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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.86 no.6 Porto Alegre Nov./Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572010000600009 

ARTIGO ORIGINAL

 

Aptidão física associada às medidas antropométricas de escolares do ensino fundamental

 

 

Viviane AndreasiI; Edilaine MichelinII; Ana Elisa M. RinaldiIII; Roberto Carlos BuriniIV

IProfissional de Educação Física. Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Centro de Metabolismo em Exercício Físico e Nutrição (CeMENutri), Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP
IIProfissional de Educação Física. Doutoranda, Saúde Coletiva, CeMENutri, Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina, UNESP, Botucatu, SP
IIIMestre, Nutrição Humana Aplicada. Nutricionista. Professora assistente, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia, SP
IVProfessor titular, CeMENutri, Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina, UNESP, Botucatu, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar a associação da aptidão física relacionada à saúde com os indicadores demográficos e antropométricos de crianças de três escolas do município de Botucatu (SP).
MÉTODOS: A amostra deste estudo transversal foi de 988 escolares do ensino fundamental, do 2º ao 9º ano (faixa etária de 7 a 15 anos). As avaliações realizadas foram antropométricas (peso, estatura, circunferência abdominal e dobras cutâneas tricipital e subescapular) e de aptidão física relacionada à saúde (flexibilidade: teste de sentar e alcançar; força/resistência abdominal: teste abdominal em 1 minuto; e resistência aeróbia: teste de correr/andar por 9 minutos). Para a análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva, teste t de Student, qui-quadrado ou exato de Fisher e regressão logística com nível de significância de 5%.
RESULTADOS: As aptidões físicas estudadas foram significativamente influenciadas por idade (todas), sexo (força/resistência abdominal), obesidade (todas), adiposidade corpórea (flexibilidade, força/resistência abdominal) e adiposidade abdominal (força/resistência abdominal e resistência aeróbia). O sexo feminino mostrou-se mais propenso à inaptidão de força/resistência abdominal, enquanto que a obesidade e a hiperadiposidade abdominal predispõem os escolares à inaptidão de força/resistência abdominal e resistência aeróbia. O excesso de adiposidade corpórea aumentou as chances de ocorrência da flexibilidade do tronco fraca.
CONCLUSÕES: As inaptidões físicas foram relacionadas ao sexo feminino, à obesidade e à hiperadiposidade abdominal. Programas de mudança do estilo de vida nas escolas, voltados à aptidão física e à adequação alimentar, preencheriam os objetivos de promoção da eutrofia e da maior aptidão física desses escolares

Palavras-chave: Criança, adolescente, estado nutricional, saúde escolar.


 

 

Introdução

Aptidão física relacionada à saúde refere-se ao estado de características físicas e fisiológicas que definem os riscos para desenvolvimento prematuro de doenças ou morbidade, apresentando associação a estilo de vida sedentário1, ou ainda àqueles componentes da aptidão física afetados pela atividade habitual e relacionados às condições de saúde2.

A adequação dos componentes da aptidão física relacionados à saúde (aptidão cardiorrespiratória, força/resistência muscular, flexibilidade e composição corporal) mostra-se importante para redução de doenças crônicas e para melhor desempenho; por essa razão, a aptidão física resultante de atividade física regular é benéfica para crianças3.

O desenvolvimento de trabalhos que avaliam a aptidão física de crianças está em ascensão devido à grande preocupação com os efeitos deletérios da inaptidão na infância e a sua influência na vida adulta4. Além disso, baixos níveis de aptidão física poderiam ser utilizados como estratégia diagnóstica de transtornos metabólicos5.

Embora consensual quanto à importância epidemiológica, a aptidão física de crianças brasileiras é pouco investigada, e os estudos limitam-se a amostras regionais.

Dentre esses achados, encontra-se grande percentual de inaptidão em ambos os sexos quando se trata de algumas aptidões relacionadas à saúde. Tanto meninos quanto meninas mostram-se inaptos, principalmente para força/resistência abdominal e resistência aeróbia; quando analisada a associação com sexo, os meninos são mais aptos para esses componentes4,6.

Já para flexibilidade, as meninas normalmente são mais aptas que o sexo oposto; mais uma vez, sexo figura como variável de associação com esse componente4,7.

Ambos os sexos apresentam variações significativas nas aptidões de resistência abdominal e aeróbia, aparecendo, no sexo masculino, a partir dos 10 aos 14 anos, e no feminino, a partir dos 12 aos 14 anos8. Esses dados sugerem que faixa etária também pode ser considerada preditor de aptidão física.

Outras associações estão sendo avaliadas, buscando determinar possíveis indicadores de inaptidão, dentre eles medidas antropométricas. Estudos apontam significativa correlação negativa do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência abdominal (CA) com os componentes força/resistência abdominal e resistência aeróbia4,9,10, além da adiposidade corporal com aptidão cardiorrespiratória11,12.

Considerando-se a avaliação da aptidão física e antropométrica como passo inicial para a intervenção com mudança do estilo de vida, este trabalho teve como objetivo analisar a associação da aptidão física relacionada à saúde com os indicadores demográficos e antropométricos de crianças de três escolas do município de Botucatu (SP).

 

Métodos

Em estudo do tipo transversal realizado em 2007, foram avaliados 988 escolares (522 meninos e 466 meninas) regularmente matriculados no ensino fundamental (2º ao 9º ano), com idade entre 7 e 15 anos, provenientes de três escolas com sistemas administrativos distintos (pública municipal, filantrópica e privada) do município de Botucatu (SP). Adotou-se, como critério de exclusão, a presença de limitações médicas e/ou motoras incapacitantes para a realização dos testes físicos e a recusa em participar do estudo.

A coleta de dados foi realizada por profissionais de educação física e nutricionistas treinados, pertencentes à equipe multiprofissional do Centro de Metabolismo em Exercício e Nutrição (CeMENutri), vinculado ao Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu.

Para a avaliação dos componentes da aptidão física relacionados à saúde, foi utilizado o Manual de Aplicação de Medidas e Testes, Normas e Critérios de Avaliação2, e os alunos foram classificados segundo sexo e idade. As categorias muito fraco e fraco foram agrupadas, recebendo a designação de "fraco"; já as categorias bom, muito bom e excelente foram unidas e categorizadas como "bom". Os componentes avaliados foram: flexibilidade (teste de sentar e alcançar), força/resistência abdominal (teste de exercício abdominal em 1 minuto) e resistência aeróbia (teste de correr/andar em 9 minutos, com o auxílio do computador de pulso GPS Garmin Forerunner® 305, Garmin International, EUA).

A avaliação antropométrica foi composta por medidas de peso corporal, estatura, CA e dobras cutâneas tricipital e subescapular, seguindo as normas propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)13. Peso corporal foi aferido em balança antropométrica tipo plataforma (Filizola®, Filizola S.A., Brasil), e estatura foi determinada com estadiômetro portátil (Seca®, Hamburgo, Alemanha), considerando como valor final a média aritmética de três medidas consecutivas, estando os escolares sem sapatos e com roupas leves. Posteriormente, foi calculado o IMC utilizando os gráficos de IMC para idade e sexo propostos pelo National Center for Health Statistics14. O diagnóstico de sobrepeso foi estabelecido quando o IMC apresentou valores iguais ou superiores ao 85º e inferiores ao 95º percentil, e o diagnóstico de obesidade foi estabelecido quando o IMC apresentou valores iguais ou superiores ao 95º percentil. Esses pontos de corte são propostos pela OMS13. Todos os percentis e escores z foram calculados no programa computacional Epi-Info® (Centers for Disease Control and Prevention, EUA) versão 3.2 (2004).

A CA foi aferida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca utilizando-se fita milimétrica inextensiva e inelástica (Sanny®, American Medical do Brasil, Brasil), estando a criança em pé, após expiração completa. Os valores de referência são disponibilizados em percentil segundo sexo e idade, conforme proposto por McCarthy et al.15, considerando alterados os valores acima do 90º percentil.

As dobras cutâneas tricipital (DCT) e subescapular (DCSE) foram mensuradas três vezes com adipômetro (Lange®, Beta Technology Incorporated, Cambridge, EUA), no lado direito, considerando como resultado final a média aritmética das medidas (DCT obtida no ponto médio do comprimento do braço direito entre o acrômio e o olécrano, e DCSE obtida dois dedos abaixo da parte inferior da escápula direita). A adiposidade corporal foi estimada pela equação e pelos valores de referência propostos por Lohman16,17, baseados no somatório das duas dobras, específicos para cada sexo, sendo as meninas > 25% e os meninos > 20% classificados como moderadamente elevados.

Foi realizada análise descritiva para cálculo das frequências e porcentagens das variáveis categorizadas (sexo, IMC, CA, percentual de gordura, flexibilidade, força/resistência abdominal e resistência aeróbia), média e desvio padrão para as variáveis quantitativas (idade, peso, estatura, IMC, CA, percentual de gordura, flexibilidade, força/resistência abdominal e resistência aeróbia) e distribuição percentilar para flexibilidade, força/resistência abdominal e resistência aeróbia para ambos os sexos.

Para as variáveis quantitativas, foi realizada a comparação de médias entre sexos utilizando-se o teste t de Student (distribuição simétrica) ou teste análogo (distribuição assimétrica).

Nas classificações propostas para flexibilidade, força/resistência abdominal e resistência aeróbia, foram verificadas as associações com sexo, IMC, CA e percentual de gordura corporal por meio do teste qui-quadrado ou exato de Fisher. Posteriormente, foram ajustados modelos de regressão logística de chances proporcionais para dados ordinais considerando-se as variáveis observadas ajustadas para idade.

Em todos os testes, o nível de significância adotado foi de 5% ou p correspondente. As análises foram realizadas utilizando o programa SAS para Windows (SAS, EUA) versão 9.1.3.

Os responsáveis pelas escolas e pelos escolares, assim como crianças com idade maior que 11 anos, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, elaborado de acordo com a Resolução nº 196/96 sobre pesquisas envolvendo seres humanos do Conselho de Saúde do Ministério da Saúde, como pré-requisito para iniciarem os protocolos de avaliação. O estudo recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu em 06/07/09, sob protocolo OF.287/2009-CEP.

 

Resultados

Na amostra estudada (n = 988) predominou o sexo masculino (52,9%), e a média de idade foi de 9,7±2,4 anos (Tabela 1).

A classificação pelo IMC mostrou predominância de eutróficos (63,8%). O excesso de peso foi de 32,8% (15,9% sobrepeso e 16,9% obesidade), e apenas 3,4% de baixo peso foi observado. A CA alterada foi diagnosticada em 42,5%, e o excesso de adiposidade corpórea, em 45,4% dos avaliados. Dentre os indicadores antropométricos, apenas o percentual de gordura corporal diferiu entre os sexos, sendo superior nas meninas quando comparadas com os meninos (Tabela 1).

De acordo com a classificação de referência, a maior prevalência de crianças com desempenho insatisfatório (fraco) foi para a força/resistência abdominal (52,9%), seguido da resistência aeróbia (42,4%) e flexibilidade (28,4%). Esses valores superestimam o 25º percentil da distribuição amostral (Tabela 2) em 30,2, 17,4 e 5,9%, respectivamente. Por outro lado, observou-se boa aptidão para flexibilidade, força/resistência abdominal e resistência aeróbia em, respectivamente, 37,7, 20,4 e 10% das crianças avaliadas.

Os meninos apresentaram maior força/resistência abdominal e resistência aeróbia do que as meninas. Estas, por sua vez, mostraram maior flexibilidade de tronco no teste de sentar e alcançar (Tabela 1).

Na Tabela 3, são apresentados os resultados das associações dos testes de flexibilidade, força/resistência abdominal e resistência aeróbia com indicadores demográficos e antropométricos. A Tabela 4 mostra os modelos de regressão logística de chances proporcionais ajustados para idade.

A flexibilidade dos escolares associou-se apenas com percentual de gordura (p = 0,018). Tal interação ocorreu com as crianças que apresentaram percentual de gordura excessivo, as quais mostraram 55% mais chances de ser inaptas para esse componente quando comparadas àquelas com percentual de gordura normal. Também foi possível observar que escolares com sobrepeso/obesidade apresentaram aproximadamente 1,8 vezes mais chances de ter boa flexibilidade quando comparados aos eutróficos.

A força/resistência abdominal mostrou associação com sexo, IMC, CA e percentual de gordura. Meninas, crianças obesas e com CA acima da adequada apresentaram, respectivamente, 45, 57 e 41% mais chances de serem classificadas como ruins para esse componente quando comparadas com meninos, crianças eutróficas e com CA adequada. Escolares com percentual de gordura moderadamente excessivo também apresentaram aproximadamente 1,6 vezes mais chances de ter boa força/resistência abdominal.

A resistência aeróbia também apresentou interação com todos os indicadores avaliados. Escolares com sobrepeso/obesidade e com CA acima da adequada apresentaram, respectivamente, 52, 68 e 56% mais chances de inaptidão para resistência aeróbia quando comparados aos eutróficos e aos com CA adequada. Somente a associação com percentual de gordura não foi confirmada pelo modelo de regressão adotado.

Assim, as aptidões físicas estudadas foram significativamente influenciadas por idade (todas), sexo (força/resistência abdominal), obesidade (todas), adiposidade corpórea (flexibilidade, força/resistência abdominal) e adiposidade abdominal (força/resistência abdominal e resistência aeróbia).

O sexo feminino mostrou-se mais propenso à inaptidão de força/resistência abdominal, enquanto que a obesidade e hiperadiposidade abdominal predispõem os escolares à inaptidão de força/resistência abdominal e resistência aeróbia. O excesso de adiposidade corpórea aumentou as chances de ocorrência da flexibilidade do tronco fraca.

 

Discussão

Investigações na literatura que caracterizem a aptidão física relacionada à saúde de crianças brasileiras são escassas, principalmente quando se trata da Região Sudeste do país. A avaliação do comportamento de componentes da aptidão física em crianças e adolescentes pode propiciar informações úteis para a adoção de políticas públicas que favoreçam a melhor qualidade de vida e o estado geral de saúde dessa população, tanto hoje como no futuro.

Este estudo objetivou investigar a aptidão física relacionada à saúde de escolares pertencentes a três redes de ensino distintas em seus aspectos administrativos, alimentação intraescola e atividade física programada e verificar sua associação com indicadores demográficos e antropométricos.

Dentre os componentes da aptidão física avaliados, a flexibilidade apresentou maior homogeneidade em suas classificações. Já para força/resistência abdominal e resistência aeróbia, os alunos mostraram-se mais inaptos, condição que pode ter como causa o baixo nível de atividade física, uma vez que a prática regular de atividades físicas sistematizadas pode contribuir para a melhoria de diversos componentes da aptidão física relacionada à saúde7,18.

Embora as meninas tenham se mostrado mais flexíveis do que os meninos – achados esses que corroboram outros estudos realizados com crianças e adolescentes4,7 –, na presente amostra, o sexo não influenciou a flexibilidade. Esse resultado difere do observado em alunos do ensino fundamental do município de Rio Grande (RS), no qual sexo apresentou-se como a variável de maior associação com flexibilidade4. A diferença de resultados pode ser reflexo de características peculiares das duas amostras.

Ao contrário, força/resistência abdominal e resistência aeróbia foram maiores para os meninos, resultado semelhante ao encontrado em escolares de Rio Grande (RS) e de Jequié (BA). Ambas as aptidões apontaram interação com sexo, concordando com o observado em alunos do ensino fundamental4,6.

Além disso, o presente estudo aponta o sexo feminino como mais propenso a ter aptidão de força/resistência abdominal prejudicada. Uma vez que baixos níveis de atividade física podem comprometer a aptidão7,18 e que o sedentarismo está mais associado às meninas19, isso poderia justificar nossos achados. Todavia, nível de atividade física não foi avaliado no presente trabalho, impossibilitando, assim, a confirmação de tal hipótese.

Quanto à associação da aptidão física com indicadores antropométricos, observou-se interação da flexibilidade com IMC e percentual de gordura corporal e da força/resistência abdominal e resistência aeróbia com todos os indicadores analisados (IMC, CA e percentual de gordura corporal).

Estudos apontam significativa correlação negativa do IMC e da CA com os componentes força/resistência abdominal e resistência aeróbia4,9,10, resultados esses consistentes com o presente estudo, uma vez que os escolares obesos e com hiperadiposidade abdominal mostraram-se mais suscetíveis a fraca aptidão nos dois componentes, enquanto os escolares com sobrepeso apresentaram tendência a resultados mais fracos na resistência aeróbia.

Embora o IMC, isoladamente, apresente baixa sensibilidade para o diagnóstico de excesso de gordura corporal em crianças e adolescentes13, e embora essa mesma gordura pudesse prejudicar o desempenho nos testes de aptidão, tal indicador mostrou-se sensível na detecção da mesma e ainda foi endossado pelos resultados obtidos para CA, tanto para força/resistência abdominal quanto para resistência aeróbia.

A aptidão cardiorrespiratória tem mostrado forte associação com adiposidade total, mais do que outros componentes da aptidão11,12,20,21; porém, no presente estudo, foram os escolares com percentual de gordura moderadamente excessivo que se apresentaram mais suscetíveis à boa força/resistência abdominal, contrariando, assim, os resultados obtidos com IMC e CA.

Sugere-se que essa controvérsia se dê em razão do método indireto utilizado para avaliação da gordura corporal no presente estudo e do não uso de um instrumento padrão-ouro como o dual energy X-ray absorptiometry (DEXA), o que representa uma limitação.

Outras limitações a serem consideradas referem-se à seleção da amostra de conveniência, uma vez que as avaliações foram realizadas em apenas três escolas do município, o que não é representativo da cidade. Como consequência, os resultados não podem ser extrapolados aos escolares do ensino fundamental de Botucatu e tampouco aos escolares de outras localidades. Além disso, os pais e alunos (maiores de 11 anos) incluídos assinaram termo de consentimento para participação no estudo, e aqueles que se recusaram a fazê-lo poderiam ser os menos aptos fisicamente.

Em conclusão, as inaptidões físicas foram relacionadas ao sexo feminino, à obesidade e à hiperadiposidade abdominal. Diante de tais resultados, sugere-se a necessidade de intervenção com programas de promoção da saúde voltados à mudança de estilo de vida nas escolas, enfatizando o trabalho, o aprimoramento e o desenvolvimento dos componentes de aptidão física e a reeducação alimentar para prevenir o surgimento e o desenvolvimento de disfunções de caráter hipocinético.

 

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Correspondência:
Viviane Andreasi
Rua Curuzu, 625 – Centro
CEP 18600-060 – Botucatu, SP
Tel.: (14) 3815.1220, (14) 3811.6128, (14) 9775.1680
E-mail: viviandreasi@hotmail.com

Artigo submetido em 05.07.10, aceito em 14.09.10.

 

 

Apoio financeiro: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Técnico e Científico (CNPq), Brasil.
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.
Como citar este artigo: Andreasi V, Michelin E, Rinaldi AE, Burini RC. Physical fitness and associations with anthropometric measurements in 7 to 15-year-old school children. J Pediatr (Rio J). 2010;86(6):497-502.