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Papéis Avulsos de Zoologia

Print version ISSN 0031-1049On-line version ISSN 1807-0205

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.45 no.10 São Paulo  2005

https://doi.org/10.1590/S0031-10492005001000001 

Contribuição aos Hemilophini da Costa Rica (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae)

 

 

Maria Helena M. GalileoI, III; Ubirajara R. MartinsII, III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo, SP, Brasil
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

Descrição de novos táxons: Apagomerella dissimilis sp. nov. (Guanacaste), Tyrinthia patula sp. nov., (San José), Fredlanea hovorei sp. nov., (Puntarenas e Guanacaste), Piruanycha pitilla sp. nov., (Guanacaste), Adesmus hipposiderus sp. nov., (Puntarenas), Costemilophus gen. nov., espécie-tipo, C. aurantius sp. nov., (Puntarenas), Hemilocrinitus gen. nov., espécie-tipo, H. barbatus (Puntarenas e Cartago).

Palavras-chave: Cerambycidae, Costa Rica, Hemilophini, Taxonomia.


ABSTRACT

Contribution to the Hemilophini of Costa Rica (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae). New taxa described: Apagomerella dissimilis sp. nov. from Guanacaste, Tyrinthia patula sp. nov., from San José, Fredlanea hovorei sp. nov., from Puntarenas and Guanacaste, Piruanycha pitilla sp. nov., from Guanacaste, Adesmus hipposiderus sp. nov., from Puntarenas, Costemilophus gen. nov., type species, C. aurantius sp. nov., from Puntarenas, Hemilocrinitus gen. nov., type species, H. barbatus from Puntarenas and Cartago.

Keywords: Cerambycidae, Costa Rica, Hemilophini, Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

A fauna cerambicidológica da Costa Rica foi descrita principalmente por Bates (1879-1885). Melzer (1931, 1932, 1933) baseou descrições de espécies novas, também procedentes da Costa Rica, em material da Coleção Nevermann, hoje pertencente ao National Museum of Natural History, Washington, mas conservou duplicatas para sua coleção particular, atualmente incorporada ao Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo (MZSP). Autores mais recentes restringiram-se à publicação de novos táxons, por exemplo, Chemsak (1972), Giesbert (1987) e Hovore (1987).

Nesta contribuição descrevemos novos táxons costarriquenses da tribo Hemilophini baseados, principalmente, em material do Instituto Nacional de Biodiversidade, Santo Domingo de Heredia (INBio), que nos foi enviado por Frank T. Hovore (Santa Clarita, California, FTHC). Os exemplares também pertencem à Florida State Collection of Arthropods, Gainesville (FSCA).

Apagomerella dissimilis sp. nov. (Fig. 4)

 



 

Etimologia. Latim, dissimilis = diferente.

Cabeça com tegumento avermelhado coberto por densa pubescência amarelada, menos em pequena área no occipício. Lobos oculares superiores mais próximos entre si do que a largura de um lobo. Antenas, nos machos, atingem o ápice dos élitros aproximadamente na ponta do antenômero VIII e, nas fêmeas, alcançam a ponta dos élitros. Escapo preto, cilíndrico, ultrapassa a margem anterior do protórax; pedicelo preto; antenômero III preto com anel basal amarelado; antenômeros IV e V amarelados com o ápice preto; demais antenômeros, pretos com a base amarelada. Franja de pêlos no lado interno do antenômero III esparsa e com pêlos mais longos que a largura do artículo. Protórax mais largo que longo, com os lados arredondados; estrangulamento junto à margem anterior ligeiramente menor que o da base. Pronoto com tegumento avermelhado longitudinalmente no centro e largamente recoberto por pubescência amarelada nos lados. Partes laterais do protórax revestidas por pubescência amarelada. Élitros avermelhados com os frisos sutural e marginal cobertos por pubescência amarelada, densa; restante da superfície revestida por pubescência amarelada mais esparsa. Extremidades elitrais arredondadas em conjunto. Esternos mesotorácicos com pubescência branca, densa; demais partes da face ventral com pubescência amarelada, mais esparsa. Fêmures alaranjados. Protíbias alaranjadas, enegrecidas na metade apical da face anterior. Mesotíbias amareladas e pretas no lado posterior da metade apical. Metatíbias amareladas com o quarto apical da metade posterior preto. Tarsos com o terceiro artículo preto e os demais amarelados e enegrecidos no ápice.

Dimensões em mm, macho/fêmea, respectivamente. Comprimento total, 8,6-9,0/11,0; comprimento do protórax, 1,5-1,6/1,8; maior largura do protórax, 1,8-1,9/2,6; comprimento do élitro, 6,0-6,3/7,9; largura umeral, 2,0-2,1/2,9; comprimento dos segmentos antenais do macho maior: escapo, 1,2; antenômero III, 1,6; antenômero IV, 1,6.

Material-tipo. Holótipo macho, Costa Rica, Guanacaste: Agua Buena (Parque Nacional Guanacaste, 220 m), VI.1992, III Curso de Parataxonomia col., L-N 334800, 364100 (INBio). Parátipos: macho e duas fêmeas, com os mesmos dados do holótipo (macho com antenas quebradas, FHTC; fêmea sem o élitro esquerdo, INBio; fêmea, MZSP).

Discussão. Alguns caracteres de Apagomerella dissimilis diferem daqueles da espécie-tipo A. versicolor (Boheman, 1859): lobos oculares superiores mais próximos entre si do que largura de um lobo; protórax com as constrições anterior e basal praticamente da mesma largura. Em A. versicolor, os lobos oculares superiores estão separados por distância igual ao quinto da largura de um lobo e o protórax é mais constrito na base do que no ápice. Além disso, o colorido de A. dissimilis é completamente diverso daquele de A. versicolor.

Tyrinthia patula sp. nov. (Fig. 1)

Etimologia. Latim, patulus = largo, alusivo à forma do corpo.

Cabeça alaranjada com mancha preta nos tubérculos anteníferos que se prolonga pela borda interna dos lobos oculares superiores. Antenas apenas ultrapassam o ápice dos élitros. Escapo preto. Pedicelo branco. Antenômero III preto, com pequena região apical branca. Antenômero IV preto nos dois terços basais e branco no terço apical. Antenômeros V, VI e VII brancos. Antenômeros VIII-XI pretos. Franja de pêlos longos e densos nos antenômeros III e IV. Pronoto laranja-avermelhado com mancha basal, transversal, preta e semi-elíptica. Partes laterais do protórax e prosterno pretos. Escutelo preto. Élitros pretos, aplanados e gradualmente expandidos para o ápice. Carena elitral muito saliente, prolongada até o terço apical. Extremidades elitrais arredondadas. Procoxas acastanhadas, profêmures amarelados e protarsos pretos. Mesocoxas acastanhadas com bases amareladas; mesotrocanteres amarelados, mesofêmures pretos com mancha amarelada dorsal no terço apical; mesotíbias e mesotarsos pretos. Metatrocanteres amarelados e o restante das pernas posteriores pretos. Urosternito V amarelado.

Dimensões em mm, macho. Comprimento total, 10,2; comprimento do protórax, 1,5; maior largura do protórax, 1,9; comprimento do élitro, 0,8; largura umeral, 2,6.

Material-tipo. Holótipo macho, COSTA RICA, San José: Pérez Zeledón (Estación Santa Elena, 1650 m), 21-29.VII.1999, J. Rodríguez col., L S 373000 507500 # 57318 (INBio).

Discussão. Tyrinthia patula sp. nov. assemelha-se a T. photurina Bates, 1885, mas difere pelo vértice inteiramente alaranjado; pelo antenômero VII branco; pelo pronoto sem áreas de pubescência branca nos lados; pela carena dos élitros preta e pelo último urosternito amarelado. Em T. photurina o vértice é preto, o antenômero VII é preto, o pronoto tem grandes áreas de pubescência branca nos lados, a carena dos élitros é amarelada e o último urosternito é parcialmente amarelado.

Fredlanea hovorei sp. nov. (Fig. 6)

Etimologia. Epíteto em homenagem a Frank T. Hovore a quem devemos a remessa de vultoso material costarriquenho para estudo.

Colorido geral laranja-avermelhado recoberto por pubescência alaranjada. Escapo e pedicelo pretos; flagelômeros acastanhados na face dorsal e mais amarelados na face ventral. Metade apical das tíbias e tarsos pretos. Região centro-posterior do metasterno com área preta. Urosternito I preto nos lados e na orla posterior e alaranjados no centro; urosternito II preto com áreas alaranjadas; urosternitos III-V amarelados.

Escapo curvo e estreito na base; lado interno do antenômero III com pêlos esparsos.

Protórax mais largo do que longo, mais estreito na base do que na região anterior. Metade basal dos lados do pronoto com faixa larga de pubescência amarelada. Carena elitral manifesta, prolongada até próximo à extremidade. Ápice dos élitros emarginados com espinhos nos ângulos sutural e marginal.

Dimensões em mm, holótipo macho. Comprimento total, 9,1; comprimento do protórax, 1,5; maior largura do protórax, 1,9; comprimento do élitro, 7,0; largura umeral, 2,3.

Material-tipo. Holótipo macho, COSTA RICA, Puntarenas: Z.P. Arenal-Monteverde (Estación Biológica Monteverde, 1600 m), 30.IX-8.X.1999, J. Rodríguez col., L N 255900 447900 # 55352 (INBio). Parátipo macho, Guanacaste: Monteverde, 8-9.V.1989, D.B. Thomas col. (FSCA).

O parátipo é um macho mal-formado e difere do holótipo pela face ventral inteiramente alaranjada.

Discussão. Fredlanea hovorei difere de todas as espécies com élitros laranja-avermelhados [por exemplo, F. flavipennis (Lane, 1966), F. aequatoria (Bates, 1881), F. maculata Martins & Galileo, 1996] pelo protórax e fêmures laranja-avermelhado. Em todas essas espécies o protórax e os fêmures são pretos.

Piruanycha pitilla sp. nov. (Fig. 5)

Etimologia. Epíteto alusivo a localidade tipo.

Fronte com tegumento avermelhado, revestida por pilosidade esbranquiçada. Vértice com tegumento castanho-avermelhado. Áreas malares cobertas por pubescência amarelada. Lobos superiores dos olhos tão afastados entre si quanto a largura de um lobo e separados dos lobos inferiores por única fileira de omatídios. Lobos oculares inferiores tão longos quanto às genas. Escapo cilíndrico, ultrapassa a margem anterior do protórax, com a face dorsal castanho-escura e a face ventral amarelada. Pedicelo com a metade basal amarelada e a apical preta. Antenômero III com o terço basal preto e os dois terços apicais amarelados; pêlos internos esparsos e mais longos que a largura do artículo. Antenômero IV amarelado. (Antenas quebradas no ápice do antenômero IV). Protórax mais largo do que longo, com gibosidade lateral discreta. Pronoto com tegumento castanho-escuro ao longo do meio e grandes áreas laterais recobertas por pubescência branca. Esternos torácicos castanho-avermelhados. Lados do metasterno com pubescência semelhante à dos élitros. Tegumento elitral castanho-avermelhado, gradualmente mais escuro para os ápices; friso sutural revestido por pilosidade amarelada; pilosidade do dorso da metade apical com brilho azul-violáceo, bem visível conforme a incidência da luz. Duas carenas elitrais, a externa mais manifesta na parte apical. Extremidades elitrais truncadas com espículo externo. Pró- e mesofêmures amarelados com estreito anel apical preto. Metafêmures amarelados. Pró- e mesotíbias pretas; metatíbias amareladas. Artículo I e lobos do artículo III dos protarsos acastanhados nos ápices. Artículos II e V dos protarsos, meso- e metatarsos amarelados. Urosternitos amarelo-esbranquiçados, com pubescência amarelada nos lados.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 9,0; comprimento do protórax, 1,8; maior largura do protórax, 2,1; comprimento do élitro, 6,5; largura umeral, 2,5; escapo, 1,3; antenômero III, 2,2; antenômero IV, 1,7.

Material-tipo. Holótipo fêmea, COSTA RICA, Guanacaste: Santa Cecilia (9 km S Estación Pitilla, 700 m), X.1993, C. Moraga col., L N 330200 380200 # 2392 (INBio).

Discussão. O gênero Piruanycha estava constituído por duas espécies: P. itaiuba Martins & Galileo, 1997 e P. ocoa Martins & Galileo, 1997, respectivamente do Brasil (Goiás e Mato Grosso) e da Colômbia (Cundinamarca).

Piruanyca pitilla sp. nov. assemelha-se mais a P. ocoa e difere pelo antenômero III amarelado com o terço basal preto; pelo antenômero IV amarelado; pela pubescência dos élitros esbranquiçada com reflexos azul-violáceos e pelos urosternitos amarelo-esbranquiçados, com pubescência amarelada nos lados. Em P. ocoa, o antenômero III é acastanhado com anel basal avermelhado; o antenômero IV é avermelhado e escurecido no lado externo; a pubescência elitral é esbranquiçada e sem reflexos de brilho metálico e os urosternitos III e IV são revestidos por densa pilosidade amarelada.

Adesmus hipposiderus sp. nov. (Fig. 2)

Etimologia. Grego, hipposiderus = ferradura; alusivo ao desenho da pubescência branca do pronoto.

Tegumento corporal avermelhado. Pernas amareladas. Metade superior da fronte e das genas e área ao redor dos olhos revestidas por pubescência branca. Vértice com pubescência amarelada menos na margem posterior dos lobos oculares superiores. Antenas atingem o ápice dos élitros no meio do antenômero VI. Escapo cilíndrico, enegrecido no lado externo. Pronoto com uma faixa de pubescência branca, compacta, larga, em forma de ferradura (Fig._). Uma faixa longitudinal recoberta por pubescência mais esparsa na metade dorsal das partes laterais do protórax. Escutelo revestido por pubescência branca. Cada élitro com seis manchas de pubescência branca compacta: (1) pequena, na base, entre o úmero e o escutelo; (2) dorsal, oblíqua em sentido descendente da margem para a sutura com a qual se funde, no terço anterior; (3) dorsal, oblíqua que não toca a sutura nem a carena, com entalhe na orla anterior e situada atrás do meio; (4) no quarto apical, oblíqua em sentido descendente da margem para a sutura com a qual se funde; (5) longitudinal, abaixo do úmero; (6) pequena mancha na epipleura entre as segunda e terceira manchas dorsais. Perímetro das manchas dorsais com pubescência ferrugínea; restante da superfície elitral revestida por pubescência branco-amarelada. Face ventral revestida por pubescência branca, compacta.

Dimensões em mm, holótipo macho. Comprimento total, 9,7; comprimento do protórax, 2,4; largura anterior do protórax, 2,5; largura da constrição basal do protórax, 2,2; comprimento do élitro, 6,8; largura umeral, 3,2.

Material-tipo. Holótipo macho, COSTA RICA, Puntarenas: Rancho Quemado (Península de Osa, 200 m), 2-21.I.1994, A.H. Gutiérrez col., 292500 511000 # 2570 (INBio).

Discussão. Adesmus hipposiderus sp. nov. separa-se de todas as espécies de Adesmus com colorido corporal avermelhado e manchas de pubescência branca compacta no pronoto e nos élitros pela faixa pronotal em forma de ferradura.

Costemilophus gen. nov.

Espécie-tipo, Costemilophus aurantius sp. nov.

Fronte dos machos sem projeções. Tubérculos anteníferos não elevados, muito distantes. Lobos oculares superiores apenas mais distantes entre si do que a largura de um lobo. Antenas com onze artículos, nos machos mais longas que o corpo. Escapo cilíndrico com 1/3 do comprimento do antenômero III. Antenômeros basais sem franja interna compacta de pêlos longos. Antenômero III 1/3 mais longo do que o IV.

Protórax apenas mais largo na base do que no ápice, praticamente sem gibosidade lateral. Pronoto sem tubérculos. Élitros longos, com duas carenas dorsais, carena umeral (quase atinge o ápice) e carena epipleural bem marcada na metade apical; metade apical dos élitros não expandida lateralmente. Extremidades elitrais arredondadas. Metade posterior do metasterno com sulco longitudinal profundo. Pernas curtas; ápices dos metafêmures atingem a base do urosternito II. Trocanteres normais.

Discussão. Costemilophus gen. nov. difere de todos os gêneros com duas carenas (umeral e epipleural) por apresentar duas costas no dorso de cada élitro. Em todos os outros gêneros com duas carenas não existem costas no dorso dos élitros. Essas costas aparecem também no gênero Arixiuna Martins & Galileo, 1992, mas Costemilophus difere por apresentar escapo, antenômero III e antenômero IV sem franja densa de pêlos longos no lado interno. Em Arixiuna a parte apical-interna do escapo e os antenômeros III e IV têm franja densa de pêlos. Além disso, o aspecto geral de Costemilophus aurantius sp. nov. é muito mais esbelto sem comparado com do das espécies de Arixiuna.

Costemilophus aurantius sp. nov. (Fig. 7)

Etimologia. Latim, aurantius = laranja, alusivo à faixa pronotal.

Tegumento preto em todo corpo, menos no protórax que apresenta faixa alaranjada, larga, com lados convergentes para a base e faixa longitudinal, alaranjada, nas partes laterais do protórax e mais estreita na base. Cabeça e partes pretas do pronoto revestidas por pilosidade preta. Élitros com aspecto mais brilhante; pontuação no dorso organizada em fileiras longitudinais entre as costas.

Dimensões em mm, holótipo macho. Comprimento total, 9,0; comprimento do protórax, 1,5; maior largura do protórax, 1,7; comprimento do élitro, 6,9; largura umeral, 2,3.

Material-tipo. Holótipo macho, COSTA RICA, Puntarenas: El Guarco (San Isidro, Estación Esperanza, 2700 m), 24.I.2001, R. González col., L N 550117 185285 # 61546 (INBio).

Hemilocrinitus gen. nov.

Etimologia. Latim, crinitus = com cabelos longos, alusivo à franja dos antenômeros.

Espécie-tipo, Hemilocrinitus barbatus sp. nov.

Fronte dos machos sem projeções. Tubérculos anteníferos projetados e próximos. Lobos oculares superiores mais distantes entre si do que a largura de um lobo. Antenas com onze artículos. Escapo cilíndrico tão longo quanto o antenômero III. Antenômeros III e IV com franja interna de pêlos longos. Antenômero III com comprimento subigual ao do escapo e apenas mais longo do que o IV. Protórax tronco-cônico, com gibosidade lateral muito discreta. Pronoto sem tubérculos. Élitros longos, com única carena manifesta, que quase atinge o ápice; lados leve e gradualmente expandidos na metade apical. Úmeros não projetados. Extremidades elitrais arredondadas. Metasterno com sulco longitudinal profundo. Pernas curtas; ápices dos metafêmures atingem o meio do urosternito III. Trocanteres normais.

Discussão. Antenômeros III e IV com franja densa e élitros com única carena tornam Hemilocrinitus semelhante aos gêneros: Arixiuna Martins & Galileo, 1992 e Cuicirama Martins & Galileo, 1992. Distingue-se de Cuicirama pela franja de pêlos dos antenômeros III e IV com o mesmo comprimento; pelo antenômero III tão longo quanto o escapo; pelas antenas mais curtas que o corpo e pelos tubérculos anteníferos próximos e projetados. Em Cuicirama a franja de pêlos do antenômero IV é mais longa que a do III; antenômero III mais longo que o escapo; as antenas são mais longas que o corpo e os tubérculos anteníferos são distantes e não projetados.

Difere de Arixiuna pela ausência de costas no dorso dos élitros; pelos tubérculos anteníferos próximos e projetados e pelos élitros levemente expandidos na metade apical. Em Arixiuna os élitros apresentam costas dorsais; os tubérculos anteníferos são distantes e não projetados e os élitros são pouco expandidos para o ápice [menos em A. varians (Bates, 1881)].

Hemilocrinitus barbatus sp. nov. (Fig. 3)

Etimologia. Latim, barbatus = barbado, alusivo à franja nos antenômeros.

Cabeça com tegumento alaranjado e áreas pretas nos tubérculos anteníferos, atrás dos olhos e triangular no vértice. Antenas pretas; base do antenômero III com anel amarelado. Escapo (25x) provido de abundantes pêlos curtos e pretos. Antenômeros III e IV com pêlos pretos em toda superfície. Pronoto alaranjado com faixa preta central preta. Partes laterais do protórax pretas em larga faixa e alaranjadas no limite com o prosterno. Escutelo preto. Élitros alaranjados. Procoxas e pequena região basal dos profêmures amareladas. Meso- e metatrocanteres amarelados. Meso- e metafêmures, meso- e metatíbias e tarsos, pretos. Prosterno e centro do mesosterno pretos; restante da face ventral do corpo preta.

Dimensões em mm, respectivamente macho/fêmea. Comprimento total, 12,1/13,2; comprimento do protórax, 1,7/1,9; largura anterior do protórax, 1,8/2,2; largura posterior do protórax, 2,4/2,7; comprimento do élitro, 9,4/10,0; largura umeral, 3,0/3,5.

Material-tipo. Holótipo macho, COSTA RICA, Puntarenas: Coto Brus (Estación Biológica Las Alturas, 1500 m), 3-4.IX.1992, E. Sancho col., L-S 322500, 591300 (INBio). Parátipos – ditto (P. Int. La Amistad, Send. Casa Coca a Cerro Quemado, 2100 m), fêmea, 31.VIII.2001, R.G. Tenorio col. (FTHC); Cartago: Tapanti (Parque Nacional Tapanti, Quebrada Segunda, 1150 m), macho, IV.1994, G. Mora col., Malaise, L N 194000 559800 # 3110 (MZSP).

 

AGRADECIMENTOS

A Frank T. Hovore (FTHC) pelo envio de material para estudo; a Rafael dos Santos Araújo (MCNZ) pelo execução das fotografias.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bates, H. W. 1879-85. Biologia Centrali-Americana, Insecta, Coleoptera, Longicornes. London. v.5.        [ Links ]

Chemsak, J.A. 1972. A new seed inhabiting cerambycid from Costa Rica. Pan-Pacific Entomologist, 48(2):150152.        [ Links ]

Giesbert, E. 1987. A new genus and species in the tribe Macrotomini from Costa Rica. Pan-Pacific Entomologist, 63(2):147150,        [ Links ]

Hovore, F.T. 1987. A new genus and species of Cerambycidae from Costa Rica. Pan-Pacific Entomologist, 63(2):151154,        [ Links ]

Melzer, J. 1931. Cerambicideos neotrópicos, principalmente do Brasil. Revista de Entomologia, 1(1):115.        [ Links ]

Melzer, J. 1932. Vinte espécies novas de Cerambycideos neotrópicos, principalmente do Brasil. Revista de Entomologia, 2(2):216–238.        [ Links ]

Melzer, J. 1933. Cerambycideos neotrópicos novos ou pouco conhecidos. Revista de Entomologia, 3(3):367–382.33.        [ Links ]

 

 

Recebido em: 18/11/2004
Aceito em: 04/07/2005

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