma familiar foram identificadas54. Também já foi relatada uma predisposição genética comum (DQB1*05) entre sonambulismo e distúrbio de comportamento do sono REM55.

Enurese noturna

A enurese noturna é considerada um dos problemas do sono mais prevalentes e persistentes na infância. A enurese noturna é definida como dois ou mais episódios de incontinência urinária em um mês para crianças entre 5 e 6 anos de idade, e um ou mais episódios após os 6 anos de idade na ausência de distúrbios físicos como diabete, convulsões ou infecções do trato urinário1. O histórico familiar é a variável etiológica de apoio mais consistente. A enurese é transmitida mais freqüentemente na forma de herança autossômica dominante, com alta penetração (90%). Quatro loci genéticos foram identificados (8q, 12q, 12q, 22q11)56.

 

Conclusões

Apesar da maioria dos distúrbios do sono ainda não terem uma base molecular identificada, técnicas modernas são cada vez mais usadas para determinar a contribuição dos genes ao sono e aos seus distúrbios associados. A importância clínica destas descobertas pode estar relacionada com a melhoria de métodos diagnósticos, mas também como alvo para o desenvolvimento de medicações.

 

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Correspondência:
Magda Lahorgue Nunes
Serviço de Neurologia, Hospital São Lucas da PUCRS
Av. Ipiranga, 6690, sala 220
CEP 90610–000 – Porto Alegre, RS
Tel.: (51) 3339.4936
Email: nunes@pucrs.br

 

 

Apoio financeiro: O primeiro autor recebe apoio do CNPq (processo nº 300742 –2007).
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.

 

 

Como citar este artigo: Nunes ML, Bruni O. The genetics of sleep disorders in childhood and adolescence. J Pediatr (Rio J). 2008;84(4 Suppl):S27–32.