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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.85 no.6 Porto Alegre Nov./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.2223/JPED.1958 

ARTIGO ORIGINAL

 

Impacto da separação sobre a qualidade de vida de crianças em idade escolar

 

 

Alfredo EymannI; Julio BusanicheI; Julián LleraII; Carmen De CuntoIII; Carlos WahrenIV

IMD. General Pediatrics, Professor of Pediatrics, Department of Pediatrics, Hospital Italiano de Buenos Aires (HIBA), Buenos Aires, BA, Argentina
IIMD. Head, General Pediatrics, Professor of Pediatrics, Department of Pediatrics, HIBA, Buenos Aires, BA, Argentina
IIIMD. Head, Pediatric Rheumatology Section, Department of Pediatrics, HIBA, Buenos Aires, BA, Argentina
IVMD. Chairman, Department of Pediatrics, Professor of Pediatrics, HIBA, Buenos Aires, BA, Argentina

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a qualidade de vida psicossocial em filhos de pais separados em idade escolar.
MÉTODOS: Conduziu-se um estudo transversal no ambulatório pediátrico de um hospital comunitário. Foram incluídas crianças de 5 a 12 anos de idade, de famílias intactas e de famílias separadas. A qualidade de vida das crianças foi avaliada através de relatórios maternos, utilizando-se o Child Health Questionnaire - Parent Form 50. Um modelo de regressão linear múltipla foi construído incluindo variáveis clinicamente relevantes significativas para a análise univariada (coeficiente beta e IC de 95%).
RESULTADOS: Trezentas e trinta famílias foram convidadas a participar e 313 preencheram o questionário. A análise univariada demonstrou que a qualidade de vida estava significativamente associada à separação parental, sexo da criança, tempo passado com o pai, padrão de vida e nível de instrução materno. Em um modelo de regressão linear múltipla, os escores de qualidade de vida se mostraram mais baixos em meninos -4,5 (-6,8 a -2,3) e mais altos para tempo passado com o pai 0,09 (0,01 a 0,2). Em famílias separadas, a regressão demonstrou que os escores de qualidade de vida foram maiores quando a separação dos pais ocorrera em acordo mútuo 6,1 (2,7 a 9,4), quando a mãe possuía nível universitário 5,9 (1,7 a 10,1) e para cada ano passado desde a separação 0,6 (0,2 a 1,1), enquanto os escores foram menores em meninos -5,4 (-9,5 a -1,3) e para cada incremento de um ano da idade materna -0,4 (-0,7 a -0,05).
CONCLUSÃO: A qualidade de vida psicossocial das crianças foi afetada pela separação. O Child Health Questionnaire pode ser útil para detectar um declínio na qualidade de vida psicossocial.

Palavras-chave: Argentina, crianças, estado de saúde, qualidade de vida relacionada ao estado de saúde, relações familiares, Child Health Questionnaire.


 

 

Introdução

A separação vem se tornando cada vez mais prevalente em nossa sociedade, afetando de maneira significativa todas as partes envolvidas, sobretudo as crianças1. Estudos nos EUA e na Europa estimaram que 30 a 50% das crianças sofrem com as consequências da separação1-3; e taxas semelhantes foram relatadas na Argentina4.

A separação dos pais é muitas vezes a primeira grande mudança na vida da criança. Esse evento perturbador altera drasticamente o futuro familiar, causando um senso de perda devido à ruptura das rotinas normais e à ausência do contato diário com ambos os pais5-7.

Foram relatados distúrbios desenvolvimentais e comportamentais, anteriores à separação e particularmente durante os primeiros anos após o evento8-10. Diversos estudos mostram que a separação parental afeta a saúde física e psicossocial da criança, embora os resultados sejam diferentes entre si de acordo com o delineamento do estudo e com os instrumentos utilizados na mensuração dos resultados8-16. Sabemos que a saúde psicossocial é um construto complexo, de natureza multidimensional, mas muitas vezes reduzida pelos pesquisadores a uma única estrutura para propósitos operacionais que são afetados por inúmeros fatores, como características dos pais, estilo de criação, valores comunitários, adaptabilidade da criança, etc.

Questionários genéricos de qualidade de vida relacionada à saúde são ferramentas válidas para medir tanto a saúde física quanto psicossocial em crianças17,18. Até onde se sabe, não há estudos publicados sobre a qualidade de vida psicossocial em crianças de pais separados.

O presente estudo tem como objetivo avaliar a qualidade de vida psicossocial em crianças de pais separados em idade escolar utilizando um questionário genérico de qualidade de vida relacionada à saúde.

 

Métodos

Um estudo transversal foi conduzido no Hospital Italiano, um hospital comunitário particular em Buenos Aires, Argentina. De agosto a novembro de 2002, mães de pacientes com idade entre 5 e 12 anos que compareceram ao ambulatório pediátrico foram convidadas a participar do estudo.

Realizou-se amostragem não-randomizada consecutiva de crianças de pais separados antes da consulta, o próximo paciente de pais não-separados pareado por idade foi selecionado como controle. As mães das crianças selecionadas para inclusão deram forneceram consentimento informado. Mães solteiras ou viúvas foram excluídas do estudo, assim como crianças que não estavam acompanhadas por suas mães e crianças com doenças crônicas ou condições agudas graves o suficiente para afetar o estudo. Crianças que compareceram ao ambulatório acompanhadas pelo pai também foram excluídas, uma vez que não é essa a prática usual. Nos casos em que a mãe comparecera ao ambulatório com mais de um filho elegível, o mais velho foi selecionado para o estudo.

Definimos família separada (FS) como pais que escolhem manter-se em residências separadas independentemente de seu estado civil e família intacta (FI) como pais que compartilham a residência com seus filhos independentemente de seu estado civil.

Utilizou-se o questionário genérico de qualidade de vida Child Health Questionnaire Parent Form 50 (CHQ-PF 50), criado em 1996 por Landgraf et al.19 em sua versão validada em espanhol da Argentina20. Trata-se de um questionário respondido por um dos pais, avaliando a saúde física e psicossocial da criança. É composto por 50 perguntas em 14 domínios (capacidade física, papel social da limitação das atividades diárias devido à capacidade física, avaliação global da saúde, dor corporal ou desconforto, impacto no tempo dos pais, impacto emocional na família, papel social da limitação das atividades diárias devido a aspectos emocionais e comportamentais, autoestima, saúde mental, avaliação global do comportamento, atividade familiar, coesão familiar, mudança no estado de saúde) e dois escores sumários (saúde física e saúde psicossocial) em escala de 0 a 100 com os escores mais altos indicando melhor qualidade de vida.

Foram adotadas as seguintes variáveis de ajuste: cobertura do plano de saúde, sexo da criança, presença de irmãos, idade e nível de instrução maternos, tempo passado com o pai medido em horas por semana durante período de alerta e declínio do padrão de vida econômico no último ano, evidenciado por mudança de escola, casa ou interrupção de atividades anteriores devido à perda de renda.

Para controlar fatores de confusão conhecidos em famílias separadas, foram desenvolvidas quatro perguntas adicionais: tempo transcorrido desde a separação, novo parceiro da mãe, termos ou condições da separação legal (litígio ou acordo mútuo) e tipo de guarda da criança (detida pela mãe, pelo pai, ou guarda conjunta).

O tamanho da amostra foi calculado para detectar uma diferença clinicamente relevante de cinco pontos no escore sumário psicossocial, supondo alfa = 0,05 e poder de 80% para teste t de Student bicaudal em 150 sujeitos por grupo.

A normalidade foi avaliada utilizando gráficos e o teste de Shapiro-Wilk. Variáveis contínuas foram comparadas utilizando-se o teste t de Student para dados distribuídos normalmente e o teste de Wilcoxon para dados distribuídos não-normalmente. Variáveis categóricas foram avaliadas através do teste do qui-quadrado. Um modelo de regressão linear múltipla foi construído incluindo variáveis clinicamente relevantes significativas para a análise univariada. Os pressupostos de regressão múltipla (independência, normalidade, multicolinearidade, homocedasticidade) foram testados e modelos de regressão linear múltipla foram aplicados quando os pressupostos não foram observados.

A análise estatística foi realizada através do software Stata 8.0 (Stata Corporation, Texas, EUA).

O estudo foi aprovado pelo corpo de revisão institucional.

 

Resultados

Um total de 330 mães foram convidadas a participar do estudo, dentre as quais 17 negaram-se a responder o questionário ou o fizeram de maneira incompleta. Trezentos e treze levantamentos foram obtidos para análise: 160 de FI e 153 de FS.

As características demográficas e socioeconômicas são resumidas na Tabela 1. O tempo passado com o pai foi significativamente menor (15,1 versus 42,2 h/semana, p = 0,0001) e o padrão de vida geral mostrou diferença significativa (37,7 versus 10%, p < 0,00001) em FS em relação às FI.

A média de escores sumários e domínios do CHQ-PF 50 comparando famílias intactas e separadas é mostrada na Tabela 2. Escores de domínio de impacto no tempo dos pais, capacidade emocional e comportamental social, autoestima, saúde mental e comportamento foram significativamente menores em FS. O escore sumário psicossocial foi significativamente mais alto nas FI do que nas FS (52 versus 46,6, p < 0,00001) ao passo que não foram encontradas diferenças no escore sumário físico entre os dois grupos (Tabela 2).

A análise univariada mostrou diferença significativa nos escores sumários para as seguintes variáveis: separação parental (p < 0,0001), sexo (p < 0,0001), tempo passado com o pai (p < 0,0001), declínio no padrão de vida (p < 0,0001) e nível de instrução universitário materno (p = 0,008) (Tabela 3).


Na análise multivariada, os escores de qualidade de vida melhoraram em média 0,1 ponto [intervalo de confiança de 95% (IC95%) 0,01 a 0,2] para cada hora semanal passada com o pai e piorou em média 4,5 pontos (IC95% 2,3 a 6,7) em meninos, após ajuste de outras variáveis. Apesar de ter havido uma associação significativa para separação parental na análise univariada, na análise multivariada essa associação não foi significativa após a introdução da variável tempo passado com o pai no modelo (Tabela 3). O comportamento dessa variável foi revisado tanto em FI quanto em FS, e foi encontrada uma associação significativa em FI mas não em FS (coeficiente beta 0,26, p = 0,002 versus coeficiente beta 0,13, p = 0,1); portanto o tempo passado com o pai agiu como um modificador de efeito.

Na análise do grupo FS, 88% havia se separado há mais de 2 anos, em 92,2% dos casos a mãe era detentora legal da guarda, a separação ocorrera por acordo mútuo em 68,8% dos casos e 23,6% das mães estavam vivendo com um novo parceiro.

No grupo FS, a análise univariada mostrou diferença significativa nos escores de qualidade de vida psicossocial para as seguintes variáveis: separação por acordo mútuo (p = 0,003), sexo da criança (p = 0,001), nível de instrução universitário materno (p = 0,002), idade materna (p = 0,02), e tempo transcorrido desde a separação (p = 0,03). Na análise multivariada, os escores de qualidade de vida psicossocial aumentaram em média 6 pontos (IC95% 2,7 a 9,4) para separação por acordo mútuo, 5,9 pontos (IC95% 1,6 a 10,1) para nível de instrução universitário materno, 0,6 pontos (IC95% 0,1 a 1,1) para cada ano transcorrido desde a separação, enquanto os escores diminuíram 5,4 pontos (IC95% -9,5 a -1,3) em meninos e 0,4 pontos (IC95% -0,7 a -0,05) para cada incremento de 1 ano de idade materna, após ajuste das demais variáveis (Tabela 4).

 

Discussão

Os resultados do presente estudo mostram que a separação afeta a qualidade de vida das crianças. Os escores do CHQ-PF 50 foram mais baixos em crianças de FS em relação aos de crianças de FI para vários domínios, como impacto no tempo dos pais, papel social da limitação das atividades diárias devido a aspectos emocionais e comportamentais, autoestima, saúde mental, comportamento e por fim no escore sumário psicossocial que integra todas essas variáveis  Tais resultados são consistentes com os relatados em uma pesquisa de qualidade de vida conduzida em um grupo de crianças austríacas do ensino fundamental21.

Até onde se sabe este é o primeiro estudo a utilizar um questionário de qualidade de vida para determinar o impacto da separação parental sobre as crianças.

Conforme mostrado nos resultados, os meninos tiveram qualidade de vida psicossocial inferior às meninas, um achado que talvez seja explicável pelos efeitos do contato pai-filho menos frequente em traços de identidade específicos do gênero. Outros autores também relataram um maior impacto da separação parental em meninos, sobretudo no que tange ao comportamento geral, habilidades desenvolvimentais e realização acadêmica13-15,16,22.

É sabido que mães separadas, que em geral são detentoras da guarda legal dos filhos, geralmente sofrem grande declínio em seu padrão de vida; os relatos de Felder-Puig et al.21, Norton & Glick23 e Duncan et al.24 descreveram claramente as consequências econômicas desfavoráveis da separação sobre o bem-estar das crianças. Os resultados do presente estudo, em particular, devem ser interpretados à luz da crise político-econômica presente na Argentina por ocasião da pesquisa.

Existe considerável controvérsia acerca da forma como um novo casamento materno afeta as crianças que são forçadas a se readaptarem a novas normas e dinâmicas familiares. No entanto, uma vez que a separação parental muitas vezes envolve uma queda na renda familiar, um novo parceiro poderia de fato oferecer suporte financeiro adicional. Além disso, o novo casal pode desenvolver uma relação conjugal melhorada, reduzindo assim o fardo emocional perturbador sobre as crianças e transformando o padrasto em um modelo de conduta positivo. No presente estudo o novo casamento por parte da mãe não parecem impactar os escores de qualidade de vida. Com efeito, muitos estudos concluíram que crianças de famílias intactas e crianças em famílias com o padrasto saem-se igualmente bem16,25,26. Por outro lado, outros investigadores sugerem que um novo casamento é um fator de risco para distúrbios de comportamento em crianças27.

Neste estudo, a presença do pai teve impacto positivo sobre a qualidade de vida da criança em FI, mas não em FS. Deve-se exercer cautela na interpretação desse resultado e estudos qualitativos mais aprofundados serão necessários para melhor estabelecer sua significância.

A variável tempo passado com o pai foi diferente entre os dois grupos: 42,4 versus 15,1 h/semana em FI e FS, respectivamente. Tal achado é consistente com a situação de guarda legal da amostra, na qual 92% dos casos eram de guarda detida pela mãe e somente 8% de guarda compartilhada. Nenhum pai tinha guarda exclusiva de seu filho. Essa distribuição coincide com práticas locais culturais e legais segundo as quais a criação dos filhos recai sobre as mães.

Healey et al. relataram que após a separação 50% das crianças não tinham mais contato com o pai e poucas haviam passado a noite na casa do pai no último mês28. De um outro ponto de vista, Martin-Lebrun et al. sugeriram melhores resultados no teste de Coopersmith quando as crianças viam regularmente o pai22.

Embora a presença de um irmão tenha sido relatada como fator de proteção, tal efeito não foi observado em nosso estudo29. A razão disso pode ter sido o fato de que somente o filho mais velho foi incluído, e este tende a assumir papeis compensatórios na dinâmica familiar. A idade da criança também não teve impacto sobre os escores de qualidade de vida.

A separação por acordo mútuo, nível de instrução universitário ou superior materno e maior tempo transcorrido desde a separação aumentaram os escores de qualidade de vida psicossocial, enquanto estes escores diminuíram para meninos e para cada incremento de 1 ano na idade materna.

A porcentagem de pais cuja separação não se deu por acordo ou consenso mútuo é similar à de outros estudos que descrevem repetidos confrontos hostis acerca da guarda dos filhos ou de questões financeiras durante um período de pelo menos 2 anos após a separação30.

Um maior nível de instrução materno tem efeito positivo sobre a qualidade de vida psicossocial, o que pode ser explicado como consequência das habilidades desenvolvidas ao longo dos anos, permitindo melhor controle da crise conjugal e maior concordância em questões de confronto.

A melhoria da qualidade de vida è medida em que o tempo transcorre após a separação pode ser interpretada como um processo de aceitação da modificação familiar.

A separação parental é provavelmente um dos grandes eventos que afetam a vida da criança, causando ruptura da família como modelo de conduta e da vida futura em comum. Lidar com a crise de maneira construtiva, no entanto, pode ajudar a promover o desenvolvimento psicológico da criança. Isso dependerá principalmente dos pais, de suas capacidades de resolução de conflitos e controle da raiva e da perda, bem como de sua consciência dos sentimentos da criança para se mostrarem mais compreensivos e oferecer maior apoio.

Este estudo possui certas limitações. Em primeiro lugar, o instrumento utilizado para medir a o resultado de qualidade de vida não incluiu auto-relato das crianças envolvidas ou informações acerca do ponto de vista parental. Em segundo lugar, uma diferença de cinco pontos no escore de qualidade de vida psicossocial pode representar um fator limitante para distinguir pacientes individualmente. Em terceiro lugar, a amostra foi obtida por estratégia de conveniência, o que poderia implicar em um viés potencial. Por fim, algumas das questões podem ser interpretadas de maneira mais eficiente utilizando estudos qualitativos.

Ainda assim, acreditamos que este estudo oferece informações originais e valiosas para melhor compreender e apoiar famílias que sofrem com as consequências psicossociais da separação.

Concluindo, a qualidade de vida psicossocial das crianças foi afetada pela separação.

A qualidade de vida psicossocial mostrou melhora nos casos em que a separação dos pais ocorreu por acordo mútuo, a mãe possuía nível de instrução universitário, e quando mais tempo havia transcorrido desde a separação. O escore foi pior em meninos e em filhos de mães de idade mais avançada.

Este estudo mostra que o CHQ-PF 50 pode ser um instrumento útil e sensível para detectar um declínio na qualidade de vida psicossocial em crianças de pais separados em idade escolar.

 

Agradecimentos

Gostaríamos de agradecer ao Departamento de Epidemiologia Clínica por sua ajuda na análise estatística dos dados e ao Dr. Gustavo Izbizky por sua leitura crítica do manuscrito.

 

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Correspondência:
Alfredo Eymann
Crisólogo Larralde 3543 (code 1430), Buenos Aires, BA - Argentina
Tel.: +54 (11) 3566.8001; +54 (11) 4541.7381
Fax: +54 (11) 4959.0200 int. 8484
E-mail: alfredo.eymann@hospitalitaliano.org.ar

 

 

Artigo submetido em 21.06.09, aceito em 19.10.09
Este trabalho foi realizado no Servicio de Clínica Pediátrica, Department of Pediatrics, Hospital Italiano de Buenos Aires (HIBA), Buenos Aires, BA, Argentina.
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.
Como citar este artigo: Eymann A, Busaniche J, Llera J, De Cunto C, Wahren C. Impact of divorce on the quality of life in school-age children. J Pediatr (Rio J). 2009;85(6):547-552.