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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.87 no.3 Porto Alegre May/June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572011000300008 

ARTIGO ORIGINAL

 

Estudo multicêntrico da época do diagnóstico de fendas orais

 

 

Lívia G. Amstalden-MendesI; Ana Carolina XavierII; Denise K. AntunesIII; Ana Carolina R. G. FerreiraIV; Rita TonocchiV; Agnes C. Fett-ConteVI; Raquel N. SilvaVII; Vera H. V. LeiriãoVIII; Lázara P. C. CaramoriIX; Luiz A. MagnaX; Vera Lúcia Gil-da-Silva-Lopes XI

IFonoaudióloga. Doutoranda, Faculdade de Ciências Médicas (FCM), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP
IIFonoaudióloga, Centrinho Prefeito Luiz Gomes, Joinville, SC
IIIMestre. Fonoaudióloga, Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI), Fortaleza, CE
IVFonoaudióloga, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), Maceió, AL
VMestre. Fonoaudióloga, Centro de Atendimento Integral ao Fissurado (CAIF), Associação de Reabilitação e Promoção Social ao Fissurado Labiopalatal (AFISSUR), Curitiba, PR
VIDoutora. Geneticista, Hospital de Base, Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (FUNFARME), São José do Rio Preto, SP
VIIFonoaudióloga, Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), Fortaleza, CE
VIIIDoutora. Fonoaudióloga, Hospital de Reabilitação em Anomalia Craniofacial (HRAC), Bauru, SP
IXDoutora. Geneticista, Centro Universitário Filadélfia (UNIFIL), Londrina, PR
XProfessor titular, Departamento de Genética, FCM, UNICAMP, Campinas, SP
XIProfessor associado, Departamento de Genética Médica, FCM, UNICAMP, Campinas, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Determinar a época do diagnóstico de fendas orofaciais típicas em diferentes regiões brasileiras e sua influência na idade da correção cirúrgica.
MÉTODO: Estudo prospectivo, descritivo e transversal realizado em centros médicos do Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil. Fonoaudiólogos e geneticistas treinados realizaram entrevista, previamente validada, com pais de crianças afetadas. Utilizaram-se os programas Epi-Info e SPSS. Adotou-se nível de significância de 5% (p < 0,05).
RESULTADOS: A amostra contou com 215 entrevistas para análise: 21,9% (47) aplicadas no Sudeste, 51,1% (110) no Sul e 27% (58) no Nordeste. A renda mensal no Sudeste foi maior (p < 0,05). A fenda labiopalatal foi encontrada em 61,4% (132) dos casos, a palatal, em 20,9% (45), e a labial, em 17,7% (38). Em 75,3% (162) dos casos, o diagnóstico ocorreu na maternidade, em 14% (30), no pré-natal e, em 10,2% (22), após a alta da maternidade. O Sudeste apresentou maior frequência de diagnóstico pré-natal (27,7%), possivelmente relacionada ao maior poder aquisitivo e a oportunidades de investigação. Dos diagnósticos em maternidades, 74,4% ocorreram no Nordeste. Entretanto, não houve diferença na comparação entre época de diagnóstico, região e idade da primeira cirurgia.
CONCLUSÃO: Considerando que o diagnóstico é mais frequente em maternidades, sugere-se o treinamento das equipes de saúde desses locais, visando efetiva coordenação do atendimento inicial. Apesar da época do diagnóstico não influenciar a idade das cirurgias, ela favorece o planejamento dos cuidados neonatais e terapêuticos dos afetados.

Palavras-chave: Fenda labial, fenda palatal, diagnóstico, saúde pública.


 

 

Introdução

As fendas de lábio e/ou palato, também chamadas de fendas orofaciais típicas (FOT), são os defeitos congênitos craniofaciais mais frequentes e sua formação ocorre no período embrionário1,2. As FOT ocorrem em um a cada 600 recém-nascidos3,4 e manifestam-se isoladamente ou associadas a outros defeitos congênitos5. Existem cerca de 300 síndromes das quais FOT é uma das suas características6-8.

O diagnóstico precoce das FOT permite a investigação de outros defeitos e permite evitar e/ou minimizar complicações9-12. As complicações mais comuns são as alimentares, como sucção insuficiente, presença de leite na cavidade nasal, aspirações e ingestão de pouca quantidade de alimentos, o que prejudica o estado nutricional e resulta em baixo ganho ponderal13,14.

A abordagem neonatal é complexa e o envolvimento da equipe de saúde desde o momento do diagnóstico auxiliará os pais a compreender as implicações do defeito congênito, o potencial de correção estética e funcional, bem como a tomar medidas que minimizem as comorbidades15-17. O manejo pediátrico pós-natal imediato demanda decisões críticas, como quanto à forma de alimentação e higienização da criança, a investigação de anomalias associadas e o encaminhamento para avaliação genético-clínica e para correção cirúrgica em centros de referência16,18,19.

O presente estudo teve como objetivo identificar a época do diagnóstico realizado em diferentes regiões do Brasil.

 

Método

Estudo prospectivo, descritivo e transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (nº 438/2002). Pais ou responsáveis por crianças com FOT, de 0 a 12 anos, foram convidados para participar em oito serviços. Destes, cinco eram especializados no atendimento (três na Região Sul, um na Nordeste e um na Sudeste) e três eram não especializados (dois no Nordeste e um no Sudeste). Consideraram-se centros especializados aqueles com atendimento multiprofissional voltado para FOT, mesmo com constituição de equipe variável.

As informações foram coletadas por meio de roteiro de entrevista validado, complementado por depoimentos espontâneos. As entrevistas foram gravadas; um único pesquisador ouviu todas as gravações e tabulou os dados.

A análise dos dados utilizou os programas Epi-Info (versão 6.04d, Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, EUA), SPSS versão 16.0 (SPSS Inc., Chicago, EUA), e o teste qui-quadrado e comparação de médias por análise da variância (ANOVA). Adotou-se um nível de significância de 5% (p < 0,05).

 

Resultados

De 230 roteiros de entrevistas recebidos para análise, 15 foram excluídos. A amostra contou com 215 (100%) entrevistas válidas: 51,1% (110) do Sul, 27% (58) do Nordeste e 21,9% (47) do Sudeste. Não houve centros participantes nas Regiões Norte e Centro-Oeste. Centros especializados contribuíram com 86,51% (186) e centros não especializados, com 13,49% (29) entrevistas.

Com relação ao gênero dos afetados, 62,8% (135) eram do gênero masculino e 37,2% (80) do feminino. A média de idade dos afetados no momento da entrevista foi de 4 anos, e 75% tinham até 8 anos.

De acordo com o relato das famílias, investigaram-se anomalias associadas em 89,3% (192) dos casos. Em 85,42% (164), a fenda era isolada e, em 14,58% (28), estava associada às outras anomalias. No Nordeste, o diagnóstico ainda não havia sido definido em 10,7% (23).

Quanto ao tipo de fenda, 61,4% (132) apresentavam fenda labiopalatal (FLP), 20,9% (45), fenda palatal (FP), e 17,7% (38), fenda labial (FL). Houve diferença significativa na frequência do tipo de fenda por região (p = 0,040). A FLP foi mais frequente no Nordeste, Sul e Sudeste, respectivamente (Tabela 1). No Nordeste, houve menor proporção de FL em relação ao Sudeste e ao Sul, com distribuição semelhante.

Quanto à época do diagnóstico, em 75,3% (162) dos casos, a fenda foi diagnosticada após o nascimento, ainda na maternidade; em 14% (30), no exame pré-natal; e em 10,2% (22), após a alta da maternidade.

A análise dos dados demonstrou diferença significativa entre a época do diagnóstico e o tipo de fenda (p < 0,0001) (Tabela 2).

O diagnóstico da FL foi realizado predominantemente no exame pré-natal, e o da FP, na maternidade e após a alta hospitalar (p = 0,007). Entre casos detectados na maternidade e após a alta, neste último período, o diagnóstico foi quase que exclusivamente de FP (p < 0,0001).

Quanto à condição socioeconômica, na Região Sudeste, a renda mensal média dos familiares foi de 3,72 salários mínimos, na Região Sul, foi de 2,22 e, na Região Nordeste, 1,57. Os participantes entrevistados na Região Sudeste apresentaram renda maior, tanto em relação aos da Região Nordeste quanto em relação àqueles da Região Sul (p < 0,001). Embora a Região Nordeste tenha apresentado tendência a ter menor renda que a Região Sul, não se atingiu o valor da significância estatística (p = 0,080).

Ao se verificar a influência da renda mensal das famílias na época do diagnóstico, a renda mensal média dos casos de diagnóstico pré-natal foi significativamente maior do que a dos casos em que o diagnóstico deu-se na maternidade ou após a alta (p < 0,0001). Entretanto, entre os casos de diagnóstico pós-natal, não houve diferença se o mesmo deu-se na maternidade ou após esta (p = 0,6223).

O profissional que informou à família sobre a presença da fenda oral foi o médico em 81,9% (176) dos casos, o enfermeiro, em 8,8% (19), familiares e amigos, em 4,7% (10), e outros profissionais, em 4,2% (9). Em 0,5% (1) dos casos, não foi obtida essa informação.

No que se refere à época do diagnóstico em cada região, o diagnóstico de FOT na maternidade ocorreu em 81,8% (90) dos casos da Região Sul, em 74,4% (43) da Região Nordeste e em 61,7% (29) da Região Sudeste (Tabela 3). Ao se relacionar a época do diagnóstico com as regiões, houve diferença significativa (p = 0,005). O diagnóstico pré-natal foi significativamente mais realizado na Região Sudeste, e na maternidade, no Nordeste (p = 0,007). Não houve diferença significante (p = 0,094) ao se relacionar o diagnóstico na maternidade e após a alta hospitalar entre as diferentes regiões.

Quanto às cirurgias, a cirurgia de lábio foi realizada em 87,65% (149) dos 170 sujeitos que possuíam esse tipo de fenda (38 com FL e 132 com FLP). Metade dos casos diagnosticados durante o pré-natal, na maternidade e no pós-natal operaram, em média, aos 4,5, 6 e 9 meses de vida, respectivamente. Essa diferença na idade da cirurgia labial entre os grupos das diferentes épocas de diagnóstico não foi significativa (p = 0,185).

A cirurgia de palato foi realizada em 69,5% (123) dos 177 casos que possuíam fenda desse tipo (45 com FP e 132 com FLP). Metade dos casos diagnosticados durante o pré-natal, na maternidade e no pós-natal operaram, em média, aos 14, 19 e 16 meses respectivamente. Não houve diferença significativa na idade da cirurgia palatal entre os grupos das diferentes épocas de diagnóstico (p = 0,937).

Do total das 312 fendas que poderiam ser corrigidas nos indivíduos que, segundo os familiares, tinham a idade mínima para operarem (162 entre FL e FLP, e 150 entre FP e FLP), 51,11% (160) delas não foram corrigidas no tempo previsto. Os motivos foram: outras doenças (predominantemente otites e pneumonias) em 22,5% (36) dos casos, problemas no atendimento (demora no agendamento, falta de vaga) em 20,62% (33), anemia em 18,12% (29) e baixo ganho de peso em 18,12% (29). Não há protocolo único para realização das cirurgias. Assim, o atraso cirúrgico foi considerado a partir da informação da família, de acordo com o planejamento cirúrgico de cada serviço.

 

Discussão

Trata-se do primeiro estudo realizado de maneira multicêntrica pelo Projeto Crânio-Face Brasil, que tem como objetivo contribuir para a melhoria da assistência aos indivíduos com anomalias craniofaciais. Neste estudo, participaram serviços das Regiões Sudeste, Sul e Nordeste. No Norte e Centro-Oeste, apesar dos contatos, não houve interessados. Coincidentemente, são as regiões em que menos existe suporte especializado19.

Houve predomínio de FLP nas três regiões, dado coincidente com Mossey & Little3. O mesmo foi verificado por Loffredo et al.20 e por Nunes et al.21, além de a FLP ocorrer em maior proporção no gênero masculino3, semelhante ao verificado neste estudo.

As fendas isoladas predominaram, e 14,58% dos casos apresentaram-na associada a outras anomalias. Esse resultado é concordante com Cohen et al.7 e Mossey & Little3, que revelaram uma média de 15% de fendas sindrômicas. Estudo brasileiro em São José dos Campos (SP), Região Sudeste, constatou 9,1% de fendas sindrômicas22.

Na Região Nordeste, houve 23 casos sem diagnóstico definido. A dificuldade de acesso ao médico geneticista já foi documentada por estudo anterior do Projeto Crânio-Face Brasil19. Esse serviço recebe a demanda do estado do Ceará, possui um médico geneticista e não tem acesso direto a exames laboratoriais em genética, fatores que retardam o diagnóstico. Além disso, a avaliação dismorfológica é evolutiva e pode necessitar investigação de outros órgãos e sistemas e de seguimento neuropsicomotor antes de conclusão diagnóstica11,18.

O diagnóstico da FOT na maternidade foi realizado em 75,3% dos casos. Resultado semelhante foi apresentado por Di Ninno et al.23, que verificaram 80% de diagnóstico pós-natal em amostra de Belo Horizonte (MG), Região Sudeste.

Apenas 17,64% dos indivíduos com FL e FLP foram reconhecidos no período pré-natal, e 10,2% dos afetados, principalmente com FP, tiveram diagnóstico após a alta da maternidade. Assim, reforça-se a necessidade de atenção para diagnóstico ultrassonográfico no exame pré-natal, especialmente para FL e FLP, e pediátrico, durante o primeiro exame do recém-nascido17.

A verificação das estruturas bucais é fundamental, especialmente pelas dificuldades alimentares apresentadas pelo indivíduo com FOT. Elas determinam intervenções imediatas, como método adequado de alimentação e orientações de postura e de higienização oral, garantindo a nutrição adequada e o ganho de peso13.

O diagnóstico pré-natal na minoria da amostra é semelhante ao encontrado por Di Ninno et al.23. Jones24 considera que esse diagnóstico pode causar problemas emocionais aos pais. Di Ninno et al.23 e Johnson & Sandy25 concluíram que o diagnóstico pré-natal é benéfico e que as famílias preferem ser informadas. Esse diagnóstico permite aconselhamento dos pais e planejamento cirúrgico, alimentar e terapêutico pós-natal efetivos26.

Bunduki et al.11 afirmam que, após o diagnóstico confirmado pelo ultrassom, os pais devem ser encaminhados para seguimento específico em centros de referência. Para Chitty & Griffin16, achados de anormalidades estruturais ou cromossômicas determinarão prognóstico e indicação de investigação cromossômica e ecocardiograma fetal.

A FL é a diagnosticada mais facilmente pelo exame de ultrassom, sendo a FP verificada com maior frequência após o nascimento por meio do exame clínico do recém-nascido9,10,12. No presente estudo, esses achados confirmaram-se, havendo significância entre o tipo de fenda e a época de diagnóstico.

Apesar de o diagnóstico na maternidade ocorrer em maior proporção nas três regiões, o diagnóstico pré-natal foi mais frequente no Sudeste. A renda mensal média das famílias que tiveram diagnóstico pré-natal é significativamente maior do que daquelas em que o diagnóstico deu-se na maternidade ou após a alta. Sugere-se, então, que a melhor renda da Região Sudeste possibilitou maior acesso ao acompanhamento pré-natal e ao exame de ultrassom.

Neste estudo, o médico foi o principal informante da presença da fenda, seguido pelo enfermeiro. Di Ninno et al.27 concluíram que o nível de conhecimento dos profissionais da área de saúde sobre FOT é pequeno. Como consequência, os pais ficam com dúvidas ao deixarem as maternidades. Esses aspectos também consideraram deficitários por Schardosim et al.28, que sugeriram empenho dos profissionais no acolhimento e no oferecimento das orientações. A comunicação do diagnóstico por familiares, amigos e outros profissionais em 19 casos desta amostra reflete o despreparo das equipes de saúde para abordar um defeito congênito prevalente e de grande morbidade. Além de esclarecimento técnico pela equipe de saúde, o suporte emocional aos familiares seria muito importante18.

O atraso cirúrgico nesta amostra foi ocasionado, em sua maioria, por fatores relacionados à saúde do afetado (anemia, doenças e baixo ganho de peso), além de falha no atendimento (demora, falta de vaga). Amstalden-Mendes et al.13 apresentaram resultados semelhantes, sendo o baixo ganho ponderal o principal fator de atraso cirúrgico em sua amostra, confirmando que a atenção ao estado nutricional é fundamental para a correção cirúrgica na época adequada. Outros aspectos importantes na conduta ao sujeito com FOT incluem a indicação correta de métodos alimentares, atendimento por equipe especializada e encaminhamento dos portadores aos centros de referências13,19.

De fato, estudo brasileiro com recém-nascidos normais detectou que medidas de prevenção minimizariam a interrupção do aleitamento exclusivo no 1º mês de vida30. Essas medidas, acrescidas de seguimento longitudinal até o estabelecimento da técnica de alimentação e outros recursos necessários às peculiaridades de cada lactente com FOT, permitiriam ganho de peso apropriado.

A época em que os afetados fizeram as cirurgias corretivas não dependeu do diagnóstico precoce da FOT. Embora fundamental, a correção cirúrgica não é o único tratamento. O diagnóstico precoce permite o contato da família com especialistas, favorece o conhecimento de diferentes técnicas de alimentação, evitando o desmame nos casos possíveis, facilita o planejamento terapêutico global e atendimento neonatal focado nas peculiaridades desse defeito congênito.

Apesar da necessidade de estrutura de alta complexidade para tratamento reabilitador, os atendimentos de puericultura e intercorrências mórbidas cabem aos serviços de atenção primária e secundária13, o que justifica treinamento de pessoal e organização da rede pública para a melhoria da atenção a esse grupo significativo de defeitos congênitos.

O diagnóstico da fenda ocorre com mais frequência nas maternidades em diferentes regiões do país, portanto, cabe à equipe de saúde hospitalar coordenar o atendimento inicial, o que contribuiria para os futuros cuidados de saúde. Considerando a prevalência e morbidade das FOT, sugere-se capacitação multiprofissional para manejo dos afetados como parte das políticas de atenção à saúde, iniciando-se por maternidades.

 

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Correspondência:
Vera Lúcia Gil da Silva Lopes
Departamento de Genética Médica, FCM, UNICAMP
Rua Tessália Vieira de Camargo, 126
CEP 13083-887 - Campinas, SP
Tel.: (19) 3521.8909
Fax: (19) 3521.8909
E-mail: vlopes@fcm.unicamp.br

Artigo submetido em 21.10.10, aceito em 23.12.10.

 

 

Apoio financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.
Como citar este artigo: Amstalden-Mendes LG, Xavier AC, Antunes DK, Ferreira AC, Tonocchi R, Fett-Conte AC, et al. Time of diagnosis of oral clefts: a multicenter study. J Pediatr (Rio J). 2011;87(3):225-230.